Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador Meditações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Meditações. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de junho de 2018

FARDOS - Chico Xavier


Fardos


Quando a ilusão o fizer sentir o peso do próprio sofrimento, como sendo opressivo e injusto, recorde que você não segue sozinho. Cada pessoa tolera a carga que lhe pertence. Existem fardos de todos os tamanhos e feitios.

O sacerdote sofre a tortura de um condutor de almas. O coração materno angustia-se com a sorte de seus filhos. O poderoso arca com o peso da responsabilidade de decisões que influenciam grandemente o destino alheio. O enfermo desamparado carrega as dores de sua indigência. A criança sem ninguém sofre seu pavor.

Aprenda a entender o serviço e a luta dos semelhantes para não se supor indevidamente vítima ou herói. No campo das provações, todos são irmãos uns dos outros, mutuamente identificados por semelhantes dificuldades, dores e sonhos. Suporte com amor o peso de suas obrigações e caminhe. Do acervo de pedra bruta nasce o ouro puro. Do cascalho pesado  emerge o diamante.Do fardo que transportamos de boa vontade procedem as lições de que necessitamos para a vida maior.

Talvez você se pergunte qual a carga transportada pelos maus e levianos, que aparentemente passam pela vida  isentos de provações. Provavelmente eles, sob uma falsa  aparência de vitória, vivem sob encargos  singularmente mais pesados do que os seus. Impunidade e injustiça são conceitos estranhos às leis divinas.

O céu não é um local físico  predeterminado, mas um estado de consciência. Ele somente é acessível, com seus tesouros de paz e luz, para quem está em harmonia com as leis divinas. Nada há para invejar  de quem ainda nem começou a se recompor com essas leis, por leviandade ou preguiça. Pior ainda é a situação de quem, pela desdita de praticar o mal, está adquirindo débitos perante a vida.

Se o suor alaga sua fronte e se a lágrima lhe visita o coração, isso é um sinal de que a sua carga já está sendo aliviada. Quem desempenha corajosamente, sem murmurações, as tarefas que lhe competem está caminhando para a plenitude de sua consciência. Provas bem suportadas, sem desânimo ou preguiça, convertem-se de forma gradativa em tesouros de entendimento, paz e luz para a ascensão  da criatura.

Lembre-se do madeiro injusto que dobrou os ombros doloridos  de Jesus Cristo. Sob as vigas duras no lenho infamante jaziam ocultas as asas divinas da ressurreição para a imortalidade. Deus criou o mundo Estruturado por leis  perfeitas, belas e justas. Nesse harmônico concerto, por certo você não foi esquecido. Sua vida não é regida por acasos. As provações que o visitam visam a fortificá-lo, lapidá-lo, despi-lo de inferioridades que o infelicitam há longo tempo.

Não imagine, sequer por um momento, que o Pai Amoroso que Jesus nos revelou possa ser cruel.As provas duram o tempo estritamente necessário para ajudá-lo a adquirir os valores e aprender as lições  de que necessita. Reduza sua quota de dores, dedicando-se ao bem com determinação e vigor. Dê um basta nas reclamações e nos vícios, alegrando-se ao executar as tarefas que a vida lhe confiou. Fardos e dificuldades não são desgraças, mas desafios a serem vencidos e superados, com otimismo e esperança.

 "Gotas de Crystal" <ppscrystal@yahoo.com.br>

* * *

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

ULTRAJES CONTRA JESUS CRISTO NOS DIAS DE CARNAVAL

13 de Fevereiro de 201
Meditação de Santo Afonso Maria de Ligório* apropriada para os dias carnavalescos, que ele classifica como dias de extravagância diabólica, nos quais Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes


Santo Afonso Maria de Ligório
Consummabuntur omnia quae scripta sunt per prophetas de filio hominis — Será cumprido tudo o que está escrito pelos profetas a respeito do Filho do homem (Lc 18, 31).

