O Maranhão tem uma certa ligação com o Líbano. É difícil
encontrar uma família maranhense que com ele, de maneira direta ou indireta,
não possua uma ligação de sangue, sentimental ou de amizade. Sírios e libaneses
de vários credos religiosos buscaram para seus caminhos de imigração o Norte do
Brasil. Aqui no Maranhão essa presença se tornou tão forte que muitos
sírio-libaneses assumiram posições de liderança na política, no comércio, nas
entidades de classe, com grande expressão.
Essa influência e miscigenação se tornou tão arraigada que
chegou até a incorporar-se aos costumes e à culinária. Eu sempre digo que o
Maranhão tem várias culinárias: a culinária da Costa, dos peixes e frutos do
mar; a culinária portuguesa tradicional, que não abandonamos, de cozidões,
tortas, caldeiradas; a do sertão, de carne de sol, maria isabel, pirão de leite
etc; a libanesa de quibes, esfirras, quibe labanie; e a maranhense mesma,
mistura da africana e da indígena com um toque libanês, de onde saiu o divino
arroz de cuxá.
Antônio Dino, grande médico e alma boa, que foi meu
Vice-Governador, me contou uma parte dessa saga da imigração libanesa dizendo
que no início do século XX alguns refugiados políticos, seus ancestrais e
muitos outros, vieram para o Maranhão, principalmente para o interior. Não
guardei todo o relato, o que lamento, e faço uma sugestão para alguma tese
acadêmica levantando essa história, que faz parte da nossa.
Eu mesmo tenho dentro de casa muitos Murad e Duailibe,
genros e netos.
Quando o meu romance O Dono do Mar foi traduzido
para o árabe, fui a Beirute para seu lançamento. A cidade tinha saído da guerra
civil e estava toda destruída. O Rafik Hariri — que seis anos depois foi morto
pela explosão de um carro bomba na hora em que passava seu comboio — era um
grande político, fizera o Acordo de Faët acabando com 15 anos de guerra-civil,
estava reconstruindo Beirute. Com ele e sua irmã construí mesmo uma relação de
amizade. Tenho um serviço de jantar que foi ofertado por ele.
O Líbano tem uma história sofrida. Sua localização,
espremido com fronteira do Israel, Síria e Chipre (pelo mar), o torna alvo de
permanente agressão e envolvimento no caldeirão do Oriente Médio, tendo como
centro a milenar luta de judeus e palestinos.
A tragédia que vive o Líbano com a gigantesca explosão e a
destruição do seu porto e da cidade soma-se à crise econômica e política.
Naquela época se assinalava a presença de 500 mil palestinos nos campos de
refugiados, comandados pelo Hezbollah, que desequilibrava a divisão de poderes
formada no pacto de independência, dividindo o poder dos xiitas com a milícia
Amal. Com a guerra da Síria mais 1,5 milhões de refugiados entraram no país,
que tinha 4,5 milhões. A insatisfação vem de toda parte. O filho de Hariri
tentou recentemente substituir o pai e foi expulso pelos protestos de rua que
exigem “fora todos os políticos”. A tragédia maior é um país essencialmente
multicultural tornar-se inviável pela violência de seus vizinhos e pela
incapacidade em exercer seu talento para a convivência.
Sofremos com o Líbano e somos solidários com o seu povo e
nos juntamos àqueles que no mundo inteiro tem o dever de ajudá-los a ressurgir
das cinzas.
José Sarney - Sexto ocupante da Cadeira nº 38 da ABL, eleito
em 17 de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e recebido em 6
de novembro de 1980 pelo Acadêmico Josué Montello. Recebeu os Acadêmicos Marcos
Vinicios Vilaça e Affonso Arinos de Mello Franco.
A jornalista Mônica Bergamo divulgou na “Folha de São Paulo”
(26 de julho) “carta ao povo de Deus”, manifesto assinado por 152 bispos
(em boa parte, resignatários), que deveria ter sido dado à publicidade quatro
dias antes, a 22 de julho. Pelo que afirma a colunista, os signatários queriam,
antes de propagá-la, esperar a opinião da Comissão Permanente da CNBB, cuja
reunião para análise do texto ocorrerá proximamente. E temiam que a chamada
“ala conservadora” da CNBB impedisse sua divulgação.
Tem sólidos fundamentos o temor do choque em setores
conservadores. E não só da CNBB, em qualquer lugar, pois é traumático o
conteúdo; trata-se de lídimo libelo petista, poderia ser assumido pela Comissão
Executiva Nacional do PT.
