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quinta-feira, 1 de junho de 2017

NA ESCOLA - Francisco Benício dos Santos


Na escola


            Ao completar o meu quarto aniversário, morando com minha madrinha Olímpia, fui mandado à escola do professor João da Matta, em Cristina, onde nada aprendi, nem as letras do alfabeto.

            Passava o tempo todo na aula de boca aberta chupando o dedo, despreocupado e indiferente ao ABC, cuja carta, um suplício para mim, vivia amarrotada entre as minhas mãos sujas e suadas.

            Deixavam-me crescer os cabelos e sobre eles, davam um laço de fita adornando-os. Isto me valeu a alcunha de “Chico Muié”, com a qual eu ficava furioso.

            Um dia, estava na escola sentado no banco de lado da parede, de costas para a rua, com a boca aberta, como de costume, e com a terrível carta de ABC machucada entre os dedos das mãos suadas, quando uma mosca vadia e malandra, sem mais cerimônia, encontrando-a escancarada, embarafustou por ela adentro, e lá se foi ao estômago. Vomitei a valer.

            O professor mandou-me, por um dos colegas, à casa, onde recebi tremenda vaia, e me crismaram com um novo apelido: “boca aberta”.

            Prometi a mim mesmo corrigir-me. Nessa escola nada aprendi, e dela guardo breves recordações, apenas traços da minha passagem.

            Com a minha saída da escola do professor Matta, mandaram-me para o professor Juvenal José de Souza, onde já estavam os irmãos Pio e Manoel, como alunos internos.

            Nessa fase da minha vida, minha avó Justina tinha se mudado de Chapada e morava no caminho, no Engenho D’água, em casa feita para ela especialmente, por meu pai. Olímpia, porém, residia com minha família.

            Na escola do professor Juvenal  também fiz muito pouco progresso. Era péssimo estudante, e, quando recriminavam a minha moleza e falta de inteligência, Olímpia tomava a minha defesa dizendo:

            - Os sentenciados são os que Deus favorece.

            O futuro ia confirmar a profecia do refrão.

            Nessa escola, deu-se um fato que provocou reprovações: num dia de aulas, o professor exasperou-se com Pio, e batendo-lhe com a palmatória nas mãos, também o fez nas nádegas, dando lugar ao protesto imediato de Manoel, que se achava presente, e já era rapaz.

            Meu pai soube do ocorrido, ficou furioso e se não fosse a intervenção de pessoas amigas e prestigiosas, o casa teria degenerado em sério conflito.

            Saímos os três da escola e fomos para a de dona Amância Francisca da Paixão, Manoel, Pio e eu, porque era muito pequeno, fui para a escola de dona Adelina Freire de Melo.

            Ali passei dois anos sem fazer nenhum progresso, a professora, muito carola, passava a maioria do tempo em rezas e na igreja. Todos os dias,  ia com os alunos internos à missa da manhã.

            Frequentando missa, cheguei a aprender trechos inteiros do latim.

            Era vigário o meu padrinho, Antonio Marcelino de Souza Leal, velhinho muito simpático e limpo, acumulava funções de pároco e de delegado escolar, instrutor  das crianças da escola, que lhe tinham um respeito real.

            Era aluno interno desse colégio, quando se deu a revolução do coronel Valadão, que assumindo o governo de Sergipe, derrubou a facção política do padre  Olímpio de Campos, chefe supremo da política sergipana, que gozava, em Vila Cristina, de real e indiscutível prestígio.

            Meu pai era seu correligionário e, com ele, a maioria dos senhores de engenho, inclusive, o célebre caudilho “Guinô da Furada”, em cujos limites soldados não penetravam sem a sua prévia licença.

            O major Ernesto, pai do meu amigo Zacarias, era o chefe político de Itabaianinha, cabeça da comarca, da qual dependia Cristina.

            O Valadão, coronel do Exército, para lá mandou cem praças, a fim de, pelo terror, manter a sua própria política, e liquidar a do Padre Olímpio.

            O principal visado era o major Ernesto, chefe político e irmão do padre, que se viu na contingência de fugir à perseguição da tropa, exilando-se em Vila Cristina, sob a proteção de Guinô, seu amigo político e com real influência na política da Bahia.

            Data dessa época o meu conhecimento com o amigo Zacarias Freire, por se haver hospedado na casa do professor Adelino Freire, de quem a mãe de Zacarias era parente, o major Ernesto com toda a família.

