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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

PREMIADA POETA BRASILEIRA ESTREIA COMO CONTISTA - 14/08/2019


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DENISE EMMER convida para o lançamento do livro O cavalo cantor e outros contos, no dia 14 de agosto de 2019, próxima quarta-feira, a partir das 19 horas, na Casa da Leitura (Rua Pereira da Silva, 86 - Laranjeiras - Rio de Janeiro /RJ).

Atenciosas saudações,
Cláudio Aguiar
Presidente do PEN Clube do Brasil
Visite nosso portal: http://www.penclubedobrasil.org.br
E-mail: [/compose?to=pen@penclubedobrasil.org.br]pen@penclubedobrasil.org.br


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O cavalo cantor e outros contos


A premiada poeta Denise Emmer faz sua estreia como contista. A coletânea, editada pela Espelho D’Alma, traz 11 histórias em que a autora mergulha no realismo mágico. A obra chega às livrarias em agosto.

A carioca Denise Emmer é dos nomes mais importantes da poesia contemporânea brasileira. Uma constatação disso está nos 11 prêmios dados à autora, sendo dois deles concedidos pela Academia Brasileira de Letras (ABL): Olavo Bilac, em 1991, e o Prêmio ABL de Poesia, em 2009. Sem falar no respeito conquistado por ela entre grandes nomes como o do crítico literário Antônio Houaiss (1915-1999) e o do poeta e imortal Ivan Junqueira (1934-2014). Autora de 18 livros (15 deles de poesia, dois romances e uma memória romanceada), a escritora aventura-se agora por um gênero até então inédito para ela, o dos contos. Sua estreia no gênero dá-se com “O cavalo cantor e outros contos” (Espelho D’ Alma),  no qual reúne 11 histórias  cujas narrativas têm, em comum, o estilo conhecido como realismo mágico ou fantástico. O prefácio é do premiado autor Álvaro Alves de Faria, que também assina as ilustrações da obra, e a orelha é do poeta e ensaísta Cyro de Mattos. “O cavalo cantor e outros contos” chega às livrarias em agosto, com noites de autógrafos no Rio (14/08) e em São Paulo (22/08).

O realismo mágico consagrou-se na Literatura dos anos 1960 para cá. E tem no colombiano Gabriel Garcia Márquez (1927-2014) seu sumo pontífice. No Brasil, o estilo tem como principais representantes José J. Veiga (1915-1999) e Murilo Rubião (1916-1991). Mais recentemente, o moçambicano Mia Couto consagrou-se nessa seara. Na história da literatura é comum um autor tornar-se célebre por dominar bem um determinado estilo. O que não o impede de flertar com outros, não necessariamente demonstrando intimidade com eles. O que não é o caso de Denise Emmer. E isso é observado por Cyro de Mattos na orelha do livro. Após evocar os supracitados Veiga e Rubião, ele destaca o quão segura a escritora está no terreno do fantástico: “’O cavalo cantor e outros contos’ é um livro excelente. O seu realismo fantástico, de natureza poética, sobra na belíssima narrativa. É puro brilho de criatividade, rico nas imaginações que encantam”.

Se os contos são regidos pelo signo do fantástico, em relação aos temas, a autora mergulha fundo em questões que  acompanham – e afligem – a alma humana desde tempos imemoriais. “Denise percorre, com esmero, mundos diversos ligados à vida do homem”, atesta Álvaro Alves de Faria no seu prefácio, complementando em seguida: “um zelo quase sempre difícil de se encontrar na literatura brasileira atual”.

São questões como a morte, a falta de comunicabilidade entre os seres (pertinente nesses nossos tempos) e, claro, a solidão. Essa solidão, que, segundo Alves de Faria, “está impregnada em tudo e isso torna a linguagem muito mais apaixonante”. Se os personagens são desprovidos de nomes na sua grande maioria (as exceções são a anciã Alice e o cavalo que dá título ao livro, ora denominado Cinema, ora Morte), por outro lado, são personas plenas de idiossincrasias e características que fazem deles seres comoventes ou assombrosos. Em comum, todos únicos, como cada uma de suas tramas, elaboradas com maestria.

