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domingo, 13 de maio de 2018

FÁTIMA — Algumas frases para reflexão


12 de Maio de 2018
Aproximando-se a celebração do 101º aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos de Fátima, no dia 13 de maio de 1917, seguem algumas frases para refletirmos neste dia a respeito do tema do castigo providencial por Ela anunciado.

“Se os homens não se emendarem, Nossa Senhora enviará ao mundo um castigo como não se viu igual”
(Santa Jacinta de Fátima)

“O que podemos fazer para evitar o castigo anunciado em Fátima, na tênue medida em que ele é evitável? O que podemos fazer para obter a conversão dos homens, na fraca medida em que ela ainda possa ser obtida antes do castigo, dentro da economia comum da graça? O que podemos fazer para apressar a aurora bendita do Reino de Maria, e para nos ajudar a caminhar no meio das hecatombes que tão gravemente nos ameaçam? Nossa Senhora o indica: afervoramento na devoção a Ela, oração e penitência”
(Plinio Corrêa de Oliveira)

“O Senhor castiga misericordiosamente os filhos que erram. Perseverai, pois, na sua disciplina. Se Deus vos poupa o castigo e a correção, temei que vos reserve para o suplício”
(Bossuet)

“Não haverá iniquidade que não tenha o seu castigo apropriado”
(Tomás de Kempis)

“O tempo que precede o castigo esperado é a pior parte desse castigo”
(Sêneca)



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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

HÁ UM SÉCULO NOSSA SENHORA OPEROU O “MILAGRE DO SOL"

12 de outubro de 2017
Paulo Roberto Campos
Foto original feita no momento do “Milagre do Sol”
 [click nas imagens para ampliá-las]

Os céus de Portugal serviram de “púlpito” para a Providência Divina pregar ao mundo inteiro. O prêmio e o castigo! Promessas e advertências da Santa Mãe de Deus, por meio de portentosos sinais do Céu, para tocar os corações dos fiéis, mas também os corações endurecidos.

Não deixa de ser sintomático e simbólico que em Fátima, no dia 13 de outubro de 1917, Nossa Senhora tenha escolhido o “astro-rei” para realizar o “Milagre do Sol”.

Portentoso prodígio sobrenatural que Ela operou a fim de confirmar aos olhos de todos, até dos incrédulos, a grandeza e a veracidade de suas revelações, assim como a sinceridade dos três pequenos pastores de Fátima, Lúcia, Francisco e Jacinta.

Lúcia, ao descrever a Virgem Santíssima em suas Memórias, registrou de modo inspirado: “Era uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol, espargindo luz, mais clara e intensa que um copo de cristal, cheio d’água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”.1

Há na Sagrada Escritura uma referência muito evocativa à Santa Mãe de Deus: “Quae est ista quae ascendit sicut aurora consurgens pulchra ut luna electa ut sol terribilis ut castrorum acies ordinata?” (Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército em ordem de batalha? [Cant. 6,10]). A lua simboliza a sua misericórdia, enquanto o sol é o símbolo da justiça d’Aquela que é “terrível como um exército em ordem de batalha”. Veremos como no “Milagre do Sol” a justiça e a misericórdia se manifestaram em Nossa Senhora.

“Em outubro farei um milagre para que todos acreditem”

Os três pastorezinhos de Fátima, junto 
a um arco erguido pelo povo para 
marcar o local das Aparições
O “Milagre do Sol”, ocorrido durante a sexta e última aparição da Virgem Fátima [vide quadro no final deste post], foi testemunhado por aproximadamente 60 mil pessoas na Cova da Iria — local onde hoje se encontra a célebre Capelinha das Aparições.
O deslumbrante sinal do Céu não foi visto apenas pelos portugueses daquela região, mas também por pessoas provenientes de diversos pontos do país — pertencentes a todas as classes sociais, crentes e não crentes, e de todas as idades. A maioria chegou caminhando, muitos até descalços na lama, pois chovia constantemente; outros chegaram a cavalo, em charretes e automóveis, alguns até luxuosos. Nas vésperas do dia 13 de outubro, era tanta gente que se pôs em marcha rumo a Fátima, que alguns diretores de jornais portugueses, apesar de céticos, resolveram mandar correspondentes para noticiar o que de fato aconteceria.

