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domingo, 8 de julho de 2018

PALAVRA DA SALVAÇÃO (86)


14º Domingo do Tempo Comum – 08/07/2018

Anúncio do Evangelho (Mc 6,1-6)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga.
Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?” E ficaram escandalizados por causa dele.
Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados da redondeza, ensinando.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Paulo Ricardo: 
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Num mundo de indiferença, ser presença que faz diferença


“E ficaram escandalizados por causa dele” (Mc 6,3)

Marcos não tem relatos da infância de Jesus. Por isso, busca narrar alguns encontros dele com seu povo e sua família. No entanto, para aqueles que melhor O conheciam, Jesus era visto como um homem a mais, um galileu a mais do povo. Seus conterrâneos estavam tão seguros de que Ele era uma “pessoa normal”, que não podiam aceitar Seu modo original de ser. Eram seus companheiros de infância, tinham brincado juntos, trabalhado com Ele, sabiam perfeitamente quem Ele era. “Enquadraram-no” numa família, requisito indispensável, naquela época, para ser alguém. Até esse momento não haviam descoberto n’Ele nada fora do “normal”. Como não esperassem nada extraordinário, de onde Ele tirava tanta sabedoria?

O relato deste domingo é surpreendente. Jesus foi rejeitado precisamente pelos seus parentes e familiares. É a primeira vez que Ele experimenta uma rejeição coletiva, não dos dirigentes religiosos, mas de sua comunidade familiar, com quem convivera tanto tempo. Jesus se sente “desprezado”: os seus não o aceitam como portador da mensagem profética de Deus. Por isso, fecham-se em suas ideias preconcebidas a respeito do seu vizinho Jesus e resistem a abrir-se à novidade revolucionária de sua mensagem e ao mistério que se revela em sua pessoa.

Porque estavam acostumados a ouvir sempre o mesmo, rejeitam-no por ensinar “coisas novas”. Mas Jesus não se deixou domesticar e nem se acomodou às expectativas de seus conterrâneos.

Sua vida desconcertou a todos; seu modo de falar, seus critérios, seu compromisso em favor da vida, sua liberdade de espírito suscitou um espanto em todos. Sua presença despertou perguntas, dúvidas e até discussões. Quem será Ele? Será o Messias? Ou não será? Como explicar sua vida?

Porque, “sendo um entre tantos”, atuava, pensava e vivia um estilo único que o diferenciava de todos?

Sua postura de mestre e sua atuação desencadearam no seu povo uma crise, ou seja, romperam com a “normalidade doentia” das pessoas e se revelou imprevisível e desconcertante.

Na realidade, a reação dos familiares e parentes de Jesus é expressão da mesma reação que surge em todos nós quando,  diante de alguém que se revela original, com um novo modo de ser e viver, manifestamos suspeitas, dúvidas, indiferença... O ser humano, em todos os tempos, tende a instalar-se, acomodando-se facilmente ao conhecido e se deixando levar pela rotina que evita sobressaltos; isso lhe confere uma certa sensação de segurança e tranquilidade: “para quê e por quê mudar...?” 

E isso ocorre também com suas idéias, crenças, visões...

Habituado a ver a realidade a partir de uma determinada perspectiva, custa-lhe abrir-se a outras percepções, novas ou desconhecidas. Tem medo de ser diferente e reage com indiferença frente àqueles que são diferentes. E a indiferença mata.

Prefere a vulgaridade de ser como todo mundo à originalidade de ser diferente; prefere a monotonia de ser como todos e passar desapercebido na multidão, sem chamar a atenção por ser distinto a todos, sendo ao mesmo tempo, como todos. 

Podemos, então, afirmar que o mais anti-evangélico será sempre uma pessoa, um grupo ou uma instituição instalada em suas ideias, posturas normóticas, preconceituosas, intolerantes...

