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sexta-feira, 3 de abril de 2020

O REGIME CHINÊS E SUA CULPABILIDADE MORAL PELO CONTÁGIO GLOBAL — COVID-19

3 de abril de 2020

Declaração do Cardeal 
Charles Bo — Arcebispo de Yangon Myanmar

Cardeal Charles Bo

Na sexta-feira passada, o Papa Francisco estava diante de uma Praça de São Pedro vazia, falando com milhões de pessoas em todo o mundo, assistindo através de transmissões e online. A praça estava vazia, mas em toda parte os corações estão cheios não apenas de medo e de tristeza, mas também de amor. Em sua bela homilia Urbi et Orbi, ele nos lembrou que a pandemia de coronavírus uniu nossa humanidade comum. “Percebemos que estamos no mesmo barco, todos frágeis e desorientados, mas importantes e necessários ao mesmo tempo, todos fomos chamados a remar”, disse ele.

Nenhum canto do mundo está intocado por essa pandemia, nenhuma vida não afetada. Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase um milhão de pessoas foram infectadas até agora e mais de 40.000 morreram. Quando isso acabar, estima-se que o número global de mortes será de milhões.

Vozes internacionais estão se levantando contra a atitude negligente demonstrada pela China, especialmente por seu despótico Partido Comunista Chinês (PCCH) liderado por seu homem forte Xi. O London Telegraph (29 de março de 2020) disse que o Ministro da Saúde local acusou a China de esconder a verdadeira escala de coronavírus. Com choque, relatou a reabertura dos mercados “úmidos”, que foram identificados como a causa da propagação do vírus. James Kraska, um estimado professor de direito, escrevendo na última edição da War on Rocks (23 de março de 2020), diz que a China é legalmente responsável pelo COVID-19 e que poderiam ser feitas reivindicações em trilhões.

Um modelo epidemiológico da Universidade de Southampton descobriu que se a China tivesse agido mais rapidamente e de maneira responsável apenas uma, duas, ou três semanas, o número de afetados pelo vírus teria sido reduzido em 66%, 86% e 95%, respectivamente. Seu fracasso desencadeou um contágio global matando milhares.

Em meu país, Myanmar [mapa], somos extremamente vulneráveis. Na fronteira com a China, onde o COVID-19 começou, somos uma nação pobre, sem os recursos de saúde e assistência social dos países mais desenvolvidos. Centenas de milhares de pessoas em Mianmar são deslocadas por conflitos, vivendo em campos no país ou em nossas fronteiras, sem saneamento, medicamentos ou cuidados adequados. Nesses campos superlotados, é impossível aplicar as medidas de “distanciamento social”que estão sendo implementadas por muitos países. Os sistemas de saúde nos países mais avançados do mundo estão sobrecarregados, então imaginem os perigos em um país pobre e cheio de conflitos como Mianmar.

Ao examinarmos o dano causado à vida em todo o mundo, devemos perguntar quem é o responsável? É claro que críticas podem ser feitas às autoridades em todos os lugares. Muitos governos são acusados ​​de não se terem preparado quando viram o coronavírus surgir em Wuhan.

Mas há um governo que tem responsabilidade primária, como resultado do que fez e do que deixou de fazer, e esse é o regime do Partido Comunista Chinês (PCCH) em Pequim. Deixem-me esclarecer: o responsável foi o PCCH — não o povo da China —, e ninguém deve responder a esta crise com ódio racial contra os chineses. De fato, o povo chinês foi a primeira vítima desse vírus e vem sendo há muito tempo a principal vítima de seu regime repressivo. Ele merece nossa simpatia, nossa solidariedade e nosso apoio. Os responsáveis são a repressão, as mentiras e a corrupção do PCCH.

Quando o vírus surgiu, as autoridades da China suprimiram a notícia. Em vez de proteger o público e apoiar os médicos, o PCCH silenciou os denunciantes. Pior do que isso, médicos que tentaram acionar o alarme —como o Dr. Li Wenliang [foto] no Hospital Central de Wuhan, que emitiu um aviso aos colegas médicos em 30 de dezembro — receberam ordens da polícia para “parar de fazer comentários falsos”. Li, um oftalmologista de 34 anos, foi informado de que seria investigado por “espalhar boatos” e foi forçado pela polícia a assinar uma confissão. Mais tarde, ele morreu após contrair coronavírus.

