Nós não fomos feitos para isso, a não ser para policiarmos
áreas em que já destruímos o inimigo praticamente de maneira total, pelo
emprego total de nossas armas e poder de fogo.
Não temos o perfil de patrulhar ações pontuais, em área
completamente sob o poder do inimigo. Estão nos colocando (e a nosso potencial
humano combatente) numa situação de fragilidade perante a lei do politicamente
correto. Qualquer militar que atira, que matar, certamente vai começar tendo
sua arma recolhida, para exame balístico.
Isso não existe para nós na guerra, nossa destinação.
Somos totalmente diversos de uma destinação da honrosa
policia, por princípios de emprego. O policial atira se a voz de prisão não for
respeitada, o Exercito é feito para atirar primeiro e quem não quiser morrer
que se renda, totalmente diferente.
A Policia é muito mais capaz de atuar nesses eventos
pontuais de desordem. Nós somo profissionais do aniquilamento, embora muitos
que já se tornaram "vovôs" tenham perdido a noção desse conceito.
Temo muito por nossos rapazes, soldados, demais graduados e
oficiais... largados numa arena e tendo um braço amarrado...
Não se esqueçam de ou por isso me critiquem: nós somos profissionais do
aniquilamento do inimigo e só somos aptos a patrulhar áreas onde nosso
potencial já se fez totalmente sentido.
Não somos policia. Policia é coisa especializada, nós somos
o caos e a guerra. Temo a desmoralização... as armas recolhidas para balística
pelos "direitos humanos", etc, etc... Temo o tenente preso e
abandonado pelos chefes (como já aconteceu no Alemão), temo a proximidade de
conversas com o inimigo, temo mais um escândalo.
C2-50 Manual de Campanha da Cavalaria ... art...paragrafo
... "é terminantemente PROIBIDO entabular conversações com o inimigo.
Qualquer tentativa deste, nesse sentido, deve ser repelida pelas armas ".
O que vai dar para fazer sem que a "justiça" (que
está em posição de emboscada) não condene o guerreiro que seguiu o regulamento?
Eu não consentiria a menos que houvesse Lei Marcial e estado
de Guerra.
Eu gosto de soldados...
E quando uma mãe manda seu filho para servir ao Exercito,
ela até sabe que ele pode morrer em alguma guerra, mas jamais se conformará se
ele for preso por atirar em vagabundo.
Se alguém esperava que a CNBB se pronunciasse sobre os
valores morais (como a defesa da família e da propriedade) a propósito das
eleições de 2018, ficou totalmente frustrado com as recentes declarações do
Cardeal Sergio da Rocha, arcebispo e Brasília e presidente da Conferência
Episcopal, durante o lançamento da Campanha da Fraternidade de 2018. [foto
acima]
Esqueceu-se o purpurado do clamor popular contra o aborto e
a ideologia de gênero?
“Em entrevista após o lançamento da campanha, em Brasília, o
presidente da entidade [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] e arcebispo
metropolitano de Brasília, cardeal Sérgio da Rocha, informou que a Igreja não
apoiará, nas eleições deste ano, candidatos que promovam o discurso da
violência.” Ele reafirmou a posição da Igreja Católica favorável ao
Estatuto do Desarmamento, o qual foi rejeitado pelos brasileiros no plebiscito
de 2005, pois retira do cidadão de bem o direito de defesa.
Continua o Cardeal: “Nós queremos candidatos
comprometidos com a justiça social e a paz. Não [queremos] candidatos que
promovam ainda mais a violência”.
Talvez S. Emcia. se esqueceu de que Raul Castro ou Nicolás
Maduro não são candidatos às eleições brasileiras de 2018. Ou estará se
referindo a Stédile, que comanda impunemente as invasões de propriedades? Ao
MST? Ou então à CPT ou ao CIMI, que tentam jogar água “benta” da “Teologia da
Libertação” nas invasões “indígenas”?
Não tomamos aqui uma posição partidária em face dos
candidatos. Lutamos em defesa de valores morais, valores perenes da Civilização
Cristã.
A missão da Igreja é defender os valores morais, e como
afirmou São Pio X, a civilização “é tanto mais verdadeira, mais durável,
mais fecunda em frutos preciosos quanto mais puramente cristã; tanto mais
decadente, para grande desgraça da sociedade, quanto mais se subtrai à ideia
cristã” (Encíclica Il Fermo Proposito, de 11 de junho de 1905).
