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sábado, 26 de setembro de 2020

ANGÚSTIA E PAZ – Divaldo pereira franco


Angústia e Paz

 

Previne-te contra a angústia.

Esta tristeza molesta, insidiosa, contínua, arrasta-te a estado perturbador.

Essa insatisfação injustificável, perseverante, penosa, conduz-te a desequilíbrio imprevisível.

Aquela mágoa que conservas, vitalizada pela revolta sem lógica, impele-te a desajuste insano.

Isso que te assoma em forma de melancolia, que aceitas, empurra-te a abismo sem fundo.

Isso que aflora com frequência, instalando nas tuas paisagens mentais de pressão constante, representa o surgimento de problema grave.

Aquilo que remóis, propiciando-te dor e mal-estar, impele-te a estados infelizes, que te atormentam.

A angústia possui gêneses. Várias.

Procede de erros que se encontram fixados no ser desde a reencarnação anterior, como matriz que aceita motivos verdadeiros ou não, para dominar quem deveria envidar esforços por aplainar e vencer as imposições negativas e as compulsões torpes.

Realmente, não há motivos que justifiquem os estados de angústia.

A angústia entorpece os centros mentais do discernimentos e desarticula os mecanismos nervosos, transformando-se em fator positivo de alienações.

Afeta o psiquismo, o corpo e a vida, enfermando o espírito.

Rechaça a angústia, pondo sol nas tuas sombras-problemas.

Não passes recibo aos áulicos da melancolia e dispersa com a prece as mancomunações que produzem angústia.

Fomenta a paz, que é antídoto da angústia.

Exercita a mente nos pensamentos otimistas e cultiva a esperança.

Trabalha com desinteresse, fazendo pelo próximo o que dizes dele não receber.

A paz é fruto que surge em momento próprio, após a germinação e desenvolvimento do bem no coração.

Jamais duvides do amor de Deus.

Fixado no propósito de crescimento espiritual, transfere para depois o que não logres agora, agindo com segurança.

Toda angústia dilui-se na água corrente da paz.

 

Divaldo Pereira Franco

 

http://blog.forumespirita.net/angustia-e-paz/

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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

O POTE RACHADO (Reflexão)


 

QUEM COMBATE DE MODO “POLITICAMENTE CORRETO” NÃO CONQUISTA A VITÓRIA - Plinio Maria Solimeo

24 de setembro de 2020


Plinio Maria Solimeo

Hoje em dia tal é a pressão dos meios de comunicação social sobre as pessoas em geral que, independentemente de seu nível social e representativo, ao se manifestarem, para serem “politicamente corretas”, elas silenciam sobre as opiniões que deveriam por dever de ofício expressar com clareza.

É o que ocorre inclusive com eclesiásticos de alto escalão quando falam de problemas morais. Em vez de justificá-los com base na religião que professam, por uma espécie de incompreensível respeito humano, para não ferir os ateus ou agnósticos ou destoar da opinião geral, silenciam o aspecto religioso do que dizem. Exemplifiquemos com dois casos recentes.

Está em tramitação no Congresso espanhol, propulsionado pelos esquerdistas radicais apoiados pela esquerda em geral, uma nova lei para aprovar a eutanásia, o suicídio assistido etc.

A propósito desse polêmico assunto, a Comissão Executiva da Conferência dos Bispos Espanhóis publicou no dia 14 uma “reflexão”.

Os prelados recordam que essa lei “é uma má notícia, pois a vida humana não é um bem à disposição de ninguém”. Por isso, “insistir no ‘direito à eutanásia’ é próprio de uma visão individualista e reducionista do ser humano, e de uma liberdade desvinculada da responsabilidade. Afirma-se uma radical autonomia individual e, ao mesmo tempo, se reclama uma intervenção ‘compassiva’ da sociedade, através da medicina, originando-se uma incoerência antropológica”. Ora, dizem os bispos, “o próprio da medicina é curar, mas também cuidar, aliviar e consolar, sobretudo no final da vida. A medicina paliativa se propõe a humanizar o processo da morte, e acompanhar o doente até o final. Não há enfermos ‘não cuidáveis’ mesmo que sejam incuráveis”.

