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quinta-feira, 18 de maio de 2017

O CAOS NOSSO DE CADA DIA - Geraldo Carneiro

O caos nosso de cada dia 


Ultimamente assisti a dois documentários admiráveis. O primeiro, de Camila Pitanga e Beto Brant, sobre Antonio Pitanga, um dos maiores ícones do cinema brasileiro. O segundo se chama “Cinema Novo”, de Eryk Rocha, e ganhou o prêmio de melhor documentário no último Festival de Cannes.

Ambos são filmes de amor. “Pitanga”, de amor à vida; “Cinema Novo”, de amor ao cinema. E os dois se entrelaçam: Antonio Pitanga é o ator que mais aparece em “Cinema Novo”. Sem a sua presença, não haveria tanta força poética em “Barravento”, primeiro longa de Glauber Rocha, nem em “A Grande Cidade”, de Cacá Diegues. Pitanga deu corpo e alma ao Cinema Novo, inaugurado por Nelson Pereira dos Santos e agora recontado por Eryk com poesia e paixão.

O problema é que, além da admiração, tenho grande amizade tanto por Pitanga, quanto por Eryk. É aí que mora o perigo.
Sempre que me encontro com Eryk, por exemplo, temos a compulsão de ir ao botequim, encher a cara e trocar ideias até as quatro da manhã. Fazemos planos para as próximas encarnações, sonhamos com aventuras cinepoéticas, que já nos renderam um filme chamado “Miragem em abismo”. Nem tivemos tempo de exibi-lo direito, porque estamos sempre pensando no próximo.

Com Pitanga, a barra também é pesada. Somos amigos desde os anos 70 e, sempre que nos reencontramos, é como se a conversa tivesse parado na véspera. Sem falar que, ao rever um amigo, a gente se sente tão feliz que é capaz de fazer coisas extraordinárias, às vezes desastrosas. 

Num desses reencontros, nos anos 80, o Pitanga me convidou para jogar uma pelada no campo do Chico Buarque, no Recreio. Claro que topei. Esclareço que já fui craque da pelota — infelizmente, só na imaginação. Aos 10 anos, supunha que era capaz de fazer as jogadas do Pelé ou do futuro Neymar. Na realidade, era um perna de pau. Fui sendo rebaixado ao longo de um ano de carreira, de gênio criativo a zagueiro de baixo nível. Acabei expulso não só de meu time, como também do campo, porque, não bastasse a falta de talento com a bola, me faltava compostura.

Provavelmente o fracasso me subiu à cabeça, tanto que eu não me lembrava mais do passado e estava de novo ali, pronto para entrar no gramado contra o time do Chico, o lendário Polytheama, que, segundo a crônica esportiva, jamais perdeu em casa.

O jogo começou. Assumi a lateral direita e, como jogador moderno que supunha ser, comecei a apoiar constantemente o ataque. Depois dos dez minutos de jogo, no entanto, vi tudo preto ao meu redor. Também havia me esquecido que passara os últimos 15 anos sem fazer qualquer exercício físico, a não ser os imprescindíveis. Fui retirado, de maca, e deitado à margem do campo, de onde assisti à vitória do Polytheama e ao enterro de minha última quimera.

Pitanga outro dia operou o joelho, mas tenho certeza de que continuará brilhando nos campos do cinema e do futebol. E o Eryk é sempre a nossa esperança de posteridade cinematográfica.

O Globo, 14/05/2017


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Geraldo Carneiro - Sexto ocupante da Cadeira 24 da ABL, eleito em 27 de outubro de 2016, na sucessão de Sábato Magaldi e recebido em 31 de março de 2017 pelo Acadêmico Antonio Carlos Secchin.

TRÁFICO DE CRIANÇAS É ABORDADO ATRAVÉS DE MALAKAY ESCRITO PELO AUTOR DARIEL ALVES PACHECO


Nascido em Uberlândia (MG), Dariel Pacheco é apaixonado por leitura, literatura e poesia. O gosto pela leitura veio cedo graças à indicação de seu grande amigo de infância Rodrigo Batista, que o acompanha até hoje e o ajuda a compor suas histórias. O primeiro livro lido,O mundo de Sophia, abriu uma janela para um mundo de ideias.

“Fizemos um estudo em vários veículos da mídia e notamos que o fato, mesmo sendo alarmante e real, é pouco abordado.”

