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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

TEATRO NA ESCOLA TEM POESIA INFANTIL DE CYRO DE MATTOS

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A ENCÍCLICA HUMANÆ VITÆ E A REVOLUÇÃO SEXUAL

30 de agosto de 2019


Uma condenação atual e perene
 Luiz Sérgio Solimeo

No dia 25 de julho de 2018, a Igreja celebrou o 50º aniversário da publicação da Encíclica Humanæ Vitæ, do Papa Paulo VI, lançada no contexto da revolução sexual de meados dos anos sessenta. A moda, a literatura e a indústria do entretenimento haviam contribuído para uma atmosfera em que a moral tradicional em matéria sexual foi subvertida. Isto se manifestou especialmente em filmes de Hollywood, na televisão, na descoberta e divulgação da pílula anticoncepcional e no advento da minissaia. 

(É proibido proibir)
Em maio de 1968, o surto de distúrbios estudantis na maioria das universidades do Ocidente deu à revolução sexual uma base ideológica, unificando e dando significado a toda uma gama de tendências desordenadas voltadas contra a moral tradicional. Essa base ideológica consistia numa mistura de anarquismo, marxismo e freudismo. Ela negava a ordem político-social, e qualquer forma de autoridade, civil, religiosa ou de lei moral. Um slogan pintado nas paredes do campus da Universidade de Paris-Sorbonne (É proibido proibir) condensava numa frase toda essa revolta. [foto ao lado]
Ao mesmo tempo, círculos católicos progressistas procuravam fazer com que a Igreja “se adaptasse” cada vez mais ao mundo. Inúmeros teólogos começaram a argumentar que a Igreja deveria mudar sua moral perene e abandonar a intransigência em questões sexuais, aceitando a “liberdade” sexual e o uso de contraceptivos artificiais. 

A IGREJA NÃO PODE MUDAR A LEI DE DEUS, EXPRESSA NA NATUREZA

Foi nesse clima de contestação que o Papa Paulo VI decidiu publicar uma encíclica sobre a contracepção — a Humanæ Vitæ.[1] A encíclica deu grande alívio aos fiéis católicos, ao mesmo tempo que provocava consternação nas hostes liberais, porque reafirmou, com toda clareza, a doutrina tradicional da Igreja sobre a natureza do casamento e a finalidade primária do ato sexual. Ao mesmo tempo condenou, de modo incisivo, o uso da pílula anticoncepcional ou de qualquer outro meio artificial de contracepção. 
A encíclica explica claramente que a Lei de Deus não pode ser mudada, uma vez que ela é expressa na própria natureza humana: “A Igreja não foi a autora dessa lei, e não pode portanto ser árbitra da mesma; ela é somente depositária e intérprete; nunca pode declarar lícito aquilo que não o é, pela sua íntima e imutável rejeição ao que se opõe ao verdadeiro bem comum do homem”.[2] 
A encíclica é baseada na lei natural e na Revelação, ambas manifestando a vontade de Deus. O Magistério da Igreja recebeu a missão não apenas de interpretar a Revelação, mas também a lei natural, portanto aborda a moral em todos os seus aspectos: “Jesus Cristo, ao comunicar a Pedro e aos Apóstolos a sua autoridade divina, e ao enviá-los a ensinar a todos os povos os seus mandamentos, constituiu-os guardas e intérpretes autênticos de toda a lei moral; ou seja, não só da lei evangélica, como também da natural, dado que ela é igualmente expressão da vontade divina, e que a sua observância é do mesmo modo necessária para a salvação”.[3]
Em conformidade com a lei natural e a Revelação, a Humanæ Vitæ enfatiza que a relação sexual, “é própria e exclusiva aos cônjuges”,[4] e, por sua própria natureza, é ordenada “para a procriação e educação dos filhos”.[5] Por isso, não hesita em afirmar: “Chamando a atenção dos homens para a observância das normas da lei natural, interpretada pela sua doutrina constante, a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida”.[6] 

Inúmeros teólogos começaram a argumentar que a Igreja deveria mudar sua moral perene e abandonar a intransigência em questões sexuais, aceitando a “liberdade” sexual e o uso de contraceptivos artificiais

