E de repente alguém te empurra fazendo com que tu derrames
café por todo o lado.
- Por que tu derramaste o café?
- Porque alguém me empurrou!
- Resposta errada! Derramaste o café porque tu tinhas café
na xícara. Se tu tivesses chá terias derramado chá.
O que tiveres na xícara é o que vai se derramar.
Portanto...
Quando a vida te sacodir o que tiveres dentro de ti vais
derramar.
Tu podes ir pela vida fingindo que a tua caneca é cheia de
virtudes, mas quando a vida te empurrar, tu vais derramar o que na verdade
existir no teu interior.
Sempre sai a verdade à luz.
Então, terás que perguntar a si mesmo. O que há na minha
xícara?
Quando a vida ficar difícil... O que eu vou derramar?
Em outubro
de 2013, participei do XVI Encuentro de Poetas Iberoamericanos em Salamanca,
Cidade de Cultura e Saberes. Na oportunidade fiz lançamento de meu livro Onde
estou e sou/Donde Estoy y soy e dei depoimento na universidade sobre minhas
atividades literárias ao longo dos anos. Recitei poemas de minha autoria no
Liceu de Salamanca. Doei livros de minha autoria ao Centro de Estudos
Brasileiros, em ato que constou da programação do XVI Encuentro de Poetas
Iberoamericanos.
Amizade que
ficaria selada para sempre foi a que fiz com o poeta peruano-espanhol Alfredo
Pérez Alencart, o coordenador dos Encuentros, figura rara como construtor de
pontes entre os poetas ibero-americanos que comparecem ao evento, de
repercussão internacional. Professor da Universidade, esse incansável
disseminador de poesia é poeta de alto nível, traduzido e publicado em mais de
vinte idiomas. Um ser humano que veio a esse mundo para iluminar com a poesia a
parte noturna de que somos feitos. Tinha em Jaqueline, sua princesa, a mulher
ideal para acompanhar-lhe na aventura das letras.
Durante o
Encontro tive a oportunidade de saber que Salamanca foi no início uma aldeia na
colina, séculos sobre o rio Tormes inclinaram-se à arte e à sabedoria.
Testemunharam a passagem do tempo, na formação da paisagem lendária, váceos,
vetões, romanos, visigodos e muçulmanos. Uma vocação universitária ressoou na
maior tradição de esplendor monumental. Por sua beleza antiga e riqueza
histórica, o tempo foi justo ao fazer com que Salamanca ficasse conhecida como
a Cidade de Cultura e Saberes.
Ocorrem na
Plaza Mayor falares decorrentes de frequente convivência entre o alegre e o
triste, nisso que é esperança e incerteza em nossa caminhada na vida. Capítulos
assim ali escorrem da vida cidadã, muitas vozes de mim e de outros fazendo o
intercâmbio da natureza humana nesse antigo teatro da vida. Nas ruas iluminadas
pelo ouro da cultura e do saber não se pode deixar de pensar que nelas andaram
Fray Luiz de Léon, Unamuno, Francisco de Vitoria, Francisco de Salinas,
Cervantes, São João de La Cruz, Luís de Gôngora, Santa Teresa de Jesus, Lope de
Vega, Mateo Alemán, Vicente Espinel, Quevedo e Calderón de la Barca.
Essas ruas
cunhadas pelos gestos da sabedoria e santidade humanas. Refletidas por duas
extraordinárias catedrais. Antes que adentre na cidade, recebe ao visitante a
alma gêmea. Numa casa de guardiã memória, conchas representam a cidade por
vários rumos, decoram o mundo que estaciona para vê-la. Nas dobras do tempo,
Salamanca oferta encantos, inventa-se nessa crença de pedra, história e vasta
fé. Apresenta-se sempre como um desafio, um mito, uma abertura, um enigma. De
sentidos múltiplos, memórias que nela achamos.