E aconteceu o grandioso milagre, que, além de ter sido assistido pela multidão presente na Cova da Iria, foi visto por incontáveis outros portugueses, pois a manifestação do fulgor solar alcançou um raio de mais de 30 quilômetros do local das aparições.

Fato que desmentiu irrefutavelmente tanto os ateus quanto a imprensa anticlerical da época, que, mesmo tomando conhecimento daquela extraordinária comprovação da existência de Deus, procuraram espalhar a ideia de que o “acidente” não passava de “sugestão coletiva” ou de algum “efeito hipnótico”, porquanto não havia sido registrado por nenhum observatório astronômico. Ora, justamente o fato de não ter sido registrado pelos astrônomos comprova o milagre, pois o que ocorrera não foi um mero fenômeno natural…

Naquele histórico dia, a Santa Mãe de Deus cumpriu o que havia prometido aos três pequenos pastores de Fátima na quinta aparição (13 de setembro de 1917), quando afirmara: “Em outubro farei um milagre para que todos acreditem”.2

Incontáveis testemunhas fidedignas

Os portugueses que receberam a graça de presenciar o “Milagre do Sol” descreveram-no como algo apocalíptico. Muitos tiveram a impressão de que chegava o fim do mundo; rezavam o Ato de contrição ou o Credo; confessavam em voz alta pedindo perdão de seus pecados. Mesmo os ímpios que foram a Fátima apenas para desdenhar e fazer chacotas, “prostram-se por terra, entre soluços e orações patéticas”.3

O que os ateus quiseram qualificar como sendo um “fenômeno de sugestão coletiva” foi um verdadeiro e deslumbrante milagre presenciado por centenas de milhares de pessoas. Muitos testemunhos estão publicados em centenas de livros e periódicos. Como não é possível sequer sintetizá-los aqui, seguem apenas excertos de alguns depoimentos. Mesmo porque eles se repetem — uma comprovação a mais de sua veracidade, pois todos viram a mesma manifestação no sol.

Nesse sentido, iniciamos com um documento de grande valor, que constitui um dos primeiros reconhecimentos oficiais da Igreja às revelações feitas pela Santíssima Virgem aos pastorzinhos em Fátima. Ele foi redigido pela autoridade eclesiástica da região, o Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva [foto], que registrou à página 11 de sua Carta Pastoral sobre o culto de Nossa Senhora de Fátima (1930):

“O fenômeno solar de 13 de outubro de 1917, descrito nos jornais da época, foi o mais maravilhoso e o que maior impressão causou aos que tiveram a felicidade de o presenciar.

“As três crianças fixaram com antecedência o dia e a hora em que se havia de dar. A notícia correu veloz por todo o Portugal e, apesar de o dia estar desabrido, chover copiosamente, juntaram-se milhares e milhares de pessoas que, à hora da última Aparição, presenciaram todas as manifestações do astro-rei, homenageando a Rainha do Céu e da Terra, mais brilhante que o sol no auge das suas luzes.”


“O sol bailou ao meio-dia em Fátima”

Na sua esplêndida obra Nossa Senhora de Fátima — Aparições, Culto, Milagres, o Pe. Luiz Gonzaga Ayres da Fonseca, professor no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, após transcrever relatos de testemunhas, inclusive da “mídia” liberal e maçônica da época, consignou:

“Toda a imprensa periódica se ocupou largamente dos acontecimentos daquele dia, em particular do “Milagre do Sol”.
Tiveram maior ressonância os artigos do ‘O Século’ (13 a 15 de outubro de 1917): ‘Em pleno sobrenatural: as Aparições de Fátima’ e ‘Coisas espantosas: como o sol bailou ao meio-dia em Fátima’, porque o autor, AVELINO DE ALMEIDA, principal redactor do jornal, apesar da sua ostentada incredulidade e sectarismo, prestou lealmente homenagem à verdade: o que depois lhe atraiu as iras do ‘Livre Pensamento’”.4

No livro, portador do inspirado título Era uma Senhora mais brilhante que o sol — um clássico para se conhecer bem a história de Fátima —, do Pe. João M. de Marchi, I.M.C. reproduz notícia do jornal “O Dia”, de 19 de outubro de 1917, do qual extraímos um trechinho sobre o momento da manifestação solar:

“[...] Tudo chorava, tudo rezava de chapéu na mão, na impressão grandiosa do Milagre esperado! Foram segundos, foram instantes que pareceram horas, tão vividos foram!”.5

Também o Pe. De Marchi transcreve um belo relato do Dr. Almeida Garrett, então catedrático da célebre Universidade de Coimbra, redigido por solicitação do Cônego Doutor Manuel Nunes Formigão:

“[...] De repente ouve-se um clamor, como que um grito de angústia de todo aquele povo. O sol, conservando a celeridade da sua rotação, destaca-se do firmamento e sanguíneo avança sobre a terra ameaçando esmagar-nos com o peso de sua ígnea e ingente mó. São segundos de impressão terrífica”.6

“Meu filho, ainda duvidas da existência de Deus?”

Escreveu, no próprio dia 13 de outubro de 1917, o Pe. Manuel Pereira da Silva a seu colega da região da Guarda, o Cônego António Pereira de Almeida:

“[...] Numa carruagem de luxo, junto da qual se encontrava o Dr. Formigão, uma senhora de meia idade, elegantemente vestida, volta-se para um rapaz, tipo de estudante universitário, e pergunta-lhe, presa de indizível comoção: — ‘Meu filho, ainda duvidas da existência de Deus?’ — ‘Não, minha mãe’, — responde-lhe o jovem com os olhos marejados de lágrimas. ‘Não, agora é impossível!’”.7

“Caí de joelhos”. Parecia ter chegado o fim do mundo

Nossa Senhora de Fátima é outro imprescindível livro a respeito dos magnos acontecimentos na Cova da Iria, redigido pelo historiador e escritor norte-americano William Thomas Walsh, que viajou a Portugal com o objetivo de interrogar testemunhas oculares. Em seus interrogatórios, ele entrevistou pessoas que lhe disseram ter exclamado na ocasião do milagroso sinal celeste: “Ai Jesus, vamos todos morrer aqui”; “Nossa Senhora, salvai-nos!”; “Ó meu Deus, pesa-me de Vos ter ofendido”; “Ó meu Deus! Quão grande é o Vosso poder!”; “Milagre! Maravilha!”; “As crianças tinham razão!”. Muitas outras exclamações repercutiram por toda a região, de pessoas que rezaram o Confiteor imaginando que aquele seria seu último instante neste mundo. Todos desejavam beijar as mãos das três crianças, a quem chamavam de “santinhas”, ou pelo menos tocar nelas.

Após reproduzir depoimentos e entrevistas que colheu pessoalmente, narra Thomas Walsh: “Conversei com muitas, inclusive tio Marto e sua Olímpia [pais de Lúcia], Maria Carreira, duas irmãs de Lúcia [Maria dos Anjos e Glória] e muitas outras pessoas da aldeia. Todos relataram-me a mesma história com evidente sinceridade. Ao mencionarem a queda do sol tinham na voz vestígios do terror que experimentaram. O Padre Manuel Pereira da Silva forneceu-me, substancialmente, os mesmos pormenores: ‘Ao ver o sol cair em ziguezague’, disse, ‘caí de joelhos. Pensei que o fim do mundo tivesse chegado’”.8 

O sol pareceu ameaçar cair sobre a terra

O renomado escritor norte-americano, além de colher depoimentos de pessoas que presenciaram in loco o “Milagre do Sol”, reproduz também declarações daquelas que testemunharam o prodígio estando bem distantes da Cova da Iria. Eis algumas: “O poeta Afonso Lopes Vieira pôde presenciar o fenômeno, em sua residência de S. Pedro de Moel, a uns quarenta quilômetros de Fátima. Padre Inácio Lourenço contou, mais tarde, como havia visto o fato de Alburita, a dezoito ou dezenove quilômetros de distância. Contava ele, por esse tempo, nove anos de idade. Ele e mais alguns alunos ouviram o povo gritando sobressaltado na rua, diante da escola. Em companhia da professora Dona Delfina Pereira Lopes, viram, com estupefação, a rotação e a queda do sol.
[...] Repentinamente, pareceu que baixava, em ziguezague, ameaçando cair sobre a terra. Aterrado, corri a esconder-me no meio do povo. Todos choravam, aguardando, de um momento para outro, o fim do mundo’.

