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quinta-feira, 16 de setembro de 2021



CURIOSIDADES SOBRE A SUPREMA CORTE DOS ESTADOS UNIDOS, A MAIS RICA E PODEROSA DEMOCRACIA DO MUNDO

Plinio Arabá Vieira Lins

 

         -Tem apenas 9 ministros, todos com mandato vitalício e escolhidos pelo Chefe da Nação;

          - Cada ministro tem direito a apenas 4 (quatro) assessores, estes com contratos de 2 anos, no máximo;

          - Só o presidente da Corte. (escolhido pela maioria) tem direito a carro com motorista. Os demais dirigem e custeiam seus próprios carros e têm direito apenas a uma vaga no estacionamento do Tribunal;

          - Não há restaurante privativo no prédio, mas sim comunitário e cada um arca com sua própria despesa;

          - Recebem um ótimo salário, algo em torno de US$ 23.000/mês, mas sem qualquer outro adicional. Não existem subsídios, tipo auxílio moradia, alimentação, milhas de viagens, paletó, funeral, anuênios, quinquênios, etc.

Outras características:

          - É um Tribunal do tipo Apelação, cujas duas competências são: 1) Apreciação de recursos que questionam decisões dos Tribunais Federais e Estaduais; 2) Fiscalização da constitucionalidade das leis. Somente isso, ou seja, jamais serão chamados a decidir quem ficará com o gato da casa na separação de um casal;

          - Não há transmissão ao vivo das sessões. Houve apenas uma exceção, via áudio, por ocasião da implantação das restrições em decorrência da pandemia do Corona Vírus.

Como decidem:

          - Reúnem-se numa sala fechada, debatem entre si e um dos ministros da parte majoritária dos votos é selecionado para anunciar o resultado. Discretíssimo, raramente dão entrevistas e jamais opinam sobre temas que possam subir à exame pelo Tribunal.

          - A Constituição que juram guardar e defender tem apenas 7 artigos e 23 emendas, apesar de ser a segunda em vigor mais antiga do mundo, com 234 anos de existência. A nossa Carta Magna, com 33 anos de existência, tem 245 artigos, mais de 1,6 mil dispositivos, 116 reformas, sendo 108 emendas constitucionais!!!

          - A maioria da população dos EUA não sabe seus nomes, mas confia cegamente na instituição por saber que lá estão para manter o justo equilíbrio entre direitos e deveres de todos os cidadãos. São homens e mulheres que não se julgam deuses, não acusam, não investigam e não se afastam uma vírgula sequer do texto constitucional. Apenas julgam, sempre com base nos fatos e nas provas e não em suas ideologias ou em razão dos nomes envolvidos. Talvez isso explique ser impossível achar-se brechas para soltar políticos e empresários corruptos, ladrões e traficantes.

          - Não se tem, jamais se teve, conhecimento de um juiz da Suprema Corte americana tentar influenciar e/ou limitar decisões dos demais poderes da República e provavelmente seria taxado de louco aquele (s) que acusasse(m) publicamente o presidente dos EUA de torturador, genocida, homofóbico, fascista ou nazista. Esses juízes sabem que estão lá exclusivamente para servir a Nação e não para se servirem dela. Que é uma HONRA e não favor; ORGULHO e não sacrifício, servir seu povo. Enfim, sabem que devem ser EXEMPLO, por isso sua segunda maior recompensa é a do dever cumprido. A primeira é a certeza de que podem sair à rua sem guarda-costas, viajar de metrô ou avião de carreira e ir à praia ou ao parquinho com os netos, sem ouvir vaias e xingamentos.

 

https://www.facebook.com/plinioaraba

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quarta-feira, 15 de setembro de 2021

O ALIENISTA CAP. IX – Machado de Assis


Dois Lindos Casos


Não se demorou o alienista em receber o barbeiro; declarou-lhe que não tinha meios de resistir, e, portanto, estava prestes a obedecer. Só uma coisa pedia, é que o não constrangesse a assistir pessoalmente à destruição da Casa Verde.

