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terça-feira, 9 de novembro de 2021

REUNIÃO SOLENE DA ACADEMIA GRAPIÚNA DE LETRAS (AGRAL)




Reunião Solene da Academia Grapiúna de 

Letras - Agral


Dia 03 de novembro de 2021, em reunião presencial, (a primeira, desde o início da Pandemia), aconteceu a posse de três novos membros da Academia Grapiúna de Letras (Agral).

Tomaram posse os acadêmicos:

Efson Batista Lima (Membro Efetivo)

Antonio Ernesto Viana Soares (Membro Correspondente), e

Josanne Morais Bezerra (Membro Efetivo).

Na ocasião foi feita a leitura das biografias dos membros empossados e também de membros falecidos.

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Abaixo fotos do evento:




















 (Clique sobre as fotos para vê-las no tamanho original)




segunda-feira, 8 de novembro de 2021

DISCURSO DE POSSE DE EFSON LIMA NA ACADEMIA GRAPIÚNA DE LETRAS - AGRAL


"Senhores e senhoras, boa tarde!

Saúdo o presidente da Academia Grapiúna de Letras, Samuel; saúdo o magnifico reitor da UESC, Alessandro Fernandes de Santana, um porto seguro para a cultura no sul da Bahia; cumprimento de forma muito especial Padre Acácio, representando Dom Carlos Alberto, Bispo da Diocese de Itabuna; Vice-Presidente da Academia Grapiúna de Letras, Prof. Jailton Alves;

Senhores e senhoras, homens e mulheres só chegam a algum lugar com o apoio de sua família. Portanto, aproveito o momento para agradecer a minha família na pessoa de minha mãe, Maria Geni; das minhas irmãs Edielda e Edleuza e de meu sobrinho Biancardy, por sinal, estudante desta Universidade. Obrigado por estarem sempre ao meu lado, nos acertos e nos erros da vida.

Agradeço também as presenças do Senhor Thiago Fernandes, Coordenador do Cesol Litoral Sul, que na caminhada só tem me dado orgulho; igualmente, do Senhor Diego Felisardo, presidente da Organização Social Beneficente Josué de Castro, entidade gestora do CESOL Litoral Sul e de Itapé. Mais que pessoas que trabalham próximas a mim, têm sido parceiros nessa minha trajetória.

Mestra Janete Lainha, Washington Alves Pereira, Marta Almeida, João Victor...

Saudações especiais ao Professor e Historiador Antônio Ernesto Viana Soares (para membro-correspondente) e a Professora Doutora Josanne Francisca Morais Bezerra (membro efetivo). Quanta emoção! Somos contemporâneos de um momento histórico.

Senhoras e Senhores, chego à Casa de Jorge Amado, por meio do convite formulado por Doutor Vercil Rodrigues. Quem não conhece esse homem tão importante para a difusão do pensamento cultural e jurídico do sul da Bahia? Pergunto mais por estilo, que esperando a resposta dos senhores e das senhoras. Para além do convite, o doutor Vercil Rodrigues sempre abriu as portas do Jornal Direitos para as minhas publicações. Foi no Jornal Direitos que publiquei meus pequenos artigos da área jurídica. As minhas publicações no Jornal Direitos estão no meu Currículo Lattes, mas também elas foram importantes para a composição de meus títulos quanto ao meu ingresso no Mestrado em Direito na Universidade Federal da Bahia, inclusive, possibilitando minha aprovação em primeiro lugar na Linha.

Para além de me inserir nesse seleto rol, certamente, o doutor Vercil cumpriu o papel de mentor intelectual e mais que isso ofereceu as condições para que um dia pudéssemos nos encontrar e celebrar. Meus agradecimentos não lhe pagam, é verdade, mas reconhece a sua importância em minha vida. Obrigado, gratidão!