            Serenados os ânimos, volta para Itabaianinha, deixando três filhos internos no colégio.

            Daí saí, coma volta da minha avó Justina e de Olímpia, para Cristina, onde retomaram a sua casa.

            Passei, como aluno externo, para a escola de dona Amância, de onde já se haviam retirado, prontos e aptos das primeiras letras, Pio e Manoel.

            Pio empregou-se em Alagoinhas, onde foi residir, e Manoel foi cursar as aulas do seminário em Salvador.

            As esperanças de meu a vô paterno, que o criara, cresceram, e, de novo queria ter o segundo padre na família.

            Neste colégio, afamado merecidamente, a professora dona Amância dedicava-se, de corpo e alma, à educação dos seus alunos. A fama já tinha transposto os limites do estado, tendo vindo da Bahia, inúmeros meninos ali cursar aulas.

            Fiz muito e rápido progresso nesse colégio, a ponto de ser considerado um dos melhores dos seus alunos.

            Todavia, de vez em quando, fazia má criação.

            De uma feita não sei por que fui castigado e preso, e, iludindo a vigilância, fugi.

            De outra, (o país estava autorizando os comerciantes a emitirem “ficha”, espécie de vale, moeda papel particular, nos valores de cem, duzentos, trezentos e quinhentos réis, as quais eram resgatadas, em moeda, a quem as apresentasse), achei no barracão da feira, uma delas de trezentos réis, emissão de Joaquim Amâncio, Monte Alegre. Foi uma alegria. Embrulhei-a num papel atado com linha, e escrevi, por fora do invólucro, o valor do conteúdo. Encerrei-a numa caixa de presente vazia, que também foi embrulhada com o mesmo cuidado e precaução, e, como se fosse um relógio, prendi-a numa corrente de barbante, amarrando-a na casa do botão do casaco, depositando-a no bolso de cima.

            Esses cuidados despertaram a atenção dos colegas de classe, avisados ainda pela notícia que lhes dera do meu tesouro (o dinheiro nosso era vinte e quarenta réis, no máximo). Trezentos réis equivale, hoje, a cinquenta contos.

            Os colegas ficaram lívidos e invejosos, era dinheiro demais e sorte imensa.

            Precisando ir fazer necessidades fisiológicas, tomei a “pedra-licença” e, com receio de perder o tesouro, ocultamente guardei-o no baú de flandres, onde trazia os livros escolares, e, por baixo deles, escondi,  com mil precauções, a caixa com os trezentos réis.

            De volta, com o coração a sair-me pela boca, fui desenterrar o tesouro.

            Oh! Céus! Lá não estava!

            Um suor frio percorreu-me o corpo, a vista escureceu-se-me.

            Ao recobrar os sentidos, lancei a vista e descobri o ladrão.

            Fui-lhe às goelas e, aos murros na luta em que me empenhava, caímos sobre o banco, fazendo um barulho enorme.

            A professora interveio escandalizada.

            Fomos chamados ao inquérito e o resultado foi que tomamos bolos e ambos ficamos presos. Eu, por que fui insubordinado, e ele por que foi gatuno.

            De outra vez, levei à escola os bolsos cheio de pipoca, e ao distribuí-la com a classe inteira, daí a pouco, só se ouvia o matraquear dos dentes no milho.

            Toda a classe foi castigada, e eu preso.

            Em dois anos de estágio neste magnífico colégio, verdadeira academia de bom proceder, aprendi o que sei, que nada é, e, ao término, a mestra disse ao meu pai:

            - O Chiquinho está prontinho para ingressar na vida prática, ou para ir cursar escola mais adiantada...


(MEMÓRIAS DE CHICO BENÍCIO)

Francisco Benício dos Santos

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quarta-feira, 31 de maio de 2017

AABB ITABUNA APRESENTA MEMÉ DIAS 02 E 12/06 COM ACESSO LIVRE

Memé Santana na AABB sexta-feira e no Dia dos Namorados

Memé Santana dias 2 e 12 de junho na AABB Itabuna.


O cantor e instrumentista Memé Santana vai se apresentar duas vezes na AABB Itabuna nos próximos dias, em dois eventos com acesso liberado a todos, sócios e não sócios:

Sexta Super Musical – 02/06, na Cabana do Tempo, a partir das 8 da noite, no já tradicional encontro musical promovido pelo clube todas as sextas-feiras.

