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quinta-feira, 17 de maio de 2018

UM DIA NO MOINHO – Paulo Coelho


Minha vida, no momento presente, é uma sinfonia composta de três movimentos distintos: "muitas pessoas", "algumas pessoas", e "quase ninguém". Cada um deles dura aproximadamente quatro meses por ano, se misturam com frequência durante o mesmo mês, mas não se confundem.

"Muitas pessoas" são os momentos em que estou em contacto com o público, os editores, os jornalistas. "Algumas pessoas" acontece quando vou para o Brasil, encontro meus amigos de sempre, caminho na praia de Copacabana, vou a um ou outro acontecimento social, mas geralmente fico em casa.


Entretanto, minha intenção hoje é divagar um pouco sobre o movimento "quase ninguém". Neste momento a noite já caiu neste povoado de 200 pessoas nos Pirineus, cujo nome prefiro manter em segredo, e onde comprei há pouco tempo um antigo moinho transformado em casa. Acordo todas as manhãs com o cantar do galo, tomo meu café e saio para caminhar entre as vacas, os cordeiros, as plantações de milho e de feno. Contemplo as montanhas, e - ao contrário do movimento "muitas pessoas" - jamais procuro pensar em quem sou. Não tenho perguntas, nem respostas, vivo por inteiro no momento presente, entendendo que o ano tem quatro estações (sim, pode parecer óbvio, mas às vezes nos esquecemos disso), e eu me transformo como a paisagem ao redor.

Neste momento, não me interessa muito o que acontece no Iraque ou no Afeganistão: como qualquer outra pessoa que vive no interior, as notícias mais importantes são as ligadas à meteorologia. Todos os que habitam a pequena cidade sabem se vai chover, fazer frio, ventar muito, já que isso afeta diretamente suas vidas, seus planos, suas colheitas. Vejo um fazendeiro cuidando do seu campo, nos desejamos "bom dia", discutimos as previsões do tempo, e continuamos a fazer o que estávamos fazendo - ele em seu arado, eu em minha longa caminhada.

Volto, olho a caixa de correio, ali está o jornal da região: há um baile no vilarejo vizinho, uma conferência em um bar de Tarbes - a cidade grande, com seus 40 mil habitantes - os bombeiros foram chamados porque uma lixeira foi queimada durante a noite. O tema que mobiliza a região é um grupo acusado de cortar os plátanos de uma estrada rural, porque causaram a morte de um motociclista; esta notícia rende uma página inteira e vários dias de reportagens a respeito do "comando secreto" que está querendo vingar a morte do rapaz, destruindo as árvores.

Deito-me ao lado do regato que corre no meu moinho. Olho os céus sem nuvens neste verão aterrador, com 5 mil mortos apenas na França. Levanto-me e vou praticar kyudo, a meditação com arco e flecha, que toma mais uma hora do meu dia. Já é hora de almoçar: faço uma refeição ligeira e de repente noto que lá em uma das dependências da antiga construção está um objeto estranho, com tela e teclado, conectado - maravilha das maravilhas - com uma linha de altíssima velocidade, também chamada de DSL. Sei que, no momento em que apertar um botão daquela máquina, o mundo virá ao meu encontro.

Resisto o quanto posso, mas o momento chega, meu dedo toca o comando "ligar", e aqui estou de novo conectado com o mundo, as colunas dos jornais brasileiros, os livros, as entrevistas que precisam ser dadas, as notícias do Iraque, do Afeganistão, os pedidos, o aviso que o bilhete de avião chega amanhã, as decisões a adiar, as decisões a tomar.

Trabalho por várias horas, porque foi o que escolhi, porque é essa a minha lenda pessoal, porque um guerreiro da luz sabe que tem deveres e responsabilidades. Mas no movimento "quase ninguém" tudo que está na tela do computador é muito distante, da mesma maneira que o moinho parece um sonho quando estou nos movimentos "muitas pessoas" ou "algumas pessoas".

O sol começa a se esconder, o botão é desligado, o mundo volta a ser apenas o campo, o perfume das ervas, o mugido das vacas, a voz do pastor que traz de volta suas ovelhas para o estábulo ao lado do moinho.

Pergunto-me como posso passear em dois mundos tão diferentes em apenas um dia: não tenho resposta, mas sei que isso me dá muito prazer, e estou contente enquanto escrevo estas linhas.