— Engana-se Vossa Senhoria, disse o barbeiro depois de alguma pausa, engana-se em atribuir ao governo intenções vandálicas. Com razão ou sem ela, a opinião crê que a maior parte dos doidos ali metidos estão em seu perfeito juízo, mas o governo reconhece que a questão é puramente científica e não cogita em resolver com posturas as questões científicas.. Demais, a Casa Verde é uma instituição pública; tal a aceitamos das mãos da Câmara dissolvida. Há, entretanto, — por força que há de haver um alvitre intermédio que restitua o sossego ao espírito público.

O alienista mal podia dissimular o assombro; confessou que esperava outra coisa, o arrasamento do hospício, a prisão dele, o desterro, tudo, menos... 

— O pasmo de Vossa Senhoria, atalhou gravemente o barbeiro, vem de não atender à grave responsabilidade do governo. O povo, tomado de uma cega piedade que lhe dá em tal caso legitima indignação, pode exigir do governo certa ordem de atos; mas este, com a responsabilidade que lhe incumbe, não os deve praticar, ao menos integralmente, e tal é a nossa situação. A generosa revolução que ontem derrubou uma Câmara vilipendiada e corrupta, pediu em altos brados o arrasamento da Casa Verde; mas pode entrar no ânimo do governo eliminar a loucura? Não. E se o governo não a pode eliminar, está ao menos apto para discriminá-la, reconhecê-la? Também não; é matéria de ciência. Logo, em assunto tão melindroso, o governo não pode, não deve, não quer dispensar o concurso de Vossa Senhoria. O que lhe pede é que de certa maneira demos alguma satisfação ao povo. Unamo-nos, e o povo saberá obedecer. Um dos alvitres aceitáveis, se Vossa Senhoria não indicar outro, seria fazer retirar da Casa Verde aqueles enfermos que estiverem quase curados e bem assim os maníacos de pouca monta, etc. Desse modo, sem grande perigo, mostraremos alguma tolerância e benignidade.

— Quantos mortos e feridos houve ontem no conflito? perguntou Simão Bacamarte depois de uns três minutos.

O barbeiro ficou espantado da pergunta, mas respondeu logo que onze mortos e vinte e cinco feridos.

— Onze mortos e vinte e cinco feridos! repetiu duas ou três vezes o alienista.

E em seguida declarou que o alvitre lhe não parecia bom, mas que ele ia catar algum outro, e dentro de poucos dias lhe daria resposta. E fez-lhe várias perguntas acerca dos sucessos da véspera, ataque, defesa, adesão dos dragões, resistência da Câmara etc., ao que o barbeiro ia respondendo com grande abundância, insistindo principalmente no descrédito em que a Câmara caíra. O barbeiro confessou que o novo governo não tinha ainda por si a confiança dos principais da vila, mas o alienista podia fazer muito nesse ponto. O governo, concluiu o barbeiro, folgaria se pudesse contar, não já com a simpatia senão com a benevolência do mais alto espírito de Itaguaí, e seguramente do reino. Mas nada disso alterava a nobre e austera fisionomia daquele grande homem, que ouvia calado, sem desvanecimento nem modéstia, mas impassível como um deus de pedra.

— Onze mortos e vinte e cinco feridos, repetiu o alienista depois de acompanhar o barbeiro até a porta. Eis aí dois lindos casos de doença cerebral. Os sintomas de duplicidade e descaramento deste barbeiro são positivos. Quanto à toleima dos que o aclamaram não é preciso outra prova além dos onze mortos e vinte e cinco feridos.

— Dois lindos casos!

— Viva o ilustre Porfírio! bradaram umas trinta pessoas que aguardavam o barbeiro à porta.

O alienista espiou pela janela e ainda ouviu este resto de uma pequena fala do barbeiro às trinta pessoas que o aclamavam: —

... porque eu velo, podeis estar certos disso, eu velo pela execução das vontades do povo. Confiai em mim; e tudo se fará pela melhor maneira. Só vos recomendo ordem. E ordem, meus amigos, é a base do governo...

