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domingo, 4 de dezembro de 2016

POETA FERREIRA GULLAR MORRE DE PNEUMONIA AOS 86 ANOS NO RIO

Poeta Ferreira Gullar morre de pneumonia aos 86 anos no rio

PAULO WERNECK

ESPECIAL PARA A FOLHA

04/12/2016
  
Ferreira Gullar, poeta, ensaísta, crítico de arte, tradutor, biógrafo e colunista da Folha desde 2005, morreu por volta das 10h deste domingo (4), aos 86 anos. Sua neta, Celeste, confirmou a morte. Ele estava internado no hospital Copa D'Or, no Rio de Janeiro, há cerca de 20 dias devido a insuficiência respiratória.

Segundo Maria Amélia Mello, amiga e editora de Gullar na José Olympio e também de seu último livro, "Autobiografia Poética e Outros Textos" (Editora Autêntica), o poeta morreu de pneumonia.

Com grande independência, quase sempre remando contra a corrente no poder, Gullar frequentou diferentes regiões de um amplo espectro ideológico. Renovador da linguagem poética e teórico da vanguarda, anos mais tarde ele enxergaria com olhos severos os rumos da arte contemporânea. Militante comunista, fez-se um rigoroso tribuno contra a esquerda no poder desde os primeiros momentos do governo Lula.

Sua fisionomia angulosa, cheia de vincos expressivos, fez a alegria dos designers gráficos, que a reproduziram ampliada em inúmeras capas de livros e revistas. Ao vivo, o corpo magro e frágil contrastava com o vigor escuro do olhar, o nariz proeminente que lhe dava um perfil de índio andino, os óculos metálicos dominando o rosto de fora a fora, a espessura das sobrancelhas, o gesto constante de levar as mãos à cabeça e ajeitar os cabelos muito lisos, brancos e compridos, ou então enxugar com o canto dos dedos a saliva acumulada nos lábios grossos.

Nascido em 10 de setembro de 1930, o maranhense José Ribamar Ferreira se espraiou em praticamente todos os campos da cultura, da poesia de vanguarda à canção popular, da teoria estética ao jornalismo, da ilustração de livros infantis à teledramaturgia. Quase sempre, com forte ênfase política. Para se distrair, entregava-se à reprodução de quadros de Mondrian e outros de seus mestres europeus, fazia colagens com recortes de revistas ou traduzia poesia. Está entre os primeiros nomes da extensa lista de biografias que ainda precisam ser escritas no Brasil.

Filho do comerciante José Ribamar Ferreira e da dona de casa Alzira Goulart, que lhe inspiraria o nome literário, Gullar publicou seu primeiro livro em edição do autor em sua São Luís natal, em 1949. "Um Pouco Acima do Chão" não teria lugar nas futuras edições de obra completa organizadas pelo poeta: trata-se, diz ele, de "um tateio inicial", "um livro ingênuo".

O seu segundo trabalho, de 1954, também saiu em edição do autor, mas de ingênuo não tinha absolutamente nada. "A Luta Corporal" foi a fagulha de um novo tipo de escrita que nos anos seguintes mudaria as noções tradicionais de verso, página, livro de poesia —em resumo, a própria poesia, tal como a entendíamos até então.

Escrito solitariamente, quando o autor já vivia no Rio (desde 1951), mas ainda tinha poucas conexões com o mundo literário, o livro soava como um salto radical em todas as dimensões —sonoras, gráficas, semânticas— e todas as possibilidades que a palavra impressa poderia oferecer.

"Diagramado e editado por mim, ele refletia a preocupação com a utilização do espaço em branco na estruturação espacial dos poemas, como também na titulagem e no uso da página em branco, feito camadas de silêncio acumuladas nas páginas", recordaria Gullar, anos mais tarde, em seu livro "Experiência Neoconcreta" (Cosac Naify), volume que recupera os seus anos heroicos do neoconcretismo, ao lado dos artistas plásticos Lygia Clark, Hélio Oiticica e outros amigos. Segundo ele, "A Luta Corporal" se encerrava com a "implosão da linguagem". "Mu gargantu / FU burge / MU guêlu, Mu / Tempu - PULCI", escreve ele numa das passagens mais cheias de escombros.

"Naquele tempo eu não tinha família, nem uma vida regular, vivia sozinho num quarto perto da praça da Cruz Vermelha [no Rio]", contaria o autor, anos mais tarde, à equipe dos "Cadernos de Literatura Brasileira". "Era uma vida desligada da realidade comum de todos. Eu vivia, então, 'num clima de aventura'."

Entre seus primeiros leitores, estava o escritor Oswald de Andrade, que apareceu de surpresa para cumprimentar Gullar no dia de seu aniversário, em 1953. O autor de "Poesia Pau-Brasil" tinha lido "A Luta Corporal" ainda nos originais e se impressionou pelo vigor daquele jovem poeta maranhense.
O livro também o aproximou de dois personagens-chave: os irmãos Haroldo e Augusto de Campos e Decio Pignatari. 

Conta Gullar que os três poetas entraram em contato com ele por carta, depois de terem lido "A Luta Corporal". Augusto foi ao Rio para um encontro com Gullar, no qual teria manifestado insatisfação com o estado da poesia brasileira naquele momento.

A correspondência inaugurada ali gestou uma das mais importantes revoluções artísticas do século 20 no Brasil, e também uma curta, porém fértil, colaboração entre o grupo dos paulistas e o dos cariocas. Não demorou a nascer também uma das mais duradouras disputas intelectuais do país, que começou em torno da paternidade da abolição do verso tradicional. Isto é, quem foi o primeiro a afirmar que um poema já não precisava mais ser organizado em linhas para ser um poema?

