Total de visualizações de página

terça-feira, 3 de outubro de 2017

NOBEL DE FISIOLOGIA OU MEDICINA VAI PARA PESQUISAS SOBRE RELÓGIO BIOLÓGICO


Jonathan Nackstrand/AFP
Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young são anunciados como vencedores do Nobel


GABRIEL ALVES
DE SÃO PAULO

02/10/2017
  
O Nobel de fisiologia ou medicina de 2017 foi para três americanos, Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W Young, pelas descobertas dos mecanismos moleculares por trás dos ritmos circadianos. O anúncio foi feito na manhã desta segunda (2).

A palavra circadiano significa "ao redor do dia" e os ritmos circadianos têm origem evolutiva que remonta às células mais primitivas. Na prática, eles permitem que as células –e os organismos que formam– tenham um comportamento otimizado dependendo da hora do dia.

O trabalho dos americanos foi decifrar quais são as engrenagens moleculares do chamado relógio interno. A grande sacada dos pesquisadores foi perceber que existe um processo de retroalimentação que configura o relógio.

Em conversa por telefone com a Folha, o agora nobelista Michael Rosbash, da Universidade Brandeis, disse que foi acordado logo cedo por um representante do comitê do Nobel. "Estava na cama, dormindo, quando o telefone tocou. Eram 5h10 da manhã."

"Fiquei muito surpreso. É uma área importante mas não pensávamos que ela seria agraciada. Existem várias áreas empolgantes na biologia", disse.

Décadas atrás, quando começou a pesquisar na área, uma das dificuldades era lidar com as técnicas de manipulação do DNA, ainda incipientes. "Era desafiador clonar esses genes. Éramos jovens e trabalhávamos duro e não tínhamos ideia aonde aquilo nos levaria."
Editoria de Arte/Folhapress
Um experimento conduzido no século 18 já mostrava que seres vivos poderiam ter uma espécie de relógio interno: a planta mimosa abre suas folhas de dia e as fecha à noite. Quando foi colocada em um ambiente escuro, o padrão de abertura e fechamento se repetia. O que faltava era explicar como isso ocorria.

Os primeiros experimentos ocorreram na década de 1970, mas só na década de de 1980 é que houve um salto na área, com estudos usando a mosquinha Drosophila melanogaster.


A dupla Hall e Rosbash foi responsável pelas descobertas do funcionamento do gene "period".

Basicamente, o gene period é o responsável pela produção do RNA mensageiro que contém instruções para a produção da proteína PER. Essa proteína, por sua vez, é responsável por inibir a atividade do gene period.

Dessa forma, dependendo da quantidade de proteína PER em suas células, é possível que o organismo tenha uma noção aproximada de que horas são.

Uma questão, no entanto, faltava ser resolvida: a periodicidade. O que faria o ciclo de produção de PER durar aproximadamente 24h?

A resposta veio com o trabalho de Young, que descobriu um outro gene de relógio, o "timeless" que produz a proteína TIM.

Young mostrou que a proteína TIM se liga à proteína PER. Esse complexo consegue entrar no núcleo da célula e bloquear a atividade do gene period. Ele ainda descobriu um outro gene, o "doubletime", que faz proteína DBT, também capaz de atuar diretamente sobre a PER, provocando sua degradação.

A partir das descobertas premiadas em 2017 surgiu o embasamento para explicar por que, em humanos, a pressão sanguínea é maior e os reflexos são mais ágeis de dia e, de noite, tendemos a sentir sonolência e baixar a temperatura corporal.

BRASIL
Atualmente já há também explicações de como fatores externos, como a luminosidade, entram na jogada. Mas esse avanço só foi possível por esses trabalhos que quebraram o paradigma de uma área, segundo a comissão do Nobel.

O ponto de vista é reforçado pela professora da USP Regina Markus, que pesquisa na área de cronobiologia. "Interessante que foi um reconhecimento da pesquisa básica, feita em Drosphila [mosquinhas]. Os trabalhos premiados são a raiz, o início da área", diz. "O Brasil geralmente se preocupa em financiar tecnologia ou inovação, mas, para esses acontecerem, é necessária uma pesquisa básica de alta densidade. É dela que surgem desdobramentos como esses", diz Markus.