Se estamos em uma sociedade de violência, a CNBB deve ir à
raiz do problema e pregar os (esquecidos) valores morais.
A parti
daqui, vou tentar reconstruir a trajetória dos pioneiros domésticos, ou seja,
aqueles que, após selarem sua fé nas águas, continuaram a disseminar aqui seu
cristianismo e diretamente ajudaram a formar o Adventismo que se instalou em
toda a região cacaueira e sul baiana. São situações concretas do passado,
colhidas da Revista Adventista e por meio do testemunho dos remanescentes dos
pioneiros com quem tive contato direto.
Em 1912, o
colportor Manoel Margarido, de passagem pela região, distribuiu e vendeu literatura para fazendeiros; um deles foi Joaquim Melo. Sua família ficou
interessada pelo assunto. O material é emprestado ou repassado à família de
João Roberto Ramos, que se encanta com os ensinos e incorpora a mensagem ali
contida, dando um passo adiante em relação aos vizinhos. Joaquim Porto também
foi responsável por anunciar a boa nova àquelas pessoas por meio da página impressa.
O próprio Ricardo Wilfart, administrador da obra no Nordeste, reconheceuque “o interesse em Boqueirão foi despertado
pela literatura vendida, em tempos passados, pelo irmão colportor Joaquim
Porto”.
Antes de
pormenorizar um fato sucedido no Boqueirão, vou relembrar um episódio ocorrido
em 1845 nos Estados Unidos, quando o Sr. James Hall e José Bates atravessavam
juntos a ponte Fairhaven, no estado de Massachusetts. José Bates é tido como o
pioneiro dos pioneiros entre os Adventistas do Sétimo Dia, o fundador mais
interessante do Adventismo norte americano. Do grupo dos líderes iniciais, foi
o primeiro a entender, aceitar e advogar o mandamento sabático. Por mais de um
ano, ficou sozinho no movimento, defendendo tal ensino. Quando o Sr. James
Hall, seu vizinho, passou por ele na ponte, saudou-o e fez a pergunta usual, de
sempre, quando dois conhecidos se encontram: “Olá, capitão Bates! Que há de
novo?”. Prontamente, carregado de zelo, respondeu: “A novidade é que o sétimo
dia é o sábado do senhor nosso Deus!” (Ex. 20:10). A novidade para o ancião
Bates era aquilo que mais martelavaseu intelecto!
O Sábado era sua verdadepresente! E
aquilo o consumia. O desconhecimento por parte de seus irmãos daquela verdade
olvidada dilacerava seu interior. O Espírito Santo, agindo em sua mente e
coração, impelia-o a falar daquilo que sabia ser um ensino necessário e
plenamente em vigor! Diante de uma boa nova tão importante e defendida tão
vigorosamente, Hall aceitou estudar o tema e em pouco tempo seria um observador
do sábado.
Imaginemos
agora um encontro semelhante, só que dessa vez na América do Sul, na Bahia, no
Boqueirão de Itabuna, lá pelos idos de 1910/1912, envolvendo um carpinteiro e
um fazendeiro que se reuniam em suas horas de folga para estudarem o Texto
Sagrado. Embora os aspectos físicos, culturais e geográficos relacionados a
esses homens fossem diferentes dos norte-americanos, seus anseios espirituais
eram idênticos.
O encontroconcebido pode ter sido muito apropriadamente
ocorrido num pontilhão sobre o riacho do Boqueirão, e José Aniceto de Souza,
proveniente da cidade, pergunta: “Quais são as novidades, compadre?” Tal como
Bates, consumido pelas descobertas bíblicas impulsionadas pelos folhetos que
vizinhos lhe ofertara, prontamente João Roberto responde: “A novidade, Aniceto,
é que o sábado é osétimo dia, e que
precisamos observá-lo!”.
A rapidez
do momento não permitiria maiores delongas, mas um encontro mais pensado e
demorado fora marcado para mais tarde, à noite, quando Aniceto poderia acalmar
seu espírito atordoado e surpreso com aquela história.