Gullar e os paulistas estavam juntos, na 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, realizada em São Paulo em dezembro de 1956. Em fevereiro de 1957, quando foi inaugurada no Rio, Gullar publicou no "Suplemento Dominical do Jornal do Brasil" um artigo em resposta a um manifesto de Haroldo de Campos em que explicitava as diferenças que enxergava entre o seu grupo, o dos "cariocas", e os dos paulistas. Para Gullar, Haroldo defendia a subordinação da poesia a equações matemáticas. 
"Considerando que aquilo era inviável", registraria Gullar, anos mais tarde, "telefonei a Augusto, dizendo que não podia subscrever semelhante teoria. Sua resposta foi que eu então procedesse como me parecesse melhor, pois eles não desistiriam daquela tese."

Agora conhecidos respectivamente como os "neoconcretos" e os "concretos", os dois grupos passariam a reivindicar o pioneirismo na dissolução do verso e na exploração das dimensões concretas da palavra. A disputa, que acompanharia os contendores ao longo da vida inteira, não é facilmente explicável, mas influenciou as gerações de artistas subsequentes e ecoou, por exemplo, no Tropicalismo de Caetano Veloso.

"Lembro-me que defendia a tese de que a questão fundamental da nova poesia não era 'criar um novo verso' (como escrevera Haroldo na ocasião) e, sim, 'superar o caráter unidirecional da linguagem, rompendo com a sintaxe verbal'", rememora Gullar em "Experiência neoconcreta". "Esta tese foi aceita por eles e de algum modo contribuiu para que buscasse solução no poema visual, construído geometricamente no espaço da página."

Mais adiante, o poeta reconhece: "Sem qualquer dúvida, o contato com Augusto de Campos e com suas experiências poéticas me ajudou a sair do impasse a que chegara com 'A Luta Corporal'".

Aquele encontro no Rio, em 1955, ainda renderia, quase 60 anos depois, uma agressiva troca de farpas entre Gullar e Augusto de Campos, relativa às afirmações do maranhense de que foi ele quem apresentou aos irmãos Campos a poesia de Oswald de Andrade, referência central para os concretos. Em artigos publicados na Folha, ambos reconstituíram em minúcias o encontro, realizado no restaurante Spaghettilândia.

SUPLEMENTO DOMINICAL DO JB

Seja como for, a influência mútua entre os concretos e os neoconcretos é inegável e teve importantes desdobramentos na poesia e na teoria estética brasileira. Pignatari e os Campos deram prosseguimento à poesia concreta no grupo Noigandres; Gullar ganhou destaque como crítico e teórico do grupo carioca, em seus artigos publicados no "SDJB".
Desde 1955, Gullar estava engajado no projeto do "Suplemento Dominical" do "Jornal do Brasil", considerado um marco do jornalismo cultural brasileiro tanto em termos de design gráfico —quem fazia a diagramação e ilustrava era o artista plástico Amilcar de Castro— como de texto. A turma do "SDJB" era o correspondente, no jornalismo e na arte de vanguarda, do ímpeto criativo de João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes na criação da Bossa Nova.

O caderno levou a sensibilidade da vanguarda carioca para as páginas de um jornal dos mais tradicionais: era uma espécie de protetorado do grupo neoconcreto, com Gullar e pesos-pesados como Janio de Freitas, Reinaldo Jardim, Franz Waissman, Lygia Clark e Lygia Pape.

No "SDJB" Gullar publicou textos centrais como o "Manifesto Neoconcreto" e a "Teoria do Não Objeto" (1959), pequeno ensaio que alguns colegas de Gullar coassinaram, no qual são antecipadas questões centrais da arte contemporânea nas décadas vindouras, não apenas no Brasil, mas em nível mundial: a obra de arte que só se torna arte com a participação ativa do espectador, o "não objeto".

Naquele ano, nasceram obras que ilustram o pioneirismo de seu autor: os livros-poema, os poemas espaciais e o "Poema enterrado" -um buraco cavado no terreno da casa do pai do artista Hélio Oiticica, com cubos de diferentes cores e tamanhos que o espectador podia manipular. Debaixo do menor dos cubos, havia um quadrado com a palavra "rejuvenesça". Uma inundação, porém, inviabilizou a inauguração do "Poema enterrado", que jamais seria exibido ao público.

POEMA SUJO

Se o "clima de aventura" de sua vida no Rio tinha sido determinante para escrever "A Luta Corporal", as aventuras solitárias do exílio devolveram Gullar à criação poética radical, sem as amarras da poesia engajada. Em 1975, ele publicou "Dentro da Noite Veloz", um dos mais importantes livros de poesia da década. No ano seguinte, Gullar compõe o "Poema Sujo", seu poema mais conhecido e ícone da resistência à ditadura.

O momento não era exatamente propício à publicação de poesia no país —a nova poesia brasileira passava a ser divulgada na praia, em edições caseiras, impressas a mimeógrafo (sistema de reprodução a álcool). E foi num meio heterodoxo —uma fita cassete levada de Buenos Aires na mala do poeta Vinicius de Moraes, em abril de 1976— que um dos grandes poemas brasileiros da década de 70 chegou aos leitores.

Quem definiu o impacto daqueles 40 minutos de gravação foi o portador da fita, que não mediu palavras para descrevê-lo em carta para o amigo Calasans Neto: "Cem páginas da mais alta poesia; um troço, pai, de arrepiar os cabelinhos do cu". Gullar, exilado, e Vinicius, em turnê com Toquinho e Miúcha, agitavam as baladas dos brasileiros exilados na Argentina. Foi numa dessas festinhas regadas a caipirinha e feijoada que o maranhense leu o "Poema Sujo" para os amigos. "A emoção foi tanta, quando ele o leu para nós, que quase todo mundo chorava", lembraria Vinicius.

