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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

TRÊS CIENTISTAS CONQUISTAM O PRÊMIO NOBEL DE QUÍMICA

04/10/2017
Copenhague
Da Agência EFE

Vencedores do Prêmio Nobel de Química  divulgação/Twitter Prêmio Nobel

Os cientistas Jacques Dubochet, Joachim Frank e Richard Henderson conquistaram o Prêmio Nobel de Química 2017, por desenvolver a "criomicroscopia eletrônica para a determinação estrutural de alta resolução de biomoléculas em soluções". O anúncio foi feito hoje (4) pela Academia Real das Ciências da Suécia. As informações são da EFE.

Jacques Dubochet é suíço, Joachim Frank, alemão, e Richard Henderson, escocês. Os premiados, explicou o júri, desenvolveram a "criomicroscopia eletrônica", uma técnica que permite observar em alta resolução biomoléculas, "método que levou a bioquímica a uma nova era".

"Os pesquisadores podem agora congelar biomoléculas" e "visualizar processos que nunca tinham visto antes, fato decisivo para o entendimento básico da química da vida e do desenvolvimento de medicamentos", argumenta a decisão.

Durante muito tempo acreditou-se que os microscópios eletrônicos só eram adequados para analisar matéria morta, porque seu potente feixe de elétrons destrói o material biológico.

Saiba Mais

No entanto, em 1990 Henderson conseguiu gerar uma imagem tridimensional de uma proteína com resolução atômica graças a um microscópio eletrônico, evidenciando o potencial desta nova tecnologia.

Frank, por sua vez, conseguiu generalizar as aplicações desta nova tecnologia e desenvolveu um método para processar as imagens em duas dimensões e transformá-las em 3D.

Dubochet acrescentou água ao microscópio eletrônico – fato que não era possível porque operava no vácuo. Para isso, vitrificou e esfriou a água tão rapidamente que ela se solidificou na sua forma líquida ao redor de uma amostra biológica, permitindo às biomoléculas conservar sua forma natural inclusive no vácuo.

Os cientistas
Nascido em 1942 na Suíça, Dubochet é professor honorário de Biofísica na Universidade de Lausanne; seu colega Frank nasceu em 1940 em Siegen (Alemanha) e trabalha na Universidade de Columbia de Nova York, e Henderson, nascido na Escócia em 1945, é professor de Biologia Molecular na Universidade britânica de Cambridge.

O prêmio é de 9 milhões de coroas suecas (equivalente a cerca de R$ 3,4 milhões), a ser dividido entre os premiados, depois que este ano a Fundação Nobel aumentou esse valor pela primeira vez em cinco anos.

Ao longo desta semana, a Academia Sueca anunciou os vencedores do Nobel de Medicina e também de Física. Amanhã será divulgado o nome do vencedor do Nobel de Literatura, e na sexta-feira o Nobel da Paz; o ganhador do Nobel de Economia será conhecido na próxima segunda-feira.



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CHUVA DAS ÁGUAS NAS CAATINGAS - Antonio Lourenço de Andrade Filho


Chuva das Águas nas Caatingas



Naquele instante, olhando na vastidão do horizonte, montanhas!
Vislumbrando contornos, só alcançado pelos pássaros que vivem naquele lugar.
Local de difícil acesso
Mistérios que a vida contempla
Lançando-me perguntas difíceis de responder.
Perplexo, diante de tal majestade.
Simbolizando a grandeza do criador
Mas, herança que nos foi dada.
E que a tudo devemos fazer
Para que outros, no futuro a contemplem também.

Enquanto nuvens carregadas passam, levadas pelos ventos do Norte.
As cigarras cantam ruidosamente, anunciando que algo vai acontecer.
Pássaros emudecem, num gesto de respeito, segurando o seu canto para depois.  
Uma rã coaxa no gravatá, anunciando que poderá chover.
Dizer dos mais velhos
Observando ao redor, formigas apressadas, aos milhões.
Parecem mudar, prevendo talvez que aquele local não seja seguro.

O sol brilha e esquenta a terra que já está ressequida
Morta de sede, rachada, o calor incomoda.
Num ato de sobrevivência, a vegetação seca parece hibernar.
Garranchos secos parecem mortos, adormecidos.
Cantando uma musica o vento e espalha folha secas
Que estalam deslizando pelo chão
Um redemoinho levanta pequenos ciclones, que parecem levá-las para passear.
Até muito alto e descem flutuando por todo lado

Quem está descansando, após um árduo dia de trabalho
Naquele instante, só ouve o zumbido de uma mosca verde
Que insiste em dar voos rasantes em sua volta
Queimou goivaras no sol escaldante, fumaça que desapareceu no horizonte.
E olhando na imensidão daquele lugar!
Imagina a plantação que acabava de fazer
Lavrou o solo, jogou a semente, o suor derramou.
Agradecendo num gesto solene
Tirou o chapéu
Olhou para cima, estendeu o braço!
Reverencia, pedindo a proteção do Senhor.

