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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA UM SONETO: A Ideia - Augusto dos Anjos


A Ideia

De onde ela vem? De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
Num mulambo da língua paralítica!


(AUGUSTO DOS ANJOS – Coleção NOSSOS CLÁSSICOS:  AUGUSTO DOS ANJOS – POESIA,  Livraria AGIR Editora, Rio de Janeiro, 1960.)
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UM POETA “SUI-GENERIS”

            AUGUSTO DE CARVALHO RODRIGUES DOS ANJOS nasceu na Paraíba, em 1884. Formado em Direito (Recife), não exerceu a advocacia, tendo-se dedicado ao ensino da Literatura. Em 1910, mudou-se para o Rio de Janeiro e daí, tuberculoso e neurótico, transferiu-se para Leopoldina, MG, onde faleceu em 1914.
            Augusto dos Anjos é um poeta “sui-generis”: sua poesia não encontra classificação dentro das escolas estudadas. Deixou um único livro – “EU E OUTRAS POESIAS”, de um estilo mesclado de forte realismo, pessimismo doentio e linguagem científica.
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A SANTA MISSA E O IMENSO PODER DO SACERDOTE - Padre David Francisquini


6 de dezembro de 2018
♦  Padre David Francisquini *

Tanto pelo seu cerimonial quanto pelo sacrifício que nela se realiza — a renovação e perpetuação do próprio holocausto do Calvário —, a Santa Missa é um mistério tão sublime, que sua grandeza e esplendor, sua santidade e profundidade, sua nobreza e excelência ultrapassam o conhecimento dos mortais. No entanto, tudo isso está contido nessa celebração que é o centro da Igreja Católica Apostólica Romana enquanto instituição divina.

A Missa, por sua ação sacrifical, representa simbolismo único ao indicar que o próprio Deus enviou a Vítima para redimir e salvar o gênero humano. No Gólgota, Jesus Cristo morreu uma só vez por todos, com o derramamento de seu sangue e de sua morte física. No altar, essa imolação é renovada diariamente de forma incruenta, e os seus infinitos frutos são aplicados aos membros da Igreja, misticamente, sob as espécies do pão e do vinho.

O santo sacrifício tem por finalidade honrar a Deus como convém num ato de adoração, render-Lhe graças pelos benefícios recebidos, aplacá-Lo e dar-Lhe a devida satisfação pelos nossos pecados,a fim de alcançarmos todas as graças necessárias à nossa eterna salvação.

Missa significa enviada, de acordo com São Tomás de Aquino. “Ide, o envio está feito”, ou, no sentido literal, “ide, foi enviada”. Daí deriva o nome de missa. “Ite missa est“, a Vítima é enviada por meio de um Anjo para que seja aceita por Deus.

Nesse ato litúrgico adornado e enriquecido por sinais, gestos, orações, reverências e cruzes há uma beleza encantadora para a piedade cristã. O que se realiza não são apenas simbolismos, mas uma realidade, pois o próprio Cristo é sacerdote e vítima, através da ação ministerial do celebrante. Até as alfaias sacerdotais utilizadas nesse cerimonial embelezam a Missa, pela variedade de simbolismos. O sinal da cruz na casula do paramento românico [foto acima] indica tratar-se de um sacrifício que está sendo renovado.

Cabe salientar que a Missa tradicional é de uma riqueza incomparável no campo litúrgico, exegético, moral e teológico, constituindo um verdadeiro tratado dessas matérias. Ela invoca a intercessão dos santos, da Virgem Maria e dos santos exponenciais do sacrifício do Antigo Testamento, que se perpetua ao longo dos séculos.

Com efeito, não há um ato mais excelente na Terra do que a Missa, por se tratar do sacrifício do Homem-Deus que se renova em nossos altares debaixo das espécies do pão e do vinho, sendo o sacrifício da antiga Lei prefigura do sacrifício de Cristo. Por isso exclamava o Salmista que suas delícias estavam na casa de Deus, a alegria da sua juventude.

Então, o júbilo dos filhos de Deus é o de se encontrar com o Senhor dos Exércitos, que Se imola e Se oferece a Deus Pai. Ao estarem na casa do Senhor, seus pés não param, porque a casa de Deus está edificada como uma cidade cujas partes estão em perfeita e mútua união.