De fato, na 2ª feira, 27 de julho, em nota a CNBB se
distanciou (pelo menos, por enquanto) da mencionada tomada de posição, dizendo
que “nada tem a ver” com ela, que é “responsabilidade dos
signatários”. Teria então havido um vazamento para impedir o engavetamento
do texto. Aqui não se trata de apoio ao governo Bolsonaro. É normal a oposição,
cumpre papel necessário, terá justificativas que devem ser ponderadas.
O chocante no caso é a assunção da linguagem e das bandeiras
da esquerda, mesmo a mais extremada, o apelo a um trabalho coordenado, cujo
êxito colocará o Brasil em situação próxima à da Venezuela ou Cuba, retrocesso
cruel para todos, em especial para os pobres.
Desde décadas, tem sido excluída a maioria silenciosa dos
católicos.
Existem cerca de 500 bispos atuando no Brasil, pouco mais de
300 efetivos, pouco menos de 200 resignatários. Dos 152 subscritores, repito,
parte importante é resignatária. O fato tem sua importância. Convém recordar, o
bispo emérito não tem obrigações de pastorear diocese, está mais distante dos
fiéis e do Clero, sente-se assim mais livre para agir segundo suas preferências
ronceiras; no caso, a militância esquerdista, que por razões prudenciais
preferiria esconder quando à frente de dioceses. Ali, precisariam pelo menos
fingir levar em conta o clamor da maioria silenciosa e silenciada do povo;
recordando linguagem bíblica, não poderiam atirar uma pedra para filhos que
pedem pão, nem podem arrojar uma serpente ao escutá-los pedindo peixe.
Com efeito, observando a orfandade em que se encontra desde
décadas a imensa maioria do laicato católico, excluída de forma intolerante pela
opção preferencial pela esquerda levada a cabo por parte dos pastores, é normal
se lembrar de passagens bíblicas atinentes. “Tenho visto atentamente a
aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor” (Ex
3, 7). “E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará
uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?” (Lc
11, 11). Para os aflitos, a política habitual tem sido pedras e serpentes. O
manifesto em análise constitui, dói dizê-lo, mais um dos episódios lacerantes
do misterioso processo de autodemolição da Igreja, em que tantas vezes o pastor
espanca a ovelha indefesa, abre as portas do redil e saúda alegremente o lobo
que avança.
Radicalização da exclusão. Mais um ponto a ter em vista. Os
152 signatários podem estar redondamente iludidos a respeito da real influência
que seu demolidor libelo terá na opinião nacional, em especial na católica. Na
prática, vai demolir pouca coisa, se tanto. O brasileiro é pacato, abomina
agitações e dilacerações. E o intolerante texto as instiga. Imaginarão que sua
condição de bispos da Igreja Católica dá à sua voz eco que no caso não existe?
Na prática, incomodado com a ácida linguagem revolucionária, o laicato
majoritariamente fechará os ouvidos à mensagem.
Outro aspecto importante. Nosso Senhor no Evangelho
ensinou: “As minhas ovelhas conhecem a minha voz” (Jo 10, 27).
O sensus fidei faz com que o católico conheça o timbre da voz do bom
pastor. Quando é estranho o timbre, dele se afasta. Em resumo, o palavrório
amazônico terá repercussão escassa. Os católicos, em geral desgostosos com o
disparatado do texto, sentir-se-ão ainda mais excluídos.
Outra maioria silenciosa.
Certamente bem mais que 152 bispos
foram sondados para darem seu apoio ao texto intoxicado por um esquerdismo
primário e descabelado. Recusaram. Temos aqui uma maioria silenciosa, um pouco
menos de 350 — destes, quantos foram sondados, não tenho como saber —, que
pelas mais variadas razões, inclusive desconhecimento, imagino, abstiveram-se.
Preferiram guardar distância do texto revolucionário. Isolaram-se assim dos 152
signatários, tangidos pelo vezo incoercível de se juntar às reinvindicações da
esquerda, mesmo as mais radicalizadas.
Em 1976, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira publicou livro de
grande repercussão“A Igreja ante a escalada da ameaça comunista — Apelo
aos bispos silenciosos”. O trabalho continha o pedido para que os então bispos
silenciosos, maioria clara, tomassem a frente do palco, tirando o protagonismo
quase monopolístico dos bispos de esquerda.
Agora, também, a maioria está silenciosa. Dizia ele na
ocasião: “Importa, com efeito, não ver em tal silêncio apenas a posição
cômoda de quem está longe da luta. Mas também o desapego e a retidão que evitam
obstinadamente a complacência ativa com o mal. […] Nas mãos dos silenciosos,
pôs Deus todos os meios que ainda podem remediar a situação: são eles
numerosos, dispõem de posições, de prestígio e de cargos. Atuem. Nós lhes
imploramos. Falem, ensinem, lutem”. Estamos hoje em situação parecida. Os
excluídos na Igreja, ansiando por inclusão e compreensão, hoje não pedem outra
coisaa seus pastores. Não aprofundem ainda mais as valas da exclusão.
