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quinta-feira, 7 de junho de 2018

EM ENTREVISTA, O PORTUGUES MAGNO JARDIM APRESENTA TRAJETÓRIA LITERÁRIA


Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Manuel  MAGNO Cachucho JARDIM nasceu em 2 de setembro de 1986 na bela cidade do Funchal. Uma das coisas que mais o atraíram desde cedo foram os mistérios do universo, a escrita como linguagem e forma de comunicação entre as pessoas. De suas múltiplas facetas, é bombeiro na reserva onde já desempenhou e sempre que necessário desempenha sua função em prol da comunidade; também é empresário na área da restauração, na qual, juntamente com sua companheira, gere quatro espaços comerciais estando presentemente a promover um projeto de reconstrução para uma nova área habitacional e de restauração no mesmo concelho onde habita, no Concelho da Calheta, o maior Concelho da ilha da Madeira na zona oeste. Reparte os seus dias na área da Cultura em projetos de ordem artística, englobando músicos nacionais e estrangeiros, bem como algumas figuras públicas e na promoção de eventos. É um aguerrido defensor da justiça e sempre que pode atua na esfera política demonstrando o que melhor e valoroso o ser humano tem.

“Simplesmente passar a “Mensagem” por sentir que esse dever me foi incumbido, se bem que a criação de uma nova corrente literária por inerência não acharia nada mal.”
Boa leitura!


Escritor Magno Jardim, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que o motivou a ter gosto por Fernando Pessoa?

Magno Jardim - Olá, é um prazer. Fernando Pessoa chegou-me por meio de um amigo, sendo que desde uma das minhas primeiras leituras (Augusto Cury – “Inteligência Multifocal”) intentou a me descobrir internamente; fui dessa forma, projetado a entender um Fernando tanto ou igual a nós os outros, visto até ele ser tantos. É aí nesse meio que ele se expressa desenhando e criando heterônimos no sentido de se exprimir e se tornar intemporal. Daí a minha senda na descoberta do que mais nele havia de oculto e guardado por ele conscientemente para o futuro.


O que a escrita representa para você?

Magno Jardim - A escrita para mim representa um mundo apenas concebível pela sua forma expressa. Representa o incriado e a sua perpetuação ao longo dos tempos mais não seja uma forma de comunicação mais concreta e de partilha de conhecimento.


Você já tem dois livros publicados: “5º Império” e “5º Império - A Quimera”. O que os diferencia de o “5º Império – O Eco das Palavras”?

Magno Jardim -O “5º Império - O Eco das Palavras” é a síntese do que no “5º Império - A Quimera” seria de sintético; e o que de verdadeiro está no 5º império é a realização da gnose propriamente dita de forma enfática, e diria até real do verdadeiro objetivo do “Encoberto” e o seu papel último na consignação do quinto império imaterial do século XXI e objetivos últimos da missão que Portugal falta cumprir. Como refere o grande autor e defensor desta mesma façanha, Rainer Daehnhardt: “Falar da Missão de Portugal é tocar no fundo de cada um de nós, portugueses, mas não só, também de todos aqueles que se identificam com a nossa forma de ver, pensar e sentir as coisas, em suma, o modo como a mente e o coração de cada ser humano podem e conseguem alcançar um verdadeiro diálogo dentro de si e com o mundo que o rodeia (Eduardo Amarante). Sentir-se português é amar Portugal, identificar-se com esta terra e sua gente, é compartilhar os conhecimentos das origens, é beber das fontes autênticas do passado e preocupar-se com o futuro”.


Apresente-nos “5º Império - O Eco das Palavras”?

Magno Jardim - Elaborado a partir do processo de pensamento e de ideias, cria uma ponte desmistificando o sentido da “Mensagem” de Fernando Pessoa por meio da interpretação criando um vazio e a impotência no leitor espicaçando-o, chocando-o e gozando com e da liberdade de uma maneira dinâmica ao lado mais humano e sensível das pessoas. É revolucionário e até insano ao mesmo tempo que a cósmica assim o pretende na expansão sem dúvida dos horizontes pela autoanálise e  autoconhecimento, dando fatores para o desenvolvimento do pensamento crítico, estimulando o processo criativo pessoal de cada pessoa, dando um novo universo ao mundo, transformando-nos a cada um de nós inicialmente, promovendo a liberdade e a força de expressão contida em cada ser humano justo e ponderado.


Quais os principais desafios para construção dos textos que compõem a obra?

Magno Jardim - Sem dúvida, conseguir conciliar a força das expressões de forma dramática e concisa fugindo aos cânones e aos postulados gramaticais, usando da minha criatividade como criador e autor de tal aprimoramento filosófico e psíquico por forma a transmitir a tal “Mensagem” de uma forma mais simples se calhar até mesmo de maneira espírita por forma a cumprir os tais desígniosdo Quinto, o tal “Encoberto” que vem no nevoeiroda alma e dos pensamentos para nos salvar.


Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio de o “5º Império - O Eco das Palavras”?

Magno Jardim - Acima de tudo fazer chegar a liberdade intangível, inteligível e inatingível do espírito sobre a matéria, demonstrar como tudo, de certa forma, se encontra interligado para a realização da determinada gnose do 5º império não sendo meramente especulativo e muito menos uma força de estilo usada para desabafar uma simples mágoa.


Apresente-nos um dos textos publicados no livro.

Magno Jardim - Esse mesmo trilho que a alma percorre em busca do seu sentido, do seu propósito e do conhecimento de si próprio, acaba por se cruzar inevitavelmente com outras entidades no mesmo processo eternamente intrínseco ao ser humano em toda a sua existência. É neste sentido, nestes poucos tempos da nossa civilização que as ideias e os valores mais altos se levantam e nos são transmitidos ao longo da nossa história, para que nunca nos esqueçamos de quem somos, de onde viemos e para onde vamos e, de que, por mais curta que seja a demanda, ela se glorifique por meio das nossas ações, por meio das nossas palavras. Pág. 8.
E isto claro está, nas mais diversas áreas da sociedade. O 5º Império, dos tempos os quais as datas se aproximam; os símbolos especificados fecundam naquela que é a poética Pessoa na que transmitem algo que se perdeu e vamos inevitavelmente perdendo com estes novos tempos que se aproximam e que muitos de nós ainda lutamos para preservar; a nossa identidade, o nosso “Ser”, o nosso escol. O que mais não é do que a representação de quem somos no mundo, mas como bem o “Ser” de quem somos?! As nossas decisões?! Modo de estar?! No nosso país?! O nosso país; no mundo. Como cidadãos num espiritualismo, com perda sucessiva de valores que, em muito ou pouco, somos senhores de nós mesmos, mas sim somos apenas simples observadores das decisões de outrem e do mundo que nos rodeia, em que não agimos em conformidade com as nossas raízes e em muito menos com os nossos sentimentos! Págs. 13 e 14.


Onde podemos comprar o seu livro?

Magno Jardim - No site da Chiado Editora, se bem que até acho que tem representação física no Brasil, no Amazon, no site da Wook, pela livraria Bertrand, na Fnac e até eu mesmo tenho alguns exemplares que posso enviar a cobrar ao destinatário como cheguei a fazer para o Brasil com as obras anteriormente publicadas, tanto como para o México, a Argentina, Venezuela e EUA etc. exatamente mesmo pelo conteúdo tocar as pessoas na sua essência.


Quais os seus principais objetivos como escritor?

Magno Jardim - Simplesmente passar a “Mensagem” por sentir que esse dever me foi incumbido, se bem que a criação de uma nova corrente literária por inerência não acharia nada mal.


Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Magno Jardim. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Magno Jardim - Por mais incrível que pareça, vou deixar presente o que sempre me aconselharam que é o famoso “Estuda”, que muitos pais e professores fazem questão de querer deixar patentes na vida daqueles que tocam. Por ser o futuro que nos é dado a ferramenta que nos é oferecida para que possamos poder aprender a pensar e isso que nada é mais do que um direito dos mais importantes para a nossa subsistência e evolução quanto e como seres humanos. O meu muito obrigado.


Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura



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quarta-feira, 6 de junho de 2018

DA SOLIDÃO COMPLETA - Paulo Coelho


Da solidão completa 

Os jornalistas já terminaram as entrevistas, os editores tomaram o trem de volta para Zurich, os amigos com quem jantei voltaram para suas casas, eu saio para caminhar por Genebra. A noite está particularmente agradável, as ruas desertas, os bares e restaurantes cheios de vida, tudo parece absolutamente calmo, em ordem, bonito, e de repente...

E de repente eu me dou conta que estou absolutamente só.

É evidente que já estive sozinho muitas vezes este ano. É evidente que em algum lugar, a duas horas de voo, minha mulher me espera.
É evidente que depois de um dia agitado como o de hoje, nada melhor que caminhar pelas ruelas e becos da cidade antiga, sem ter que conversar nada com ninguém, apenas contemplando a beleza ao meu redor. Só que esta noite, por alguma razão que desconheço, este sentimento de solidão é absolutamente opressor, angustiante - não tenho com quem dividir a cidade, o passeio, os comentários que gostaria de fazer.

