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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

LEITURA DRAMATIZADA DE OUTUBRO NA ABL APRESENTA “O CASAMENTO SUSPEITOSO”, DE ARIANO SUASSUNA


Acadêmico Ariano Suassuna, autor de importantes obras como “O santo e a porca” e “O auto da compadecida”, escreve, em 1957, “O casamento suspeitoso”, uma comédia de costumes nordestinos escrita em forma de peça. Suas personagens são caricaturadas e fazem uso de linguagem e expressões próprias da região Nordeste brasileira.
 Em 2019, uma parceria entre a Academia Brasileira de Letras e a Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena promove apresentações teatrais da peça “O casamento suspeitoso” adaptadas para o formato de leitura dramatizada. Com um pouco mais de uma hora de duração, jovens e adultos poderão se encantar com uma divertida história que tem como tema central o casamento por interesse ou, como o dito popular, o “golpe do baú”. O espetáculo tem a direção de Eduardo Almeida e o elenco é composto por alunos e ex-alunos da Escola. São eles: Matheus Racinne, Fabricio Sigales, Jhô Teodorio, César Vieira, Vivianne Baptista, Teo Pasquini, Miriã Duarte, Bruna Morais e Janice Fernandes.
 Na história, Lúcia vem do Recife, acompanhada do seu amante e de sua mãe, para casar-se com um ingênuo herdeiro de uma fortuna na cidade de Taperoá, interior da Paraíba. Os golpistas, porém, não esperavam se deparar com a esperteza da dupla de empregados, Cancão e Gaspar, que armam várias situações para provar que Lúcia é uma impostora e interesseira. Mas ao perceber que será desmascarada, a trambiqueira tentará reverter a situação, criando uma cilada para os dois serviçais. Em quem o herdeiro acreditará?
 Comentário de Ariano Suassuna publicado em 1984 na 6.a edição de “O casamento suspeitoso”:
“Quanto à vulgaridade dos meios cômicos de que lanço mão, é coisa que não me incomoda absolutamente. Não tenho nenhuma tendência para a finura – pelo menos para isso a que os distintos chamam de finura. Ao humor educado e delicado deles, prefiro o rasgado e franco riso latino, que inclui, entre outras coisas, uma loucura sadia, uma sadia violência e um certo disparate.”
Os personagens Canção e Gaspar, que dão um show à parte, retomam a tradição do teatro popular. “Eles são a dupla circense que o povo, com seu instinto certeiro, batizou admiravelmente de o palhaço e o besta”, comentou Suassuna.
O casamento suspeitoso será apresentado no dia 23 de outubro, quarta-feira, às 15h00, no Teatro R. Magalhães Jr., na Academia Brasileira de Letras. Entrada franca. Faça sua reserva!
INSCRIÇÕES
Garanta sua participação gratuita para esta sessão exclusiva. Lugares limitados.




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PRÊMIO NOBEL DE ECONOMIA 2019

The Royal Swedish Academy of Sciences announces that Abhijit Banerjee, Esther Duflo and Michael Kremer have won the 2019 Nobel Prize in Economics in Stockholm on Oct. 14.   © Reuters

Trio ganha Nobel de Economia 2019 por pesquisas que ajudam combate à pobreza

Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer desenvolveram métodos que permitem ações mais eficazes para melhorar saúde infantil e o desempenho escolar.

Por Darlan Alvarenga, G1
14/10/2019


O americano nascido na Índia Abhijit Banerjee, a franco-americana Esther Duflo e Michael Kremer, também dos Estados Unidos, foram premiados nesta segunda-feira (14) com o Nobel de Economia por seus trabalhos no combate à pobreza.

O trio foi premiado "por sua abordagem experimental para aliviar a pobreza global", afirmou o júri. "As descobertas das pesquisas dos premiados - e as dos pesquisadores que seguem os passos deles - melhoraram drasticamente nossa capacidade de combater a pobreza na prática", acrescentou em comunicado a Academia Real de Ciências da Suécia Abhijit Banerjee e Esther Duflo são casados, professores no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e tornaram-se cidadãos americanos. Michael Kremer Kremer é professor na Universidade de Harvard.