Apelo à união da esquerda em torno de programa demolidor.
O
libelo dos 152 está na rede e na imprensa escrita. Dele extraio trechos de
maior significado. Ponto central, recusa qualquer complacência com o
governo: “É dever […] posicionar-se claramente. […] A narrativa que propõe
a complacência frente aos desmandos do Governo Federal, não justifica a inércia
e a omissão”. Aos que não têm nenhuma complacência (os sem complacência)
com o governo, a proposta: “O momento é de unidade. […] Por isso, propomos
um amplo diálogo nacional”. A finalidade de tal frente popular salta do texto
apaixonado: “As reformas trabalhista e previdenciária mostraram-se como
armadilhas. […] É insustentável uma economia que insiste no neoliberalismo. […]
uma ‘economia que mata’. […] O desprezo pela educação, cultura, saúde e
diplomacia também nos estarrece. […] Demonstrações de raiva pela educação
pública. […] escolha da educação como inimiga. […] No plano econômico, o
ministro da economia […] privilegiando apenas grandes grupos […] grupos
financeiros que nada produzem. […] O governo federal demonstra rechaço pelos
mais pobres e vulneráveis. […] Este tempo não é para divisões”.
Esperemos que a CNBB recuse seu apoio a um texto favorecedor
de retrocessos e exclusões. E que, enfim, para o bem do Brasil, falem os
silenciosos do Episcopado.
O
montanhês, um homenzarrão talhado a fio de machado em velhas madeiras
indígenas, desembaraça sua carreta serrana, sem responder a pergunta que lhe
acaba de dirigir o rapaz de pé perto dele. É um rapaz franzino, em seu rosto
magro existe algo de gasto. Seus dedos sujos, se retorcem. Por certo ele teme
que o carreiro se vá sem lhe responder a pergunta na qual se aferra todo o seu
ser. Então repete com voz trêmula:
- Que me
diz, senhor? Leva-me até Recinto. Peço-lhe por tudo que o senhor mais queira...
O carreiro
responde com ar de troça...
- É muito
pequena a carreta, senhor. Ademais, os bois não comeram nesta caldeira.
O moço
torna à carga. Sua voz agora tem o tom humilde e pedichão dos mendigos.
- Senhor,
não posso dar-lhe mais de dez pesos... Perdi tudo... Nada mais tenho.
O carreiro
mostra o quadrilátero minúsculo de sua carreta:
- Não vê
que é pequena? E vai também a senhora... O senhor não cabe...
O jovem
olha para o semicírculo escuro onde nada vê. Com uma voz débil faz ainda uma
última tentativa.
- Posso ir
com o senhor na frente?
O carreiro
sorri compassivo
- No varal
apenas eu me sento...
E generoso
acrescenta, como esmola, um conselho:
- Amanhã a
carreta do Bustamonte segue para Veguilhas, é maior que esta.
O rapaz
responde já convicto:
-
Obrigado, muito obrigado.
Uma voz de
mulher, de aspereza masculina, entretanto ordena de dentro:
- Labrego, diz ao cavalheiro que
pode ir na carreta.
Indeciso o viandante aproximou-se
da parte posterior:
- Senhora,
se o permite?
Do
interior da carreta veio um murmúrio inarticulado que devia ser de
aquiescência. Teve de estender-se ao comprido e estirar-se com cuidado para não
molestar a companheira. Não havia folga possível porque a mulher que ia a seu
lado era corpulenta. Por sorte, um macio colchão de campo cobria a cama da
carreta e sua cabeça descansou em uma almofada comum como em um leito conjugal.
Todavia, como uma esposa ofendida, a mulher dera-lhe as costas e ele só via a
curva escura de seus quadris e o ângulo de seu ombro. O calor era asfixiante. O
rapaz cerrou os olhos. Quem era essa companhia? Será uma doente contagiosa que
se oculta para não se envergonhar? Por que não lhe dirige a palavra? É talvez
uma aldeã que só se banha por indicação médica... De súbito sentiu mover-se
inquieta.
Os estremecimentos de seu corpo eram tão visíveis que no
fundo do seu ser ouviu também essa voz ancestral que desperta e ruge sempre que
um homem e uma mulher estão próximos um do outro. Em seguida, sentiu um odor de
pele limpa que transpira; isto o exasperou até o intraduzível; a mulher, nos
movimentos involuntários do sono, se aproximara mais para o seu lado, e parte de
seus músculos colavam ao seu joelho e ao seu corpo. O carreteiro, lá fora,
cantava:
Um
fazendeiro tinha
boi de
muitas cores...
malhados e
pintados...