‘Junto de nós estava um incrédulo, sem religião, que tinha passado a manhã toda a caçoar dos simplórios que haviam feito a caminhada a Fátima para se pasmar diante de uma menina. Olhei para ele. Estava como paralisado, assombrado, olhos fitos no sol. Depois, vi-o tremer dos pés à cabeça, e, levantando as mãos para o céu, cair de joelhos gritando: ‘Nossa Senhora! Nossa Senhora!’”9

Fátima: manifestação da justiça e da misericórdia

Algumas testemunhas que tiveram a dádiva de assistir ao milagre contaram que, depois do medo de serem castigadas pelo sol e de que seria o fim do mundo, uma vez encerrada aquela manifestação portentosa, viram-se de joelhos, mas sentindo uma indizível alegria por terem sobrevivido. Durante o fenômeno muitos choraram de medo; depois de alegria, e abraçavam seus próximos. O que podemos interpretar como símbolo de justiça e misericórdia, dos castigos e dos prêmios anunciados em Fátima. Castigo, por exemplo, quando Nossa Senhora revelou, na terceira aparição (13 de julho de 1917), que “várias nações serão aniquiladas”. Prêmio, quando profetizou “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará”.

O “Milagre do Sol” nos mostra um trailer da magnitude do anunciado castigo que cairá sobre o mundo, por ordem da justiça divina, uma vez que a humanidade não se converteu como pedira a Senhora de Fátima. Mas também manifestação da divina misericórdia, um trailer da alegria daqueles que se mantiverem fiéis a Ela, com a instauração na Terra do Reino de Maria.

Em nossos conturbados dias, prenhes de ameaças de todo tipo, até de bombas atômicas que como moderníssimas “espadas de Dâmocles” pairam sobre nossas cabeças, Fátima representa, além da justiça, a esperança e a solução para os graves problemas que afligem a humanidade. Na Aparição focalizada neste artigo, a de 13 de outubro de 1917, a Santa Mãe de Deus suplicou há exatos 100 anos: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.

Com essas comoventes palavras, às quais nossos ouvidos não podem permanecer surdos, Nossa Senhora encerrou as maravilhosas e apocalípticas aparições em Fátima. Com elas encerramos também estas considerações, permitindo-nos apenas acrescentar: “Si vocem ejus hodie audieritis, nolite obdurare corda vestra” (Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações [Ps 94,8]).
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Notas:
Um caminho sob o olhar de Maria – Biografia da Irmã Lúcia Maria de Jesus e do Coração Imaculado, Carmelo de Coimbra, Edições Carmelo, Coimbra, 2013, p. 50.
A respeito, assim como para se ter uma visão de conjunto dos acontecimentos de Fátima, recomendamos a matéria de capa desta revista em maio último.
William Thomas Walsh, Nossa Senhora de Fátima, Melhoramentos, S. Paulo, 1947, p. 131.
Pe. Luiz Gonzaga Ayres da Fonseca, S.J., Nossa Senhora de Fátima, Aparições, Culto, Milagres, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1947, 2ª edição, p. 125.
Pe. João M. de Marchi, I.M.C., Era uma Senhora mais brilhante que o sol, Edição do Seminário das Missões de Nossa Senhora de Fátima, Cova da Iria, p. 168.
Id., Ib. p. 169.
Id., Ib. p. 171.
William Thomas Walsh, Nossa Senhora de Fátima, Melhoramentos, S. Paulo, 1947, p. 134.
Id., Ib. pp. 133-134.
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Sexta e última aparição: 13 de outubro de 1917*

Como das outras vezes, os videntes notaram o reflexo de uma luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira:

— LÚCIA: “Que é que Vossemecê me quer?”

— NOSSA SENHORA: “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas”.

— LÚCIA: “Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir. Se curava uns doentes e se convertia uns pecadores…”

— NOSSA SENHORA: “Uns sim, outros não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados”. E tomando um aspecto triste: “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido”.

Em seguida, abrindo as mãos, Nossa Senhora fê-las refletir no sol, e enquanto se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projetar-se no sol.

Lúcia, nesse momento, exclamou: “Olhem para o sol!”

Desaparecida Nossa Senhora na imensa distância do firmamento, desenrolaram-se, aos olhos dos videntes, três quadros, sucessivamente, simbolizando primeiro os mistérios gozosos do rosário, depois os dolorosos e por fim os gloriosos. [...]