Em uma de suas linhas de pesquisa a professora mostrou que a noção de tempo para o organismo pode ser afetada por lesões –quando a melatonina, hormônio que sinaliza a fase escura do dia, deixa de ser produzida. O hormônio é uma das formas de o organismo sincronizar os vários relógios biológicos.

"Relógio biológico" não é um termo que Mario Pedrazzoli, cronobiologista e professor da USP-Leste tenha em alta conta. Ele prefere usar "temporizadores biológicos", porque "o termo relógio é uma falsa analogia e traz a ideia de uma ideia de marcação do tempo fixa, que não depende de mais nada".

Em um de seus trabalhos, Pedrazzoli mostra que o gene PER3 -parente do PER- é importante para explicar hábitos diurnos em primatas e que alterações no gene podem levar a distúrbios de sono.

Há outros estudos que mostram possíveis efeitos negativos relacionados à agressão do relógio (ou temporizador) interno: hipertensão, obesidade, diabetes, problemas de memória e colesterol elevado. O que falta, afirma Pedrazzoli, é traduzir o conhecimento em medicina preventiva.

Indo para o lado biológico da coisa, Rosbash diz que ainda há mistérios a serem resolvidos. Por que a temperatura não exerce nenhuma influência nesse processo, que é em grande parte químico? Outra incógnita é o motivo de nós e todos os outros animais dormirem -falta entender a função do sono.

No ano passado o vencedor do prêmio foi Yoshinori Ohsumi, que desvendou grade parte do mecanismo pelos qual as células reciclam o próprio "lixo", a autofagia. O processo é importante para a renovação celular e também tem papel importante em doenças.

A única pessoa nascida no Brasil que recebeu um Nobel foi o britânico Peter Medawar, pela descoberta das bases da tolerância imunológica adquirida, ou seja, a capacidade de fazer o sistema imunológico de um organismo não reagir a certos fatores.

Rosbash também tem vínculo com o Brasil. Ele conta que seus avós maternos se estabeleceram no país e que tem primos em São Paulo.

ESCOLHA
A escolha do vencedor do mais importante prêmio da área é realizada por um grupo de 50 pesquisadores ligados ao Instituto Karolinska, na Suécia, escolhido por Alfred Nobel em seu testamento para eleger aquele que tenha feito notáveis contribuições ao futuro da humanidade para receber a láurea.

O prazo para o comitê receber as indicações foi dia 31 de janeiros. Ao todo foram 361 nomes no páreo.

Podem indicar nomes membros do comitê do Nobel do Instituto Karolinska, biologistas e médicos ligados à Academia Real Sueca de Ciências, vencedores dos Nobéis de fisiologia ou medicina ou de química, professores titulares de medicina de instituições suecas, norueguesas, finlandesas, islandesas ou dinamarquesas e acadêmicos e cientistas selecionados pelo comitê do Nobel –autoindicações são desconsideradas.

A cerimônia de premiação propriamente dita dos vencedores deste ano só ocorre em dezembro.

Entre as descobertas premiadas no passado estão a descoberta da estrutura do DNA por James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins (1962), a da penicilina por Fleming e outros (1945), a do ciclo do ácido cítrico por Hans Krebs (1953), e a da estrutura do sistema nervoso por Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal (1906).

Outras descobertas notáveis premiadas pelo Nobel de medicina ou fisiologia são a da insulina (1932), da relação entre HPV e câncer (2008), a da fertilização in vitro (2010), a de que existem grupos sanguíneos (1930) e a de como agem os hormônios (1971).

Os vencedores de 2017 dividirão o prêmio de 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,5 milhões). O dinheiro vem de um fundo de mais de 4 bilhões de coroas suecas (em valores atuais) deixado pelo patrono do prêmio, Alfred Nobel (1833-1896), inventor da dinamite. Os prêmios são distribuídos desde 1901. Além do valor em dinheiro, o laureado recebe uma medalha e um diploma.

QUÍMICA E FÍSICA
Nesta terça (3) e na quarta (4) serão anunciados, respectivamente, os prêmios nas áreas de física e de química. Os dois são distribuídos pela Academia Real Sueca de Ciências.
Em 2016 ganharam o Nobel de física um trio de pesquisadores dos EUA que desenvolveu técnicas capazes de desvendar a existência de novos estados da matéria em condições extremas.