Mais tarde,
naquele dia, os ripões, tábuas e martelos foram abandonados mais cedo por parte
de Aniceto. Com certeza, a empreitada da nova barcaça seria atrasada, pois ele
teria algo mais importante a buscar e realizar. Ele, munido de uma Bíblia que
lhe fora presenteada por amigos da Igreja Batista em Itabuna (ainda existe e
está em posse de parentes no Rio de Janeiro), apressara-se para o encontro que
mudaria sua vida,de seus familiares e
da cidade que o abraçara em 1905, depois que saiu de Campo Formoso, em busca de
dias melhores. E aquele seria, talvez, o melhor de seus dias.
Na sede da
fazenda Pacífica, o patriarca João Roberto Ramos, impaciente, esperava a
chegada do amigo. Os facões, enxadas, caçuás e animais foram guardados, também,
mais cedo do que de costume. Os afazeres agrícolas foram celeremente terminados
naquele dia, e a atenção e educação dos seus oito filhos ficariam na
responsabilidade única de sua esposa, dona Senhorinha Oliveira Ramos.
Os textos já estavam marcados (também numa
Bíblia adquirida por intermédio dos batistas Itabunenses), as anotações e
folhetos sabatistas todos arrumados sobre a mesa. Somente a cabeça do
fazendeiro estava um tanto desarrumada, em face de sua ansiedade momentânea. Com
certeza, o encontro iminente e o estudo conjunto com Aniceto iriam definir o
aprendizado daquilo que pautaria sua vida, de sua família e da futura Igreja
Adventista que surgiria na região. Não somente Itabuna, como Ibicaraí e
Floresta Azul, sofreriam as consequências daquele encontro e dos muitos que
ainda ocorreriam!
Aniceto vivia
situações financeira e físicadiferentes
das vividas por João Roberto. Sua saúde não era das melhores, nem as economias
domésticas. Provavelmente, o mal de Parkinson que o vitimaria já apresentasse
alguns sinais degenerativos. Sua família exibia uma pré-divisão, exatamente em
virtude de fatores religiosos, pois seu filho Sinphrônio de Souza começou a
namorar uma jovem de família batista, o que levou Aniceto a buscar qualquer
passagem bíblica que embasasse a guarda do Domingo. Não encontrando o
pretendido e imaginado texto, discussões sérias ocorreram entre os dois. tinha
dificuldade também em aceitar as proibições bíblicas em relação a algumas
carnes consideradas imundas. Desde sua chegada em Tabocas, já havia frequentado
cultos com os irmãos presbiterianos e com os batistas. Depois dos encontros com
João Roberto, as coisas pareciam mais claras, conforme ele mesmo já havia
descoberto em alguns versículos bíblicos. Mas a cisma familiar acabou adiando
um pouco sua decisão de batismo.
Aquela reunião
foi fundamental para iniciação da propagação da tríplice mensagem angélica em
Itabuna. E outros encontros advindos semelhantes, promovidos e participados por
aqueles dois pioneiros, produziram a gênese da Igreja Adventista atual.
(A GÊNESE DO ADVENTISMO GRAPIÚNA Cap. 4.3.)
Clóvis Silveira Góis Júnior
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Sobre o autor:
Clóvis Silveira Góis Júnior é trineto de Genoveva
França Jacó (integrante do primeiro batismo adventista realizado em Boqueirão,
no ano de 1918).
Servidor público federal há 30 anos, é graduado em
Administração e licenciado em história. É casado com Iara Souza Setenta
Góis, pedagoga, e tem dois filhos: Felipe e João.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, o Espírito levou Jesus para o
deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado
por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam.
Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a
Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: “O tempo já se completou
e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Frei Alvaci Mendes
da Luz, OFM:
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DESERTO: tempo de
des-velamento interior
“O Espírito levou Jesus para o deserto” (Mc 1,12)
Ao iniciarmos a Quaresma, um lugar que continuamente será
citado e que vai aparecer com frequência nos textos, reflexões e orações, é o
“deserto”. Deserto que deve fazer parte de nossas vidas em algum momento:
espaço de escura e de silêncio, de busca, de despojamento; lugar que nos faz
tomar consciência das coisas essenciais que dão sentido à nossa existência;
ambiente privilegiado para o encontro tu a tu com o Deus amor que nos habita,
ou melhor, em Quem habitamos. Se nos abrirmos à Sua presença amorosa, caminharemos
livres dos falsos absolutos que cada dia nos tentam, e nossos desertos
existenciais se converterão em um jardim onde florescerá de novo a esperança.