Todos sabemos que isso constitui um mecanismo de defesa através da qual a pessoa busca proteger-se frente àquilo que poderia questioná-la ou trata de desqualificar a alguém diante de quem se sentiria inferi-or. Aqui aparece claro como a desqualificação do outro esconde medo ao diferente ou, simplesmente, ao novo, e algum sentimento oculto de inferioridade.

O filósofo Gabriel Marcel escreveu que “a indiferença é o grau mais baixo da liberdade” e o Pastor negro, Martin Luther king Jr, concordava com isso, ao dizer que se assustava mais com a indiferenças dos bons do que com as atitudes dos maus. De fato, ele tinha razão.

Se, por um lado ela é “a maneira mais polida de desprezar alguém” (Mario Quintana), a indiferença, em relação ao outro, é terreno fértil para alimentar o ego, levando-o à cobiça e à inveja.

Não admira o semelhante a não ser para desconstruir ou destruir a sua imagem.

De fato, a indiferença é como uma praga no jardim, vai se espalhando e contaminando e pode revelar, em sua raiz, uma insegurança estonteante em relação ao outro. Psicologicamente, diríamos que a indiferença é um mecanismo de defesa, é negação. Na negação do outro se escondem sentimentos de auto-destruição e um deles é a inveja. Quem cultiva a indiferença, facilmente sente-se alegre ao saber que o outro está numa pior. Nietzsche afirma que não saber voar é a qualidade dos indiferentes que, cada vez menos, enxergam aqueles voam alto e, se os enxergam, é a partir de uma ótica corrompida pela forma ofuscada de ver a vida. Jesus foi aquele que começou a voar alto e sua comunidade tentou cortar suas asas. 

Também para nós hoje continua sendo difícil crer n’Aquele que simplesmente se revela “como um de nós”. Não é fácil reconhecer a passagem de Deus por nossa vida, especialmente quando essa passagem se reveste de “roupagem comum”; às vezes, gostaríamos que Deus se manifestasse de maneiras espetaculares, mas o enviado d’Ele, seu próprio Filho, come em nossas mesas, caminhas nossos passos e veste nossas roupas. Rejeitamos, quase que por instinto, a revelação de um Jesus muito humano e que não esteja de acordo com o que aprendemos desde pequenos. Acostumados a ouvir sempre o mesmo, se alguém diz algo diferente, mesmo que esteja mais de acordo com o Evangelho, rejeitamos de imediato.

Estamos seguros de que “tudo o que não corresponde ao sabido, ao esperado, não pode vir de Deus”. Em outras palavras, temos medo do Jesus humano, porque Ele coloca em questão nossa segurança, nosso estilo de vida e nossa vivência religiosa.

Entrar no caminho do seguimento de Jesus implica estar desapegado de todas as falsas imagens que podemos fazer sobre Ele. Sempre que nos fechamos em ideias fixas sobre Jesus, estamos nos preparando para o escândalo.

O Jesus do Evangelho nunca se apresenta duas vezes com o mesmo rosto. Se O buscarmos de verdade, descobri-Lo-emos sempre diferente e desconcertante. Se esperamos encontrar um “Jesus domesticado”, nos enganamos a nós mesmos, aceitando o ídolo que já nos é familiar. A consequência é uma vida cristã atrofiada e pesada, centrada na doutrina, na lei, na moral, e não no seguimento d’Aquele que, na “normalidade da vida”, deixou trans-parecer o extraordinário Amor do Pai. 

Texto bíblico:  Mc 6,1-6 

Na oração: Marcos não narra este episódio em Nazaré para satisfazer a curiosidade de seus leitores, mas para advertir às comunidades cristãs que Jesus pode ser rejeitado justamente por aqueles que acreditam conhece-Lo melhor: aqueles que se fecham em suas ideias pré-concebidas, sem abrir-se à novidade de sua mensagem e nem ao mistério de sua pessoa.

- Esta era a preocupação de Paulo: “Não apagueis o Espírito, não desprezeis o dom de Profecia, mas examinai tudo e ficai só com o que é bom” (1Tes. 5,19-21). Nós cristãos deste tempo pós-moderno estamos precisando alimentar esta atitude. Estamos vivendo demasiado indiferentes frente à novidade revolucionária da mensagem de Jesus. Com o peso do legalismo, do moralismo, do ritualismo... estamos correndo o risco de apagar seu Espírito e desprezar sua Profecia.