Veja os principais destaques do Nobel de Economia 2019:

Segundo a Academia, as pesquisas do trio mostram que a questão da pobreza pode ser combatida de forma mais eficiente se dividida em questões menores e mais precisas em áreas como educação e saúde, e a partir de experimento de campo em países como Quênia e Índia;

Como resultado direto de um dos estudos, mais de 5 milhões de crianças se beneficiaram na Índia de programas de aulas de reforço na escola, e significativos ​​subsídios para cuidados de saúde preventivos foram introduzidos em diversos países.

As pesquisas do trio

Segundo o júri, os estudos e novas abordagens desenvolvidas pelo trio permitiram, por exemplo, ações mais eficazes para melhorar a saúde infantil e o desempenho escolar, como reformas educacionais que adaptam o ensino às necessidades dos alunos.



"Como resultado direto de um de seus estudos, mais de 5 milhões de crianças indianas se beneficiaram de programas eficazes de aulas de reforço nas escolas. Outro exemplo são os pesados ​​subsídios para cuidados de saúde preventivos que foram introduzidos em muitos países", afirmou o comitê do Nobel, destacando ainda que as pesquisas "têm um grande potencial para melhorar ainda mais a vida das pessoas em pior situação do mundo".

Os pesquisadores mostraram, por exemplo, em seus experimentos que as pessoas mais pobres são extremamente sensíveis a preços e gratuidade nos cuidados de saúde preventivos. Em outra pesquisa, mostraram que as taxas de vacinação triplicaram nas aldeias que foram selecionados aleatoriamente para ter acesso a clínicas móveis.


Outro trabalho do trio mostrou que mais livros didáticos e refeições escolares gratuitas tiveram pequenos efeitos, enquanto a ajuda direcionada para alunos fracos melhorou significativamente os resultados educacionais, comprovando que ajuda direcionada aos alunos mais fracos é uma medida eficaz.


"Os laureados mostraram como o problema da pobreza global pode ser resolvido dividindo-o em uma série de perguntas menores – mas mais precisas – nos níveis individual ou de grupo. Eles então respondem cada uma delas usando um experimento de campo especialmente projetado. Em apenas 20 anos, essa abordagem reformulou completamente a pesquisa no campo conhecido como economia do desenvolvimento", explicou o comitê do Nobel.

Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer ganham Nobel de Economia 2019 — Foto: Twitter/The Nobel Prize

Pobreza no mundo

"Apesar das recentes melhorias dramáticas, uma das questões mais urgentes da humanidade é a redução da pobreza global, em todas as suas formas", afirmou o comitê do Nobel em comunicado, lembrando que mais de 700 milhões de pessoas ainda vivem com rendimentos extremamente baixos.

"Todos os anos, cerca de 5 milhões de crianças com menos de cinco anos ainda morrem de doenças que muitas vezes poderiam ter sido prevenidas ou curadas com tratamentos baratos. Metade das crianças do mundo ainda saem da escola sem habilidades básicas de alfabetização e aritmética", destacou.

Quem são os premiados

Abhijit Banerjee
Nasceu em 1961 em Mumbai, na Índia. Em 1988, ele conseguiu o título de Ph.D. pela Universidade de Harvard, em Cambridge, nos Estados Unidos. Ele é professor de Economia da Ford Foundation no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA.


Esther Duflo
Nasceu em 1972 em Paris, na França. Ela obteve o título de Ph.D. em 1999 do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA. É a segunda mulher e a pessoa mais jovem a receber o Nobel de Economia. Nos últimos anos, firmou-se como uma duas economistas mais brilhantes de sua geração, ganhando prêmios como a medalha John Bates Clark em 2010, que recompensa os trabalhos de economistas nos Estados Unidos com menos de 40 anos.

Selfie enviada ao Nobel por Esther Duflo, a segunda mulher e a pessoa mais jovem a receber o Nobel de Economia. — Foto: Twitter/The Nobel Prize

Michael Kremer
Nasceu nos EUA, em 1964. Obteve o título de Ph.D em 1992 na Universidade de Harvard, nos EUA. É professor de Sociedades em Desenvolvimento na Universidade de Harvard, nos EUA.