Reconhecimento, gratidão, generosidade palavras necessárias para o menino que saiu de Itapé aos 11 anos de idade para Ilhéus, em 1995; que, tardiamente, conseguia ler aos 10 anos de idade, mas que aos 35 anos se tonava doutor. Não fui morto, é verdade, tinha tudo para ter sido tragado pela violência dos centros urbanos brasileiros. Por qual razão “sobraria eu” em detrimento dos meus amigos da adolescência no Alto do Conqueiro? Talvez, tenha sido o destino..., mas não me resta dúvida do papel da família e da escola. Aqui, é fundamental eu destacar: da escola pública. De meus professores que enxergaram em mim potencialidade. Na escola pública vou acreditar sempre. Sempre, sempre, sempre!

Aqui lembro de imediato o patrono da Cadeira de n. 13, Anísio Teixeira, a qual vou ocupar. Anísio Teixeira é um grande educador. Defensor da Escola Nova.

Fiquei muito emocionado quando soube que ocuparia a cadeira n.º 13, pois, a cadeira tem como fundador, o Bispo Dom Ceslau Stanula. Homem, que além da fé, escrevia, semanalmente, para o Jornal Agora, com circulação em todo sul da Bahia. Por sinal, gostaria muito de manter viva essa memória, colaborando na organização de um livro sobre as reflexões esposadas naquele periódico, cujas orientações foram tão necessárias ontem, no dia de hoje e sempre. Independentemente, de minha fé ou não fé, não posso negar o papel da religião na formação de meu caráter e na minha caminhada em favor dos menos favorecidos, cobrando por justiça social.

Patrono, meu antecessor, são memórias caras a mim e a toda sociedade. Certamente, fazer parte da AGRAL muito me envaidece, mas também tomo esse meu ingresso como um múnus público com a obrigação de manter viva a memória dos que partiram, o respeito aos meus queridos confrades e queridas confreiras, certamente, venho para aprender e na caminhada, humildemente, espero contribuir para uma AGRAL forte e comprometida com a cultura, as artes, a acesso à educação de qualidade, à leitura e as liberdades.

Estou muito feliz com esse momento. Esse momento Reitor Alessandro Santana é histórico. Estamos voltando para o mundo presencial. Significa que milhões de brasileiros acreditaram na ciência e foram se vacinar, em detrimento, de autoridades públicas que desdenharam da vacina e da ciência. Professor Samuel, vacina e ciência são expressões da cultura de um povo. A AGRAL é símbolo de cultura, é expressão das artes e objetiva promover o progresso de nossa região por meio das conquistas culturais. Obrigado a cada confrade, a cada confreira que me recebe neste dia! Para mim é um grande dia. Obrigado!

 

Campus Soane Nazaré de Andrade, 03 de novembro de 2021."

* * *

O TEMPO – Gibran Khalil Gibran

 


O Tempo

 

E um astrônomo disse: “Mestre, que dizes do tempo?”

E ele respondeu:

“Gostaríeis de medir o tempo, o ilimitado e o incomensurável.

Gostaríeis de ajustar vosso comportamento e mesmo reger o curso de vossa alma de acordo com as horas e as estações.

Do tempo, gostaríeis de fazer um rio, na margem do qual vos sentaríeis para observar correr as águas.

          

 Contudo, o que em vós escapa ao tempo sabe que a vida também escapa ao tempo.

            E sabe que ontem é apenas a recordação de hoje e amanhã, o sonho de hoje.

            E aquilo que canta e medita em vós continua a morar dentro daquele primeiro momento em que as estrelas foram semeadas no espaço.

            Quem, dentre vós, não sente que seu poder de amar é ilimitado?

            E, porém, quem não sente esse amor, embora ilimitado, circunscrito dentro do seu próprio ser, e não se movendo de um pensamento amoroso a outro, e de uma ação amorosa a outra?

            E não é o tempo, exatamente como o amor, indivisível e insondável?

            Contudo, se em vossos pensamentos deveis dividir o tempo em estações, que cada estação envolva todas as outras estações,

            E que vosso presente abrace o passado com nostalgia e o futuro com ânsia e carinho.”

         


(O PROFETA)

GIBRAN KHALLIL GIBRAN


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O Jardim do Profeta: Um Livro de Ternura e Nostalgia

 

 Gibran estava trabalhando neste livro quando a morte chegou.