Algo de
imprevisto fez com que o rapaz não mais ouvisse a voz do condutor. O corpo da
mulher que dormitava ao seu lado, ia-se aproximando paulatinamente do seu. Não
era em absoluto, agora o percebia exatamente, a pressão sem malícia de um corpo
na inconsciência do sono; sentiu depois, próximo, um cálido alento, abrasador;
e uns lábios que buscavam os seus, com essa cegueira que só a morte e a vida
dão aos movimentos dos homens.
E naquela
carreta que rodava pela montanha o mundo se deteve um minuto em seu eterno
rodar pelos espaços, sobre os lábios de dois seres desconhecidos até então.
- Quem
será esta mulher?
Cansado,
adormeceu.
Violento
solavanco o fez despertar em sobressalto.
- Levanta,
patrão, que já estamos em Recinto, falou o carreiro com voz rouca.
- Aqui
estão os dez pesos.
O homem ia
estender a mão para receber, mas a voz da mulher pronunciou um não imperativo
cortando-lhe em seco o gesto.
A um grito
do carreiro, a carreta escorregou silenciosamente sobre a terra vermelha e
porosa do caminho. A sua silhueta perdia-se na penumbra do amanhecer. Na
memória do jovem ficava apenas o fogo de uma boca ávida sobre seus lábios e a
ponta disforme de um sapato de aldeã.
Esperou
ainda que uma mão aparecesse, ao longe, em romântico gesto de adeus. Mas não se
notou nenhum movimento. O rapaz dirigiu-se para a estação.
(CONTOS DE ALCOVA – Dezembro de 1963)
Compilados por Yves Idílio
---------------
MARIANO LATORRE
Mariano
Latorre é por excelência o estilista da paisagem chilena. Seus livros encerram,
por ciclos sucessivos, as regiões e as cidades do Chile, sua pátria.
Iniciador da
prosa “criolista”, mestre do conto descritivo sul-americano, Latorre nos dá
nesta sua “A DESCONHECIDA”, uma pequena “vernissage” do seu poder de “conteur”
que bem merece uma maior e larga difusão entre os povos de língua latina.
(Cobquecura, 1886 - Santiago, 1955) Romancista chileno,
principal representante junto com Marta Brunet da
corrente crioula no Chile. Mariano Latorre deixou os estudos de direito
pela pedagogia e tornou-se professor de espanhol. Posteriormente, deu
aulas de literatura na Universidade do Chile, combinando seu trabalho docente
com a atividade literária, na qual, além de conceber suas próprias criações,
foi frequentemente solicitado a prefaciar obras de outros autores e colaborar
em revistas e jornais.
Por trinta anos ele viajou por todo o Chile, documentando-se
sobre costumes, paisagens, flora, fauna, vestimenta, entonações de fala,
etc. Seu trabalho bebia da observação direta da natureza, um meio que ele
conhecia de suas contínuas excursões ao campo. Isso lhe permitiu
desenvolver uma literatura que se destacasse por uma presença explícita do
naturalismo e do costumbrismo, como já se apreciava em seu primeiro
título, Cuentos del Maule (1912), um livro de contos em que o crioulo
que prevaleceu ao longo de sua história começou a se definir. Produção.
Outros títulos do mesmo gênero são Cuna de condores (1918), Chilenos
del mar (1929), On Panta (1935), Hombres y zorros (1937)
e La isla de los rosas (1955). Dentre suas
novelas, destaca-se Zurzulita (1920), em que o protagonista é a
Cordilheira dos Andes, por onde desfilam uma série de personagens, como
camponeses, pobres e marginalizados, vítimas dos poderosos elementos da
natureza. Outros romances seus são Ully (1923) e La paquera (póstumo,
1958).
Em 1971 foram publicados seus ensaios, reunidos sob o título
de Memórias e Outras Confidências . Em 1944, pelos seus méritos,
laboriosidade e grande contribuição para o conhecimento dos costumes, da língua
e do quadro patriótico natural, foi galardoado com o Prémio Nacional de
Literatura. Um ano depois, foi nomeado acadêmico da Faculdade de Filosofia
e Educação da Universidade do Chile. No campo da diplomacia, Mariano
Latorre foi adido cultural na Espanha, Argentina, Colômbia e Bolívia.
Na
minha infância conheci criaturas interessantes que, na maneira de ser de cada
uma delas,davam cores e sons à cidade.
Faziam parte do espetáculo da vida ondequer que se apresentassem. O cego
Marujo era uma delas. Fazia ponto com a sua viola inseparável no estacionamento
de ônibus, que ficava no centro da
cidade, atrás do prédio do Instituto de Cacau da Bahia, perto do Ginásio Divina
Providência.