Jornalistas jovens cidadãos que tentaram denunciar o vírus desapareceram. Li Zehua, Chen Qiushi e Fang Bin estão entre os que se acredita terem sido presos simplesmente por dizerem a verdade. O jurista Xu Zhiyong também foi detido após publicar uma carta aberta criticando a resposta do regime chinês. 

Uma vez que a verdade se tornou conhecida, o PCCH rejeitou ofertas iniciais de ajuda. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA foi ignorado por Pequim por mais de um mês, e até a Organização Mundial da Saúde, embora colabore estreitamente com o regime chinês, foi inicialmente marginalizada.

Além disso, há uma profunda preocupação de que as estatísticas oficiais do regime chinês estejam subestimando significativamente a escala de infecção na China. Ao mesmo tempo, o PCCH acusou o exército dos Estados Unidos de causar a pandemia. Mentiras e propaganda colocaram em perigo milhões de vidas em todo o mundo.

A conduta do PCCH é sintomática de sua natureza cada vez mais repressiva. Nos últimos anos, vimos uma intensa repressão à liberdade de expressão na China. Advogados, blogueiros, dissidentes e ativistas da sociedade civil foram presos e desapareceram. Em particular, o regime lançou uma campanha contra a religião, resultando na destruição de milhares de igrejas e cruzes e no encarceramento de pelo menos um milhão de muçulmanos uigures em campos de concentração. Um tribunal independente em Londres, presidido por Sir Geoffrey Nice, QC, que processou Slobodan Milosevic, acusa o PCCH de extração forçada de órgãos de prisioneiros de consciência. E Hong Kong — que já foi uma das cidades mais abertas da Ásia — viu suas liberdades, direitos humanos e estado de direito sofrerem uma enorme deterioração.

Através de seu tratamento desumano e irresponsável do coronavírus, o PCCH provou o que muitos pensavam anteriormente: que é uma ameaça ao mundo. A China como país é uma grande e antiga civilização que contribuiu muito para o mundo ao longo da História, mas esse regime é responsável, por negligência e repressão criminais, pela pandemia que hoje varre as nossas ruas.

O regime chinês liderado pelo todo poderoso Xi e pelo Partido Comunista Chinês (PCCH) — não pelo seu povo — nos deve um pedido de desculpas e uma compensação pela destruição que causou. No mínimo, deve amortizar as dívidas de outros países para cobrir os custos do Covid-19. Pelo bem de nossa humanidade comum, não devemos ter medo de responsabilizar esse regime. Os cristãos acreditam nas palavras do Apóstolo Paulo, de que “a verdade vos libertará”. Verdade e liberdade são os pilares gêmeos sobre os quais todas as nossas nações devem construir fundamentos mais seguros e fortes.


Brasão do Cardeal 
Charles Bo, 
Arcebispo de 
Yangon Myanmar

Tradução: Hélio Dias Viana

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quinta-feira, 2 de abril de 2020

VAI DAR TEMPO - Joaquim Falcão


Sempre que o Presidente Trump aparece na televisão, está acompanhado de médicos e cientistas. Ele fala e depois cede para eles o microfone. O Primeiro Ministro Boris Johnson decide com ajuda dos cientistas do Imperial College. Quando informado, muda, inclusive, sua política. Cede aos cientistas. Antes contra, agora a favor da quarentena.

O governador João Doria está sempre acompanhado de grandes médicos e cientistas. Angela Merkel decide consultando cientistas alemães. Aqui mesmo, no início, o Presidente Bolsonaro aparecia acompanhado do entusiasmado e confiante ministro Mandetta. Agora nem tanto.

O que significa este visível ritual, união entre poder político e conhecimento científico?

A autoridade constitucional máxima da nação, seja Primeiro Ministro ou Presidente, qualquer uma, diz aos telespectadores mais ou menos o seguinte: “Eu sou a autoridade política e legal máxima de meu país. A última palavra é minha.  Mas estou baseando esta autoridade máxima na ciência”.

A aplicação da constituição não é apenas pacto ou arena de interesses sociais competitivos. Que ganham ou perdem a cada interpretação do Supremo. Ou nova lei do Congresso.

Como dizia o prof. Portella Nunes, da Academia Nacional de Medicina: ao interpretar a vida temos que partir sempre de uma verdade básica.

Os cientistas são como legisladores também. A ciência inspira a aplicação da constituição.

O problema é que a ciência não tem um só rumo certo e eficiente. Nem hoje sabe com exatidão para onde nos mandar. Nos salvar.