Em seu livro As excelências da Santa Missa, São Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores, narra que Santo Isidoro, simples lavrador [ao lado, sua imagem em azulejos] , tomava o cuidado de nunca faltar à Missa pelas manhãs. Deus, para demonstrar-lhe o quanto prezava essa devoção, mandava seus anjos lavrar o campo de Isidoro enquanto ele se encontrava na igreja.

Não é de esperar que Deus faça para o comum dos fiéis milagres tão sensíveis e de tal monta, mas de muitas maneiras irá Ele recompensá-los por esse ato de piedade.

Outro exemplo citado na mesma obra é o de São Venceslau, Rei da Boêmia, que com muita humildade fazia questão de acolitar diariamente a Missa. Além de presentear as igrejas com joias preciosas de seu tesouro, costumava confeccionar com as próprias mãos as hóstias destinadas ao Santo Sacrifício. E sem diminuir em nada a sua dignidade real, cultivava um trigal, e desde a preparação da terra até a colheita, ele próprio moía os grãos, preparava a farinha e as hóstias e as apresentava aos sacerdotes para se tornarem o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Jesus Cristo.

Como é bom o Senhor, que fez maravilhas e Se entregou a nós em sacrifício para expiação dos nossos pecados! Não há como explicar e nem sequer realçar a grandeza do sacerdócio católico, porque é outro Cristo que imola em união com Ele esse sacrifício perene que liga Deus aos homens. Com efeito, nem os Anjos possuem tal poder.
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(*) Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria (RJ).



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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

VIVER E AGRADECER – João de Paula


É vivendo e agradecendo que vamos descobrindo as maravilhas da vida.
Na realidade tal como ela é, cabe a cada um de nós saber de que lado ficar: lamuriar ou agradecer. Às vezes nos sentimos impotentes, mediante a posição social e o poder de muita gente em nossa volta; mas, devemos viver e agradecer os nossos momentos de vida vivenciados no dia-a-dia, porque tudo a Deus pertence.

Agradecer pela boa visão...
Agradecer pelo bom funcionamento do nosso corpo...
Agradecer pela nossa boa mente e coração...
Agradecer pela vida agora, amanhã e sempre.
Pelas estradas da vida, vale o nosso posicionamento mediante Deus, Saúde e Dinheiro, porque eles vogam muito mais...É claro, com o amor em nossos corações.

Nosso proceder deve ser o de agradecer pela família, pelos amigos, pelos encontros, reuniões, confraternizações, permitindo que o nosso amor seja ampliado com a gratidão, para sermos exemplos de cidadãos firmes e fortes.

É tempo de Paz.
É tempo de Amor.
É tempo de Esperança, tempo de Vida,
Tempo de Alegria, tempo de Renovação.
É tempo de Gratidão, é tempo de transformação,
Tempo de encontro feliz, tempo de Oração.
É tempo de servir, tempo de generosidade,
Tempo de Paz e Amor.

Nem sempre a gente pode estar no topo, mesmo permanecendo na base; devemos erguer a cabeça para o alto e agradecer pela grandiosidade da vida, com uma visão além do comum, porque o que nos diferencia das outras pessoas é o bom trato, o agradecer, o servir, a humildade e a tolerância.

Já argumentei em outra ocasião que o cidadão  ao se sentir inferior, em nível inferior, com lamurias e lamentações, não engrandece o viver da gente, porque a poesia e o amor não se fazem presente.  O coração agradecido se liga a Deus; e o queixoso, lamurioso, a satanás.

Em que posso ajudar você hoje?
Em que posso servir?
Em que posso colaborar?

Lembre-se deste procedimento rico, mãos limpas e um coração puro, que vai fazer de você uma pessoa maravilhosa, benigna e benquista: Hoje devo fazer algo por aqueles que passarem no meu caminho para ficarem felizes com Deus e por existirem.

Todos que estão no topo, na base, no meio ou abaixo do nível, devem ter único procedimento: Agradecer pelo amor à vida, pela vida, pelo existir, por fazermos parte do hoje com nossos amados amigos, amigas e familiares.