Jantar dos Namorados – 12/06, no Salão Social, a partir de 7 da noite, na 2ª edição do evento em pleno Dia dos Namorados. Nesse dia haverá a participação especial da cantora internacional Dani Carrapeiro.

A Sexta Super Musical da AABB Itabuna vem se firmando cada vez mais como o melhor point da noite na cidade. Além de poder ir com a família e os amigos, ainda é o único programa possível de se fazer à noite em Itabuna levando as crianças, já que elas têm um parque (playground) bem equipado e muita área verde para brincar.

Tanto a Cabana do Tempo como o Salão Social contam com serviço de bar e restaurante próprios do clube. Nas mesas são servidos tira-gostos, pratos, bebidas prontas e preparadas na hora por equipes de cozinha/bar e garçons.

Nestes chamados tempos de crise, a economia conta muito para quem prefere a AABB: a casa não cobra couvert artístico nem 10% de gorjeta. “Na relação custo/benefício, é o lugar que mais vantagem oferece”, garante o vice-presidente social Raul Vilas Boas.

Quem vem do litoral chega ao clube pela Av. Juracy Magalhães, Ponte Nova, Vila Zara. E quem vem do interior, pela Beira-Rio, Shopping e bairro Conceição. O endereço da AABB Itabuna é Rua Espanha s/n – São Judas. Telefones: (73) 3211-2771 / 3211-4843 (Oi fixo).
  

Contato – Raul Vilas Boas: tels. (73) 9.9112-8444 (Tim) / 9.8888-8376 (Oi)


Assessoria de Imprensa – Carlos Malluta: tels. (73) 9.8877-7701 (Oi) / (73) 9.9133-4523 (Tim)

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O VELÓRIO DE UM RIO – Helena Borborema


O velório de um rio




          Ele vem de longe. Nasce em outras plagas, ao pé de uma serra no Município de Vitória da Conquista. Vem magrinho. Começa a crescer depois de alimentado pelo seu afluente rio Salgado. Torna-se forte, passando a ser chamado Colônia em grande parte do seu trajeto, e depois, Cachoeira.


          Como rio Cachoeira, ele atravessa a cidade de Itabuna. Apesar do seu nome, as suas águas são tranqüilas, correndo calmamente em busca do seu destino, o oceano azul, onde se lança num abraço discreto, sem grandes cenas, até desfazer-se nas profundezas do abismo marinho. A sua paisagem nem sempre foi a mesma da atual; o tempo, as enchentes, o trabalho do homem a modificaram em parte. Há tempos recuados, pequenas ilhas cobertas de arbustos enfeitavam a sua superfície, bem como grandes lajedos escuros que emergiam para quebrar o monótono branco das águas.


          Formador de civilização, o Cachoeira indicou aos pioneiros o caminho das terras férteis, serviu-lhes de guia e até de estrada. Ao seu redor, surgiram povoados. A primeira casa do então futuro arraial de Tabocas e as primeiras lavouras de subsistência surgiram nas suas margens. Mais tarde, grandes fazendas de pecuária com extensas e férteis pastagens foram sendo formadas em terras por ele generosamente banhadas. Do primeiro arraial de Tabocas, nascido às suas margens, resultou uma grande cidade, hoje embelezada pela sua paisagem de pontes e luzes.


          Mas o calmo Cachoeira vez por outra fez explodir o seu ímpeto selvagem em demonstrações de força e poder de destruição, desafiando os que habitam nas suas imediações. Num furor inesperado, já invadiu casas, lojas, ruas, carregando de roldão tudo o que encontrava. Já chegou a causar estragos enormes, já matou. Nas suas explosões de violência, quem ousava mergulhar no turbilhão de suas águas? Ficava preso nas garras dos seus “sumidouros”. Quando enfurecido, expandindo a sua força, qual o nadador que ousava desafiá-lo? Seria vencido irremediavelmente.


          A adversidade chegou um dia ao Cachoeira, quando as nuvens suspenderam a sua colaboração, chuvas deixaram de cair na sua cabeceira, o homem devastou as suas margens, areeiros mudaram-lhe o perfil, plantas aquáticas obstruíram o seu curso.