Mês de setembro, inicio da primavera, hora de renascer.
Nuvens se aproximam ameaçadoramente
De repente um estrondo, trovões rugem na vastidão das montanhas
O céu parece rachar e rasgar
Uma luz corta o ar, desce para fertilizar a terra
Pingos fortes descem sucessivamente, vão se chocando ao solo
Uma ventania parece levar tudo, e passeia fortemente dentre as arvores
Retorcendo-as e quase as levando de encontro ao solo
Folhagens, quebra de galhos, arvore quebradiças
Açoitadas pelos ventos fortes, que esborrifam água
Por todo lado, num cenário ameaçador

Passando o primeiro momento, o céu se deságua em cortinas de chuva
Inundando tudo. Agora cai mansa insistente
A noite, através do velho telhado
Vêem-se os clarões
A chuva avança na madrugada
As águas derramam na bica transbordando os tanques
Que logo se trasbordam as fenda
Que transbordam os córregos
Que transbordam o lago
E descem para o rio, que ruge em direção ao mar
Levando entulhos, troncos, e descem as águas
Caudaloso rio, quebrando barrancos, lambendo as rochas
Espumando, das águas barrentas
Algum tempo depois, não sei quanto tempo
Não sei se horas, se dias, se meses
Só sei que a vida brota, o verde aparece, as folhas e as flores orvalhadas
Enfeitam as arvores que renascem
Outro anoitecer, vaga-lumes piscando na noite
Coaxar de sapos nas lagoas, tamborilando de diversas maneiras para o acasalamento
Na madrugada o corujão com seu canto misterioso
Transforma a noite num cenário de ilusões

Numa manhã, o solo devolve as nuvens
Que parecem brotar das montanhas na vastidão do horizonte
Levando-as de volta para o céu
O sol acorda com um brilho diferente
Lançando os seus raios dourados na manhã
Os pássaros cantam, os animais nascem sadios
As abelhas e borboletas perpetuam as espécies
Com o néctar retirado das flores
Como a beija-flor solitário, que com seus silvos anuncia sua presença
E logo some velozmente à procura de novas flores

Os lagos,  os rios agora enfeitados de linda vegetação
Renascem apresentando toda a beleza de plantas aquáticas que florescem
E aves que passeiam com suas longas pernas em busca de alimento para seus filhotes
As libélulas voam sob a água, dando toques sutis
Até o solitário gavião, espreita encima do galho seco, toda aquela beleza
Assim sim, assim foi... assim será... Será?
E nós? Será que nós não sabemos?
Que de onde nós viemos...
Que se a natureza não preservar
O futuro parece parar
Num curto espaço de tempo
Quem sabe
Amanha nada disso haverá?


Antonio Lourenço de Andrade Filho

 Este poema retrata a alegria de viver na Caatinga, que depois de grande jornada de seca, de repente renasce transbordando de beleza em todo o seu esplendor na época das chuvas das águas, e só quem vive lá é que conhece o verdadeiro significado das chuvas e da preservação ambiental, não só de seu bioma, como também do seu povo e de seus costumes, que de maneira cruel, vão se esgotando os recursos naturais e pondo em risco toda a biodiversidade local.
Jequié
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Comentário: 

 Amigo Antonio Lourenço, sinto o tamanho da sua ternura,  seu conhecimento, compromisso, e  amor pelo meio ambiente... E fico a pensar como seria diferente a vida se políticos, governantes, universidades, jornalistas, emissoras de comunicação, redes sociais e demais formadores de opinião no mundo inteiro pensassem e agissem como você. Ao ler este teu poema ecológico CHUVA DAS ÁGUAS NAS CAATINGAS percebo extasiada a explosão da vida que teima em renovar-se apesar do homem. Para logo quedar-me estarrecida a partir do verso:  Assim sim, assim foi... assim será... Será?



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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

04/10 – DIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS... Eglê S Machado

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
04/10 – Dia de São Francisco de Assis...


Celebre uma vida santa,
Sem mágoas, na luz, sem risco,
E neste fervor que encanta,
A tempestade é chuvisco;

Não deixe meu irmão, jamais,
A proteção do aprisco,
Como o povo de Assis
Instruído por Francisco;

Praticando a mansidão,
Que ele ensinou e quis
Seja grande à imitação
Do pequenino de Assis!...

Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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OBSERVAÇÃO INÉDITA DE ONDAS GRAVITACIONAIS PREVISTAS POR EINSTEIN LEVA NOBEL DE FÍSICA

Rainer Weiss, Barry Barish e Kip S.Thorne levam Nobel de Física em 2017 pela constatação de fenômeno antecipado por Albert Einstein há mais de 100 anos.


Por G1
03/10/2017

Os cientistas Kip Thorne, Rainer Weiss e Barry Barish, vencedores do Nobel de Física; eles desvendaram o mistério das ondas gravitacionais (Foto: Andrew Harnik/AP e R.Hahn/Public Domain)
          O Nobel de Física de 2017 foi para Rainer Weiss, alemão naturalizado americano; e Barry Barish e Kip S. Thorne, cientistas nascidos nos Estados Unidos. Juntos, eles conseguiram provar a existência das ondas gravitacionais, fenômeno previsto pelo físico Albert Einstein há mais de 100 anos em sua teoria Geral da Relatividade (1915). Os laureados observaram o evento pela primeira vez há pouco mais de dois anos, em 14 de setembro de 2015.

As ondas gravitacionais abrem um terreno absolutamente novo para como o homem enxerga o espaço-tempo. Isso porque, após a observação do fenômeno, os cientistas mostraram que a força gravitacional é capaz de provocar ondas que distorcem essas dimensões.

A observação é uma decorrência da famosa teoria da Relatividade Geral, do físico Albert Einstein. Uma das principais premissas dessa teoria é que o espaço e o tempo interagem com a matéria; ou seja, essas dimensões não são sempre constantes ou imutáveis.

A partir da teoria de Einstein partiu-se do pressuposto que, caso haja uma força muito forte em interação, o espaço e o tempo podem sofrer distorções. Depois de mais de 100 anos, foi justamente essa perturbação que os cientistas observaram.

"As ondas gravitacionais são uma maneira totalmente nova de observar os eventos mais violentos do espaço e de testar os limites do nosso conhecimento", destaca a Fundação Nobel.

Segundo Einstein, quando uma massa de grandes dimensões acelera, ela gera forças gravitacionais que provocam essas distorções. Einstein acreditava, no entanto, que não seria possível observar o fenômeno, informa a Fundação Nobel.

Nobel de Física versão 3 (Foto: Karina Almeida/Infográfico G1)

Fenômeno já rendeu outro Nobel em 1993

A existência das ondas gravitacionais passou a ser concebida quando, no final dos anos 1950, estudos demonstraram que as ondas carregavam energia; e, por isso, poderiam ser mensuráveis.
Em 1970, os astrônomos Joseph Taylor e Russel Hulse mostraram que as estrelas giravam ao redor delas mesmas e, com isso, perdiam energia. Essa energia perdida seria uma indicação da existência das ondas gravitacionais. Por esse achado, Taylor e Hulse foram laureados com o Nobel de Física de 1993.

As demonstrações acima, no entanto, eram indicações indiretas das ondas gravitacionais. A evidência direta do fenômeno só viria depois de um imenso esforço, uma vez que não seria fácil provocar alterações no espaço-tempo.

Simulação ilustra colisão de buracos negros como aquela detectada pelo projeto Ligo (Foto: Andy Bohn et al.)
Um projeto dedicado à observação das ondas gravitacionais

O trio de laureados integra o Ligo (Laser Interferometer Gravitational- Wave Observatory), ligado ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Trata-se de um projeto colaborativo de observação de ondas gravitacionais que integra mais de 20 países e cerca de mil cientistas.

Barry Barish é um dos fundadores e líderes do LIGO e Kip.S Thorne e Rainer Weiss se somam ao pioneirismo que fizeram do projeto uma possibilidade. Thorne e Weiss, em meados dos anos 1970, estavam convencidos da existência das ondas gravitacionais.
Weiss já havia observado perturbações que indicavam a presença das ondas. Ele também concebeu uma espécie de detector preliminar dessas perturbações.

No Ligo, os cientistas construíram um dispositivo, "o interferômetro", que é capaz de medir as ondas gravitacionais. São dois túneis em que passam dois feixes de laser em cada um: um viajando para frente e outro viajando para trás. Esse movimento provoca distorções nos túneis e os cientistas trabalharam para medir essa distorção, provando, assim, a existência das ondas.

O projeto possui dois interferômetros: um Washington e outro no estado da Lousiana, nos Estados Unidos.

Os cientistas acreditam que as ondas gravitacionais observadas foram geradas após a colisão de dois buracos negros, ocorrida há milhões de anos. Os pesquisadores calculam que as ondas demoraram 1,3 bilhão de anos até chegar ao detector de ondas, nos Estados Unidos.

