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sábado, 21 de novembro de 2020

FRADE NOMEADO CARDEAL PEDIU PARA NÃO SER ORDENADO BISPO


© ofmcap.org

 em 20/11/20

Frei Raniero Cantalamessa explicou os motivos que o levaram a pedir a dispensa e manifestou que deseja morrer usando o seu hábito franciscano

Frade nomeado cardeal pediu para não ser ordenado bispo: trata-se do frei capuchinho Raniero Cantalamessa, de 86 anos, pregador da Casa Pontifícia. Ele foi escolhido entre os 13 novos cardeais a serem criados pelo Papa Francisco neste próximo dia 28 de novembro.

Não é obrigatório ser bispo para ser cardeal, mas é a prática mais comum. Por isso, aqueles que Francisco nomeou para o cardinalato e que ainda não são bispos receberiam a ordem episcopal. O frei Cantalamessa, porém, pediu dispensa dessa ordenação.

“Já que existe essa possibilidade, pedi ao Santo Padre a dispensa da ordenação episcopal. A função do bispo, como diz o título do meu recente livro de exercícios espirituais para bispos, é ser pastor e pescador. Na minha idade, há muito pouco que eu possa fazer como pastor; por outro lado, o que poderia fazer como pescador eu posso continuar fazendo mediante o anúncio da Palavra de Deus”.

O frade manifestou ainda que deseja morrer usando o seu hábito franciscano, o que “dificilmente me seria permitido se eu fosse bispo”.

Em outubro, quando o Papa o anunciou entre os futuros novos cardeais, o frei Raniero declarou, segundo o Vatican News:

“O cardinalato será outro modo de estar perto do Papa e apoiá-lo com a oração e a palavra. Vejo a nomeação como um reconhecimento da importância da Palavra de Deus, mais do que da minha própria pessoa, já que o meu serviço à Igreja tem sido e continuará sendo, por desejo expresso do Santo Padre, praticamente só proclamar a Palavra a partir da Casa Pontifícia”.

Por ocasião das nomeações, no mês passado, o Papa Francisco pediu orações pelos novos cardeais:

“Que, confirmando a sua adesão a Cristo, eles me ajudem no meu ministério de bispo de Roma para o bem de todo o povo de Deus”.

 

https://pt.aleteia.org/2020/11/20/frade-nomeado-cardeal-pediu-para-nao-ser-ordenado-bispo/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

NOVO LIVRO DE POESIA DE CYRO DE MATTOS É PUBLICADO EM PORTUGAL

 


                         Novo Livro de Poesia 

de Cyro de Mattos 

É Publicado em Portugal

 

A Editora Palimage, de Coimbra, Portugal, acaba de publicar O Discurso do Rio, novo livro do baiano (de Itabuna) Cyro de Mattos, reunindo trinta sonetos, com prefácio da professora doutora Graça Capinha, da Universidade de Coimbra. O livro integra a coleção Palavra Imagem, e seus poemas foram motivados pela situação atual do rio Cachoeira,  que divide a cidade natal do autor em duas partes, com suas águas poluídas hoje, como se fosse um esgoto a céu aberto, comparado ao tempo de antigamente quando havia um ambiente de beleza que habitava as suas correntes puríssimas.

Este é o quinto livro de poemas que a Editora Palimage publica de Cyro de Mattos na Coleção Palavra Imagem, que reúne poetas representativos da poesia contemporânea portuguesa.  Membro de instituições culturais importantes, como a Academia de Letras da Bahia, os outros livros desse autor baiano publicados pela Editora Palimage são Vinte Poemas do Rio, inglês-português, Ecológico, Vinte e Um Poemas de Amor e Poemas Ibero-Americanos.