Mais sobre a autora:

Denise Emmer nasceu no Rio de Janeiro. É escritora e musicista. Estreou na Literatura com “Geração estrela”, em 1976, e desde então construiu uma carreira literária que abarca 15 livros de poesia e outros três em prosa (dois deles romances). É detentora de 11 prêmios literários, dentre os quais destacam-se o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), ganho em 1990; o Prêmio Internacional José Marti, da Unesco, pelo conjunto da sua obra; e dois deles concedidos pela ABL: Olavo Bilac (1991) e o ABL de Poesia (2009). Seu livro “Lampadário” foi editado no Brasil (7 Letras, 2008) e em Portugal (Chiado, 2018). Como musicista e cantora, gravou diversos CDs, dentre os quais “Cinco movimentos e um soneto”, no qual musicou e canta poemas de Ivan Junqueira.

Serviço:

Título: “O cavalo cantor e outros contos”
Autora: Denise Emmer
Editora: Espelho D’Alma
Lançamento: agosto de 2019
Formato:  14 X 21cm
Número de páginas: 96
Preço: R$30

Mais informações:
Christovam Chevalier Comunicação

(21) 9 9177-4761 ou christovam.chevalier@gmail.com


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quarta-feira, 12 de junho de 2019

CONTOS MÁGICOS – Cyro de Mattos

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Contos Mágicos
Cyro de Mattos

           Denise Emmer é compositora e violoncelista, ficcionista e poeta. Pensa o mundo pelo som quando usa a linguagem abstrata da música. Procede em instante mágico quando cria prosa de ficções breves. É ficcionista dotada de um caráter apurado do belo, que a faz possuidora de uma compulsão admirável para narrar o mundo. Escritora de linguagem fascinante, com a sua tendência em transfigurar, poetizar e gostar dos seres.  Escrever contos para essa autora de ritmo atraente é sua forma de “clarear o desalento, as angústias, os seres solitários”.  Construir inventos com os meios propícios à fatura harmoniosa de metáforas, ideias, cenas desconcertantes. Sua linguagem, que mora na asa do tempo, simboliza naufrágios, solidões, impulsos nas zonas suspensas do sonho.

        Em “O Primeiro Rei”, por exemplo, o personagem alude ao mundo como um resumo do sonho. Se tudo é essa ilusão, entre o viver e o morrer, saber sonhar é preciso. É o que deixa transparecer Denise Emmer, nas cenas que se inundam de poesia e música, de forças estranhas, configuradas em desencontros, ausente de explicação do inevitável, no lugar de um cenário humano com reflexo do todo ideal.

        Em “Escadaria de Pedras”, outro de seus contos com sabor de obra-prima, latejante  de dor e possibilidades difíceis,   à certa altura  o texto diz,  para  aliviar o conflito de que a mãe é portadora,  que se oferte  suas flores à noite, pois a ela restava encontrar “a velada beleza da morte.” Em “Sem Começo, Sem Meio, Sem Fim”, Ninguém é um ser de complexa forma e mente estranha. Um velho cansado dele mesmo, para ele “o dia não começa no dia. Se já é dia, com sol alto e galos vermelhos, também poderá ser noite.”

       Denise Emmer logra extrair fantasia da matéria obscura no mundo. Sua consciência lúcida sabe  que passam os invernos e os outonos como estações de solidão e mesmo as primaveras com flores pálidas e cantos pobres, “enquanto os verões afogam a criatura humana de tristeza.” Em “Ensaio Geral”, conto em que entra na tessitura da situação uma música feita de impetuosos sentimentos,  o  traje preto  iguala os componentes da orquestra a uma noite sem janelas. As melodias entrelaçam-se como contraponto de sonoridades ardorosas, e a grande música há de revelar as melhores criaturas, felizes, entre os acordes de ilusões. Em “O Cavalo Cantor”, tão lindo e raro, ele pode ser chamado por vários nomes, menos o de Morte.  Isso vai acontecer uma vez, assim que ele empinou bravio. Houve um voo súbito, com as estrelas puxadas para as suas patas. Livres, a viajante e seu cavalo estrelado galoparam para o eterno.


         No Brasil, o realismo mágico tem como valores maiores José J. Veiga e Murilo Rubião. Essa tendência ou estilo aparece agora nos contos de Denise Emmer.  O Cavalo Cantor e Outros Contos é um livro excelente. O seu realismo fantástico, de natureza poética, sobra na inventiva e narrativa belíssima. É puro brilho de criatividade, rico nas imaginações que encantam. Ergue-se da razão emotiva sem esforço, produz surpresas esplêndidas. Faz-se engenho e arte por boas mãos. 

*Cyro de Mattos é ficcionista, 
poeta e ensaísta.

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