Gullar dava uma resposta ao clima de repressão que dominava a América Latina, explicou Vinicius: "A oportunidade do poema é total, para mostrar a esses cínicos de merda que a poesia, longe de ter morrido, está mais viva do que nunca, quando agarrada assim pelos cornos por um verdadeiro poeta." Ainda em 1976, o "Poema Sujo" seria publicado em livro pela Civilização Brasileira, num lançamento apinhado, mas sem a presença do autor.

Escaldado pelo golpe no Chile, Gullar percebeu sua permanência na Argentina se tornava cada vez mais arriscada. O país vizinho já estava sob sua mais sangrenta ditadura: num episódio jamais elucidado, naquela mesma temporada o pianista de Vinicius, Tenorinho, acabaria sendo sequestrado por agentes da repressão ao sair para comprar cigarros - seu cabelo e suas roupas bastaram para que se tornasse alvo da direita radical, entrando para a conta dos "desaparecidos" políticos da ditadura que se instalava na Casa Rosada.

Afastado pelo regime militar de sua carreira no Itamaraty, Vinicius tornou-se um embaixador de Gullar e de seu poema: promoveu audições da fita em sua casa no Rio, convidando Chico Buarque, Francis Hime, Tom Jobim, Carlos Heitor Cony, Ênio Silveira e quem mais pudesse ajudar a divulgá-lo.
Fez publicar o livro em espanhol, cavou reportagens e entrevistas com o autor. A agitação promovida por Vinicius era uma deixa para que Gullar tentasse voltar ao Brasil - seria bem menos arriscado, naquele momento em que mal se esboçava a abertura política, chegar acompanhado de uma estridente claque, cobertura da imprensa, festejos e quanto barulho fosse possível fazer.

A missão diplomática em favor de Gullar também contou com a ajuda dos jornalistas Zuenir Ventura e Elio Gaspari. Diretor-adjunto na "Veja", Gaspari, lembraria Gullar, deu ao homem forte do governo, o general Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Militar da Presidência da República, um exemplar do recém-publicado "Poema Sujo". "Golbery achou-o obsceno, mas nem por isso se opôs à minha volta ao país", recordaria Gullar. "Já o general João Figueiredo, chefe do SNI, era de opinião diferente. 'Não quero esse comunista aqui', teria declarado ele, segundo Golbery."

No embalo do "Poema Sujo", do sinal verde de Golbery e de sua absolvição no processo policial-militar que o levara a deixar o Brasil, Gullar decidiu se arriscar a retornar -não sem tomar algumas precauções, como convocar a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Sindicato dos Jornalistas para acompanhar seu desembarque. "Essas medidas visavam despojar o meu gesto de qualquer traço conspiratório ou clandestino, neutralizar a ação arbitrária dos órgãos de repressão e, ao mesmo tempo, responsabilizar o governo pelo que ocorresse", explicaria o poeta em suas memórias.

Alardear o retorno nas maiores revistas de São Paulo e do Rio também fez parte da estratégia. Uma entrevista que Rui Lima publicou nas "Páginas Amarelas" da "Veja" ajudou a pavimentar o caminho de volta, apresentando os argumentos conciliatórios do poeta: "Gullar nunca foi um asilado - saiu legalmente do país e legalmente vai voltar, inclusive porque foi absolvido por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal no processo dos intelectuais, em 1974. Vários motivos o trazem de volta, além do fato de 'não suportar mais viver fora do Brasil'-entre eles um filho doente que sempre reclama sua presença, no Rio". Carlos Heitor Cony o entrevistou para a "Manchete".

Por volta de oito horas da noite do dia 10 de março de 1977, o poeta pousou no aeroporto do Galeão, no Rio. "Ao chegarmos ao guichê da polícia, onde devíamos apresentar os documentos, vi escrito numa folha presa à parede: 'Ferreira Gullar ou José Ribamar Ferreira - detê-lo". Recebido por uma multidão de amigos e jornalistas, não foi detido - mas no dia seguinte seria intimado pela Polícia Marítima. Passou o fim de semana nas mãos de policiais, foi levado de um porão da repressão para outro, tiraram-lhe a roupa e o pressionaram a responder sobre "a escola de subversão" que frequentara em Moscou. Foi libertado após uma forte mobilização de amigos.
Pouco depois, ao pedir a seu advogado que sacramentasse no Superior Tribunal Militar a extinção do processo movido contra si, Gullar descobriu que, nos autos, o José Ribamar Ferreira procurado era outro: um líder camponês, também maranhense, que, ao contrário do seu homônimo poeta, abraçara a luta armada.

CONSAGRAÇÃO

Se é certo que Ferreira Gullar, após cair na clandestinidade em 1970, percebendo que mais cedo ou mais tarde iria parar na cadeia, voltou ao país na condição de artista consagrado, ele só pode desfrutar a consagração com a abertura política, a partir de 1978, quando o AI-5 perdeu a validade, e 1979, quando passa a valer a Lei de Anistia. Naquele mesmo ano, sua voz anasalada e metálica ganhou a forma de LP no álbum "Antologia Poética", com música de Egberto Gismonti, e Bibi Ferreira montou a primeira peça que Gullar assinou sozinho, "Um Rubi no Umbigo". Em 1980, quando fez 50 anos, teve sua obra poética reunida pela primeira vez na edição "Toda Poesia" e lançou "Na Vertigem do Dia", sua primeira coletânea de poemas desde "Poema Sujo".