 A professora Graça Capinha observa que “alguns poetas brasileiros têm a capacidade extraordinária de conseguir regressar às coisas primeiras, como se, de fato, abrir uma janela e olhar o mundo pela vez primeira fosse possível”. Acrescenta que olham com as palavras, é certo, mas, mesmo essas, parecem trazer-lhes (-nos) os primeiros sons.” Mostra assim que “Cyro de Mattos é um desses poetas e não será certamente por mero acaso que, além de poeta e ficcionista, este seja também um autor de livros para crianças. Digamos que, tratando-se de escrever sobre um rio, este só poderia assim ser: um autor-menino, de olhos lavados e bem abertos”.


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quinta-feira, 19 de novembro de 2020

O ALIENISTA CAP IV – Machado de Assis


 Uma Teoria Nova


          Ao passo que D. Evarista, em lágrimas, vinha buscando o Rio de Janeiro, Simão Bacamarte estudava por todos os lados uma certa ideia arrojada e nova, própria a alargar as bases da psicologia. Todo o tempo que lhe sobrava dos cuidados da Casa Verde era pouco para andar na rua, ou de casa em casa, conversando as gentes, sobre trinta mil assuntos, e virgulando as falas de um olhar que metia medo aos mais heroicos.

         Um dia de manhã, — eram passadas três semanas, — estando Crispim Soares ocupado em temperar um medicamento, vieram dizer-lhe que o alienista o mandava chamar.

         — Trata-se de negócio importante, segundo ele me disse, acrescentou o portador.

         Crispim empalideceu. Que negócio importante podia ser, se não alguma notícia da comitiva, e especialmente da mulher? Porque este tópico deve ficar claramente definido, visto insistirem nele os cronistas: Crispim amava a mulher, e, desde trinta anos, nunca estiveram separados um só dia. Assim se explicam os monólogos que ele fazia agora, e que os fâmulos lhe ouviam muita vez:—"Anda, bem feito, quem te mandou consentir na viagem de Cesária? Bajulador, torpe bajulador! Só para adular ao Dr. Bacamarte. Pois agora aguenta-te; anda, aguenta-te, alma de lacaio, fracalhão, vil, miserável. Dizes amém a tudo, não é? aí tens o lucro, biltre!"—E muitos outros nomes feios, que um homem não deve dizer aos outros, quanto mais a si mesmo. Daqui a imaginar o efeito do recado é um nada. Tão depressa ele o recebeu como abriu mão das drogas e voou à Casa Verde.

         Simão Bacamarte recebeu-o com a alegria própria de um sábio, uma alegria abotoada de circunspeção até o pescoço.

         — Estou muito contente, disse ele.

         — Notícias do nosso povo? perguntou o boticário com a voz trêmula.

         O alienista fez um gesto magnífico, e respondeu: —Trata-se de coisa mais alta, trata-se de uma experiência científica. Digo experiência, porque não me atrevo a assegurar desde já a minha ideia; nem a ciência é outra coisa, Sr. Soares, senão uma investigação constante.

         Trata-se, pois, de uma experiência, mas uma experiência que vai mudar a face da terra. A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.

         Disse isto, e calou-se, para ruminar o pasmo do boticário. Depois explicou compridamente a sua ideia. No conceito dele a insânia abrangia uma vasta superfície de cérebros; e desenvolveu isto com grande cópia de raciocínios, de textos, de exemplos. Os exemplos achou-os na história e em Itaguaí mas, como um raro espírito que era, reconheceu o perigo de citar todos os casos de Itaguaí e refugiou-se na história. Assim, apontou com especialidade alguns personagens célebres, Sócrates, que tinha um demônio familiar, Pascal, que via um abismo à esquerda, Maomé, Caracala, Domiciano, Calígula, etc., uma enfiada de casos e pessoas, em que de mistura vinham entidades odiosas, e entidades ridículas. E porque o boticário se admirasse de uma tal promiscuidade, o alienista disse-lhe que era tudo a mesma coisa, e até acrescentou sentenciosamente:

         — A ferocidade, Sr. Soares, é o grotesco a sério.

         — Gracioso, muito gracioso! exclamou Crispim Soares levantando as mãos ao céu.