Como seres humanos, de tempos em tempos precisamos passar
por experiências de despojamento, de esvaziamento, de vulnerabilidade, de
crise..., para poder suavizar nosso coração e, desse modo, fazer-nos mais
receptivos e expansivos.
O “deserto” é o lugar das perguntas, do discernimento, da
busca de profundidade, o ambiente favorável que nos oferece ferramentas com as
quais poder romper as bolhas que nos aprisionam, impedindo-nos sair para a
aventura da vida.
O “deserto” nos sacode e nos desnuda, porque desmascara
nossas falsas seguranças. Por isso, somos movidos a buscar nossas raízes mais
profundas. Quando esse percurso é vivido adequadamente, é provável que no final
vamos poder dizer, como Kierkegaard, “eu teria me afundado se não tivesse ido
ao Fundo”. Com efeito, antes ou depois, o deserto nos conduzirá para o Fundo
estável e sereno, nos conduzirá à “casa”, à nossa verdadeira identidade, à
“Terra prometida”.
Num mundo em que a imagem e as redes sociais ocupam, com
suas presenças, toda a nossa vida, todos os nossos lares, os espaços públicos,
fazendo-nos viver a cultura da superficialidade, muitas pessoas de diferentes
condições sociais e religiosas já começam a sentir a urgente necessidade de
escapar de tanta solicitação externa que as oprime e alimentam o desejo de se
ocupar mais decididamente com o seu mundo interior. Mas, se somos sinceros,
adentrar-nos em nosso “eu profundo” e viver a partir de dentro é algo que não
sabemos e muitas vezes até sentimos medo. É cada vez mais difícil a criação de
um espaço interior, em sintonia e bem integrado com o mundo exterior.
Nesse sentido, a liturgia quaresmal revela-se como uma
mediação privilegiada para potencializar nossa interioridade, ou destravá-la,
para que a expansão de nossa vida seja possível. Tal experiência resgata-nos do
entorpecimento e nos dá um choque de lucidez. Ela oxigena a nossa mente e
implode nosso conformismo; revela-se instigadora e provocativa, fonte
inspiradora que nos liberta do cárcere da rotina. Ela nos faz lembrar que somos
andarilhos, deslocando-nos no traçado da existência em busca de respostas que
dêem sentido à nossa existência.
O caminho para Deus passa pela experiência mais profunda e
autêntica de si mesmo, convidando cada um a repensar como, em meio às
dificuldades de cada tempo, sempre é possível o percurso em direção à própria
interioridade.
Buscar o Deus que “está dentro de mim, enquanto eu estou
fora” (S. Agostinho), significa entrar em relação direta com nosso interior,
com o que nos move, com o que sentimos e pensamos; significa dissolver
bloqueios afetivos já solidificados e conflitos não resolvidos; é fazer que se
calem muitos ruídos parasitas e que se escute, por fim, o silêncio sonoro que
brota do oculto; desentupir os condutos do coração e processar a lava ardente
dos grandes desejos significa abrir os olhos para uma paisagem desconhecida.
Foi no deserto onde Jesus descobriu o que move
verdadeiramente o coração do ser humano. Foi nessa situação – de solidão – onde
também descobriu o que Deus ama no coração humano. Nessa experiência de deserto
Jesus tomou consciência de duas forças ou dinamismos que atuam no coração
humano: um de expansão, de saída de si, de vida aberta e em sintonia com o Pai
e com os outros; outro, de retração, de auto-centração, de busca de poder,
prestígio, vaidade...
Jesus viveu impulsionado pelo Espírito, mas sentiu em sua
própria carne as forças do mal: “foi tentado por satanás”; satanás significa “o
adversário”, a força hostil a Deus e a quem trabalha por seu reinado. Na
tentação de Jesus se des-vela o que há em nós de verdade ou de mentira, de luz
ou de trevas, de fidelidade a Deus ou de cumplicidade com a injustiça. Qual dos
dois dinamismos internos alimentamos?
O evangelista Marcos ressalta que o “deserto” não é só um
lugar geográfico; é também o lugar que buscamos para nos silenciar e nos
oferecer a oportunidade para reconectar conscientemente com nosso centro. Em
todo processo de crescimento, e mais ainda nos períodos críticos do mesmo,
vamos nos deparar com a presença dos “animais selvagens” e dos “anjos” em nosso
eu profundo.