Claro, tenho um celular no bolso, e um número razoável de amigos aqui, mas acho que já é muito tarde para telefonar para quem quer que seja. Considero a possibilidade de entrar em um dos bares, pedir algo para beber - com quase toda certeza alguém me reconhecerá e me convidará para sentar em sua mesa. Mas penso também que é importante ir até o fundo deste vazio, desta sensação que ninguém se importa com o fato de existirmos ou não, e por isso continuo caminhando.

Vejo uma fonte e lembro-me que estive ali no ano passado, com uma pintora russa que acabara de ilustrar um texto que havia escrito para Anistia Internacional; naquele dia quase não trocamos palavra, apenas escutamos os pingos da água e a música de um violino que vinha de longe. Tanto eu como ela estávamos imersos em nossos pensamentos, mas ambos sabiam que, embora distantes, não estávamos sozinhos.

Ando um pouco mais, em direção à Catedral. Olho para outro lado da rua, uma janela está semiaberta e lá dentro posso ver uma família conversando; a sensação de solidão aumenta avassaladoramente por causa disso, o passeio noturno agora é uma jornada noite adentro, em busca de compreender o que é sentir-se absolutamente só.

Começo a imaginar quantos milhões de pessoas, neste momento, estão se sentindo absolutamente inúteis, miseráveis - por mais ricas, charmosas, encantadoras que sejam - porque também nesta noite estão sós, e ontem também, e possivelmente estarão sozinhas amanhã. Estudantes que não encontraram com quem sair esta noite, pessoas de idade diante da TV como se fosse a última salvação, homens de negócios em seus quartos de hotel, pensando se o que fazem tem algum sentido, já que tudo que estão sentindo agora é o desespero de estar só.

Lembro-me de um comentário feito durante o jantar: alguém que acabara de divorciar-se dizia "agora tenho toda a liberdade com que sempre sonhei". É mentira; ninguém quer este tipo de liberdade, todos nós queremos um compromisso, uma pessoa para estar ao nosso lado vendo as belezas de Genebra, discutindo as visões da vida, ou até mesmo dividindo um sanduíche. Melhor comer metade de um que comê-lo inteiro, sem ter alguém com quem compartilhar nada, nem mesmo um pouco de comida. Melhor ficar com fome do que ficar sozinho. Porque quando você está sozinho - e eu falo da solidão que não escolhemos, mas que somos obrigados a aceitar - é como se não fizesse mais parte da raça humana.

Começo a caminhar para o lindo hotel do outro lado do rio, com seu quarto superconfortável, seus empregados atenciosos, seu serviço de primeiríssima qualidade. Daqui a pouco vou dormir, amanhã esta estranha sensação que - não sei por que razão - me atacou hoje, será apenas uma lembrança remota e estranha, porque não tenho nenhum motivo para dizer: estou só.

No caminho de volta, cruzo com outras pessoas solitárias, e elas tem dois tipos de olhares: arrogantes (porque querem fingir que escolheram a solidão nesta linda noite) ou tristes (porque entendem que não há nada pior na vida). Penso em conversar com elas, mas sei que tem vergonha da própria solidão, talvez seja melhor que cheguem ao limite e então entendam que é preciso ousar, falar com estranhos, descobrir lugares para encontrar pessoas, evitar ir para casa e assistir TV ou ler um livro - porque se fizerem isso o sentido da vida estará perdido, a solidão terá se transformado em um vício, e a partir de então o longo caminho de volta em direção ao ser humano já não será mais encontrado.

Diário do Nordeste , 02/06/2018

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Paulo Coelho - Oitavo ocupante da Cadeira nº 21 da ABL, eleito em 25 de julho de 2002 na sucessão de Roberto Campos e recebido em 28 de outubro de 2002 pelo Acadêmico Arnaldo Niskier.

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CARGA PESADA - Péricles Capanema


6 de junho de 2018
Péricles Capanema

Vai e vem; e vem e vai sem fim. Em evidência nos últimos dias, o caminhoneiro é das profissões mais simpáticas do Brasil. Trabalho duro, perigoso, espinhento. Sofre trombadas, não capota, segue na pista. Empreendedor, esbanja energia para crescer; sabe, vitamina de motorista é poeira.

O carroceiro é seu parceiro, pequeno caminhoneiro das antigas cidades do interior (e até das capitais). Foram longe na estrada da vida, grandes fortunas no Brasil têm origem na carroça, no assento e no burro (hoje, na carroceria, na boleia e no motor).

Breca. No começo da paralisação recente veio desse acervo grande parte do enorme apoio público de que gozaram. Gente sofrida, era preciso apoiá-la. Imediatamente depois a paralisação foi vista como oposição a “tudo o que está aí”, corrupção, privilégios malucos, gastança. Era também para consertar o Brasil, ampliou em muito a aprovação.