         Quanto à ideia de ampliar o território da loucura, achou-a o boticário extravagante; mas a modéstia, principal adorno de seu espírito, não lhe sofreu confessar outra coisa além de um nobre entusiasmo; declarou-a sublime e verdadeira, e acrescentou que era "caso de matraca". Esta expressão não tem equivalente no estilo moderno. Naquele tempo, Itaguaí, que como as demais vilas, arraiais e povoações da colônia, não dispunha de imprensa, tinha dois modos de divulgar uma notícia: ou por meio de cartazes manuscritos e pregados na porta da Câmara, e da matriz; — ou por meio de matraca. 

         Eis em que consistia este segundo uso. Contratava-se um homem, por um ou mais dias, para andar as ruas do povoado, com uma matraca na mão.

         De quando em quando tocava a matraca, reunia-se gente, e ele anunciava o que lhe incumbiam, — um remédio para sezões, umas terras lavradias, um soneto, um donativo eclesiástico, a melhor tesoura da vila, o mais belo discurso do ano, etc. O sistema tinha inconvenientes para a paz pública; mas era conservado pela grande energia de divulgação que possuía. Por exemplo, um dos vereadores, —aquele justamente que mais se opusera à criação da Casa Verde, —desfrutava a reputação de perfeito educador de cobras e macacos, e aliás nunca domesticara um só desses bichos; mas, tinha o cuidado de fazer trabalhar a matraca todos os meses. E dizem as crônicas que algumas pessoas afirmavam ter visto cascavéis dançando no peito do vereador; afirmação perfeitamente falsa, mas só devida à absoluta confiança no sistema. Verdade, verdade, nem todas as instituições do antigo regímen mereciam o desprezo do nosso século.

         — Há melhor do que anunciar a minha ideia, é praticá-la, respondeu o alienista à insinuação do boticário.

         E o boticário, não divergindo sensivelmente deste modo de ver, disse-lhe que sim, que era melhor começar pela execução.

         — Sempre haverá tempo de a dar à matraca, concluiu ele.

         Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse:

         — Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e só insânia.

         O Vigário Lopes a quem ele confiou a nova teoria, declarou lisamente que não chegava a entendê-la, que era uma obra absurda, e, se não era absurda, era de tal modo colossal que não merecia princípio de execução.

         — Com a definição atual, que é a de todos os tempos, acrescentou, a loucura e a razão estão perfeitamente delimitadas. Sabe-se onde uma acaba e onde a outra começa. Para que transpor a cerca?

         Sobre o lábio fino e discreto do alienista roçou a vaga sombra de uma intenção de riso, em que o desdém vinha casado à comiseração; mas nenhuma palavra saiu de suas egrégias entranhas.

         A ciência contentou-se em estender a mão à teologia, — com tal segurança, que a teologia não soube enfim se devia crer em si ou na outra. Itaguaí e o universo ficavam à beira de uma revolução.

 

 Fonte:

MINISTÉRIO DA CULTURA

Fundação Biblioteca Nacional

Departamento Nacional do Livro

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Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras.

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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Os Pingos Nos Is - 18/11/20

UM ENGANO QUE SE INSINUA - Evanildo Bechara


De uns tempos para cá temos visto alguns profissionais de comunicação cometendo um engano gramatical com o uso dos numerais masculinos “milhar”, “milhão”, “bilhão”, “trilhão”, etc.

Quando esses numerais vêm seguidos de complemento com substantivo feminino, ouvimos frases equivocadas como a seguinte:

No Enem são corrigidas algumas milhares de redações.