Não existe ainda o tratamento, os remédios, a vacina redentora. Que faria da verdade básica a verdade completa. Ainda que efêmera. O que fazer então? Seguir quem e para onde?

Existe claro vácuo. Que não pode ser apropriado pela anticiência, pelas trevas da ignorância. Solta no ar do voluntarismo autoritário.

Disse o Prêmio Nobel Jacques Monod:  o acaso da evolução do mundo cria as necessidades. Como enfrentar novo acaso?

Primeiro. Se precisamos de isolamento social, precisamos também de união científica. É o que corre nível mundial. Cientistas, professores e alunos juntos.

No Brasil o Sírio-Libanês, LACC, Einstein, Hcor e dezenas de universidades, laboratórios privados têm se unido para trocar informações, bancos de dados, novos softwares e algoritmos. Uns com os outros. Fundação Oswaldo Cruz no Rio sempre à frente.

Imaginar e experimentar todas as hipóteses possíveis. Mesmo nesta época onde a ciência avança tanto como arte combinatória, quanto pelas hipóteses dedutíveis. Descobrir é experimentar.

Estranho, porém, é que nos trilhões de dólares que os governos estão distribuindo esta prioridade não esteja explícita: reforçar as instituições públicas e privadas, seus projetos e seu pessoal.

Sem eles teremos vida precária. Nem mesmo vida econômica, alerta o Presidente Sarney: sem comprador e vendedor. Fim.

Nosso ministro de Ciência e Tecnologia, o astronauta Marcos Pontes precisa defender seu setor.  Com a coragem que tem, tanto na terra como nos céus.

Segundo. A vacina é igualitária. Não é discriminatória, como a economia, a política, o direito e a educação. Cura um, cura todos. Não distribui privilégios. O acesso é que não pode ser desigual.

Terceiro. A verdade básica produzida pela ciência a inspirar a constituição não é verdade absoluta e final. Estática. É o último conhecimento disponível que mais nos aproxima da verdade. No caso, da cura. Da vacina.

Diz, faz décadas, o professor Cláudio Souto, jurista do Recife. Toda constituição deveria estabelecer que a interpretação judicial e a criação legislativa deveriam estar de acordo, partir do conhecimento científico disponível.

Esta conjugação desideologizante da política, da administração pública e do direito e sobretudo da constituição, já tem inspirado decisões judiciais igualitárias.

Sobre gênero, raça, aborto, transplante de medula, pena de morte e tanto mais.

Com ajuda da matemática e da estatística, o último conhecimento científico global testado é: o isolamento social contribui sim para o combate ao vírus.

Confiar na ciência, no exercício do poder político, jurídico e econômico.

Vai dar tempo.

O Globo, 29/03/2020


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Joaquim Falcão - Sexto ocupante da Cadeira nº 3 da ABL, eleito em 19 de abril de 2018, na sucessão de Carlos Heitor Cony e recebido em 23 de novembro de 2018 pela Acadêmica Rosiska Darcy de Oliveira.

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EPIDEMIAS E PANDEMIAS, ONTEM E HOJE – Carlos Sodré Lanna


31 de março de 2020

Carlos Sodré Lanna

As palavras que distinguem as várias amplitudes das epidemias são oriundas do grego. Endemia é uma doença contagiosa que atinge grande número de pessoas de uma região. Epidemia tem caráter transitório e atinge uma ou mais localidades. Pandemia é uma epidemia que se propaga em uma área geográfica internacional, afetando parte da população mundial.

Da Antiguidade até os nossos dias, as epidemias e pandemias foram quase tão comuns como as guerras e os conflitos políticos. Os registros mais antigos remontam ao século V a.C., por ocasião da guerra do Peloponeso. São pouco conhecidas várias epidemias, sobretudo de populações colonizadas pelos europeus nas regiões da América e da África.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), de franca orientação esquerdista, é o único órgão credenciado a declarar a existência de uma pandemia. Depois de alguma relutância, esse rótulo já foi aplicado à pandemia do novo Coronavírus, que recebeu o nome de Covid-19.

Essa pandemia vem sobressaltando o mundo inteiro, a ponto de transformar as perspectivas para a vida normal em um “antes e depois”. Muito se tem dito e escrito sobre ela, sobretudo na grande mídia, gerando um sensacionalismo com eco em inúmeros governos. Tudo isso parece obedecer a uma palavra de ordem, e não se pode fugir à impressão de que em algum posto de comando prevalece o desejo de prolongar o seu ciclo.