CONDENANDO A LIMITAÇÃO ARTIFICIAL DA NATALIDADE 


Ao contrário da mentalidade antinatalista de hoje, que vê as crianças como obstáculos à felicidade conjugal, a encíclica recorda: “Sem dúvida, os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos pais”.[7] E delineia a obrigação dos cônjuges de aderir às normas ditadas pela lei natural e divina: “Na missão de transmitir a vida, os pais não são, portanto, livres para procederem a seu próprio bel-prazer, […] mas devem conformar o seu agir com a intenção criadora de Deus”.[8] 
Quando o ato conjugal é praticado de tal maneira que “prejudique a disponibilidade para transmitir a vida que Deus, Criador de todas as coisas, nele inseriu segundo leis particulares, está em contradição com o desígnio constitutivo do casamento e com a vontade do Autor da vida humana”.[9] Em linguagem simples, está afirmado que pecam os que praticam o ato sexual impedindo artificialmente a procriação.
Assim, a Igreja não pode aceitar, mas deve condenar a contracepção: “Em conformidade com estes pontos essenciais da visão humana e cristã do matrimônio, devemos uma vez mais declarar que é absolutamente de excluir, como via legítima para a regulação dos nascimentos, a interrupção direta do processo gerador já iniciado; e sobretudo o aborto querido diretamente e procurado, mesmo por razões terapêuticas. É de excluir de igual modo, como o Magistério da Igreja repetidamente declarou, a esterilização direta, quer perpétua quer temporária, tanto do homem como da mulher. É ainda de excluir toda a ação que, em previsão do ato conjugal ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação”.[10]
Para se avaliar o alcance e a seriedade dessa condenação, o Papa deixou claro que estava falando como Doutor da Igreja Universal e sucessor dos Apóstolos. De fato, depois de expor os novos problemas do Magistério, ele afirma inequivocamente: “Por isso, depois de termos examinado atentamente a documentação que nos foi preparada, depois de aturada reflexão e de insistentes orações, é nossa intenção agora, em virtude do mandato que nos foi confiado por Cristo, dar a nossa resposta a estes graves problemas”.[11] 
Alguns teólogos liberais alegaram que o aspecto unitivo do ato conjugal, por si só, é suficiente para justificá-lo. E poderia ser dissociado do aspecto procreativo, justificando assim o uso da pílula anticoncepcional. A encíclica, ao contrário, reafirma que os aspectos unitivos e procreativos do ato conjugal são inseparáveis por sua própria natureza, como estabelecido pelo Criador. Portanto o homem não pode, por sua própria iniciativa, romper a conexão inseparável “entre o significado unitivo e o significado procreativo”, ambos inerentes ao ato conjugal.[12]
Tais teólogos invocam a teoria do “mal menor”, para justificar o uso da pílula anticoncepcional. No entanto, a encíclica explica que essa teoria não se aplica a este caso: “Nunca é lícito, nem sequer por razões gravíssimas, fazer o mal para que daí provenha o bem (Rom. 3, 8); isto é, ter como objeto de um ato positivo da vontade aquilo que é intrinsecamente desordenado, e portanto indigno da pessoa humana, mesmo se for praticado com intenção de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares, ou sociais”.[13]

Em conformidade com a lei natural e a Revelação, a Humanæ Vitæ enfatiza que a relação sexual “é própria e exclusiva aos cônjuges”, e, por sua própria natureza, é ordenada “para a procriação e educação dos filhos”.

ADVERTINDO OS ESTADOS DE ÍNDOLE TOTALITÁRIA 

Quem analisa a Humanæ Vitæ não pode deixar de admirar a sabedoria da doutrina tradicional da Igreja, prevendo ao longo do tempo a situação a que chegaria o mundo moderno, com os Estados exibindo tendência sempre crescente de definir suas próprias normas para as famílias, resultando uma assustadora corrupção da moral. Por isso a encíclica enfatiza que o controle artificial da natalidade abre facilmente o caminho para a infidelidade conjugal e causa “um abaixamento geral dos padrões morais”, expondo particularmente os jovens à tentação. A advertência é clara: 
“Quem poderia reprovar um governo que aplicasse à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? […] Portanto, não se querendo expor ao arbítrio dos homens a missão de gerar a vida, devem-se reconhecer necessariamente limites intransponíveis no domínio do homem sobre o próprio corpo e as suas funções; limites que a nenhum homem é lícito ultrapassar, seja ele simples cidadão privado ou investido de autoridade”.[14] 
Não há nada utópico na solução apresentada pela Humanæ Vitæ, e de fato é a única realmente coerente e eficaz. Por isso ela chama a atenção dos “educadores e de todos aqueles que desempenham tarefas de responsabilidade, em ordem ao bem comum da convivência humana, […] para a necessidade de criar um clima favorável à educação para a castidade, isto é, ao triunfo da liberdade sã sobre a licenciosidade, mediante o respeito da ordem moral”.[15] 
Observa ainda que a virtude da castidade, sem a qual a família está destinada a perecer, infelizmente é atacada de todas as formas: “Tudo aquilo que nos modernos meios de comunicação social leva à excitação dos sentidos, ao desregramento dos costumes, bem como todas as formas de pornografia ou de espetáculos licenciosos, devem suscitar a reação franca e unânime de todas as pessoas solícitas pelo progresso da civilização e pela defesa dos bens do espírito humano. Em vão se procurará justificar estas depravações com pretensas exigências artísticas ou científicas, ou tirar partido da liberdade deixada neste campo por parte das autoridades públicas”.[16] 

