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sábado, 31 de março de 2018

DOM CESLAU STANULA - O Tríduo Pascal.





28/03/2018


Dentro da Semana Santa destaca-se o Tríduo Pascal, que são os três últimos dias em que contemplamos o mistério da Páscoa: a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

O Tríduo Santo inicia com a celebração, nas horas vespertinas, da Ceia do Senhor. Esta celebração possui o tom festivo. A liturgia realça que Cristo nos deu a Páscoa no rito da ceia que exige da Igreja a união indissolúvel na vida entre o serviço e a caridade fraterna. 
Dentro deste contexto se deve ver o rito do Lava pés, praticado desde o tempo de S. Agostinho, que foi reservado só para as igrejas catedrais, e depois da refirma do Papa Pio XII em 1955, seu uso se estendeu a todas as Igrejas.

Depois da celebração as Hóstias consagradas são solenemente levadas a um lugar devidamente preparado para a adoração.  Desta forma fica plenamente expressa a ideia, que o culto ao mistério eucarístico devemos prestar tanto na Missa como e fora da Missa. Não se trata então do “sepulcro”, Cristo no túmulo, mas do contrário, de “ostensão”, exposição, do tabernáculo que contém as Sagradas Espécies que devemos adorar sempre, porque é o próprio Cristo Jesus. (Veja: Dicionário Litúrgico – Tríduo Pascal).

Nas Igrejas Catedrais, nos horários matutinos, celebra-se a Missa do Crisma, durante a qual o Bispo abençoa os óleos santos: do Batismo, dos Enfermos e do Crisma. Está solene liturgia transformou-se também em oportunidade para reunir todo o presbitério em torno do seu bispo, renovar as promessas sacerdotais e fazer da celebração uma festa do sacerdócio. Rezemos pelos bispos e padres que Jesus nos deixou para nunca nos faltar a Eucaristia.
Com a oração e benção episcopal.
Dom Ceslau.

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29/03/2018
A Sexta-feira Santa

A sexta feira Santa exprime o significado da cruz, inspirado no Evangelho de São João. Portanto, a sexta feira santa não é o dia de luto na igreja, mas o dia de amorosa contemplação do sacrifício de Jesus, fonte da salvação.  O aspecto da humilhação e da morte está sempre inseparavelmente ligado ao mistério da ressurreição e da glorificação de Cristo. Este significado teológico da cruz exprimem os textos litúrgicos: as orações, mas principalmente os textos bíblicos que constituem a liturgia da Palavra. Na Sexta Feira Santa nunca se celebrou a santa Missa, e no seu lugar se coloca a adoração solene da Santa Cruz, que é o ponto central das celebrações da Sexta-feira Santa. Este rito da adoração da Santa Cruz vem de Jerusalém e já está praticado no século IV, como atesta São Cirilo (+386) bispo de Jerusalém. Depois as leituras, desde o século II, seguem as orações solenes – “oração universal”. A celebração termina com a Santa Comunhão, que no início ficou reservada para o celebrante, mas desde 1955, desde a reforma do Papa Pio XII, foi estendida para os fiéis.

Na sexta Feira Santa, por motivos religiosos obriga, o jejum e abstinência. Este jejum é o sinal sacramental da participação no sacrifício de Cristo. De fato, “chegaram os dias em que o esposo foi tirado”, por isso, segundo a recomendação de Jesus, os discípulos jejuarão (Lc 5,33-35).

Num profundo silencio orante contemplemos o amor de Jesus para conosco. Uma boa noite.
Dom Ceslau
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30/03/2018
A Vigília Dominical
A primeira  e a única celebração no Sábado Santo é a Vigília dominical, chamada por S. Agostino como a “mãe de todas as vigílias”. O rito romano, com o tempo, enriqueceu-o pela introdução de elementos novos, como a benção do fogo e o círio, que constituem a abertura da celebração da Vigília. A partir do século II a noite da Vigília Pascoal ficou caracterizada pela celebração do batismo. A celebração da Vigília desenvolve-se inteiramente na alegria da páscoa e com o rito progressivo e ascensional e desemboca na santa Missa a verdadeira Páscoa.
Depois das cerimônias iniciais, a benção do fogo e do círio, com o belíssimo canto de perecônio pascoal, vem a liturgia da Palavra, com nove leituras, apresentando a história da salvação, e depois segue a liturgia batismal. A liturgia renovada aconselha que haja não só a renovação das promessas batismais dos adultos, mas a efetiva celebração do batismo. Depois da liturgia batismal, a comunidade explode com canto alegre e triunfal: Glória a Deus no mais alto dos céus, em Celebração Eucaristia da Páscoa.

