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terça-feira, 5 de junho de 2018

DOM CESLAU STANULA Condecorado na Polônia

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Condecorado na Polônia


Ontem ao meio dia no Palácio Presidencial em Warszawa - Polônia fui condecorado com a maior condecoração na Polônia, a "Cruz do Comando com a Estrela da Polônia  Renovada"

A entrega foi realizada em nome do presidente pelo Ministro da Casa Civil. 

Participaram, além das autoridades, os meus familiares. Foi a cerimônia marcante, simples,  mas profunda. 

Participou também a esposa do presidente. Depois foi servido o coquetel no Palácio Presidencial e a sua visita, sendo o prédio histórico,  inclusive a sua capela particular.

Passamos para o senado, celebramos a Missa, depois o almoço no restaurante do senado, a visita os prédios históricos do senado, audiência e saudação ao condecorado pelo Presidente do Senado. 

Seguidamente gravei o programa para TV e voltamos a casa, a uma hora de madrugada. 

 Foi o dia de muita emoção. Desejo um radiante dia com a benção e oração.


 Mando abaixo algumas fotos:
Dom Ceslau Stanula, bispo Emérito da Diocese de Itabuna, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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(LEIA REPORTAGENS SOBRE O EVENTO NA POLÔNIA):


Dom Czesław Stanula, C.Ss.R., condecorado pelo Presidente da República da Polônia


O Redentorista, o bispo Czesław Stanula, do Brasil, recebeu a Cruz de Comandante com a Estrela da Ordem de Polônia Restituta. Prêmio pelo excelente serviço na atividade missionária, pelas conquistas no trabalho pastoral e social, em nome do Presidente da República da Polônia Andrzej Duda, ele foi apresentado pelo ministro da Presidência, Adam Kwiatkowski.

Padre Bispo Czesław Stanula tem mais de 50 anos de ministério pastoral e missionário na América Latina. A Cruz de Comandante é uma distinção de grande mérito não só para a Igreja e a sociedade nessas terras, mas também para propagar a Polônia e ajudar a Polonia local.

"A Polônia lembra aqueles que se importam com seu bom nome"  - disse o ministro na chancelaria do presidente Adam Kwiatkowski.
- Esta designação no centenário da independência é a decoração de um cidadão polonês que, por sua atividade, testemunha o que é a Polônia e graças ao qual aqueles que ele encontra todos os dias podem olhar para a Polônia desta maneira -  disse Adam Kwiatkowski.

O padre Bispo Czesław Stanula, C.Ss.R. por mais de meio século de trabalho missionário e pastoral, não apenas espalhou a fé, mas também construiu igrejas, escolas e poços; ele lidou com atividades pastorais, educacionais e culturais.

- O padre Czesław, é claro, é conhecido no nosso grupo, ele é percebido como um confrade comum, muito caloroso, muito cordial. Ele tem uma personalidade única, ou seja, alguém da linha; mas, por outro lado, vemos sua personalidade extraordinária, muito criativa, muito corajosa. Ele é um dos pioneiros que tem seguido rotas missionárias na América do Sul, Argentina e Brasil -  disse o inspetor da Província Redentorista de Varsóvia, Padre Janusz Sok, C.Ss.R.

Durante todos esses anos, o Padre Czeslaw Stanula, CSsR, serviu o melhor de sua terra natal, sendo seu grande embaixador. Para a pessoa ilustre, a condecoração é o culminar da missão da vida.

- Toda a minha vida como sacerdote trabalhei para as famílias e, sobretudo, para as formações familiares, preparação para o casamento e, agora, como bispo, fui responsável pelo cuidado pastoral das famílias durante 25 anos. Minha vida estava ligada à família, que eu valorizo ​​e à qual dou todas as minhas forças - enfatizou o bispo da Diocese de Itabuna, Dom Czesław Stanula, C.Ss.R.

O padre bispo Czesław Stanula, C.Ss.R., nasceu em 27 de março de 1940 em Szerzyny, na área da atual diocese de Rzeszów. Foi ordenado sacerdote em 1964. Iniciou sua atividade pastoral em Gliwice e depois partiu para a América Latina três anos depois. Em 1973 ele foi para o Brasil, onde esteve entre outros reitor do santuário mariano da Bahia e vigário geral da arquidiocese de lá. Em 1997 foi nomeado bispo diocesano de Itabuna. Ele serviu até se aposentar em 2017.