Finalmente apareceu, numa visão gloriosa, Nossa Senhora do Carmo, coroada Rainha do Céu e da Terra, com o Menino Jesus ao colo.

Enquanto estas cenas se desenrolavam aos olhos dos videntes, a grande multidão de 50 a 70 mil espectadores assistia ao milagre do sol.

Chovera durante toda a aparição. Ao encerrar-se o colóquio de Lúcia com Nossa Senhora, no momento em que a Santíssima Virgem Se elevava e que Lúcia gritava “Olhem para o sol!”, as nuvens se entreabriram, deixando ver o sol como um imenso disco de prata. Brilhava com intensidade jamais vista, mas não cegava. Isto durou apenas um instante. A imensa bola começou a “bailar”.
Qual gigantesca roda de fogo, o sol girava rapidamente. Parou por certo tempo, para recomeçar, em seguida, a girar sobre si mesmo, vertiginosamente. Depois seus bordos tornaram-se escarlates e deslizou no céu, como um redemoinho, espargindo chamas vermelhas de fogo. Essa luz refletia-se no solo, nas árvores, nos arbustos, nas próprias faces das pessoas e nas roupas, tomando tonalidades brilhantes e diferentes cores. Animado três vezes de um movimento louco, o globo de fogo pareceu tremer, sacudir-se e precipitar-se em ziguezague sobre a multidão aterrorizada.

Durou tudo uns dez minutos. Finalmente o sol voltou em ziguezague para o ponto de onde se tinha precipitado, ficando novamente tranquilo e brilhante, com o mesmo fulgor de todos os dias.

O ciclo das aparições havia terminado.

Muitas pessoas notaram que suas roupas, ensopadas pela chuva, tinham secado subitamente.

O milagre do sol foi observado também por numerosas testemunhas situadas fora do local das aparições, até a 40 quilômetros de distância.
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(*) Antonio Augusto Borelli Machado, “As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia”, Editora Vera Cruz Ltda., 46ª edição, São Paulo, 1997, p. 56-60. A obra desse fatimólogo de renome internacional — publicada em primeira mão por Catolicismo em maio de 1967 — tornou-se um best-seller, já ultrapassou os cinco milhões de exemplares em 20 línguas, em edições em 30 países.



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domingo, 23 de julho de 2017

CHINA — “Comunistas têm medo da Virgem de Fátima”

23 de julho de 2017


      A afirmação é do cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong-Kong. Ele acrescentou que apesar de o horizonte parecer negro, o importante é recusar toda composição com o socialismo. Muitos cristãos estão presos, mas quando o regime comunista cair, esses católicos vão construir um novo país. Os católicos chineses acreditam na mensagem de Fátima e os comunistas temem o seu conteúdo. Ainda segundo o cardeal, as imagens de Nossa Senhora de Fátima estão proibidas pelo governo chinês, porque para os socialistas sua mensagem é “anticomunista”.


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sexta-feira, 14 de julho de 2017

SEM PEDIDO DE PERDÃO NÃO HÁ CONVERSÃO - Marcos Luiz Garcia

Marcos Luiz Garcia (*) 

Em 1946, a Irmã Lúcia com o Bispo de Leiria, Dom José Alves Correia da Silva


Em certo sentido este é o mês mais importante do rol das aparições de Nossa Senhora em Fátima, pois é aquele no qual Ela ditou o SEGREDO, fulcro da Mensagem de Fátima.

Muitos mistérios envolvem ainda hoje a Mensagem de Fátima, sobretudo na parte referente ao Segredo, como tentarei mostrar.

Quando a Irmã Lúcia escreveu em 1944 a terceira parte do Segredo, anotou, por ordem de Nossa Senhora, no exterior do envelope que este só poderia ser aberto em 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria.

Porém, no ano de 1957 a Santa Sé pediu que se remetesse para o Vaticano o envelope. Evidentemente, tinha o direito de pedir tal envelope, mas se a própria Santíssima Virgem mandara registrar que o mesmo deveria ser aberto pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria, por que pedi-lo três anos antes?

Além disso, é um fato histórico que o “terceiro Segredo” não foi publicado a não ser no ano 2000, e mesmo assim sob uma forma que guarda mistérios não inteiramente esclarecidos.