— Viva o ilustre Porfírio! bradaram as trinta vozes, agitando os chapéus.

— Dois lindos casos! murmurou o alienista.

 


Fonte: 

MINISTÉRIO DA CULTURA

Fundação Biblioteca Nacional

Departamento Nacional do Livro

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Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras.

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CYRO DE MATTOS, POEMAS DE TERREIRO E ORIXÁS*

                        Por Gildeci de Oliveira Leite**

 

          Degusto em uma qualificada barraca “Abará, acarajé/ adum, ajabô/ lelê, amalá/ arroz de hauçá/ caruru, vatapá/ xinxim de galinha/ aberém, acaçá/ bobó de camarão/ e ainda mungunzá.” Para produzir essas e outras especiarias, o chefe de cozinha precisa conhecer Palmares “ritmo da liberdade/ batuque da igualdade, manual de fraternidade”. Comidas assim, feitas de dendê e cereais, alimentam a alma e fazem a juventude saber que “Jesse Owens ganha de Hitler/ nas olimpíadas da Alemanha”, que Lima Barreto, Martin Luther King, Zumbi e Pelé possuem o “gingado, rebolado, a batida, / o canto. O riso escancarado/ na passarela da Sapucaí.” Eu bem sei como a felicidade vinda do axé incomoda!

          Quando visitarem essa Barraca de “Poemas de Terreiro e Orixás”, saberão que há dois grandes tabuleiros diversos e coesos: um negro bazar. Lá se enaltece a “Abolição”, denuncia o “Pelourinho” e a “Escravidão”, lembra-se de ícones nossos como “Preto Domingos”, “Mestre Bimba”, “Severina Nigeriana”, “Negrinha Benedita”, “Rainha Menininha”, “Mãe Stella de Oxóssi”, Besouro, Samuel Querido de Deus, Algemiro Olho de Pombo, Feliciano Bigode de Seda, Pedro Porreta, Sete Mortes, Pastinha e Bimba. A leitura é uma delícia, pois os tabuleiros são fartos, de elevado nível, possuem visgo de jaca encantado, grudam de forma agradável desde a primeira palavra, é “Preceito, respeito”, diz de um jeito “Se for de paz, / venha cá, / vamos conversar com os orixás.”

          Nos tabuleiros, há diversão e aprendizado, há sorriso e contestação, um chama-se “Poemas de Terreiro” e o outro “Poemas de Orixás”. A respeito do primeiro, passei umas dicas sobre as delícias, que podem ser encontradas. Já no tabuleiro, “Poemas de Orixás”, a poesia bela e didática diz que orixá “Ouve a queixa, / aconselha. Dá remédio, / concede graça. Abre caminhos / desfaz quizila. Rumo que clareia todas as tormentas”. Com Cyro de Mattos é possível ouvir poesia, abrir imagens em nossa cabeças, saber sobre Exu, Ogum, Xangô, Oxóssi, Oxum, Iemanjá, Iansã, Oxalá, Boiadeiro, Vovó Maria Conga, Iroko, Nanã e outros encantados.

          Cá entre nós, o grande escritor e vivo ancestral Cyro de Mattos é um bom e agradável matreiro. Em dois grandes tabuleiros de um único livro, o poeta oferece ao leitor um valioso patrimônio poético, trazendo aos mais curiosos e/ou didaticamente comprometidos, um glossário com os ícones citados e com nossas afro-brasilidades. Assim, o livro com seus tabuleiros, se apresenta como obra de arte que é acompanhada de suporte aos que desconhecem aspectos de nossa cultura. Sugiro o livro de Cyro de Mattos para o deleite, a fruição, para compromissos com a diversidade e com a cultura negra, para “cantar o canto negro com todas as notas.”. 

(Transcrito de “A Tarde”, 5.9.2021)

 

* “Poemas de Terreiro e Orixás”, Cyro de Mattos, Edições Mazza, Belo Horizonte, 2019.