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Bispo Czesław Stanula condecoração de estado

Dom Czesław Stanula homenageado com a Cruz do Comandante com a Estrela da Ordem da Polonia Restituta. Em nome do Presidente da República da Polônia, o ato de decoração foi feito pelo Ministro Adam Kwiatkowski. (1/8)

A Cruz do Comandante com a Estrela da Ordem do Renascimento da Polônia foi decorada pelo Bispo Czesław Stanula, missionário da Congregação do Santíssimo Redentor. Em nome do Presidente da República da Polônia, o ato de condecoração foi feito pelo Ministro Adam Kwiatkowski.

O bispo Stanula foi premiado por serviços excepcionais em atividade missionária, por realizações no trabalho pastoral e social .

O bispo Czesław Stanula, um missionário, nasceu em 27 de março de 1940 em Szerzyny. Em 1957, ele se juntou à Congregação do Santíssimo Redentor em Tuchów da Congregação Redentorista.

Foi ordenado em 19 de Julho de 1964. No mesmo ano, ele foi em missões para a Argentina, onde trabalhou como catequista em escolas e aldeias, como professor na Escola de Catequese na província de Chaco Del famílias e como capelão em Buenos Aires.

Ele foi então transferido para o Brasil para estabelecer a Missão Redentorista. Ali foi o vigário geral da Diocese de Bom Jesus da Lapa, mais tarde pároco da paróquia local. Trabalhou como reitor do Santuário do Bom Jesus e professor do Teachers 'College, lecionando psicologia e filosofia. Naqueles anos, ele escreveu e publicou o "Pequeno Catecismo Popular" para a comunidade pobre.

Em 1989, o bispo Czesław Stanula foi nomeado pelo Papa João Paulo II bispo da diocese de Floresta no estado de Pernambuco no Brasil. Depois, como bispo diocesano de Itabuna, foi responsável pelo cuidado pastoral das famílias em 24 dioceses. Durante quatro anos ele foi o presidente do Episcopado da Região Nordeste do Brasil. Ele contribuiu para a fundação da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Santa Cruz, em Itabuna-Ilheus.

Durante o ministério pastoral, o Bispo publicou muitos artigos e publicou vários livros sobre tópicos sócio-culturais-religiosos. Por sua atividade literária em 2012, foi nomeado membro da Academia Literária de Itabuna. Em 2013, recebeu o título de Cidadão Honorário do Estado da Bahia. Como pároco em Salvador, ele começou a construir uma igreja.

Em 7 de maio de 1996, na Embaixada da Polônia em Brasília, ele recebeu a Cruz do Comandante da Ordem de Polonia Restituta por seu testemunho sobre a Polônia e suas realizações no trabalho pastoral e social. Em gratidão pelos méritos de 2017, o Bispo também aceitou o título de primeiro cidadão honorário da Comuna Szerzyny. Em 2017, depois de completar 77 anos o bispo Czesław Stanula, o Santo Padre o Papa Francisco aceitou a renúncia de Sua Excelência da função de Bispo Diocesano de Itabuna.





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ACADÊMICO ZUENIR VENTURA ABRE NA ABL CICLO DE CONFERÊNCIAS DE JUNHO, INTITULADO ‘CULTURA EM PROCESSO’


A Academia Brasileira de Letras abre seu ciclo de conferências do mês de junho de 2018, intitulado A cultura em processo, sob coordenação do Acadêmico e professor Domício Proença Filho, com palestra do Acadêmico, jornalista e escritor Zuenir Ventura. O tema escolhido foi Cultura e adversidade. O evento está programado para quinta-feira, dia 7 de junho, às17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

A cultura em processo terá mais três conferências no mês de junho, sempre às quintas-feiras, no mesmo horário e local, com os seguintes palestrantes e temas, respectivamente: dia 14, professor Muniz Sodré, Inteligência artificial e cultura; 21, Acadêmico eleito Joaquim Falcão, Aspectos da cultura brasileira contemporânea; e 28, Acadêmico Domício Proença Filho, Língua, cultura e identidade nacional.