  Boa Leitura!

 Escritor Dariel Alves Pacheco, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos o que o inspirou a escrever “Malakay”?

Dariel Alves Pacheco – A inspiração veio pelo gosto da leitura; sempre gostei de livros dos mais diversos temas: aventura, ficção, romances. Adoro analisar os traços de leitura, o modo como cada escritor faz sua dissertação. Logicamente que alguns fatos ocorridos na minha vida colaboraram para esta aventura.

Descreva o enredo que compõe a obra.

Dariel Alves Pacheco – O livro conta as aventuras de Dominic, um web designer que tem uma vida comum, mas devido a um fato inusitado ele se vê em meio a uma rede de tráfico de crianças por membros da Igreja. Em suas aventuras, Dom conhece várias pessoas interessantes, como o policial Gregory. Dom descreve suas aventuras amorosas, e também seu lindo amor por sua primeira namorada, Solaris. Em uma aventura de tirar o fôlego, Malakay traz a triste realidade sobre o tráfico de crianças, existente no mundo.

De que forma o tráfico de crianças está sendo abordado na obra?

Dariel Alves Pacheco – Fizemos um estudo em vários veículos da mídia e notamos que o fato, mesmo sendo alarmante e real, é pouco abordado. Com base em alguns artigos enaltecemos os fatos e os enquadramos em meio ao enredo, para que de certa forma sirva de “puxão de orelha” para nossas autoridades e também para nossa sociedade.

Quais os principais desafios para escrita de “Malakay”?

Dariel Alves Pacheco – O maior desafio foi como enquadrar os fatos no enredo. Para não ficar tão científico e monótono e não ter cara de livro investigativo, como destacado, toda a parte que envolve a questão religiosa é uma fábula, criada apenas para aumentar a aventura da história.

O que mais o encanta nesta obra literária?

Dariel Alves Pacheco – Acho que o fato de o personagem principal demonstrar, mesmo em meio à aventura, seus sentimentos aflorados, a forma que ele, mesmo sem jeito, consegue conquistar a pessoa que sempre admirou, mas nunca imaginou ter um relacionamento.

Como foi a escolha do título?

Dariel Alves Pacheco –  Estudamos também sobre seitas religiosas, de onde vêm seus nomes, e vimos que na maioria das vezes os nomes são baseados em origem, doutrina e influência; cruzamos esses fatos e chegamos a esse nome.

Onde podemos comprar seu livro?

Dariel Alves Pacheco – O livro está em pré-venda pela Nova Editorial, e está sendo liberado para envio a partir do dia 20/04/2017, entregue para todo o Brasil. Segue o link para aquisição:

https://www.novaeditorial.com.br/livros/ficcao/pacheco-dariel-malakay-livro/

Quais os seus principais objetivos como escritor?

Dariel Alves Pacheco – Penso que quanto mais eu escrever, quanto mais cada um de nós puder divulgar o hábito da leitura, melhoraremos como pessoas, pois é comprovado cientificamente que a leitura, ou a literatura, faz bem para nosso cérebro. E por meio dela podemos treiná-lo para ser cada vez melhor em atividades que exigem compreensão e concentração. Logo, vários estudos concluem quea forma de leitura afeta o cérebro,e podem indicar formas de treiná-lo para ser cada vez melhor em atividades que exigem compreensão e concentração. Leitura é combustível inesgotável para a imaginação. Ler eleva a autoestima, e a leitura desconhece a solidão, pois nos permite estar sempre acompanhados.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor “Malakay”, do escritor Dariel Alves Pacheco. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Dariel Alves Pacheco – A leitura nos ajuda para a vida; com ela, entendemos melhor as coisas, aprendemos sobre vários assuntos, ficamos sempre bem atualizados. Em um mundo totalmente globalizado o hábito da leitura nos ajuda em vários aspectos: no trabalho, no amor, nos esportes... Está tudo emaranhado em uma teia, ligando e conectando nossas vidas com o restante do mundo.

  
Por Shirley Maria Cavalcante (SMC)


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divulga@divulgaescritor.com

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JANOT: NOVA AÇÃO DA LAVA JATO TEM GOSTO AMARGO PARA MP

Procurador-geral da República enviou mensagem sobre operação que mira procurador,Temer e Aécio
Márcio Falcão
18 de Maio de 2017



Após deflagrar uma das mais fortes fases da Operação  Lava Jato, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou mensagem nesta quinta-feira (18/5) para procuradores e  servidores da PGR sobre a nova fase da Lava Jato afirmando que a ação tem um gosto amargo para o Ministério Público Federal.