Nos seus planos, o livro fazia parte de uma trilogia, assim concebida:

O Profeta: As relações do homem com o homem.

O Jardim do Profeta: As relações do homem com a Natureza.

A Morte do Profeta: As relações do homem com Deus.

 

Deste último livro, Gibran deixou somente a ideia do epílogo. E é de uma amargura profunda: Al-Mustafa volta à cidade de Orfalese, e lá apedrejam-no na praça pública.

No Jardim do Profeta, pelo contrário, a ternura abrange até os seres inanimados: “Tu e a pedra não sois senão um só. A única diferença está no ritmo das pulsações do coração. Teu coração bate um pouco mais rapidamente.”

O Profeta termina com a partida de Al-Mustafa da cidade de Orfalese. O Jardim do Profeta abre-se com a chegada de Al-Mustafa à sua ilha natal, onde reencontra a casa que foi de seu pai e de sua mãe e aqueles que foram seus companheiros de infância. Dialoga com eles de mil assuntos da vida. Depois despede-se e se vai... “E seus pés eram rápidos e silenciosos; e, num momento, como uma folha levada pelo vento, encontrava-se muito longe deles, e eles viram como uma luz pálida subindo para as alturas.”

Um livro fresco e belo, cheio de conceitos profundos, de ternura e de nostalgia.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI – Eduardo Alves da Costa

 


No Caminho Com Maiakovski 

Eduardo Alves da Costa

 

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne a aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!

 

(Eduardo Alves da Costa) – Não é de Maiakóvski como se espalha por aí como falsa autoria – principalmente um trecho da segunda estrofe.
(Eduardo Alves da Costa, em “No Caminho com Maiakóvski” [poesia reunida]. São Paulo: Geração editorial, 1ª ed., 2003. págs. 47,48 e 49.)

Fontes: Antônio MirandaJornal de Poesia e referência bibliográfica do livro do autor, graças à colaboração de Elfi Kurten Fenske, criadora do Templo Cultural Delfos

* * *

DEPOIMENTO DO PRESIDENTE BOLSONARO NO INQUÉRITO À PF:



Depoimento de Bolsonaro à Polícia Federal


Por quais motivos pediu ao ex-ministro Sérgio Moro para que fosse trocado o Diretor-Geral da PF, Maurício Valeixo?

Que confirma que em meados de 2019 solicitou ao ex-ministro Sergio Moro a troca do diretor-geral da Polícia Federal, Valeixo, em razão da falta de interlocução que havia entre o presidente da República e o diretor da Polícia Federal; Que não havia qualquer insatisfação ou falta de confiança com o trabalho realizado pelo DPF Valeixo, apenas uma falha de interlocução; Que sugeriu ao ex-ministro Sergio Moro a nomeação do DPF Ramagem para a Direção-Geral; Que indicou o DPF Ramagem em razão da sua competência e confiança construída ao longo do trabalho de segurança pessoal do declarante durante a campanha eleitoral de 2018; Que ao indicar o DPF Ramagem ao ex-ministro Sergio Moro, este teria concordado com o presidente desde que ocorresse após a indicação do ex-ministro da Justiça à vaga no Supremo Tribunal Federal; Que conheceu o DPF Ramagem após o 1° turno quando ele assumiu a coordenação da segurança do então candidato Jair Bolsonaro: Que salvo engano os filhos do declarante também conheceram Ramagem somente quando ele assumiu a segurança do declarante; Que nunca teve como intenção, com a alteração da Direção Geral, obter informações privilegiadas de investigações sigilosas ou de interferir no trabalho de Polícia Judiciária ou obtenção diretamente de relatórios produzidos pela Polícia Federal.

Na reunião de ministros do dia 22/04/2020, o presidente fez a seguinte declaração. O que quis dizer quando disse "eu tenho a Polícia Federal que não me dá informações"?