Diário do Nordeste, 12/05/2018


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Paulo Coelho - Oitavo ocupante da Cadeira nº 21 da ABL, eleito em 25 de julho de 2002 na sucessão de Roberto Campos e recebido em 28 de outubro de 2002 pelo Acadêmico Arnaldo Niskier.

* * *

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: Vá aos encontros felizes



“Vá aos encontros felizes...

 Pode ser complicado, difícil, caro.

Pode ser uma viagem longa. Vá!

Tem festa de 85 anos da tia? Vá!

Aniversário do filho do amigo? Vá!

 Encontro de 20 anos da formatura? Vá!

Amigo secreto das amigas, casamento do primo? Vá!

Pega o carro, o ônibus, o avião...

Pega carona!

Fica no hotel, na tia, na pensão!

Parcela a passagem!

Dá um jeito!

Sabe por que?

 Porque nos encontros tristes você irá. Quando alguém morre todos vão.

Por protocolo, por obrigação ou por amor (e dor).

As pessoas vão, se esforçam.

Pedem folga, cancelam a reunião, transferem as entregas. 

E todos se reúnem e se abraçam e choram juntos. E é bonito isso. E é bom que seja assim.

Mas é bom que seja assim também nos momentos felizes.

É bom estar junto nas comemorações, nas conquistas, nas festas que brindam a vida!

Dando risada, relembrando histórias, deixando-se levar pela alegria despretensiosa dos momentos bons.

Assim vamos juntando as peças na melhor coleção que a vida tem a oferecer:

A dos encontros felizes!"


(Recebi via WhatsApp sem menção a autoria)

* * *

PALIATIVO NACIONAL! - Antonio Nunes de Souza!


Paliativo nacional!

Estamos a vinte e poucos dias para a fantástica Copa do Mundo de Futebol, evento que movimenta o globo terrestre de ponta a ponta, mesmo sendo uma festa de apenas trinta e poucas seleções, que foram contempladas através de disputas acirradas entre uma grande maioria de países que praticam tal esporte, profissionalmente, ou até amadoristicamente!

Logicamente, a partir de ontem que foi oficializada a lista dos jogadores que participarão, as conversas em todos os ambientes, sempre se voltam para tal assunto, já que é o nosso esporte favorito e, nossa seleção, por ser composta dos maiores jogadores do mundos em suas posições, sempre é vista e esperada, mais uma nova conquista de campeã mundial!

Esse evento, tranquilamente, serve de paliativo para o povo em geral que, sem dúvida alguma, esquece-se das suas grandes necessidades de sempre, dando um bom descanso aos políticos, preocupando-se em comprar suas camisas amarelas, ou tira-las dos baús as antigas, para vestidos transitarem pela cidade, mostrando as suas performances de grandes torcedores!

Os políticos, por suas vezes, aproveitam as comemorações, colocando telões nos bairros, ajudando a enfeitar as ruas das comunidades, querendo agradar a todos com a preocupação de conseguir mais votos para suas reeleições. E, como sempre, conseguem, pois nosso povo é ordeiro e, infelizmente, não dá o valor real ao seu digno voto!

Teremos um mês de junho privilegiado com os festejos da Copa, São João e São Pedro, culminando com o dois de julho Independência da Bahia, comemorada maravilhosamente na cidade Histórica e Patrimônio Cultural da Humanidade, Cachoeira!

Logicamente, com essas comemorações, não deixarão de movimentar o comércio formal e informal, teremos muitos foguetórios nas vitórias e muitas tristezas nos empates e nas derrotas, mas, como sempre, nossa seleção sempre chega as finais e já foi campeã por diversas vezes. Assim sendo, nessa copa, com uma escalação de garotos jovens, estamos cheios de esperanças. E, se não der certo dessa vez, afogaremos nossas mágoas nos festejos juninos tomando nosso tradicional e saboroso licor de Jenipapo!


Antonio Nunes de Souza, escritor.
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

* * *

quarta-feira, 16 de maio de 2018

FREI JOAQUIM CAMELI, A SERVIÇO DE DEUS E DOS HOMENS

Foto: Portal Católico

Ligue o vídeo abaixo:

Em Ripatransone, Itália,
Dia primeiro de Abril,
Mil novecentos e trinta,
Nasceu vivaz e gentil;
Veio pensado por Deus,
Que levou os passos seus
Rumo à missão no Brasil!