Janot esclareceu o pedido de prisão do procurador Ângelo Goulart devido ao seu suposto envolvimento em irregularidades com a JBS investigada pela Operação Greenfield. Essa operação apura esquema de corrupção em fundos de pensão.  Goulart teria negociado propina para vazar informações referentes à JBS. Ele teria repassado informações privilegiadas à JBS sobre apurações em andamento. O chefe do MP esclarece que há robustas provas contra o colega.

Além da prisão do procurador, a Lava Jato tem os pedidos de prisão do senador Aécio Neves (PSDB-MG), do deputado Rocha Loures (PMDB-PR), considerado braço direito do presidente Michel Temer e seus afastamentos do mandato. O STF ainda autorizou o afastamento dos políticos de seus mandatos.

Veja a íntegra da mensagem:

“Prezados colegas,

Foi deflagrada nesta quinta-feira, 18 de maio, mais uma fase do caso Lava Jato, especificamente a partir de investigações que correm perante o Supremo Tribunal Federal. O sucesso desta etapa, contudo, tem um gosto amargo para a nossa Instituição.

Há três anos, revelou-se um esquema criminoso que estarrece os brasileiros. As investigações realizadas pelo Ministério Público Federal e outros órgãos públicos atingiram diversos níveis dos Poderes da República em vários Estados da Federação e, aquilo que, até então, estava restrito aos círculos da política e da economia, acabou chegando à nossa Instituição.

Exercer o cargo de Procurador-Geral da República impõe, não poucas vezes, a tomada de decisões difíceis. Nesses momentos, o único caminho seguro a seguir é o cumprimento irrestrito da Constituição, das leis e dos deveres institucionais. Não há outra forma legítima de ser Ministério Público.

A meu pedido, o ministro Edson Fachin determinou a prisão preventiva do procurador da República Ângelo Goulart Villela e do advogado Willer Tomaz. A medida está embasada em robusta documentação, coletada por meio de ação controlada. As prisões preventivas de ambos foram por mim pedidas com o objetivo de interromper suas atividades ilícitas. No que diz respeito ao procurador da República, o mandado de prisão expedido pelo STF foi executado por dois procuradores regionais da República com o auxílio da Polícia Federal. Também foram realizadas buscas e apreensões em seus endereços residenciais e funcionais. Foi pedido ainda o afastamento do procurador de suas funções no Ministério Público Federal. Determinei também sua exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao TSE e revoguei sua designação para atuar na força-tarefa do caso Greenfield.

O membro e o citado advogado são investigados por tentativa de interferir nas investigações da referida operação, que envolve o Grupo J&F, e de atrapalhar o processo de negociação de acordo de colaboração premiada de Joesley Batista.

A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação de hoje será demonstrada no curso do processo perante os juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais.

Como Procurador-Geral da República, cumpri meu dever institucional e adotei as medidas que a Constituição e as leis me impunham.

Sigamos confiando nas instituições republicanas.”




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quarta-feira, 17 de maio de 2017

NOTAS TRISTES – Por Helena Borborema



Notas Tristes


          O sino da Igreja Matriz de São José batia dolente, vagaroso, dando a notícia. Duas baladas vagarosas, pausa, mais outra badalada, se era homem; duas rápidas e uma vagarosa, se mulher. Pelo comunicado sonoro, a cidade ficava sabendo: morreu um de seus habitantes. A Igreja tinha a missão de anunciar pelo seu sino, a todos os fiéis, a morte de um de seus membros. O som do bronze que ressoava era triste, enchendo as pessoas de uma sensação de saudade daquele que se foi, mesmo um desconhecido. Como não havia telefone, nem rádio para divulgar, horas mais tarde um encarregado da família do morto ia de rua em rua, batendo de porta em porta, para entregar uma carta tarjada de preto. Dentro desta estava impresso em negrito a participação do óbito e o convite para o sepultamento, dizendo a hora e o local da saída do féretro. Estas cartas eram também coladas nos postes das ruas. Não havia na cidade quem não tivesse conhecimento do ocorrido. Na mesma semana repetia-se o ritual da entrega em domicílio de outra carta-convite para a missa de sétimo dia. Era a Itabuna da confraternização.