Diante da presença do feminino “redações”, supõe o falante que o numeral masculino “milhares” obriga o emprego da forma feminina “algumas”, quando na verdade deveria ser: “alguns milhares de redações”. Este raciocínio está se generalizando em nossos dias. Assim, temos visto construções do tipo:

No cenário atual da pandemia, algumas milhares de pessoas não respeitam o uso obrigatório da máscara. (em lugar da forma correta: alguns milhares de pessoas)

As milhões de doses da vacina contra a covid-19 serão distribuídas por todo o país. (em vez da concordância adequada: os milhões de doses)

Enganos dessa natureza têm origem e empregos analógicos, como é o caso das expressões usadas pelo povo no jogo do bicho. Como ‘dezena’ e ‘centena’ são femininos é comum ouvirmos a palavra ‘milhar’ (substantivo masculino) usada no feminino em expressão do tipo: ‘acertei na milhar’. Trata-se de um raciocínio que contraria os princípios da norma padrão.

Ainda sobre numerais, atenção especial merecem entendimento e leitura de certas expressões abreviadas de uso moderno na linguagem jornalística e técnica:

1,4 milhão de pessoas (com 1 o numeral coletivo fica no singular, então leia-se: “um milhão e quatrocentas mil pessoas”),

2,3 bilhões de pessoas (leia-se: “dois bilhões e trezentos milhões de pessoas”)

2,5 bilhões de doses (“dois bilhões e quinhentos milhões de doses” ou “dois bilhões e meio de doses”).

Cabe lembrar aqui, neste pequeno comentário gramatical, a importância que têm essas pessoas públicas no cenário da comunicação, para o respeito à norma culta da língua portuguesa.

Portal da ABL, 16/11/2020

 https://www.academia.org.br/artigos/um-engano-que-se-insinua

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Evanildo Bechara - Quinto ocupante a Cadeira nº 33, eleito em 11 de dezembro de 2000, na sucessão de Afrânio Coutinho e recebido em 25 de maio de 2001 pelo Acadêmico Sergio Corrêa da Costa.

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terça-feira, 17 de novembro de 2020

MILAGRES AINDA ACONTECEM – Plinio Maria Solimeo

15 de novembro de 2020


Da esquerda para a direita estão Patrick (camisa amarela), Brendan (meio) e Sean Lacey. A foto foi tirada em julho de 2017 no jardim Rose na paróquia da família, Santa Rosa de Lima, após as curas. Patrick agora tem 14, Brendan tem 16, e Sean tem 13. (foto: Cortesia da família Lacey)

 

  • Plinio Maria Solimeo


          Neste mundo cada vez mais ateizado, milagres aparentes são cada vez mais raros. Sabemos que eles ocorrem em Lourdes e outros locais de peregrinação. Mas não no dia a dia do comum das pessoas. Por isso nos surpreende um duplo milagre do qual foram beneficiados há pouco dois adolescentes de uma mesma família americana de Nova Jersey.

            Charles e Cathy Lacey têm três filhos: Brendan, Patrick e Sean. O filho do meio, Patrick, de dez anos, tinha paralisia cerebral, e usava aparelho nas pernas desde os três. Além disso, como diz sua mãe: “Seus músculos não esticam o suficiente para ele ficar de pé”. O menino gostaria muito de passear pelo campo, mas isso mexe tanto com seu corpo, que depois ele precisa de dois a três dias para se recuperar. “Ele também tossia muito, tinha fadiga, falta de apetite, e às vezes pegava pneumonia”, acrescenta sua mãe Cathy.

            O que piorava esse quadro clínico é que a paralisia acabava afetando a capacidade mental do menino, de maneira que ele tinha “problemas com letras e números, e nada parecia aderir à sua memória. Ler era para ele um problema”. Por isso Patrick estava recebendo terapia física, ocupacional e fono-audiológica intensa na escola, no Hospital Nemours/Alfred I. Dupont para Crianças, em Wilmington, Delaware, e com terapeutas particulares locais.