Para quê? Talvez a fim de testar o grau de preparação da humanidade para aceitar uma nova ordem social. Os primeiros indícios dessa intenção apontam para uma sociedade futura centralizadora, submissa à vigilância onipresente e aos comandos de informática. E já se pode prever também que ela seria diametralmente oposta à civilização cristã. É bom lembrar, a propósito, que a história da humanidade esteve sempre pontuada por doenças infecciosas que espalharam seus tentáculos pelo mundo, e muitas delas alteraram o curso dos acontecimentos.

Indicaremos a seguir algumas outras pandemias, que deixaram impressão duradoura.

1. Praga de Justiniano (541-544)

Um dos sintomas da Praga de Justiniano era a necrose das mãos

Seu nome é uma alusão ao imperador Justiniano I do Império Bizantino, também conhecido como Império Romano do Oriente. Considerada a primeira pandemia da História, ela teve sua origem na Etiópia, de onde se espalhou por todo o império, causando uma das maiores mortandades epidêmicas. Segundo estimativas, 60 milhões de pessoas morreram nesse período. A esse surto de 541 seguiram-se vários outros nos dois séculos seguintes. Assim como a peste bubônica, a de Justiniano também foi causada pela bactéria Yersinia pestis, disseminada por roedores cujas pulgas estavam infectadas com a bactéria. Esses ratos viajavam em navios comerciais ao redor do mundo e faziam circular a infecção, que era transmitida aos seres humanos pela picada de pulgas infectadas. Geneticistas indicam que tal bactéria tem sua origem na China.

2. Peste bubônica (1343-1353)

Conhecida como Peste negra, e também causada pela Yersinia pestis proveniente da Ásia, foi uma doença terrivelmente mortal, que se espalhou por toda a Europa entre os anos 1333-1351, através de ratos infestados de pulgas. Quando chegou à Europa, a peste negra causou grande mortandade, dizimando em poucos meses a metade da população de Florença, na Itália. As infecções se espalhavam pelo sangue e por meio de partículas transportadas pelo ar. Cerca de 80% dos pacientes morriam seis a dez dias após serem infectados. A taxa de mortalidade foi superior a 70%, ceifando a vida de mais de 50 milhões de pessoas em toda a Europa.

Soldados de Fort Riley, Kansas, doentes de gripe espanhola, sendo tratados em uma enfermaria de Camp Funston.

3. Influenza ou gripe espanhola (1918-1920)


“Gazeta de Notícias”, jornal carioca, em 15-10-1918
 A “gripe espanhola”, também chamada pandemia de gripe de 1918, foi uma das mais letais do século XX. Mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo foram afetadas pelas três ondas dessa epidemia. O número de mortos é estimado em 50 milhões, em dois anos de expansão do influenzavirus (H1N1), sendo a segunda ocorrida em 2009.

Essa pandemia recebeu o nome de “gripe espanhola”, mas, apesar de atingir fortemente a Espanha — acometendo até mesmo o rei Afonso XIII —, alguns epidemiológicos afirmam que ela surgiu num hospital de campanha no norte da França; outros estudiosos, como o historiador Alfred W. Crosby, garantem que teve origem em Kansas (EUA), num campo de treinamento de tropas destinadas ao front da Primeira Guerra Mundial; outros ainda especulam que ela originou na China, como defendeu o Prof. Claude Hannoun, o principal especialista em gripe espanhola do Instituto Pasteur.

Doentes da gripe espanhola numa enfermaria do Rio em 1918 
Seja como for, tal pandemia se espalhou pela Europa e Estados Unidos, antes de alastrar-se pela Ásia e outras partes do mundo. No Brasil (então contando com apenas 30 milhões de habitantes), aproximadamente 30 mil pessoas morreram da “gripe espanhola” — vitimando inclusive o então presidente eleito, Rodrigues Alves. Durante esse período não houve nenhum medicamento ou vacina capaz de combater essa gripe mortal, o que resultou no fechamento completo das cidades.