A convite de Dias Gomes, seu ex-camarada de Partidão, Gullar passou a integrar o núcleo de teledramaturgia da TV Globo, tendo escrito roteiros para séries como "Carga Pesada" e para a novela "Araponga". Nos anos 1980 e 90, o trabalho na TV dividiria o tempo do poeta com a publicação de livros de poemas, ensaios, traduções e crônicas. Escreveu letras para uma dúzia de canções: tem parcerias com Caetano Veloso ("Onde Andarás"), Milton Nascimento ("Bela bela") e Fagner (o hit "Borbulhas de Amor"). Entre 1992 e 1995, presidiu o Instituto Brasileiro de Artes e Cultura (Ibac), nome que Gullar trocaria pela antiga denominação do órgão, Funarte.

O retorno a uma intervenção permanente no debate cultural e político viria com força em 2005, quando passou a assinar uma coluna na "Ilustrada". Relida hoje, a coluna de estreia, "Resmungos", revela uma impressionante coerência do colunista nos mais de 11 anos que viriam pela frente. O autodeclarado "cronista bissexto" anuncia que vai escrever sobre política, "que não exige muita especialização", e arte, assunto sobre o qual "até já escrevi livros", ironiza. E, logo de saída, fustiga críticos e obras de arte contemporânea. De fato, espezinhar os governos petistas, ainda no auge do lulismo, e implicar com artistas, curadores e críticos seriam seus esportes prediletos nas páginas da Ilustrada.

(A coluna ainda serviria, de vez em quando, como um raro espaço confessional: Gullar valeu-se dela para combater causas que eram consenso nos meios de esquerda, como a lei que dificultou a internação de doentes mentais e as campanhas pela legalização de drogas. Dois filhos do escritor, Marcos, morto em 1993, e Paulo, tinham esquizofrenia grave, atribuída pela família ao abuso de drogas, nos anos 1970, durante o exílio. Gullar e sua mulher, Thereza Aragão, morta em 1994, ainda tiveram uma filha, Luciana.)

Transformados em livro, os resmungos de Gullar ganharam o Prêmio Jabuti de 2007. Aquela era uma temporada de prêmios —o Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra, veio em 2005, quando o poeta fez 75 anos. Em 2010, a mais alta distinção da língua portuguesa, o Prêmio Camões, foi de Ferreira Gullar. Em 2011, os Jabutis de poesia e de Livro do Ano foram para os poemas de "Em Alguma Parte Alguma". Em 2014, foi eleito para a cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras, depois de passar anos afirmando que jamais aceitaria a imortalidade.

Na Flip, Gullar disse uma frase que viralizou nas redes sociais: "Não quero ter razão, quero é ser feliz!". Outra máxima criada por Gullar, "a crase não foi feita para humilhar ninguém", publicada em 1955 no "Diário de Notícias", mais tarde seria citada até em anúncios de computadores IBM, para deleite do autor.

Os livros que Gullar publicou nessa temporada de prêmios sugerem que o octogenário cheio de vitalidade não estava dando muita bola para aquelas honrarias - e provavelmente estava feliz. Em "Zoologia Bizarra" (2010) e "Bichos do Lixo", com um prosaico hobby doméstico, a colagem de papéis coloridos, ele se fez ilustrador de literatura infantil - evidentemente, compôs poemas para acompanhar os bichos de papel. Já em "Bananas Podres" (2012) Gullar retoma uma imagem recorrente em sua obra poética - o amadurecimento das frutas - em poemas manuscritos por ele mesmo e ilustrações a guache sobre jornais velhos.

Gullar deixa a companheira Claudia Ahimsa, dois filhos e oito netos.

PAULO WERNECK é editor de livros e ex-curador da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) 



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sábado, 3 de dezembro de 2016

GENTE QUE AMA ITABUNA: PROFESSORA NILDINHA, por Eglê S Machado

Professora Nildinha 


          Se perguntarem, na cidade de Itabuna, sobre Ivanildes dos Santos Dominguez talvez uma ou outra pessoa saiba de quem se trata; mas, perguntem quem é a PROFESSORA NILDINHA!... E Itabuna inteira saberá quem é.

          Nildinha, esta criatura de beleza serena, expressão inabalável, coração terno é amada por todos porque todos a conhecem. É conceituada entre professores e todos os que, de alguma forma, estão ligados à educação.

          Nascida no Município de Itajuípe cursou o ensino primário no Colégio General Osório, em Ilhéus. Prestou o Exame de Admissão ao Ginásio no Colégio Baiano de Ensino, em Salvador onde cursou a 5ª série quando passou para o Colégio Nossa Senhora do Carmo, também na capital do Estado e cursou da 6ª à 8ª series do curso ginasial.

          O 2º grau foi feito também em Salvador, no Colégio Sete de Setembro onde se formou professora primária (Magistério) em 1966. Logo no início do ano 1967 voltou para Itabuna onde residia sua família, e foi nomeada, pelo então Prefeito José de Almeida Alcântara, para lecionar na rede municipal de ensino, no Instituto Municipal de Educação (IMEAM).

          Em 1969 foi contratada pela Professora Rita Fontes, para ensinar no Colégio Gato de Botas, onde permaneceu até 1971. Teve de deixar o Gato de Botas quando precisou de mais tempo para estudar já que fora aprovada no exame Vestibular para o curso de Ciências Físicas e Biológicas, da UESC.