O simbolismo fundamental da celebração da vigília pascoal consiste em ser ela “uma noite iluminada”, “a noite vencida pelo dia”, mostrando assim pelos sinais, que a graça de Cristo venceu as trevas do pecado. Por isso a vigília pascoal é noturna pela sua natureza. Começar de noite para terminar no raiar do dia. Passagem das trevas para a luz, da noite para o dia, expressa a realidade do mistério da Pascoa em Cristo e em nós. A Páscoa, QUE SIGNIFICA A PASSAGEM... passagem sempre para o melhor, sempre para a luz.... Que linda simbologia.
Feliz Páscoa. Que a luz do dia da Páscoa continue brilhando na sua e na nossa vida. Feliz Páscoa.
Dom Ceslau.

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Dom Ceslau Stanula 
Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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sexta-feira, 30 de março de 2018

A LUA CHEIA DA PAIXÃO – Eglê S Machado

A lua cheia da paixão


Naquela quinta feira, véspera do dia fatal,
Brilhava a lua cheia, mas a noite era densa,
Quando o Iscariotes guiando a tropa tensa
Com um beijo entregou Jesus ao tribunal.

O Amor foi  arrancado do convívio dos seus,
Traído, foi despido, de cardos coroado,
Depois de com ferocidade, flagelado,
Somente por afirmar ser o Filho de Deus!

E então na  sexta feira ali crucificado
O pranto consternado ao Seu sangue mesclado
Promete ao bom ladrão: irás comigo ao Pai.

Em plena três da tarde se faz escuridão
E brilha a lua cheia. Do Amor em solidão
Atroz abandonado o seu vigor se esvai!

Eglê S Machado 
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
Sexta-feira Santa
Noite de Lua cheia

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AOS OITENTA E DOIS ANOS, AZEVEDO, TORNA-SE EXEMPLO PARA LITERÁRIOS CONTEMPORÂNEOS


Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Há 22 anos quando aposentou como auditor fiscal da Receita Federal, e com pendores literários, Azevedo, como é costumeiramente tratado nos meios literários, motivado por amigos, começou a escrever aos 65 anos. Utilizando a tecnologia da informação para seu tino autodidata, até então valeu-se de seu diário vivencial desde 1970. Tem cinco livros publicados.

Considerando-se um escritor ainda em formação, intitula-se uma pedra bruta a ser lapidada conforme crítica literária. Transitando da terceira para a quarta idade (82 anos) continua lendo, estudando e escrevendo para satisfazer seu ego, embora dificultem-lhe as dores físicas, a surdez severa, a memória esvaindo e outros empecilhos mais. Sem perder o senso crítico e a lucidez, reflete especialmente sobre a razão que leva os ingratos a agirem assim. Conclui sobre a diferença entre o velho e o idoso: ser velho é quando perdemos as esperanças e passamos a reclamar de tudo e de todos como se nada mais valesse a pena. Ser idoso é quando ainda descortinamos um novo porvir, transpondo barreiras na estrada da vida e abrindo picadas para as trilhas nas matas.

“Analisa também o aspecto vivencial da família, desmoralizada pela mídia e enxovalhada por quem mais deveria defendê-la: pais, mães e filhos.”

Boa leitura!

Escritor José Antônio de Azevedo, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que o motivou a escrever o seu livro “O Homem no Mundo”?

Azevedo - Trata-se de uma obra séria com algumas pitadas de ironia, discorrendo sobre vários temas, como episódios do dia a dia do país, a administração pública e o descaso das autoridades com os idosos, apesar do Estatuto do Idoso. Analisa também o aspecto vivencial da família, desmoralizada pela mídia e enxovalhada por quem mais deveria defendê-la: pais, mães e filhos.

Quais os principais desafios para a escrita de “Transição”?

Azevedo - Demonstrar a existência das duas grandes e traumáticas transições: a do nosso nascer e a do morrer. O nascituro, que está tranquilo no ventre da mãe, suporta um grande choque ao vir à luz. Ao morrer sofre enorme impacto ao transitar para a quarta dimensão.

Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio do enredo que compõe a obra?

Azevedo - Divulgar minha visão sobre as transições por que passou o mundo na atualidade, visto que em menos de um século tudo que existe nele transformou muito mais do que o que ocorreu até então desde o Big Bang.

Dando continuidade à sua carreira literária, surge “O coração infarta quando chega a ingratidão”. Quais temáticas estão sendo abordadas por meio do enredo que compõe a obra?