4. Vírus Ebola (descoberto em 1976)

No Congo, senhora atingida pelo ebola sendo levada para isolamento

O vírus da doença infecciosa Ebola foi descoberto no fim da década de 70. Seus sintomas mais comuns são dor de garganta, dores musculares, vômitos, diarreia, sangramentos internos e externos. Matou mais de 11.000 pessoas, e sua simples lembrança ainda hoje causa arrepios. Sua origem é atribuída ao morcego-da-fruta que propaga o vírus. Propaga-se pelo contato com fluidos corporais, como saliva, e também por sangue humano ou de outros animais infectados. A epidemia originou-se na África, primeiramente numa região do Sudão e no Zaire (atual República Democrática do Congo) e se espalhou para Espanha, Alemanha e Estados Unidos. Tem alta taxa de mortalidade, que atinge quase a metade das pessoas que infecta. Demorou dois anos para ser vencido, e suas conseqüências ainda preocuparam o mundo.

5. AIDS – HIV (de 1981 até os presentes dias)

Vítima da AIDS em 1989

         A AIDS (Síndrome da Imunodeficiência adquirida — em inglês: Acquired immunodeficiency syndrome) é uma doença infecto-contagiosa que ataca o sistema imunológico. Transmite-se por fluidos corporais, e se espalhou por relações sexuais e agulhas infectadas por usuários de drogas. Desde que foi identificado em 1981, o HIV (vírus causador da AIDS) foi classificado como um dos problemas de saúde mais graves do mundo, pois ainda não se encontrou sua cura. No mundo, contraíram AIDS cerca de 75 milhões de pessoas, das quais cerca de 35 milhões morreram, aproximadamente 40 milhões de pessoas vivem hoje com o vírus. Segundo vários cientistas, o vírus passou dos primatas aos humanos.

6. Outras pandemias pelo mundo

Dezenas de outras epidemias poderiam ser citadas. Por questão de espaço, limitamo-nos a enumerar algumas das mais conhecidas: praga de Atenas (429 a.C.); peste de Antonino (165 a.C.); epidemia de Cocoliztli, no México (1545); grande praga de Milão (1629); grande praga de Londres (1664); gripe de Marselha (1720); pandemia de cólera (1846); gripe russa (1889); poliomielite (1908); gripe asiática (1956); gripe de Hong Kong (1968); surto do SARS (2002); gripe suína (2009).



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quarta-feira, 1 de abril de 2020

FREI JOAQUIM CAMELI - Antonio Carlos Saadi



Hoje, dia 01 de abril,

nosso querido Frei Joaquim estaria completando 90 anos de idade.

Como não lembrar com muitas saudades e muitas alegrias,

pelos momentos passados com ele.

Quanta generosidade,

quanta dedicação para com as comunidades por onde ele passou

num trabalho apostólico-social.

Às vezes fico a imaginar

o bairro de São Caetano sem a nossa Paróquia que foi idealizada e construída por ele.

Que visão contemporânea ele teve há 52 anos

e construir um convento que abrigou e abriga aos nossos queridos Freis

e uma Igreja que recebe todos os paroquianos e convidados,

com muito amor e carinho num abraço Fraternal.

Muito obrigado Frei Joaquim,

por tudo que o senhor fez por todos nós.


Antonio Carlos Saadi
Itabuna/BA


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CASTIGOS TERRÍVEIS AMEAÇAM A HUMANIDADE - Plinio Corrêa de Oliveira


1 de abril de 2020
Diante da ameaça do vírus chinês, o Vaticano fecha suas portas…

Para esses dias de pandemia, é muito útil para a meditação este trecho do artigo Fátima: explicação e remédio da crise contemporânea, publicado por Plinio Corrêa de Oliveira em Catolicismo (edição de maio de 1953).

 Plinio Corrêa de Oliveira

Em Fátima, Nossa Senhora apresenta os motivos da crise; e ao mesmo tempo explica e indica o seu remédio, profetizando a catástrofe caso os homens não A ouçam. As revelações de Fátima, tanto pela natureza do conteúdo como pela dignidade de quem as fez, sobrepujam sob todos os pontos de vista tudo quanto a Providência tem dito aos homens na iminência das grandes borrascas da História.

Nas revelações, os diversos pontos relativos a este tema constituem propriamente o elemento essencial das mensagens. Não há uma única aparição em que não se insista sobre este fato: os pecados da humanidade se tornaram de um peso insuportável na balança da justiça divina. Esta é a causa recôndita de todas as misérias e desordens contemporâneas. Os pecados atraem a justa cólera de Deus. Os castigos mais terríveis ameaçam, pois, a humanidade; e para que eles não sobrevenham, é preciso que os homens se convertam; e para que se convertam, é preciso que os bons orem ardentemente pelos pecadores e ofereçam a Deus toda sorte de sacrifícios expiatórios.