Cerimônia de entrega será em dezembro

Os 3 economistas compartilharão o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, ou US$ 1 milhão (R$ 3,85 milhões).

A cerimônia de entrega do Nobel acontecerá em 10 de dezembro, data de aniversário da morte de seu idealizador, o industrial e filantropo sueco Alfred Nobel (1833-1896).

O prêmio de Economia, oficialmente chamado de "Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel", foi criado em 1968. A homenagem não fazia parte do grupo original de cinco prêmios estabelecidos pelo testamento do industrialista sueco Alfred Nobel, criador da dinamite. Os outros prêmios Nobel (Medicina, Física, Química, Literatura e Paz) foram entregues pela primeira vez em 1901.

O Nobel de Economia é o último concedido este ano. Os prêmios de Medicina, Física, Química, Literatura e Paz foram anunciados na semana passada.

Vencedores do Nobel de 2019

Paz: Abiy Ahmed Ali, primeiro-ministro da Etiópia, foi premiado por sua iniciativa decisiva para resolver o conflito de fronteira com a vizinha Eritreia, no leste da África

Literatura: Olga Tokarczuk ganhou o prêmio referente ao ano de 2018, quando a academia cancelou a premiação após um escândalo sexual. Já Peter Handke levou o deste ano.

Química: John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino foram premiados pelo desenvolvimento de baterias de íons de lítio, usadas em celulares e carros elétricos.

Física: James Peebles, suíços Michel Mayor e Didier Queloz foram premiados por suas contribuições para a compreensão do universo e pela descoberta do primeiro planeta fora do Sistema Solar que orbita uma estrela semelhante ao Sol.

Medicina: William Kaelin, Gregg Semenza e Sir Peter Ratcliffe ganharam o prêmio pelo estudo sobre como as células detectam e se adaptam à disponibilidade de oxigênio.


Últimos ganhadores do Nobel de Economia

2018: William D. Nordhaus e Paul M. Romer (EUA), por seus estudos sobre economia sustentável e crescimento econômico a longo prazo.

2017: Richard Thaler (Estados Unidos), por sua pesquisa sobre as consequências dos mecanismos psicológicos e sociais nas decisões dos consumidores e dos investidores.

2016: Oliver Hart (Reino Unido/Estados Unidos) e Bengt Holmström (Finlândia), por suas contribuições à teoria dos contratos.

2015: Angus Deaton (Reino Unido/Estados Unidos) por seus estudos sobre "o consumo, a pobreza e o bem-estar".

2014: Jean Tirole (França), por sua "análise do poder do mercado e de sua regulação".

2013: Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre os mercados financeiros.

2012: Lloyd Shapley e Alvin Roth (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre a melhor maneira de adequar a oferta e a demanda em um mercado, com aplicações nas doações de órgãos e na educação.

2011: Thomas Sargent e Christopher Sims (Estados Unidos), por trabalhos que permitem entender como acontecimentos imprevistos ou políticas programadas influenciam os indicadores macroeconômicos.

2010: Peter Diamond, Dale Mortensen (Estados Unidos) e Christopher Pissarides (Chipre/Reino Unido), um trio que melhorou a análise dos mercados nos quais a oferta e a demanda têm dificuldades para se acoplar, especialmente no mercado de trabalho.

2009: Elinor Ostrom e Oliver Williamson (Estados Unidos), por seus trabalhos separados que mostram que a empresa e as associações de usuários são às vezes mais eficazes que o mercado.

2008: Paul Krugman (Estados Unidos), por seus trabalhos sobre o comércio internacional.



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terça-feira, 15 de outubro de 2019

A OVELHA PERDIDA - Péricles Capanema


15 de outubro de 2019
Péricles Capanema

“E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam: ‘Este homem recebe e come com pessoas de má vida!’. Então, lhes propôs a seguinte parábola: ‘Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? E, depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo, e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido. Digo-vos que assim haverá maior júbilo no Céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento’”. (Lc 15, 2-7)

Enquanto escutava o Evangelho, comecei a imaginar a cena. Ela se passa no deserto. Já me chamou especialmente a atenção. Ovelhas pastando em região árida. Muitas, cem ovelhas, de repente uma tresmalha que afunda na imensidão (ou na escuridão). Saí o pastor atrás dela sem hora para voltar; enquanto não a localiza não retorna ao rebanho.