Quando Nossa Senhora pediu aos Pastorinhos que guardassem o Segredo, não o fez por superficialidade. Tanto é verdade que o fato contribuiu para gerar em torno dele uma expectativa enorme dos católicos de todo o mundo.

É evidente que a revelação do Segredo, se tivesse sido conduzida de forma zelosa e realmente apostólica, seria de molde a provocar grande reação nas almas. Reação essa que só poderia ser no sentido de uma conversão.

Ora, a revelação foi feita e o efeito foi praticamente nulo nas almas. Basta sair às ruas e ver a imoralidade das modas, o desbragado das indumentárias e a loucura estabelecida como normalidade.

Assim, uma Mensagem que teria sido uma alavanca extraordinária para soerguer as almas, foi completamente neutralizada.

Imaginemos que a revelação do Segredo tivesse sido acompanhada de uma grande ameaça por causa dos pecados reinantes: teria sido talvez a única maneira de despertar muitas almas do letargo. O que não ocorreu.

Há anos que, com raras e beneméritas exceções, tanto em Fátima quanto nos ambientes religiosos em geral, se dogmatiza erroneamente que Deus não castiga ninguém, que perdoa tudo e a todos. Esse procedimento incute nas almas uma convicção de que não devem temer nenhuma punição, que os Mandamentos são uma mera lista de normas sem importância, e que violá-los não determina nenhuma consequência.

Ora, afirmar isto, além de ser frontalmente contrário à doutrina católica, evita que, movidas pelo temor de Deus — o qual as Sagradas Escrituras dizem que é o início da sabedoria —, as pessoas se convertam, especialmente em seus últimos momentos nesta Terra. Portanto, tal procedimento compromete terrivelmente a salvação das almas. Explico-me com um exemplo.

Não é de hoje que temos assistido a uma seguidilha de catástrofes, tragédias, doenças etc. E nunca aparece uma menção de que precisamos converter-nos, voltarmos a praticar os Mandamentos, frequentar os Sacramentos corretamente, mudar de vida... A única conversão que certos eclesiásticos apregoam é a do abandono das riquezas, as quais devem ser “compartilhadas” para favorecer o socialismo e o comunismo.

Quase não se ouve um sermão que ataque a imoralidade. Muito menos que ataque a dessacralização. As Missas admitem, em sua maioria, um vale-tudo. Recentemente li a reportagem de um padre que promoveu em sua paróquia concurso de beleza com candidatas seminuas. Tive também de conhecimento de bispos que frequentam termas de banhos públicos. E houve até o fato de um sacerdote que celebrou missa numa praia, estendendo para isso uma toalha diretamente sobre a areia.

Enquanto tais eclesiásticos ficam inteiramente impunes, constatamos uma meticulosa investida contra sacerdotes que desejam celebrar o rito extraordinário da Missa. Por quê?

Quando acontece uma catástrofe espantosa como os terríveis incêndios que ocorreram em Portugal, exatamente no Centenário das aparições — tão mal comemorado —, somos informados que pessoas, famílias e anciãos foram devorados e carbonizados pelas chamas. Mas não aparece no noticiário, pelo menos não caiu sob meus olhos, qualquer referência a um pedido de perdão a Deus, a Nossa Senhora, uma promessa de emenda de vida, nada.

O fato de se ter difundido a falsidade de que “Deus não castiga” está na raiz dessa maneira naturalista de considerar aqueles trágicos acontecimentos. Quem responderá por isso diante de Deus?

Em face dessa trágica situação, devemos manter a esperança em Nossa Senhora e a certeza de seu triunfo. Isto é o que nos move a lutar sem descanso, sem afrouxamento, a fim de se obter esse triunfo prometido em Fátima.

         
( * ) Marcos Luiz Garcia é escritor, conferencista e colaborador da ABIM



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terça-feira, 16 de maio de 2017

MENSAGEM DE FÁTIMA — MAIS ATUAL QUE NA ÉPOCA DAS APARIÇÕES NA COVA DA IRIA UM SÉCULO ATRÁS

16 de maio de 2017

Revista Catolicismo, Nº 797, maio/2017

Sobre o tema da Mensagem de Fátima — particularmente das grandes questões que afligiram a Igreja e o mundo ao longo dos 100 anos desde a primeira aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos —, Catolicismo publicou em outubro de 2016 uma entrevista de nosso colaborador Benoît Bemelmans com o conceituado especialista no assunto, Dr. Antonio Augusto Borelli Machado.