          Em 1974, ao concluir o curso Superior, logo prestou concurso para ingressar na Rede Estadual de Ensino. Aprovada, passou a lecionar Ciências no Centro Integrado Oscar Marinho Falcão (CIOMF), onde atuou por 27 anos, tendo se aposentado no ano 2001. 
Aposentou-se, mas não parou, porque Nildinha não é pessoa de ficar quieta. Passou a trabalhar na Secretaria Municipal de Educação na gestão do então Prefeito Geraldo Simões assumindo a função de Coordenadora de Acompanhamento da Pessoa, permanecendo nesse cargo de confiança por quatro anos, sendo que retornou em 2007 a convite do Secretário Adeum Sauer, agora assumindo o cargo de Coordenadora de Organização e Atendimento à Rede Escolar (COARE) na Direc 07 Itabuna.

          Quando concorreu à eleição para Presidente do Sindicato dos Professores de Itabuna (API) foi eleita com maioria dos votos. Presidiu a API por quase três anos.

          Bom, com esse Curriculum Nildinha poderia conquistar o lugar que quisesse na vida de Itabuna, sua cidade, mãe adotiva que acolheu e amou toda a família do seu querido pai Pedro Marques dos Santos, seu maior fã e incentivador por cuja memória Nildinha tem uma enorme ternura e gratidão.

          Filiada a um grande partido político é militante que vai à luta sem medo de ser feliz, atuante, fidelíssima, íntegra, ferrenha defensora de causas nobres. Nildinha é amiga dos amigos, da cidade que escolheu para trabalhar, a cidade mãe do seu esposo Sr. Nicodemus Dominguez, dos seus filhos Nicola e Vinícius e dos netos Bruno e João Gabriel, tesouros da sua alma.

          É membro efetivo do Movimento de Cursilhos de Cristandade (MCC) da Diocese de Itabuna. Coordenou o movimento pelo período de três anos e permanece integrada no NÚCLEO DE EDUCAÇÃO onde continua a lutar por educação de qualidade.

          Ama receber amigos e familiares na sua casa de praia no Jardim Atlântico, em Ilhéus.
           
          Enfim, a educadora Nildinha é uma filha adotiva da qual Itabuna, a Mãe Centenária, se orgulha, com certeza. E ela, que não é mulher de ficar parada pelos cantos da vida, ainda tem muito a oferecer à cidade que, por todo esse tempo, lhe acolheu e dengou.

          ITABUNA CENTENÁRIA-ICAL afirma com convicção: NILDINHA É UM EXEMPLO DE VIDA A SER IMITADO.


Eglê S Machado
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O professor Rilvan Santana reproduziu esta crônica  no seu blog "Saber Literário" e no final acrescentou a seguinte Nota Editorial:

“Estimada poetisa Egle:
Dentre muitas pessoas que serei eternamente grato, a professora Nildinha encabeça a lista, ela terá um lugar reservado para sempre em meu coração, porque foi ela que me deu suporte moral para o enfrentamento da doença de minha filha Ana Paula, que veio a óbito, um ano depois, no Hospital das Clínicas de São Paulo.
Peço-lhe vênia para ratificar sua homenagem, também, ser signatário de sua crônica: 'GENTE QUE AMA ITABUNA: PROFESSORA NILDINHA' . Pois, será uma oportunidade única de lhe dizer, publicamente, quanto eu a aprecio e quanto lhe sou grato.
 Fraternalmente, Rilvan.
Itabuna, 04 de dezembro de 2016.”
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

AVIÕES DA FAB DEIXAM A COLÔMBIA COM OS CORPOS DAS VÍTIMAS RUMO A CHAPECÓ

Felipe Pereira/UOL
Aviões da FAB deixam a Colômbia com os corpos das vítimas rumo a Chapecó
Felipe Pereira
Do UOL, em Medellín (COL)
02/12/2016

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Os três aviões Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB), responsáveis pelo traslado da maioria das vítimas do acidente aéreo da Colômbia até Chapecó, decolaram da base aérea de Rio Negro, na região metropolitana de Medellín, no fim da tarde (início da noite no horário de Brasília) desta sexta-feira (2).

As aeronaves decolaram em intervalos de 15 minutos, com os dois primeiros aviões transportando 17 corpos, enquanto o terceiro levará 16 caixões até Chapecó.

Após parada de cerca de uma hora em Manaus para reabastecimento, as aeronaves da FAB têm previsão de chegada a Chapecó para as 8h da manhã de sábado (3), para depois seguirem até seus destinos finais. Parte das vítimas será velada na Arena Condá, estádio da Chapecoense. 

Após cortejo de pouco mais de duas horas pelas ruas de Medellín, os 50 corpos chegaram à base aérea de Rio Negro no meio da tarde desta sexta. Os caixões foram reunidos em fileiras e acompanhados por militares em traje de gala para serem colocados nos aviões. Antes do embarque dos caixões, houve um minuto de silêncio e uma breve cerimônia religiosa. Eles entraram nos aviões da FAB sob marcha fúnebre.

"Fizemos uma cerimônia simples com honras militares para que deixem o solo colombiano como heróis", afirmou o chefe da operação, o tenente-coronel Jonh Trujillo. 

Responsável brasileiro pela condução do processo de liberação dos corpos em Medellín, o embaixador do Brasil na Colômbia, Júlio Bitelli, falou sobre a carga emocional de trabalho nos últimos dias e destacou as mostras de solidariedade do povo colombiano.

"Foram dias de trabalho muito intenso, doído, mas ao final desta tragédia terrível, fica uma mensagem muito bonita de solidariedade entre os povos. Desde aquela homenagem maravilhosa no estádio, até iniciativas individuais", afirmou Bitelli.