Aí tomei um susto. Deserto, noite provavelmente, o pastor na procura. E, de início, não consegui resolver o nó. Pensei em quem ouvia a parábola, alguns deles pastores, outros parentes, gente do ramo. E não experimentaram estranheza, como a minha?

Aqui vai meu assombro. De fato, se um pastor tiver a seu cargo e lado cem ovelhas, com os instrumentos pobres de agregação daquela época (um bordão, brados, comidas pobres), nunca delas se afastaria para ir atrás de uma desaparecida. Sem direção, expostas a predadores, lobos rondando, a ladrões, ao descaminho, dispersas na escuridão, perderia todas, sem ao menos ter a garantia de que encontraria a tresmalhada.Veio-me naturalmente ao espírito outro versículo: “E vendo aquelas multidões, [Jesus] compadeceu-se delas, porque estavam fatigadas e como ovelhas sem pastor” (Mt 9, 36).

Ainda, a parábola da ovelha perdida nada diz sobre a possibilidade de as colocar sob os cuidados de outro pastor ou de as trancar no redil. Estão no descampado, o pastor as deixa e vai atrás da extraviada.

Contudo, pelo que sei, a parábola nunca provocou perplexidades; ao contrário, encantou os presentes e vem encantando os que a ouvem ao longo dos séculos. A razão é simples: os ouvintes fixam o espírito nas realidades morais, objeto da parábola, e abstraem a realidade tangível naquilo que não se coaduna com a beleza espiritual ali ensinada. Não era sobretudo uma cena bucólica, era principalmente ensinamento moral.

No mundo para o qual o conto nos convida o olhar, o bom pastor à vera nunca abandonou as noventa e nove, delas sempre cuidou. “Dos que me deste, não perdi nenhum” (Jo 18, 9). Apenas uma coisa a parábola queria destacar, amava a ovelha tresmalhada, perdida nas brenhas, exposta aos predadores, e atrás dela se lançou disposto a todas as formas de sacrifício.

Adiante. São Lucas diz que todos os publicanos e pecadores ouviam a Cristo. Os judeus odiavam os publicanos, coletores de impostos para os romanos. De outro modo, drenavam riquezas de um povo pobre, eram agentes da dominação estrangeira em nação profundamente nacionalista. E os pecadores viviam de costas para a Lei. Os dois grupos atraíam o desprezo dos bem-pensantes, fariseus e mestres da lei.

De um lado, aparentemente a justiça, fria e implacável. De outro, o espírito da Lei Nova, colocando a misericórdia em extremos que poderiam parecer demasias.

No mesmo capítulo 15 está a parábola do filho pródigo; ela também pode provocar perplexidades. O filho gastador e irresponsável exige e recebe a herança inteira em vida. Vira as costas para os seus, some no mundo, queima o dinheiro em farras. O pai, todos os dias, deixa a casa e caminha pela estrada para ver se lá longe surgiria a silhueta do filho. Nada. Um dia o filho sumido volta pobre, faminto e humilhado: “Não sou mais digno de ser chamado teu filho, trata-me como um dos seus empregados”.

Resposta do pai: “Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés.Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e alegrar-nos. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado”. E começaram a celebrar o regresso.

A música estrondeava os ares, corriam soltos os festejos, o bom filho primogênito longe, labutava no campo paterno. Quando se aproximou da casa, surpreso se informou do que estava acontecendo e se enfureceu pela suposta injustiça gritante. Recusou-se então a participar da comemoração e ainda repreendeu o pai: “Olha! todos esses anos tenho trabalhado como um escravo ao teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens. Mas tu nunca me deste nem um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Mas quando volta para casa esse teu filho, que esbanjou os teus bens com as prostitutas, matas o novilho gordo para ele!”.