AGIR DE ACORDO COM ENSINAMENTOS PERENES 


Que São Joaquim e sua castíssima filha, a Virgem Maria,
iluminem a tantos que no meio da confusão dos dias atuais
correm o risco de encaminharem seus passos
pelos caminhos de perigosa e terrível perdição


Cinquenta anos após a publicação da Humanæ Vitæ, seus ensinamentos continuam válidos como sempre, e indiscutivelmente se aplicam ao debate sobre o “casamento” homossexual e inúmeras outras aberrações, que tanto ameaçam a família e a própria vida humana. Em meio a essa cacofonia, que obedece a comandos ocultos, deve ser sempre reafirmada a doutrina católica sobre o propósito do ato sexual, e, portanto, do casamento. 
Baseada na imutabilidade da natureza humana, na Sabedoria e Vontade divinas, a doutrina católica prega hoje aquilo que sempre pregou e sempre pregará até o fim dos tempos. Tal pregação nem sempre é popular. De fato, a Humanæ Vitæ foi recebida com desânimo e desprezo pelos promotores da revolução sexual. Mas desprezo à verdade não torna a verdade menos verdadeira. Ao condenar a revolução sexual, num chamado constante para retornar à verdadeira natureza do casamento, a voz sempre coerente e perene da Igreja se destaca ainda mais em meio ao caos moral. 
Estamos em tempos difíceis, ainda mais deteriorados após a Amoris Lætitia. Mas a encíclica de Paulo VI permanece um farol para os que são fiéis ao ensinamento perene da Igreja. Hoje, infelizmente, muitos teólogos, inclusive bispos e cardeais, querem mudar essa doutrina perene. Há até rumores de que o Papa Francisco teria convocado uma comissão para estudar a história da Humanæ Vitæ, presumivelmente com a intenção de modificá-la. 
De nossa parte, aconteça o que acontecer, teremos sempre como norma de vida e combate os princípios imutáveis da lei natural e da Revelação.

____________ 
Notas
1. CARTA ENCÍCLICA HUMANAE VITAE DE SUA SANTIDADE PAPA PAULO VI, 25 de julho do ano de 1968, http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae.html. Durante a comemoração do 40º aniversário, Bento XVI enfatizou: “Quarenta anos depois da sua publicação, aquele ensinamento não só manifesta a sua verdade inalterada, mas revela também a clarividência com a qual o problema é tratado”. (Discurso aos participantes do congresso internacional organizado pela Pontifícia Universidade Lateranense por ocasião do 40º aniversário da Encíclica Humanae Vitae, em 10 de maio de 2008: http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2008/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20080510_humanae-vitae.html.

2. HV, nº 18. As citações da Humanae Vitae referem-se ao número do parágrafo da encíclica apresentado no site do Vaticano: http://w2.vatican.va/content/paul-vi/pt/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae.html
3. HV, nº 4.
4. HV, nº 8.
5. HV, nº 9.
6. HV, nº 11.
7. HV, nº 9.
8. HV, nº 10.
9. HV, nº 13.
10. HV, nº 14.
11. HV, nº 6. Inúmeros teólogos são da opinião de que a condenação da contracepção é uma doutrina infalível. Por exemplo: Pe. M.R. Gagnebet, O.P., “The Authority of the Encyclical Humanae Vitae” (“A Autoridade da Encíclica Humanae Vitae”), em www.ewtn.com/library/Theology/AUTHUMVT.HTM; Pe. John Hardon, S.J., “Contraception: Fatal to the Faith” (“Contracepção: Fatal à Fé”), em www.catholic-pages.com/morality/fatal.asp; Pe. Brian W. Harrison, O.S., revisão de Humanae Vitae e Infallibilità: il Concilio, Paolo VI e Giovanni Paolo II (“Humanae Vitae e Infalibilidade: o Concilio, Paulo VI e João Paulo II”), por Ermenegildo Lio, O.F.M. (Vaticano, Libreria Editrice Vaticana, 1986), em www.rtforum.org/lt/lt12.html; Pe. Joseph H. Ryder, S.J., “Pope Paul VI’s Encyclical Humanae Vitae as an Infallible Definition of Doctrine” (“A Encíclica Humanae Vitae do Papa Paulo VI como uma Definição Infalível de Doutrina”), Social Justice Review, em www.socialjusticereview.org/articles/humanae_vitae.php.
12. HV, nº 12.
13. HV, nº 14.
14. HV, nº 17.
15. HV, nº 22.
16. Id. Ibid.