No mesmo ano, o prêmio de química ficou com três pesquisadores responsáveis pela aurora da área das nanomáquinas, dispositivos moleculares capazes de tarefas extraordinárias, ao menos em teoria, como levar um carregamento de uma determinada droga diretamente para um tumor, combatendo-o.
-
AGENDA

3.out (terça)
Nobel de Física

4.out (quarta)
Nobel de Química

6.out (sexta)
Nobel da Paz

9.out (segunda)
Prêmio de Ciências Econômicas 





* * *

NAQUELA MESA... Sérgio Bittencourt

Sérgio  Bittencourt (Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1941 — 9 de julho de 1979) foi um compositor e jornalista brasileiro.
Filho de Jacob do Bandolim, foi criado em volta dos chorões e das rodas de choro. Na escrita, seu estilo era duro e desaforado, mas era considerado sentimentalista.
Abalado com a morte de seu pai, compõe a canção Naquela mesa, se tornando grande sucesso na voz de Elizeth Cardoso. Sendo regravada, posteriormente, pelo cantor Nelson Gonçalves e pelo maestro e arranjador francês Paul Mauriat.
(Wikipédia)


------
Naquela Mesa
Música de Sérgio Bittencourt

 
Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre, o que é viver melhor.
Naquela mesa ele contava histórias,
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor.

Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã.
E nos seus olhos era tanto brilho,
Que mais que seu filho, eu fiquei seu fã.

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa no canto, uma casa e um jardim.
Se eu soubesse o quanto doi a vida,
Essa dor tão doída não doía assim.

Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala no seu bandolim.
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim.


* * *

CORAGEM NO CAMINHO – Chico Xavier

Se chegaste aos dias anuviados de pranto, à vista de ocorrências infelizes, acende a luz da esperança e caminha adiante, olvidando na retaguarda o que te possa parecer aflição e desengano.

Outro dia, com novas emoções, espera-te amanhã, renovando-te a vida.

Circunstâncias inesperadas te deslocaram da segurança em que vivias, arrojando-te nas dificuldades do começo da existência…
Esquece quantos te surgiram por instrumentos de inquietação e lembra-te de que as oportunidades de trabalho continuam brilhando para os que não se deixam vencer pelo desânimo.

Pessoas queridas talvez se te hajam transformado em obstáculos à paz, compelindo-te á travessia de espessas nuvens de lágrimas…

Esquece os que se acomodaram com atitudes irrefletidas e pensa nas dedicações sinceras que te felicitam as horas.

Alguém a quem amas, enternecidamente, haverá falhado nos compromissos assumidos, relegando-te ao abandono…

Esquece o menosprezo de que terás sido objeto e conserva a imagem desse alguém no tesouro de tua gratidão pela felicidade que te deu e prossegue em frente, na certeza de que a vida te ofertará estradas novas para a aquisição de alegrias diferentes.

Acontecimentos calamitosos te impeliram a vacilar nos fundamentos da fé, ainda insegura…

Esquece, porém, os fatos amargos e adianta-te na jornada para diante, valorizando os recursos espirituais de que dispões, recordando que o Céu continua alentando a última planta das últimas faixas do deserto e revigorando o verme da mais oculta reentrância de abismo.

Seja qual seja o tipo de provação que te incline ao desalento, vence o torpor da tristeza e segue para a vanguarda de tuas próprias aspirações.

Da imensidão da noite, nascerá sempre o fulgor de novo dia.
Não te permitas qualquer parada nas sombras da inércia.

Trabalha e prossegue em frente, porque a bênção de Deus te espera em cada alvorecer.

Espírito: MEIMEI. Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Palavras do Coração”


* * *

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

ELVIS PRESLEY E LISA MARIE CANTAM JUNTOS

Elvis morreu em 1977, sua filha Lisa Marie nasceu em 1966. 
Com a tecnologia de hoje, reuniram pai e filha para cantar juntos. É difícil de acreditar que se trata de uma montagem. 
A reação do público quando Lisa Maria entra em cena e a maneira como ela canta são fantásticas. 
Há uma diferença de 40 anos entre as gravações originais. 
Ele gravou em 1968 e ela em 2008. 