A dezenove de abril, (1)
Filho de Lavínia e Sante,
Recebeu nome: Giuseppe,
Na Igreja militante;
Pelo batismo de Luz
E pelo amor de Jesus
Foi recebido o infante.

No templo do lar materno,
Aos onze anos de vida,
Pelo chamado de Deus
Sentiu sua alma atraída:
Giuseppe!... Giuseppe!... E ao Eterno,
Ao Seu amor sempiterno
Entregou-se sem medida.

Foi a quatro de Outubro, (2)
Dia do Santo de Assis,
Que entrou no Seminário
Dos Capuchinos – assim quis;
E, na cidade de Fano,
O rapaz consciente e ufano
Foi muito forte e feliz.

Já no seu noviciado, (3)
Que se deu em Camerino,
Mudou de nome Giuseppe,
Deixando de ser menino:
Assim, Joaquim seria
Igual ao pai de Maria,
Mãe de Jesus – seu destino!

E cursou Filosofia (4)
Em Ancona, bela cidade;
Teologia em Loreto, (5)
Muito estudo e atividade;
Com obediência e temor
Exercia com louvor
O valor da caridade!

Aos dezoito de Dezembro (6)
Deu-se sua Ordenação
Na cidade de Loreto,
Para a sublime missão;
Destemido, sem vertigem,
No Santuário da Virgem
Consolidou a vocação.

Dois anos depois, Joaquim,
Chega às terras do Brasil,
Coração missionário
Em tempo bom ou hostil.
Cidade de Salvador,
Depois Feira de Santana,
Com a coragem espartana
E confiança varonil!

Deixou a terra natal
Zero grau – em pleno inverno,
Chegando ao Rio de Janeiro,
40 graus – tira o terno;
Itália, a sua nação,
Brasileiro por opção,
Missionário do Eterno!

Ensinou francês, latim,
História e geografia.
Na área educacional
Atuou com maestria;
Dali foi pra Jaguaquara,
Onde, educando, doara
O seu saber com alegria!

Praticou com muito zelo
As Virtudes Teologais
Mantendo a Fé, a Esperança,
E a Caridade, essenciais;
Irmão da Santa Pobreza,
Teve o Amor por riqueza,
PAZ E BEM seus ideais...

Como terna mãe que embala,
Corrigia com carinho;
Longe de jugo ou porfia,
Indicava o bom caminho.
Foi prudente e perspicaz,
Nunca tirano ou mendaz
E nunca esteve sozinho.


Homem leal, para o qual
“Tempestade era chuvisco”,
Frei Joaquim foi fortaleza,
Mas, como a gazela, arisco;
Diligente educador,
Tão clemente confessor,
Ideal de São Francisco.

Transferido pra Itabuna,
Teve a ditosa missão:
Substituir Frei Justo
Na Igreja da Conceição;
Ali atuou demais
Em atividades pastorais,
Sonho do seu coração...

Mas... “Santa Rita de Cássia”
Já brotando igual jasmim,
Surgia recém-criada
E parecia um jardim:
Seu primeiro jardineiro,
Que lhe deu jeito altaneiro,
Foi quem?! – o Frei Joaquim!


E o jovem missionário
Não se sentiu inseguro,
Gostava de criar ponte
E jogar ao chão o muro,
Em dois anos, fé e expensas,
Naquelas áreas extensas
Inaugurou o futuro!

Dava atenção aos mais fracos,
Pra não viverem de esmolas,
Protegia sempre a todos
- Brancos, índios, quilombolas;
Com atitudes tão belas
Permitiu que nas capelas
Funcionassem escolas!

Nessa Paróquia atuou,
Irradiando a virtude;
Orando em favor das almas
Atingiu a plenitude;
Amparar foi seu anseio,
Da Igreja foi esteio
Desde a tenra juventude!


Foi uma graça de Deus
Nas várias comunidades
Da Paróquia Santa Rita
E doutras localidades.
Quem o conheceu de perto
Sentiu e viveu decerto
Enorme felicidade!

Obediente ao Senhor,
Foi honra para os conventos.
Foram de paz e ternura
Os seus melhores momentos;
De alma imensa e festiva,
Construiu a Igreja viva
E foi construtor de templos!

Em Itabuna construiu,
Em cada comunidade,
Muitas e belas capelas
Que enriqueceram a cidade,
Desde o singelo oratório
Até o tão meritório
Santuário da Piedade!