Que o declarante quis dizer que não obtinha informações de forma ágil e eficiente dos órgãos do Poder Executivo, assim como da própria Polícia Federal; Que quando disse "informações" se referia a relatórios de inteligência sobre fatos que necessitava para a tomada de decisões e nunca informações sigilosas sobre investigações.

Conforme o ex-ministro Sérgio Moro, a motivação para a troca do DG/PF seria porque o presidente "precisava de pessoas de sua confiança, para que pudesse interagir, telefonar e obter relatórios de inteligência". Confirma tais motivações?

Que, pelo seu entendimento, necessitava da mudança da Direção Geral da Polícia Federal, como dito, para maior interação; Que nunca obteve, de forma direta, relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal; Que perguntado se possui acesso ao SISBIN, coordenado pela Abin, disse que não; Que muitas informações relevantes para a sua gestão chegavam primeiro através da imprensa, quando deveriam chegar ao seu conhecimento por meio do Serviço de Inteligência.

Nas mensagens contidas no celular do ex-ministro Sérgio Moro, consta, em 23/04/2020, uma reportagem do site "O Antagonista", intitulada "Polícia Federal na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas", encaminhada pelo presidente ao ex-ministro, seguida da mensagem "Mais um motivo para a troca". Por que reforçou a necessidade da troca do DG/PF com a reportagem?

Que desconfiava que havia vazamento de informações sigilosas de investigações no âmbito da Polícia Federal para o site "O Antagonista", revista "Crusoé" e outros meios de imprensa.

A troca do DG/PF seria motivada, também, por uma eventual falta de empenho da PF na investigação sobre a tentativa de assassinato contra o presidente durante a campanha de 2018? Se reuniu com o delegado responsável pela investigação?

Que cobrou do ex-ministro Sergio Moro uma investigação mais célere e objetiva sobre o atentado que sofreu; Que não observou nenhum empenho do ex-ministro Sergio Moro em solucionar o assunto; Que houve uma apresentação do delegado responsável pela investigação do atentado com a presença do ex-ministro Sergio Moro; Que não fez nenhum tipo de pedido na direção da investigação ou qualquer outra interferência no andamento dos trabalhos.

A troca do DG/PF seria motivada, também, por uma eventual falta de empenho da PF na investigação que visou esclarecer as declarações do porteiro do condomínio da residência do presidente, no Rio de Janeiro, o qual teria levantado falsas suspeitas do envolvimento do presidente no assassinato da vereadora Marielle Franco?

Que também cobrou do ex-ministro Sergio Moro um maior empenho na investigação sobre as declarações do porteiro do condomínio da sua residência no Rio de Janeiro; Que também não observou nenhum empenho ou preocupação do ex-ministro Sergio Moro em solucionar rapidamente o caso; Que soube pelo ex-ministro Sergio Moro que foi aberta uma investigação na Polícia Federal e que foi constatado um equívoco por parte do porteiro; Que também foi divulgado na impressa que o filho do declarante, Renan, teria namorado a filha do ex-policial militar acusado pelo assassinato da vereadora Marielle; Que posteriormente ficou esclarecido pelo próprio ex-ministro Sergio Moro que o ex-policial militar declarou que a sua filha nunca namorou o Renan, pois ela sempre morou nos Estados Unidos; Que esse esclarecimento veio à tona em razão dos insistentes pedidos do declarante para o ex-ministro Sergio Moro em solucionar rapidamente o caso; Que, portanto, não havia uma proatividade do ex-ministro Sergio Moro.

Por quais motivos, em agosto de 2019, pediu ao ex-ministro Sérgio Moro para que fosse trocado o superintendente regional da PF no RJ? Sugeriu algum nome? Por quê? Qual o grau de amizade entre o presidente e o substituto? Havia a intenção de obter informações de investigações sigilosas presididas na Superintendência Regional da Polícia Federal RJ ou de interferência?