O apoio murchou na hora em que as telas mostraram as cenas de desabastecimento, apodrecimento e morte da produção, suspensão de cirurgias, gritarias de produtores rurais, advertências de economistas, comida faltando na mesa. Como um pêndulo o sentimento popular correu ligeiro para o outro extremo.

De fato, ficou impopular a paralisação, mas se manteve o apreço pelos caminhoneiros. Os políticos e os formadores de opinião, temerosos de lhes faltar chão nos pés, também oscilaram fortemente em poucos dias, o apoio inicial caloroso se fez silêncio ou crítica.

Uma primeira lição, já clara no rescaldo dos protestos de 2013 (lembro outro, também no movimento do Cansei): bobagem confundir oposição séria com exasperação emocional. Na irritação do sentimento existe oposição, mas é pouco aproveitável na maior parte dos casos. E, no longo prazo, ou a emoção se faz princípio e aí gera decisão estável, ou, nada feito.

Na raiz da paralisação está um ponto cada vez mais destacado por fundamental. O crédito subsidiado do BNDES no governo Dilma levou a excesso de compra de caminhões. Financiamento fácil, caminhões demais. Daí excesso de oferta de frete, pois houve queda na demanda por ele. O movimento dos caminhões nas estradas de momento é 26% menor do existente entre 2003 e 2007.

Entre 2014 e 2016, último ano nas estatísticas, foram fechadas 72 mil vagas de motoristas. Com a crise, já de uns cinco anos, o setor está asfixiado. O único modo de conseguir fretes melhores é com o desenvolvimento da economia — aí cresce a necessidade por fretes e sobe seu preço. Não dá para mexer nesse quadro em poucos dias.

Pior ainda, nas últimas semanas subiram forte as cotações do barril do petróleo no mercado internacional, o maior patamar em duas décadas. Provocaram ajustes contínuos no mercado interno no diesel e na gasolina.

A insatisfação explodiu. Como paliativos, foram oferecidos tabelamento, contratação sem licitação por órgãos públicos, diminuição de R$0,46 por litro de óleo. Nos órgãos públicos, aplica-se a tabela. Ali, o caminhoneiro lucra, perde o contribuinte.

Em muitos casos, de particular para particular, o contratante do frete vai fazer cotação. E o caminhoneiro, que já vivia mal, mas vivia desembolsando os R$0,46 que agora não paga, vai baixar ainda mais sua proposta para não ficar parado. A vantagem aqui irá para o contratante do frete.

Haverá um extra à custa do contribuinte. Nota Armando Castelar, economista da FGV: “A concorrência vai aumentar, clientes podem pedir desconto. Esses fatores podem reduzir o valor do frete”. Uma vez mais, o perigo das soluções artificiais.

Fala-se que o governo cedeu muito por estar fraco, sangrando com as denúncias de corrupção. Correto e insuficiente. A razão maior é outra: 7 de outubro. Os políticos governistas estão pressionando, temerosos de derrotas e consequente fim de carreira pública.

Podemos esperar mais subsídios, descarados ou disfarçados, no gás de cozinha e na gasolina. Depois das eleições, a conversa provavelmente mudará de tom. Sempre foi assim, são maravilhas da democracia.

Termino com um quem avisa amigo é. Em vários momentos da paralisação, juntaram-se as gritarias da esquerda e de certas direitas, reclamando ou celebrando. Para mim, recordaram de forma canhestra o pacto Ribbentrop-Molotov que uniu os interesses da Rússia Soviética e Alemanha nazista, de Stalin e Hitler, de 23 de agosto de 1939 a 22 de junho de 1941 [foto ao lado].

Fortaleceu ainda a união nazi-comunista o Acordo Comercial Germano-Soviético de fevereiro de 1940. Dois anos, grosso modo, trabalharam em uníssono. Partilharam a Polônia, a Rússia anexou territórios, enviou matéria-prima para o esforço de guerra nazista. E tanta coisa mais.

Por que agora trago à baila o pacto Ribbentrop-Molotov? Para despertar desconfianças. Quando virem uniões de esquerda e direita, desconfiem, a direita provavelmente será inautêntica. E a boa causa (em outras palavras, o que resta da ordem temporal cristã) acabará prejudicada. Seguro morreu de velho, o desconfiado ainda vive…


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terça-feira, 5 de junho de 2018

DOM CESLAU STANULA Condecorado na Polônia

Clique sobre as fotos, para vê-las no tamanho original
Condecorado na Polônia


Ontem ao meio dia no Palácio Presidencial em Warszawa - Polônia fui condecorado com a maior condecoração na Polônia, a "Cruz do Comando com a Estrela da Polônia  Renovada"

A entrega foi realizada em nome do presidente pelo Ministro da Casa Civil. 