            Acontece que uma desgraça geralmente não vem só: os Lacey descobriram que também o filho mais velho, de 12 anos, começava a ter problemas de saúde. Diz a mãe: “Naquela época, Brendan começou a ter dificuldade para comer. Em cada refeição ele tinha que se desculpar e limpar a garganta, pois a comida não descia”. Levado a um especialista, os médicos fizeram vários exames, incluindo uma endoscopia. Mostraram aos pais do adolescente fotografias da mesma, que acusavam que o esôfago de Brendan “parecia terrível lá dentro”. Receitaram ao adolescente quatro medicamentos diários para esofagite eosinofílica — doença crônica do sistema imunológico em que os eosinófilos (um tipo de célula sanguínea) se acumulam no esôfago provocando, entre outras coisas, dificuldade para engolir, engasgo, comida grudando no esôfago, e consequente dor abdominal. Com isso a vida da família complicou-se muito, pois agora eram dois filhos que tinham que fazer viagens semanais ao hospital, que ficava a uma hora de distância de sua casa, para tratamento.

            Entretanto, a família Lacey era católica praticante. “Eu estava rezando muito durante esse tempo, especialmente o Rosário”, diz Cathy. “Deus estava me carregando por meio da oração”.

 Um dia em que ela fazia adoração ao Santíssimo na capela da Igreja de Santa Rosa de Lima, em Haddon Heights, Nova Jersey, resolveu entrar pela primeira vez na livraria do centro espiritual da igreja. Nela se sentiu atraída por um DVD sobre a exposição “Tesouros da Igreja”. Tratava-se de uma exposição internacional, organizada pelo Pe. Carlos Martins, que incluía 150 relíquias de santos como Maria Goretti, Teresa de Lisieux, Francisco de Assis e António de Pádua, além de uma das maiores relíquias da Verdadeira Cruz, e um pedaço do véu que, segundo à tradição sancionada, pertenceu a Nossa Senhora.

            A Sra. Lacey levou o DVD para casa: “Nós o assistimos em família. E assim que terminamos, Patrick disse: ‘Mãe, eu quero ir para ver isso’. Ele ficara fascinado pelo que viu. Eu rezei: ‘Por favor, Senhor, deixe-me saber quando essa exposição estiver por perto daqui.”

Verificando depois a programação da exposição, Cathy descobriu que ela chegaria a Nova Jersey no mês seguinte. Por uma “coincidência”, a apresentação do Padre Martins foi agendada para o dia de Santo Antônio, “ironicamente na Igreja de Santa Inês, a mesma igreja em que meu marido fez seu curso de formação católica para adultos, e recebeu todos os Sacramentos”, diz ela.

Durante a palestra do Padre Martins que precedeu a visita às relíquias, a família Lacey pôde sentar-se na primeira fila. “Estávamos a cinco pés de distância da Verdadeira Cruz e do véu de Maria”, explicou ela.

Primeiro Milagre

Naquela visita memorável aos “Tesouros da Igreja” após a palestra do sacerdote, Patrick foi de relíquia em relíquia, tocando sua Medalha Milagrosa em cada uma. Diz ele: “A primeira relíquia que toquei foi a madeira da Verdadeira Cruz. Depois disso, fui a todas as outras relíquias, e toquei minha medalha em cada uma delas”, contou.

Patrick continua: “Depois daquela noite, minha mãe começou a notar algo diferente em mim. Pedi então a ela licença para não usar meu aparelho. O que fiz, e não me sentindo nada dolorido. Então, alguns dias depois, minha mãe disse: ‘Você está curado! ”

A Sra. Lacey explica o que ocorrera quando chegaram em casa: “Patrick não estava dolorido. Ele subiu as escadas correndo direto para a cama. Eu pensei“Como assim!!? Poderia ser?!!”

No fim da semana subsequente, como estava excepcionalmente quente para meados de fevereiro, Brendan e Sean pediram à mãe para ir andar de bicicleta no parque. Patrick quis ir também. “Ele não andava de bicicleta há anos”, explica ela.

Patrick foi de bicicleta todo o caminho até o parque. Lá continuou pedalando “o tempo todo, mais de uma hora”. Depois, outra surpresa: “Ele estava jogando! Não podíamos acreditar em nossos olhos”, disse Cathy. No dia seguinte ele quis novamente ir com seus irmãos em suas bicicletas, pedalando mesmo morro acima mais de uma vez.