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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

AMADURECIMENTOS ESPERANÇOSOS – Péricles Capanema


2 de setembro de 2019

Péricles Capanema


Um quarto de século tem o Plano Real. O Brasil, antes do real — que passou a ser nossa moeda em 1º de julho de 1994 —, era de um jeito; ficou de outro depois dele. Em 1994, inflação ainda descontrolada, brandindo programa radical Lula caminhava para ser eleito em outubro. Sob o clima do real, inflação estancada, sensação de ordem, esperança renovada, FHC ganhou as eleições em 1º turno com 54,24% dos votos, ficou oito anos no Planalto e só entregou o poder ao PT em 1º de janeiro de 2003.
Hora de parar e pensar sobre aspectos importantes que mudaram no Brasil, em especial os empurrados para a sombra. Bom apoio para reflexões é a recente entrevista do economista Pérsio Arida, ex-presidente do Banco Central, um dos pais do Plano Real, estampada nas páginas amarelas da Veja.
Naquela ocasião, 1994, o estatismo se esgueirava envergonhado pelos cantos no Primeiro Mundo. Caíra a Cortina de Ferro e escancarara o atraso e a miséria do socialismo; ainda sopravam os ventos de liberalização econômica dos governos de Ronald Reagan (1981-1989) e Margareth Thatcher (1979-1990). Entre nós, sina de retardatários, soprava ainda forte o vendaval insalubre do estatismo, impedindo avanços civilizatórios.
Assim comentou Pérsio Arida as vendas de estatais na esteira do Plano Real: “As privatizações da Telebrás, dos bancos estaduais, da Vale do Rio Doce. Era tudo tão difícil que precisava de força policial na porta da Bolsa de Valores para segurar os leilões”. Vamos reter o “era tudo tão difícil”. Observa ainda o economista: “Curiosamente, a maior oposição foi do PSDB de São Paulo, pois queríamos privatizar os bancos estaduais”. Em postura regressista, continuavam aferrados ao estatismo todo o bloco esquerdista [não mudou] e igualmente um embolorado nacionalismo estatizante, ufanista, romântico e dogmático. Por isso “era tudo tão difícil”.
A desestatização avançou pouco, retrocedeu no período petista, persiste o dinossauro estatal e, indício claro de retrocesso, a Petrobrás ainda refina quase 100% do petróleo. Mas, em medida dinamizadora, a estatal anunciou que em aproximadamente dois anos, vai vender para a iniciativa privada oito refinarias, em torno de 50% da capacidade de refino do Brasil, o que, junto com outras medidas, trará concorrência para o setor da energia — maior produção e preços mais baixos. Entre as medidas complementares anunciadas, o governo tentará executar o projeto intitulado “O Novo Mercado de Gás” para terminar com o virtual monopólio de produção, transporte e distribuição exercido pela estatal.
Constam do programa a venda de transportadoras e distribuidoras de gás da Petrobrás, bem como novos regulamentos que diminuirão a intermediação, dando maior força ao consumidor e ao vendedor final. A União pretende estimular a venda de distribuidoras, hoje nas mãos de Estados da federação. O setor terá novos participantes, concorrência acirrada e se espera que o preço da energia baixará enormemente. Com isso, estímulo para a produção e enriquecimento geral da população.
“Era tudo tão difícil”. Era, hoje não é mais, está relativamente fácil privatizar, a oposição ficou menor e menos encarniçada. São avanços importantes, amadurecimentos na opinião pública que despertam esperanças. Esperanças que o público, melhorando em suas orientações, estimule um rumo em que o papel indispensável do Estado seja subsidiário. E que a sociedade, com base familiar, se fortaleça. É avanço civilizatório, trará recursos para realizar mais largamente a justiça social.
Trato agora de outra matéria, relacionada com a anterior, mas onde a maturação vem sendo lenta. Faz falta avançar célere, abandonar a molecagem destruidora, a esbórnia e assumir por inteiro para bem do Brasil a maturidade produtiva. Maturar é crescer. Em especial os pobres do campo têm direito a esse aperfeiçoamento.
Desde os anos 50 sobre o Brasil despencaram sucessivos e amalucados programas de reforma agrária, cujo efeito é invariavelmente baixíssima produtividade, disseminação de favelas rurais, fuga de capitais no campo, burocratismo, empreguismo e gatunagem. Programa delirante de atraso ainda que inconfessado, seus efeitos estão à vista nua: dinheirama pública torrada irresponsavelmente, bilhões e bilhões, favelas rurais, bagunça, favoritismo e roubalheira. É preciso eliminar esse recuo da vida brasileira, acabar com tal involução renitente. Já há numerosos e sérios estudos a respeito, economistas e agrônomos apontam o disparate desse amazônico gasto despropositado. Décadas e décadas de disparates e dilapidação de recursos num programa que nos envergonha em qualquer cenário internacional idôneo. Se nem um tostão tivesse sido desperdiçado nessas maluquices em ufana e produtiva omissão, a situação dos pobres no campo seria hoje melhor, a produtividade mais alta, teriam sido atendidos melhor a saúde e a educação para o povo em geral.
Aqui, um obstáculo grosso ao progresso nacional. Como base dessa regressão, em rápidos traços acima recordada, que já chamei de tumores de estimação, temos legislação demolidora, parte constitucional, parte infraconstitucional, entulho que torna inseguras as relações jurídicas, inibe a produção de alimentos, dificulta a verdadeira justiça social no campo. Pior, tal legislação tóxica poderá ser utilizada no futuro por governo de esquerda [será, logo que a oportunidade surja] para jogar o Brasil no caminho de Cuba e da Venezuela. Não custa lembrar, Salvador Allende fez assim no Chile; sem modificar a legislação, apenas lançando mão de vigentes “resquícios legais”, impôs violento programa de expropriações e estatização.
A bancada ruralista tem mais de 250 representantes (Câmara e Senado juntos). Luta por financiamentos melhores, subsídios, preços compensadores, portas abertas lá fora para exportação da produção, interesses imediatos. Certo. Todavia, com momento favorável a suas reivindicações, revela apatia com interesses mediatos, ou, por outra, fundamentais, de longo prazo. Não existe nenhuma comissão ou grupo de estudo — e ninguém sequer trata do assunto —, de homens da ciência e da experiência, que compulsem toda a legislação vigente, pente-fino, para dela tentar expungir por meio de pertinentes propostas legislativas [PECs e projetos de lei] tudo o que ali fede a intervencionismo e coletivismo; enfim, a socialismo. Por baixo, evidencia imaturidade, medo de andar fora da trilha do politicamente correto e não só da classe rural, mas da opinião pública conservadora em geral. Falava acima de amadurecimento esperançoso. Constato aqui imaturidade decepcionante. Nelson Rodrigues dizia: “Jovens, envelheçam rapidamente”. É o caso de reclamar: “Brasileiros, amadureçam rapidamente”. Em tudo.


