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domingo, 9 de agosto de 2020

O PÁROCO – Coelho Neto

Tão velhinho! Pobre velho!

Vivia ali entre pastores, na alta serra gelada, espalhando bênçãos e esperanças.

            Não chores, filha! Deixa que as neves se derretam para que o teu noivo possa transpor o monte. Não desespere, pastor. Então, porque te morre um borrego, bradas assim contra o teu Deus? Não te lembras de Job? Não tens ainda tanta ovelha fecunda trincando a erva dos outeiros, bebendo a água das fontes?

            Por que choras, mulher?

            Levanta os olhos para o céu, ele lá está, é anjo entre os anjos do Senhor. Que melhor queres? Aqui seria zagal: tremeria ao frio, fugiria ao lobo e, muita vez, talvez chorasse à míngua vendo o embornal vazio ou tiritasse assentado à beira da cinza morta. Deixa-o lá! Falava à noiva triste, ao pegureiro bravio, à mãe chorosa, o velho pároco serrano.

            Tão velhinho! Pobre velho!

            Nem mais fugiam as pombas quando o viam entrar vagarosamente na velha igreja, iam- lhe à frente as pombas, arrulhando com familiaridade.

            A sua missa era longa. Tão velhinho!

            Já lhe custava pronunciar, e para ler então! Baixava a cabecinha branca e trêmula sobre as amarelecidas folhas do missal como se as beijasse. Às vezes, porém, ficava extasiado: os olhos longamente postos no crucificado e, quando os descia, estavam rasos de água.

            Grande santo!

            E morreu...

......................

Coelho Neto (Henrique Maximiano C. N.), fundador da Cadeira 2 da ABL. Recebeu os Acadêmicos Osório Duque-Estrada, Mário de Alencar e Paulo Barreto.  romancista, crítico e teatrólogo, nasceu em Caxias, MA, em 21 de fevereiro de 1864, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 28 de novembro de 1934.


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (196)

19º Domingo do Tempo Comum – 09/08/2020


 Anúncio do Evangelho (Mt 14,22-33)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Depois da multiplicação dos pães, Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”

Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”

Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:


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A arte de enfrentar tempestades

“A barca, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário” (Mt 14,24)

 

Poderíamos dizer que o relato da “travessia tormentosa” é uma síntese da história de nossas vidas.

Seguramente as primeiras comunidades cristãs, como todos nós hoje, se identificaram facilmente com esse grupo de discípulos em meio a uma tormenta que sacode com força a barca em que estavam. Viver com Jesus ausente requer confiança absoluta, esperança firme e capacidade para descobri-Lo presente em sua aparente ausência. No envio que recebemos d’Ele para ir à outra margem é possível que nossa barca seja também sacudida pelos movimentos das ondas dos medos que nos fazem ver fantasmas, impedindo-nos reconhecer o Ressuscitado, caminhando ao nosso lado.

Todos compartilhamos, para além do tempo e do espaço no qual nos encontramos, a mesma bela e frágil natureza humana. Por isso, embora as circunstâncias que nos envolvem sejam diferentes, e certamente estas podem favorecer ou dificultar nosso seguimento de Jesus, reconhecemos que os verdadeiros obstáculos, para viver centrados n’Ele e comprometidos com seu Reino, não nos vem de fora, mas brotam de nosso próprio interior. E o maior deles é o medo.

Os medos acompanham nossa vida cotidiana. Quem se pergunta honestamente – o que eu temo? – re-conhecerá, sem dúvida, uma pequena ou grande lista de medos que o habitam, travando o fluir de sua vida.

Quando o ser humano quebrou sua aliança com Deus no Paraíso, o medo foi sua reação imediata. “Ouvi teus passos no jardim; fiquei com medo, porque estava nu, e me escondi” (Gen. 3,10).

O medo se instalou em seu coração. E o ser humano continua a temer através dos desertos e cidades, de dia e de noite, no coração e na sociedade..., onde quer que esteja; ele vive sob um medo constante, sentido com maior ou menor intensidade, mas sempre presente.

Medo dos passos de Deus e de seus próprios passos; medo de estranhos e de amigos; medo do futuro; medo do diferente; medo de seu corpo e da sua afetividade; medo de decidir; medo de se comprometer; medo de romper as amarras do passado; medo do novo; medo de viver e de morrer, medo de si mesmo. Uma longa cadeia de medos, da primeira à última respiração, nesta terra de sombras.

Todos os medos estão inter-relacionados e, qualquer que seja seu objeto imediato, todos têm em comum o sentimento sombrio do perigo ameaçador.

Sabemos que o medo deixa as pessoas vulneráveis à manipulação. Não existe depósito de munição mais potencialmente explosivo do que os estoques de medo nas escuras profundezas de suas vidas.

As pessoas ficam tensas e projetam estas tensões na realidade circundante. Encaram os outros como inimigos, e as oportunidades como ameaças. O trabalho é competição, e a vida, um campo de batalha.

O medo quebra o ritmo biológico e ataca os tecidos do corpo; ele nasce na mente, mas sua influência é sentida nos nervos, no pulso, nos músculos e na respiração.

As pessoas temem os perigos que conhecem e mais ainda os que não conhecem, mas os vislumbram presentes em cada esquina. Um medo que pode ser nomeado perde o terror e a capacidade de ferir; no entanto, um medo sem nome, um fantasma sem rosto, escuro como uma sombra e rápido como uma tempestade aumenta o pavor e paralisa a ação. Medo sem nome que assombra e queima as energias que poderiam ser canalizadas para algo criativo.

O medo distorce a percepção da realidade; ele gera muitos fantasmas e pré-juizos que, como consequência, maximizam os fatores objetivos causantes do perigo.