As marinetes,
assim chamados os ônibus de cadeira dura daquela época,chegavam e saíam daquele localmovimentado comgente próspera e modesta. Ali,os carregadores entregavamos embrulhos grandes pelas janelas aos
passageiros queretornavama alguma cidade circunvizinha. Não importava
o tempo, chuvoso ou de estio, lá estava o cego Marujo dedilhando a viola ao
peito, a cuia ao lado.
Ficava no
passeio, embaixo da marquise, junto à entradapara os guichês onde os passageiros compravam a passagem.Antes que o ônibus partisse,passageiros gostavam de ouvir o cego Marujo
dedilhando a viola, que gemia ao peito. A cuia ia se enchendo de cédulas de
dinheiro emoedas na medida que ele ia
tirandosuas cantigas, dizendo de coisas
alegres e tristes, das ocorrências rotineiras que serviam de alimento à memória
da cidade.
.Desfiava na viola a história que falasse de
algum assuntobastante comentado na
cidade, como o da mulherque foi
esfaqueada pelo marido ciumento quando o casal atravessava a PonteVelha.O marido acusava de estar sendo traído pela mulher com o vizinho.A pobre coitada só fazia cuidar dosafazeres da casa e fazer a comida gostosa
para o marido ciumento. No meio da discussão acirrada, o marido golpeou a
infeliz com várias facadas. Melado de sangue,sem saber o que fazer depois da cena alucinada,o marido ciumentojogou da ponte o corpo da mulher no rio e
saiu disparado rumo ao centro da cidade,gritando que era um homem desgraçado.
Outra vez o cego
Marujo desfiou a cantiga da mulher que pariu no meio da Ponte Velha. Teve
sorte. Deu à luz com a ajuda de duas mulheres idosas,que cedoiam fazendo a travessia na ponte.Pariu um menino graúdo. Não deu um gemido durante o parto, não chorou, ,
nãofez cara feia.Levantou-se com a ajuda das duas
mulheresque fizeram o parto. Saiu
andando como se nada de mais tivesse acontecido, o menino nos braços, no rosto
alegre o sorriso gordo.
Se o cego
Marujo não enxergava, os olhos estavam submersos nas sombras,como era que conseguia gravar aquelas
histórias,que pareciampublicadas noscordéis escritos pelostrovadores da cidade?Comentava-se que o seu guia, um menino negro,
esperto,era quem lia as histórias de
cordelpara ele no barraco onde moravam
no bairro da Conceição. Ele fazia a música e encaixava a letra nocordelcujo conteúdomais o marcava. Mas
também improvisava comcantigas baseadas
em histórias que ele mesmo inventava.
Gostava de
fazer opúblico sorrir quando
estavaaglomeradodiante dele. Certa vez, ouvi o cego
Marujofalar do tempo que era jovem,
enxergava até agulha na areia, era pescador que saía cedopara pegar o peixenos longes do mares bravios.
O barco parecia brinquedo
Nas mãos da
onda gigante,
Chamava por Deus
a tripulação,
Só eu era o
que nada temia,
Quanto mais
fosse o perigo
Causando a
maior aflição.
Não viesse
pescar comigo
Nos mares
distantes de Ilhéus,
Homem que fosse
frouxo,
Desses que gosta de cama boa,
Contar façanha
na lorota,
Comer mulher de
bunda gorda.
.....
Cyro de Mattos, escritor e poeta. Primeiro Doutor Honoris
Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de
Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia
de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.
Não esperemos da mídia alinhada com a esquerda um noticiário
imparcial sobre os revezes do chamado “gigante” asiático. Nunca vão informar
que a China não tem agropecuária suficiente para alimentar seus 1.4 bilhões de
habitantes. Nem que lhe faltam matérias-primas como ferro (do Brasil), cobre
(do Chile), petróleo. Menos ainda que seu caráter autoritário e ditatorial
causa repulsa no mundo livre.
E não são os “deuses” nem as “más fadas” que estão
empalidecendo a “estrela” de Pequim. Como veremos, é o próprio comunismo chinês.
Como, aliás, está no mais baixo patamar que se possa
imaginar a “estrela” petista, que seus aliados de sempre — o falso Centrão e
os bispos de esquerda — tentam salvar. A recente Carta dos 152 bispos
progressistas, articulada pelo amigo de Lula, Dom Cláudio Hummes, é disso a
mais recente prova.
China, onde o feitiço virou contra o feiticeiro
O desgaste da imagem da China varre o Ocidente e as nações
livres do Oriente e se deve em boa medida a uma cartada mal jogada do PCCh com
a pandemia.