Rainer Weiss posa para foto em sua casa, na cidade de Newton (Massachussets/EUA), nesta terça-feira (3), após receber a notícia do prêmio Nobel de Física (Foto: Josh Reynolds/Associated Press)
Reações dos cientistas e a persistência de um projeto
Os cientistas foram avisados por telefone do prêmio. Em entrevista à fundação Nobel, Kip S. Thorne reforçou a necessidade de colaborações na ciência. "Grandes descobertas são mesmo o resultado de grandes colaborações", disse. O cientista disse não estar surpreso com o fato da descoberta ter ganhado o Nobel, mas não pensou que, ele, pessoalmente seria um dos laureados.

Barry C. Barish destacou o tamanho da onda e as dificuldades de medição. "O tamanho real do sinal era cerca de um milésimo do tamanho de um próton", disse, em entrevista ao Nobel Media. O cientista também reforçou o quanto foi necessário o desenvolvimento de novas tecnologias para que o projeto se tornasse realidade.


"Desde a construção do primeiro detector, nós levamos mais de 20 anos. A descoberta é também o testamento da ciência e da tecnologia moderna. Penso que isso não seria possível há 50, 30, 20 anos. Foram necessários os lasers mais modernos e a melhor engenharia", disse Barish.

Química, Literatura e Paz

O prêmio de Física, anunciado nesta terça-feira (3), é o segundo a ser apresentado este ano. Na segunda-feira (2), foi a vez do Nobel de Medicina, em que os norte-americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young levaram o prêmio por suas descobertas no ritmo circadiano.

Na quarta-feira (4), será anunciado o de Química; na quinta, o de Literatura (5); e, na sexta (6), o da Paz. O de Economia será anunciado na segunda-feira (9).



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SÃO FRANCISCO DE ASSIS - Plinio Maria Solimeo

 3 de outubro de 2017
Plinio Maria Solimeo
São Francisco – Federico Barocci, séc. XVII. The 
Metropolitan Museum of Art, Nova York.

São Francisco de Assis


Uma das maiores vocações religiosas da História, recebeu os estigmas do Redentor e se tornou um sustentáculo da Igreja.

São Francisco de Assis é um dos santos mais populares da Igreja. Marcou profundamente a vida religiosa e social de sua época, exercendo sobre ambas uma influência determinante. Sua festa se celebra no dia 4 deste mês.

Ele nasceu em 1182 na pequena e poética cidade de Assis, situada nos Apeninos, filho de Pietro di Bernadone dei Moriconi — que se tornará famoso pela usura e cegueira em relação ao filho — e de Pica Bourlemont, uma dama de origem francesa, de nobre sangue e grande virtude.

Narra uma lenda que, sentindo sua mãe as dores do parto, não conseguia dar à luz. Trasladaram-na então até à estrebaria da casa e ali, sobre a palha, entre o asno e o boi, à semelhança do Salvador, nasceu Giovanni di Pietro, que passou para a História com o nome de Francisco. A origem deste nome não é muito segura, mas consta que, por sua grande admiração pela França, seu pai passou a chamá-lo de “Francesco”.

Alegre, esbanjador, mas temente a Deus

Quadro do conhecido episódio em que o pai de Francisco apela ao bispo para fazer cessar as “extravagâncias” do filho, que se apressa a despojar-se até da própria roupa do corpo para reparar a ganância do pai.
Nada sabemos da infância do santo. Na Legenda de São Francisco (ou Dos Três Amigos), escrita por três de seus primeiros discípulos, lemos: “Já crescido, como era dotado de inteligência viva, dispôs-se a continuar o ofício paterno, isto é, a mercancia, porém com outros entendimentos, pois ele era muito mais alegre e liberal do que o pai: gostava de andar em festiva companhia, quer durante o dia quer durante a noite, pelas estradas de Assis, em divertimentos e cantos, e era tão grande esbanjador, que gastava em reuniões e banquetes tudo quanto ganhava”.1 Ao que acrescenta São Boaventura, terceiro Geral dos franciscanos, contemporâneo e póstero do Poverello: “Mas, com o auxílio divino, jamais se deixou levar pelo ardor das paixões que dominavam os jovens de sua companhia”.2

O próprio Francisco confessa: “Eu verdadeiramente creio nunca ter, pela graça de Deus, cometido falta sem ter feito disso expiação, confessando o meu pecado e me arrependendo da minha culpa”.3

Alegre, jovial, desprendido, gentil, afável, “o Senhor incutia em seu coração um sentimento de piedade que o tornava generoso com os pobres. Este sentimento foi crescendo em seu coração; e impregnou-o de tanta bondade, que ele decidiu, como ouvinte atento que era do Evangelho, ser generoso com quem lhe pedisse esmola, sobretudo a quem pedisse por amor de Deus”,4 de modo a doar até parte de seu vestuário, se não tivesse mais dinheiro.