Ligue o vídeo abaixo:

 * * *


OUTUBRO ROSA – Oscar Benício dos Santos

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
Para todas as mulheres

SEIOS

Deus plantou duas lindas rosas
no corpo das Evas queridas,
para alimentar as Vidas
e, Adão, as ver formosas. 

Flores que de tão graciosas
são por homens acolhidas
e, se estão entumecidas,
foi por mãos habilidosas. 

Irriguemos essas flores 
com sorrisos e odores,
e sangue do coração. 

Elas que nutriram o Senhor,
nutrirão com muito amor,
o restante da criação.


Oscar Benício Dos Santos

* * *

domingo, 1 de outubro de 2017

NOITES AZUIS - Adriana Falcão

Noites Azuis


Entre os mil tipos de noite que existem, escondidas no meio das outras, dormem as Azuis, as Brancas e as Desgraçadas.
De vez em quando, uma delas acorda para dar plantão. A gente identifica logo.

Nas Noites Azuis, as crianças sonham com os anjos. 
As mulheres sonham com beijos. 
Os homens sonham com feitos. 
As dores roncam profundamente. 
As gentilezas saem por aí a passeio, os crimes tiram uma noite de folga e o amor sofre uma terrível insônia. 
Os casais acordados sussurram baixinho. (Se alguém despertar, eles não estarão mais sozinhos).

No entanto, os sonhos acordados falam mais alto, ansiosos para ser logo promovidos a fatos. 
Os namorados namoram, namoram e namoram, pois quem vai fazer a besteira de não aproveitar uma noite azul para esse tipo de coisa?
As partes tentam se colar uma na outra. 
O escuro vira cúmplice. 
Cada olhar cumpre sua cota. 
A lua ajuda no que pode. 
As estrelas se empenham especialmente. 
Os vaga-lumes executam seu trabalho. 
A brisa e o calor se alternam no ritmo dos suspiros. 
As mãos também fazem cada qual sua parte.

Nas noites azuis, o preto, o marrom, o roxo, o cinza e todas as outras cores descansam, exceto o dourado.
Os velhos sentem vontade de dar pulos.
Os adultos têm ataques súbitos de doidice.
Os adolescentes se tornam as vítimas preferidas dos acasos. É como se tudo fosse festa.
A bebida desce bem, nas noites azuis. Depois sobe, pra cabeça, e então a gente pode cometer o que quiser, inclusive insanidades.
Tomara que não amanheça! Tomara que não amanheça!
Tomara que não amanheça! 
Tomara!


Nas Noites Brancas os sonhos de quem dorme sente falta das ideias melhores e aí vai qualquer uma mesmo: Escola, ônibus, engarrafamento, Caneta, carteira, trabalho, Até documento serve.
A chatice às vezes dá para chatear as dores e elas não dormem direito. Doem acordadas. O resto todo fica quieto. Até mesmo os namorados.

As alegrias cochilam de vez em quando.
O escuro não se mete.
A lua fica muito preguiçosa.
As estrelas discutem entre elas.
Os vaga-lumes passam em branco.
A brisa não sopra. O calor não esquenta.
As mãos permanecem cruzadas.
As cores todas se misturam na roleta da noite e então desaparecem.
Os velhos balançam nas cadeiras. Os adultos fazem contas.
Os adolescentes se trancam nos quartos porque as festas foram todas devidamente canceladas. São sóbrias, as noites brancas.
Devido à falta de surpresas, o amanhecer não atrapalha.


Nas Noites Desgraçadas, os pesadelos se intrometem entre um respirar e outro, abreviando os outros espaços.

Em compensação, os ponteiros dos relógios tropeçam, empacam, se arrastam, e não aceitam ordens nem pedidos.
Os namorados estão cansados, ou desanimados, ou raivosos, ou sozinhos.
Em todos os casos não se beijam. Preferem fazer uso das bocas para pronunciar palavras, uma após a outra, formando frases enormes. Infelizmente não se entendem.
No meio da gritaria, as dores acordam irritadas. O escuro ameaça.
A lua não dá as caras. As estrelas fecham os olhos.
Os vaga-lumes andam sumidos. A brisa se enfurece em desaforos.
O calor sente falta de casaco. As mãos deixam escorrer qualquer oportunidade.