“As observações do embaixador chinês nos EUA vieram quando
uma nova pesquisa da Pew Research descobriu que dois terços do público dos
EUA tinham visões desfavoráveis sobre a China — um novo aumento
significativo dos 47% quando Trump assumiu o cargo em 2017. Quase três quartos
dos americanos disseram não ter ‘nenhuma confiança’ no presidente chinês
Xi Jinping para ‘fazer a coisa certa em relação aos assuntos mundiais’.
Retórica anti-China, incluindo a repetida descrição de Trump da doença como o
‘vírus chinês’”.1
A culpa da China na pandemia ficou clara aos olhos de todos
e os processos trilionários contra ela estão em curso no mundo inteiro. Culpa
em encobrir a origem do vírus, em ocultar a sua expansão e periculosidade, em
tentar vender medicamentos e suprimentos de má qualidade para combater o vírus.
Esses são fatos notórios, não precisam de demonstração.
O PCCh não entende de diplomacia
Habituados à maneira comunista de ver o mundo, as relações
humanas, a diplomacia, os chineses comunistas do PCCh não conseguem ser amáveis,
jeitosos, acolhedores. As mesmas táticas que usam intramuros para sufocar
dissidências e justas manifestações de liberdade, eles as aplicam na
diplomacia, no trato com os países livres.
“A China exigiu no dia 2, que o Canadá pare com a
extradição aos Estados Unidos de Meng Wanzhou, diretora
financeira da multinacional chinesa de telecomunicações Huawei, um
processo autorizado pelo governo do país”.
“‘O abuso por parte de Estados Unidos e do Canadá de suas
regras de extradição é uma grave violação dos direitos legítimos de um cidadão
chinês’, disse hoje o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China,
Lu Kang”.2
A reação intempestiva contra a Austrália, que pedia uma
investigação independente da origem do vírus chinês, foi assim
noticiada: “O embaixador chinês Cheng Jingye ameaçou em 26 de
abril que o ‘público chinês’ possa boicotar as exportações australianas, o
turismo e o setor universitário se o governo continuar com o inquérito”.3
Acrescentamos: falar em “público chinês” num país dirigido ditatorialmente
pelo PCCh é cinismo do embaixador.
Guerra comercial com os EUA e violação dos direitos
fundamentais
O recente fechamento do consulado chinês em Houston (Texas),
por acusações de espionagem, vem numa esteira de medidas do governo Trump
contra o PCCh. Ele inclui desde guerra de tarifas, proibição de visto, roubo de
propriedade intelectual, suborno de cientistas, até graves denúncias de
perseguição religiosa e campos de confinamento de uigures.
A China vence o ranking da violação dos direitos
da pessoa humana, da censura na internet, da liberdade de expressão. A Lei de
Segurança Nacional de Hong Kong nos dá disso mais uma prova, ao violar os
acordos com o Reino Unido em 1985.
A consequência dessa série de violações é clara: o Mundo
Livre começa a acordar, a perceber que os comunistas não cumprem acordos e que
os planos de dominação mundial traçados pelo PCCh lhe escapam das mãos.
A crescente campanha de denúncias contra a Huawei,
instrumento de espionagem do PCCh, encontra eco na Austrália, no Reino Unido e
em outras nações.
Engano irreversível: O “perfil” do comunista chinês
distancia
A “estrela” de Pequim empalideceu. Cabe ao Mundo Livre
corrigir os nefastos erros oriundos do otimismo da era Nixon, cujas viagens à
China redundaram na industrialização e no enriquecimento dela em detrimento do
Ocidente.
As reações em curso, que apontamos neste artigo, constituem
a grande esperança do esmagamento final do dragão comunista chinês que oprime e
escraviza seu povo.
O Brasil precisa saber fazer suas verdadeiras alianças
internacionais a fim de preservar nossa soberania e a integridade territorial.
Acordo com comunistas é agenda de esquerda ou do falso Centrão.
Vivia ali
entre pastores, na alta serra gelada, espalhando bênçãos e esperanças.
Não chores,
filha! Deixa que as neves se derretam para que o teu noivo possa transpor o
monte. Não desespere, pastor. Então, porque te morre um borrego, bradas assim
contra o teu Deus? Não te lembras de Job? Não tens ainda tanta ovelha fecunda
trincando a erva dos outeiros, bebendo a água das fontes?
Por que
choras, mulher?
Levanta os
olhos para o céu, ele lá está, é anjo entre os anjos do Senhor. Que melhor
queres? Aqui seria zagal: tremeria ao frio, fugiria ao lobo e, muita vez,
talvez chorasse à míngua vendo o embornal vazio ou tiritasse assentado à beira
da cinza morta. Deixa-o lá! Falava à noiva triste, ao pegureiro bravio, à mãe
chorosa, o velho pároco serrano.