Naquela altura, eu sabia que era um milagre”, disse Cathy. “Eu estava chorando, vendo-o jogar com os irmãos. Ainda estávamos maravilhados”. De volta para casa, Patrick “nos diz que não precisa do aparelho, afirmando: ‘Estou curado’. E foi para a escola sem aparelho”, afirma a mãe.

Quando depois os Lacey levaram Patrick ao seu terapeuta regular — o mesmo terapeuta que estava tentando ajudá-los a conseguir a cadeira de rodas que o médico já dissera que Patrick precisaria, “porque seus ossos estavam crescendo mais do que seus músculos podiam esticar, e sabia o quanto eles lhe doíam pelas lágrimas que rolavam pelo seu o rosto” — o terapeuta ficou boquiaberto ao ver que Patrick corria sem o aparelho ortodôntico. A Sra. Lacey então lhe disse: “O Sr. realmente não sabe o que nos dizer, não é?” O terapeuta respondeu: “Não tenho nem ideia do que sucedeu”. Então Patrick contou-lhe toda a história da Exposição, e do papel das relíquias dos santos.

Mas não parou aí. De volta à escola o menino, que tinha muita dificuldade com adição e subtração, reservava outra surpresa: “A professora disse que fez os três primeiros problemas com Patrick; os próximos quatro ele mesmo fez sozinho, e acertou todos. ‘Ele está indo muito bem’”, afirma a mãe.

Segundo Milagre

Entretanto, havia o problema com Brendan.

Depois da Exposição, chegando em casa, ele afirmou aos pais: “Minha garganta está muito boa”. Eles perceberam que Brendan já era capaz de manter a comida no estômago. Então pararam com os remédios. Em sua próxima endoscopia agendada para a segunda-feira de Páscoa, os Lacey esperaram para ver as últimas imagens. Nelas o esôfago de Brendan parecia normal e saudável.

Um ano depois, em seu primeiro ano do ensino médio, Brendan voltou para casa do treino de futebol, faminto, e pegou um pedaço de frango, que ficou preso na garganta. Ele acabou no hospital e teria que fazer uma cirurgia. A caminho do hospital para “a galinectomia”, afirma ele que estava como que “petrificado”. “Tudo o que eu conseguia pensar era em rezar […]. ‘Senhor, por favor, poupe-me; me mantenha vivo. ‘Achei que pudesse parar de respirar”. Entretanto, “No hospital, fazendo todos os testes, eu mal conseguia falar e balbuciava constantemente. Minha mãe começou a rezar o Rosário para que eu tranquilizasse. E logo depois que ela terminou, eu pude falar. A Mãe Santíssima estava me protegendo, e me dando o conforto que eu estava desesperadamente precisando naquele momento ”, diz ele. O médico, especialista em esofagite e osinofílica, coletou amostras da esofagite de Brendan para exames.

Duas semanas depois, a enfermeira do médico ligou. “Temos os resultados. Mostra alergias e inflamação.”

Cathy perguntou: “E os eosinófilos?” que eram o que provocava todo o problema de Brendan. A enfermeira respondeu: “Não há eosinófilos”. “Ela [a médica] não fez o teste?” Cathy perguntou, só para ter certeza.

Claro, disse a enfermeira. “Mas não há eosinófilos”, enfatizou ela uma segunda e depois uma terceira vez.

A Sra. Lacey recebeu emocionada essa notícia que confirmava que Deus havia curado Brendan. “Deus é tão bom com esta reafirmação [a cura]”, exclamou ela.

Por sua parte, Brendan afirma: “Eu fui oficialmente curado. Fiquei maravilhado com a graça de Deus, e sua disposição de curar o que havia de errado comigo por meio da intercessão de seus santos e de sua grande misericórdia”.