Que confirma que a partir de agosto de 2019 sugeriu ao ex-ministro Sergio Moro a troca do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro; Que sugeriu a mudança porque o estado do Rio de Janeiro é muito complicado e entendia que necessitava de um dirigente da Polícia Federal local com maior liberdade de trabalho; Que não conheceu o então superintendente Ricardo Saadi; Que talvez o DPF Ricardo Saadi não tinha a completa independência para tomar as medidas necessárias para melhorar a gestão local; Que, no primeiro momento, não sugeriu nenhum nome ao ex-ministro Sergio Moro para assumir a Superintendência do Rio de Janeiro; Que posteriormente, em razão da resistência do ex-ministro Sergio Moro, sugeriu o nome de um delegado para a Superintendência do Rio de Janeiro; Que há uma vaga lembrança que esse nome seria o DPF Saraiva; Que não se lembra quem indicou o nome do DPF Saraiva ao declarante; Que no final de 2018 cogitou em indicar o DPF Saraiva como ministro do Meio Ambiente; Que não se lembra quem sugeriu o nome do DPF Saraiva; Que, da mesma forma, nunca buscou obter informações privilegiadas de investigações sigilosas em andamento na SR-PF-RJ ou de interferir, seja na gestão local ou em investigações em andamento.

Conhecia o DPF Carlos Henrique Oliveira de Sousa, o qual sucedeu o DPF Ricardo Andrade Saadi como superintendente da SR/PF/RJ? Se reuniu com o DPF Carlos Henrique após a indicação para a gestão da SR/PF/RJ? Por quê? Qual o teor da conversa?

Que conheceu o DPF Carlos Henrique em uma reunião ocorrida no gabinete da Presidência quando ele foi indicado para assumir a Superintendência do Rio de Janeiro; Que o propósito dessa reunião foi para conhecê-lo melhor, ou seja, para que o novo superintendente de um dos estados mais importantes da federação fosse apresentado ao presidente da República.

Em abril de 2020 houve uma nova troca com a exoneração do DPF Carlos Henrique como SR/PF/RJ. Foi o presidente que sugeriu essa nova mudança?

Que não sugeriu a nova mudança na Superintendência no Rio de Janeiro, ocorrida em abril de 2020.

Soube, através do ex-ministro Gustavo Bebianno, de alguma investigação sigilosa em curso na SR/PF/RJ (Operação Furna da Onça) que teria como alvo Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro? Como soube?

Que não soube previamente nada sobre a operação Furna da Onça, antes da sua deflagração; Que todo assunto sobre essa operação, ficou sabendo através da impressa; Que conheceu Paulo Marinho através de Gustavo Bebianno; Que também nunca Paulo Marinho repassou ao declarante informações que ele (Paulo Marinho) teria recebido de um delegado de Polícia Federal da SR-PF-RJ sobre a Operação Furna da Onça.

Na reunião de ministros do dia 22/04/2020, o presidente fez a seguinte declaração quando disse "Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui!", se referia a troca? 

Que há um pequeno núcleo do GSI sediado no Rio de Janeiro, responsável pela segurança do declarante e de sua família; Que esse núcleo do GSI é formado por servidores lotados e alguns comissionados; Que achava que esse trabalho poderia ser melhorado, principalmente no acompanhamento do seu filho Carlos Bolsonaro, residente no Rio de Janeiro; Que, portanto, quando disse que queria trocar gente no Rio de Janeiro referia-se a sua segurança pessoal e da sua família.

Por quais motivos pediu, em março de 2020, ao ex-ministro Sérgio Moro para que fosse trocada a superintendente Regional da PF em Pernambuco? Sugeriu algum nome? Por que essa pessoa? Qual o grau de amizade entre o presidente e o substituto? Havia a intenção de obter informações de investigações sigilosas presididas na SR/PF/PE e/ou interferência nos trabalhos de polícia judiciária?

Que confirma que sugeriu ao ex-ministro Sergio Moro a mudança da superintendente da PF de Pernambuco; Que sugeriu essa mudança em razão da baixa produtividade local e pelo fato da então superintendente ter, anteriormente, assumido o cargo de secretária estadual de Pernambuco, o que não daria a isenção necessária nos trabalhos locais; Que jamais sugeriu a mudança da gestão local com o intuito de obter informações sigilosas de investigações ou de interferência de trabalhos de Polícia Judiciária.