O CONFERENCISTA

Sétimo ocupante da Cadeira n.º 32, eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna, Zuenir Ventura é bacharel e licenciado em Letras Neolatinas, jornalista, ex-professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Colunista do jornal O Globo, ingressou no jornalismo como arquivista, em 1956. Nos anos 1960/61 conquistou bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. De 1963 a 1969, exerceu diversos cargos em vários veículos: foi editor internacional do Correio da Manhã, diretor de Redação da revista Fatos & Fotos, chefe de Reportagem da revista O Cruzeiro, editor-chefe da sucursal-Rio da revista Visão-Rio.

No fim de 1969, realizou, para a Editora Abril, uma série de 12 reportagens sobre “Os anos 60 – a década que mudou tudo”, posteriormente publicada em livro. Em 1971, voltou para a revista Visão, permanecendo como chefe de Redação da sucursal-Rio até 1977, quando se transferiu para a revista Veja, exercendo o mesmo cargo. Em 1981, transferiu-se para a revista IstoÉ, como diretor da sucursal. Em 1985, foi convidado a reformular a revista Domingo, do Jornal do Brasil, onde ocupou depois outras funções de chefia.

Zuenir Ventura lançou, em 1988, o livro 1968 - o ano que não terminou, cujas 48 edições já venderam mais de 400 mil exemplares. O livro serviu também de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, produzida pela TV Globo. O capítulo “Um herói solitário” inspirou o filme O homem que disse não, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.

Publicou no Jornal do Brasil, em 1989, a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, que lhe valeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog. Em 1994, lançou Cidade partida, um livro-reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro, traduzido na Itália, com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de Reportagem. Em fins de 1998, publicou O Rio de J. Carlos e Inveja – Mal Secreto, que foi lançado depois em Portugal e na Itália. Já vendeu cerca de 150 mil exemplares. Em 2003, lançou Chico Mendes – Crime e Castigo. Seus livros seguintes foram Crônicas de um fim de século e 70/80 Cultura em trânsito – da repressão à abertura, com Heloísa Buarque e Elio Gaspari. Seu livro mais recente é o romance Sagrada Família.

Em 2008, Zuenir Ventura recebeu da ONU um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”. Em 2010, foi eleito “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.
Ao comentar sua série de reportagens sobre Chico Mendes e a Amazônia, The New York Review of Books classificou o autor como “um dos maiores jornalistas do Brasil”. A revista inglesa The Economist definiu-o como “um dos jornalistas que melhor observam o Brasil”.

28/05/2018


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segunda-feira, 4 de junho de 2018

TODO FILHO É PAI DA MORTE DE SEU PAI por Fabrício Carpinejar



“Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.

É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.

É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e intransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.

É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela – tudo é corredor, tudo é longe.

É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.

E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte de seu pai.

Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.

E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.

Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.

Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.

A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.

Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.

A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.

Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.

Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?

Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.

Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.

No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:

— Deixa que eu ajude.

Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.

Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.

Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.

Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.

Embalou o pai de um lado para o outro.

Aninhou o pai.

Acalmou o pai.

E apenas dizia, sussurrado:

— Estou aqui, estou aqui, pai!

O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.”


Por Fabrício Carpinejar



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UMA ANÁLISE A PROPÓSITO DA PARALISAÇÃO DOS CAMINHONEIROS - Pedro Pinheiro da Cunha


29 de Maio de 2018
De pacato a feroz, em que grau o brasileiro está hoje?

“Os pacatos toleram tudo, exceto que se lhes perturbe a pacatez. Pois então facilmente se fazem ferozes…”

Pedro Pinheiro da Cunha
Com estas palavras Plinio Corrêa de Oliveira, há 36 anos, encerrava seu artigo na “A Folha de São Paulo” (14 de dezembro de 1982).

No artigo, considerado uma das peças históricas da sociologia e análise da Opinião Pública, ele discorre a respeito da pacatez tão característica do povo brasileiro, fazendo entretanto um alerta logo no título: “Cuidado com os pacatos!”.

Por brevidade, não reproduziremos aqui o artigo em sua íntegra, que pode ser lido neste endereço https://bit.ly/2sfpFsG. Mas, como aplicá-lo para o dia de hoje? Não falamos de amanhã, do futuro, dos próximos anos. Não. Vamos falar do dia de HOJE.