** Gildeci de Oliveira Leite, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, professor do PPGELS/MPEJA — UNEB.

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terça-feira, 14 de setembro de 2021


DOIDO BOLSONARO!

 Artigo de Jimi Scarparo*

 

Qualquer um que goze de mínimo bom senso e que acompanha os passos desse presidente aí eleito, se choca com frases descabidas, atitudes “inapropriadas” para um líder de nação e certamente em algum momento pensou: será que votei certo?

Acho que também gozo de uma inteligência mediana, mas também não sou político. Daí me pergunto se, ele sendo político há mais de 30 anos, tudo que fala ou faz não compõe parte de sua estratégia recorrente de ludibriar aqueles que querem sua queda: bastou subir numa caminhonete, falar meia dúzias de palavras de duplo sentido e pronto, ninguém fala mais do ministro despedido.

Que homem louco, querendo avançar politicamente, peitaria a não tão mais poderosa REDE GLOBO? E o que colhe com isso? Ataques das 7 as 23 horas diariamente, com toda sorte de manipulação, distorção e mentiras para culpar o presidente pelos infortúnios do país, até mesmo um vírus. Não seria mais fácil cala-los com umas propagandas governamentais superfaturadas no seu canal? Não, manda seus jornalistas pastarem o lixo que produzem. Que doido esse Bolsonaro?

Se não bastasse essa insanidade, ele vai além. Resolveu peitar todo o mecanismo, o sistema apodrecido e corrupto, o tal presidencialismo de coalizão, o stablishment, o modus operandi de décadas comprando tudo e todos, sugando vampirescamente o sangue dos brasileiros. E não é que esse insano quebrou muitos tentáculos desse monstro, composto por um conluio entre legislativo, mídia e judiciário. Estancou a hemorragia, não aceitando o tal “diálogo” tão defendido pelo não-brasileiro presidente da câmara.

O que ouvimos e vemos é um mecanismo se contorcendo como que prevendo sua morte, agonizando em sua impotência: Derrota do governo no Congresso; Rodrigo Maia critica o Presidente; Alcolumbre ameaça o Presidente; Ministro do STF decide contra o Governo; Governadores repudiam Bolsonaro; Ministério Público Federal aciona contra decisão do Governo. Agonizam! Que coisa louca esse Bolsonaro fez.

E armam na calada da noite, se reúnem aqui e ali, quase loucos para derrubar o louco, mas nada parece funcionar bem. Já dizia Santo Agostinho: É quase impossível ofender um homem totalmente honesto. 

Era de se esperar, após ter formado a segunda maior bancada do congresso pelo PSL, seu partido de eleição, que se mantivesse lá, mas sai por que percebe manipulação dos 400 milhões do fundo eleitoral que o partido vai receber. Agora temos um presidente sem partido. Que doido um presidente sem partido abrir mão de tão forte recurso para sua reeleição, como que dizendo: meu partido é o Brasil!

Como um polo repelente da energia oposta, os infiltrados também foram se revelando e vazando: Dória, Witzel, Moisés, Pepa, Bebiano, Mandetta, Frota... a lista é grande. De novo, incompreensível isso, salvo pela sede precoce de poder deles, não permanecerem do lado daquele que praticamente os elegeram: o doido do Bolsonaro.

Por fim, esse doido não respeita a barulhenta e maquiavélica esquerdopatia, bem representados por artistas decadentes, os ELENÃO, petralhas e toda legião de demônios que preferem um presidente multiplamente condenado a um doido como o Bolsonaro.

O doido consegue fazer abortistas pedirem respeito à vida durante uma epidemia. Essa esquerdopatia é a que mais sofre em sua impotência. Esperneiam, gritam, torcem pelo vírus, quebram panelas, defendem perda de direitos para prejudicarem quem? O doido do Bolsonaro.

Deus deve gostar de doidos... Ele faz muitos, inclusive esse que vos escreve... Deus poderia mandar mais doidos para ocupar a presidência da câmara e do senado, 11 doidos para o STF, 27 doidos para governar os estados e milhares de doidos para as prefeituras do Brasil. Não seria doido isso?