O voo que transportava a delegação da Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, em Medellín, caiu na madrugada da última terça (29), matando 71 pessoas entre atletas, membros da comissão técnica, dirigentes e jornalistas brasileiros, além de sete tripulantes venezuelanos e bolivianos. 

Parte dos jornalistas brasileiros, ligados à Globo e Fox Sports, tiveram seus caixões transportados por voos fretados pelas empresas. As vítimas venezuelanas e bolivianas também já havia deixado Medellín. 

A principal suspeita do motivo do acidente é que a aeronave, operada pela Lamia, companhia boliviana que costumava transportar equipes e seleções sul-americanas em voos fretados, tenha sofrido uma pane seca – isto é, falta de combustível. As duas caixas pretas do avião foram encontradas e estão sendo submetidas à perícia das autoridades responsáveis. 
Felipe Pereira/UOL


LADRÃO CONSCIENCIOSO! - Antonio Nunes de Souza

Ladrão Consciencioso!

          Embora pareça de imediato ser um tremendo paradoxo, temos que reconhecer, que assim como existem pessoas conscientes que são ladrões, existem também ladrões que são conscientes! Claro que não é uma comum, mas, trata-se de uma situação anômala, que aparece quando menos esperamos!
          Vejam vocês que saí num fim de tarde para ver o pôr do sol no Porto da Barra (que é privilegiada essa visão) e, depois de desfrutar tamanha obra da natureza, feliz da vida, me dirigi a uma pizzaria famosa para comer essa delícia da cozinha italiana. Cheguei, embora o lugar estivesse cheio, consegui uma mesa bem situada com uma visão ampla para todo ambiente e também ver a movimentação da rua. Tudo estava como Deus quer e manda, nas ocasiões que Ele deseja agradar!
          Pedi minha favorita metade de quatro queijos e a outra parte de Margarita. Isso já babando de felicidade, aproveitando o maitre e pedindo uma jarra do vinho da casa, para ir saboreando enquanto esperava o pedido!
          Tudo estava tão perfeito, até que surgiram, não sei de onde, uns dez bandidos (menores e maiores), com armas em punho, fazendo a maior varredura de carteiras, bolsas, joias e celulares. Um ataque numa rapidez incrível, deixando todos boquiabertos e entregando os seus pertences com dor no coração. Como a minha mesa era uma das últimas, já na saída do terrível arrastão, cheguei para o ladrão que Deus destinou para mim e disse: “Por favor, eu tenho 60 anos, sofro do coração, meu celular é para avisar aos meus parentes em caso de desmaios nas ruas ou em casa, sou aposentado por ser diabético e, para completar, tenho a pressão alta!”
          Falei baixinho fazendo aquela cara de cachorro sem dono e pedindo pelo amor de Deus!
          Foi aí que aconteceu o inesperado. Ele me olhou comovido, devolveu minha carteira intacta, celular e relógio e, mais ainda, tirou de uma bolsa cem reais e disse ao garçom; Esse dinheiro é para pagar a despesa de meu tio aqui (tio o tratamento dado aos mais velhos).
          Todos ficaram estarrecidos com essa atitude e, logo que acabou o assalto, todos me perguntaram: O que foi que o senhor disse para ele?
          - Eu disse o seguinte: Livre a minha cara, pois eu sou político!
          - E ele me respondeu: “Então você é colega tão ladrão quanto eu, e um bandido graduado!”
          - Aí uma senhora esbaforida me perguntou: “O senhor é vereador ou deputado?”
          - Não sou nem um nem outro, apenas falei o que me veio a cabeça na hora!
          Comi minha pizza, tomei meu vinho, vendo a chegada dos policiais e, na saída, quis pagar e o maitre, falou: Sua conta já foi paga, espere o troco!
          - Não meu amigo, fica como gorjeta!
          - Voltei para o carro sorrindo de ver que, sem esperar ou querer, me diverti com a pegadinha, comi de graça e fiquei conhecendo um bandido consciencioso!


Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras – AGRAL 


***

MORO PROPÕE ALTERAÇÃO NO PROJETO DA LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE

Sérgio Moro encontra-se com o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) nesta quinta (1º) para propor alteração no projeto de lei de abuso de autoridade
01/12/2016
Luiz Cláudio Barbosa/Código19/Estadão Conteúdo

O juiz federal Sérgio Moro entrega ao Senado, nesta quinta-feira (1º), um ofício em que propõe uma alteração no projeto de lei de abuso de autoridade. A mudança afastaria riscos de juízes e membros do Ministério Público serem responsabilizados criminalmente pela interpretação da lei.

"Imprescindível evitar que seja criminalizada, na prática, interpretação da lei, avaliação dos fatos, provas pela autoridade judicial, pela autoridade do Ministério Público, pela autoridade policial", registra Moro, no documento a ser entregue a senadores.

O Senado discute projeto de lei apresentado pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que reformula a Lei de Abuso de Autoridade. Moro e os investigadores da Lava Jato têm criticado a proposta, por abrir brecha para que pessoas denunciadas criminalmente ou alvo de processos acionem criminalmente procuradores e juízes, caso as acusações não sejam confirmadas.

"Entendo, respeitosamente, que este não melhor momento para deliberação sobre referido projeto", informa Moro. "Uma vez que a eventual aprovação poderia ser interpretada como tratando-se de medida destinada a prevenir avanço de investigações criminais importantes, entre elas a assim denominada Operação Lava Jato."

O juiz da Lava Jato foi convidado pelo presidente do Senado, fortemente investigado na operação, a apresentar propostas de adequação do projeto de lei.