Sendo uma emoção primária, o medo, com frequência, impede o discernimento e a busca da solução mais inteligente para os problemas; longe de resolvê-los, pode agravá-los a médio e longo prazo.

Quando o medo e a sensação de impotência impregnam nossa vida cotidiana, se aviva em nós a consciência permanente de “vulnerabilidade”. Não estamos preparados para acolher nossa fragilidade, nossa condição humana.

Enfim, o medo obscurece o sentido e a direção da vida, tira o brilho tão próprio do amor; ele nos acovarda e nos enterra na acomodação mesquinha.

 É bom lembrar que o ser humano amadurece através do confronto entre desejo e medo. Não há medo sem um desejo escondido e não há desejo que não traga consigo um medo. O desejo e o medo estão ligados. Temos medo do que desejamos e desejamos o que nos faz medo.

DESEJO e MEDO: existe, na natureza humana, a tendência natural de ultrapassar o imediato, de caminhar para a “outra margem”... para arriscar novos horizontes; necessidade de afrontar o perigo, de tentar, de se aventurar... Mas existe também a tendência oposta de se poupar e de se acautelar, a necessidade inata de evitar o perigo, de se afastar dos obstáculos, de fugir das tempestades... O ser humano que confia é também o ser humano que teme; o ato de coragem carrega, também, o medo.

No nosso crescimento humano e espiritual, o medo não superado, ou desejo bloqueado, vão gerar tempestades. Ou, pelo contrário, o medo superado, o desejo desatado, vão permitir a maturação. E nossa vida evolui assim, através do nosso desejo de plenitude e o nosso medo de destruição (impulso de vida x impulso de morte).

Todos nós, no nível pessoal ou coletivo, vivemos experiências de tempestades; algumas como um “tsunami”, como este que vivemos no atual momento.  Estamos diante de uma “onda nova” de risco e de vida, na madrugada de um dia que pode e deve ser de salvação: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”

Uma coisa é sentir medo; outra, é permanecer paralisado com medo de arriscar e não aventurar por novas terras, na descoberta infindável que é a vida.

É preciso não ter medo do medo, e fazer dele uma mediação para o próprio crescimento, descobrindo o desejo de viver que se esconde atrás de cada medo. E que vai permitir ir mais longe.

As batalhas mais profundas do espírito (a quebra de limites da mente e do costume, o avanço sobre novos ideais e sonhos...) se conquistam com o atrevimento da coragem, com a força da fé, com a imaginação solta, com a criatividade livre e desimpedida.

Desafiando os medos aprende-se a ter coragem. Aceitar os medos é o caminho para tornar-se destemido. O conhecimento da própria fraqueza é a maior força.

Cada medo não resolvido é um peso na vida. É preciso descobri-los, identificá-los, nomeá-los e tomá-los como são até que se possa dissolvê-los em consciência e coragem.

Também a Igreja se mostra, muitas vezes, presa ao medo, matando seu espírito profético. Uma Igreja medrosa torna-se conivente com a cultura da violência e da morte. Enquanto mais teme, mais se fecha e se entrincheira atrás de normas, doutrinas, ritos...; e quanto mais se entrincheira, mais frágil se torna.

A grande comunidade dos seguidores de Jesus é chamada por Ele a viver contínuas travessias, a sair dos seus espaços estreitos e “normóticos” (normalidade doentia), a ser “provada” pelas tormentas e ventos contrários, a esvaziar sua barca de tantos pesos para poder fluir com mais leveza, levantando suas velas e aproveitando da força dos mesmos ventos.

É o mesmo Espírito de Jesus que sopra as velas da grande barca, conduzindo-a para a “outra margem”, a margem do compromisso em favor da vida.

 

 Texto bíblico:  Mt 14,22-33 

Na oração: Entre na barca de sua vida, em companhia do Senhor; deixe que a presença d’Ele desmascare os medos que atrofiam sua identidade e originalidade.

- Dê nomes aos seus medos; nomeá-los, já é dar o primeiro passo para não se deixar determinar por eles.

- O que você faria, se não tivesse medo?

 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2113-a-arte-de-enfrentar-tempestades

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sábado, 8 de agosto de 2020

O TERRORISTA CULTURAL – Cyro de Mattos

                              O Terrorista Cultural

Cyro de Mattos


            “Espelho, espelho meu, existe alguém no mundo mais infeliz do que eu?”

            Fazia sempre a pergunta e ouvia a voz dizendo, claro que não.  Não era preciso dizer os motivos da sua revolta ante o que a vida fazia com ele.  Sua figura grotesca   falava por si mesma.  Criatura mal vista, de temperamento nervoso, atarracada, cabeça grande enterrada no pescoço, que lhe rendeu quando pequeno, entre os amigos pirracentos, o apelido nada agradável de Cabeçorra.  A semelhança com a cabeça de um bezerro não era mera coincidência.  Era fato incontestável. 

          Viera ao mundo numa data aziaga, 13 de agosto, numa sexta-feira. Cedo ficara sem o pai e a mãe, morreram num desastre de carro. Fora criado por uma tia solteirona, que vivera abraçada ao rancor porque nunca havia provado o melhor doce do mundo.   Nada pior para ele do que quando chegava o dia que se homenageava a mãe ou o pai no recesso da família, com abraços e presentes.  Um suplício, horror. Os meninos mostravam-se contentes com aquela data que exibiam o retrato do pai ou da mãe na vitrina da loja recebendo o abraço carinhoso e o presente do ente querido.