          Na minha meninice, alguns enterros e velórios tiveram particularidades que fizeram com que eu não os esquecesse.Uma delas foi no enterro do filho do Sr. Narciso, um vizinho nosso. O morto era um rapaz de uns dezoito ano e do fato só me lembro da saída do cortejo, que foi na minha rua. Uma grande multidão e a banda de música a tocar uma marcha fúnebre, cuja tristeza me impressionou. Aquele som ficou gravado em meus ouvidos de tal forma que, embora passados tantos anos, ainda o escuto quando me recordo da cena.
  
          Outra experiência triste foi os dois velórios aos quais a minha curiosidade me levou. Ainda na minha rua, morreu uma menina de uns dez anos. Eu tinha menos idade do que ela, uns sete, talvez. As nossas casas ficavam bem perto uma da outra. À tardinha, vi o movimento da casa enlutada, um entra-e-sai de gente, a chegada de bandejas de flores. Fiquei impressionada. Meninas também morriam. Aquela eu conhecera em vida, bonitinha, alva, cabelos negros ondulados e compridos. Nunca brincamos juntas, mas eu a conhecia, por isso fiquei triste.

          O enterro seria no dia seguinte pela manhã, ouvi dizer. Mas à noite, o que estaria ocorrendo? De mansinho, logo após o jantar, saí cautelosamente e corri para ver como era um velório. Entrei na casa sem que alguém desse pela minha presença. Estava tudo tão calmo, que logo acalmei também a minha curiosidade. O ambiente era quase de silêncio, falava-se baixo. Várias pessoas amigas, familiares tristes choravam baixinho e, na sala de visitas,, o caixão branco com a menina dentro, vestida de cetim branco em forma de túnica, os cabelos pretos sobre os ombros. Parecia dormir. Flores por todos os lados exalavam um perfume, que de mistura com o cheiro de velas acesas davam aquele odor característico de velório, de morte. Involuntariamente, deixei-me envolver por aquele odor e uma tristeza foi vagarosamente tomando conta de mim. Sem me dar conte, senti-me também parte daquele momento.
  
          Sentei-me numa cadeira e, silenciosa, me pus a olhar o trabalho que três mulheres executavam em torno da mesa da sala de jantar. Elas cortavam pequenas estrelas de papel prateado, que iriam adornar uma tira de cetim azul estendida sobre a mesa. Era uma espécie de manto  que iria revestir o corpo da menina, pois ela era um anjo do Senhor, ouvi o comentário. Quedei-me quieta a olhar com unção o manto de um anjo. Será que ela já está voando diante de Deus? De que seriam as penas das asas? Fiquei a imaginar. Deviam ser de penugem de galinha, porque são macias e leves. Logo me arrependi do pensamento. Era pecado pensar que anjo tivesse asas de penugem de galinha e que também nem era alva. Asas de anjo eram de algodão, alvas e macias como a dos anjos de procissão. E continuei quieta a olhar as estrelinhas prateadas que, uma a uma, iam caindo da ponta das tesouras, vendo a menina de túnica branca e manto azul estrelado cantando ciranda com um bocado de outros anjos no céu.

          O segundo velório foi de um menino cujos pais moravam na beira do rio, na atual Avenida Francisco Ribeiro Jr. Não sei mais quem me levou até lá. Este foi à tarde, e me impressionou porque nunca tinha visto se tirar retrato de defunto. Dentro do caixão destampado, o anjinho, como chamavam, estava pálido, cor de cera, e o fotógrafo a tirar sua fotografia. Vez por outra algumas famílias se davam a essa ideia mórbida de fotografar o ente querido dentro do esquife. Algumas até penduravam o retrato na parede.

          Muitos costumes passaram – ainda bem -, como o de dar banho no morto. Foram desaparecendo, com a evolução do tempo, modernidade dos conceitos e até dos sentimentos. O luto perpétuo das viúvas desapareceu. A mulher que perdia o marido se cobria de preto até o fim da sua vida, apenas podia aliviar o luto depois de muitos anos, com cores bem sóbrias. As cartas tarjadas de preto foram substituídas pelos comunicados rápidos e informais do rádio e do telefone. Os sinos já não tangem mais, plangentes, aos finados. A Igreja modernizou os seus cantos e rituais, hoje alegres e cheios de esperança na felicidade do céu, sem a solenidade lúgubre da  essa e do “miserere” das missas de antigamente, quando um catafalco coberto de preto era armado em frente ao altar e o sacerdote, também todo paramentado de preto, aspergia água benta, cantando em latim o “De profundis”.
  