Acrescentam os bispos: “O suicídio crescente entre nós também reclama uma reflexão e práticas sociais e sanitárias de prevenção e cuidado oportuno. A legalização de formas de suicídio assistido não ajudará na hora de insistir quem está tentado de suicídio que a morte não é a saída adequada. A lei, que tem uma função de proposta geral de critérios éticos, não pode propor a morte como solução do problema.”

A Conferência Episcopal Espanhola considera ademais que “uma sociedade não pode pensar na eliminação total do sofrimento e, quando não o consegue, propor sair do cenário da vida; deve, pelo contrário, acompanhar, paliar e ajudar a viver esse sofrimento”.

Os bispos concluem: “O sim à dignidade da pessoa, sobretudo nos momentos em que é mais indefesa e frágil, nos obriga a nos opor a essa lei que, em nome de uma dita morte digna, nega em sua raiz a dignidade de toda vida humana.”

Essa “reflexão” — que poderia ter sido escrita por qualquer movimento civil de defesa da vida sem orientação religiosa ou filantrópica específica — é muito censurável numa Conferência Episcopal que deveria se expressar de modo católico. Ela omite o principal aspecto do problema, que é o religioso, pois a eutanásia viola o V Mandamento de Lei de Deus: NÃO MATAR.

Essa mesma crítica se pode fazer à “Carta Aberta” do Cardeal Cañizares, de Valência, entretanto forte e contundente em muitos aspectos, se comparado com seus pares que nada fizeram.

O purpurado diz que a aprovação da lei da eutanásia foi uma derrota “histórica, humilhante […] da Espanha inteira, da sociedade espanhola, das pessoas que habitamos aqui, derrota também da humanidade, do próprio homem, pela aprovação da lei da eutanásia em trâmite, suicídio assistido, e pelo rechaço de outras propostas sobre cuidados paliativos que melhoravam a atual legislação”.

Numa linguagem forte, o Cardeal Cañizares diz: “Sr. Presidente do Governo, membros do Governo, ministros, parlamentares que aprovaram tamanha injustiça, aliás monstruosa, estão os Srs. loucos, perderam a cabeça, ou sua moral é não tê-la? Deem-se conta de que os Srs., como Governo ou como Parlamentares, existem para defender, proteger, tutelar o bem comum baseado em direito e deveres fundamentais da sociedade à que representam — o primeiro é a vida —, e acontece que se converteram em inimigos que se opõem à sociedade, dispostos a derrotar essa sociedade que representam e devem proteger, ao propugnar semelhante proposta de Lei, que difunde e aumenta uma cultura de morte, sobretudo em meio à Pandemia do Covid-19. Que credibilidade podem manter diante de dita Pandemia? Com que autoridade moral podem dirigir-se a esse povo e pedir-nos o que nos pedem? Não se veem como um sinal de contradição?”.

Depois de dizer que sua atitude não representa uma intromissão na política, mas que sua responsabilidade como bispo e como cidadão não lhe permite calar, ele conclui dizendo: “E assim devo denunciar ante a opinião pública esse comportamento, como também o dos meios de comunicação que tanta importância deram ao ‘assunto dos prefeitos’, e sem embargo tão pouco relevo ao assunto da eutanásia, que constitui não uma derrota histórica de um Governo, mas uma derrota de todo um Estado.”

Concluímos repetindo ser lastimável ver um Cardeal e bispos da Santa Igreja, que enfrentaram os Poderes constituídos, o fazerem não como ministros de Deus e guardiães de sua santa doutrina que são, mas como uma autoridade civil qualquer.

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– https://www.religionenlibertad.com/espana/545654904/obispos-espanoles-eutanasia-enfermos-incuidables-incurables.html
– https://www.religionenlibertad.com/espana/978146941/Estan-locos-han-perdido-la-cabeza-o-su-moral-es-no-tenerla-dura-carta-de-Canizares-al-Gobierno.html?utm_source=boletin&utm_medium=mail&utm_campaign=boletin&origin=newsletter&id=31&tipo=3&identificador=978146941&id_boletin=923471013&cod_suscriptor=452495753


https://www.abim.inf.br/quem-combate-de-modo-politicamente-correto-nao-conquista-a-vitoria/

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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

TODO PODER À VACINA - José Sarney


A vacina é o único socorro de esperança contra a ameaça da Covid. Já falei mais de uma vez do cálculo de Malthus sobre a expansão da Humanidade e da narrativa que Jared Diamond faz da ascensão e queda das civilizações: nos cenários, guerras e germes. A história das pragas é uma desgraça: desde as sete pragas do Egito, que são dez, o que se vê são as populações dizimadas. Dizimadas não: o decimatio castigava um em cada dez soldados, mas as pestes sempre foram mais radicais. A praga de Justiniano matou mais da metade da Humanidade; a peste negra, um quarto.