Construiu a ‘Piedade’
E pra Medelín viajou.
Passou por lá algum tempo
E, quando, enfim, regressou,
Teve a alma contristada
Vendo a igreja depredada,
E Frei Joaquim chorou!...

Dedicou à Virgem Mãe
Templos de fé e acolhida:
Vitórias, Do Carmo, Lourdes,
Das Dores, Aparecida,
E Nossa Senhora Das Graças;
Que ali, ferrugem ou traças,
Jamais encontrem guarida.

Construiu outras igrejas
Dedicando com carinho:
Ao Coração de Jesus,
E ao grande Santo Agostinho,
Bom Jesus, Santa Luzia,
Pois ao povo pretendia
Demarcar o bom caminho.


Deixar o mundo feliz
Foi a sua meta, enfim;
E ergueu novas igrejas:
Para o Senhor do Bomfim,
Santos Cosme e Damião,
Também São Sebastião
- Igreja é refúgio, sim!

O paciente missionário
Não endureceu a cerviz;
Franciscano construtor,
Alma temente e feliz,
Não edificou por acaso
A igreja no Banco Raso
Pra São Francisco de Assis!

Confessor hábil e clemente,
Tirou almas de prisões,
Sorrindo lhes dava a bênção
Alegrando corações;
Já no final da “peleja”,
Só almejava ir à igreja
Atender às confissões.


Recebeu o honroso título
De Cidadão de Itabuna. (7)
Dos fracos foi defensor
Nesta plaga Grapiúna.
Comendador duas vezes, (8)
Enfrentou ímpios reveses,
O altar foi sua tribuna.

E Frei Joaquim Cameli
É também nome de rua, (9)
E no Hospital de Base
A homenagem continua,
Com seu nome em uma ala
Onde a esperança ainda fala
Da paz da mensagem sua!

Poeta da irmã Pobreza,
Que sempre doa o que tem;
Militante do Evangelho,
Frei Joaquim foi além:
Teve coração de atleta
E decisão de profeta,
Arauto de ‘PAZ E BEM’!


Repousou sobre seus ombros
A tarefa de ser lume,
Sua verve de guerreiro
Fez dissipar o negrume;
Com paciência sorria.
Com competência servia
- servir era o seu costume!

Em 2017, (10)
Partiu pra longe dos seus,
Deixando Itabuna em prantos
Foi para a festa nos céus;
Combatente de alma mansa,
Enfim, Frei Joaquim descansa,
Aos pés do trono de Deus!

E Frei Joaquim Cameli,
Que está na Santa Mansão,
Descansa atento aos aflitos
Em carinhosa atenção;
Seu coração solidário
Foi do Cristo-pão, sacrário.
Não padeceu solidão.


O pobrezinho missionário
Legou riqueza infinita:
“Combateu o bom combate”
Manteve a alma bonita.
Homem virtuoso, enorme,
O seu corpo agora dorme
Na igreja de Santa Rita. (11)

Há de elevar-se aos altares
Da Igreja de Jesus
Ele, que deu esperança,
Foi animação, foi luz,
Paciente, alegre e manso,
Fez da missão seu remanso,
Jamais se queixou da cruz...

Desvelo com a juventude
Que na vida corre risco;
Fiel apascentador
Das ovelhas do aprisco.
No seu carisma eu invisto:
São Francisco – “um novo Cristo”,
Frei Joaquim, - “novo Francisco”!


A Paróquia Santa Rita
Inaugura soberana
Monumento ao Frei Joaquim,
Com a emoção que emana,
Do afeto e do respeito.
Com a devoção e preito
Da Família Franciscana!

Roga por nosso triunfo
O confessor Frei Joaquim,
Cujo viver nos mostrou
Que é o homem do “sim”
Ao Deus que ama e perdoa,
À Caridade que doa
E ao encanto do amor sem fim!
 ===
Poetisa: Eglê Santos Machado (OFS)
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
Revisão: Profa. Laura Gonzaga de Aquino Souza
Motivador: Antônio Carlos Saadi
Itabuna-BA. 03 de abril de 2018


PARÓQUIA SANTA RITA DE CÁSSIA
Rua Juarez Távora, S/N, São Caetano, CEP: 45.607-410 Itabuna/BA.
Pároco Frei José Genilton Costa dos Santos Fone: (73) 3617-2722 E-mail: santaritadecassia@ig.com.br
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(1) – 1930
(2) - 1941
(3) - De 1947 a 1948
(4) - 1949
(5) - De 1952 a 1954
(6) - 1954
(7) – 1983
(8) – Comendas São José e Firmino Alves
(9) – Rua Frei Joaquim Cameli, bairro Pedro Gerônimo
(10) – 10 de Julho
(11) – Itabuna /BA.