Participaram, além das autoridades, os meus familiares. Foi a cerimônia marcante, simples,  mas profunda. 

Participou também a esposa do presidente. Depois foi servido o coquetel no Palácio Presidencial e a sua visita, sendo o prédio histórico,  inclusive a sua capela particular.

Passamos para o senado, celebramos a Missa, depois o almoço no restaurante do senado, a visita os prédios históricos do senado, audiência e saudação ao condecorado pelo Presidente do Senado. 

Seguidamente gravei o programa para TV e voltamos a casa, a uma hora de madrugada. 

 Foi o dia de muita emoção. Desejo um radiante dia com a benção e oração.


 Mando abaixo algumas fotos:
Dom Ceslau Stanula, bispo Emérito da Diocese de Itabuna, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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(LEIA REPORTAGENS SOBRE O EVENTO NA POLÔNIA):


Dom Czesław Stanula, C.Ss.R., condecorado pelo Presidente da República da Polônia


O Redentorista, o bispo Czesław Stanula, do Brasil, recebeu a Cruz de Comandante com a Estrela da Ordem de Polônia Restituta. Prêmio pelo excelente serviço na atividade missionária, pelas conquistas no trabalho pastoral e social, em nome do Presidente da República da Polônia Andrzej Duda, ele foi apresentado pelo ministro da Presidência, Adam Kwiatkowski.

Padre Bispo Czesław Stanula tem mais de 50 anos de ministério pastoral e missionário na América Latina. A Cruz de Comandante é uma distinção de grande mérito não só para a Igreja e a sociedade nessas terras, mas também para propagar a Polônia e ajudar a Polonia local.

"A Polônia lembra aqueles que se importam com seu bom nome"  - disse o ministro na chancelaria do presidente Adam Kwiatkowski.
- Esta designação no centenário da independência é a decoração de um cidadão polonês que, por sua atividade, testemunha o que é a Polônia e graças ao qual aqueles que ele encontra todos os dias podem olhar para a Polônia desta maneira -  disse Adam Kwiatkowski.

O padre Bispo Czesław Stanula, C.Ss.R. por mais de meio século de trabalho missionário e pastoral, não apenas espalhou a fé, mas também construiu igrejas, escolas e poços; ele lidou com atividades pastorais, educacionais e culturais.

- O padre Czesław, é claro, é conhecido no nosso grupo, ele é percebido como um confrade comum, muito caloroso, muito cordial. Ele tem uma personalidade única, ou seja, alguém da linha; mas, por outro lado, vemos sua personalidade extraordinária, muito criativa, muito corajosa. Ele é um dos pioneiros que tem seguido rotas missionárias na América do Sul, Argentina e Brasil -  disse o inspetor da Província Redentorista de Varsóvia, Padre Janusz Sok, C.Ss.R.

Durante todos esses anos, o Padre Czeslaw Stanula, CSsR, serviu o melhor de sua terra natal, sendo seu grande embaixador. Para a pessoa ilustre, a condecoração é o culminar da missão da vida.

- Toda a minha vida como sacerdote trabalhei para as famílias e, sobretudo, para as formações familiares, preparação para o casamento e, agora, como bispo, fui responsável pelo cuidado pastoral das famílias durante 25 anos. Minha vida estava ligada à família, que eu valorizo ​​e à qual dou todas as minhas forças - enfatizou o bispo da Diocese de Itabuna, Dom Czesław Stanula, C.Ss.R.

O padre bispo Czesław Stanula, C.Ss.R., nasceu em 27 de março de 1940 em Szerzyny, na área da atual diocese de Rzeszów. Foi ordenado sacerdote em 1964. Iniciou sua atividade pastoral em Gliwice e depois partiu para a América Latina três anos depois. Em 1973 ele foi para o Brasil, onde esteve entre outros reitor do santuário mariano da Bahia e vigário geral da arquidiocese de lá. Em 1997 foi nomeado bispo diocesano de Itabuna. Ele serviu até se aposentar em 2017.

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Bispo Czesław Stanula condecoração de estado

Dom Czesław Stanula homenageado com a Cruz do Comandante com a Estrela da Ordem da Polonia Restituta. Em nome do Presidente da República da Polônia, o ato de decoração foi feito pelo Ministro Adam Kwiatkowski. (1/8)

A Cruz do Comandante com a Estrela da Ordem do Renascimento da Polônia foi decorada pelo Bispo Czesław Stanula, missionário da Congregação do Santíssimo Redentor. Em nome do Presidente da República da Polônia, o ato de condecoração foi feito pelo Ministro Adam Kwiatkowski.

O bispo Stanula foi premiado por serviços excepcionais em atividade missionária, por realizações no trabalho pastoral e social .

O bispo Czesław Stanula, um missionário, nasceu em 27 de março de 1940 em Szerzyny. Em 1957, ele se juntou à Congregação do Santíssimo Redentor em Tuchów da Congregação Redentorista.

Foi ordenado em 19 de Julho de 1964. No mesmo ano, ele foi em missões para a Argentina, onde trabalhou como catequista em escolas e aldeias, como professor na Escola de Catequese na província de Chaco Del famílias e como capelão em Buenos Aires.

Ele foi então transferido para o Brasil para estabelecer a Missão Redentorista. Ali foi o vigário geral da Diocese de Bom Jesus da Lapa, mais tarde pároco da paróquia local. Trabalhou como reitor do Santuário do Bom Jesus e professor do Teachers 'College, lecionando psicologia e filosofia. Naqueles anos, ele escreveu e publicou o "Pequeno Catecismo Popular" para a comunidade pobre.

Em 1989, o bispo Czesław Stanula foi nomeado pelo Papa João Paulo II bispo da diocese de Floresta no estado de Pernambuco no Brasil. Depois, como bispo diocesano de Itabuna, foi responsável pelo cuidado pastoral das famílias em 24 dioceses. Durante quatro anos ele foi o presidente do Episcopado da Região Nordeste do Brasil. Ele contribuiu para a fundação da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Santa Cruz, em Itabuna-Ilheus.

Durante o ministério pastoral, o Bispo publicou muitos artigos e publicou vários livros sobre tópicos sócio-culturais-religiosos. Por sua atividade literária em 2012, foi nomeado membro da Academia Literária de Itabuna. Em 2013, recebeu o título de Cidadão Honorário do Estado da Bahia. Como pároco em Salvador, ele começou a construir uma igreja.

Em 7 de maio de 1996, na Embaixada da Polônia em Brasília, ele recebeu a Cruz do Comandante da Ordem de Polonia Restituta por seu testemunho sobre a Polônia e suas realizações no trabalho pastoral e social. Em gratidão pelos méritos de 2017, o Bispo também aceitou o título de primeiro cidadão honorário da Comuna Szerzyny. Em 2017, depois de completar 77 anos o bispo Czesław Stanula, o Santo Padre o Papa Francisco aceitou a renúncia de Sua Excelência da função de Bispo Diocesano de Itabuna.





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ACADÊMICO ZUENIR VENTURA ABRE NA ABL CICLO DE CONFERÊNCIAS DE JUNHO, INTITULADO ‘CULTURA EM PROCESSO’


A Academia Brasileira de Letras abre seu ciclo de conferências do mês de junho de 2018, intitulado A cultura em processo, sob coordenação do Acadêmico e professor Domício Proença Filho, com palestra do Acadêmico, jornalista e escritor Zuenir Ventura. O tema escolhido foi Cultura e adversidade. O evento está programado para quinta-feira, dia 7 de junho, às17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

A cultura em processo terá mais três conferências no mês de junho, sempre às quintas-feiras, no mesmo horário e local, com os seguintes palestrantes e temas, respectivamente: dia 14, professor Muniz Sodré, Inteligência artificial e cultura; 21, Acadêmico eleito Joaquim Falcão, Aspectos da cultura brasileira contemporânea; e 28, Acadêmico Domício Proença Filho, Língua, cultura e identidade nacional.

O CONFERENCISTA

Sétimo ocupante da Cadeira n.º 32, eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna, Zuenir Ventura é bacharel e licenciado em Letras Neolatinas, jornalista, ex-professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Colunista do jornal O Globo, ingressou no jornalismo como arquivista, em 1956. Nos anos 1960/61 conquistou bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. De 1963 a 1969, exerceu diversos cargos em vários veículos: foi editor internacional do Correio da Manhã, diretor de Redação da revista Fatos & Fotos, chefe de Reportagem da revista O Cruzeiro, editor-chefe da sucursal-Rio da revista Visão-Rio.

No fim de 1969, realizou, para a Editora Abril, uma série de 12 reportagens sobre “Os anos 60 – a década que mudou tudo”, posteriormente publicada em livro. Em 1971, voltou para a revista Visão, permanecendo como chefe de Redação da sucursal-Rio até 1977, quando se transferiu para a revista Veja, exercendo o mesmo cargo. Em 1981, transferiu-se para a revista IstoÉ, como diretor da sucursal. Em 1985, foi convidado a reformular a revista Domingo, do Jornal do Brasil, onde ocupou depois outras funções de chefia.