Para uma doença virar epidemia ou pandemia, ela precisa ser contagiosa e viajar. Assim nossas cidades marítimas não escaparam da reviravolta da natureza — pois é isso o que acontece quando mexemos com o meio ambiente, mesmo na “inocente” domesticação de rebanhos. Varíola, gripe, malária, dengue, febre amarela, SARS passaram por aqui. Houve a gripe suína, que era em parte aviária, mas tinha até fragmentos dos vírus da gripe espanhola; esta, com bagagem de 100 milhões de mortos, matou Rodrigues Alves, que acabara com a febre amarela; doença que o africano Aedes aegypti trouxe em 1685/6 para Recife e Salvador; mosquito que nós erradicamos duas vezes, mas continua matando com a dengue. A colheita das pragas é grande, e temos algumas vitórias e muitas derrotas. A maior, o impaludismo, nos bate há 10 mil anos.

O Brasil tinha uma história de vacinação. A primeira foi em 1804. Em 1811 tivemos mesmo uma Junta Vacínica. Com o uso direto do vírus ativo, acontecia de ser pior que o soneto. Um século depois, Rodrigues Alves chamou Osvaldo Cruz, jovem médico a quem não conhecia, para acabar com a febre amarela e a varíola. A imprensa, um grupo de médicos negacionistas e alguns conspiradores militares ficaram contra ele. Consideravam absurdo que os mata-mosquitos pudessem entrar nas casas para acabar com o Aedes.

A Lei 1261/1904 tornou obrigatória a vacina contra a varíola. A conspiração positivista, que faria chefe da ditadura a Lauro Sodré, partiu para a ação. Revoltou-se o Rio de Janeiro. O dia 14 de novembro foi de conflito armado. O governo dominou, com dificuldade, a situação. Na discussão do pedido de estado de sítio, Rui Barbosa, nosso maior intelectual, numa posição incompreensível, ataca: “Não tem nome, na categoria dos crimes do poder, a temeridade, a violência, a tirania a que ele se aventura… a me envenenar, com a introdução, no meu sangue, de um vírus… condutor da moléstia, ou da morte.” E apoia o governo, elogia o desbaratamento do golpe!!!

No Maranhão a história é outra. Cláudio Amaral Júnior, grande nome da vacinação no País, conduziu a campanha que em oito meses erradicou a varíola. Fiz o possível para ajudá-lo: acionei a estrutura das escolas comunitárias “João de Barro”, fazíamos os “Comícios da Saúde”, 15 dias de campanha preparatória e promovi a “vacinação num só dia”. Na Praça João Lisboa vacinamos 40 mil pessoas de uma levada, trabalhando até meia-noite. Essa experiência foi levada por ele e pela OMS para outros países.

Contra a Covid o caminho é claro: precisamos da vacinação em massa, alcançando indiscriminadamente dos mais ricos aos mais pobres. O Brasil tem instituições que são capazes de produzir rapidamente as vacinas que tenham sucesso. Aqui no Maranhão temos que nos preparar para aplicar as vacinas. Levantar voluntariado, treinar e organizar equipes, fazer um trabalho coordenado com os municípios, chegar aos povoados mais remotos.

O Estado do Maranhão, 20/09/2020


https://www.academia.org.br/artigos/todo-poder-vacina

 

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José Sarney - Sexto ocupante da Cadeira nº 38 da ABL, eleito em 17 de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e recebido em 6 de novembro de 1980 pelo Acadêmico Josué Montello. Recebeu os Acadêmicos Marcos Vinicios Vilaça e Affonso Arinos de Mello Franco.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

PREÁ - Antônio Baracho

Preá

              

A Alana

 

Ontem fazia calor

E eu subia lentamente, pausadamente,

A Rua "Ariston Caldas".

Sem o rodopio das crianças,

 Sem o esconde-esconde, do meu filho.

Tingia um sentimento amargo,

Talvez medo de ficar só.