Demasias? De novo, a Lei Nova leva a misericórdia a extremos que, de fato, não destroem. Edificam. Vivificaram a Igreja, vivificaram a ordem temporal cristã, vivificaram famílias, levaram almas a realizar maravilhas inconcebíveis no mundo pagão. É a vida divina fluindo no meio dos homens.



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PARABÉNS, PROFESSOR! - Dom Ceslau Stanula

"Hoje é o dia do professor.  Parabéns aos estimados e queridos professores, tanto os da ativa como aposentados. A sociedade lhes deve um monumento de gratidão.




Se não tivéssemos professores, não teríamos médicos. advogados, políticos, padres, pesquisadores, nem administradores públicos, que não os respeitam, nem no seu salário. É uma lástima, a categoria tão importante na sociedade está tão desrespeitada: pelos alunos, pela sociedade, pela classe política. Quanto menos investimos na educação, quanto menos construímos escolas, tanto mais precisaremos construir cadeias.

 Parabéns, queridos professores.
Esta é minha mais sincera homenagem a todos vocês. Parabéns!
Como bouquet de flores perfumadas, lhes ofereço a minha estima e oração.

Dom Ceslau."

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Dom Ceslau Stanula - Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

OS REINOS E AS REPÚBLICAS - Pe. David Francisquini


14 de outubro de 2019

Pe. David Francisquini *

No cenário da criação e da educação escolar, aprende-se que há três reinos dominantes na natureza: mineral, vegetal e animal.

Os minerais, desde um simples calhau até o mais esplendoroso diamante, passando pelas pedras semipreciosas e preciosas, são inanimados, não possuem vida.

Sobre os vegetais, são seres dotados de vida. Estes, com toda as suas mais encantadoras particularidades, de um simples miosótis ou gramínea a um carvalho ou baobá, encontram-se em todos os recantos da Terra.

Por fim, os animais que se subdividem em racionais e irracionais, sendo os primeiros os mais perfeitos da obra da Criação, e os demais não apresentam raciocínio, mas apenas funções secundárias na ordem estabelecida por Deus.

Por sua vez, os seres racionais são dotados de alma e corpo e, por isso mesmo dignos de maior relevância e maravilhamento, pois ao criá-los, Deus os fez à sua imagem e semelhança. Tais predicados determinam que o homem — dotado de razão e provido pelas noções advindas de seu intelecto — é capaz de distinguir o bem do mal, o certo do errado.

A partir de suas características cognitivas, o homem vai além ao estabelecer sistemas de pensamentos e ideias. Assim procederam e assim ensinaram, por exemplo, São Tomás de Aquino em sua Teologia Dogmática, e Santo Afonso de Ligório na Teologia Moral. Trata-se de um processo comum em todas as áreas do comportamento humano.

            Assim criado, o homem se tornou sujeito a ter ideias e avaliar com clareza e precisão as consequências de suas atitudes e assumir responsabilidades por seus atos. Enquanto os irracionais possuindo apenas um sopro de vida mortal, perecível, deixando de existir com a morte do corpo, é incapaz de tomar decisões, calcular ou assumir consequências de seus atos.

Com a falta de entendimento, o animal irracional não tem noção de si mesmo. Por mais que pensemos que ele seja livre, na realidade, não o é, pois ao praticar os seus atos ele é impelido apenas por sensações, apetites e pelo instinto natural. Tais atributos podem conduzi-lo a um fim de que ele mesmo ignora, e cujas consequências não poderá nunca medir nem prever.

Daí se depreende que ele não pode ficar sujeito a uma norma jurídica, uma vez que, por ser irracional, ele não tem como obedecer a uma lei que não seja a mera consequência de seus instintos animais. Mesmo no que diz respeito a essa “lei da natureza”, derivada de seus instintos animais, ele não a conhece racionalmente, estando a ela sujeito como um escravo, incapaz de fugir de seus preceitos.