A popularidade granjeada até então por Francisco entre seus conterrâneos se devia mais às suas qualidades morais que às físicas, pois “era pequeno e de aspecto miserável”,5 atraindo pouco a atenção daqueles que não o conheciam.

Restaurador da Igreja
 Sonho do Papa Inocêncio III, no 
qual se vê São Francisco 
sustentando a Igreja – Benozzo
 Gozzoli, séc. XIV. Capela na igreja 
franciscana de Montefalco, Perúgia 
(Itália)
Francisco levava essa vida alegre e despreocupada quando as primeiras revelações divinas começaram a chamá-lo para algo mais alto. Rezando um dia na igreja de São Damião, ouviu o Crucificado pedir-lhe que restaurasse Sua casa em ruínas. Tomando as palavras literalmente, empenhou-se na reforma não só desse templo, mas também de dois outros. O Divino Redentor então lhe disse que restaurasse não os edifícios das igrejas, mas a própria Igreja enquanto instituição.

E indicou-lhe como fazê-lo: “Se queres conhecer minha vontade, precisas desprezar todas as coisas que até aqui materialmente amaste e desejaste. Quando tiveres feito isto, ser-te-á agradável tudo quanto te é insuportável e se tornará insuportável tudo quanto desejas”.6

Foi então que interveio Pedro Bernardone, pois o filho dava de esmola tudo o que possuía, passando a levar uma vida considerada insensata pelo mundo. Ocorreu nessa época o conhecido episódio em que o pai apela ao bispo para fazer cessar as “extravagâncias” do filho, que se apressa a despojar-se até da própria roupa do corpo para reparar a ganância do pai. Depois disso Francisco se entregou inteiramente ao que chamou a Dama Pobreza, seguindo ao pé da letra os conselhos do Evangelho.

Fundação dos Frades Menores

Santa Clara e São Francisco
“Como outro Elias, começou Francisco a anunciar a verdade, no pleno ardor do Espírito de Cristo. Convidou outros a se associarem a ele na busca da perfeita santidade, insistindo para que levassem uma vida de penitência. Começaram alguns a praticar a penitência, e em seguida se associaram a ele, partilhando a mesma vida, usando vestes vis. O humilde Francisco decidiu que eles se chamariam Frades Menores”.7

Surgiram assim os primeiros 12 discípulos que, segundo registram os Fioretti, “foram homens de tão grande santidade que, desde os Apóstolos até hoje, não viu o mundo homens tão maravilhosos e santos”.“Aqueles que vinham abraçar esta vida distribuíam aos pobres tudo o que tinham. Contentavam-se só com uma túnica, uma corda e um par de calções, e não queriam mais”, dirá mais tarde Francisco em seu Testamento.9

Os novos apóstolos se reuniram em torno da pequena igreja da Porciúncula, ou Santa Maria dos Anjos, que passou a ser o berço da Ordem.

O santo sustenta a Igreja Católica

Para obter a aprovação de sua incipiente Ordem, Francisco se dirigiu a Roma. E o Senhor estava com ele, pois, pouco antes de chegar, como a preparar-lhe o terreno, “o Pontífice Romano viu em sonho a basílica de Latrão, prestes a ruir; mas um pobrezinho, homem pequeno e de aspecto miserável, sustentava-a com seus ombros, impedindo que ruísse”.10 Quando o Poverello de Assis se apresentou ao Sumo Pontífice, este o reconheceu, abraçou-o, e disse, a ele e a seus companheiros: “Irmãos, ide com Deus e pregai a penitência, segundo vos será inspirada. Quando tiverdes crescido em número e o Senhor aumentado suas graças a vosso favor, tornai a nós, que vos concederemos o que desejardes e ainda mais”.11

Munidos dessa aprovação pontifícia, os novos religiosos saíram para pregar, percorrendo em duplas as cidades da região e mostrando aos seus habitantes, pela palavra e pelo exemplo, o caminho da salvação.

Espírito e força de Elias

Certa noite os frades viram entrar e dar três voltas em seu aposento um carro de fogo de maravilhoso esplendor, com um globo brilhante parecido com o sol. Eles compreenderam que por aquela figura Deus quisera lhes mostrar “que seu pai Francisco viera ‘no espírito e na força de Elias’. Desde então [Francisco] penetrava os segredos de seus corações, predizia o futuro e realizava milagres. Estava patente para todos que o espírito de Elias, duas vezes mais poderoso, viera habitar nele com tal plenitude, que o mais seguro para todos era seguir sua vida e seus ensinamentos”.12

Francisco manifestava seu amor a Deus através de uma alegria imensa, expressa muitas vezes em cânticos ardorosos. Aos que lhe perguntavam a razão de tal alegria, respondia que “derivava da pureza do coração e da constância na oração”.