          Atualmente, numa missa de finados todos cantam e se sentem confortados com a esperança na felicidade futura junto de Deus. Não se chega aos extremos dos fundamentalistas islâmicos que, além de se tornarem príncipes, os homens ainda encontram um harém de belas mulheres no céu de Alá. A nossa crença não chega a tanto, mas nos conforta profundamente. Até a cidade dos mortos, o Campo Santo, já não é hoje lugar de aspecto tão doloroso como antigamente. Em algumas cidades, basta se visitar um “Jardim da Saudade” para se sentir a imensidão da paz.

(RETALHOS)
Helena Borborema

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A TELMO PADILHA

          Poucas semanas antes de empreender a sua grande viagem, encontrei-me casualmente com o poeta Telmo Padilha, nas imediações da Praça Otávio Mangabeira, aqui na cidade. Na ligeira e amena conversa de encontro amigo, notei amargura em seu coração. Não que ele falasse de tristeza, eu é que a senti na sua alma. Nesse ligeiro encontro, ele perguntou-me por que eu não escrevia alguma coisa sobre Itabuna do passado, ligada às minhas lembranças de quando menina. A ideia não me animou. Fiz-lhe ver que isso de escrever ficava para os escritores e poetas, o que não era o meu caso. Ele insistiu. Nos despedimos. Não demorou e veio a tragédia da sua morte. Talvez por sentimentalismo a lembrança do seu pedido, para mim o “último” me acompanhou. Daí a razão
destas páginas de “Retalhos” em sua homenagem, escritas com a simplicidade com que os olhos e a alma de uma menina viram e sentiram a vida transcorrer no dia-a-dia da sua cidade.

          Ao amigo Telmo Padilha, inteligência que honra a nossa terra, enche os seus conterrâneos de orgulho, sensibilidade de grande artista das letras, que conseguiu através de suas belas poesias transmitir aos corações dos que as leem momentos de satisfação espiritual, o meu agradecimento pela bondade do seu incentivo, que me fez preencher horas ociosas com o prazer de recuar no tempo e voltar a uma infância lembrada com ternura.


Helena

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CARTA DE SETH

Carta de Seth

 Seth é o anjo interpretado por Nicholas Cage no filme Cidade dos Anjos ...

Sou feito de sentimentos, emoções, de luz, de amor. Sou a voz que ouves quando pedes um conselho, sou quem te toma nos braços quando necessita... Talvez, agora, enquanto lê essas palavras, eu esteja aí, ao teu lado, olhando dentro dos teus olhos como quem quisesse enxergar o que teu coração demonstra... Mais tarde... à noite, quando te deitas... Sou quem nina teus sonhos sentado ao teu lado esperando enquanto dormes... Dizendo que tudo vai ficar bem. Se ao menos pudesses me perceber, se notasse o que sinto ao teu lado. Basta quereres, basta por alguns instantes esquecer teus problemas, fechar os olhos, como se nada mais existisse, e me deixar chegar perto de ti... Abraçar-te...

Sinta meu coração batendo ao compasso do teu... Sinta que não está só, nunca esteve! Apenas esqueceste de olhar mais com os olhos do teu coração... Então abra os olhos... Veja os meus... Me conheça. Ah... Quem sou eu pra pedir que me notes? Apenas um anjo que se entrega, se rende... Se deixa levar por emoções, que desconhece o que é errado... Apenas um anjo vagando por estrelas, nuvens, pelo céu escuro da noite... Olhando pelos outros, despertando amores, anseios, paz nas almas que fraquejam! Sentado ali de cima te olhando... Observando-te... Deixando, às vezes, uma lágrima cair para se fazer uma gota de orvalho que beijará teus lábios... Lágrima essa por não poder nada mais que apenas te ver... Sentir-te... Sem poder te tocar.