          Nessas tragédias, o rio ficou só, entregue à própria sorte. E hoje está ele aí, doente, moribundo, vendo os seus peixes morrendo, plantas aquáticas, as baronesas tirando-lhe a respiração, sufocando-o, dando-lhe uma morte lenta, penosa, sem que os homens a quem tanto serviu e serve dele se apiedem. As pedras que se escondiam em suas entranhas, agora estão expostas ao sol; suas águas já não correm livres para o mar, seu destino: estão paradas e lodosas, exalando miasmas. Rio amado, rio desprezado. As lavadeiras já não o procuram mais. Os antigos banhos de folguedo que foram a alegria da meninada acabaram; ele hoje é olhado como um doente contagioso.


          A tristeza do Cachoeira comove. E hoje, quando passo por ele e o vejo tão doente, tão triste e abandonado, sinto o mesmo confrangimento de quem vê um amigo em agonia. A sua companhia hoje são os bandos de garças alvas e tristonhas pousadas nos seus lajedos, parecendo fazer o seu velório, enquanto baronesas em profusão, qual coroas mortuárias, completam o quadro fúnebre.


(RETALHOS)



Helena Borborema

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A TERRA POSSUI 467 MILHÕES DE HECTARES DE FLORESTAS A MAIS DO QUE SE SUPUNHA

31 de maio de 2017
Luis Dufaur

Floresta de baobás em região considerada árida no Senegal


Descoberta que deixa o movimento ecologista (composto de eco-terroristas) sem face, e sem argumentos sólidos para suas campanhas demagógicas contra o desmatamento

Uma equipe internacional de pesquisadores revelou na prestigiosa revista “Science” que a superfície da Terra coberta por florestas é 10% mais extensa do que se supunha. A deficiente medição anterior não considerou as florestas das zonas áridas, distorcendo o cômputo global.

As florestas ocupam 4 bilhões de hectares ou 30% da superfície das terras acima do nível dos mares. Normalmente se imaginam luxuriantes florestas tropicais, rústicas florestas boreais ou penteados bosques de regiões temperadas.

Tinha-se passado por cima dos bosques existentes em zonas áridas — onde a evaporação é maior que a precipitação anual. Essas zonas representam algo superior a 40% da superfície continental e não estão desprovidas de florestas. Elas se encontram em contextos climáticos muito diversos no Sudão, na América do Sul, nas estepes da Europa Oriental e no sul da Sibéria, bem como no Canadá.

Uma trintena de cientistas de treze países analisou imagens de satélites fornecidas pelo Google Earth. Elas abarcavam mais de 210.000 parcelas de meio hectare repartidas pelo globo.

O principal autor do estudo, Jean-François Bastin, pesquisador associado à Universidade Livre de Bruxelas e consultor na Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) explicou que agora sua equipe pode utilizar imagens de alta resolução com um grau de precisão inferior a um metro, do que resultou o cálculo de cerca de 1,1 bilhão de hectares de florestas de regiões áridas.

Essa é uma extensão comparável à das florestas úmidas tropicais, como a amazônica. Dois terços dessa enorme área estão recobertos de formações vegetais densas — florestas “fechadas” —, onde a frondescência cobre pelo menos 40% do solo. Essas florestas aparecem em todos os continentes, inclusive no oeste da América Latina, no leste do Brasil e no norte da Venezuela e da Colômbia, por exemplo.



Floresta de eucaliptos na região árida de Pilbara, Austrália ocidental

O cálculo mais exato acrescentou 467 milhões de hectares de florestas da Terra, elevando o total a mais de 4,3 bilhões de hectares.

A preocupação da confraria verde-vermelha era de afastar a ideia de um planeta mais verdejante do que parecia, pois isso poderia desmoralizar suas campanhas demagógicas contra o desmatamento.

Segundo a FAO, perto de 2 bilhões de pessoas vivem nesses territórios florestais até agora desconsiderados. Neles as árvores fornecem frutos e folhas para a alimentação dos homens e engorda dos animais, além de madeira para cozinhar e aquecer, como se dá com os bosques de acácias e eucaliptos na Austrália e de baobás na África.

Quando os cientistas sérios se aplicam ao seu trabalho, trazem dados sensatos. Mas a agitação verde-vermelha não gosta nada disso e não toma iniciativas para esclarecer o fundo da realidade.




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NÃO É POSSÍVEL ACABAR COM CRACOLÂNDIA EM SP, AFIRMA MÉDICO DRAUZIO VARELLA

Bruno Santos/Folhapress
Drauzio Varella em seu escritório, no centro de SP
CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO
31/05/2017 

 
"Todo mundo tem que se convencer de que não é possível acabar com a cracolândia. A cracolândia não é causa de nada, é consequência de uma ordem social que deixa à margem da sociedade uma massa de meninos e meninas nas periferias."