Para esta edição, especialmente consagrada ao Centenário de Fátima, obtivemos desse especialista outra entrevista que complementa a anterior. Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, o Dr. Antonio Augusto Borelli Machado dedicou a maior parte de sua vida ao apostolado leigo católico nas fileiras da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), e hoje no Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. É autor do best-seller As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, obra difundida nos cinco continentes e que já ultrapassou os cinco milhões de exemplares.

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“Nossa Senhora descreve os numerosos desdobramentos do castigo que se abaterá sobre a humanidade. A muitos desses acontecimentos já assistimos, mas outros continuam pendentes”

Catolicismo — Por que o senhor se interessou tanto pela Mensagem de Fátima?

Antonio Borelli Machado  Com 16 anos de idade, eu era dirigente da seção masculina da Cruzada Eucarística Infantil de uma Paróquia em São Paulo. Como encarregado da pequena biblioteca da associação, tomei conhecimento da obra sobre Fátima do Pe. Ayres da Fonseca S.J., já em segunda edição em Portugal, e que chegara em 1947 no Brasil. Ao ler o livro, recebi a grande graça de entender que o ponto central da mensagem de Nossa Senhora era que a humanidade se encontrava tão gravemente desviada das vias do Evangelho e dos Dez Mandamentos da Lei de Deus, que um castigo devastador desabaria sobre o mundo se os homens não se voltassem para Deus e fizessem penitência de seus pecados. A perspectiva desse castigo tornou-se então o foco principal das minhas preleções aos meninos da Cruzada.
Em 1953, outra grande graça veio complementar a primeira: colegas da universidade me puseram em contato com o grupo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que desenvolvia uma atuação em inteira consonância com a Mensagem de Fátima, em vista da plena restauração da civilização cristã no Brasil e no mundo. Nessa batalha, de muito maior porte que eu jamais teria imaginado, me engajei desde então até os dias de hoje.

Catolicismo — Estamos agora comemorando o 100º aniversário das aparições. De que forma a Mensagem de Fátima ainda é válida, para nós, hoje em dia?

Antonio Borelli Machado — Na segunda parte do segredo, Nossa Senhora descreve pormenorizadamente os numerosos desdobramentos do castigo que se abaterá sobre a humanidade. A muitos desses acontecimentos já assistimos — como a Segunda Guerra Mundial, a disseminação do comunismo pelo mundo, etc. — mas outros continuam pendentes. Sobretudo o seu desfecho, sintetizado por Nossa Senhora com as auspiciosas palavras: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”. Portanto, o feliz desfecho da profecia de Fátima ainda não se deu. A mensagem de Fátima continua de pé, e precisamente no que ela tem de mais extraordinário, que é o triunfo do Imaculado Coração de Maria, com a sua coorte de fatos grandiosos, nem sequer imagináveis por nós.

“A Mensagem de Fátima continua de pé, e precisamente no que ela tem de mais extraordinário, que é o triunfo do Imaculado Coração de Maria, com a sua coorte de fatos grandiosos”
Catolicismo — O que o senhor acha das pessoas que pensam que a mensagem da Virgem Maria não foi completamente revelada?

Antonio Borelli Machado — Em concreto, especulava-se, não sem fundamento, que o 3° Segredo se referia à chamada “crise na Igreja”. Sucede que o texto do 3° Segredo, afinal revelado no ano 2000, decepcionou quem esperava uma menção formal à responsabilidade das mais altas autoridades eclesiásticas por essa crise.
Ocorre que os dirigentes máximos da Igreja, reunidos no Concílio Vaticano II, tinham se proposto como meta pastoral uma reconciliação da Igreja com o mundo moderno, meta essa enunciada oficialmente por João XXIII no discurso de abertura, e formalizada na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, promulgada pelo Concílio. Ora, essa meta se chocava de frente com o Segredo de Fátima, que nos apresenta um mundo prestes a ser destruído pelo fogo que um Anjo despedia, com uma espada flamejante, em direção à Terra. Em seguida, os pequenos videntes vêm o mundo semidestruído… Um mundo assim destinado a ser reduzido a ruínas pelo fogo do Céu não era absolutamente um mundo com o qual a Igreja devesse estabelecer boas relações…
Assim, analisado com atenção e profundidade, o texto do 3° Segredo contém os elementos necessários e suficientes para que os fiéis julgassem — sempre com o devido respeito e objetividade — as medidas de carácter pastoral tomadas pelas mais altas instâncias da Igreja, as quais não estão protegidas pelo carisma da infalibilidade.