Manifesto-me para ti através de pequenas gestos, como um sorriso sincero nos lábios de alguém que não conheces, o toque de uma criança a te fazer carinho... Palavras escritas nas páginas de um livro que te chamam atenção, palavras que mexem e emocionam o coração... Ditas do nada, como um sussurro em teu ouvido... E se um dia uma brisa leve e suave tocar teu rosto, não tenhas medo, é apenas minha saudade que te beija em silêncio.

Os humanos têm um hábito muito peculiar de julgar seus semelhantes pela aparência, de rotular pessoas as quais nunca viram... Apenas pelo modo como ela se apresenta... Me assusto algumas vezes ao perceber como o ser humano permite se enganar com embalagens, com invólucros! Deixa muitas vezes de ter ao lado verdadeiros tesouros... Amizade sincera, lealdade, companheirismo... Simplesmente por não ter gostado do rosto do indivíduo. Imagine uma roseira cheia de espinhos, ninguém acreditaria que dela pudesse brotar uma rosa tão bela, sensível e delicada! É do interior que nascem as flores. Pude conhecer teu interior... Deparei-me com uma flor linda... E com muitas qualidades.

Muitas vezes é melhor sermos o que realmente somos... A viver como as pessoas acham que deveríamos ser... Não existe ninguém melhor ou pior que ninguém...

Apenas diferentes umas das outras e são essas diferenças que mostram quem realmente ela são. Fico assim... Dizendo coisas que me aparecem dentro do peito, contando o que se passa em mim,  como se estivesse desabafando...

Deus fez os anjos para cuidar dos seres humanos, mas quem cuidará de nós? Continuarei aqui... Meio que escondido, ao teu lado, te olhando, te sentindo... Esperando que um dia deixes seu coração “olhar” e me ver...

Finalmente eu poderia te mostrar o quanto és especial pra mim. Tento traduzir emoções que nunca senti antes, algo realmente novo pra mim... Sincero... Verdadeiro!

Tu és um poema deixado no ar, palavras implorando para viver! Tu és como aquela estrela que o dia não vê... Que espera a noite chegar para poder brilhar no céu! E quando entoas uma canção de amor saiba que ela contem as doces palavras  que sempre sussurro ao teu coração.


Enviado por: " Gotas de Crystal" gotasdecrystal@gmail.com

(Autor não mencionado)

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SILVANO E CARLA FAZEM A SEXTA SUPER MUSICAL NA AABB ITABUNA

Carla Valleria e Silvano Gonzaga na Cabana do Tempo


Nessa sexta-feira, 19/05, tem Silvano Gonzaga e Carla Valleria na Cabana do Tempo. É a AABB Itabuna oferecendo música e receptivo de qualidade, resgatando o prazer de sair à noite na cidade.

Como sempre, no horário da Sexta Super Musical a entrada é livre para todos, sócios ou não. Até o estacionamento dentro do clube é liberado para maior conforto e segurança de todos. Pode levar os amigos, a família e até as crianças, já que elas contam com playground e áreas verdes para brincar junto da Cabana, à vista dos pais.

“Os bares e restaurantes da AABB são próprios, administrados pelo clube”, informa o vice-presidente João Xavier. Nas mesas os garçons oferecem um cardápio atraente, com tira-gostos e bebidas prontos e preparados na hora. “E além dos preços serem menores que em outras casas de padrão da cidade, a AABB não cobra couvert artístico nem 10% de gorjeta”, destaca Raul Vilas Boas, vice-presidente social.
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A AABB Itabuna fica na Rua Espanha s/n, travessa da Av. Europa Unida, no São Judas. Quem vem do litoral, o acesso é pela Ponte Calixto Midlej (Vila Zara). E quem vem do interior, Beira-Rio via Shopping e bairro Conceição. Os telefones do clube são (73) 3211-4843 e 3211-2771 (Oi fixo).

Contato – Raul Vilas Boas: (73) 9 8888-8376 (Oi) / (73) 9 9112-8444 (Tim)

Assessoria de Imprensa – Carlos Malluta: (73) 9 9133-4523 (Tim) / (73) 9 8877-7701 (Oi)

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terça-feira, 16 de maio de 2017

MENSAGEM DE FÁTIMA — MAIS ATUAL QUE NA ÉPOCA DAS APARIÇÕES NA COVA DA IRIA UM SÉCULO ATRÁS

16 de maio de 2017

Revista Catolicismo, Nº 797, maio/2017

Sobre o tema da Mensagem de Fátima — particularmente das grandes questões que afligiram a Igreja e o mundo ao longo dos 100 anos desde a primeira aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos —, Catolicismo publicou em outubro de 2016 uma entrevista de nosso colaborador Benoît Bemelmans com o conceituado especialista no assunto, Dr. Antonio Augusto Borelli Machado.

Para esta edição, especialmente consagrada ao Centenário de Fátima, obtivemos desse especialista outra entrevista que complementa a anterior. Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, o Dr. Antonio Augusto Borelli Machado dedicou a maior parte de sua vida ao apostolado leigo católico nas fileiras da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), e hoje no Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. É autor do best-seller As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, obra difundida nos cinco continentes e que já ultrapassou os cinco milhões de exemplares.

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“Nossa Senhora descreve os numerosos desdobramentos do castigo que se abaterá sobre a humanidade. A muitos desses acontecimentos já assistimos, mas outros continuam pendentes”

Catolicismo — Por que o senhor se interessou tanto pela Mensagem de Fátima?

Antonio Borelli Machado  Com 16 anos de idade, eu era dirigente da seção masculina da Cruzada Eucarística Infantil de uma Paróquia em São Paulo. Como encarregado da pequena biblioteca da associação, tomei conhecimento da obra sobre Fátima do Pe. Ayres da Fonseca S.J., já em segunda edição em Portugal, e que chegara em 1947 no Brasil. Ao ler o livro, recebi a grande graça de entender que o ponto central da mensagem de Nossa Senhora era que a humanidade se encontrava tão gravemente desviada das vias do Evangelho e dos Dez Mandamentos da Lei de Deus, que um castigo devastador desabaria sobre o mundo se os homens não se voltassem para Deus e fizessem penitência de seus pecados. A perspectiva desse castigo tornou-se então o foco principal das minhas preleções aos meninos da Cruzada.
Em 1953, outra grande graça veio complementar a primeira: colegas da universidade me puseram em contato com o grupo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que desenvolvia uma atuação em inteira consonância com a Mensagem de Fátima, em vista da plena restauração da civilização cristã no Brasil e no mundo. Nessa batalha, de muito maior porte que eu jamais teria imaginado, me engajei desde então até os dias de hoje.

Catolicismo — Estamos agora comemorando o 100º aniversário das aparições. De que forma a Mensagem de Fátima ainda é válida, para nós, hoje em dia?

Antonio Borelli Machado — Na segunda parte do segredo, Nossa Senhora descreve pormenorizadamente os numerosos desdobramentos do castigo que se abaterá sobre a humanidade. A muitos desses acontecimentos já assistimos — como a Segunda Guerra Mundial, a disseminação do comunismo pelo mundo, etc. — mas outros continuam pendentes. Sobretudo o seu desfecho, sintetizado por Nossa Senhora com as auspiciosas palavras: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”. Portanto, o feliz desfecho da profecia de Fátima ainda não se deu. A mensagem de Fátima continua de pé, e precisamente no que ela tem de mais extraordinário, que é o triunfo do Imaculado Coração de Maria, com a sua coorte de fatos grandiosos, nem sequer imagináveis por nós.

“A Mensagem de Fátima continua de pé, e precisamente no que ela tem de mais extraordinário, que é o triunfo do Imaculado Coração de Maria, com a sua coorte de fatos grandiosos”
Catolicismo — O que o senhor acha das pessoas que pensam que a mensagem da Virgem Maria não foi completamente revelada?

Antonio Borelli Machado — Em concreto, especulava-se, não sem fundamento, que o 3° Segredo se referia à chamada “crise na Igreja”. Sucede que o texto do 3° Segredo, afinal revelado no ano 2000, decepcionou quem esperava uma menção formal à responsabilidade das mais altas autoridades eclesiásticas por essa crise.
Ocorre que os dirigentes máximos da Igreja, reunidos no Concílio Vaticano II, tinham se proposto como meta pastoral uma reconciliação da Igreja com o mundo moderno, meta essa enunciada oficialmente por João XXIII no discurso de abertura, e formalizada na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, promulgada pelo Concílio. Ora, essa meta se chocava de frente com o Segredo de Fátima, que nos apresenta um mundo prestes a ser destruído pelo fogo que um Anjo despedia, com uma espada flamejante, em direção à Terra. Em seguida, os pequenos videntes vêm o mundo semidestruído… Um mundo assim destinado a ser reduzido a ruínas pelo fogo do Céu não era absolutamente um mundo com o qual a Igreja devesse estabelecer boas relações…
Assim, analisado com atenção e profundidade, o texto do 3° Segredo contém os elementos necessários e suficientes para que os fiéis julgassem — sempre com o devido respeito e objetividade — as medidas de carácter pastoral tomadas pelas mais altas instâncias da Igreja, as quais não estão protegidas pelo carisma da infalibilidade.

Catolicismo — Quais são as diferenças entre Fátima e Lourdes?

Antonio Borelli Machado — Fátima nos apresenta um desfecho glorioso para a Igreja e a humanidade, com um final de esplendor, indicado pela frase de Nossa Senhora: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. Mas o contexto todo da profecia é o anúncio de um grande castigo que se abaterá sobre a humanidade e as nações. Basta ter presente a frase constante da segunda parte do Segredo: “Várias nações serão aniquiladas”…
Nas aparições de Lourdes, pelo contrário, predomina o sorriso de Nossa Senhora, que assim manifesta o seu regozijo pelo dogma da Imaculada Conceição proclamado quatro anos antes (1854).

“O contexto todo da profecia é o anúncio de um grande castigo que se abaterá sobre a humanidade e as nações. Basta ter presente a frase: “’Várias nações serão aniquiladas’”

Catolicismo — Muitos comentaristas estão dizendo que há uma grande crise na Igreja. O senhor vê alguma conexão entre a crise atual e as aparições de Fátima?
Antonio Borelli Machado — O essencial a respeito já foi dito na resposta à terceira pergunta. Bastaria acrescentar que essa crise na Igreja não se reduz a aspectos doutrinários divergentes que produzem uma divisão concreta entre os fiéis, partidários de uma ou outra posição. E atinge até os mais altos páramos da Igreja, produzindo nos quadros da Hierarquia eclesiástica a remoção de partidários de uma posição e sua substituição por seguidores da outra corrente. Isso sempre foi assim nos dois mil anos de História da Igreja e se nota também nos dias presentes… Seja como for, Fátima assegura a vitória final, em nossa época, aos seguidores da ortodoxia católica, sob o manto da Virgem Maria.

Catolicismo — Fala-se em certos ambientes que a Rússia, onde uma vez se instalou o comunismo, hoje redescobriu a identidade cristã… O que o senhor acha disso?
Antonio Borelli Machado — O redescobrimento da identidade cristã supõe não só a derrota do comunismo como a recuperação da unidade eclesial e religiosa. A graça de Fátima, que focaliza a Rússia de modo tão especial — a Santíssima Virgem mencionou especificamente a conversão dessa nação —, traz em seu bojo as graças que tornarão possível a reconstituição da unidade entre a igreja do Oriente e a do Ocidente. E então haverá um só rebanho e um só Pastor, como preconizou nosso divino Redentor. Aquilo que hoje nos parece impossível, com os chacoalhos do castigo universal e as graças daí decorrentes, a união Oriente-Ocidente se imporá a todos. Qui vivra verra.

Catolicismo — Qual é o livro de referência sobre Fátima? O senhor pode dar algumas sugestões de bons livros para ler sobre o assunto?

Antonio Borelli Machado — Hoje já se encontram disponíveis em diversas línguas as seis Memórias da Irmã Lúcia que constituem a fonte primária da literatura sobre Fátima. Mais recentemente (2013) o Carmelo de Coimbra editou uma biografia atualizada da Irmã Lúcia sob o título Um caminho sob o olhar de Maria, no qual faz uso pela primeira vez de trechos inéditos do diário espiritual da vidente, e que, portanto, constitui uma leitura obrigatória. Mas muitos pesquisadores fizeram trabalhos de valor sobre o conjunto da vida da Irmã Lúcia, bem como sobre os mil aspectos que cercam as aparições e a difusão da Mensagem de Fátima pelo mundo. Considero obrigatória a leitura da obra de Frère Michel de la Sainte Trinité, em três volumes, com edições em francês e inglês. O autor esteve longo tempo em Portugal interrogando testemunhas e recolheu depoimentos preciosos que enriquecem a compreensão da Mensagem de Fátima.



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