Zuenir Ventura lançou, em 1988, o livro 1968 - o ano que não terminou, cujas 48 edições já venderam mais de 400 mil exemplares. O livro serviu também de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, produzida pela TV Globo. O capítulo “Um herói solitário” inspirou o filme O homem que disse não, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.

Publicou no Jornal do Brasil, em 1989, a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, que lhe valeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog. Em 1994, lançou Cidade partida, um livro-reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro, traduzido na Itália, com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de Reportagem. Em fins de 1998, publicou O Rio de J. Carlos e Inveja – Mal Secreto, que foi lançado depois em Portugal e na Itália. Já vendeu cerca de 150 mil exemplares. Em 2003, lançou Chico Mendes – Crime e Castigo. Seus livros seguintes foram Crônicas de um fim de século e 70/80 Cultura em trânsito – da repressão à abertura, com Heloísa Buarque e Elio Gaspari. Seu livro mais recente é o romance Sagrada Família.

Em 2008, Zuenir Ventura recebeu da ONU um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”. Em 2010, foi eleito “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.
Ao comentar sua série de reportagens sobre Chico Mendes e a Amazônia, The New York Review of Books classificou o autor como “um dos maiores jornalistas do Brasil”. A revista inglesa The Economist definiu-o como “um dos jornalistas que melhor observam o Brasil”.

28/05/2018


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segunda-feira, 4 de junho de 2018

TODO FILHO É PAI DA MORTE DE SEU PAI por Fabrício Carpinejar



“Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.

É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.

É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e intransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.

É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela – tudo é corredor, tudo é longe.

É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.

E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte de seu pai.

Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.

E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.

Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.

Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.

A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.

Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.

A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.

Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.

Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?

Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.

Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.

No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:

— Deixa que eu ajude.

Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.

Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.

Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.

Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.

Embalou o pai de um lado para o outro.

Aninhou o pai.

Acalmou o pai.

E apenas dizia, sussurrado:

— Estou aqui, estou aqui, pai!

O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.”


Por Fabrício Carpinejar



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UMA ANÁLISE A PROPÓSITO DA PARALISAÇÃO DOS CAMINHONEIROS - Pedro Pinheiro da Cunha


29 de Maio de 2018
De pacato a feroz, em que grau o brasileiro está hoje?

“Os pacatos toleram tudo, exceto que se lhes perturbe a pacatez. Pois então facilmente se fazem ferozes…”

Pedro Pinheiro da Cunha
Com estas palavras Plinio Corrêa de Oliveira, há 36 anos, encerrava seu artigo na “A Folha de São Paulo” (14 de dezembro de 1982).

No artigo, considerado uma das peças históricas da sociologia e análise da Opinião Pública, ele discorre a respeito da pacatez tão característica do povo brasileiro, fazendo entretanto um alerta logo no título: “Cuidado com os pacatos!”.

Por brevidade, não reproduziremos aqui o artigo em sua íntegra, que pode ser lido neste endereço https://bit.ly/2sfpFsG. Mas, como aplicá-lo para o dia de hoje? Não falamos de amanhã, do futuro, dos próximos anos. Não. Vamos falar do dia de HOJE.

Enquanto a grande mídia procura focar seus comentários sobre o que chamam de “greve dos caminhoneiros”, desabastecimento dos supermercados, impedimento de mobilização por falta de combustível, efeitos sobre a economia, sobre a saúde e a educação, como se aplica a análise do ilustre pensador católico e líder da autêntica direita — quiçá única — da época?

De 2014 para cá o pacato povo brasileiro viu desvendado pela Lava Jato uma torrente de denúncias de corrupção ocorridas nos últimos 13 anos de governo da esquerda. Isso mesmo, daquela esquerda que gostava tanto dos pobres que procurou saquear o país para aumentar o número deles. Cartéis monumentais de corrupção operando com organização e desfaçatez mesmo durante as investigações e inquéritos da Lava Jato. Algum fator misterioso lhes dava essa segurança.

Pacatamente os brasileiros saíram às ruas do Brasil inteiro para protestar contra o governo e pedir o impeachment da presidente Dilma. Os políticos, em sua maioria com “culpa no cartório”, mas pressionados pela estrondosa manifestação, votaram o impeachment imaginando que, fazendo isso, o pacato cidadão brasileiro voltaria para seu chinelo, seu sofá e administraria sua vidinha.

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
na manifestação a favor
do impeachment da presidente Dilma
Mas o pacato já estava caminhando em direção à ferocidade. Diante de seus olhos o espetáculo diário de novas denúncias, novas delações, o circo judiciário com uma verdadeira pirotecnia de defesas, agravos, recursos, sem contar as novas mazelas envolvendo o novo presidente eleito na coalizão com o PT.