Recomendação

Moro recomendou inserir no texto um item que veta a criminalização da "divergência na interpretação da legislação penal e na avaliação de fatos e provas". "Não configura crime previsto nesta lei a divergência na interpretação da lei penal ou processual penal ou na avaliação de fatos e provas", diz o item sugerido pelo juiz.

O magistrado repetiu uma frase que tem usado para pedir a revisão da proposta, de que "o direito não é matemática" e "que pessoas razoáveis podem divergir razoavelmente na interpretação da lei na avaliação de fatos provas."

"Sem salvaguardas, a lei terá efeito prático de restringir atuação de juízes, desembargadores, ministros, promotores e policiais de acusações ou ameaças temerárias por parte de criminosos, quer membros de organizações criminosas, traficantes, terroristas ou mesmo envolvidos em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro", escreveu Moro.


http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/12/01/moro-propoe-alteracao-no-projeto-da-lei-de-abuso-de-autoridade.htm?mkt_tok=eyJpIjoiT1RCbE5XRXhNREk0TURCaCIsInQiOiJwOTJ3S2l6bVRVbmpPRmhTZ0N3VWFnZHZrakpXNlFQcGo4YlJydDVDbVRhMzg1QUdtbTZsQkpWbzc3aWFrOHl1Z2hPMENDNlwvVDV1QnpkN3ZuMEgweSt6NUdWNG9lY3hiOWtPa1JuRE5kU1k9In0%3D

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02 DE DEZEMBRO - DIA NACIONAL DO SAMBA

Dia Nacional do  Samba


O Brasil não é apenas conhecido pelas belas paisagens, pelos craques fantásticos de futebol, nem muito menos pelas novelas televisivas que fazem sucesso no exterior. Quando alguém pensa em Brasil, geralmente a mente salta: mulheres, carnaval e, samba. Isso mesmo, o Samba, um estilo musical que une a diversidade e o swing de uma nação inteira.

No dia 02 de Dezembro é comemorado o dia nacional do samba, um estilo musical que leva a identidade brasileira para o exterior, claro, existem uma série de modalidades deste estilo musical, desde o samba raiz até aqueles que mantêm a tradição viva até os dias de hoje. Isso mesmo, apesar de toda modernidade que nos cerca, o samba ainda pede passagem entre os grandes sucessos de nossos dias.

No inicio o dia do samba era comemorado apenas em Salvador, mas como o estilo nunca respeitou fronteiras, aos poucos foi aumentando até se tornar uma comemoração nacional. Era algo esperado devido a quantidade de talentos que tornaram o samba esse estilo musical que leva a tradição, amor e a vivacidade de uma nação inteira. Mesmo com tantos estilos musicais completamente diferentes, o samba é entre todos o mais pitoresco do Brasil, o estilo musical que traduz a essência do povo brasileiro.

Um estilo musical cheio de gingado e melodia que encanta pelas danças e também pela execução que exige harmonia e talento de todos os músicos envolvidos na roda de samba.


Dia Nacional do Samba

O Dia Nacional do Samba é comemorado em dois de Dezembro, onde se celebra esse ritmo musical criado no Brasil e que é tido como forma de expressão em diversas regiões. E conhecido mundialmente como símbolo da música brasileira.

Apesar de ser extremamente popular em muitas regiões do Brasil, a origem do samba como Bahia e São Paulo, este gênero de música está muito ligado ao Rio de Janeiro, onde nasceu por volta do final do século XIX e começo do século XX. Era uma dança de escravos que misturaram suas danças com os ritmos regionais do maxixe, xote, entre outros, criando o samba carioca.

Origem do Dia do Samba

A data de 2 de Dezembro foi escolhida como o dia do Samba pois foi nesse dia que o famoso compositor Ary Barroso, um dos mais famosos compositores de samba da história, visitou pela primeira vez Salvador na Bahia. O então vereador Luís Monteiro Costa propôs então homenageá-lo, celebrando o dia do Samba nesta data no calendário regional, que com o passar dos anos acabou se tornando uma comemoração a nível nacional.

Tipos de samba:

Samba enredo - com origem no Rio de Janeiro na década de 30 é um samba que determina o ritmo dos desfiles das escolas de samba, e aborda temas sociais e culturais.

Samba de partido alto - é um samba de origem pobre, que tenta demonstrar a realidade de regiões carentes. Seus principais compositores são Moreira da Silva, Zeca Pagodinho e Martinho da Vila

Samba Pagode - um dos ritmos dentro do samba que mais fazem sucesso surgiu no Rio de Janeiro nos anos 70, com letras românticas e ritmo repetitivo, tem como principais representantes grupos como: Fundo de Quintal, Raça Negra, Só Pra Contraria, entre outros.

Samba canção - com origem na década de 20 tem característica ritmo lento e letras românticas.

Samba carnavalesco - são as famosas marchinhas que embalavam os carnavais antigos e bailes típicos.

Samba exaltação - esse tipo de samba trazia um saudosismo com letras que mostravam as maravilhas brasileiras, junto com acompanhamento de orquestra.

Samba de breque - tipo de samba que tem interrupções para comentários no meio da música, com temáticas críticas ou humorísticas.

Samba de gafieira - com origem nos anos 40, tem ritmo rápido e forte com acompanhamento, muito comum em danças de salão.

Sambalanço ou Samba Rock - Com influência do jazz o surgiu entre as décadas de 50 e 60 e embalou boates em São Paulo e Rio de Janeiro. Tem como principais representantes Jorge Ben Jor, Wilson Simonal e mais recentemente Seu Jorge.