É assim que nomeamos as experiências que acontecem quando
nos adentramos em nosso mundo interior. Os “animais selvagens” são aquelas
circunstâncias internas e que nos frustram e, sobretudo, aquele material
psíquico que não reconhecemos ou aceitamos em nosso interior: nossas paixões,
nossos traumas, nossas feridas, nossos instintos, nossa impotência e
fragilidade... É a “sombra” que vamos arrastando, e que continua nos assustando
enquanto não a reconhecemos e a abraçamos abertamente em sua totalidade.
Os “anjos” são os consolos – externos e internos – que
aparecem em nosso caminho, em forma de paz, de luz, compreensão, de fortaleza,
de amor...
“Animais selvagens e anjos” cumprem seu papel, pois nos
“obrigam” a avançar para nossa verdade profunda, tirando-nos da superfície de
nós mesmos, ou talvez da “zona de conforto” na qual tínhamos nos instalado,
conformando-nos com uma vida “normótica” e sem criatividade.
O amadurecimento humano implica abraçar toda nossa verdade,
também aquela que nos aparece sob disfarces temerosos, como o medo, a solidão,
a tristeza, a angústia... Lidar com tais “feras” requer capacidade de olhá-las
de frente, com compreensão, paciência e muito afeto. A espiritualidade cristã
nos mostra que exatamente em nossas feridas nós descobrimos o tesouro do nosso
verdadeiro “eu”, escondido no fundo de nosso coração.
Tradicionalmente, fomos coagidos a viver uma espiritualidade
que nos ensinou a prender os “animais selvagens” e a levantar junto deles um
edifício de “grandes ideais”. E com isto, passamos a viver constantemente com
medo de que as feras pudessem fugir e nos devorar.
Sabemos que tudo quanto nós reprimimos nos faz falta à nossa
vida. Os “animais selvagens” tem muita força. Quando os prendemos, fica nos
faltando a sua força, de que temos necessidade para o nosso caminho para Deus,
para nós mesmos e para os outros. Somos obrigados a fugir de nós mesmos,
ficamos com medo de olhar para dentro de nós, pois poderíamos correr o risco de
nos deparar com as feras perigosas.
Quando, graças à presença dos “anjos”, deixarmos de rejeitar
e de resistir aos “animais selvagens”, iremos tomando consciência como a luz e
a fortaleza vão se expandindo em nosso interior; nós nos perceberemos mais
unificados e harmoniosos. E assim, estaremos mais preparados para a “travessia”
em direção à Páscoa.
Texto bíblico: Mc 1,12-15
Na oração: Cuidamos da interioridade quando nos questionamos
sobre o modo como olhamos a vida, como atuamos diante das situações, como nos
relacionamos com os outros, como vivemos nossas convicções e crenças; e,
sobretudo, quando nos exercitamos em determinadas “atividades espirituais” que
podem nos ajudar a des-velar o nosso “eu original”, como o silêncio, os
momentos de oração, o encontro com a Palavra, a partilha em grupo...
- Quê mediações você vai ativar durante a Quaresma para
ajudar a des-velar sua própria interioridade?
No devotamento dos pais, todos os filhos são joias de luz;
entretanto, para que compreendas certos antagonismos que te afligem no lar, é
preciso saibas que, entre os filhos companheiros que te apoiam a alma, surgem
os filhos-credores, alcançando-te a vida, por instrutores de feição diferente.
Subtraindo-te aos choques de caráter negativo, no
reencontro, preceitua a eterna bondade da Justiça Divina que a reencarnação
funcione, reconduzindo-os à tua presença, através do berço. É por isso que, a
princípio, não ombreiam contigo, em casa, como de igual para igual, porquanto
reaparecem humildes e pequeninos.
Chegam frágeis e emudecidos, para que lhes ensines a palavra
de apaziguamento e brandura.
Não te rogam a liquidação de débitos, na intimidade do gabinete, e, sim,
procuram-te o colo para nova fase de entendimento.
Respiram-te o hálito e escoram-se em tuas mãos,
instalando-se em teus passos, para a transfiguração do próprio destino.
Embora desarmados, controlam-te os sentimentos. Não obstante
dependerem de ti alteram-te as decisões com simples olhar.
De doces numes do carinho, passam, com o tempo, à condição
de examinadores constantes de tua estrada.
