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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

POEMA MOMENTOS – Antonio Lourenço de Andrade Filho

Poema Momentos


Ondas quebradas nas areias da praia
Trazem consigo a brisa e o cheiro do mar
 Das águas revoltas que avançam nas areias quentes
Molham o intenso e amor dos corpos fervescentes
Entre espumas esfregam -se carentes
 Suor  sentidos aflar, calor do amor ardente

Sonhos construídos nas areias da praia
Areias que absorvem e afagam os corpos
Sob a ação das águas salgadas do mar
Jogados nus nas praias desertas
O amor perdido e incauto  e soluto
E os sonhos rasgados sonhados e cumpridos
Momentos quebrados mágicos e perdidos
De amor espontâneo, prometidos e sentido
Como as ondas lentas que se afloram sentindo
O gosto  amado, quando a brisa sopra e o cheiro do mar
Nas areias, o amor inocente  buscam e sonham mais a mais
Sonhos construídos sob o sol poente,  amor demais
Nas praias de areias macias e quentes
Levadas pelas  águas do mar caliente

Desde as lembranças perdidas nas ondas
Que quebram no mar envolto em espumas e ondas azuis e cálidas
E devolvem nas areias os sonhos espalhados por La fúria do mar
Que derretem nas areias quentes perdidos encontrar-te
Promessas feita desde o acaso ao poente
Tudo feito para o mar engolir.

Antonio Lourenço de Andrade Filho 
Ambientalista

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Eglê comentou:

 “Sonhos construídos nas areias da praia – Tudo feito para o mar engolir”.

Belíssimo poema, caro  Antonio Lourenço de Andrade Filho! Somente um poeta da natureza como tu poderia conceber poema  tão terno e intenso, mostrando o ímpeto da paixão humana e a fúria do mar, na mais perfeita junção de fortes: o amor e o mar!
Parabéns! Muito Obrigada pela postagem.

* * *

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O RIO, O CACAU E O MAR – Antonio Lourenço de Andrade Filho

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
O Rio, o Cacau e o Mar


Em homenagem aos que lutam a favor da preservação do rio, que seja uma leitura de reflexão para tantos outros que não valorizaram a natureza!...

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Na cidade Grapiúna
Corre o rio Cachoeira
Seguindo agreste para o leste
Margens lindas, rochas e altas ribanceiras.

Chegando lentamente ao mar
Sangria de escunas
Que velozes cortam as águas 
Resvalam nas rochas e deixam rastros e espumas

Hoje, é o rio que chora?
Cheio de dejetos
Que d’antes, águas fundas e turvas
Saiam das matas virgens
Águas limpas e profundas
Onde a vida prosperava, e frutos davam
Levados em amêndoas, secas para o mar
Dias de glória, que por si transbordam

Ao longo do rio, escrevem a história
Em seu rico leito, alteram as águas
Das canoas, do cacau e das ricas barcaças
No fundo da memória, as lembranças do rio
Saídos das matas em constante passar as águas
Facões a fio, burros carregados e caboclos suados
Todos ao longo das matas, que margeiam o rio, e vão para o mar

Nas casas dos ricos, a luxuria ostentavam
Faz sentido saber das riquezas mil
Tolo endinheirado, à frieza mortal
Esvaziaram as matas e encheram as barcaças
Se não cuidar do rio, sedento de águas limpas
Pode-se um dia, como o cacau afundar
Das matas virgens, até o litoral

Contam na história e o tempo passa
Os homens se esquecem de suas tênues lembranças
Mas o tempo não perdoa e os faz pensar
Resistem às mágoas, mas das esperanças
O rio só não pode em seu leito voltar
E nem se pode a história,  mudar

Chora ao passar na cidade hostil
Onde se afoga em lagrimas
As águas sujas do rio
Recebe o lixo, que entulha o seu leito
As ríspidas verdades que ostentam a cidade
Como o luxo, estará também o lixo
Que deixam as suas águas sujas voltar

Falta o amor, e o respeito ao lar
Dos que jogam o lixo que entulham as águas
Que se esvaindo tristes, vão para o mar
No podão tenaz, um corte  voraz
Olhas! Ó gente, tu que matas o rio
E as vidas ao redor, que vãs, irão para o mar
No mar sombrio, o gosto amargo do rio
Sedento de águas límpidas, o rio não pode ficar

Também se afoga em mágoas, ó rio
Das águas sujas que despeja no mar
O mar de cor verde, e o azul de anil
Recebe dejetos sujos, que desce no rio
É triste receber tantas sujeiras!  
E o mar também quer se lamentar

Nas estradas perdidas que cortam as matas
Choram cantando como  pneus nas margens das estradas  
E a ferrugem corrói instantâneo, o concreto
Orgulho dos homens, engenheiros civis
Das pontes esquecidas que cortam os leitos dos rios

Beberam   águas belas e antes translúcidas
Agora deixa como as lagrima, às nascentes secar
Nascentes que eternamente servem aos rios
Sujas de óleo ou tingidas de sangue
As estradas negras do sul do Brasil
Terras agrestes do jequitibá

No mastro tremula a bandeira mucama
Jogando ao vento o símbolo nacional
No solo, as ricas bandeiras
Camacho do rico cacau
Do asfalto em luto, o pinche nas matas
Não mates também, o verde do mar

Assim tremulando triste no mastro
Mergulhando a fundo, o rasga mortalha
Perfurando o céu escuro o relâmpago lastreia
No breu as estrelas tornam-se opacas
O mar frio agita-se sombrio
Recebendo as águas sujas do rio

Matam as baleias intoxicadas
Num rugido triste,  despede-se do mar
Encalhadas e mortas lamentos e tristezas
Cadáveres boiando,  num triste sonar
Fatais ambições
Faltam-nos a nós, a nobreza
Dos animais encalhados que sucumbem nas areias
Em um atordoante lamento e um triste pesar
A morte também é gigante no mar

Sobre a ponte onde passa o cacau
Sob a ponte, as águas e as areias
És rica, ó estrada, lenta assassina
Estais perdidas nas matas
Quase sem vida, as matas margeiam
Entulham o rio e vão para o mar
Nos recifes se afogam as verdes vertentes
E o recanto triste das lindas nascentes
No verde das pedras as lindas sereias
Choram também a morte do mar

És grapiúna, na duvida, os versos
Na verdade  dos versos, há prosas
Diga-me sem pestanejar!
Se for à estrada da ponte que corre do rio
Serpenteiam nas laterais, que a morte margeia
Mas retiram o cacau e vão para o mar
Ou se o rio que corre da estrada da ponte
Serpenteia nas matas a vida margeia
Mas retiram o cacau e vão para o mar

Saindo nas estradas embarcam em navios
E quase sem vida também corre as águas do rio
Sedentos os homens, só querem ganhar
Refinam o cacau e consomem as matas
No amarelo da bandeira, o capitalismo hostil  
O verde das matas, o azul do céu e as águas do rio

São grapiúna, homens vorazes das matas
Cuidado com as cuias ricas do seu rico cacau
Ouro verde cobiçado nas matas
A sede volta e não se esqueçam da história
Há ricos que ficaram pobres
E se matam nas praças
E os pobres miseráveis
Atirados nas estradas
Vistos as margens das leis
Degradam a visão e a posição social

Não há cacau nas barcaças
O rio seca, mas fica na memória
E as suas ultimas águas ainda se arrastam
Correm como se fossem as ultimas lagrima
Que correrão sozinhas para o mar
Sem dúvida, apenas um dia restará?
O amargo do chocolate, as areias do rio, e o sal do mar.



                                        Antonio Lourenço de Andrade Filho
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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

CHUVA DAS ÁGUAS NAS CAATINGAS - Antonio Lourenço de Andrade Filho


Chuva das Águas nas Caatingas



Naquele instante, olhando na vastidão do horizonte, montanhas!
Vislumbrando contornos, só alcançado pelos pássaros que vivem naquele lugar.
Local de difícil acesso
Mistérios que a vida contempla
Lançando-me perguntas difíceis de responder.
Perplexo, diante de tal majestade.
Simbolizando a grandeza do criador
Mas, herança que nos foi dada.
E que a tudo devemos fazer
Para que outros, no futuro a contemplem também.

Enquanto nuvens carregadas passam, levadas pelos ventos do Norte.
As cigarras cantam ruidosamente, anunciando que algo vai acontecer.
Pássaros emudecem, num gesto de respeito, segurando o seu canto para depois.  
Uma rã coaxa no gravatá, anunciando que poderá chover.
Dizer dos mais velhos
Observando ao redor, formigas apressadas, aos milhões.
Parecem mudar, prevendo talvez que aquele local não seja seguro.