Vemos que o pensamento constante de todas as mensagens é este: o mundo está a braços com uma terrível crise religiosa e moral; os incontáveis pecados cometidos são a verdadeira causa da desolação universal; e o modo mais acertado para remediar seus efeitos consiste na oração e na reparação.



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terça-feira, 31 de março de 2020

CORONA VÍRUS E MORADORES DE RUA



Vi hoje uma postagem de uma pessoa perguntando como não foi falado de nenhum caso do corona vírus em moradores de rua, então vou te falar por quê.

Sabe por que os moradores de rua não vão pegar o corona vírus?

Porque ninguém pega nas mãos deles,

porque eles não viajam para lugar nenhum,

as pessoas ficam a um metro e meio de distância deles, né?!

Nós, seres desprezíveis, desviamos quilômetros de distância deles.

Eles são invisíveis para o mundo, mas Deus os enxerga de uma forma inexplicável ...

Então, assim se cumpre a profecia: "OS HUMILHADOS SERÃO EXALTADOS"

Mais uma lição...

A MAIOR PROTEÇÃO DELES VEM DE DEUS.


(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria) 

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segunda-feira, 30 de março de 2020

SACERDOTES HEROICOS ENFRENTAM O CORONAVÍRUS


29 de março de 2020
Plinio Maria Solimeo

Nos antigos tempos de fé, a população via nas catástrofes, epidemias e outros fenômenos naturais descontrolados uma punição divina para os desmandos da sociedade. A Igreja promovia então procissões e orações públicas rogatórias de reparação, suplicando à Majestade Divina que fizesse cessar o flagelo.

Hoje a Igreja fecha suas portas, privando os fiéis do Santo Sacrifício da Missa e da reconciliação com Deus através do sacramento da confissão. Por medo do vírus, nega-lhes toda assistência religiosa e, em muitos casos, até os deixa morrer sem os últimos sacramentos.

Muitas epidemias se abateram sobre o mundo nas várias épocas históricas. Entretanto, a Igreja estava sempre presente. Os sacerdotes cumpriam sua missão de assistir o povo fiel durante as calamidades, inclusive com o risco da própria vida. Exemplo disso foi São Luís Gonzaga [quadro acima], que morreu em consequência da peste contraída enquanto levava às costas um flagelado durante a peste em Roma.

São Carlos Borromeo levando o Santíssimo Sacramento aos infectados pela peste
Outro exemplo ainda mais notável é o de São Carlos Borromeu. Quando chegou a Milão a terrível Peste Negra que ceifou a vida de quase um terço dos europeus em 1576, ele colocou todo seu clero a serviço dos atingidos. Essa violenta epidemia contagiou em pouco tempo mais de 100 de seus valorosos padres, que morreram como mártires da caridade durante a assistência aos empestados [quadro ao lado]. Sem preocupar-se com a própria segurança, o então Arcebispo de Milão julgou que a glória de Deus exigia que ele preparasse o maior número possível de atingidos para uma morte quase certa, a fim de lhes obter a salvação eterna. Para aplacar a cólera de Deus, São Carlos chegou a se flagelar em praça pública, implorando em nome de seu povo o perdão de Deus e o fim da epidemia. Finalmente, também contagiado, uma febre contínua foi debilitando lentamente suas forças, até ele falecer no dia 4 de novembro de 1584 com apenas 46 anos de idade.

Frei Damião com crianças do coro de Kalawao na década de 1870
Poderíamos também citar o caso também heróico do sacerdote belga São Damião de Molokai (1840-1889) [Foto ao lado], que se encerrou na denominada “ilha maldita”, no Havaí, junto dos contagiados pela lepra a quem
fora dar assistência religiosa, morrendo como eles.

Que exemplo para tantos bispos e clérigos acomodados, transformados em “funcionários públicos”! Felizmente há exceções, como veremos.

Na outrora catolicíssima Espanha ainda existem sacerdotes que, enfrentando o risco de contaminação, continuam a atender espiritualmente as vítimas da praga, a “peste chinesa”, como muitos a chamam mais apropriadamente.