Tão velhinho!
Pobre velho!
Nem mais
fugiam as pombas quando o viam entrar vagarosamente na velha igreja, iam- lhe à
frente as pombas, arrulhando com familiaridade.
A sua
missa era longa. Tão velhinho!
Já lhe
custava pronunciar, e para ler então! Baixava a cabecinha branca e trêmula
sobre as amarelecidas folhas do missal como se as beijasse. Às vezes, porém,
ficava extasiado: os olhos longamente postos no crucificado e, quando os
descia, estavam rasos de água.
Grande santo!
E morreu...
......................
Coelho Neto (Henrique Maximiano C. N.), fundador da Cadeira 2 da ABL. Recebeu os Acadêmicos Osório
Duque-Estrada, Mário de Alencar e Paulo Barreto. romancista, crítico e teatrólogo, nasceu em Caxias, MA, em 21
de fevereiro de 1864, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28 de novembro de
1934.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Depois da multiplicação dos pães, Jesus mandou que os
discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do
mar, enquanto ele despediria as multidões. Depois de despedi-las, Jesus
subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali,
sozinho. A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois
o vento era contrário. Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os
discípulos, andando sobre o mar. Quando os discípulos o avistaram, andando
sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de
medo. Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”
Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu
encontro, caminhando sobre a água”. E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu
da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas, quando
sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor,
salva-me!” Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem
fraco na fé, por que duvidaste?”
Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que
estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o
Filho de Deus!”
“A barca, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o
vento era contrário” (Mt 14,24)
Poderíamos dizer que o relato da “travessia tormentosa” é
uma síntese da história de nossas vidas.
Seguramente as primeiras comunidades cristãs, como todos nós
hoje, se identificaram facilmente com esse grupo de discípulos em meio a uma
tormenta que sacode com força a barca em que estavam. Viver com Jesus ausente
requer confiança absoluta, esperança firme e capacidade para descobri-Lo
presente em sua aparente ausência. No envio que recebemos d’Ele para ir à outra
margem é possível que nossa barca seja também sacudida pelos movimentos das
ondas dos medos que nos fazem ver fantasmas, impedindo-nos reconhecer o
Ressuscitado, caminhando ao nosso lado.
Todos compartilhamos, para além do tempo e do espaço no qual
nos encontramos, a mesma bela e frágil natureza humana. Por isso, embora as
circunstâncias que nos envolvem sejam diferentes, e certamente estas podem
favorecer ou dificultar nosso seguimento de Jesus, reconhecemos que os
verdadeiros obstáculos, para viver centrados n’Ele e comprometidos com seu
Reino, não nos vem de fora, mas brotam de nosso próprio interior. E o maior
deles é o medo.
Os medos acompanham nossa vida cotidiana. Quem se
pergunta honestamente – o que eu temo? – re-conhecerá, sem dúvida, uma pequena
ou grande lista de medos que o habitam, travando o fluir de sua vida.
Quando o ser humano quebrou sua aliança com Deus no Paraíso,
o medo foi sua reação imediata. “Ouvi teus passos no jardim;
fiquei com medo, porque estava nu, e me escondi” (Gen. 3,10).
O medo se instalou em seu coração. E o ser humano
continua a temer através dos desertos e cidades, de dia e de noite, no coração
e na sociedade..., onde quer que esteja; ele vive sob um medo constante,
sentido com maior ou menor intensidade, mas sempre presente.
Medo dos passos de Deus e de seus próprios
passos; medo de estranhos e de amigos; medo do futuro; medo do
diferente; medo de seu corpo e da sua afetividade; medo de decidir; medo de
se comprometer; medo de romper as amarras do passado; medo do
novo; medo de viver e de morrer, medo de si mesmo. Uma longa cadeia
de medos, da primeira à última respiração, nesta terra de sombras.
Todos os medos estão inter-relacionados e,
qualquer que seja seu objeto imediato, todos têm em comum o sentimento sombrio
do perigo ameaçador.
Sabemos que o medo deixa as pessoas vulneráveis à
manipulação. Não existe depósito de munição mais potencialmente explosivo do
que os estoques de medo nas escuras profundezas de suas vidas.
As pessoas ficam tensas e projetam estas tensões na
realidade circundante. Encaram os outros como inimigos, e as oportunidades como
ameaças. O trabalho é competição, e a vida, um campo de batalha.
O medo quebra o ritmo biológico e ataca os tecidos
do corpo; ele nasce na mente, mas sua influência é sentida nos nervos, no
pulso, nos músculos e na respiração.
As pessoas temem os perigos que conhecem e mais
ainda os que não conhecem, mas os vislumbram presentes em cada esquina.