            Participar daquele tipo de   comemoração em data festiva no recesso da família de um amigo nem morto.   A cena do abraço afetivo e o parabéns efusivo o deixariam   com esse desejo de sumir no mundo, melhor se achasse um lugar para se esconder ali mesmo no ambiente alegre.

            Resolveu ingressar na faculdade para graduar-se em letras. Tinha umas ideias na cabeça, achava que podia colocá-las no papel, o curso iria dar-lhe munição excelente para escrever livros de poesia, contos e romances. Dias alegres dormiriam com ele. Não precisaria fazer mais perguntas ao espelho sobre sua sorte no mundo, sempre com as horas tristes, mergulhos doloridos, sombras da infelicidade.  No curso de letras entregou-se de corpo e alma ao conhecimento de grandes autores. Tirava notas altas em cada dissertação apresentada no exame final.

            Apto para exercer a nova etapa de vida como escritor, meteu mãos à obra. Escreveu primeiro um livro de poesia reunindo cem poemas acrósticos. Fez o lançamento antevisto de muitos autógrafos e parabéns dos leitores na livraria da avenida principal. Ó decepção, não vendeu um exemplar.

            Tentou repetir a dose, dessa vez se aventurava pelo universo mágico das histórias baseadas no imaginário popular. Publicado o livro com capa dura, programou o lançamento, com a certeza de que dessa vez a guerra de não ser autor sem leitor seria vencida. Imaginou o evento com muitos autógrafos e vendas que esgotariam a edição de duzentos exemplares, as despesas da impressão do livro custeadas pelo próprio autor, como no livro da estreia, ressalte-se.  Só vendeu dois exemplares.

           “Espelho, espelho meu, existe alguém no mundo mais infeliz do que eu?”

            Firme e categórica, a voz:

            “Alguma dúvida, beleza?”

            Decidiu escrever sua biografia romanceada com desejos de alcançar o merecido círculo extenso de leitores e admiradores. O alentado volume de quatrocentos páginas, intitulado “A dura vida de Silvano Fontana com penúrias e agruras”, seria um sucesso, testemunho pungente e denso das amarguras que havia passado na rotina indiferente da vida.  Todo contente, na livraria cheia de gente a mesa coberta com a toalha de linho, adornada com flores no jarro.  Em festa concorrida de abraços e apertos de mão, imaginou que o evento seria o suficiente para se sentir um escritor realizado, inclusive com o direito de pleitear a ocupação de uma cadeira na conceituada Academia de Letras de Biboca do Japará, prestes a ser inaugurada.

            Vendeu três exemplares.

            Não desanimou, partiu para ingressar na academia de letras.  A posição de membro da nobre instituição iria render-lhe bons frutos, entre eles o de se tornar um escritor com público numeroso.  Agora, cada lançamento concorrido de um de seus livros seria a glória. Em obediência à febricitante compulsão criativa, a cada mês escrevia um livro de ficção.  Sua nova situação de ilustre acadêmico exigia que tivesse o acervo com estoque farto, para acabar com essa situação incômoda de ser um autor sem leitor.

            Apresentou-se à reunião dos membros fundadores da academia, distribuindo exemplares dos três livros publicados e o currículo robusto. Pronunciou um discurso contundente, jurando cumprir os desígnios da instituição contra trovões e tempestades, erguendo alto a bandeira que sustentava o propósito de defender a liberdade de expressão e preservar a pureza da língua.  Causou espanto a quem ouviu, foi aplaudido com palmas sonoras. Era o membro certo que aparecia no momento certo para ocupar uma das cadeiras fundadas pelos patronos ilustres da instituição.  Sem modéstia, declarou que só lhe interessava ocupar a cadeira 26, que tinha como patrono Machado de Assis, o bruxo de Cosme Velho, arguto analista de alma, seu eterno ídolo.    

            Cedo ficaram sabendo que aquela criatura de temperamento irritado, de difícil convivência, não era tão certa assim para ocupar as hostes de uma agremiação que cultivava   o amor às letras, o convívio fraterno com finos tratos. Autoritária, sua presença causava medo no ambiente, até as paredes tremiam quando adentrava o recinto. Discordava das argumentações da presidente, professora e juíza de direito, Antonia Carvalho Midlej, com vistas à execução de um eficiente projeto cultural que trouxesse ganhos para as letras comunitárias e com isso reforçasse o conceito da entidade em elevado patamar, entre os pares e concidadãos da progressista cidade. 

          Com o dedo em riste, de repente surgiu rancoroso para agredir à ilustre diretora de comunicação da instituição, a estimada confreira Mabel Rocha, dublê de cineasta e psicanalista, acusada por ele de centralizadora do blog, sem competência técnica para administrá-lo, atuando em causa própria na divulgação das matérias. Na última sessão, descontrolou-se de tal maneira que partiu para agredir com sopapos à presidente   e à diretora de comunicação. Foi impedido por vários confrades de consumar o crime de lesão corporal de natureza grave nas duas confreiras.

         Foi convidado para que se retirasse do recinto, se resistisse iam chamar a polícia. Bufando, esperneando, retirou-se a muito custo. Atirou cobras e lagartos para todas as direções. “Vocês me pagam”, jurava, o rosto vermelho, a cabeçorra como se fosse a de um gigante, de tanto que cresceu nessa hora de revolta e fúria. Não teve mais ambiente para frequentar a academia, mas não pediu desligamento da entidade, não demonstraria tamanha fraqueza perante aquela cambada de cretinos, tropa de calhordas, narcisistas contumazes.   Resolveu construir o seu blog, para a divulgação de seus textos e, ao mesmo tempo, numa perseguição canina desenfreada, desferir mordidas e unhadas contra a inoperante Academia de Letras de Bibocas do Japará. 