O que é mais doido nesse paradoxo é que vivemos elegendo pessoas normais em vez de doidos, para sermos insistentemente roubados pelos “normais”. Somos ou não somos doidos?

Então, que elejamos doidos daqui para frente.

PS. Sou doido por Bolsonaro! Se um dia provarem que ele roubou, volto a ser normal, e escolho outro doido até que provem que o outro doido roubou, aí volto a ser normal novamente até acertar no doido certo.

 https://vindodospampasoretorno.blogspot.com/2020/04/doido-bolsonaro-artigo-de-jimi-scarparo.html



*Jimi Scarparo
médico endoscopista, gastroenterologista e cirurgião do aparelho digestivo com foco no tratamento da obesidade. Membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Diretor clínico e responsável técnico pela Clínica Scarparo Scopia. Coordenador médico do centro de treinamento avançado em endoscopia digestiva do Hospital Ipiranga. Médico assistente no Hospital 9 de Julho e Albert Einstein.


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domingo, 12 de setembro de 2021

Os Ventos Gemedores - Escritor Cyro de Mattos Prêmio Nacional de Ficção Pen Club do Brasil Editora Letra Selvagem

PALAVRA DA SALVAÇÃO (241)

 


24º Domingo do Tempo Comum – 12/09/2021

Anúncio do Evangelho (Mc 8,27-35)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesareia de Filipe. No caminho perguntou aos discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?”

Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas”. Então ele perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Messias”.

Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito. Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias.

Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: “Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”.

Então chamou a multidão com seus discípulos e disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:



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Seguir Jesus é esvaziar o próprio 'ego'

 

Imagem: pexels.com

“...quem perder sua vida por causa de mim e do Evangelho, salva-la-á” (Mc 8,35) 

 

O relato deste domingo (24o domingo do Tempo comum) ocupa um lugar central e decisivo no evangelho de Marcos. Jesus sempre teve uma presença original e instigante no contexto social e religioso de seu tempo; sua atuação provocava diferentes reações e ninguém podia ficar “indiferente” diante do seu modo de ser e viver.

D’Ele se diziam muitas coisas contraditórias: que estava “fora de si” (Mc 3,21), que era um endemoninhado (Mc 3,22), que era um “comilão e beberrão” (Lc 7,34), “amigo dos pecadores” (Mt 11,19) e “blasfemo” (Mc 2,7), um impostor (Mt 27,62), o profeta esperado, o mestre que ensinava doutrinas que poderiam provocar uma rebelião (Lc 23,1), que era o “filho do Deus vivo”...

Até que um dia, longe do seu ambiente, longe do lago e de Jerusalém, em Cesaréia de Filipe, Jesus fez aos discípulos perguntas decisivas, que são aquelas do “meio do caminho”, perguntas adultas.

Os discípulos já levavam um bom tempo convivendo com Jesus; não estavam mais no entusiasmo inicial: viram e viveram o suficiente para dar uma resposta que não dependia daquilo que os outros diziam a respeito da identidade de Jesus. “E vós quem dizeis que eu sou?”

Chegou o momento em que eles deverão se situar diante da pergunta decisiva e que exige de todos uma tomada de posição, um ato de fé. Perceberam que a pergunta do “meio do caminho” impele-os a ir mais longe, a sondar o mistério profundo, não só da identidade de Jesus, mas da identidade de cada um. Sentiram que a resposta a ser dada a esta altura do seguimento devia iluminar o que lhes faltava percorrer, devia marcar a vida com o selo da entrega: a quem estão seguindo? Que é o que descobrem em Jesus? Que impactos causam em suas vidas a mensagem e o projeto do Mestre da Galiléia? 

Desde o momento em que se deixaram impactar pelo primeiro chamado, os discípulos vivem interrogando-se sobre a identidade de Jesus. O que mais lhes surpreende é a autoridade com que fala, a força com que cura os enfermos, o amor com que oferece o perdão de Deus aos pecadores, a liberdade diante da religião e da tradição do seu povo... Quem é este homem tão diferente e tão original?