- Rezar sua presença cristã no cotidiano da vida: faz diferença? Presença inspiradora e provocativa? Ou presença acomodada, sem deixar-se interpelar pelo modo original de ser e viver de Jesus?...


Pe. Adroaldo Palaoro sj 

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sábado, 7 de julho de 2018

02 Marinha e Exército 2016 Bons tempos!

REBELIÃO CONTRA O SUPREMO


Depois de soltarem inúmeros condenados da Lava Jato, os ministros da 2ª Turma do STF Dias Toffoli, Lewandowski e Gilmar Mendes receberam uma saraivada de ataques de procuradores e juízes. Jamais na história integrantes do tribunal estiveram tão em xeque

JARDINEIRO Dias Toffoli, integrante do chamado “Jardim do Éden”, que toma medidas favorecendo réus da Lava Jato, foi um dos ministros do STF mais criticados (Crédito: Mateus Bonomi)
Ary Filgueira
05/07/18

As recentes decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), favorecendo criminosos da Lava Jato, geraram reações em série da sociedade diante do teor injustificável das sentenças e da insegurança jurídica que provocaram. Após uma bateria de comentários críticos desde a semana passada, os promotores de Justiça, que atuam na ponta dos processos, junto às varas de 1ª Instância, resolveram abrir guerra declarada contra a tríade formada pelos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski da 2ª Turma do STF, aquela que, por sua camaradagem com quem comete delitos, ficou conhecida como “Jardim do Éden”. Na quarta-feira 4, divulgaram uma nota técnica assinada por quase 200 integrantes do MP pedindo ao STF o cumprimento da execução da pena a partir da condenação em 2ª Instância, acabando, assim, com a “Operação Libera a Jato” que o trio resolveu colocar em marcha.

No documento digital, de 15 páginas, juízes e promotores fazem um alerta: os integrantes da 2ª Turma tentam confundir o País e seus pares ao quererem empregar as mesmas regras da prisão preventiva à execução da pena após a condenação em 2ª Instância, como a de que o réu deverá ser encarcerado somente se representar perigo à sociedade ou se estiver incorrendo no mesmo tipo de crime. Os promotores argumentam que a prisão após condenação em 2ª Instância dispensa esses requisitos, porque não é processual. E esse foi o entendimento do pleno do Supremo. Assim, precisa ser seguido por todo o Judiciário, a começar pelas instâncias intermediárias do STF.


Entusiasta do manifesto, o promotor de justiça do Distrito Federal Renato Varalda disse que a adesão ao documento deve aumentar ao longo da próxima semana. “O objetivo é sensibilizar o Supremo para que ele mantenha o entendimento de vinculação das decisões do pleno aos ministros e às Turmas desse Tribunal, bem como sedimentar o entendimento de que a prisão, após a condenação em 2ª Instância, não possui como fundamento a cautelaridade, prevista no artigo 312 do Código de Processo Penal, porque já houve o esgotamento da apreciação do fato pelas instâncias ordinárias”, explica ele.

Liberou geral

A crítica se refere às últimas decisões do Supremo, que usou o subterfúgio de que a prisão após a 2ª Instância deve obedecer aos critérios da prisão preventiva como um dos argumentos para soltar presos da Lava Jato. No dia 26 de junho, o triunvirato Toffoli, Mendes e Lewandowski liberou o ex-ministro José Dirceu, depois dele ter voltado para a cadeia. Na semana passada, Toffoli foi além: contrariando uma decisão do juiz Sergio Moro, eximiu Dirceu de usar tornozeleira eletrônica. O coordenador da Lava-Jato no Paraná, procurador Deltan Dallagnol, reagiu de maneira contundente: “A 2ª Turma suspendeu pena contra decisão do STF que permite prisão em 2ª instância. Naturalmente, cautelares (tornozeleiras) voltavam a valer. Agora, Toffoli cancela cautelares de seu ex-chefe”. O ministro também derrubou outras cautelares de Moro, como a entrega de passaporte e a proibição de se comunicar com demais acusados e testemunhas.