         Caluniou, injuriou, despejou infâmias contra os integrantes do sodalício pomposo, de cabo a rabo incompetente e inoperante, acentuava.  Sem um livro publicado vários de seus membros, os que tinham editado um ou outro livreto apenas das páginas emergiam ideias provincianas, baseadas na argumentação pueril, sem condimento filosófico, já nascidas mortas, expressas em escrita pobre, ressaltava no blog “O Porrete”. Adiantava que esses palhaços  vestidos de acadêmicos  terminavam suas falas na sessão  com o elogio da glória da tão falada imortalidade, que não era nada de imortalidade, nem coisa alguma, já que todos nós só tínhamos um destino aqui na terra, carimbado pela indesejada, sermos comidos por  uns bichinhos que nos esperam debaixo da terra para o banquete costumeiro.

            “Espelho, espelho meu, existe alguém no mundo mais infeliz do que eu?”

             Silvano Fontana escutou daquela vez não a resposta conhecida, mas os ruídos do espelho se partindo e caindo aos pedaços no quarto. Sem trégua do perguntador aflito, o velho e leal interlocutor não suportou mais aquela indagação repetitiva e enfadonha, para a qual a resposta era uma só, não podia ser outras por razões de evidência categórica, que dava na vista.

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 Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

NA PRESENTE PANDEMIA, A MÃO DE DEUS CASTIGA? – Luiz Sérgio Solimeo

31 de julho de 2020

Jesus Cristo expulsa os vendilhões do Templo – Giotto di Bondone, séc. XIV. Capella degli Scrovegni, Pádua.

 Luiz Sérgio Solimeo

 Para alguns altos prelados, Deus jamais castiga. Dizer que o flagelo da atual pandemia possa ser um castigo divino seria, para eles, uma coisa pagã. Foi o que declarou em recente entrevista Dom Mario Delpini, atual sucessor de São Carlos Borromeu na arquidiocese de Milão. O repórter perguntou-lhe se “devemos implorar a Deus por socorro porque, como dizem alguns pregadores, é Ele quem envia o flagelo do vírus”. A resposta do arcebispo foi surpreendente: “Essas são teorias sobre Deus, que eu não sei de onde veem, e que não compartilho. A oração agora não pretende pedir a Deus que remova um castigo que Ele mesmo enviou; nós não temos um Deus irado que deve ser acalmado. Para mim, isso parece uma concepção muito pagã”.1

O Cardeal Antônio Marto, bispo de Leiria-Fátima, Portugal, se pronunciou do mesmo modo. Questionado se concordava com os padres, e mesmo cardeais, que alegavam ser o coronavírus um castigo de Deus, ele respondeu, em flagrante contraste com a mensagem de Fátima: “Isso não é cristão. Só o diz quem não tem na sua mente ou no seu coração, por ignorância, fanatismo sectário ou loucura, a verdadeira imagem de Deus Amor e Misericórdia revelada em Cristo”.2

Outro prelado, o Cardeal Blase Cupich, arcebispo de Chicago, também parece dar pouco valor à oração durante uma pandemia. Com relação ao desejo de alguns fiéis, de que as missas sejam permitidas aos fiéis nas igrejas, ele comentou: “Religião não é mágica, onde apenas fazemos orações e pensamos que as coisas vão mudar. Deus nos deu um cérebro e o dom da inteligência, e temos que usá-los neste momento”.3

O Pe. Raniero Cantalamessa, OFMCap. [foto abaixo], Pregador da Casa Pontifícia desde 1980, também negou, em sermão na noite da Sexta-Feira Santa na Basílica de São Pedro vazia, que a atual pandemia pudesse ser um castigo de Deus: “Deus é nosso aliado, não o aliado do vírus! […] Se esses flagelos fossem castigos de Deus, seria inexplicável, por que eles atingem bons e maus; e porque, geralmente, os pobres sofrem as maiores consequências. São eles mais pecadores que outros?”.4

Não existem razões para uma punição?

Como podem esses eclesiásticos ter tanta certeza de que a pandemia de coronavírus não é uma manifestação da ira de Deus, pelos muitos pecados hodiernos? E certeza também de que não é um castigo ou um aviso de Deus?

A apostasia impressionante da sociedade moderna, em relação à verdade do Evangelho, leva muitos a se perguntarem se Deus não está enviando uma mensagem à humanidade por meio do coronavírus. Ele poderia estar dizendo: “Eu repreendo e castigo aqueles que amo. Reanima, pois, o teu zelo e arrepende-te” (Apoc. 3,19).5

Poderia Deus estar mostrando Seu supremo descontentamento com a amoralidade, a libertinagem, a perda de fé e o pecado hoje reinantes?

Se considerarmos apenas o aborto voluntário, por exemplo, não poderia a pandemia ser um castigo divino pelo sangue de milhões de vítimas inocentes, que sobe ao Céu clamando a Deus por justiça? “Eles derramaram o sangue dos santos como água ao redor de Jerusalém. E não houve quem os sepultasse. Vinga, ó Senhor, o sangue dos Teus santos, que foi derramado sobre a terra”.6

As declarações dos eclesiásticos acima mencionados resultam de uma falsa noção da misericórdia e justiça divinas, e estão em contradição com a doutrina católica e a Tradição. Por isso parece oportuno relembrar alguns pontos doutrinários e responder a algumas objeções.

“Se a pandemia de coronavírus pode ser explicada cientificamente, não pode ser uma intervenção divina”.

Esta é a objeção usual à intervenção de Deus. Se a ciência pode explicar a natureza e as consequências do coronavírus (SARS-Cov-2), não haveria necessidade de considerar a intervenção divina. Entretanto, embora a ciência positiva possa explicar a mecânica dos desastres naturais, ela não explica seu significado transcendente.