Rememorando o tempo passado, o adolescente julgou que sentira que já tinha sido curado pela intercessão dos santos logo após a exibição das relíquias. “Quando penso no milagre que sucedeu comigo”, afirma Brendan agradecido, “honestamente, isso me ajudou a crescer como pessoa de muitas maneiras. Tudo sobre isso fazia parte do plano de Deus. Estávamos visitando as relíquias, e eu realmente esperava por graça de amor para mim. Logo depois que o milagre aconteceu, eu definitivamente poderia dizer que eu me sentia algo diferente. Eu estava cautelosamente otimista, porque não sabia se minha mente estava me pregando uma peça. Eu definitivamente estava sendo fortalecido na fé naquela época ”.

Desde a Exposição das relíquias e o episódio do hospital, explica Brendan que: “Minha fé cresceu astronomicamente”. De modo que ele se envolveu mais nas atividades da igreja, inclusive como líder do grupo de jovens de Santa Rosa de Lima, e como coroinha.

Por outro lado, Patrick explicou que “temos rezado um rosário em família todos os dias, e vamos a Santa Rosa para rezá-lo nas quintas-feiras“. Entre suas próprias orações, ele afirma que “todas as noites agradeço a Deus por me curar e aos santos anjos e santos por me curar, e pela manhã também”.

Como resultado do milagre, agora Patrick já joga futebol e basquete em um time com seu irmão Sean, e é também coroinha. O pai, que a princípio lutou com a dúvida sobre os milagres, está se preparando para o diaconato leigo.

Quando perguntam à Sra. Lacey qual o santo que mais especialmente teria obtido o milagre para seus filhos, ela afirma: “Foram todos os santos. Eu não poderia atribuir isso a nenhum. Era todo o exército celestial. 

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Fonte:https://www.ncregister.com/features/new-jersey-family-attributes-healings-to-saintly-intercession?utm_campaign=NCR%202019&utm_medium=email&_hsmi=98821034&_hsenc=p2ANqtz-8TkEaPojo83vo3Ql1zyLVO86lN-Nz6FU7aIFmJOvP7fUhVZvgx9ZhPyk1KLk6TWGwyW1OVwnr6qTDTSID3hAvRwDGRdA&utm_content=98821034&utm_source=hs_email

https://www.abim.inf.br/milagres-ainda-acontecem/

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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

O BRASILEIRO MITO EM HOLLYWOOD - Ignácio de Loyola Brandão


Estava passando um final de semana com o casal Sueli e Ivo Szterling e ela me deu o livro Meu Pecado, de Javier Moro, jornalista que escreve best-sellers curiosos. Não consegui largar. Em um dia e meio devorei a biografia de Conchita Montenegro, espanhola belíssima que triunfou em Hollywood nos anos 1930. O ambiente é o do cinema, mas também o da guerra civil espanhola. No livro surge o brasileiro Raoul Roulien em um episódio trágico. Quando cheguei às páginas sobre Raoul, me vi transportado para uma tarde do início dos anos 1960. 

Jô Soares e eu estávamos a conversar junto à imensa mesa que servia para reuniões na redação do jornal Última Hora. Nesta mesa, Jô às vezes dava um show de sapateado, adorávamos. Devia ser quatro da tarde, Jô me cutucou: “Olha, olha! Veja quem está entrando”. Era um homem alto, bem-apessoado, leve início de calvície, sorriso enorme. Carismático. “Quem é a figura?” Jô ironizou: “Você escreve sobre cinema e não sabe? Raoul Roulien”. Dei um salto, fui ver, Raoul chegara à mesa do Ibiapaba Martins, escritor que editava Variedades. Ouvi-o dizendo: “Trouxe minha primeira coluna”

Ibiapaba apanhou e chamou o Jô. Nós três ali, ele comunicou: “Roulien, a partir de hoje, escreve uma coluna sobre teatro”. Roulien na nossa UH? Fiquei paralisado, era a primeira vez que eu me via diante de um astro, no sentido total da palavra. Ele foi o Rodolfo Valentino brasileiro em Hollywood. Galã, cantor, bailarino, sedutor. Corremos ao arquivo, dona Alzira, setentona – achava eu – com seu cigarro em uma piteirazinha de prata, quando soube que Roulien estava na redação, nos atirou a pasta e desceu voando. Eles eram da mesma época. Falei para o Jô: “O cara vem trabalhar aqui com a gente? Vamos aproveitar, saber um mundo de histórias”.