* * *

terça-feira, 15 de maio de 2018

ABL: ROBERTO CORRÊA DOS SANTOS FAZ NA ABL A TERCEIRA PALESTRA DO CICLO ‘LITERATURA E LOUCURA’


O semiólogo, professor e pesquisador Roberto Corrêa dos Santos faz, na Academia Brasileira de Letras, a terceira palestra do ciclo de conferências Literatura e loucura, intitulada O abismo e o obstáculo: observações pontuais de Clarice Lispector, Virginia Woolf e Jacques Rivière sobre a [lou] [cura], sob coordenação do Acadêmico e romancista Antônio Torres. O evento está programado para quinta-feira, dia 17 de maio, às17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

Roberto Corrêa dos Santos adiantou, sucintamente, o que pretende expor em sua conferência: “Pequeno exame de como três escritores (Clarice Lispector, Virginia Woolf, Jacques Rivière) expõem, de modo clínico, literário e filosófico, a questão da loucura em seus vínculos com processos relativos à história privada, à formação das subjetividades e, bem especialmente, ao tanto de abertura ou ao tanto de restrição que se dê ao exercício do pensamento”.

O CONFERENCISTA

Roberto Corrêa dos Santos, semiólogo e teórico da arte, atua como professor de Teoria da Arte e de Estética nos cursos de graduação e de pós-graduação do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, tendo sido também professor da PUC-Rio e da UFRJ. Pesquisador do CNPq e Procientista pelo Programa Prociência (UERJ/FAPERJ), com pós-doutorado no Núcleo de Estudos da Subjetividade da PUC-SP, publicou e vem publicando: livros sobre teoria tanto da arte quanto da literatura, livros de poesia e livros de artista.

11/05/2018


* * *

JESUS, MÉDICO DE ALMAS E HOMENS


Quando falta amor, falta harmonia, daí vem o desequilíbrio em nossas vidas, e ficamos doentes, e a enfermidade é apenas uma maneira da natureza, do universo falar conosco…

Nunca devemos tratar apenas os sintomas de nossas enfermidades, sem que a causa ou as causas que a desencadearam também sejam tratadas e extintas, porque na realidade a cura se processa de dentro pra fora, do interior para o exterior…

Quando for ao médico, diga a ele que seu peito dói, mas diga que sua dor, é de angustia, decepção e tristeza, diga também que você anda com azia, e que também desconfia que o motivo pode ser o seu gênio irracional, que por isso aumenta a produção de ácidos e enzimas no estômago…

Diga a seu médico que por causa da rebeldia, da teimosia, você está obeso, provavelmente hipertenso e com diabetes, porém, não deixe de dizer também que não está encontrando mais alegrias nem doçura em sua vida e que essa amargura torna muito difícil suportar o peso de suas frustrações…

Já que o paciente não deve esconder nada de seu médico, então mencione a ele que você sofre de enxaqueca, dores de cabeça horríveis que te privam da luz em detrimento da escuridão, mas não deixe de confessar que sofre de uma neurose feroz, com seu perfeccionismo, com sua autocrítica, e que é sensível demais a critica alheia e que é muito ansioso, que ataca a geladeira quando ninguém está observando, que come e bebe coisinhas proibidas!

Ninguém gosta de sofrer, todos querem se curar, mas poucos são aqueles, que estão dispostos a neutralizar em si o ácido da calúnia, o veneno da inveja, o bacilo do pessimismo e o vírus do egoísmo.

Diante da possibilidade da morte, alguns até prometem mudar de vida, procuram a cura de um câncer, mas não tem coragem de abrir mão de uma simples mágoa.

Quantos sofrem do coração e pretendem a desobstrução das artérias coronárias, mas, querem continuar com o peito fechado pelo rancor, pela agressividade, e até pela vingança!