VERGONHA Essa foi a palavra escrita nas mensagens enviadas para as caixas de e-mails dos ministros do STF (Crédito:André Dusek)

Nunca integrantes do STF estiveram tão em xeque como agora. O ideal iluminista, defendido por magistrados de toga em seus votos, tinha como propósito pôr fim ao poder absoluto do rei e diluí-lo entre três poderes distintos. Coube ao Judiciário ser a “boca que reproduz as palavras da lei”, segundo Montesquieu em O Espírito das Leis. Ocorre que toda vez que é vilipendiada, sobretudo por ministros que deveriam ser o seu principal guardião, a Constituição vira letra morta, tábula rasa. As decisões levadas adiante nas últimas semanas carecem de juridicidade e escancaram à sociedade civil a precariedade da instância máxima do Judiciário e o que é pior: provocam insegurança jurídica decorrente de decisões parciais vindas de uma corte, cujas características são – ou ao menos deveriam ser – exatamente a sua natureza técnica e apolítica. Não se pode aceitar que, em nome da defesa de determinados interesses, se promova o absolutismo de um Poder Judiciário incontrolável, que se declara como detentor da última palavra sobre o sentido da Constituição e que hoje já não tem escrúpulos em promover interesses próprios às custas da constitucionalidade.

A sociedade está atenta. Após a soltura de Dirceu, as caixas de e-mails do STF ficaram inundadas com críticas à decisão da 2ª Turma. Numas das mensagens que chegou para todos os ministros, havia apenas a repetição de uma palavra: “vergonha”.




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O DEIXAR IR - Julie Redstone



Às vezes acontece que, a fim de que surja uma nova identidade, não somente devem ocorrer as mudanças internas, mas as estruturas externas na vida de uma pessoa precisam ser liberadas. Este deixar ir pode incluir os relacionamentos, o trabalho, a segurança financeira, até o lugar no qual se vive. Este tipo de mudança drástica pode parecer aleatório ou desnecessário e pode parecer que tem somente consequências negativas. Entretanto, uma inteligência superior existe dentro do plano de vida para cada alma, que protege o avanço deste plano, até na presença da adversidade, e mesmo na presença da dor ou da perda. Tal inteligência contém a compreensão de que o que foi perdido ou liberado será substituído por uma nova série de circunstâncias que a alma está esperando, circunstâncias que trarão maior crescimento ao ser angelical em você e que somente o deixar ir pode trazer ao ser. Transtornos e perdas na vida podem assumir um tributo emocional, tanto interna quanto externamente. Eles podem fazer com que nos sintamos impotentes e com medo. Eles podem nos levar a temer um futuro desconhecido. É apenas em tais momentos que a confiança na inteligência primordial do projeto Divino para cada alma deve ser mantida, pois não há acasos na realidade espiritual.

Não há nenhum momento em que Deus esteja ausente. O que parece ter consequências terríveis em um nível está provocando um bem maior no outro, ainda que o ser humano possa experienciar a perda como dolorosa. A necessidade de deixar ir as estruturas familiares ou os relacionamentos, ao redor dos quais se tem construído uma vida não é incomum hoje em dia, pois este é o momento da purificação e da transformação, e todas as almas estão sendo levadas em direção ao caminho da mudança que seja mais propício ao seu crescimento. No meio deste movimento poderoso, o coração humano que não confia plenamente pode sofrer intensamente e se perguntar por que ele deve experienciar tal dor a fim de crescer. Diante disto, é a serenidade da alma e a conexão com esta parte mais profunda de si mesmo, que permite  que se mova com maior facilidade através de toda a turbulência que possa vir. É como navegar em uma onda sem terra à vista, confiando que ela os levará a uma praia segura.