Noites assim quase sempre não têm cores. Nem música. Nem dança. A bebida não faz bem. Faz mal ao fígado.
Os velhos morrem de saudades de antes. 
Os adultos se irritam facilmente. 
Os adolescentes envelhecem anos.

Não há o que festejar  em noites desgraçadas, a não ser o amanhecer, quando ele chega. 
Mas é só o sol arrebentar a teimosia das horas e todo mundo comemora: Graças!

Adriana Falcão

Enviado por: "Gotas de Crystal" <gotasdecrystal@gmail.com>

* * *

PALAVRA DA SALVAÇÃO (46)

26º Domingo do Tempo Comum 01/10/2017

Anúncio do Evangelho (Mt 21,28-32)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi.
O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?”
Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”.
Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

---
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a encenação do Evangelho:

---
Presença provocativa de Jesus

“...os cobradores de impostos e as prostitutas entrarão antes de vós no Reino de Deus” (Mt. 21,31)

A frase acima é uma das mais cortantes, proferida por Jesus aos chefes religiosos. Os cobradores de impostos e as prostitutas constituíam as duas classes de pessoas mais odiadas e que sofriam maior preconceito na sociedade religiosa de seu tempo.

Com sua presença e ternura Jesus quebra as atitudes preconceituosas que delimitam friamente os espaços e alimentam proibições que impedem a manifestação da vida. Jesus provoca um grande escândalo nos seus ouvintes, sobretudo entre os fariseus, sacerdotes e anciãos do povo, que se consideravam superiores aos outros, perfeitos cumpridores da lei, e, portanto, merecedores da atenção de Deus. Eles apresentavam-se como modelos para o povo, porque viviam atraídos por um Deus que somente eles encontravam. É duro viver ao lado de um fundamentalista, porque igualmente duro é seu “deus”.

De fato, há um monstro que habita as profundezas de nosso ser, devorando-nos continuamente e expelindo seu veneno mortal: trata-se do preconceito. Ele constitui o risco permanente em nossa vida, pois limita a realidade, aumenta as distâncias, estreita o coração, inibe o olhar e nos faz incapazes de acolher o bem e a verdade presentes no outro que é diferente.

O preconceituoso está o tempo todo petrificado em suas velhas e deformadas opiniões sobre tudo e sobre todos. Ele é precipitado em julgar, apressado e ansioso na formulação de juízos sem critérios.  Geralmente, os preconceituosos são dogmáticos e fervorosos, muitos deles tornam-se fundamentalistas, com hostilidade e intolerância religiosa. Cegos para a verdade, eles preferem o auto-engano ao conhecimento de fato; fincam pé naquilo que pensam que sabem, no que está estabelecido e normatizado; não se atualizam, não conseguem ver o novo e a necessidade de mudanças.

Ao tornarem absoluta uma verdade, condenam-se à intolerância e passam a não reconhecer e a respeitar a verdade e o bem presentes no outro. Não suportam a coexistência das diferenças, a pluralidade de opiniões e posições, crenças e ideias. Daí surgem o conservadorismo radical, o medo à mudança, a violência diante da crítica, a suspeita, a vigilância, o controle autoritário...

Jesus, pelo seu modo de ser e pela sua pregação, toca as profundezas da vida. Ele convive, a maior parte de seu tempo, com aqueles que não tinham lugar dentro do sistema social-religioso existente. Ele se coloca ao lado dos excluídos e dos últimos da história: acolhe os “imorais” (prostitutas e pecadores), os “marginalizados” (leprosos e doentes), os “hereges” (samaritanos e pagãos), os “colaboradores” (publicanos e soldados), os “fracos e os pobres” (que não tem poder nem saber); os que não tem lugar passam a ser incluídos.

Jesus se revela “excêntrico” com relação aos sistemas, poderes e costumes de seu tempo, e isto numa dupla dimensão:  - o centro, para Jesus, está nas margens,
                 - os marginalizados e excluídos são trazidos por Ele para o centro.