Excluir qualquer intenção divina nos eventos, seria negar que “todas as coisas, na medida em que participam da existência, devem igualmente estar sujeitas à providência divina”.7 Caso contrário, Deus teria feito a criação sem fim e propósito, portanto não seria sábio; ou então Ele seria incapaz de intervir em sua própria criação, portanto não seria onipotente. Mas isso equivaleria a negar sua existência, pois a simples possibilidade de um Deus imperfeito contradiz a própria noção de Deus. Ou Ele é um Ser absolutamente perfeito, ou o próprio conceito de Deus não faz sentido.

Toda a Criação está sob o poder do governo divino, e sujeita aos sábios desígnios de Deus. [Foto: Frederico Viotti / Vitral da igreja de São Sulpício, Fougeres (França)].

 Nada na criação escapa ao governo de Deus

De fato, Deus não apenas criou todos os seres por meio de um ato soberano de sua divina Vontade, mas os sustenta na existência e os guia para o fim para o qual os criou, a saber, Sua glória extrínseca, sem entretanto tirar a liberdade das criaturas racionais. Em outras palavras, toda a Criação está sob o poder do governo divino, e sujeita aos sábios desígnios de Deus. Como ensina São Tomás de Aquino:

“Deus é governador e causa dos seres; pois a Ele pertence produzi-los e dar-lhes a perfeição, o que tudo é próprio de quem governa. Ora, Deus é, não a causa particular de um gênero de seres, mas a causa universal, da totalidade dos seres. Por onde, assim como nada pode existir sem ser criado por Deus, assim também nada há que lhe possa escapar ao governo. […] Por onde, como nada pode haver que não se ordene à bondade divina como fim, segundo do sobredito se colhe, impossível é a qualquer ser subtrair-se ao governo divino”.8

São Tomás explica ainda que, embora esse governo divino seja direto e imediato do ponto de vista do desígnio, isso não significa que Deus não possa usar meios secundários para a execução final de seus planos. Consequentemente, Ele pode usar os anjos ou até homens para intervir na História. Ele pode usar as forças naturais e as leis físicas, que são derivadas da natureza dos seres quando Ele os criou, e seus relacionamentos entre si.9

No entanto, apenas porque Deus normalmente se utiliza dessas causas secundárias para executar seus planos, isso não significa que Ele não esteja direcionando, de maneira superior, todas as coisas para o seu verdadeiro propósito, que é a sua glória. Deus geralmente age na História sem suspender as leis da natureza, mas orientando-as na obtenção de resultados específicos. Por exemplo, quando o Profeta Elias orou pedindo pela chuva em Israel, que estava sofrendo com uma seca terrível, Deus fez com que muitas nuvens se juntassem e chovesse fortemente (1 Reis 18, 41-45). Em outras ocasiões Ele suspendeu as leis da natureza, como, por exemplo, quando os israelitas cruzaram o Mar Vermelho (Ex 14, 16).

De fato, a perfeição absoluta de Deus exige que Ele aja continuamente na História. Isto é abundantemente confirmado pelas Sagradas Escrituras e pelos escritos dos Padres e Doutores da Igreja. Portanto, ao analisar a atual catástrofe, o governo de Deus no mundo deve ser levado em consideração.

● “Deus é a própria bondade, portanto, jamais castiga os homens”.

Esta é outra objeção comum ao castigo divino. No entanto, se levada à sua consequência lógica e última, negaria o dogma da existência do inferno.

Visto que Deus é o Ser absolutamente perfeito e a causa de toda perfeição, Ele deve ter em Si todas as perfeições possíveis.10 Assim, Ele não é apenas infinitamente bom e misericordioso, mas também infinitamente justo.

Deus reserva a recompensa ou o castigo final e definitivo para a outra vida, como pode ser visto na parábola do trigo e do joio (Mt 13, 24-30). Mas Ele também castiga nesta Terra. Esta verdade é formalmente encontrada nas Sagradas Escrituras. Alguns exemplos são as pragas do Egito (Ex 7-8), o dilúvio (Gen. 6-8), a destruição de Sodoma e Gomorra (Gen. 19) e a destruição de Jerusalém (Mt 24, 1-2).

Deus julga e castiga os homens, e cada um individualmente

Estátua de Carlos Magno. São Paulo afirma que a “autoridade [terrena] está a serviço de Deus, […] não é sem razão que leva a espada: é ministro de Deus, para fazer justiça e para exercer a ira contra aquele que pratica o mal” (Rom. 13, 4).

Além disso, São Paulo afirma que a “autoridade [terrena] está a serviço de Deus, […] não é sem razão que leva a espada: é ministro de Deus, para fazer justiça e para exercer a ira contra aquele que pratica o mal” (Rom. 13, 4). Mas, como é evidente, nenhuma autoridade humana poderia ser um ministro ou agente da justiça divina, se o próprio Deus não aplicasse o castigo terrestre.

Segundo o Apóstolo, o homem não pode escapar à justiça divina, seja nesta vida ou na próxima: “Tu, ó homem […] pensas que escaparás ao juízo de Deus? […] Mas, pela tua obstinação e coração impenitente, vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; mas ira e indignação aos contumazes, rebeldes à verdade e seguidores do mal” (Rom. 2, 2-8).

Deus é misericordioso. Mas “sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem” (Lc 1, 50), proclama a Santíssima Virgem no Magnificat.

“Como a calamidade afetou tanto os bons quanto os maus, não pode ser um castigo divino — Deus jamais castigaria o bom”.