Enquanto a grande mídia procura focar seus comentários sobre o que chamam de “greve dos caminhoneiros”, desabastecimento dos supermercados, impedimento de mobilização por falta de combustível, efeitos sobre a economia, sobre a saúde e a educação, como se aplica a análise do ilustre pensador católico e líder da autêntica direita — quiçá única — da época?

De 2014 para cá o pacato povo brasileiro viu desvendado pela Lava Jato uma torrente de denúncias de corrupção ocorridas nos últimos 13 anos de governo da esquerda. Isso mesmo, daquela esquerda que gostava tanto dos pobres que procurou saquear o país para aumentar o número deles. Cartéis monumentais de corrupção operando com organização e desfaçatez mesmo durante as investigações e inquéritos da Lava Jato. Algum fator misterioso lhes dava essa segurança.

Pacatamente os brasileiros saíram às ruas do Brasil inteiro para protestar contra o governo e pedir o impeachment da presidente Dilma. Os políticos, em sua maioria com “culpa no cartório”, mas pressionados pela estrondosa manifestação, votaram o impeachment imaginando que, fazendo isso, o pacato cidadão brasileiro voltaria para seu chinelo, seu sofá e administraria sua vidinha.

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
na manifestação a favor
do impeachment da presidente Dilma
Mas o pacato já estava caminhando em direção à ferocidade. Diante de seus olhos o espetáculo diário de novas denúncias, novas delações, o circo judiciário com uma verdadeira pirotecnia de defesas, agravos, recursos, sem contar as novas mazelas envolvendo o novo presidente eleito na coalizão com o PT.

Na sua pacatez os brasileiros assistiram animados o desmantelamento das esquerdas, mas o festival de habeas corpus e de justiça alternativa não serviu para interromper seu caminho rumo à ferocidade. A velocidade aumentou quando novos espetáculos foram protagonizados pela esquerda moribunda, como a teatral prisão de Lula, o ridículo acampamento diante da Polícia Federal de Curitiba, que se foi esvaziando naturalmente, sem que qualquer medida de força fosse tomada.

E, agora, o pacato brasileiro, em sua casa, sem poder sair por falta de gasolina e vendo os mercados esvaziarem-se, assistem à última tentativa de serem enganados pela grande mídia: “a culpa é dos caminhoneiros, a culpa é do preço do óleo diesel”.

A esquerda sucumbiu à tentação, alertada por Plinio Corrêa de
Oliveira em 1982, de, uma vez galgado o poder, passar a tomar medidas policialescas, contrárias à índole pacata do povo brasileiro, como ele escreveu:

Bandeira anticomunista posta no Corcovado,
no início deste mês

“Se a esquerda for açodada na efetivação das reivindicações ‘populares’ e niveladoras com que subiu ao poder; — se mostrar-se abespinhada e ácida ao receber as críticas da oposição; — se for persecutória através do mesquinho casuísmo legislativo, da picuinha administrativa ou da devastação policialesca dos adversários, o Brasil se sentirá frustrado na sua apetência de um regime ‘bon enfant’ de uma vida distendida e despreocupada. Num primeiro momento, distanciar-se-á então da esquerda. Depois ficará ressentido. E, por fim, furioso. A esquerda terá perdido a partida da popularidade.”

A tudo isso assistimos e a algo mais. Talvez o articulista na época tenha evitado falar da cachoeira de corrupção — normal em todos os governos de esquerda — que esmagaria o Brasil. Teria tido ele o receio de parecer fora da realidade para os ainda pacatos que o liam? Mas seus discípulos, conhecendo-o, sabem perfeitamente que todo esse panorama estava certamente previsto e bem avaliado.

Agora, entramos na guerra das pesquisas eleitorais, quem é ficha suja, quem é limpa (como se isso houvesse!). A direita, outrora excomungada, tornou-se grife. E surge uma com uma nova agenda, impossível de se pensar há alguns anos atrás: economia de mercado, valores morais, segurança, fim da ideologia de gênero nas escolas, e tudo o mais que o Brasil pacato quer ouvir.