Essa divina loucura da cruz que arrebatou Francisco e lhe granjeou muitos discípulos deveria atrair também a jovem Clara, de 17 anos, filha do Conde de Sasso Rosso. Desde o momento em que o ouviu pregar, Clara compreendeu que a vida indicada pelo Santo era a que Deus queria para ela. Francisco se tornou guia e pai espiritual de sua alma.

Como eram outros os planos dos pais de Clara, foi preciso que ela fugisse para a igrejinha da Porciúncula. Ali Francisco cortou seus cabelos e fê-la vestir um simples hábito religioso. Nascia assim a Ordem Segunda dos Franciscanos, a das Clarissas. Duas semanas depois era a vez de sua irmã Inês unir-se a ela, e mais tarde uma terceira, Beatriz.

Não desprezar os ricos

Apesar de pregar principalmente para os pobres e de se identificar com eles, “Francisco tinha o hábito de alertar seus discípulos, exortando-os a não condenar e não desprezar ‘aqueles que viviam na opulência e vestiam com luxo’. Dizia que ‘também esses têm a Deus por senhor, e que Deus pode, quando quer, chamá-los, como aos outros, e torná-los justos e santos’”.13 Um desses nobres deu ao Poverello o Monte Alverne, onde ele receberia a maior graça de sua vida.

Indo em 1217 a Roma, Francisco se encontrou com outro luminar da Igreja da época. Era Domingos de Gusmão, que também fundara uma Ordem religiosa para combater a decadência dos costumes. Ambos se abraçaram, estabelecendo uma amizade solidificada pelo amor de Deus.

Pouco depois recebia Francisco alguém que se tornaria a maior glória de sua Ordem e um dos santos mais populares do mundo: Frei Antônio de Lisboa, conhecido também, mais tarde, como “de Pádua”.

Dissabores e fundação da Ordem Terceira

Uma das maiores dores de Francisco foi ver surgir entre seus frades, chefiada pelo superior Frei Elias, uma nova tendência que dava uma orientação diferente à do santo, principalmente em relação aos estudos e ao modo de observar a pobreza. Francisco chegou a amaldiçoar um dos frades dessa nova tendência, chamado Frei Pedro de Stacia.

Era, por outro lado, consolador ver tantos leigos desejosos de pertencer à família de almas de Francisco, mas cujos laços de matrimônio ou outros encargos terrenos não permitiam que observassem inteiramente as regras franciscanas. Francisco fundou então uma Ordem Terceira para abranger a todos, e muitos grandes personagens — como São Luís, Rei de França, e Santa Isabel, Duquesa da Turíngia — a ela pertenceram.

Recepção dos estigmas

São Francisco recebe os estigmas – Benozzo Gozzoli, 
séc. XIV. Capela na igreja franciscana de Montefalco, 
Perúgia (Itália)
Dois anos antes de sua morte, estando no Monte Alverne com alguns de seus frades mais íntimos, Francisco se pôs em oração fervorosa e foi objeto de uma graça insigne. Na figura de um serafim de seis asas apareceu-lhe Nosso Senhor crucificado, e após entreter-se com ele em doce colóquio, partiu deixando-lhe impressos no corpo os sagrados estigmas da Paixão. Assim, esse discípulo de Cristo, que tanto desejara assemelhar-se a Ele, obteve mais este traço de similitude com o Divino Salvador.

Em sua última doença, já próximo à morte, Francisco queria que Frei Ângelo e Frei Leão permanecessem junto ao seu leito para cantar os louvores da “Irmã Morte”. Àqueles que se escandalizavam com essa atitude, respondia: “Por graça do Espírito Santo, sinto-me tão profundamente unido ao meu Senhor Deus, que não posso deixar de me alegrar n’Ele”.14

 “Por fim, tendo-se realizado nele todos os planos de Deus, o bem-aventurado adormeceu no Senhor, rezando e cantando um Salmo”.15 Era o dia 3 de outubro de 1226. Francisco tinha 45 anos, e foi canonizado apenas dois anos depois.
____________
Notas:
Legenda de São Francisco, escrita pelos três humildes irmãos franciscanos Leone, Rufino e Angelo, no Ano da graça de 1246”, transcrição livre de Brasil Bandecchi, São Paulo, 1957, p. 13.
São Boaventura, Legenda Maior e Legenda Menor — Vida de São Francisco de Assis, Vozes, 1979, p. 21.
Specumlum Perfectionis, in Johannes Joergensen, São Francisco de Assis, Vozes, 1957, p. 316, nota 345.
São Boaventura, id, ib.
Id. ib., p. 174.
Legenda de São Francisco, p. 25.
São Boaventura, op. cit., p. 173.
Las Florecillas, Zeus, Madrid, 1963, p. 22.
Joergensen, op. cit., p. 137.
São Boaventura, op. cit., p. 174.
Legenda de São Francisco, pp. 66,67.
São Boaventura, id., p. 175.
Joergensen, op. cit., p. 216.
Id. ib., p. 393.
São Boaventura, op. cit., p. 200.