Na fachada
de casas e igrejas e edifícios basta para entender que estamos na história.
Caminhar é a forma de descobrir segredos de quem também sabe ser contemporânea
e jovem com estudantes de tantos lugares misturados na face agitada. Quando a
noite cai, luzes enchem a parte noturna, lugares em que o coração aprende que o
amor se faz amando o mito, que se apodera da alma.
Ó Salamanca, aqui o que vejo na fachada faz-nos ser da
história. Essa luz que de ti se espraia a todo instante vem de teu chão para
erguer os saberes seculares nos beirais floridos.
Cyro de Mattos - escritor e poeta. Primeiro
Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo
da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de
Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil,
Portugal, Itália e México.
A Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz,
acaba de publicar a antologia Nome de Mulher, organizada por Gerana Damulakis,
reunindo dezessete contistas baianos, dos mais expressivos e, entre eles, os escritores
Cyro de Mattos, que participa do volume com a história “Laura Palmer”, e Hélio
Pólvora com “Afonsina Desaparecida”. Os outros contistas da antologia são estes:Mayrant Gallo, Marcus Vinicius Rodrigues,
Aleilton Fonseca, Maria da Conceição Paranhos, Carlos Barbosa, Adelice Souza,
Ruy Espinheira Filho, Allex Leila, Aramis Ribeiro Costa, Gláucia Lemos, Carlos
Ribeiro, Myriam Fraga, Ricardo Cruz, Flamarion Silva e Lima trindade.
Segundo Gerana Damulakis, “para organizar uma antologia que
cumpra meu desejo de reunir texto com títulos que trouxessem um nome de mulher,
tais textos devem ser contos. Aqui estão eles, arrumados por ordem alfabética
dos títulos com nomes femininos e consequentemente trazendo personagens criadas
de acordo com o imaginário de cada escritor, pois, é óbvio, as histórias
evidenciam vertentes diversas e abordagens várias em relação às mulheres que as
protagonizam.”
Além de ensaísta, com vários títulos no gênero ensaio, Gerana
Damulakis é membro da Academia de Letras da Bahia.
Foi um dia muito triste para o Chile e para todos nós.
O candidato de extrema-esquerda, Gabriel Boric, venceu as eleições
presidenciais. Meus pêsames aos chilenos que ainda prezam os valores da
civilização.
Essa vitória comunista se deveu tanto à moleza dos chilenos
centristas, que não quiseram votar no candidato de direita, José Antonio Kast,
quanto ao clero progressista, velho companheiro de viagem do comunismo. Agora,
aguentem as consequências…
Esse triunfo esquerdista nos remete à vitória do marxista
Salvador Allende em 1970 com o apoio da URSS, quando o Chile viveu os três
piores anos de sua história, afundado na mais tenebrosa miséria moral e
material.
Remete-nos também a uma memorável campanha da TFP brasileira
e de outros países. Em 50 cidades do Brasil o público viu erguerem-se seus
estandartes rubros com o leão dourado, e ouviu os slogans de sua
campanha: “Leiam nosso manifesto: Pastores entregaram o Chile ao
lobo vermelho!” — “Plinio Corrêa de Oliveira denuncia trama progressista no
Chile!”
Em Belo Horizonte, então a terceira cidade mais populosa do
Brasil, sócios e militantes da TFP organizaram um desfile encabeçado por um
estandarte enlutado, de 12 metros de altura, e por uma grande faixa com os
seguintes dizeres: “Pelo Chile, país irmão, luto, luta e
oração” [foto].
Que o atual desastre chileno sirva de alerta a nós
brasileiros, para agirmos enquanto é tempo a fim de evitar que nas eleições presidenciais
de outubro de 2022 os propugnadores das velhas ideias comunistas prevaleçam
como no Chile, conduzindo-nos à trágica situação de Cuba e da Venezuela.