Vamos agradecer pela feliz oportunidade de fazermos parte da realidade tal como ela é, porque quem já morreu não tem mais perspectiva de vida, chegou ao fim existencial neste planeta terra, paraíso terrestre, que não vão comer mais, viajar, plantar, colher, presentear, acumular bens ou ser exemplos de alguma coisa.

A esperança deve ser nossa companheira constante com o servir 
e a gratidão de poder vivenciar a vida.
Vida com flores e espinhos.
Vida com sabores e sem sal
Vida com dia e noite.
Vida de Realizações, sucesso, honra e glória.

Lembre-se:

É vivendo e agradecendo que vamos descobrindo as maravilhas da vida.


João Batista de Paula
Escritor e Jornalista.

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ESTOU EM CONSTRUÇÃO – Gabriel Chalita



Durante a nossa vida causamos transtornos na vida de muitas pessoas, porque somos imperfeitos. Nas esquinas da vida  pronunciamos palavras inadequadas, falamos sem necessidade, incomodamos. Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente. Mas agredimos.

Não respeitamos o tempo do outro, a história do outro. Parece que o mundo gira em torno dos nossos desejos e o outro é apenas um detalhe. E, assim, vamos causando transtornos. Esses tantos transtornos mostram que não estamos prontos,  mas em construção. Tijolo a tijolo o templo da nossa história vai ganhando forma. O outro também está em construção  e também nos causa transtornos.

E, às vezes, um tijolo cai e nos machuca. Outras vezes, é a cal ou o cimento que sujam nosso rosto. E quando não é um, é o outro. E o tempo todo nós temos que nos limpar e cuidar das feridas, assim como os outros que convivem conosco  também têm de fazer.

Os erros dos outros, os meus erros..
Os meus erros, os erros dos outros.

Esta é uma conclusão essencial: Todas as pessoas erram. A partir dessa conclusão,  chegamos a uma necessidade humana e cristã: O PERDÃO!

Perdoar é cuidar das feridas e sujeiras. É compreender que os transtornos  são muitas vezes involuntários. Que os erros dos outros são semelhantes aos meus erros e que, como caminhantes de uma jornada, é preciso olhar adiante.

Se nos preocupamos com o que passou, com a poeira, com o tijolo caído, o horizonte deixará de ser contemplado. E será um desperdício. O convite que faço é que você experimente a beleza do perdão. É um banho na alma! Deixa leve!

Se eu errei, se eu o magoei,
Se eu o julguei mal,
Desculpe-me por todos esses transtornos!
Estou em construção!

 Gabriel Chalita


"Gotas de Crystal" ppscrystal@yahoo.com..br

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ABL HOMENAGEIA AFONSO ARINOS (1868/1916), ALCINDO GUANABARA (1865/1918) E INGLÊS DE SOUSA (1853/1918) NO CICLO MEMÓRIA REVERENCIADA I



 A Academia Brasileira de Letras abre seu ciclo de conferências do mês de dezembro de 2018, intitulado Memória reverenciada I, com palestras dos Acadêmicos Antônio Torres, Cícero Sandroni e Domício Proença Filho, que homenagearão, respectivamente, os Acadêmicos Afonso Arinos (1905/1990), Alcindo Guanabara (1865/1918) e Inglês de Sousa (1835/1918). O evento está programado para o dia 6 de dezembro, quinta-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

Memória reverenciada II, na semana seguinte, dia 11, terça-feira, no mesmo local e horário, prestará homenagem a mais três Acadêmicos: Olavo Bilac (1865/1918), Graça Aranha (1865/1931) e Padre Fernando Bastos de Ávila (1918/2010). Os palestrantes, respectivamente, serão o Presidente da ABL, Marco Lucchesi; a escritora e autora da biografia de Graça Aranha, Maria Helena Castro Azevedo; e o Acadêmico Alberto Venancio Filho.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica Ana Maria Machado é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

OS HOMENAGEADOS

Segundo ocupante da Cadeira 40, eleito em 31 de dezembro de 1901, na sucessão de Eduardo Prado e recebido em 18 de setembro de 1903 pelo Acadêmico Olavo Bilac, Afonso Arinos, advogado, contista, romancista, nasceu em Paracatu, MG, a 1º de maio de 1868, e faleceu em Barcelona, Espanha, a 19 de fevereiro de 1916.