Na sua pacatez os brasileiros assistiram animados o desmantelamento das esquerdas, mas o festival de habeas corpus e de justiça alternativa não serviu para interromper seu caminho rumo à ferocidade. A velocidade aumentou quando novos espetáculos foram protagonizados pela esquerda moribunda, como a teatral prisão de Lula, o ridículo acampamento diante da Polícia Federal de Curitiba, que se foi esvaziando naturalmente, sem que qualquer medida de força fosse tomada.

E, agora, o pacato brasileiro, em sua casa, sem poder sair por falta de gasolina e vendo os mercados esvaziarem-se, assistem à última tentativa de serem enganados pela grande mídia: “a culpa é dos caminhoneiros, a culpa é do preço do óleo diesel”.

A esquerda sucumbiu à tentação, alertada por Plinio Corrêa de
Oliveira em 1982, de, uma vez galgado o poder, passar a tomar medidas policialescas, contrárias à índole pacata do povo brasileiro, como ele escreveu:

Bandeira anticomunista posta no Corcovado,
no início deste mês

“Se a esquerda for açodada na efetivação das reivindicações ‘populares’ e niveladoras com que subiu ao poder; — se mostrar-se abespinhada e ácida ao receber as críticas da oposição; — se for persecutória através do mesquinho casuísmo legislativo, da picuinha administrativa ou da devastação policialesca dos adversários, o Brasil se sentirá frustrado na sua apetência de um regime ‘bon enfant’ de uma vida distendida e despreocupada. Num primeiro momento, distanciar-se-á então da esquerda. Depois ficará ressentido. E, por fim, furioso. A esquerda terá perdido a partida da popularidade.”

A tudo isso assistimos e a algo mais. Talvez o articulista na época tenha evitado falar da cachoeira de corrupção — normal em todos os governos de esquerda — que esmagaria o Brasil. Teria tido ele o receio de parecer fora da realidade para os ainda pacatos que o liam? Mas seus discípulos, conhecendo-o, sabem perfeitamente que todo esse panorama estava certamente previsto e bem avaliado.

Agora, entramos na guerra das pesquisas eleitorais, quem é ficha suja, quem é limpa (como se isso houvesse!). A direita, outrora excomungada, tornou-se grife. E surge uma com uma nova agenda, impossível de se pensar há alguns anos atrás: economia de mercado, valores morais, segurança, fim da ideologia de gênero nas escolas, e tudo o mais que o Brasil pacato quer ouvir.

Quem ganhará: a direita? o centro? a esquerda? — perguntava Plinio Corrêa de Oliveira e respondia — ganhará “quem conhecer as verdadeiras fibras da alma brasileira e souber entrar em diálogo pacato com essas fibras. Seja governo, seja oposição, pouco importa. A influência será de quem saiba fazer isto.

Se a nova direita que desponta (muitas vezes ainda envergonhada e se autodenominando de centro-direita), “não souber manter-se no clima de pacatez, e passar para a violência física, legal ou publicitária contra a esquerda, os pacatos lhes dirão: mas, afinal, qual é a sinceridade, qual a dignidade de vocês, que quando eram oposicionistas [fracos, fraquíssimos, omissos, diga-se de passagem] reclamavam para si liberdade e respeito, e agora que são governo usam da perseguição e da difamação para quem é hoje oposição?”

“E se os pacatos notarem acrimônia nos de centro e de direita, dir-lhes-ão: está bem provado que é impossível conviver com vocês, porque, nem vencedores, sabem ser de um trato distensivo”.

Assim, Plinio Corrêa de Oliveira finaliza seu alerta:

E cuidado com os pacatos que se indignam, senhores da esquerda, do centro e da direita. A hora não é para carrancas, mas para as discussões arejadas, polidas, lógicas e inteligentes. Os pacatos toleram tudo, exceto que se lhes perturbe a pacatez. Pois então facilmente se fazem ferozes…”

Os outrora pacatos caminhoneiros que o digam.


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Comentário para Uma análise a propósito da paralisação dos caminhoneiros

CostaMarques
29 de Maio de 2018 à 11:20

Estava também eu na minha pacatez, vendo o noticiário sobre a “greve dos caminioneiros”, focalizando aspectos como a falta de mercadorias nos supermercados ou gasolina nos postos etc. E pensava de mim para comigo: isso não explica nada, porque essa manifestação-reação dos caminhoneiros tem aspectos saudáveis até que encontro e leio de um só fôlego esse excelente artigo de Pedro Pinheiro reproduzindo com felicidade e adaptando às recentes manifestações o famoso: CUIDADO COM OS PACATOS!
Meus parabéns à ABIM e minhas congratulações a Pedro Parente que acertou no alvo.
Afinal descobri porque também eu sou um PACATO, mas cuidado com os Pacatos!
CostaMarques


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