Para tratar adequadamente desta objeção, cumpre primeiro relembrar alguns ensinamentos básicos de nossa Fé católica:

a — Deus é o Senhor da vida: a Ele devemos nossa existência; e, assim como Ele livremente nos deu vida, é livre para no-la tirar. Não há injustiça quando Ele o faz, independentemente do estágio da vida, seja a de um bebê, de uma criança, de um adulto em pleno vigor, ou de alguém que atingiu a venerável velhice.

b — A vida e a felicidade eternas, não as terrenas, são nossos objetivos finais: além do mais, nossa vida terrena e a felicidade não são fins em si mesmas. Elas não são a principal razão de nossa existência. São o caminho, o meio para alcançarmos a vida eterna, que é nosso verdadeiro objetivo. Assim, São Paulo nos lembra: “Nós, porém, somos cidadãos dos céus” (Fip. 3, 20). O modo de agir de Deus se torna incompreensível quando perdemos de vista a vida eterna e a felicidade celestial.

c — Deus pune o pecado coletivo coletivamente: quando o pecado se generaliza e é grandemente tolerado, ou cometido por indivíduos muito representativos, ele compromete toda a família, a cidade, a região, a nação, e mesmo épocas históricas. Essa dimensão coletiva torna o pecado particularmente grave e ofensivo a Deus, trazendo como resultado o castigo divino também coletivo. Os bons e os maus sofrem: os primeiros, para se tornarem mais perfeitos; os segundos, como castigo por suas faltas e convite à conversão.

O vulcão Galeras ameaça com a sua erupção a cidade de Pasto, no sul da Colômbia. Foram feitas procissões pedindo a Deus que poupasse a cidade do castigo.

Santo Agostinho explica o castigo coletivo

O grande Santo Agostinho, bispo de Hipona, Doutor e Padre da Igreja, viveu durante as invasões bárbaras que provocaram a queda do Império Romano do Ocidente. De fato, os vândalos estavam assaltando as muralhas da sua cidade quando ele morreu.

Durante esse período conturbado, os romanos pagãos culparam a Igreja pelo colapso do Império e da Civilização. Argumentavam eles que, se o Império não se tivesse tornado cristão, Júpiter e os outros deuses de Roma o teriam salvo da destruição. Acrescentavam ainda que o Deus dos cristãos não era nenhum deus, pois não os havia poupado dos bárbaros.

Santo Agostinho escreveu o livro “A Cidade de Deus” para defender a Igreja e fortalecer a fé nos corações. Nessa sua obra-prima ele explica o motivo dos castigos coletivos. Seu raciocínio pode ser resumido da seguinte forma:

1 — Como as nações como tais não passam para a vida eterna, elas são recompensadas ou castigadas nesta vida pelo bem ou pelo mal que praticam. Os bons e os maus sentem os efeitos da recompensa e do castigo.11

2 — Quanto aos bons, o castigo purifica neles o amor a Deus. Pode até levá-los das tribulações desta vida para a vida eternamente feliz do Céu. “Os bons têm ainda outra razão para sofrer os males temporais. É a mesma de Job: que o homem submeta o seu próprio espírito à prova, e comprove e conheça com que grau de piedade e com que desinteresse ama a Deus”.12

3 — Por outro lado, com frequência os bons são justamente castigados pelo egoísmo, falta de coragem e de zelo apostólico, que os impede de apontar para os maus o desacerto de seus caminhos: “Receiam pôr em perigo e perder a sua integridade e reputação, […] se comprazem nas adulações e temem a opinião pública, os tormentos da carne ou da morte, isto é, por causa dos grilhões de certas paixões e não por causa do dever de caridade”.13

4 — Quanto aos maus, eles são castigados pela “divina Providência que costuma, com guerras, purificar e castigar os costumes corrompidos dos homens”.14

Este é também o ensinamento de Santo Tomás, que afirma: “Justiça e misericórdia aparecem no castigo dos justos neste mundo, uma vez que pelas aflições são limpos de falhas menores, e eles são mais elevados das afeições terrenas a Deus. Da mesma forma, São Gregório diz: ‘Os males que nos pressionam neste mundo nos forçam a ir a Deus’”.15

Nossa Senhora de Fátima: uma advertência profética e maternal

Em 1917, Maria Santíssima apareceu em Fátima para advertir que, se o mundo não se convertesse e não fizesse penitência, seria castigado: “Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. […] Espalhará [a Rússia] seus erros pelo mundo […]; os bons serão martirizados, […] várias nações serão aniquiladas”.16

Independentemente de as causas da pandemia de coronavírus serem naturais ou provocadas pelo homem, não podemos excluir os sábios e insondáveis desígnios da Divina Providência. Pelo contrário, por todas as razões expostas acima, e de maneira particular pela mensagem de Nossa Senhora em Fátima, parece-nos que a prudência exige que consideremos com seriedade a possibilidade de que Deus esteja nos advertindo de nossas falhas e nos conclamando ao arrependimento.

Deus não quer a morte do pecador, mas a sua conversão.17 No entanto, se o mundo não atender ao chamado de conversão de Nossa Senhora, não ficaremos surpresos se tragédias ainda piores afligirem o mundo — a aniquilação de nações inteiras, por exemplo, como mencionado por Ela em Fátima.

Seja qual for o futuro que nos é reservado, devemos sempre lembrar que Nossa Senhora também predisse em Fátima a conversão definitiva da humanidade e sua vitória: “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará!”.

Que a série de catástrofes que caíram sobre o nosso País e o mundo nos ajude a levar a sério o chamado maternal de conversão feito por Nossa Senhora, pois existe esta promessa divina: “Sê fiel até a morte, e te darei a coroa da vida” (Apoc. 2, 10).