Alcindo Guanabara, jornalista e político, nasceu em Magé, RJ, em 19 de julho de 1865, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 20 de agosto de 1918. Convidado para a última sessão preparatória da Academia Brasileira de Letras, fundou a cadeira nº 19, que tem como patrono Joaquim Caetano. Em 1886, fundou seu primeiro jornal, a Fanfarra, órgão acadêmico. Entre os colaboradores estava Olavo Bilac.

Inglês de Sousa (Herculano Marcos Inglês de Sousa), advogado, professor, jornalista, contista e romancista, nasceu em Óbidos, PA, em 28 de dezembro de 1853, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 6 de setembro de 1918. Compareceu às sessões preparatórias da criação da Academia Brasileira de Letras, onde fundou a cadeira nº 28, que tem como patrono Manuel Antônio de Almeida. Na sessão de 28 de janeiro de 1897 foi nomeado tesoureiro da recém-criada Academia de Letras.

29/11/2018


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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA, UM POEMA: Quando poema rota - Geraldo Maia



Quando poema rota

Queria escrever depois do almoço
gotas de sais faíscam no prato
sobras de um fato com crase
quase um menino com dedos famintos
a futucar meu riso com sua míngua
depois do almoço arroto a rota 66
pavê de sobremesa só quem é cego
e não vê que o menino tem cárie 
no carinho e uma tatuagem de silêncio 
no cotovelo cai a moeda a perna se abre 
embaixo da mesa cabe uma coxa sem trânsito
mas tudo em volta emerge urgem 
coquetéis e motos bomba no cruzamento
entre judeus e palestinos em barricada de pássaros e pátina e pálpebras
forçar a barra para o ritmo não ficar binário 
e não passar por otário na polícia
minha mulher fugiu com o talão de cheque 
do antigo amigo de infância
e eu perdi o jogo do corinthians que perdeu o campeonato mundial de sopapos
depredaram tudo no elevador antes do garçom chegar 

com sua máquina portátil de débito em crédito
mas eu insisto e não acredito em papai noel
não acredito em cornos sem furos
não acredito em muros sem Berlim
não acredito enfim em traições
a não ser as que vi
aspirina pirei
às de topázio
e o menino está pagando de comer
pedi um prato de spaghetti ao sugo
e juro que é real
esse poema é real
a fome do menino é real
FHC pagou de real no circo
Na real ele quer liberar geral
e geraldo é o meu primeiro nome
geraldo
apenas geraldo
sete letras
não dá para ver lá no fundo do universo
Não?
Antonio Milton faça o favor
Ilumine aqui com sua verve
esse cantinho do infinito
onde ínfimo perambulo
com um embrulho de poeira
onde guardo o pó do meu pecado
e creio que Deus é tão concreto
quanto Amor.



Geraldo Maia

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SULLY, O CACHORRO QUE ACOMPANHOU GEORGE H.W. BUSH ENCANTA O MUNDO EM DESPEDIDA





O labrador que acompanhou o ex-presidente dos Estados Unidos George H.W. Bush nos últimos sete meses foi visto deitado ao lado de seu caixão no último domingo (2).

 Bush, que serviu como o 41º presidente dos EUA entre 1989 e 1993, morreu na noite de sexta-feira aos 94 anos.

 O clique foi feito pelo assessor do ex-presidente Jim McGrath com a legenda: “Missão completa”. A família planeja levar Sully para Washington para dar o último adeus ao ex-presidente, segundo a rede norte-americana CNN.

Sully tem dois anos e é altamente treinado para obedecer a vários comandos, como atender o telefone, buscar itens e abrir e fechar portas.

Ele foi morar com George H.W. Bush em abril, depois que a ex-primeira-dama Barbara Bush morreu.





The 41st President accompanied by his two best friends -- Jim Baker and Sully -- discharging his civic duty and voting today.



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