Há muitos hoje que perderam ou deixaram para trás muito do que eles uma vez valorizaram ou confiaram; alguns que experienciaram isto como somente perda, e alguns que foram capazes de manter isto como uma parte de uma transição em uma diferente fase da vida, ou um modo de ser diferente. Pode se sentir à deriva enquanto espera que novos relacionamentos apareçam, que o trabalho espiritual se manifeste, ou que a segurança emocional se faça sentida. Durante este período de espera, pode-se sentir não ancorado e sozinho, imaginando se haverá um resultado positivo para todo o deixar ir que ocorreu. Compreender a natureza da realidade espiritual e da própria realidade como um ser divinamente criado, é de grande importância na manutenção de uma perspectiva positiva em tais momentos. Manter a fé no propósito Divino requer confiança na própria alma que sabe que Deus é real e que se é sempre mantido dentro desta realidade.

Esta é a base para a esperança no meio da mudança e para a confiança na presença do desconhecido. Pois o amparo divino flui em cada caminho que está aberto a ele. O suporte Divino flui em cada coração que pede por ele, seja ele aparente ou não. Em um período de mudança e de deixar ir, tal abertura e confiança devem ser perseguidas, até quando o eu exterior experiencia pouca habilidade em senti-las. Até então, o conhecimento de que toda a vida está direcionada para trazer o dom da maior integridade, mais amor e verdade – tal conhecimento é sustentador. Que todos cujas perdas trouxeram lágrimas, sejam confortados. Que todos cujos corações temeram o futuro, encontrem a segurança. Que todos os que desejaram se sentir mantidos no amor de Deus, saibam que eles são eternamente amados.

"Gotas de Crystal 04" ppscrystal@yahoo.com.br

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BRASIL E MÉXICO PERDERAM DE GOLEADA - Por Péricles Capanema


7 de julho de 2018
Péricles Capanema

A eleição de Andrés Manuel López Obrador (AMLO) [foto abaixo] representou derrota acachapante para todos os povos da América Latina. Repito, não só o México perdeu (estamos diante de um grande país, não é uma Nicarágua, um El Salvador); todos perdemos de goleada. O caudilho eleito assume em 1º de dezembro, e só nos resta esperar prevenidos o pior, pois sentiremos logo efeitos deletérios da atuação de AMLO.

Parafraseio dito conhecido: diga-me quem te elogia e te direi quem és. O político mexicano está sendo festejado por líderes representativos de políticas de esquerda que sempre trouxeram miséria e sofrimento para seus povos. E há muita mentira pelo meio. Primeiro, os elogios. Depois, as mentiras.

Evo Morales afirmou que o triunfo de Obrador escreverá “nova página na história da dignidade e soberania latino-americana”. Nicolás Maduro saudou-a como “o triunfo da verdade sobre a mentira”. Dilma Rousseff imagina, a eleição “será uma vitória não apenas do México, mas de toda a América Latina”. Cristina Kirchner, no mesmo diapasão, o triunfo de Obrador “é uma esperança não apenas para o México, mas para toda a região”. Chega… O tom é o mesmo nos milhares de congratulações e manifestações de alegria dos diferentes quadrantes da esquerda, desde a mais carnívora, até a mais herbívora. Raul Castro, Maduro, Evo Morales sentem que a situação deles melhorou. Melhorou também a de Lula no Brasil. Se estão satisfeitos, coisa boa não vem por aí, fico triste.

Falo agora a respeito das mentiras. Muita gente vem dizendo que é o primeiro triunfo da esquerda no México. Santo Deus! Lá a esquerda está no poleiro desde começos do século XX. E vou deixar de lado o século XIX. Aqui reside boa parte dos motivos pelos quais o México não vai para a frente. Empantanou no retrocesso e afundou no atraso, apesar de condições potencialmente favoráveis, como a riqueza de petróleo.