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Notas:

* Este artigo encontra-se disponível em inglês no link: https://www.tfp.org/is-the-voice-of-god-resounding-in-the-present-pandemic/

Salvatore Cernuzio, “Delpini: Da Pagani Pensare a um Dio Che Manda Flagelli. A Milano Chiese Chiuse Mai ‘”, La Stampa, 16 de março de 2020, https://www.lastampa.it/vatican-insider/it/2020/03/16/news/delpini-da-pagani-pensare-a -un-dio-che-manda-flagelli-a-milano-chiese-chiuse-mai-1.38600147 . (Nossa ênfase).

João Francisco Gomes, “’Ignorância, Fanatismo ou Loucura.’ Cardeal António Marto Crítica Quem Diz Que Pandemia É Castigo de Deus”, Observador, 15 de abril de 2020, https://observador.pt/2020/04/15 / ignorancia-fanatismo-ou-loucura-cardeal-antonio-marto-critica-quem-diz-que-pandemia-e-castigo-de-deus /

Bernie Tafoya, “Cardinal Cupich Prepares For A First-Of-Its-Kind Easter Amid Coronavirus,” WBBM780.radio.com, Apr. 9, 2020, https://wbbm780.radio.com/articles/cardinal-cupich-prepares-for-a-first-of-its-kind-easter.

 Notícias do Vaticano, “O Papa celebra a paixão do Senhor, como o pregador papal reflete na pandemia de Covid-19”, Vatican News, 10 de abril de 2020, https://www.vaticannews.va/en/pope/news/2020 -04 / papa-francis-paixão-do-senhor-cantalamessa-sermon-coronavirus.html.

As citações bíblicas são da Biblia Ave Maria.

Adaptação do Salmo 78: 3, 9–10, Tracto da Missa dos Santos Inocentes, Mártires, (dia da festa 28 de dezembro) antigo missal romano latino.

São Tomás de Aquino, Summa Theologica, I, q. 22, a. 2c.

Ibid., Q. 103, a. 5.

Ver Idem, Ibid., a. 6.

Assim, Santo Tomás diz: “Visto que Deus é a causa primeira e eficaz das coisas, as perfeições de todas as coisas devem preexistir em Deus de uma maneira mais eminente”. (I, q. 4 a. 2).

Ver A. Rascol, s.v. “Providence, S. Augustin”, em Vacant-Magenot-Amann, Dictionnaire de Théologie Catholique (Paris: Letouzey et Ané, 1936), vol. 13, col. 963.

Santo Agostinho, A Cidade de Deus, livro I, cap. IX. Tradução de J. Dias Pereira. 2.a Edição. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa, 1996, p. 124.

Ibid.

Ibid., Cap. 1.

São Tomás, Summa Theologica, I, q. 21, a. 4.

Antonio Augusto Borelli Machado, As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, Editora Vera Cruz Ltda., 35ª edição, São Paulo, 1993, pp. 46-47.

Terei eu prazer com a morte do malvado? – oráculo do Senhor Javé –. Não desejo eu, antes, que ele mude de proceder e viva?” Ezequiel 18:23.


 http://www.abim.inf.br/na-presente-pandemia-a-mao-de-deus-castiga/


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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

JORGE AMADO E OUTROS ESCRITORES DO SUL DA BAHIA ANALISADOS ​​POR CYRO DE MATTOS - Alfredo Pérez Alencart


Valuable é a obra poética e narrativa do Cyro de Mattos brasileiro  (Itabuna, Bahía, 1939), poeta, narrador, jornalista, advogado e membro da Academia de Letras de Bahía, que já ganhou vários prêmios, como o Prêmio Nacional Ribeiro Couto, o Prêmio Afonso Arinos, o Prêmio Centenário Emílio Mora ou o Prêmio Internacional de Literatura Marengo D'oro (Gênova)De Mattos tem trabalhos publicados na Alemanha, França, Portugal, Rússia, Estados Unidos, México, Dinamarca, Suíça e Itália. Entre seus livros de poesia estão Vinte Poemas do Rio, Cancioneiro do Cacau, Ecológico, Vinte e Um Poemas de Amor, Devoto do Campo e Oratório de Natal.

Eu mesmo traduzi uma antologia poética dele, intitulada em espanhol "Onde estou e estou", que apresentamos no Encontro de Poetas Ibero-Americanos em 2013. Anos depois, em 2017, uma edição em espanhol foi feita sob o rótulo Verbum.

Mas também é valiosa a sua contribuição ao conhecimento do trabalho de outros compatriotas, principalmente o estado da Bahia. Ali se percebe a generosidade de um escritor, não apenas atento às suas obras. Bem, agora ele acaba de publicar o livro de ensaios "Poesia e Prosa no Sul da Bahia (Via Litterarum, Bahia, 2020), que tem uma capa do cartunista Juarez Paraíso. Neste trabalho de 350 páginas, ele estuda autores que focam seus textos na cultura do cacau e em sua importância histórica, ou mantêm links de origem com ele.