Quem ganhará: a direita? o centro? a esquerda? — perguntava Plinio Corrêa de Oliveira e respondia — ganhará “quem conhecer as verdadeiras fibras da alma brasileira e souber entrar em diálogo pacato com essas fibras. Seja governo, seja oposição, pouco importa. A influência será de quem saiba fazer isto.

Se a nova direita que desponta (muitas vezes ainda envergonhada e se autodenominando de centro-direita), “não souber manter-se no clima de pacatez, e passar para a violência física, legal ou publicitária contra a esquerda, os pacatos lhes dirão: mas, afinal, qual é a sinceridade, qual a dignidade de vocês, que quando eram oposicionistas [fracos, fraquíssimos, omissos, diga-se de passagem] reclamavam para si liberdade e respeito, e agora que são governo usam da perseguição e da difamação para quem é hoje oposição?”

“E se os pacatos notarem acrimônia nos de centro e de direita, dir-lhes-ão: está bem provado que é impossível conviver com vocês, porque, nem vencedores, sabem ser de um trato distensivo”.

Assim, Plinio Corrêa de Oliveira finaliza seu alerta:

E cuidado com os pacatos que se indignam, senhores da esquerda, do centro e da direita. A hora não é para carrancas, mas para as discussões arejadas, polidas, lógicas e inteligentes. Os pacatos toleram tudo, exceto que se lhes perturbe a pacatez. Pois então facilmente se fazem ferozes…”

Os outrora pacatos caminhoneiros que o digam.


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Comentário para Uma análise a propósito da paralisação dos caminhoneiros

CostaMarques
29 de Maio de 2018 à 11:20

Estava também eu na minha pacatez, vendo o noticiário sobre a “greve dos caminioneiros”, focalizando aspectos como a falta de mercadorias nos supermercados ou gasolina nos postos etc. E pensava de mim para comigo: isso não explica nada, porque essa manifestação-reação dos caminhoneiros tem aspectos saudáveis até que encontro e leio de um só fôlego esse excelente artigo de Pedro Pinheiro reproduzindo com felicidade e adaptando às recentes manifestações o famoso: CUIDADO COM OS PACATOS!
Meus parabéns à ABIM e minhas congratulações a Pedro Parente que acertou no alvo.
Afinal descobri porque também eu sou um PACATO, mas cuidado com os Pacatos!
CostaMarques


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domingo, 3 de junho de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: O frio que vem de dentro


O frio que vem de dentro


Conta-se que seis homens ficaram presos numa caverna por causa de uma avalanche de neve. Teriam que esperar até o amanhecer para receber socorro.
Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam.
Eles sabiam que se o fogo apagasse todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.

Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira: era a única maneira de poderem sobreviver!

O primeiro homem era racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura.

Então, raciocinou consigo mesmo: “Aquele negro! Jamais darei minha lenha para aquecer um negro”. E guardou-a, protegendo-a dos olhares dos demais.

O segundo homem era um rico avarento. Estava ali porque esperava  receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um homem da montanha que trazia sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele calculava o valor da sua lenha e, enquanto sonhava com o seu lucro pensou: “Eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso? Nem pensar”.

O terceiro homem era o negro. Seus olhos faiscavam de ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou de resignação que o sofrimento ensina. Seu pensamento era muito prático: “É bem provável que eu precise desta lenha para me defender.  Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem”. E guardou sua lenha com cuidado.

O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros, os caminhos, os perigos e os segredos da neve. E pensou: “Esta  nevasca pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha.”

O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas, nem lhe passou pela cabeça oferecer a lenha que carregava. Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.

O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosas das mãos os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido. “Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem mesmo o menor dos gravetos”.

Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira se cobriu de cinzas e, finalmente apagou.

No alvorecer do dia, quando os homens do socorro chegaram à caverna encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha.

Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de socorro disse: “O frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro”.
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Não deixe que a friagem que vem de dentro mate você.
Abra o seu coração e ajude a aquecer aqueles que o rodeiam.
Não permita que as brasas da esperança se apaguem, nem que a fogueira do otimismo vire cinzas.
Contribua com seu graveto de amor e aumente a chama da vida onde quer que você esteja.
                                                                                             
 (Autor Desconhecido)

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REPARAÇÃO A NOSSA SENHORA APARECIDA - Hélio Dias Viana


1 de junho de 2018
Hélio Dias Viana *

         Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, foi ultrajada no dia 19 de maio, festa de Pentecostes. Tratou-se de uma Missa pela libertação do ex-presidente e atual presidiário Luiz Inácio Lula da Silva, autorizada e celebrada pelo Pe. João Batista Almeida, Reitor do Santuário. Os assistentes ostentavam camisetas vermelhas com duas gravuras: na frente a de Nossa Senhora Aparecida, e atrás a de Lula [foto abaixo].