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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

MOLION FEZ CRÍTICA CIENTÍFICA DA ENCÍCLICA QUE ANTECIPA AS CONCLUSÕES DO SÍNODO PAN-AMAZÔNICO


29 de agosto de 2019
Luis Dufaur
No dia 16 de julho de 2015, por iniciativa do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, palestraram no Club Homs da capital paulista o Prof. Luiz Carlos Molion [foto acima] e o autor deste artigo.
O Prof. Molion é meteorologista, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), PhD em Meteorologia e pós-doutor em Hidrologia de Florestas. Ele assestou o foco nos aspectos científicos da Encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco.
Suas observações continuam mais atuais do que nunca. Não somente os fenômenos climáticos e ecológicos em pauta continuam os mesmos pois se estendem com grande durabilidade no tempo.
Mas a agitação ideológica “verde” cresceu em insuspeitadas proporções.
Criou-se também um coro de vozes, aliás muitas anticristãs, que sintoniza com o Sínodo Pan-amazônico que se desenvolverá em Roma no próximo mês de outubro.
E o cerne das conclusões desse Sínodo já está inscrito com antecedência na referida encíclica.
O professor Molion observou múltiplas impropriedades, do ponto de vista da ciência, contidas nessa Encíclica, pois adota hipóteses controvertidas ou falsas como se fossem resultantes de um consenso entre os especialistas.
Também sublinhou que o termo “consenso” jamais pode ser usado na ciência. Ele é aplicável na política e em seus conchavos. A ciência é questionadora por natureza.
O Prof. Molion explicou que a análise dos dados dos últimos 420 mil anos registra sucessivas eras glaciais com cerca de 100 mil anos de duração cada uma, interrompidas por períodos quentes ou interglaciários de 10 a 12 mil anos de duração.
A última glaciação ocorreu há 130 mil anos. Nesse período, pode-se constatar que o CO2 nunca causou alteração da temperatura. Pelo contrário, ele acompanhou as mudanças da temperatura com um atraso de 800 a mil anos, ou até 5 mil.
O auditório encheu para ouvir as explicações do prof. Molion sobre a Laudato Si’