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terça-feira, 3 de outubro de 2017

NOBEL DE FISIOLOGIA OU MEDICINA VAI PARA PESQUISAS SOBRE RELÓGIO BIOLÓGICO


Jonathan Nackstrand/AFP
Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young são anunciados como vencedores do Nobel


GABRIEL ALVES
DE SÃO PAULO

02/10/2017
  
O Nobel de fisiologia ou medicina de 2017 foi para três americanos, Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W Young, pelas descobertas dos mecanismos moleculares por trás dos ritmos circadianos. O anúncio foi feito na manhã desta segunda (2).

A palavra circadiano significa "ao redor do dia" e os ritmos circadianos têm origem evolutiva que remonta às células mais primitivas. Na prática, eles permitem que as células –e os organismos que formam– tenham um comportamento otimizado dependendo da hora do dia.

O trabalho dos americanos foi decifrar quais são as engrenagens moleculares do chamado relógio interno. A grande sacada dos pesquisadores foi perceber que existe um processo de retroalimentação que configura o relógio.

Em conversa por telefone com a Folha, o agora nobelista Michael Rosbash, da Universidade Brandeis, disse que foi acordado logo cedo por um representante do comitê do Nobel. "Estava na cama, dormindo, quando o telefone tocou. Eram 5h10 da manhã."

"Fiquei muito surpreso. É uma área importante mas não pensávamos que ela seria agraciada. Existem várias áreas empolgantes na biologia", disse.

Décadas atrás, quando começou a pesquisar na área, uma das dificuldades era lidar com as técnicas de manipulação do DNA, ainda incipientes. "Era desafiador clonar esses genes. Éramos jovens e trabalhávamos duro e não tínhamos ideia aonde aquilo nos levaria."
Editoria de Arte/Folhapress
Um experimento conduzido no século 18 já mostrava que seres vivos poderiam ter uma espécie de relógio interno: a planta mimosa abre suas folhas de dia e as fecha à noite. Quando foi colocada em um ambiente escuro, o padrão de abertura e fechamento se repetia. O que faltava era explicar como isso ocorria.

Os primeiros experimentos ocorreram na década de 1970, mas só na década de de 1980 é que houve um salto na área, com estudos usando a mosquinha Drosophila melanogaster.


A dupla Hall e Rosbash foi responsável pelas descobertas do funcionamento do gene "period".

Basicamente, o gene period é o responsável pela produção do RNA mensageiro que contém instruções para a produção da proteína PER. Essa proteína, por sua vez, é responsável por inibir a atividade do gene period.

Dessa forma, dependendo da quantidade de proteína PER em suas células, é possível que o organismo tenha uma noção aproximada de que horas são.

Uma questão, no entanto, faltava ser resolvida: a periodicidade. O que faria o ciclo de produção de PER durar aproximadamente 24h?

A resposta veio com o trabalho de Young, que descobriu um outro gene de relógio, o "timeless" que produz a proteína TIM.

Young mostrou que a proteína TIM se liga à proteína PER. Esse complexo consegue entrar no núcleo da célula e bloquear a atividade do gene period. Ele ainda descobriu um outro gene, o "doubletime", que faz proteína DBT, também capaz de atuar diretamente sobre a PER, provocando sua degradação.

A partir das descobertas premiadas em 2017 surgiu o embasamento para explicar por que, em humanos, a pressão sanguínea é maior e os reflexos são mais ágeis de dia e, de noite, tendemos a sentir sonolência e baixar a temperatura corporal.

BRASIL
Atualmente já há também explicações de como fatores externos, como a luminosidade, entram na jogada. Mas esse avanço só foi possível por esses trabalhos que quebraram o paradigma de uma área, segundo a comissão do Nobel.

O ponto de vista é reforçado pela professora da USP Regina Markus, que pesquisa na área de cronobiologia. "Interessante que foi um reconhecimento da pesquisa básica, feita em Drosphila [mosquinhas]. Os trabalhos premiados são a raiz, o início da área", diz. "O Brasil geralmente se preocupa em financiar tecnologia ou inovação, mas, para esses acontecerem, é necessária uma pesquisa básica de alta densidade. É dela que surgem desdobramentos como esses", diz Markus.