A afirmação é do médico oncologista Drauzio Varella, 74, colunista da Folha. Ele disse que teve seu nome envolvido inadvertidamente duas vezes nas recentes discussões sobre a cracolândia.

Nesta terça (30), Drauzio se disse surpreendido com a informação de que integraria um grupo de notáveis para ajudar as gestões tucanas de Geraldo Alckmin e João Doria no combate à dependência, como divulgou o Estado.

Na semana passada, foi citado pela prefeitura em ação judicial, sem consulta, como favorável à internação compulsória –a gestão disse ter anexado reportagens completas, e não frases isoladas.

O médico diz que a taxa de sucesso da medida é pequena e ele se inclui entre os que defendem a internação à força só "como último recurso, quando há risco de morte".

Em relação ao grupo de notáveis, o secretário estadual da Saúde, David Uip, disse ter feito o convite a Drauzio e que ele aceitou. "Infelizmente soube há pouco que ele desistiu. Lamento, mas respeito sua decisão", afirmou.

Folha - O governo do Estado anunciou seu nome como parte de um grupo que vai assessorar nos programas de combate ao uso de drogas. Como vai funcionar isso?
Drauzio Varella - Isso saiu de uma conversa com o David Uip [secretário estadual da Saúde], meu amigo há 30 anos. Ele me ligou dizendo que queria conversar sobre a cracolândia, a gente marcou um café e eu disse para ele as coisas que eu pensava.
Ele falou que estava pensando em chamar a mim, o Wagner Gattaz e o Anthony Wong [professores da USP] para aconselhar a equipe, dizer como deve ser encaminhado esse problema. Eu disse que lógico, estava à disposição. E a conversa ficou desse jeito. Hoje fui surpreendido com essa história de agora fazemos parte de um comitê para analisar política de combate de dependência química. Isso em nenhum momento foi conversado. Não tenho tempo nem formação técnica para uma tarefa dessa natureza.

É a segunda vez que o seu nome é usado inadvertidamente nessa questão da cracolândia. Semana passada, a gestão João Doria citou o sr. para justificar a internação compulsória. O que pensa sobre isso?
Estou vendo ações atabalhoadas. O que aconteceu ali na cracolândia foram medidas que pareciam não obedecer a nenhum planejamento detalhado, sem organização necessária, feita às pressas.

É possível acabar com a cracolândia?
Todo mundo tem que se convencer de que não é possível acabar com a cracolândia. A cracolândia não é causa de nada, é consequência de uma ordem social que deixa à margem da sociedade uma massa de meninos e meninas nas periferias nas cidades brasileiras, sem qualquer oportunidade. Pararam de estudar com 13, 14 anos, muitas vezes não têm orientação familiar e acabam indo por esse caminho. E a gente vem querendo acabar com a cracolândia. A gente tem que ir lá atrás, impedir que as coisas cheguem a esse ponto. Isso de, de repente, ter que fazer alguma coisa, pode ficar muito pior.

Os usuários se aglomeram agora na praça Princesa Isabel e em outros pontos do centro. O que deveria ser feito?
Não sei, ninguém sabe. A situação lá estava muito grave porque os traficantes estavam dominando o ambiente, impedindo que os usuários se aproximassem dos agentes de saúde. Esse tipo de situação não dá para aceitar. Parece que a Polícia Civil conseguiu prender traficantes, foi uma ação até que bem conduzida.
O que foi mal é o que veio depois disso. Para lidar com esse problema da cracolândia, primeiro é preciso ver quais os recursos que o Estado tem. Há pessoas que frequentam a cracolândia há muito tempo, dos projetos anteriores, que conseguem ser aceitos pela comunidade de fato. É um trabalho lento. O Estado também precisa se preparar muito bem para receber os usuários, ver quem precisa de cuidados médicos mais intensivos. Não tem solução imediata, não pode ter pressão política. Aí fica todo mundo paralisado com essa discussão de internação compulsória.

O que dizem as evidências científicas sobre internação compulsória? Qual é a taxa de sucesso?
É muito pequena. Estou entre os que sempre defenderam a internação compulsória como último recurso, quando há risco de morte. Você vê na cracolândia meninos e meninas magérrimos, encovados, em fase final de desnutrição. Não se pode largá-los morrendo nas ruas. Agora o que você faz? Entra lá com uma equipe médica e diz: 'você não está bem e vai para uma internação". Vai ser assim? A única forma de atingir essas pessoas é você atrai-los para os serviços de saúde e, para isso, têm que ter confiança de que serão ajudados, e que não vão ser punidos com internação.