Governam-te os impulsos, fiscalizam-te os gestos,
observam-te as companhias e exigem-te as horas.
Reaprendem na escola do mundo com o teu amparo; todavia, à
medida que se desenvolvem no conhecimento superior, transformam-se em
inspetores intransigentes do teu grau de instrução.
Muitas vezes choras e sofres, tentando adivinhar-lhes os
pensamentos para que te percebam os testemunhos de amor.
Calas os próprios sonhos, para que os sonhos deles se
realizem.
Apagas-te, a pouco e pouco, para que julguem em teu lugar.
Recebes todas as dores que te impõem à alma, com sorrisos
nos lábios, conquanto te amarfanhem o coração.
E nunca possuis o bastante para abrilhantar-lhes a
existência, de vez que tudo lhes dás de ti mesmo, sem faturas de serviço e sem
notas de pagamento.
***
Quando te vejas, diante de filhos crescidos e lúcidos,
erguidos à condição de dolorosos problemas do espírito, recorda que são eles
credores do passado a te pedirem o resgate de velhas contas.
Busca auxiliá-los e sustentá-los com abnegação e ternura,
ainda que isso te custe todos os sacrifícios, porque, no justo instante em que
a consciência te afirme tudo haveres efetuado para enriquecê-los de educação e
trabalho, dignidade e alegria, terás conquistado, em silêncio, o luminoso
certificado de tua própria libertação.
“Porque se multiplica a iniquidade, vai esfriar o amor de
muitos” (Mt 24,12).
Com a quaresma, no Brasil se realiza a Campanha de
Fraternidade, cujo tema é “A Fraternidade e superação da violência”.
A violência hoje se manifesta gritante em várias formas: corrupção, assaltos, morte e agressividade nos gestos e nas palavras. Assim, quase
aumenta a crença em nossa incapacidade de vivermos como irmãos.
O Papa Francisco nos anima na sua mensagem para CF 2018
dizendo: “Sejamos protagonistas da superação da violência fazendo-nos arautos e
construtores da paz. Uma paz que é fruto do desenvolvimento integral de todos,
uma paz que nasce de uma nova relação também com todas as criaturas.
A paz é tecida no dia-a-dia com paciência e misericórdia,
(...) São pequenos gestos de respeito, de escuta, de diálogo, de silêncio, de
afeto, de acolhida, de integração, que criam espaços onde se respira a
fraternidade: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).
Reflitamos sobre a nossa atuação nestas pequenas coisas em
vista a superação da violência.
Com a minha benção e oração. Uma boa e santa noite.
Dom Ceslau
===
17/02/2018
A Campanha de Fraternidade nasceu em 1962 por iniciativa de
Dom Eugênio de Araújo Sales, na época Arcebispo de Natal. O objetivo foi
arrecadar fundos para as obras da Caridade.
Desde 1964 tornou-se o movimento a nível nacional assumido
pela CNBB. Desde aquela época, além da arrecadar fundos para as obras de
caridade, tornou-se o instrumento de evangelização. Na perspectiva destes 54
anos da CF podemos distinguir nitidamente três fases:
1ª – renovação interna da Igreja (1964-1972);
2ª - Realidade social do povo: denunciando o pecado social e
promovendo a justiça (1973 – 1984;
3ª - a atual: A Igreja e situações existenciais do povo
(1985 – 2018).
A CF-2018 toca o ponto nevrálgico: Fraternidade e violência.
Somos convidados refletir, mas principalmente nos engajar na luta pela paz,
começando pelas pequenas coisas que aponta o Papa Francisco. (veja reflexão de
ontem). O Manual da CF18, se pode adquirir nas Livrarias Católicas nos
ajuda a empreender está complexa realidade. Ele trata de:
1. Múltiplas formas de violência; Violência como sistema no
Brasil; as vítimas da violência hoje;
2. Sagrada Escritura – que nos diz? Comunhão rompida pelo
pecado; NT – Jesus anuncia o Evangelho da reconciliação e da paz; a Igreja
convida promover o diálogo que leva para a paz;
3. Ações para superar a violência em nível da: pessoa,
família, comunidade e sociedade.
Sejamos pacíficos e venceremos a violência.
Com a minha benção e oração pela paz no seu coração e na sua
família. Boa Noite.
Dom Ceslau.
Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA,
escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL