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terça-feira, 28 de maio de 2019

PORTUGUÊS NÃO É PARA AMADOR


A diferença de doida e doída é um acento.

Assento não tem acento.

Assento é embaixo, acento é em cima.

Embaixo é junto e em cima separado.

Na sexta comprei uma cesta logo após a sesta.

É a primeira vez que tu não vês.

Vão tachar de ladrão se taxar muito alto a taxa da tacha.

Asso um cervo na panela de aço que será servido pelo servo.

Vão cassar o direito de caçar de dois pais no meu país.

Por tanto nevoeiro, portanto, a cerração impediu a serração. 

Para começar o concerto tiveram que fazer um conserto.

Ao empossar permitiu-se à esposa empoçar o palanque de lágrimas.

Uma mulher vivida é sempre mais vívida, profetiza a profetisa.

Calça você bota, Bota você calça.

Oxítona é proparoxítona.


Realmente, não é para amador!


(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)


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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

10 DE AGOSTO: DIA DE JORGE AMADO – Língua portuguesa


Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
(Bahia, 1964 – língua portuguesa)


            Em Lisboa disseram a Luís  Forjaz Trigueiros que na Bahia o calor, além de tórrido, é constante, jamais faz frio. Luís viaja ao Brasil em missão cultural,  pede a Maria Helena que coloque na mala apenas roupas leves. Assim desembarcou desvestido com elegância  para o verão feroz.

            Ora, em lugar de calor senegalês, uma onda fria abateu-se sobre a cidade, frio ainda mais difícil de suportar devido à umidade, o escritor sentiu-se enregelar. Dado que o inverno se manteve, não lhe coube opção senão ir à compra de agasalho. Luís se informou, rumou para a Rua Chile, a de comércio fino e caro de prendas de vestir cavalheiros e senhoras. Deteve-se ante uma loja: ali se exibia a peça exata que buscava para com ela resguardar o peito, evitar o resfriado, a gripe, a pneumonia: Luís Forjaz pretende-se chegado a enfermidades nos brônquios e pulmões, o perigo da gripe o horroriza. De lã, chique,  discreta, na cor preferida, estava à sua espera. Luís adentrou o estabelecimento, o vendedor acolheu solícito, colocou-se a seu serviço.

            - Desejo comprar uma camisola – informou o literato luso, sorrindo com a delicadeza que o caracteriza.

            Não menos delicado o balconista:

            O cavalheiro se enganou, aqui só vendemos artigos masculinos, mas na loja em frente, de artigos para senhoras,  o senhor encontrará variado estoque de camisolas...

            Não tendo entendido, algum engano havia, Luís insistiu:

            - Eu disse camisola...

            - Já lhe disse que não temos. – O caixeiro elevou a voz,  desconfiado que o simpático freguês fosse surdo de nascença.

            - Como não tem, se acabo de ver na montra uma camisola castanha na medida própria?

            - Onde disse ter visto camisola?

            O balconista sentiu-se perdido, além de surto o freguês falava língua desconhecida, nem espanhol, nem francês, menos ainda inglês, dialeto que o rapaz identificava, familiar de sotaques e pronúncias. Não sabendo o que dizer, riu e coçou a cabeça. Um parvo, persuadiu-se Luís Trigueiros, e, sem mais delongas, tomando-o gentilmente pelo braço – aos parvos deve-se tratar com firmeza sem, no entanto abandonar a cortesia -, levou-o até a porta de onde, triunfante,  mostrou-lhe na montra a camisola castanha.

            - Ali está ela, a camisola, quanto vale?

            A risada do rapaz não era mal-educada, mas continha uma ponta de deboche:

            - Ilustre cavalheiro, fique sabendo que em bom português o senhor quer comprar um pulôver marrom igual ao que está na vitrine, não é isso? Por que não disse logo? Um suéter porreta e o preço de arrasar...

            Encontrei Luís no hotel envergando a camisola castanha, ou seja, o pulôver marrom, não sendo ainda o brasileiro competente que viria a ser anos depois devido aos azares da política, o escritor estava indignado:

            - O gajo diz-me duas palavras em francês, uma em inglês e afirma estar falando em português, em bom português.

            - Em nosso bom português, Luís, o do Brasil.

            Hoje Luís Forjaz Trigueiros traça na maciota nosso misturado português de mestiços, mas, para escrever sua prosa escorreita, forte, terna e colorida, conserva-se fiel ao português de Portugal, à língua de Camões.


(NAVEGAÇÃO DE CABOTAGEM)
Jorge Amado
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JORGE AMADO - Quinto ocupante da Cadeira 23 da ABL, eleito em 6 de abril de 1961, na sucessão de Otávio Mangabeira e recebido pelo Acadêmico Raimundo Magalhães Júnior em 17 de julho de 1961. Recebeu os Acadêmicos Adonias Filho e Dias Gomes.

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sábado, 10 de junho de 2017

10 DE JUNHO - DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA

Dia da Língua Portuguesa


O Dia da Língua Portuguesa é comemorado no dia 10 de junho, dia em que a morte de Luiz Vaz de Camões é lembrada. Autor de obras memoráveis como “Os Lusíadas”, Luis de Camões é considerado um dos maiores poetas da história lusitana.

A língua portuguesa é nosso patrimônio comum, além de ser a matéria-prima para nossa literatura e poesia, por isso a importância da comemoração da data. Vale lembrar, que o idioma tem sua origem no latim vulgar – o latim falado, que os romanos introduziram na Lusitânia, região situada ao sudoeste da Península Ibérica, a partir de 218 a.C.

Atualmente, segundo dados da ONU, pelo menos 235 milhões de pessoas têm o português como primeira língua, em oito países que vão das Américas à Ásia. Mais de 80% desses falantes são brasileiros. Entretanto, muitos falantes do português vivem fora dos países lusófonos em nações da Europa e nos Estados Unidos. Não oficialmente, o português é falado por uma pequena parte da população em Macau, no estado de Goa, na Índia, e na Oceania.

A língua portuguesa é a quinta língua mais falada do planeta e a terceira mais falada entre as línguas ocidentais, ficando atrás somente do inglês e do castelhano. Por toda a importância dada à  língua portuguesa, seu ensino agora é bastante valorizado nos países que compõem o Mercosul, e é a língua oficial em diversos países como: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe e, ainda, Timor-Leste após sua independência.




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Língua portuguesa
Olavo Bilac


Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


 (POESIAS), Livraria Francisco Alves - Rio de Janeiro, 1964, pág. 262.

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