Azevedo - O tema da ingratidão como o PIOR DEFEITO do ser humano. Nele, reflito sobre a razão que leva os ingratos a se utilizarem dos velhos como escada, enquanto produtivos, para os descartarem quando perdem a capacidade de trabalho.

E por fim temos “Comendo fogo e cuspindo cinza”. Por que este título?

Azevedo - Fiel à temática que me é cara e crítico sobre a sociedade, nas questões que envolvem pessoas idosas, apresento uma personagem nova, Zé Baiano, e o cidadão idoso Maicro, para fundi-los como em uma simbiose, transformando-os daí numa terceira, Ícaro. Resulta em seguida no melhor que há nos outros dois: o vigor da juventude com a experiência da maturidade. O simbiótico Ícaro, assim transformado, torna-se imbatível nas batalhas diárias da vida, pois descobre dentro de si uma fogueira de energia que gera potência para fazer funcionar o motor da juventude acumulada. Conduzo, assim, o tema por uma série de palestras que abordam vários aspectos da existência, sempre em busca do equilíbrio, tão necessário a quem come fogo e cospe cinzas para produzir a energia de que precisa na evolução da vida.

Onde podemos comprar seus livros?

Azevedo - “Transição” está à venda na Biblioteca 24h.
“O Homem no Mundo”, “O coração infarta quando chega a ingratidão” e “Comendo fogo e cuspindo cinzas” podem ser adquiridos nas livrarias Cultura, Martins Fontes e Asabeça.

Qualquer um destes títulos pode ser pedido pelo e-mail jazevedo2008@gmail.com  diretamente com o autor a preço a ser combinado, ou doado para leitores pobres que não tenham condições de comprar.

Quais os seus principais objetivos como escritor? Soube que já temos livro novo no prelo.

Azevedo - Considerando minha humilde e simples pessoa, não tenho pretensões financeiras como escritor, mas se angariar alguns leitores já me sinto orgulhoso e realizado. O livro que está no prelo “Evolução Transcendental da Juventude” está com previsão para ser editado até final de abril deste ano (2018).

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor José Antônio de Azevedo. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Azevedo - A todos os leitores o meu muito obrigado.

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura


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ALGUNS PENSAMENTOS DE GRANDES SANTOS PARA MEDITARMOS NESTA SEMANA SANTA


29 de Março de 2018

Amigos da Cruz, que estudais um Deus crucificado, o mistério da cruz é um mistério desconhecido dos gentios, repelido pelos judeus e desprezado pelos hereges e pelos maus católicos; é, porém, o grande mistério que deveis aprender praticamente, na escola de Jesus Cristo, e que somente em sua escola podeis aprender”.
(São Luís Grignion de Montfort)

Aconselho-te a oração mental e com o coração, particularmente sobre a Vida e a Paixão de Nosso Salvador. Se as contemplares com frequência na meditação, encherás a tua alma, aprenderás a Sua modéstia e modelarás as tuas ações pelo modelo das Suas. Ele é a Luz do mundo; e n’Ele, por Ele e para Ele devemos ser instruídos e iluminados”.
(São Francisco de Sales)

São seis as coisas que se devem meditar na Paixão de Cristo:
A grandeza das Suas dores, para nos compadecermos delas;
A gravidade do nosso pecado, que é a sua causa, para o detestarmos;
A grandeza do benefício, para o agradecer;
A excelência da divina bondade e caridade, que se descobre nela, para a amar;
A conveniência do mistério, para se maravilhar com ele;
E a multidão das virtudes de Cristo, que resplandecem nela, para as imitar”.
(São Pedro de Alcântara)


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COMEMORAÇÕES SIMILARES! - Antonio Nunes de Souza


Estamos hoje em plena sexta-feira Santa, cultuando a morte de Jesus Cristo e, nos dias 25 de dezembro, comemoramos o nascimento do filho de Deus. O curioso e interessante é que, nas duas situações, os comportamentos são de uma semelhança incrível, já que em ambas as datas todos se locupletam de refeições nababescas, vinhos, frutas, cantorias, danças, rezas e algumas partes meio profanas como um complemento das nossas festas na terra!

Essa minha observação tem certo sentido, principalmente em função de serem dois acontecimentos distintos, sendo um de nascimento, que na verdade merece uma alegria total e muitas festividades. Entretanto, na sexta feira da paixão, onde temos a tristeza de relembrar os sofrimentos repugnantes, castigos severos e uma morte através de crucificamento, seria mais correto e justo, que fosse um dia de rezas, reflexões, leituras bíblicas, visitas as igrejas e, logicamente, ter suas refeições normais sem que deixassem transparecer, como se fosse uma festa e sim um sentimento profundo!