Os Evangelhos anunciam que o modo de Jesus viver -  suas atitudes, seus gestos, suas palavras – revelava uma nova visão das coisas, um novo ponto de partida, uma nova ordem, um novo projeto. Jesus era livre e essa liberdade nos fascina até hoje.

Jesus encarnou-se num mundo fechado, dividido, conflituoso... Fez-se presente no mundo da dor: enfermos, pobres, pecadores... e a partir daí propôs um novo movimento de humanização.

Jesus vivia a partir de um sonho primordial: o Reino. A riqueza original desse sonho primordial não se “encaixava” nos esquemas dos fariseus ou saduceus, essênios ou zelotes, nem se deixava instrumentalizar pela instituição do Templo ou sinagoga.

Diante do seu modo original de viver, Jesus quer verificar a real motivação dos seus discípulos. “E vós, quem dizeis que eu sou?” Não basta que entre eles haja opiniões diferentes mais ou menos acertadas. É fundamental que aqueles que se comprometeram com sua causa, reconheçam o “mistério” que se revela na vida d’Ele. Se não for assim, quem manterá viva sua mensagem? Que será de seu projeto do Reino de Deus? Em que terminará aquele grupo que se associou a um movimento de vida, desencadeado pelo mesmo Jesus? 

O horizonte de todo ser humano é precisamente a vida e a plenitude. Isso é o que todos, sabendo ou não, buscamos. E o buscamos em tudo o que fazemos e em tudo o que deixamos de fazer. Como acertar?

Jesus oferece uma resposta carregada de sabedoria, na linha daquela que foi dada por todos os mestres e mestras espirituais: para caminhar na direção da vida, é necessário “desapegar-se” do ego.

“Renunciar a si mesmo”: não se trata de negar o que somos, mas o que pretendemos ser e não somos.

Este esvaziamento não significa nossa anulação enquanto “pessoas”, mas nossa potenciação. Na medida em que os aspectos que nos limitam diminuem, aumenta o que há em nós de plenitude. Só há seguimento de Jesus quando se dá um processo permanente de esvaziamento do ego para viver a entrega aos outros.

Só uma pessoa esvaziada de seu ego pode transformar-se e transformar a realidade.

“Renunciar a si mesmo” supõe renunciar toda ambição pessoal. O individualismo, o egoísmo, não tem lugar na vida de Jesus e daquele(a) que busca segui-lo.

“Carregar a cruz” também não significa buscar a dor e nem negar a vida. As palavras de Jesus não são uma exaltação do sofrimento, mas expressam uma grande sabedoria: buscam “despertar” seus seguidores diante das consequências frente ao compromisso com a vida. “Cruz”, no seu sentido original significa “prontidão, estar de pé, preparado, mobilizado, ser fiel até o fim...”. Essa é a Cruz assumida por Jesus e essa também deve ser a cruz de quem entra no Caminho de Vida. Só essa Cruz é salvífica. 

Como evitar que o nosso ego nos domine e determine nossa vida? O primeiro passo será desvela-lo e desmascará-lo com todas as suas maquinações e dubiedades.

Nós, seres humanos, somos uma realidade contraditória: experimentamos em nosso interior como que uma “dupla identidade”: por um lado, a identidade individual (o ego) e por outro a identidade profunda (transpessoal), que constitui nosso verdadeiro ser.

Na realidade, o ego não é o meu verdadeiro eu, não sou eu. É uma falsa imagem de mim. É a ilusão de que eu sou um indivíduo separado, independente, isolado e autônomo. Essa ilusão me distancia da comunhão com os outros e com a Criação, nega que faço efetivamente parte de um universo imenso, em que tudo é interdependente e está intimamente ligado entre si. O ego exacerbado quer controlar o seu mundo: pessoas, acontecimentos e natureza. Daí a obsessão pelo poder e pelo domínio.

Sabemos que todas as divisões, conflitos e rivalidades entres os seres humanos provém da ilusão do ego que quer se impor sobre os outros. 