Este ano, o discurso da soberana britânica foi a mais doce
declaração de amor por seu falecido marido
Muitos britânicos pararam para assistir ao discurso anual de
Natal da rainha Elizabeth 2ª. Estavam curiosos para saber como ela se dirigiria
aos súditos no ano em que ela enfrentou a morte de seu amado marido Philip
por Covid-19.
Apesar do ano difícil, a soberana britânica apareceu em um
vermelho festivo e com o broche de safira que ela costumava usar nos
momentos-chave de sua vida com o príncipe Philip. No entanto, embora
certamente estivesse vestida para a ocasião, parecia um pouco abatida e mais
vulnerável.
No discurso, Elizabeth 2ª revelou um lado dela que
muitos não conheciam. Além disso, recorreu à sua fé e usou suas experiências
recentes para tentar inspirar outras pessoas neste novo ano.
Uma esposa orgulhosa e amorosa
De fato, o discurso de Natal deste ano foi uma declaração
pessoal de amor da rainha por seu falecido marido. Elizabeth abordou sua
própria dor de perder seu “amado Philip”, destacando como é difícil enfrentar o
Natal depois de perder um ente querido.
Ela também falou sobre algumas das coisas que ela mais
apreciava em seu marido: “seu senso de dever, sua curiosidade intelectual e a
capacidade de tirar graça de qualquer situação eram irreprimíveis”, disse.
A soberana ainda acrescentou: “Aquele travesso e
questionador brilho era tão forte no final e no primeiro dia que eu olhei para
ele”.
ALBANI | ALBANI
O conforto da família
No entanto, apesar de sua perda dolorosa, a rainha falou das
pequenas alegrias que o período de Natal traz. Ela lembrou daquelas
tradições familiares que trazem grande conforto: “um cântico de Natal, desde
que a melodia seja conhecida” e “um filme preferido que já sabemos o final”.
De fato, é exatamente essa sensação de familiaridade que
traz tanta segurança em um mundo que parece incerto. O Natal pode fornecer
um pouco de descanso para nos concentrarmos no que realmente importa.
Esperança
Boa parte do discurso da rainha foi dedicada ao tema “esperança”
– algo que não tem sido tão fácil com a pandemia e as dificuldades financeiras,
práticas e emocionais que se seguiram para muitas famílias.
Como ela afirma, seu falecido marido estava interessado em
“passar o bastão”, criando oportunidades para os mais jovens através
do programa
de desenvolvimento que ele criou.
O Natal conversa com a criança dentro de todos nós
Por fim, a rainha falou sobre o significado do Natal e,
embora seja uma celebração tantas vezes dedicada às crianças, é importante
lembrar que a data pode “falar à criança dentro de todos nós”.
Como a rainha Elizabeth destacou: “Mesmo com uma risada
familiar faltando este ano, haverá alegria no Natal, pois teremos a chance de
relembrar e ver novamente a maravilha da época festiva através dos olhos de
nossos filhos pequenos.”
E é olhando para outra criança, o Menino Jesus, que podemos
ter entusiasmo pelo que está por vir:
“Que no nascimento de uma criança haja um novo amanhecer com
potencial infinito(…) Acontecimentos simples que constituem o ponto de partida
da vida de Jesus, um homem cujos ensinamentos foram transmitidos de geração em
geração e têm sido o alicerce da minha fé. Seu nascimento marcou um novo
começo. Como diz a canção de Natal: ‘As esperanças e medos de todos os
anos se encontraram em ti nesta noite.’”
Portanto, à medida que o tempo do Natal continua, esperemos
ansiosamente por este “potencial infinito” que nos foi dado com o nascimento de
Cristo.
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das
horas.
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Mário Quintana
Poeta
Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e
jornalista brasileiro. Mário Quintana fez as primeiras letras em sua cidade
natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Militar,
publicando ali suas primeiras produções literárias. Trabalhou para a Editora
Globo e depois na farmácia paterna. Wikipédia