Sendo assim, nesse aspecto, o animal não se diferencia de um copo ou de uma cadeira. Ele não é um ser senciente, isto é, um ser com sensações e sentimentos conscientes. Portanto, nunca poderá ser uma pessoa com personalidade jurídica, como é um homem racional, pois nem sabe se existe lei ou não…

Sabemos que o animal sente dor, frio, fome, mas nada disso poderá nos levar a compará-lo ao homem, seja no quesito de direitos e das leis, seja no tratamento enquanto criaturas que devem estar ao serviço do homem, e não o contrário. Visto ser o homem o detentor do poder de vida e morte dos animais, a ele cabe zelar pelo equilíbrio da vida na Terra, e, desta forma, prestar honras a Deus, criador e organizador de todas as hierarquias.

Portanto, o homem não pode extrapolar os desígnios de Deus ao dispor a sua criação. Mas os nossos deputados, talvez depois de julgarem ter já feito tudo pelo bem dos brasileiros, começam a se dar ao luxo de cuidar dos animais, dando a eles um status jurídico. Para o Senador Randolfe Rodrigues, a concessão de status legal aos animais representa “um avanço civilizacional”.

Tal disparate é de molde a provocar a reação de parlamentares sensatos, e não alinhados com a plataforma política esquerdista, como tal lei poderá causar sérios problemas como a interferência na cadeia produtiva agrícola, podendo até mesmo chegar a proibir o abate de animais para alimentação.

Com efeito, em vez de se preocuparem com a aprovação de pautas que almejem o desenvolvimento e progresso do Brasil, com consequente criação de empregos, tais parlamentares vêm com essa proposta absurda, além da perda de tempo e de dinheiro.

As Escrituras dispõem que Deus Nosso Senhor ao fazer o homem à Sua imagem e semelhança o estabeleceu como síntese de toda criatura, colocando-o no domínio de todas as coisas. Contudo, as cogitações materialistas do espírito hodierno, de modo particular nas repúblicas revolucionárias, costumam burlar da forma de raciocinar alinhada aos valores espirituais ou morais.

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).


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PARABÉNS, FERNANDA - Rosiska Darcy de Oliveira


Parabéns pelo Prólogo, a infância difícil no plano material, nem por isso menos feliz, a ensinar para toda a vida que a solidariedade familiar vale mais que uma conta em banco, que a cultura é um bem precioso e que o sentido moral se aprende na infância. Em tempos de desvairada corrida ao dinheiro, aos podres poderes, quando tudo e todos parecem ter preço, é uma herança inestimável a que você nos lega.

Parabéns pelo Ato, pelos atos, por cada pano que se abria como uma janela sobre o infinito, proporcionando tantos mundos à adolescente que eu fui e que lhe aplaudia de pé. E aplaudo ainda. Assim como todos aqueles para quem o teatro tem alguma coisa de sagrado, os que choramos no anfiteatro de Epidauro e no Teatro Municipal com a mesma emoção. Esse ofício de que você tanto se orgulha e fala com alegria e paixão. Ouvi você dizer a um grupo de jovens atores que quem não acredita ser o mundo essas três paredes e as tábuas do chão não deve insistir nesse ofício.

Parabéns pelo Epílogo, fértil e corajoso, que há de ser longo e lindo como foram o Prólogo e o Ato. Obrigada por ser a face luminosa do Brasil, a promessa do que ainda não somos mas gostaríamos de ser, nós, esses milhões de brasileiros que lhe respeitam, admiram e têm como exemplo.

Sobre você Caetano escreveu que se o Brasil “nunca se tornar um país são e respeitável, é porque terá traído Fernanda Montenegro”. Não vamos lhe trair. Você se lembra, Fernanda, do que dizia nosso amigo Darcy Ribeiro? Pois é, apesar de tanta sombra, apesar de uma gente vil que lhe insulta e é a nós que ofende, “havemos de amanhecer”. Quando assim for e assim será, terá sido graças aos grandes brasileiros como você, como Darcy e Caetano.

Obrigada, minha amiga. Feliz aniversário, Fernanda.

O Globo, 14/10/2019


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Rosiska Darcy de Oliveira - Sexta ocupante da cadeira 10 da ABL, eleita em 11 de abril de 2013, Rosiska Darcy de Oliveira é escritora e ensaísta. Sua obra literária exprime uma trajetória de vida. Foi recebida em 14 de junho de 2013 pelo Acadêmico Eduardo Portella, na sucessão do Acadêmico Lêdo Ivo, falecido em 23 de dezembro de 2012.