Lula foi condenado por dois tribunais, por ter recebido com base em propinas um apartamento tríplex, e por isso cumpre atualmente pena de prisão. No entanto, muitíssimo mais grave é ele ter-se empenhado a fundo para conduzir o Brasil pelas vias do socialismo e do comunismo, ambos condenados pela doutrina católica por serem diametralmente opostos à Lei natural e à Lei de Deus.

Está fora de cogitação que o Reitor do Santuário Nacional de Aparecida ignore a esse respeito a doutrina católica. Não pode também ignorar o gravíssimo fato de que, juntamente com Fidel Castro e Hugo Chávez, Lula se empenhou em tornar toda a América Latina socialista, como pode ser constatado em seus muitíssimos pronunciamentos. Seria muito útil à sociedade brasileira, especialmente aos católicos, o Reitor do Santuário de Aparecida esclarecer se está ou esteve de acordo com essa atuação do atual presidiário, cuja liberdade tanto deseja.

Uma sadia reação popular, na qual podemos entrever a intervenção poderosa de Nossa Senhora Aparecida, resultou no impeachment da ex-presidente Dilma, simultaneamente com maior rigor investigativo e processual dos crimes de corrupção. Sem isso, talvez estivéssemos hoje em situação análoga à da infeliz Venezuela, cujo governo ditatorial foi ostensivamente apoiado por Lula e o PT. Devemos à Virgem Santíssima um profundo agradecimento por essa proteção especial. Devemos a Ela também nosso pedido de perdão pelo ultraje que lhe foi feito, além de protestar veementemente pela grave ofensa sacerdotal perpetrada no seu Santuário.**
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(*) Fonte: Revista Catolicismo, Nº 810, junho/2018.

(**) Publicaremos amanhã matéria a respeito de um pseudo “pedido de perdão” feito pelo Pe. João Batista de Almeida.
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Comentário para Reparação a Nossa Senhora Aparecida

Luiz Guilherme Winther de Castro
1 de junho de 2018 à 17:10

Meu irmão, suboficial da reserva da FAB e advogado, ligou para a Basílica em Aparecida protestando e foi informado pelo atendente que havia muita gente telefonando e condenando o fato. Aliás, nós somos nascidos em Aparecida e lá fomos coroinhas na Basílica Matriz e eu cheguei a ser seminarista nos redentoristas.

Posteriormente, o Bispo de Aparecida, o Padre Provincial dos Redentoristas da Província de São Paulo e o próprio Padre Reitor, citado no artigo, publicaram um pedido de desculpas pela inconveniente atitude. |Na verdade, deveriam pedir “perdão”!

Sabe-se muito bem que o político preso foi condenado por ato de corrupção e contra ele ainda pesam mais algumas ações. Ora, o ladrão, o assassino que mata para roubar, o sequestrador, o traficante e outros mais são considerados marginais.

O que é um marginal? Para mim, é aquele que vive a age à margem da lei, seja quais forem os motivos, as táticas ou modus operandi.
Portanto, políticos e empresários presos por corrupção significa que utilizaram meios desonestos para benefício próprio ou de terceiros.
Resumindo, são larápios, ladrões, canalhas, verdadeiros pilantras.
O agravante de tudo isso é que são pessoas esclarecidas, não são tão ignorantes e têm um nível social de causar inveja à população, cuja maioria vive às custas de seu trabalho. Mas, a ambição descarada não tem limites. Portanto, para mim, tanto o tal político como os outros já condenados e presos nada mais são que verdadeiros marginais. O que roubaram pode ter causado falta de assistência ao povo brasileiro em várias necessidades. Será que alguém não morreu por falta de atendimento médico, de medicamentos, já que o dinheiro era desviado? Ora, esses corruptos podem ser considerados verdadeiros assassinos!