Está todo mundo esquecido de que o México foi o país escolhido por Leon Trotsky para se asilar (1937), de que o governo mexicano nunca rompeu com Fidel Castro? Por anos, foi o único país latino-americano a manter relações com o ditador. O PRI, no poder de 1929 a 2000 por meio da ditadura efetiva, da fraude e da corrupção, é membro da Internacional Socialista. Tudo isso deixa sequelas.

Apesar da história incontroversa, o site do PT, em artigo celebrando a vitória de López Obrador, descaradamente proclama: “Sua vitória põe fim a um domínio de quase 90 anos da direita e centro-direita na política mexicana”. Na verdade, apenas de 2000 a 2012 o México teve governos com propensão liberal na economia.

Repito o óbvio, a esquerda vem infelicitando o México há décadas. Ninguém padece impunemente o infortúnio de governos de esquerda. E com isso, a carga de coletivismo, burocratização da vida, intervencionismo, estatismo, corrupção lacera fundo os ombros do povo mexicano. Tudo o indica, tais mazelas vão se agravar nos seis anos à frente, período do mandato de López Obrador.

Só um exemplo. A reforma agrária mexicana, medida xodó de todo tipo de esquerda, começou forte na década de 10 do século XX. Esse disparate entre nós deu seus passos iniciais bem mais tarde, com a criação da SUPRA (Superintendência de Reforma Agrária) em 11 de outubro de 1962 no governo João Goulart. Depois se agravou muito com os desastres em série que conhecemos.

No México, de 1911 a 1992 (71 anos com espada de Dâmocles sobre os produtores) o governo expropriou mais de 100 milhões de hectares de terras, o equivalente a dois terços das terras agriculturáveis. Melhorou a situação do campo? Não, como aqui, foi desastre ininterrupto, dinheirama dilapidada, fracasso de 70 anos. Hoje, parte dos camponeses foge espavorida rumo aos Estados Unidos (onde ninguém pensa em reforma agrária), para trabalhar lá como mão de obra barata, ganhando muito mais que no seu país natal, em que foram presenteados pela reforma agrária ‘redentora’. Acontece o mesmo em Cuba, agora na Venezuela. Os pobres tentam delas escapar, chicoteados pela fome e desesperança, têm horror dos efeitos das políticas sociais generosas de seus redentores socialistas. Debandam atraídos pela esperança de dias melhores nas egoístas sociedades capitalistas.

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Queria falar de outra coisa ainda. A revolução mexicana, da qual Obrador é herdeiro confesso, perseguiu a Igreja, roubando-lhe terras, nacionalizando propriedades, fechando conventos, proibindo culto público e educação religiosa, vestes talares nas ruas, assassinando padres, freiras e fiéis. Foi das mais furibundas manifestações do ódio religioso nas Américas. Perseguidos, morreram como mártires ou soldados cerca de 30 mil cristerosdurante a insurreição dos católicos inconformados (a reação cristera). Muitos deles foram beatificados ou canonizados pela Igreja.

Entre todos, avulta-se a figura do sacerdote jesuíta Miguel Pro, fuzilado [foto acima]. Tombou bradando “Viva Cristo Rei”. São dele os extratos de uma poesia-oração a Nossa Senhora das Dores que transcrevo abaixo:

Deixai-me viver a Seu lado, minha Mãe
Para fazer companhia a sua solidão
Eu não quero no caminho da minha vida
Desfrutar da alegria de Belém, adorando o Menino Jesus
Eu não quero desfrutar em sua humilde casa de Nazaré
Eu quero em minha vida
O desprezo e a zombaria do Calvário
Quero, ó Virgem dolorosa, estar perto de ti, em pé.

Beato Miguel Pro, rogai por nós, ajudai o México, sua pátria em perigo, enormemente necessitada de sua intercessão.