O CO2 é um seguidor e não um condutor. O grande controlador do CO2 na atmosfera são os oceanos, que constituem 71% da superfície da Terra. Dos 510 milhões de quilômetros quadrados do Planeta, 361 milhões são cobertos pelos oceanos.
Segundo o abalizado especialista, vivemos hoje num período interglacial iniciado há cerca de 15 mil anos. Nos interglaciários anteriores, a temperatura atingiu de 6º a 10º acima da atual.
Qual era a atividade humana que aqueceu o planeta? perguntou o palestrante. Nessas épocas nem existia o Homo Sapiens!
Esse aquecimento apenas se explica por processos físicos naturais, independentes de qualquer presença ou atividade humana.
A história da civilização humana transcorreu nos últimos 10 mil anos, tendo havido quatro períodos muito mais quentes que o atual:
·         ótimo do Holoceno, há 8 mil anos;
·         Minuano quente, ocorreu 3.500 anos atrás e correspondeu à civilização de Minos;
·         Romano quente — entre 400 a.C. a 300 d.C. — que inclui a época da vida de Cristo;
·         e o Medieval quente, entre 900 e 1250 ou 1300 d.C.
Entre 1350 e 1850, quiçá até inicio do século XX, houve um período frio em que a temperatura média da Europa ficou 2ºC abaixo da atual.
O interglacial em que vivemos tende ao resfriamento. Já passamos pelo máximo de calor 6 mil anos atrás e estamos rumando bem devagar para uma nova era glacial.
Ninguém precisa se preocupar, pois para se chegar a 8º ou 10º abaixo do que está hoje levará cem mil anos.
De acordo com o Prof. Molion, fica assim claro que o Papa Francisco foi muito mal assessorado na redação da Encíclica.
Vídeo: Mitos e fraudes falsamente científicos continuam sendo os mesmos. A prova? Veja esta entrevista-aula de 2010 !!!
O documento papal também recolhe a ideia de um aumento catastrófico do nível dos mares. Em 2007, o Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC) previa um aumento de 59 cm até 2100; em 2013 sua previsão saltou para 98 cm.
E o líder aquecimentista Al Gore afirma em seu laureado trabalho que o aumento seria de 6 metros! Só que, apesar desse salto vertiginoso, ele comprou uma mansão em Montecito, na Califórnia, pelo valor de 9 milhões de dólares, bem junto à praia…!
O palestrante mostrou que é impossível medir o nível do mar, pois ele não se trata de um sólido contínuo e está exposto a mudanças determinadas por fenômenos astronômicos!
A Encíclica trata também de “eventos extremos” de natureza climática. O que é isso? Um evento extremo é um estado atmosférico momentâneo, não é clima! No clima, o que se considera é a média de tudo, e não apenas um momento extremo.
“Eventos extremos” sempre ocorreram. A pior seca do Nordeste foi em 1877-1879. Na região metropolitana de São Paulo, segundo os pluviômetros, a década com maiores tempestades foi de 1941 a 1950. E a pior enchente que São Paulo já teve foi em janeiro de 1929!
Não tem nada a ver com o aquecimento global!

O professor Molion ilustrou os pontos falhos da Laudato Si’ do ponto de vista científico.

O Prof. Molion também desmitificou outras frases soltas no documento que não se sabe de onde saíram, tais como o medo de descongelamento do permafrost (terra congelada no Ártico) e a liberação de quantidades catastróficas de gás metano por essa e outras vias.
Também neste ponto, a Encíclica acolhe uma mistificação sem base na ciência.
Segundo o expositor, em matéria de efeito estufa o documento papal está totalmente equivocado e deve ser completamente repensado em função dos conhecimentos básicos da física.
Outra questão afirmada sem fundamento é a acidificação dos oceanos. Quanto ácido seria preciso para acidificar os oceanos? É inimaginável.

Resumidamente, o professor Molion voltou a sublinhar verdades básicas na matéria:

 *o clima varia por causas naturais; 

·   *“eventos extremos” sempre ocorreram;

·   *o CO2 não controla o clima global e é o gás da vida; sem CO2 acabariam as plantas, os animais e os homens;

·   *sem energia, inclusive a nuclear, os países pobres não sairão da pobreza.


O renomeado professor concluiu que é muito preocupante o Papa defender na Encíclica uma governança mundial para se controlar as emissões de gás.



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“NA SALA, COM RUBEM BRAGA” É O TEMA DA PALESTRA DE ABERTURA DO CICLO DE CONFERÊNCIAS “CADEIRA 41”, COM O PROFESSOR E ACADÊMICO ANTONIO CARLOS SECCHIN