Além de tudo, o tal sujeito ainda fez de tudo para transformar o país num “paraíso” comunista!

Tancredo Neves dizia que quando a esperteza é demais ela engole o esperto. No caso do espertalhão preso, acredito que, por ser um iletrado, mas inteligente para o crime, sentiu-se um poderoso, já que massageavam o seu ego e dele tiraram proveitos. Agora, o marginal está pagando a conta.

O pior de tudo é saber que muitos bispos e padres ainda idolatram o tal canalha.

Invoquemos a proteção de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Fátima, ou seja, invoquemos a proteção da Mãe de Jesus.


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (81)


9º Domingo do Tempo Comum – 03/06/2018

Anúncio do Evangelho (Mc 2,23-3,6)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam.
Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?”
Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus, e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”.
E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. Portanto, o Filho do Homem é Senhor também do sábado”.
Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. Ao saírem, os fariseus, com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre José Vinci:

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A intransigência que nos petrifica

“...os fariseus, com os herodianos, tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo”

No Evangelho deste domingo (9º dom TC), Jesus desmascara uma patologia do espírito, uma enfermidade da alma, uma espécie de tumor social: trata-se da intransigência, que se expressa nas atitudes de preconceito, intolerância, fanatismo, racismo, indiferença, legalismo, moralismo..., matando na raiz toda possibilidade de encontros humanizadores, sobretudo com os “diferentes”.

O intransigente, precisamente porque é vazio de humanismo, deixa transparecer uma visão hermética e fechada da realidade. Esta visão atrofiada, a partir do lugar e da posição social ou religiosa que ocupam, os leva a um enfrentamento com outros por razões ideológicas, políticas ou religiosas, em lugar de compreender a perspectiva do outro e as verdades latentes que há em todo ser humano. 

O roteiro que rege todo intransigente é sumamente simples: consciente ou inconscientemente, divide a humanidade em dois grupos que considera radicalmente opostos. De uma parte, estamos “nós”, que nos encontramos na verdade e somos merecedores de atenção e cuidado, de respeito e inclusive admiração; de outra, se encontram “os outros”, aqueles que estão forçosamente equivocados porque pertencem a um grupo que pensa, sente, age... de maneira diferente. Só resta eliminá-los, ou afastá-los da presença para que não “contaminem” o ambiente com ideias e atitudes subversivas. Em outras palavras, o que transparece é isto: “nós” temos a verdade, “eles” estão no erro.

Sofrendo de uma falta total de compaixão ou empatia, o intransigente pode ser profundamente cruel para com os outros; com a lei na mão e no coração, ele alimenta um tribunal interior que julga, emite pareceres, condena..., acreditando ser fiel a Deus. Os obsessivos e os intransigentes sempre criam problemas; e os intransigentes religiosos mais ainda, porque fundamentam sua intransigência em Deus.

A intransigência edifica uma barreira intransponível entre o “nós” e os “outros”. Ao negar sua condição criatural de com-viver junto aos diferentes, seus semelhantes, o intransigente torna-se uma ilha sem vida e triste. Sua intransigência é sintoma de desumanização. E essa desumanização afeta e é prejudicial a todos. Todo mundo perde. Aos poucos, as pessoas se recolhem em seus medos, em suas inseguranças e começam a acreditar que os diferentes são seus inimigos. Da intransigência passa aos sentimentos hostis, aos discursos fascistas, às práticas fundamentalistas, à segregação...

O princípio da diversidade nos diz que no outro há verdade e que esta verdade deve ser reconhecida e entendida. Considerado sob o enfoque do ouvir sem preconceitos, do conhecer a diferença e do amar a verdade presente no outro, a “diversidade reconciliadora” supõe o diálogo fundado no amor.

Para que haja amor é preciso que haja diferenciação. No amor respeitamos a diferença do outro, amamos a diferença do outro. Diferenciar não é separar; a unidade não é a uniformidade. A diferença não dispersa nem divide, mas provoca convergência crítica e favorece a unificação na diversidade. Ao tornarem absoluta uma verdade, os intransigentes se condenam à intolerância e passam a não reconhecer e a respeitar a verdade e o bem presentes no outro. Não suportam a coexistência das diferenças, a pluralidade de opiniões e posições, crenças e ideias. Daí surgem o conservadorismo radical, o medo à mudança, a violência diante da crítica, a suspeita, a vigilância, o controle autoritário... 

