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domingo, 23 de julho de 2017

DEUS, EU PRECISO DE SUA AJUDA! - Marília Benício dos Santos

Deus, eu preciso de sua ajuda!


- Márcio, você cai! Não corra, vou chamar sua mãe.

Márcio apesar das advertências da babá corria como um desesperado. Eu da varanda que dava para o jardim onde Márcio brincava, observava-lhe e dava risadas com as suas traquinadas.

Num dada momento, Márcio resolveu subir na goiabeira. Aí, realmente fiquei apreensiva. Ele tinha só cinco anos e disse-lhe de onde estava:

- Cuidado Márcio.

- Deixe comigo.
Lá em cima ele conseguiu tirar uma goiaba verde. A babá gritou:

-- Não coma goiaba verde. Vai lhe fazer mal.

Não sei se por que a babá falou ou porque não gostou da goiaba, resolveu jogá-la fora. Não foi uma coisa nem outra; é que a goiaba estava lhe atrapalhando, pois de lá de cima, continuava as suas travessuras passando de um galho para outro.

Numa dessas tentativas, o seu bracinho não conseguiu encontrar o outro galho e ele ficou pendurado só em um braço. Eu e a babá tomamos um susto. Foi naquele momento que ele sentindo o perigo, gritou:

- Deus, eu preciso de sua ajuda!

Na mesma hora ele conseguiu alcançar o outro galho e ficou a se balançar alguns segundos pendurado na goiabeira e em seguida pulou no chão e saiu correndo.

“Deus, eu preciso de sua ajuda”. Quantas lições as crianças nos dão. O grito de Márcio foi realmente uma oração. Durante a nossa vida vivemos tentando passar de um galho para outro. Sirvamo-nos das palavras de Márcio. “Deus, eu preciso de sua ajuda.”

Com certeza, ele virá ao nosso encontro.

(CARROSSEL)
Marília Benício dos Santos

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PREFÁCIO


Marília escreve como quem canta. Naturalmente.

Em sua prosa fluente e agradável sentimos a vida palpitando, mesmo nos acontecimentos mais triviais. Fragmentos do tempo, suas próprias vivências constituem seu tema predileto, o qual, sob uma aparência singela, representa, em última análise, um diálogo ininterrupto com Deus e com o mundo.

Não se pense, porém, que se trata de um livro religioso no sentido estrito da palavra. Em momento algum, a autora tenta provar o que quer que seja. No desdobrar de suas reflexões despontam os sentimentos mais intensos do seu coração e Marília possui aquela qualidade tão rara em nosso tempo e tão marcante dos autores místicos: a capacidade de transformar o seu dia a dia em busca constante de encontro entre a criatura e o Criador.

Lendo este livro, ou melhor, saboreando suas páginas, aos poucos nos apercebemos de que o trivial é, para Marília, o lugar próprio de encontro e de diálogo. Assim, ela nos prende e nos encanta desde o primeiro momento, precisamente pelo fato de que canta a vida, em suas alegrias e em suas tristezas, mas, sempre, na perspectiva feliz da esperança.


                                                                                                                         Lygia Costa Moog

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