A Academia Brasileira de Letras abre seu Ciclo de Conferências do mês de setembro, intitulado Cadeira 41, com palestra do Acadêmico Antonio Carlos Secchin, professor emérito de Literatura Brasileira da UFRJ e Doutor em Letras pela mesma Universidade. A coordenação geral é da Acadêmica e escritora Ana Maria Machado. O tema escolhido foi Na sala, com Rubem Braga. O evento está programado para o dia 5 de setembro, quinta-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr. (Avenida Presidente Wilson, 203 - Castelo, Rio de Janeiro). Entrada franca.
A intitulação Cadeira 41 remonta aos tempos de fundação da ABL, em 20 de julho de 1897. Criada nos mesmos moldes da Academia Francesa, o número máximo de Acadêmicos era 40, o que continua até os dias de hoje. Este Ciclo, no entanto, pretende apresentar quatro nomes que poderiam ocupar, em suas épocas, uma dessas Cadeiras e que, por razões diferentes e individuais, não se tornaram membros da Academia.
A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado é a coordenadora geral dos Ciclos de Conferências de 2019.
Os Ciclos de Conferências, com transmissão ao vivo pelo portal da ABL, têm o patrocínio da Light.
Serão fornecidos certificados de frequência.
O Ciclo Cadeira 41 terá mais três palestras, às quintas-feiras, no mesmo local e horário, nos seguintes dias, com os conferencistas e temas, respectivamente: dia 12, Acadêmico Geraldo Carneiro, No bar, com Tom Jobim; dia19, Acadêmico Joaquim Falcão, Na varanda, com Gilberto Freyre; e dia 26, Marisa Lajolo, Na classe, com Mestre Candido.
O Acadêmico
Antonio Carlos Secchin é professor emérito de Literatura Brasileira da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Doutor em Letras pela mesma Universidade. Foi professor de Literatura Brasileira das Universidades de Bordeaux, Roma, Rennes, Mérida e Paris III-Sorbonne Nouvelle.
Em 2013, a editora da UFRJ publicou Secchin: uma vida em letras, com 88 artigos, ensaios e depoimentos sobre a sua atuação como escritor, professor e bibliófilo.
É poeta com vários livros publicados, entre eles Desdizer, de 2017, que reúne sua poesia.
Em 2018, publicou, na área da literatura infantil, O galo gago, que recebeu o selo “Altamente Recomendável” da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Ensaísta, publicou, ainda em 2018, Percursos da poesia brasileira: do século XVIII ao século XXI, que recebeu o Prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) como o melhor livro de ensaios publicado no país.
Em março de 2019, recebeu o Grande Prêmio Cida
Leitura complementar
Biblioteca Rodolfo Garcia disponibiliza seu acervo para pequisa e leitura de obras relacionadas ao tema desta conferência, como "João Cabral [texto] : a poesia do menos""Machado de Assis [texto] : ensaios da crítica contemporânea" e "O homem rouco [texto] : crônicas".
Para consultar mais materiais como os citados, acesse o link abaixo e visite os "Levantamentos bibliográficos" realizados para este evento.

29/08/2019



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terça-feira, 3 de setembro de 2019

“ELOGIO DA LIBERDADE”, FILME QUE NARRA A TRAJETÓRIA DA ACADÊMICA ROSISKA DARCY DE OLIVEIRA, SERÁ EXIBIDO EM SESSÃO ESPECIAL NA ABL


Dando prosseguimento à série Cinema na ABL, sob a coordenação do Acadêmico Carlos Diegues, será exibido, em uma sessão especial, o filme Elogio da Liberdade, que aborda a vida e a obra da Acadêmica e escritora Rosiska Darcy de Oliveira. A produção, com duração aproximada de 85 minutos, tem a direção de Bianca Comparato.
A protagonista
Rosiska Darcy de Oliveira é acadêmica, jornalista, advogada, professora universitária e escritora. Acusada de denunciar torturas contra presos políticos, foi obrigada, em 1970, pela ditadura militar, a se exiliar na Suíça. É doutora em Educação pela Universidade de Genebra, onde lecionou até 1984, quando retornou ao Brasil. Participou ativamente do emergente Movimento Internacional das Mulheres.
Sua trajetória
Presidiu a Coalizão de Mulheres Brasileiras para a Rio-92, que organizou o evento Planeta Fêmea no Fórum de ONGs da Conferência Mundial do Meio Ambiente realizado no Rio de Janeiro.
Em 1995, assumiu a presidência do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e chefiou a delegação brasileira à Conferência da ONU sobre a Mulher em Beijing. Foi, por sete anos, Embaixadora na Comissão Interamericana de Mulheres da OEA.
Membro do Conselho Assessor sobre Mulher e Desenvolvimento do BID e consultora da UNESCO para o tema “A emergência do feminino na cultura”. Integrante do Painel sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável da UNESCO e do Painel Mundial para a Democracia, presidido pelo Secretário-Geral da ONU Boutros-Ghalli.
Fundou e dirigiu por 12 anos o Centro de Liderança da Mulher no Rio de Janeiro, projeto apoiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. Como vice-presidente de Cultura da Associação Comercial do Rio de Janeiro, presidiu o Conselho Empresarial de Educação dessa associação e é membro do Conselho Consultivo da Confederação Nacional do Comércio, bem como do Conselho Científico do Museu do Amanhã.
Foi colunista do Estado de S. Paulo e é articulista do blog Opinião de O Globo. Professora durante 15 anos do Doutorado em Letras da PUC-Rio, é membro do Pen Club do Brasil. Recebeu, entre outras condecorações, a Medalha Rio Branco por serviços prestados à Nação.
O filme
Elogio da Liberdade vai muito além da biografia pessoal, traçando uma evolução histórica dos movimentos de mulheres no Brasil. O processo de montagem durou cerca de um ano. O documentário se torna ainda mais importante por conter imagens de seu arquivo pessoal e um rico material de entrevistas e programas de televisão da época.
O documentário, dirigido por Bianca Comparato, percorre sua infância e adolescência, e relata trechos selecionados do trabalho da acadêmica. Conta, ainda, com as participações da filósofa Djamila Ribeiro e da vereadora Marielle Franco, bem como registros das passeatas feministas mais recentes.
O filme Elogio da Liberdade será exibido no Teatro R. Magalhães Jr., localizado na Academia Brasileira de Letras, Av. Presidente Wilson, 203 – Castelo. A sessão acontecerá no dia 4 setembro, às 15h30. A entrada é franca. Faça sua reserva abaixo ou pelo telefone (21) 3974-2526. A Entrada é franca, limitada à capacidade do teatro. 
INSCRIÇÕES
Garanta sua participação gratuita para esta sessão exclusiva. Lugares limitados.