A intolerância é uma expressão de atrofia espiritual que tem graves consequências na vida social e no desenvolvimento dos povos. É a incapacidade de aceitar os outros em razão de suas ideias, convicções ou crenças. É uma grave debilidade que torna impossível a coesão e a correta interação entre pessoas e grupos humanos. No fundo, tudo isso é expressão de um avassalador vazio existencial. A vida fanática e intolerante é uma vida sem sentido, carente de interesse e de originalidade,

Em um mundo polarizado por fanatismos de caráter muito diverso, tensionado por forças irracionais, tanto de origem religiosa como política, a educação do “sentido espiritual” da vida constitui uma urgência, frente a uma insistência mecânica de padrões de conduta e de modelos impostos pelos grandes meios de comunicação de massa.  A vida espiritual é abertura, receptividade e movimento. As grandes figuras da história espiritual nunca sucumbiram ao fanatismo e à intransigência. Foram benevolentes, compassivos e receptivos. Praticaram o diálogo com todos, sem discriminação alguma.

Há demasiadas divisões entre nós; há demasiadas condenações e violências (verbal e física); há demasiadas exclusões e marginalizações. E tudo simplesmente “porque não é dos nossos”, “porque não pensa como nós”... Podemos pensar diferente, mas nem por isso temos de nos excluir; não somos donos da verdade; também os outros pensam e tem uma percepção diferente da realidade.. Podemos ter critérios diferentes, mas nem por isso temos que criar muros que nos separam. O diferente não deve excluir ninguém; o diferente pode ser uma fonte de enriquecimento mútuo.

O evangelho deste domingo (9º dom TC) nos revela que o intransigente nunca se põe no lugar do outro; só ele tem razão. Isso porque ele pensa a partir da lei, mas não pensa a partir da situação e das necessidades dos outros. E com isso ele faz um triste favor a Deus, porque dá a impressão de que Deus prefere suas leis ou suas interpretações e não as carências dos outros.

O intransigente se converte em centro de sua fidelidade à lei; mas prescinde do ser humano. Ao intransigente não lhe importa que o outro tenha fome no sábado, como tampouco lhe importa que esteja enfermo. O importante é o sábado e não a pessoa.

Mas Jesus pensa e age de outra maneira; primeiro é o ser humano e depois a lei; esta deve estar a serviço do ser humano. Por isso, a presença de Jesus na sinagoga revela-se como um apelo e uma ocasião privilegiada para pôr em questão nosso confinamento religioso, nossas posturas fechadas, nossas visões sociais estreitas e preconceituosas... e abrir-nos à diversidade e ao diferente. Sem alteridade regenerante caímos no confinamento de uma pureza de ortodoxia, de uma ideologia segregadora, de um legalismo estéril, de uma doutrina impositiva. Confinamento que nos torna cegos aos valores e riquezas que vem de outras expressões humanas e religiosas. O modo de proceder de Jesus nos instiga a acolher a diversidade como expressão da inesgotável criatividade divina.

A diferença promove a unidade lúcida e criativa; por isso é valor a ser preservado e a ser desenvolvido, é potencial a ser ativado. “O Espírito Santo cria a diversidade na Igreja. A diversidade é bela, mas o mesmo Espírito Santo faz também a unidade, para que a Igreja esteja unida na diversidade; para usar uma expressão bela: uma diversidade reconciliadora” (papa Francisco).

Texto bíblico:   Mc 2,23-3,6
Na oração: a intransigência impede a pessoa de viver, de se abrir ao mundo, de ser espontânea e de viver mais intensamente;

- a impiedade da intolerância frente ao “diferente” e o descalabro dos racismos envenenam corações e fomentam as dinâmicas excludentes que envergonham a humanidade e não podem ser aceitas, pacificamente, pelos(as) seguidores(as) de Jesus;

- o racismo é sutil; está presente lá no fundo; é uma grande praga que exige grande esforço para dela se livrar; vira sentimento que se justifica e dá forma a modos de falar, define posturas e cria as distâncias, rompendo a comunhão.

- Como você se posiciona diante das diferenças religiosas, políticas, raciais, de gênero, de cultura...?

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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