O que entende por "interferência política" na PF? Interferiu na PF?

Que entende como interferência política pedidos políticos e não técnicos, de gestores de órgãos públicos com a intenção de haver influência política sobre os trabalhos desenvolvidos pelo órgão; Que jamais teve qualquer intenção de interferência política na Polícia Federal quando sugeriu ao ex-ministro Sergio Moro a alteração na gestão da Direção Geral ou em Superintendências Regionais; Que quando convidou o ex-ministro Sergio Moro, assim para todos os demais ministros, para fazer parte de sua equipe, concordou em "dar carta branca" para que cada um montasse sua equipe e os órgão vinculados com os nomes que entendessem, com poder de veto do declarante; Que tanto foi assim que o ex-ministro Sergio Moro trouxe para o seu ministério os profissionais que ele teve contato em Curitiba-PR; Que em determinado momento percebeu que o ex-ministro Sergio Moro estava administrando a pasta sem pensar no todo, sem alinhamento com os demais ministérios e o gabinete da Presidência; Que, por fim, gostaria de acrescentar que sempre respeitou e respeita a autonomia da Polícia Federal e que entende que mesmo com a alteração de dirigentes de unidades da Polícia Federal não é possível interferir nas investigações em razão do sistema penal brasileiro e na cultura organizacional enraizada na instituição.

Perguntado se gostaria de acrescentar algo, disse negativamente;

Passada a palavra aos advogados-gerais da União, não fizeram questionamentos;

Registra-se que uma cópia deste termo foi entregue aos advogados da União.

Nada mais havendo, este Termo de Declarações foi lido e, achado conforme, assinado pelos presentes.


https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/11/04/veja-integra-do-depoimento-de-bolsonaro-a-policia-federal.ghtml

 

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quarta-feira, 3 de novembro de 2021

UM CONTISTA BRASILEIRO

  


       

Com Os Brabos (1979) , Cyro de Mattos venceu por unanimidade o Prêmio Nacional de Contos e Novela da Academia Brasileira de Letras. Comissão julgadora: Alceu Amoroso Lima (relator), José Cândido de Carvalho, Adonias Filho, Afonso Arinos, Herberto Sales e Bernardo Elis. Autor de 54 livros, de diversos gêneros, com Os Recuados, contos, foi premiado com o Jabuti em 1988 (Menção Honrosa). Ficou entre os quatro finalistas do Concurso Internacional da Revista Plural, no México, com o conto “Coronel, Cacaueiro e Travessia”, concorrendo com mais de 600 autores da América, Europa, África e Ásia. Premiado ainda pela Academia Pernambucana de Letras (duas vezes), União Brasileira de Escritores (duas vezes) e no Concurso Nacional Jorge Amado do IV Centenário de Ilhéus.

No gênero conto   tem nove livros publicados. Seus contos participam de antologias internacionais, como “Ladainha nas Pedras”, inclusa em Espelho da América Latina, publicada na Dinamarca, organizada por Peter Poulsen e Uffe Harder, na qual figuram Jorge Luís Borges, Julio Cortázar, Juan Rulfo, Alejo Carpentier, José Revueltas, Augusto Roa Bastos, Juan Carlos Oneti, Clarice Lispector, Mário de Andrade e Aníbal Machado, dentre outros. Seu conto “O Velho e o Velho Rio” figura na antologia Ao Sul do Rio Grande, publicada na Rússia, ao lado de Rosário Castellanos, Julio Cortázar e Mário Benedetti, e na Modernos Contistas do Brasil, de Carl Heupel, Alemanha, na qual estão os contistas Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Luís Vilela, Ricardo Ramos, José J. Veiga, Aníbal Machado, Mário de Andrade, Sônia Coutinho, Adonias Filho e Hélio Pólvora, dentre outros. Além disso, Cyro organizou as antologias Contos Brasileiros de Futebol, O Conto em 25 Baianos e Histórias dos Mares da Bahia

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Na Itália, Bolsonaro se encontra com filho de vítima de Cesare Battisti ...