Não é sem uma razão mística que a Igreja propõe à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Como nossa boa Mãe, ela deseja que nós, seus filhos, nos unamos a ela, para nos compadecermos do seu divino Esposo e o consolarmos com os nossos obséquios, ao mesmo tempo em que os pecadores, nestes dias mais do que em outros, lhe renovam todos os ultrajes descritos no Evangelho. Quer ela também que roguemos pela conversão de tantos infelizes, nossos irmãos. Acaso não temos motivos suficientes para isso?

Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão como Judas o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, mas nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer, por um divertimento momentâneo!

Illudetur, flagellabitur et conspuetur (será motejado, flagelado e coberto de escarros). Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor, quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica! Pessoas que cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm pejo de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o santo Nome de Deus!

Et postquam flagellaverint, occident eum (e depois de o terem açoitado, o farão morrer). Sim, pois segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus. Ah! nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes.
____________
* Santo Afonso Maria de Ligório, Meditações para todos os dias e festas do ano. Tomo I, Herder & Cia, Friburgo, 1921, p. 279-280.



* * *

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

DOM CESLAU STANULA: MEDITAÇÕES

Foto: PortalCatólico
01/11/2017:

Neste mês de novembro, o mês dos finados, gostaria serenamente apresentar algumas meditações sobre a Escatologia. O que é a escatologia?

A palavra escatologia é formada de duas palavras gregas: eschatos = último, fim e lógos = palavra, instrução, ensino.

Portanto escatologia é o estudo do fim ou o estudo das últimas coisas, ou ainda o estudo dos últimos dias.

A Escatologia no sentido individual é o estudo a respeito dos acontecimentos que afetarão cada pessoa individualmente, sem exceção, no fim de sua jornada terrestre. São eles: Morte e o Juízo Particular, e depois ou o Purgatório ou  Inferno ou o Céu.

A Escatologia no sentido coletivo trata dos acontecimentos relacionados com o fim dos tempos, que é a Parusia (2a. vinda de Cristo), Ressurreição da Carne, Juízo Final ou Universal e os “Novos Céus e Nova Terra”.

 Hoje pouco se fala sobre este tema, no entanto é o tema tão importante para cada um de nós. Em cada instante alguém neste planeta experimenta estes momentos escatológicos. Por isso rezamos pelos agonizantes, para que tenham o sereno encontro com o Senhor na glória.

Uma boa e santa Noite com a proteção dos Anjos. Com a oração e a benção; Dom Ceslau.
 ......................

02/11/2017:

A vida, nós a vivemos em três dimensões: a vida intrauterina, a vida no mundo que experimentamos agora, e a definitiva – a vida eterna. A entrada para cada uma destas dimensões é dolorosa e traumatizante.

A passagem da vida do seio materno, chamamos o parto, a criança parte do aconchego do seio materno para o desconhecido. Para ela o “parto” é traumatizante, e só se  acalma nos braços da mãe. O parto para a última e definitiva dimensão de vida, chamamos a MORTE. Também é o parto.

No primeiro parto nós nos separamos da mãe. Na morte, a alma se separa do corpo. A cada uma destas separações acompanha o medo pela falta de evidência do que nos espera na nova dimensão. Na morte, a certeza nos vem da fé, (o que veremos em diante).

A Igreja afirma da existência da alma,elemento distinto do corpo físico, mas unido com ele e a define assim: “....é um elemento espiritual, dotado de consciência e de vontade, de tal modo que o « eu humano » subsista. Para designar esse elemento, a Igreja emprega a palavra « alma », consagrada pelo uso que dela fazem a Sagrada Escritura e a Tradição”. (Carta da Cong. da Doutrina sobre algumas questões da Escatologia de 17.05.1979)

Reflexão: Deus não é o autor da morte. A morte veio como consequência do pecado, (Rom 5,12).
Maria não morreu, mas foi assunta ao céu porque não teve pecado.

Com a benção de Deus que é o nosso Pai, e a minha oração. Boa noite.
Dom Ceslau.
 ---------------

Dom Ceslau Stanula, bispo emérito da Diocese de Itabuna/BA, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

* * *