O sol brilha e esquenta a terra que já está ressequida
Morta de sede, rachada, o calor incomoda.
Num ato de sobrevivência, a vegetação seca parece hibernar.
Garranchos secos parecem mortos, adormecidos.
Cantando uma musica o vento e espalha folha secas
Que estalam deslizando pelo chão
Um redemoinho levanta pequenos ciclones, que parecem levá-las para passear.
Até muito alto e descem flutuando por todo lado

Quem está descansando, após um árduo dia de trabalho
Naquele instante, só ouve o zumbido de uma mosca verde
Que insiste em dar voos rasantes em sua volta
Queimou goivaras no sol escaldante, fumaça que desapareceu no horizonte.
E olhando na imensidão daquele lugar!
Imagina a plantação que acabava de fazer
Lavrou o solo, jogou a semente, o suor derramou.
Agradecendo num gesto solene
Tirou o chapéu
Olhou para cima, estendeu o braço!
Reverencia, pedindo a proteção do Senhor.

Mês de setembro, inicio da primavera, hora de renascer.
Nuvens se aproximam ameaçadoramente
De repente um estrondo, trovões rugem na vastidão das montanhas
O céu parece rachar e rasgar
Uma luz corta o ar, desce para fertilizar a terra
Pingos fortes descem sucessivamente, vão se chocando ao solo
Uma ventania parece levar tudo, e passeia fortemente dentre as arvores
Retorcendo-as e quase as levando de encontro ao solo
Folhagens, quebra de galhos, arvore quebradiças
Açoitadas pelos ventos fortes, que esborrifam água
Por todo lado, num cenário ameaçador

Passando o primeiro momento, o céu se deságua em cortinas de chuva
Inundando tudo. Agora cai mansa insistente
A noite, através do velho telhado
Vêem-se os clarões
A chuva avança na madrugada
As águas derramam na bica transbordando os tanques
Que logo se trasbordam as fenda
Que transbordam os córregos
Que transbordam o lago
E descem para o rio, que ruge em direção ao mar
Levando entulhos, troncos, e descem as águas
Caudaloso rio, quebrando barrancos, lambendo as rochas
Espumando, das águas barrentas
Algum tempo depois, não sei quanto tempo
Não sei se horas, se dias, se meses
Só sei que a vida brota, o verde aparece, as folhas e as flores orvalhadas
Enfeitam as arvores que renascem
Outro anoitecer, vaga-lumes piscando na noite
Coaxar de sapos nas lagoas, tamborilando de diversas maneiras para o acasalamento
Na madrugada o corujão com seu canto misterioso
Transforma a noite num cenário de ilusões

Numa manhã, o solo devolve as nuvens
Que parecem brotar das montanhas na vastidão do horizonte
Levando-as de volta para o céu
O sol acorda com um brilho diferente
Lançando os seus raios dourados na manhã
Os pássaros cantam, os animais nascem sadios
As abelhas e borboletas perpetuam as espécies
Com o néctar retirado das flores
Como a beija-flor solitário, que com seus silvos anuncia sua presença
E logo some velozmente à procura de novas flores

Os lagos,  os rios agora enfeitados de linda vegetação
Renascem apresentando toda a beleza de plantas aquáticas que florescem
E aves que passeiam com suas longas pernas em busca de alimento para seus filhotes
As libélulas voam sob a água, dando toques sutis
Até o solitário gavião, espreita encima do galho seco, toda aquela beleza
Assim sim, assim foi... assim será... Será?
E nós? Será que nós não sabemos?
Que de onde nós viemos...
Que se a natureza não preservar
O futuro parece parar
Num curto espaço de tempo
Quem sabe
Amanha nada disso haverá?


Antonio Lourenço de Andrade Filho

 Este poema retrata a alegria de viver na Caatinga, que depois de grande jornada de seca, de repente renasce transbordando de beleza em todo o seu esplendor na época das chuvas das águas, e só quem vive lá é que conhece o verdadeiro significado das chuvas e da preservação ambiental, não só de seu bioma, como também do seu povo e de seus costumes, que de maneira cruel, vão se esgotando os recursos naturais e pondo em risco toda a biodiversidade local.
Jequié
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Comentário: 

 Amigo Antonio Lourenço, sinto o tamanho da sua ternura,  seu conhecimento, compromisso, e  amor pelo meio ambiente... E fico a pensar como seria diferente a vida se políticos, governantes, universidades, jornalistas, emissoras de comunicação, redes sociais e demais formadores de opinião no mundo inteiro pensassem e agissem como você. Ao ler este teu poema ecológico CHUVA DAS ÁGUAS NAS CAATINGAS percebo extasiada a explosão da vida que teima em renovar-se apesar do homem. Para logo quedar-me estarrecida a partir do verso:  Assim sim, assim foi... assim será... Será?



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