Em uma de suas linhas de pesquisa a professora mostrou que a noção de tempo para o organismo pode ser afetada por lesões –quando a melatonina, hormônio que sinaliza a fase escura do dia, deixa de ser produzida. O hormônio é uma das formas de o organismo sincronizar os vários relógios biológicos.

"Relógio biológico" não é um termo que Mario Pedrazzoli, cronobiologista e professor da USP-Leste tenha em alta conta. Ele prefere usar "temporizadores biológicos", porque "o termo relógio é uma falsa analogia e traz a ideia de uma ideia de marcação do tempo fixa, que não depende de mais nada".

Em um de seus trabalhos, Pedrazzoli mostra que o gene PER3 -parente do PER- é importante para explicar hábitos diurnos em primatas e que alterações no gene podem levar a distúrbios de sono.

Há outros estudos que mostram possíveis efeitos negativos relacionados à agressão do relógio (ou temporizador) interno: hipertensão, obesidade, diabetes, problemas de memória e colesterol elevado. O que falta, afirma Pedrazzoli, é traduzir o conhecimento em medicina preventiva.

Indo para o lado biológico da coisa, Rosbash diz que ainda há mistérios a serem resolvidos. Por que a temperatura não exerce nenhuma influência nesse processo, que é em grande parte químico? Outra incógnita é o motivo de nós e todos os outros animais dormirem -falta entender a função do sono.

No ano passado o vencedor do prêmio foi Yoshinori Ohsumi, que desvendou grade parte do mecanismo pelos qual as células reciclam o próprio "lixo", a autofagia. O processo é importante para a renovação celular e também tem papel importante em doenças.

A única pessoa nascida no Brasil que recebeu um Nobel foi o britânico Peter Medawar, pela descoberta das bases da tolerância imunológica adquirida, ou seja, a capacidade de fazer o sistema imunológico de um organismo não reagir a certos fatores.

Rosbash também tem vínculo com o Brasil. Ele conta que seus avós maternos se estabeleceram no país e que tem primos em São Paulo.

ESCOLHA
A escolha do vencedor do mais importante prêmio da área é realizada por um grupo de 50 pesquisadores ligados ao Instituto Karolinska, na Suécia, escolhido por Alfred Nobel em seu testamento para eleger aquele que tenha feito notáveis contribuições ao futuro da humanidade para receber a láurea.

O prazo para o comitê receber as indicações foi dia 31 de janeiros. Ao todo foram 361 nomes no páreo.

Podem indicar nomes membros do comitê do Nobel do Instituto Karolinska, biologistas e médicos ligados à Academia Real Sueca de Ciências, vencedores dos Nobéis de fisiologia ou medicina ou de química, professores titulares de medicina de instituições suecas, norueguesas, finlandesas, islandesas ou dinamarquesas e acadêmicos e cientistas selecionados pelo comitê do Nobel –autoindicações são desconsideradas.

A cerimônia de premiação propriamente dita dos vencedores deste ano só ocorre em dezembro.

Entre as descobertas premiadas no passado estão a descoberta da estrutura do DNA por James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins (1962), a da penicilina por Fleming e outros (1945), a do ciclo do ácido cítrico por Hans Krebs (1953), e a da estrutura do sistema nervoso por Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal (1906).

Outras descobertas notáveis premiadas pelo Nobel de medicina ou fisiologia são a da insulina (1932), da relação entre HPV e câncer (2008), a da fertilização in vitro (2010), a de que existem grupos sanguíneos (1930) e a de como agem os hormônios (1971).

Os vencedores de 2017 dividirão o prêmio de 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,5 milhões). O dinheiro vem de um fundo de mais de 4 bilhões de coroas suecas (em valores atuais) deixado pelo patrono do prêmio, Alfred Nobel (1833-1896), inventor da dinamite. Os prêmios são distribuídos desde 1901. Além do valor em dinheiro, o laureado recebe uma medalha e um diploma.

QUÍMICA E FÍSICA
Nesta terça (3) e na quarta (4) serão anunciados, respectivamente, os prêmios nas áreas de física e de química. Os dois são distribuídos pela Academia Real Sueca de Ciências.
Em 2016 ganharam o Nobel de física um trio de pesquisadores dos EUA que desenvolveu técnicas capazes de desvendar a existência de novos estados da matéria em condições extremas.

No mesmo ano, o prêmio de química ficou com três pesquisadores responsáveis pela aurora da área das nanomáquinas, dispositivos moleculares capazes de tarefas extraordinárias, ao menos em teoria, como levar um carregamento de uma determinada droga diretamente para um tumor, combatendo-o.
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AGENDA

3.out (terça)
Nobel de Física

4.out (quarta)
Nobel de Química

6.out (sexta)
Nobel da Paz

9.out (segunda)
Prêmio de Ciências Econômicas 





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