Estou satisfeito com esta nova exibição de sua capacidade analítica e também com este memorial sobre a produção literária de uma importante região brasileira, culturalmente falando. Especificamente, o trabalho abriga ensaios ou notas sobre 47 escritores do sul da Bahia. Aqui deixo seus nomes e o título de cada ensaio:

I - PROSA. De um autor adulto para crianças e jovens, Adonias Filho; precursor e pré-modernista, Afrânio Peixoto; Emoção do contista, Aleilton Fonseca; Absurdo e Galhofa, Augusto Mário Ferreira; Nascimento do Brasil, Aracyldo Marques; Romancista do Vale do Rio de Contas, Clodomir Xavier de Oliveira; Legado Não Labirinto, Elvira Foeppel; Humor do romancista, Euclides Neto; Relato do mato virgem, Ferdinand Maximiliano von Habsburg; Mestre da crônica, Fernando Leite Mendes; Não mar de Azov, Hélio Pólvora; Chamado do mar, James Amado; Próspero Grandão e Poeta, Jorge Amado; Dramaturgo exemplar, Jorge Araújo; O jogador de Água Preta, Jorge Medauar; Tramas na adolescência, Lilia Gramacho; Caminhos de Adônias Filho, Ludmila Bertié; Mares do Sul, Marcos Santarrita; Cronista na província, Manoel Lins; Dobras do tempo, Margarida Fahel; Ilógico da vida, Naomar de Almeida Filho; Historinhas e mundinhos, Odilon Pinto; Retrato do mundo real, Ricardo Cruz; Vontade lírica, Ritinha Dantas; Narrador de Itan, Ruy Póvoas; Outro pioneiro, Sabóia Ribeiro; Atritos e Conflitos, Sonia Coutinho.

II - POESIAColhedor de Haicai, Abel Pereira; Tanta dor, poesia, Adelmo Oliveira; Rosa com agruras, Ariston Caldas; Rio das Solidões, Carlos Roberto Santos Araújo; Musa delicada, Conceição Nunes Brook; Santa resistência, Firmino Rocha; Poéticas enormes, Florisvaldo Matos; O pássaro do poeta, Hélio Nunes; Casa onde moramos, Heloísa Prazeres; Ditado do poeta, Ildásio Tavares; Lira descuidada, Iolanda Costa; Do jeito que o povo gosta, Minelvino; Cacau em versos, Oscar Benício dos Santos; Soneto e cordel, Piligra; O tempo na pulseira, Renato Prata; Poesia com alforrias, Rita Santana; Singular e plural, Sosigenes Costa; Missões profundas, Telmo Padilha; Música contida, Valdelice Soares Pinheiro; Discurso existencialista, Walker Luna.

Parabéns querido Cyro.

PS: No que diz respeito a Valdelice Soares Pinheiro (1929-1993), aqui conto um dos quatro poemas que transferi para o espanhol em janeiro de 2019:

PAZ


Plante seus sonhos

no alvorecer dos dedos.

Colha os ouvidos

de manhã, de mãos dadas.

E, no resto da noite,

a mesa posta,

nasce amor

no calor do pão.

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Os poetas AP Alencart, Cyro de Mattos e Juan Ángel Torres Rechy, no Centro Usal de Estudos Brasileiros, apresentaram a antologia "Onde estou e estou" (foto de Pablo-Rodríguez)

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Fonte:

https://salamancartvaldia.es/not/244832/jorge-amado-otros-escritores-sur-bahia-analizados-cyro-mattos/


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OS 3 BENS QUE DEUS TIROU DE UM MAL: O INCÊNDIO NO SANTUÁRIO DO BOM JESUS DA LAPA

Facebook Pe. Gabriel Vila Verde

Pe. Gabriel Vila Verde / Aleteia Brasil | Ago 05, 2020

“Na verdade, Deus está te preparando para três coisas: ventilação, claridade e altura”

O Pe. Gabriel Vila Verde recordou em sua rede social um grande incêndio acontecido no belíssimo Santuário do Bom Jesus da Lapa e da Mãe da Soledade, no município de Bom Jesus da Lapa, oeste baiano, a cerca de 800 quilômetros de Salvador. O pe. Gabriel comentou que, desse e de tantos outros males, Deus sempre tira bens maiores:

Deus é especialista em tirar o bem de um mal. Em 1903, houve um incêndio na Gruta da Lapa que destruiu tudo, inclusive a imagem original, trazida pelo monge. Todos diziam: é o fim do Santuário! É o fim das romarias! Quando o incêndio foi controlado e a gruta higienizada, perceberam que o fogo tinha aberto uma grande janela na pedra, bem próxima do altar, possibilitando a ventilação e a claridade. Viram também que a gruta ficou mais alta, mais espaçosa e bonita. Talvez você esteja passando pelo fogo da provação e parece que é o fim de tudo. Na verdade, Deus está te preparando para três coisas: ventilação, claridade e altura. A ventilação representa um novo sopro do Espírito Santo; a claridade simboliza a tua alma, que ficará cheia de luz, e altura significa que você será grande na fé e na maturidade. Deixa o fogo destruir tua vida velha, para que o novo de Deus aconteça.

Em tempos normais, a Gruta da Lapa recebe nos meses de agosto a romaria do Bom Jesus, que atrai milhares de fiéis. Neste ano, devido à pandemia de covid-19, as celebrações estão sendo realizadas sem a presença física dos romeiros, que, no entanto, podem acompanhá-las via internet.

Wikipédia

https://pt.aleteia.org/2020/08/05/os-3-bens-que-deus-tirou-de-um-mal-o-incendio-no-santuario-do-bom-jesus-da-lapa/


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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

JORGE PORTUGAL – Cyro de Mattos

                         Jorge Portugal

Cyro de Mattos

 

Ontem foi Joca,

Luís Henrique

Logo depois,

Agora o Jorge

De sobrenome

Portugal

Mas na verdade

Outro Jorge da Bahia.

Quantas perdas

De gente amada,

Que nos ensinou

Que mãos nas mãos

A vida é possível.

Só nos deram amor.

Que Deus receba

Nesta hora o Jorge

Santamarense

No seu amor de Pai.

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Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Também editado no exterior. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da UESC.


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