Quais os pontos positivos e negativos do programa De Braços Abertos [de redução de danos, da gestão anterior], que foi extinto agora?
O programa teve méritos. Privilegiou esse contato, colocou à disposição dos usuários assistentes sociais. O que eu achei que não daria certo foi o fato de colocar os usuários naqueles hoteizinhos em volta da cracolândia. Usuário de crack, como de cocaína, não pode ver a droga. Não pode ver alguém sob o efeito da droga, não pode ver o lugar onde usava a droga. Isso é básico na dependência química.

Muitas pessoas querem se ver livres da cracolândia e apoiam a internação compulsória...
A sociedade tem uma visão míope desse tipo de problema. Você vai lá e limpa aquela sujeira e tira as pessoas de lá e parece que está resolvido o problema. Se fosse assim, seria a coisa mais fácil do mundo. O que estamos vendo? A cracolândia aumentar a cada ano. Cada intervenção sem planejamento se torna mais difícil. Tem algum sentido ter programa da prefeitura e do Estado? Tem que somar forças. O crack é um problema suprapartidário. Esses dois programas [Redenção, da prefeitura, e Recomeço, do Estado] vão trombar. E mesmo que concordem, para que dois?

O que a literatura científica mostra sobre a efetividade dos tratamentos da dependência?
No caso do crack, é tirar a pessoa fora do fluxo. Temos que nos conformar que a dependência química é uma doença crônica, recidivante, como o câncer. Temos que estar preparados para aceitar que uma pessoa que se afasta da droga meses, anos, pode recair.
O certo é se ter uma equipe que analise os resultados. A gente sabe que a estratégia de chegar lá com a polícia e jogar gás lacrimogêneo nas pessoas dá errado. É gastar dinheiro do Estado, não sai barato fazer uma coisa dessas. Mas a ignorância simplifica. Você acha que sabe resolver, e não é verdade. Os gestores não conhecem a complexidade da situação, mas se veem pressionados pela própria sociedade a fazerem alguma coisa.

Até pela urgência do crack, o país precisa rever sua política nacional de saúde mental?
Forçosamente. Saímos de um exagero, tudo se internava em hospital psiquiátrico, muitos deles depósitos de gente com transtornos, e caímos em outro, de fechar tudo, acabar com as vagas. Você caminha pelas ruas e vê esquizofrênicos em delírio, falando alto, sofrendo com alucinações. Se você trata, dá uns remedinhos, ele para de ter essas crises. Temos que ter equilíbrio para tratar dessas questões. 


terça-feira, 30 de maio de 2017

CICLOS - Gloria Hurtado

Ciclos  
Gloria Hurtado


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos... Fechando portas... Terminando capítulos... Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu...

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará!

Não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante, por mais doloroso que seja, destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar-se ir embora. Soltar-se. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. 

Não espere que devolvam algo! Não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda! Isso o estará apenas envenenando, e nada mais. 

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa... nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando Ciclos! Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, Mude o disco, Limpe a casa, Sacuda a poeira. Torne-se uma pessoa melhor e assegure-se de que sabe bem quem é, antes de conhecer alguém e de esperar que ele veja quem você é...

E lembre-se: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.



Enviado por: " Gotas de Crystal" <gotasdecrystal@gmail.com>

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ITABUNA CENTENÁRIA: UM POEMA – E Deus criou a mulher!

E Deus criou a mulher!


Quando o universo ainda estava incompleto,
No sexto dia Deus criou a mulher,
E Deus lhe disse:
“Eu te darei...  Um coração cheio de  compaixão,
um espírito livre para voar com os pássaros,
sabedoria para conhecer todas as verdades,
 ânimo para sair da opressão,
força para mover as montanhas,
ternura para beijar a terra,
paixão para inflamar o mundo,
risos para encher os vales,
lágrimas para lavar as penas,
mãos para trabalhar e amar,
intuição para conhecer o desconhecido...”

E Deus lhe disse: “Mulher, eu te criei
à minha imagem e semelhança. Tu és boa!”


(Revista PAZ E BEM)
Texto de autor anônimo transcrito por José Antonio Pagola,

Em Grupos de Jesus, Vozes, p. 206

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