As crianças voltam a mim.

E finjo que as vejo

Na retina dos meus olhos,

Subindo a ladeira,

Gritando e soltando pipa.

Tudo isso fica ausente...

Os bem-te-vis, um gorjeio de um sabiá,

Os latidos de Kika são interrompidos

Quando uma preá

Passa correndo,

Atravessando a rua,

Assustada com o pio de uma cobra.

 ..........

 Antônio Baracho, Poeta Psicólogo.

Membro da Academia Grapiúna de Letras- AGRAL e ao Clube do Poeta Sul da Bahia.

Tel. (73) 98801-1224 / 99102-7937

E-mail: antoniobaracho@hotmail.com

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terça-feira, 22 de setembro de 2020

DIRETO AO ASSUNTO – Martha Medeiros



Direto ao Assunto


Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor... E adultos demoramos dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão.

 Até que um dia a gente faz aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola para o goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito para o jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol. Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso.

 Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo, onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade. Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentadas, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.

Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela. O seu amor está enrolando muito? Beije-o primeiro. A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera. Paciência só para o que importa de verdade. 

Paciência para ver a tarde cair. 

Paciência para sorver um cálice de vinho. 

Paciência para a música e para os livros. 

Paciência para escutar um amigo. 

Paciência para aquilo que vale nossa dedicação 

Para enrolação... ATALHO!

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Martha Mattos Medeiros é uma escritora, aforista e poetisa brasileira. É conhecida como uma das melhores cronistas brasileiras. Entre suas obras mais conhecidas estão Divã, Doidas e Santas e Feliz Por Nada. Seus livros já ultrapassaram a marca de 1 milhão de exemplares vendidos. Wikipédia

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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

“PANDEMIA E O VELHO ANORMAL” É O TEMA DA PRÓXIMA CONFERÊNCIA DO CICLO DE PODCASTS INTITULADO "PENSANDO O NOVO NORMAL"


Academia Brasileira de Letras prossegue com o seu o ciclo de podcasts "Pensando o novo normal", gravado por seus acadêmicos e que aborda as relações entre a pandemia e as diferentes áreas do conhecimento humano. O décimo terceiro episódio disponibilizado foi gravado pelo Acadêmico João Almino e estará disponível para os ouvintes a partir das 16h da próxima quarta-feira, dia 23 de setembro. O tema escolhido foi "Pandemia e o Velho Anormal". A apresentação do programa e coordenação-geral do ciclo cabem ao Acadêmico Antônio Torres.

Durante a emissão, o Acadêmico discute as diferenças entre o pré e o pós-pandemia: “O que é normal? Se considerássemos 'normal' o que havia antes da pandemia, miséria, desigualdade, crises políticas e ambientais, teríamos de admitir que estamos vivenciando uma velha normalidade piorada. Pois o fato é que a pandemia está agravando coisas que já conhecíamos. Suas consequências na economia e muito especialmente no campo social são claras. Não estamos diante de um novo normal, mas sim de um velho e insistente normal, quando pessoas perdem o emprego e têm dificuldade de se manter quando a pobreza avança, quando as desigualdades internas internacionais ficam mais evidentes e quando as condições gerais de saúde pioram por causa do vírus e por seus efeitos indiretos. (...) Agora, se tivermos a expectativa de que as coisas mudem para melhor num determinado horizonte de tempo, então podemos considerar que esta normalidade piorada é passageira. A humanidade terá atravessado um período excepcional de meses ou anos, como aconteceu em outras pandemias, ou durante guerras. Já a velocidade das soluções vai depender da criatividade de governos e sociedades, da ciência e da tecnologia, da cooperação internacional, de medidas governamentais, de iniciativas privadas, coletivas e individuais. Acho que nem tudo vai mudar para pior, algumas oportunidades se abrem: tendências promissoras que já se percebiam antes da pandemia podem se reforçar.”

Está previsto, até o final de setembro, mais 1 episódio, sempre apresentado às quartas-feiras. Todos os podcasts gravados ficarão disponíveis no site da Academia, assim como nas plataformas de streaming Spotify, Apple Podcasts, Deezer e Castbox.

21/09/2020

https://www.academia.org.br/noticias/pandemia-e-o-velho-anormal-e-o-tema-da-proxima-conferencia-do-ciclo-de-podcasts-intitulado

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