Catolicismo — Quais são as diferenças entre Fátima e Lourdes?

Antonio Borelli Machado — Fátima nos apresenta um desfecho glorioso para a Igreja e a humanidade, com um final de esplendor, indicado pela frase de Nossa Senhora: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. Mas o contexto todo da profecia é o anúncio de um grande castigo que se abaterá sobre a humanidade e as nações. Basta ter presente a frase constante da segunda parte do Segredo: “Várias nações serão aniquiladas”…
Nas aparições de Lourdes, pelo contrário, predomina o sorriso de Nossa Senhora, que assim manifesta o seu regozijo pelo dogma da Imaculada Conceição proclamado quatro anos antes (1854).

“O contexto todo da profecia é o anúncio de um grande castigo que se abaterá sobre a humanidade e as nações. Basta ter presente a frase: “’Várias nações serão aniquiladas’”

Catolicismo — Muitos comentaristas estão dizendo que há uma grande crise na Igreja. O senhor vê alguma conexão entre a crise atual e as aparições de Fátima?
Antonio Borelli Machado — O essencial a respeito já foi dito na resposta à terceira pergunta. Bastaria acrescentar que essa crise na Igreja não se reduz a aspectos doutrinários divergentes que produzem uma divisão concreta entre os fiéis, partidários de uma ou outra posição. E atinge até os mais altos páramos da Igreja, produzindo nos quadros da Hierarquia eclesiástica a remoção de partidários de uma posição e sua substituição por seguidores da outra corrente. Isso sempre foi assim nos dois mil anos de História da Igreja e se nota também nos dias presentes… Seja como for, Fátima assegura a vitória final, em nossa época, aos seguidores da ortodoxia católica, sob o manto da Virgem Maria.

Catolicismo — Fala-se em certos ambientes que a Rússia, onde uma vez se instalou o comunismo, hoje redescobriu a identidade cristã… O que o senhor acha disso?
Antonio Borelli Machado — O redescobrimento da identidade cristã supõe não só a derrota do comunismo como a recuperação da unidade eclesial e religiosa. A graça de Fátima, que focaliza a Rússia de modo tão especial — a Santíssima Virgem mencionou especificamente a conversão dessa nação —, traz em seu bojo as graças que tornarão possível a reconstituição da unidade entre a igreja do Oriente e a do Ocidente. E então haverá um só rebanho e um só Pastor, como preconizou nosso divino Redentor. Aquilo que hoje nos parece impossível, com os chacoalhos do castigo universal e as graças daí decorrentes, a união Oriente-Ocidente se imporá a todos. Qui vivra verra.

Catolicismo — Qual é o livro de referência sobre Fátima? O senhor pode dar algumas sugestões de bons livros para ler sobre o assunto?

Antonio Borelli Machado — Hoje já se encontram disponíveis em diversas línguas as seis Memórias da Irmã Lúcia que constituem a fonte primária da literatura sobre Fátima. Mais recentemente (2013) o Carmelo de Coimbra editou uma biografia atualizada da Irmã Lúcia sob o título Um caminho sob o olhar de Maria, no qual faz uso pela primeira vez de trechos inéditos do diário espiritual da vidente, e que, portanto, constitui uma leitura obrigatória. Mas muitos pesquisadores fizeram trabalhos de valor sobre o conjunto da vida da Irmã Lúcia, bem como sobre os mil aspectos que cercam as aparições e a difusão da Mensagem de Fátima pelo mundo. Considero obrigatória a leitura da obra de Frère Michel de la Sainte Trinité, em três volumes, com edições em francês e inglês. O autor esteve longo tempo em Portugal interrogando testemunhas e recolheu depoimentos preciosos que enriquecem a compreensão da Mensagem de Fátima.



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