Essa festança toda, por justa razão, deveria ser no dia da ressureição de Cristo, pois, nesse dia, ele volta para casa do seu Pai. Acontecimento que prova a sua Santidade e a nossa alegria de Vê-lo subir ao céu!

Pelo peso da minha idade, posso dizer que, com alegria e satisfação comemorei muitas dezenas de Natais e, como também, fiquei em silencio orando em alguns momentos do dia, as emissoras de rádios saiam do ar, ou apenas tocavam músicas clássicas, (sem nenhuma propaganda), acompanhei muito as procissões do Senhor morto, todos cabisbaixos e fazendo suas benditas orações e, como hábito e costume milenar, comia meu peixinho frito ou de escabeche!

Creio que seria interessante se fazer uma reflexão e, com justiça, voltar aos hábitos passados, diferenciar os eventos, mostrar maior religiosidade e respeitar mais o Nosso Senhor Jesus Cristo!


Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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quinta-feira, 29 de março de 2018

TOLERÂNCIA – José Carlos Oliveira


Uma das mais expressivas virtudes que a Maçonaria impõe a seus membros é a tolerância. Sem ela a grande família maçônica não poderia ser composta de indivíduos de todas as raças, credos e partidos políticos, em harmoniosa convivência, todos se reconhecendo como verdadeiros irmãos, desculpando ofensas; sendo indulgentes; condescendentes; transigentes; admitindo e respeitando opiniões contrárias à sua.

Assim sendo, os maçons vivem em união porque são tolerantes. Aceitam, de bom grado, a hierarquia, a disciplina e a ordem impostas pela Maçonaria, bem como suas leis e regulamentos. A maçonaria, sendo progressista, é tolerante com seus membros e os induz à incessante busca da verdade. Sabemos que, quem se pretende possuir a verdade, normalmente é intolerante em aceitar posicionamentos contrários ao seu. Para a maçonaria somente existe uma verdade absoluta - a existência de Deus - a quem denomina Grande Arquiteto do Universo. Tudo mais é relativo e questionável. Como sabemos, até 30 anos após a descoberta do Brasil, era verdade que a Terra estava absolutamente parada no centro do Universo, e ao seu redor desfilavam todos os corpos celestes. Porém, em 1530, o polonês Nicolau Copérnico, concluiu sua grande obra – “De revolutionibus orbium coelestium” - (Sobre as revoluções das esferas celestes), afirmando que a verdade é que a Terra gira em torno de seu próprio eixo uma vez por dia, e viaja ao redor do Sol uma vez por ano. Desapareceu assim, o antigo sistema geocêntrico, nascendo em seu lugar o atual Sistema Heliocêntrico. .

A enciclopédia Wikipédia assim conceitua tolerância: “do latim tolerare (sustentar, suportar), é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física. Do ponto de vista da sociedade, a tolerância define a capacidade de uma pessoa ou grupo social de aceitar, noutra pessoa ou grupo social, uma atitude diferente das que são a norma no seu próprio grupo”.

O psicanalista e Prof. da USP Dr. Raimundo de Lima, em artigo publicado na Revista Espaço Acadêmico, Ano III, nº 26 – Julho de 2003, reporta-se à tolerância como “uma das tantas virtudes, necessárias para elevar o ser humano à condição de civilidade. Ela faz parte do processo de desenvolvimento ético de indivíduos e grupos, cuja meta é levá-los a manter a disposição firme e constante para praticar o bem. Se a tolerância pudesse existir sem limites, se fosse uma virtude universal, onde todos fossem plenamente respeitados e respeitadores das diferenças humanas, provavelmente o mundo seria melhor de se viver.”

Isto se enquadra, perfeitamente, no propósito da Maçonaria, contido em sua definição, lida em todas as suas sessões, que assim começa:  “é uma instituição que tem por fim tornar feliz a humanidade, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade, pelo respeito à autoridade e à crença de cada um”.
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José Carlos Oliveira - Advogado, versado em Direito do Trabalho, diplomado pela UFBA em 1973; Auditor Fiscal do Trabalho durante 18 anos, aposentado em 1984; rotariano – EGD; maçom grau 33; Inspetor Litúrgico da 3ª Região Litúrgica da Bahia; Presidente do Conselho Consultivo da FUNDESB. Membro efetivo da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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ASSASSINATO DE UM POLICIAL HEROICO - Plinio Maria Solimeo


29 de Março de 2018
Plinio Maria Solimeo

            No dia 23 último, um terrorista invadiu um supermercado em Trèbes, na França, e fez alguns reféns, exigindo a liberdade de outro muçulmano em poder da polícia. O alarme foi dado e vários policiais entraram no estabelecimento, entre eles Arnaud Beltrame, tenente-coronel da corporação [foto acima].