Essa peste já atingiu mais de 70.000 pessoas naquele país, com quase 6.000 mortes. Por isso o hospital Infanta Helena [foto ao lado], de Valdemoro, na região madrilense, está quase em estado de saturação por causa da peste. É nele que o pároco local, Pe. Israel Guijarro (pela manhã), e o vigário de Ciempozuelos, Pe. Julião Lozano (pela tarde), com o apoio do capelão do hospital, José Medina, vêm trabalhando para atender os infectados.

O Pe. Lozano [foto abaixo] diz que antigamente, em pequenos hospitais como o de Valemoro, o capelão podia passar normalmente pelas dependências para oferecer seus serviços espirituais. Mas que hoje a situação é diferente: “Nós, os capelães, ficamos na capela rezando até que nos chamem. Então tomamos todas as precauções necessárias, segundo o setor. Podemos confessar usando máscaras e luvas, guardando distâncias. Nos setores de tratamento com aerossóis a respiração pode condensar-se em gotas, e isso é perigoso. Há lugares onde também usamos óculos, rede de cabeça, luvas duplas e uma vestimenta resistente”.

Além dessas precauções para evitar o contágio, os capelães, revestidos de um traje especial, levam em uma bolsa os santos óleos para administrar a Extrema Unção dos enfermos, e em outra as hóstias para a Comunhão. Os sacerdotes não levam consigo o ritual, mas apenas um folheto. O Pe. Iñaki Gallego explica que “todo material que usamos quando visitamos os enfermos é logo descarta, sendo incinerado com o resto de resíduos do hospital”.

Quer dizer, toma-se todo o cuidado para evitar o contágio, mas sempre há o perigo. Esses sacerdotes, por amor às almas e como pastores do rebanho a eles confiado, o enfrentam.

O Pe. Gallego comenta que um dos fatores mais dolorosos da enfermidade é o isolamento da família. “Quando a pessoa ingressa no hospital com coronavírus, suspende-se o contato com a família. Deixam entrar os sacerdotes para ministrar um sacramento se a pessoa pede. Só isso. Assim, dei a unção dos enfermos e assisti ao falecimento de vários, incluindo a mãe do Pe. Jon, nosso companheiro, que ingressou aqui e está em cuidados intensivos na UTI”.

Isso mostra que na Espanha, por um resto de sentimento católico, os sacerdotes não são proibidos de entrar nos hospitais para prestar assistência religiosa como em outros países.

Prossegue o Pe. Gallego: “Os enfermos não podem ter nenhum acompanhante, salvo se estiver em estado crítico; então pode haver um familiar até a hora da morte. Os médicos devem informar os familiares pelo telefone. Em alguns casos, nós servimos de mediadores e tentamos serenar tanto os familiares quanto os enfermos”.

Há males que vêm para bem. Assim, o Pe. Lozano observa que a oração é uma fonte de consolo e de fortaleza nessa situação angustiante: “Em algumas dependências em que entrei para rezar com os enfermos, impressionou-me ver como rezam. Hoje ingressou em Valdemoro um casal, cada qual sendo internado em uma ala do hospital, que se comunicam pelo celular. Impressionou-me muito ver o fervor e a intensidade com que rezam. Aqui, com tantos dias de isolamento e pressão, há muito risco de desanimar-se. Mas a oração e a confissão ajudam a muitos e lhes trazem paz e descanso. Alguns que confessei levavam muito tempo sem se confessar”.

Assim, quanto bem pode fazer um sacerdote com verdadeiro espírito sobrenatural!

Mas a tarefa desses capelães não é fácil. Embora sejam cerca de 100 em toda a região de Madrid, não dão conta do trabalho. Antes, eles contavam com uma rede de 200 voluntários que os ajudavam a acompanhar os enfermos nos hospitais e a prepará-los para receber os sacramentos. Mas agora esses voluntários estão proibidos de entrar. Só entram os capelães, cinco em Valdemoro.

Um problema colateral a ser enfrentado para o exercício de seu ministério nos hospitais é que “os capelães têm também que lidar com o pessoal sanitário, que está sob muita pressão, muito estressados e preocupados”. No hospital de Valdemoro, esse pessoal “afronta tudo com dedicação e inteireza, mas já se nota o cansaço. Eles nos pedem orações, e nós os apoiamos e os alentamos”, diz o Pe. Lozano.

Que esse exemplo sirva para incentivar muitos sacerdotes no Brasil e em outras partes a não se omitirem diante dessa dura emergência, prestando o socorro da Igreja e alentando muitas das vítimas dessa terrível “peste chinesa”.

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