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sexta-feira, 6 de julho de 2018

O ‘GOOOOOOOL’ E O ORGASMO - Zuenir Ventura


O ‘goooooool’ e o orgasmo 

Durante a transmissão do jogo Brasil x México, um amigo de esquerda pedia, como se estivesse se dirigindo aos colegas mexicanos: “Já que vocês ganharam a eleição, deixem agora a gente ganhar o jogo”. Ainda estava 0 x 0, e ele se referia à histórica vitória, na véspera, do candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador (AMLO, como é chamado), o primeiro a chegar ao poder em seu país, contrariando a onda conservadora que varreu a América Latina.

A seleção mexicana, porém, não “deixou ganhar”, conforme foi solicitado por meu amigo; aliás, não facilitou nada; ao contrário, vendeu caro sua derrota por 2 x 0, resistindo bravamente à superioridade adversária. Ao time do Brasil, sim, se deve atribuir todos os méritos, pois realizou uma excelente partida, talvez a melhor desta Copa, com destaque para Neymar em seu mais bem-sucedido desempenho, redimindo-se de seus tombos, queixas e encenações, e sendo aclamado como o melhor em campo.

Em contrapartida, o vexame foi dado pelo técnico do México na entrevista coletiva depois do jogo. Em vez de se desculpar pelo pisão desleal que um de seus jogadores deu em Neymar caído, fora do campo, o tal Osório deu uma declaração machista como há muito não se via: “Futebol é esporte de homens”. Não é verdade, é um esporte também de mulheres. Marta é uma craque melhor do que muitos dos jogadores da seleção do México. E homem não pode ser caracterizado como o animal que pisa o outro deitado.

Para os que reclamavam da suposta falta de interesse do povo para com a Copa do Mundo, o desmentido veio no noticiário televisivo da noite: em quase todas as capitais, a animação popular — a vibração, os cantos, os pulos — tinha sido de um dia de carnaval, não de uma segunda-feira que nem feriado era. As ruas ficaram vazias, o comércio fechou as portas e as pessoas se concentraram em vários locais para ver o jogo e torcer como se estivessem num estádio. Um astral bem diferente daquele que um leitor descreveu em recente carta ao jornal: “...estamos tristes, não nos orgulhamos de nada, pelo contrário, tudo nos envergonha e entristece”.

Como futebol é cultura, aí vai uma original descoberta. O linguista e membro da Academia Brasileira de Letras Domício Proença Filho tem uma teoria que explica o sucesso de Galvão Bueno pela evocação erótica de sua narração, que nos momentos culminantes reproduz, segundo o professor, o ritmo crescente que leva ao orgasmo: “olhogol, olhogol, olhogol, olhogol, olhogol, gooooooooooooool”.

O Globo, 04/07/2018


Zuenir Ventura - Sétimo ocupante da Cadeira n.º 32 da ABL. Foi eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna, e recebido no dia 6 de março de 2015, pela Acadêmica Cleonice Berardinelli.

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MONSANTO E BAYER – Thomas de Toledo


Monsanto e Bayer

A doença é um ótimo negócio no capitalismo e a coisa funciona assim.

A Bayer compra a Monsanto, formando um truste.

A parte Monsanto joga veneno nas frutas, verduras, legumes e cereais.

As pessoas consomem e ficam doentes. Aí entra a Bayer com o remédio.

Ela não cura, mas a prolonga o tratamento para ganhar mais.

Como tem patentes e monopoliza o mercado, ela coloca o preço que quiser.

Da mesma forma que a agricultura com veneno é subsidiada pelo governo, o sistema público de saúde também pagará pelo tratamento.

O político bancado por essas empresas trabalha para tirar as restrições ao veneno e para encarecer o custo dos orgânicos.

Com aumento no número de doentes, ele promete construir hospitais.

O povo vota e ele trabalha para as empresas.

Assim, o Estado gira essa roda de envenenamento, doença, político vendido.

Quem paga para ficar doente e depois ser tratado é o próprio cidadão.

Coisas do capitalismo.

Para vencer isto, há três formas: vai pra Cuba, vira hippie ou luta pelos orgânicos, pela quebra de patentes, pelo desenvolvimento da ciência e por um SUS público e de qualidade.


AUTOR: Professor Thomas de Toledo



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