Jesus assume a tal ponto a indigência e a fragilidade do ser humano, que aqueles que o encontram e o escutam reconhecem de imediato estar diante de um homem profundamente humano.  Jesus “entra” na realidade, sem discriminá-la nem classificá-la. Simplesmente acolhe tudo quanto é desprezível e aparentemente desprovido de valor. A atuação de Jesus revela-se como abraço da realidade. Sua visão de vida não o afasta da realidade; manteve-se sempre em contato com a fragilidade da existência; sentou-se à mesa com pecadores e misturou-se com prostitutas; voltou-se para aqueles pelos quais as pessoas não nutriam qualquer interesse: os pobres, os oprimidos, os excluídos...

Jesus derruba as barreiras da religião e raça. A revelação messiânica se expande como o sol do meio-dia e atinge a todos, sobretudo aqueles de “má-fama”. O Reino encarna-se na história dos pequenos e desprezados. O vinho novo faz arrebentar os odres velhos.

A partir da fragilidade, Jesus impulsiona o salto para a vida; Ele reconstrói o ser humano na própria raiz do seu ser, precisamente onde ele se revela limitado, frágil. Pois é quando se reconhece fraco e limitado que o ser humano se abre para Deus e para os outros; ele sente-se necessitado de salvação; sua indigência e fragilidade fazem-no disponível, aberto à graça de Deus e lhe permitem abraçar o dom da salvação. Por isso, o específico da vida cristã é buscar, através do seguimento, fazer e viver o que fez e viveu Jesus: adotar as atitudes, o olhar e a capacidade de contemplação da realidade que o mesmo Jesus adotou.

No seu “exceder-se”, Jesus abraçou diferenças e novos horizontes. O Seu ministério ultrapassou as fronteiras.  Convidou-nos a tomar consciência da ação de Deus em lugares e pessoas que estamos inclinados a evitar: cobradores de impostos, doentes, prostitutas, pecadores e pessoas de todos os tipos, que eram marginalizadas e excluídas. Jesus “deslocou” Deus do Templo para as periferias.

Como água que dá vida a todo aquele que tem sede, Jesus mostrou-se interessado por todas as zonas áridas do Seu mundo. O Reino de Deus, que pregava constantemente, tornou-se uma visão de um mundo onde todas as relações são reconciliadas em Deus. E foi nas “fendas da humanidade” que o próprio Jesus revelou o novo rosto do Pai e entrou em comunhão com Ele. Jesus nos aponta o Deus presente e atuante nos meandros de nossa história, de nossas feridas, de nossos fracassos...; Aquele que não tem vergonha de se aproximar e de se misturar com a pobreza e a fragilidade dos seus filhos; é o Deus santo que mergulha e santifica toda nossa existência. Ele se revela como um “Deus errante”, que corre ao encontro daqueles que estão perdidos.

Nas encruzilhadas desafiadoras de hoje somos chamados a estabelecer, também com aqueles que não compartilham nossa fé, nem são de nossa cultura, mentalidade..., relações de proximidade, reciprocidade e intercâmbio; somos movidos a compartilhar com eles obscuridades e perguntas e também momentos de luz e de revelação.

A partir das “fendas da humanidade” se faz visível o rosto Deus que toma partido pela vida de qualquer ser humano e que nos chama a fazer-nos presentes nos lugares onde essa vida está ameaçada, algo que foi sempre a “especialidade de Jesus”.

Uma profunda experiência cristã nos faz “virar a cabeça” e dirigir nosso olhar para as “margens”, para as “periferias”  da história... comprometendo-nos com os prediletos de Deus.

Textos bíblicos:  Mt. 21,28-32   

Na oração:  Nossa vocação é a de construir pontes em situações de fronteira. Num mundo dilacerado pela violência, preconceito, indiferença... como você coopera com o Senhor para uma “globalização na solidariedade”?
* O papa Francisco nos dirige um contínuo apelo a viver a “cultura do encontro” em meio a uma “cultura da indiferença”. Concretamente: qual seria sua “ajuda” específica e original neste grande empreendimento?

Pe. Adroaldo Palaoro sj



* * *