Durante três horas de tratativas com o terrorista, os reféns foram sendo soltos, restando nas mãos do assaltante apenas uma funcionária do estabelecimento. Então Arnaud Beltrame pôs de lado sua arma, levantou as mãos ao ar e se propôs a tomar o lugar da refém. Sendo a proposta aceita, o policial contatou seus colegas pelo celular, pedindo-lhes que deixassem o local, pois o assaltante exigia a libertação de Salah Abdeslam e ameaçava explodir granadas no supermercado.

Depois de quase uma hora de tensão, o terrorista saiu do local onde estava, servindo-se do tenente-coronel como escudo, com uma arma colocada em seu pescoço. Quando a polícia ouviu dois disparos, deu o assalto, encontrando no solo o corpo do terrorista e o do policial. Este tinha recebido uma profunda ferida no pescoço e foi levado imediatamente para o hospital de Carcassone, mas não resistiu.

Quem era Arnaud Beltrame?

Oriundo de uma família católica pouco praticante, Arnaud se converteu aos 33 anos, recebendo a Primeira Comunhão e a Confirmação dois anos depois.

O Pe. Jean-Baptiste, sacerdote da Abadia de Lagrasse, que o acompanhou em seu caminho para a fé e em sua preparação para o matrimônio, declarou: “Só sua fé pode explicar a loucura deste sacrifício que fez hoje, para admiração de todos. Ele sabia que, como nos disse Jesus, não há maior amor que o de dar a vida por seus amigos.”

Isto nos faz lembrar um caso parecido, ocorrido com o sacerdote polonês São Maximiliano Kolbe, que deu a vida para salvar a de um pai de família condenado pelos nazistas.

O Pe. Jean-Baptiste contou que conheceu Arnaud e a sua noiva por ocasião de uma visita que eles fizeram à sua abadia, que é um monumento histórico. Eles se simpatizaram com o sacerdote e lhe pediram que os preparasse para o matrimônio religioso (já haviam se casado no civil), que seria celebrado em junho próximo: “Inteligente, esportista, falador e carismático, Arnaud gostava de falar de sua conversão em torno de 2008, aos 33 anos”, comenta o sacerdote. E acrescenta: “Apaixonado pela polícia, alimentava desde sempre grande paixão pela França, por sua grandeza, por sua história e por suas raízes cristãs”.

Acrescenta ainda o Pe. Jean-Baptiste: “Ao oferecer-se para tomar o lugar dos reféns, provavelmente esteve animado com paixão por seu heroísmo de oficial, porque para ele ser policial queria dizer proteger. Mas sabia o risco extraordinário que assumia.”

            O sacerdote declarou também que pôde vê-lo ainda em vida: “Pude vê-lo no hospital de Carcassone por volta das nove horas da noite de sexta-feira. Os policiais, os médicos e as enfermeiras me levaram para junto dele com grande delicadeza. Ele estava vivo, mas inconsciente. Pude dar-lhe a extrema-unção e a bênção apostólica in articulo mortis. Era a Sexta-feira das Dores, pouco antes de começar a Semana Santa. Eu acabava de rezar o ofício de Noa e a Via Sacra por sua intenção. Pedi ao pessoal que cuidava dele se podia pôr uma medalha da Virgem, a da Rue du Bac, de Paris [Medalha Milagrosa] junto a ele. Compreensiva e profissional, uma enfermeira a sujeitou em seu ombro”.

É louvável a atitude desse sacerdote, que mostra bem o que pode fazer um ministro de Deus com espírito sobrenatural e compenetração de seus deveres sacerdotais.

Entre as várias homenagens que Arnaud recebeu estão a do Ministro do Interior e a do Comandante Geral da Polícia. Nessa ocasião lhe foram concedidas, a título póstumo, as medalhas da segurança interior, da Polícia Nacional, e a de coragem e devotamento. Foi-lhe conferido também o grau de coronel.

O Comandante da Polícia assim se expressou em sua homenagem a Beltrame: “O tenente-coronel foi até o limite de seu engajamento, e nisso a Polícia Nacional é orgulhosa do que ele fez; orgulhosa de contar com Arnaud Beltrame em suas fileiras. Seu exemplo deverá nos inspirar no serviço que empreendemos no dia-a-dia da população e de nossos concidadãos”1.

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