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UM POEMA A SETEMBRO/ CANTO DE SETEMBRO – Ariston Caldas


Um Poema a Setembro


Uma rosa se abriu,
uma estrela passou,
os pássaros fugiram
para os laranjais.

Uma música tocou,
uma noiva partiu,
a chuva aos ninhos
não voltou mais.

Setembro chegou
com a primavera,
à tua espera
ainda estou.

Eu vi setembro
ainda em caminho,
mas vinha só
sem teu carinho.

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Canto de setembro


Canto de setembro, de boninas,
a mesma ilusão de sonhos idos,
com teus olhos que não voltam mais.

Canto de setembro, de primavera
rodeado de segredos,
de palavras de mistério.

Canto de setembro, de saudade,
de tristeza por um amor que
sumiu levando a primavera.

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“EIS O REGISTRO GRÁFICO DA ENTREVISTA EM K-7, QUE AINDA GUARDO COMO TESTEMUNHO E DEPOIMENTO DE UM DOS MAIS VIGOROSOS TALENTOS INSTINTIVOS COM QUEM CONVIVI”:
                                                                                                                                                                        - Jorge de Souza Araújo

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           Meu nome é Ariston Ribeiro Caldas. Nasci num dia 15 de dezembro de   1926. Vim ao mundo numa fazenda de nome “Boa Sorte”, situada no município de Alagoinhas. De mudança em mudança, permaneci naquela região até os 8 anos, quando minha família transferiu-se para a localidade de Água Preta, hoje cidade de Uruçuca. Mais tarde, mudei-me para Itabuna, onde passei as maiores emoções de minha vida.

            Atualmente trabalho na “Tribuna da Bahia”, onde respondo por assuntos do interior. Enquadro-me na poesia contemporânea com inquietação. Os novos valores revelam exagerada preocupação com a forma e com o vocabulário, num esforço incontido à busca do impressionismo e do exótico, dando a entender desinteresse pela mensagem, pelo lírico, pelo heroico. Isto lembra o movimento parnasiano, que muito pouco acrescentou à poesia brasileira em termos de mensagem, limitando-se a transformações de estética e aproveitamento de vocábulos não considerados por alguns cultores do Romantismo. Por outro lado, sinto que a poesia atual vem se omitindo aos grandes acontecimentos, comportando-se alheia, limitada ou com apelações inaceitáveis.

            Ser poeta é viver com plenitude a vida integral: o amor, o ódio, a dor, a mágoa, o tédio, as desilusões, a saudade, a esperança, a fé, o desejo. Por isso acredito em todos. O poeta é portador de todas as sensações do mundo. Todos os enfermos repousam em sua alma, sente todas as ingratidões, ama desesperadamente e sofre como ninguém jamais sofreu. Tem esperança imorredoura, o que não é simplesmente uma esperança, mas o pressentimento do significado absoluto da vida universal.

            Sobre minha poesia, com exceções, considero-a espontânea e desvinculada de escolas literárias. Não acredito haver recebido influências poéticas, baseado que minhas leituras foram diversificadas. Li os principais poetas do mundo e na poesia brasileira, cheia de valores, ainda me rendo a Castro Alves, de quem não encontro nenhum vestígio nos versos por mim escritos, que revelam, de acordo com o meu poder criativo, somente o que vai em minha alma, no meu interior.

            Analisar poesia é tarefa difícil, especialmente para os poetas. E muito mais ainda uma autocrítica. Daí, sobre os poemas “Dissipação”, “Variante sobre o amor” e “História comum”, eu prefiro deixá-los a critério dos leitores, o que me deixa mais à vontade.


(Obra reunida – 1ª Edição)
ARISTON CALDAS

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