Um medo que pode ser nomeado perde o terror e a capacidade de ferir;
no entanto, um medo sem nome, um fantasma sem rosto, escuro como uma
sombra e rápido como uma tempestade aumenta o pavor e paralisa a ação. Medo sem
nome que assombra e queima as energias que poderiam ser canalizadas para algo
criativo.
O medo distorce a percepção da realidade; ele gera
muitos fantasmas e pré-juizos que, como consequência, maximizam os fatores
objetivos causantes do perigo.
Sendo uma emoção primária, o medo, com frequência,
impede o discernimento e a busca da solução mais inteligente para os problemas;
longe de resolvê-los, pode agravá-los a médio e longo prazo.
Quando o medo e a sensação de impotência impregnam
nossa vida cotidiana, se aviva em nós a consciência permanente de“vulnerabilidade”. Não
estamos preparados para acolher nossa fragilidade, nossa condição humana.
Enfim, o medo obscurece o sentido e a direção da
vida, tira o brilho tão próprio do amor; ele nos acovarda e nos enterra na
acomodação mesquinha.
É bom lembrar que o ser humano amadurece através do
confronto entre desejo e medo. Não há medo sem um desejo
escondido e não há desejo que não traga consigo um medo. O desejo e o medo
estão ligados. Temos medo do que desejamos e desejamos o que nos faz medo.
DESEJO e MEDO: existe, na natureza humana, a tendência
natural de ultrapassar o imediato, de caminhar para a “outra
margem”... para arriscar novos horizontes; necessidade de
afrontar o perigo, de tentar, de se aventurar... Mas existe também a
tendência oposta de se poupar e de se acautelar, a necessidade inata de evitar
o perigo, de se afastar dos obstáculos, de fugir das tempestades... O ser
humano que confia é também o ser humano que teme; o ato
de coragem carrega, também, o medo.
No nosso crescimento humano e espiritual, o medo não
superado, ou desejo bloqueado, vão gerar tempestades. Ou, pelo contrário, o
medo superado, o desejo desatado, vão permitir a maturação. E nossa vida evolui
assim, através do nosso desejo de plenitude e o nosso medo de destruição (impulso
de vida x impulso de morte).
Todos nós, no nível pessoal ou coletivo, vivemos
experiências de tempestades; algumas como um “tsunami”, como este que
vivemos no atual momento. Estamos diante de uma “onda nova” de risco e de
vida, na madrugada de um dia que pode e deve ser de salvação: “Coragem!
Sou eu. Não tenhais medo!”
Uma coisa é sentir medo; outra, é permanecer
paralisado com medo de arriscar e não aventurar por novas terras, na
descoberta infindável que é a vida.
É preciso não ter medo do medo, e fazer dele uma mediação
para o próprio crescimento, descobrindo o desejo de viver que se esconde atrás
de cada medo. E que vai permitir ir mais longe.
As batalhas mais profundas do espírito (a quebra de limites
da mente e do costume, o avanço sobre novos ideais e sonhos...) se conquistam
com o atrevimento da coragem, com a força da fé, com
a imaginação solta, com a criatividade livre e desimpedida.
Desafiando os medos aprende-se a ter coragem. Aceitar
os medos é o caminho para tornar-se destemido. O conhecimento da
própria fraqueza é a maior força.
Cada medo não resolvido é um peso na vida. É
preciso descobri-los, identificá-los, nomeá-los e tomá-los como são até que se
possa dissolvê-los em consciência e coragem.
Também a Igreja se mostra, muitas vezes, presa ao medo,
matando seu espírito profético. Uma Igreja medrosa torna-se conivente com a
cultura da violência e da morte. Enquanto mais teme, mais se fecha e se
entrincheira atrás de normas, doutrinas, ritos...; e quanto mais se
entrincheira, mais frágil se torna.
A grande comunidade dos seguidores de Jesus é chamada por
Ele a viver contínuas travessias, a sair dos seus espaços estreitos e
“normóticos” (normalidade doentia), a ser “provada” pelas tormentas e ventos
contrários, a esvaziar sua barca de tantos pesos para poder fluir com mais
leveza, levantando suas velas e aproveitando da força dos mesmos ventos.
É o mesmo Espírito de Jesus que sopra as velas da grande
barca, conduzindo-a para a “outra margem”, a margem do compromisso em favor da
vida.
Texto bíblico: Mt 14,22-33
Na oração: Entre na barca de sua vida, em companhia do
Senhor; deixe que a presença d’Ele desmascare os medos que atrofiam sua identidade
e originalidade.
- Dê nomes aos seus medos; nomeá-los, já é dar o primeiro
passo para não se deixar determinar por eles.