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domingo, 13 de outubro de 2019

CEO BRASILEIRA É CANONIZADA – Nizan Guanaes


No próximo domingo, na praça do Vaticano, vou assistir à canonização de Irmã Dulce.

Irmã Dulce não é apenas a primeira santa brasileira, ela é a primeira CEO brasileira a ser canonizada.

A Organização Social Irmã Dulce é o seu primeiro milagre. Franzina, saúde frágil, ela não tinha a rigor condições físicas de fazer nada nem de segurar um copo de água.

Mas seu hospital de mil leitos construído sabe Deus como é obra do seu empreendedorismo. O hospital começou num galinheiro nos fundos do convento e hoje tem 40 mil m2.

Conheço bem a história da santa porque Irmã Dulce, que tinha sérios problemas pulmonares, era paciente do meu pai, médico pneumologista. Meu irmão André Guanaes, quando residente, também foi seu médico. Ele conta algo que é típico da situação de tantos CEOs no Brasil: os problemas respiratórios de Irmã Dulce pioravam todo fim de mês. E ele sempre a escutava dizer: dia tal eu tenho 3 milhões para pagar, isso é problema de Santo Antônio, isso não é meu problema, isso é um problema dele.

O problema era de Santo Antônio, mas era ela quem ia pedir a Antônio Carlos Magalhães, a Ângelo Calmon e a outros poderosos da Bahia e do Brasil.

Ela era santa com os pobres, mas não era santa com os ricos. Com esses, ela era pragmática. Como uma boa CEO, conversava com todo o mundo. Com a direita, com a esquerda, com o que está entre as duas e além. Sua relação com o grande líder espírita da Bahia, o igualmente santo Divaldo Franco, é maravilhosa. Foi, assim, maior que a igreja que agora a canoniza.

Escrevo este artigo emocionado porque conheço a história de perto - de seu início no bairro pobre de Alagados até os atuais 2 milhões de atendimentos ambulatoriais, 18 mil internamentos e 12 mil cirurgias por ano. Como uma pessoa que dormia sentada por causa dos problemas pulmonares pode tocar uma obra desse tamanho? Milagre.

Tudo na Bahia que eu nasci e cresci era destinado a ajudar as obras assistenciais de Irmã Dulce: bingo, quermesse, show. Era tudo para ela pagar o seu fim de mês.

Nesse mesmo espírito, estou participando de uma iniciativa artística na Bahia para celebrar a nossa santa. 77 artistas da música baiana foram a estúdio gravar a música de Irmã Dulce. Ivete Sangalo, Luís Caldas (que criou a música axé), Margareth Menezes (que vai cantar no Vaticano) e dezenas de músicos talentosos gravaram com dedicação e disponibilidade que nunca vi.

Decidi me dedicar cada vez mais a causas sociais. Sou orgulhoso e odeio pedir, mas isso não combina com obra social. Dou do meu e dou de mim e fico imaginando o que a frágil Irmã Dulce passou para ampliar, modernizar e manter a cada fim de mês seu hospital de mil leitos.

Uma obra dessa não se faz só com bondade, mas com determinação, com disciplina, com empreendedorismo.

Ela era focada, cercou-se dos melhores, aplicava orçamento base zero (era uma Beto Sicupira de hábito) e tinha um modo peculiar de levantar fundos: ficava na sala de espera do futuro doador e só saía de lá quando o próprio se dignava a recebê-la. O povo da Bahia é testemunha.

Por isso, 15 mil baianos vão a Roma no dia 13 assistir à canonização. E, no dia 20, Salvador vai parar para ver a missa de sua canonização no Estádio da Fonte Nova.

Irmã Dulce não é uma santa católica. Ela é uma santa baiana. São devotos dela a mãe de santo, o ateu, o pastor e até o padre. Desafio a Harvard Business School a escrever o estudo de caso de Irmã Dulce, a primeira CEO brasileira a ser canonizada pelo Vaticano.


Nizan Guanaes, empreendedor, fundador do Grupo ABC


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