Só na identificação com Jesus vamos afastando as cinzas e reacendendo nosso verdadeiro eu, oblativo, aberto, expansivo... No encontro com a identidade de Jesus descobrimos nossa verdadeira identidade. Quando descobrimos a “boa notícia” (=evangelho) de quem somos, seremos capazes de esvaziar a identificação com o ego e deixar-nos de viver para ele. O anúncio do evangelho (boa-notícia) começa pelo nosso interior, levando luz para estabelecer o “cosmos” em meio ao caos dos conflitos ali presentes.

O nosso verdadeiro eu está enterrado por baixo do nosso ego ou falso eu. Segundo a afirmação de Jesus, a pessoa cresce e se enriquece na entrega e na desapropriação. Podemos parafrasear as palavras de Jesus deste modo: “aquele que quer salvar seu ego, perde a vida; mas aquele que deixa de se identificar com seu ego, vive em plenitude”.

O Evangelho nos convida, mais uma vez, a alargar o círculo de nossa interioridade, a olhar para fora, a descentrar-nos para encontrar o outro, a Deus, e, provavelmente, por esse caminho, também o olhar mais autêntico e completo sobre a nossa própria vida.

O modo mais simples de traduzir isso parece ser este: “deixa de viver para teu eu estreito”, “não gira em torno ao teu ego, porque esse modo de vida te aprisionará cada vez mais, e tua vida será vazia e estéril”.

Trata-se de um apelo a ir mais além do ego e descobrir nossa verdadeira identidade, aquela “identidade compartilhada”, na qual o próprio Jesus se encontrava. 

Texto bíblico:  Mc 8,27-35 

Na oração: Como a Lua, todos nós também temos nosso “lado oculto”: há sempre dimensões da vida que procuramos mantê-las escondidas dos outros: feridas, fragilidades, sentimentos dissimulados, desejos camuflados, limitações disfarçadas, pobrezas mascaradas...

Deus também conhece este lado oculto e o olha com compaixão. A oração é a ocasião privilegiada para revisitar, a partir de Deus, esse lado oculto, desvelá-lo e integrá-lo, para que nossa verdadeira identidade se manifeste.

- Dê nomes ao seu “lado oculto”: como você reage diante dele? Como torná-lo companheiro de estrada?


Pe. Adroaldo Palaoro sj

09.09.2021

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2403-seguir-jesus-e-esvaziar-o-proprio-ego

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DERRAME DE DOR , por Cyro de Mattos

      


                    Derrame de Dor

                     Cyro de Mattos*

 

                  

                     Em memória dos que morreram

                     no ataque terrorista às Torres Gêmeas

                     de Nova York, em 11/09/2001.

 


Ceifados os sonhos pela fúria do insano matador,

Dor e tristeza soluçam pelos que morrem sem defesa.

Tantos e nada podem fazer para provar a inocência.

Nessas duas torres da agonia. Nesse trágico voo cego

Partilhado com o pânico. Por mais que eu saiba 

Os dias errantes e nefastos de duas guerras mundiais

Que se instalam com horror no inferno de nós mesmos.

Sinto de novo Guernica, Pearl Harbor, Hiroshima.

O quanto sou nos escombros. Todo esse peso terrestre

Levo nos ombros diluvianos. Inclino-me sem limites. 

Escrevo-me às avessas deslocando sem dó e lágrima

A eterna aurora para o mais profundo dos abismos.

Ó peleja de traumas. Arde sem trégua. Vaza gritos

Que ferem. Sufoca-me no terror do outro e o mundo.

Os ritmos latejam a manhã sem sol nas algemas do ego. 

Habito este som e não entendo. Este modo feito medo.

Os gemidos da noite. O embate da fúria repetindo negações. 

Contra o amor e o riso. Como dói. Como dói tudo isso.

 

*Cyro de Mattos é escritor e poeta, premiado no Brasil e exterior.

Autor de mais de 50 livros pessoais. É também editado em Portugal, Itália, França,  Alemanha, Espanha, Dinamarca, Rússia e Estados Unidos.


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