Almejam a cura de problemas oculares, alguns ficam cegos pelo ódio, tropeçam na vaidade que lhes obscurece a visão, todavia não retiram dos próprios olhos, o argueiro, o obstáculo da crítica e da maledicência…

E a depressão então, o mal do século, a síndrome do pânico, quantos pedem a solução para esses problemas, entretanto não abrem mão do orgulho ferido e do forte sentimento de decepção, que lhes abate a existência, em relação às perdas experimentadas no trajeto da vida…

Suplicam auxilio para os problemas tão comuns de tireoide, mas não cuidam de suas frustrações, de seus ressentimentos, observam as horas, os dias passarem, a vida se vai e não levantam a voz para expressarem suas legítimas necessidades…

Imploram a cura de um nódulo de mama, de um câncer na próstata, que lhes frustra toda perspectiva exatamente no fulcro da vida, todavia insistem em manter bloqueada a ternura e a afetividade, por conta das feridas emocionais do passado…

A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.

O resfriado ocorre e o nariz escorre quando o corpo não chora.

A dor de garganta entope, provoca a afonia quando não é possível comunicar as aflições.

O estômago arde, queima, provoca indigestões quando as raivas não podem ser digeridas.

O diabetes amarga, invade o corpo quando a solidão dói demais.

O corpo engorda quando a insatisfação aperta, e a esperança rareia…

A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.

O coração desiste, bate fora de rumo quando o sentido da vida parece terminar.

A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.

As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.

O peito aperta quando o orgulho escraviza.

A pressão sobe quando o medo aprisiona.

As neuroses paralisam quando a “criança interna” tiraniza.

A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.

Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.

O câncer mata quando não se perdoa e ou cansa de viver.

E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?

A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.

O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas equívocas, existem semáforos chamados amigos, luzes de precaução chamadas família, e ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada decisão, um potente motor chamado amor, um bom seguro chamado fé, e um abundante combustível chamado paciência.

Mas principalmente um maravilhoso Condutor chamado DEUS…

A peregrinação aos consultórios é extenuante, mas não para por aí, depois, em último lugar, apelam para Deus, clamam pela intercessão divina, em certos lugares blasfemam, gritam, porém permanecem surdos aos pedidos de socorro que partem de pessoas muito próximas de si.

Toda cura é sempre uma auto cura, começa na alma, no perispírito, refletindo para o corpo físico e o Evangelho de Jesus é a farmácia onde encontramos os remédios que nos curam por dentro e por fora!

Há dois mil anos esses medicamentos estão à nossa disposição, quando nos decidiremos?

Fonte: Do livro “O Médico Jesus”, de José Carlos de Lucca.
Mensagem escrita e modificada sob a ótica e emoção de Reinaldo Mendes da Silva.


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O QUE É, PASSARINHO? – Marília Benício dos Santos


Quantos anos passados!

É bom recordar o passado. Não viver dele, pois isto não nos leva a nada.

Neste momento resolvi dar uma marcha à ré no tempo.
Vejo aquele menino com os cabelos encaracolados, muito dengoso, quase chorando a perguntar: “o que é, passarinho?”

E quem era o passarinho? Não era um passarinho, era um papagaio que insistia toda manhã em chamar pelo Oscar: ”Oscar... Oscar...”
E o Kaká, como era chamado pelos pais queridos, naquela manhã resolveu responder ao papagaio: “o que é, passarinho?”

E agora, Oscar?

Os anos passaram agora você é homem maduro. Agora você não vai mais dizer: “o que é, passarinho?”.

Não só você, mas todos nós devemos dizer: “o que é, meu Deus?”.O que queres de mim?

Uma criança tem sempre sensibilidade, mas com a vida, esta sensibilidade é enferrujada. Precisamos voltar a ser criança e descobrir Deus nos pássaros, no mar, nas estrelas, mas principalmente, dentro de nós.

A páscoa está aí, é uma oportunidade para desenferrujarmos, colocar óleo, fazer como os motoristas, uma revisão no motor e para isto, precisamos parar. Parar, entrar em nós mesmos e tentar descobrir Deus aí, Ele nos fala, só que nós não O ouvimos. Só ouvimos o som que vem de fora. Se estivermos atentos, passaremos a ouvi-lo e poderemos dizer como Samuel: “Senhor, fala que seu filho escuta...”. (I Samuel  3, 14)

(CARROSSEL)  
Marília Benício dos Santos

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