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O QUE É MESMO EDUCAÇÃO? – Agenilda Palmeira

O que é mesmo Educação?

          Educação palavra feminina como  a terra que nossos pés  pisam. Educar vem do latim educere e significa também criar, nutrir, cultivar  ou seja, ações intimamente ligadas ao trato da terra e ao trato entre as pessoas.

          O mundo de  hoje  não é igual ao mundo de ontem, essa frase, repetida milhões de vezes, encontra na educação  a sua expressão mais acentuada. Os relacionamentos familiares de hoje parecem delegar  a responsabilidade de educar para a escola.  Seria prejudicial  para o nosso aluno. Alguns pais   têm dificuldade de educar seus filhos. E a escola tem um nome ligado a educação infantil, fundamental,   médio e  superior. Eles (os pais) pensam ser cômodo  entender que a escola é que educa e que as crianças  estão em um  “período de educar” outro quesito: ao mesmo tempo em que o pai quer dar o melhor para o filho, acaba dando uma coisa comum. É como se a gente colocasse o filho para andar de uniforme! Ademais, a maioria das escolas não  são preparadas  para isso. Para elas o aluno é um simples transeunte  curricular.  Os filhos são para sempre. E os danos e prejuízos, quem vai pagar com a  má educação dos filhos são os próprios pais.

          Devemos observar que a família é a matriz social, a mais importante agência socializadora que transfere para os filhos a herança biológica, psicológica, cultural e espiritual e está sob a responsabilidade direta dos pais e das mães.

          No livro de Içami Tiba Quem ama educa ele afirma que há  algo que os professores podem fazer para envolver os pais diretamente no processo e a isso  chama-se educação a seis mãos. Diz Içami: Se o pai  diz vinho e a mãe diz água o filho “dezanda” . É a mesma coisa se  a  família diz vinho e a escola diz água o aluno “dezanda” . É importante que as pessoas que estão ligadas à educação daquela criança tenha o que ele (Içami) chama de “coerência, constância e consequência”. Não adianta    o  professor jogar a bola para a família quando na escola ele também pode fazer alguma coisa. A repetição entre tarefas é muito tênue no espaço limítrofe mas no  centro as coisas não são muito claras. A escola tem de convocar a família toda  vez que a obrigação não está sendo cumprida. E provavelmente a família  deve  ir até  a escola para ver se tem alguma coisa que ela não está cumprindo. É a educação a seis mãos  feita à base do caminho e da razão, dos  pais, mães  e escola.

          A educação a seis  mãos faz correlação com  o início da  nossa crônica educar é criar, nutrir, cultivar ações intimamente ligadas a terra.  O homem é barro e sopro. O barro, que vem da terra,  e o sopro que vem de Deus. Ao primeiro compete a ciência que alimenta o corpo enquanto ao segundo compete a  arte que alimenta a  alma: o animal é dirigido pelas necessidades do corpo: não tem arte, o homem dirige o corpo com a alma. Nesse sentido há dois sentidos básicos e imprescindíveis a favor do bom relacionamento família e escola: a criação de grupos que implica o cultivo das relações  interpessoais e a educação da afetividade, e o aprender a conviver, que é fundamentado na resolução positiva dos conflitos. Hoje a educação acabou se convertendo em uma verdadeira  “batata quente” que  ninguém quer segurar o impasse entre pais e professores atingiu o seu clímax.

          O clichê da unanimidade. A solução para o Brasil é a educação. Mas que tipo de educação é a ideal? Educação depende da visão que temos sobre a praticidade da argumentação. Argumentar é defender ideais. E tanto a família quanto a escola não estão preparadas para este procedimento. Segundo Rorty “educar é agir seguindo a ideia de que as pessoas podem não seguir nossos argumentos, mas tendo a esperança de modificá-las para que um dia possam. Já argumentar é pressupor que os outros seguirão o que dissermos. Ai está o xis da questão o modo como os professores relacionam e correlacionam o que fazem a  situação de comunicação que vivenciam denuncia a adesão a uma dessas concepções profissionais.

          Porque uma coisa é querer convencer o aluno, outra é deixá-lo preparado para abandonar os próprios pontos de vista quando ouvir coisa melhor. A maioria das vezes, ficamos no meio desses extremos,  diz Richard Roty. Professores desejam formar alunos capazes de encarar uma questão por vários ângulos, de dar respostas consistentes independentemente do contexto e da transformação tecnológica que testemunham ao longo  da vida; de deixar de lado o ódio, imaturidade e a crendice; De saber seus direitos e deveres.

          Em ambientes instáveis de encarar perspectivas sem se sentirem ameaçados de que possam permitir a relação civilizada com os outros e oportunar pessoas a lerem obras de Marx, Machado de  Assis, Tomás de Aquino sem enjoar.

          Conclusão. Essa é a educação crítica dos sonhos de muita gente. A educação nesse olhar com tanta complexidade é necessário pensar conceitos que tragam à tona a realidade do indivíduo. Se pode ele tangenciar  ao tema a abordagem parcial, ou marginal, do tema dentro do assunto. E o seu caminhar é a  educação. Respeitemos os limites. Não podemos perder o foco do caminhar. Para poder ensinar, antes é necessário aprender. Jesus era peripatético.  Aquele que ensina caminhando. Ele (Jesus) é o mestre por excelência. Nesta semana da educação vamos entender que educar   não é desistir de si mesmo, mas descobrir que a vida  é o maior de todos os espetáculos – Um espetáculo dado pelo Autor da existência.

JESUS, O EDUCADOR POR EXCELÊNCIA

Agenilda Palmeira, professora Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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