Nós dois, Jô e eu, com 20 e poucos anos, éramos unidos na paixão pelo cinema. De coisas sérias a trivialidades. Descobrimos juntos o Zé do Caixão. Líamos A Cena Muda, a Filmelândia, Cinelândia, a Carioca, que traziam Dulce Damasceno de Brito, Zenaide Andrea, Lyba Fridman. Líamos Paulo Emílio, Alex Viany, Moniz Vianna, Almeida Salles. O Jô, que lia inglês muito bem e cujos pais viajavam, tinha em casa Movieland, Movie Screen e Confidential, esta com seus escândalos. Líamos Louella Parsons, fofoqueira, chantagista e sua rival Hedda Hopper, que dominaram Hollywood por anos. Temidas, uma notícia ruim delas destruía uma carreira.

Assim, sabíamos que Roulien tinha sido criança prodígio no Brasil, na juventude era um “estouro”, galã adorado pelas normalistas, a palavra fã fora criada para ele. Mudara-se para Hollywood na década de 1930, tornara-se astro disputado pelas mulheres, cantava e dançava.     Aquele homem ali na redação da UH, que todos desconheciam, frequentava as festas de Greta Garbo, contracenou com Carmem Miranda, Spencer Tracy, John Barrymore – um mito –, Joan Bennet e Leslie Howard. Foi ele quem indicou Ginger Rogers e Fred Astaire para uma cena de dança em Voando Para o Rio (Flying Down to Rio) e dali em diante Astaire se tornou o que todos sabem, o maior bailarino do cinema em todos os tempos. Ator, cantor, dançarino, produtor, diretor, Roulien foi escolhido por George Gershwin para interpretar a canção Delicious no filme de mesmo título. Lançou dois foxtrotes de Irving Berlin com versões suas: Mente por Favor e Se Eu Perdesse Você. Chegou a ser dirigido por John Ford em 1934, no filme The World Moves on, com Madeleine Carroll, superstar. Há indícios de que teria também descoberto Rita Hayworth. Quando voltou ao Brasil, em 1932, foi carregado nos ombros pela multidão. 

Em 1933, uma tragédia. Raul era casado com uma mulher belíssima, Diva Tosca, que morreu atropelada por um bêbado de nome John Huston, futuro diretor. Raul processou, porém os Hustons eram poderosos, ele perdeu a causa e foi banido de Hollywood. Um latino processando a elite? Sua carreira terminou, ele voltou ao Brasil, fez teatro, jornalismo, planejou superproduções. Fez televisão e era adorado pelos colegas, deu aulas de interpretação. Quando o conhecemos devia estar com 56 anos, sempre disposto e sorridente. Todas as vezes que tentamos saber do passado, ele se calou. Nunca tocou no assunto Hollywood. Que histórias perdemos? O que nunca foi contado que poderíamos ter sabido? Por que ele nunca escreveu uma autobiografia? Também nunca ouvimos uma só palavra de autopiedade, nostalgia, lamento. Morreu em São Paulo em 2000, aos 95 anos. Esquecido.

Raul publicou em 1933, pela Freitas Bastos, um livro, A Verdadeira Hollywood, esgotadíssimo. Haverá nele um desabafo ou sua indignação?

O Estado de S. Paulo, 11/11/2020

 

https://www.academia.org.br/artigos/o-brasileiro-mito-em-hollywood

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Ignácio de Loyola Brandão - Décimo ocupante da Cadeira 11 da ABL, eleito em 14 de março de 2019 na sucessão do Acadêmico Helio Jaguaribe.

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