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sexta-feira, 27 de agosto de 2021

25 CURIOSIDADES SOBRE MACHADO DE ASSIS QUE VOCÊ JAMAIS IMAGINARIA...



Machado de Assis, um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Mais do que leitura obrigatória nas disciplinas de literatura em todo o território nacional, Machado de Assis foi talentosíssimo retratador da sociedade de sua época, sendo incrivelmente atual até os dias de hoje.

Para conhecer melhor o autor de Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e muitas outras obras já eternizadas, confira abaixo 25 curiosidades sobre este grande nome da literatura brasileira:

 

1- Nascimento

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro. O futuro escritor foi batizado na mesma igreja onde seus pais casaram.

2- Pais

O pai de Machado de Assis era um descendente de escravos que trabalhava como pintor de paredes. A mãe, portuguesa de Açores, faleceu quando Machado tinha 10 anos. Sua única irmã morreu vítima de sarampo com sete anos de idade.

3- Educação

Segundo os seus biógrafos, Machado nunca teve educação formal. Para ajudar a família, chegou a trabalhar como engraxate e vendedor de balas e doces.

4- Línguas

O escritor era fluente em francês, língua que aprendeu com um padeiro. O alemão e o inglês Machado aprendeu estudando sozinho.

5- Caligrafia

A caligrafia do escritor era tão ruim que, às vezes, até ele tinha dificuldade de entender o que escrevia.

6- Saúde

Machado de Assis tinha epilepsia. Além disso, o autor de Iáiá Garcia e Dom Casmurro, entre outras obras, era gago.

7- Trabalho

Aos 17 anos, Machado passou a trabalhar na Tipografia Nacional onde, ao ser flagrado lendo escondido, quase foi demitido.

8- O primeiro poema

O primeiro poema de Machado de Assis chama-se Ela, e foi publicado em 1 855 na revista Marmota Fluminense. Na época, Machado contava apenas 15 anos.

9- O primeiro conto

O primeiro conto publicado em uma revista saiu em 1858, quando o escritor tinha 19 anos. O conto se chamava Três Tesouros Perdidos e também foi publicado na revista literária Marmota Fluminense.

10- O primeiro livro

O primeiro livro publicado por Machado de Assis foi Crisálidas, de poemas. Na época, Machado contava 35 anos de idade. O primeiro livro de contos – cujo título era Contos Fluminenses -, saiu no ano seguinte.

11- Casamento

Carolina Machado, a esposa do escritor, era quatro anos mais velha que ele. O casamento só terminou depois de 35 anos, com a morte de Carolina. Dizem que era ela quem revisava os textos do escritor.

12- Memórias Póstumas de Brás Cubas

Como era comum na época, Memórias Póstumas de Brás Cubas foi publicado em folhetins e só mais tarde lançado em livro.

13- Pseudônimos

Machado de Assis utilizou 21 pseudônimos ao longo da carreira. Na revista A Semana Ilustrada, usava o pseudônimo de Dr. Semana.

14- Romantismo e Realismo

A obra de Machado de Assis tendia, no início para o Romantismo (como no caso de Helena). Mais tarde, ele abraçou o Realismo (como em Dom Casmurro).

15- Romances

Os principais romances de Machado de Assis são: Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Helena, Quincas Borba, Esaú e Jacó, Memorial de Aires, Iaiá Garcia e A Mão e a Luva.

16- Xadrez

O jogo predileto de Machado de Assis era o xadrez. Ele participou do primeiro campeonato de xadrez disputado no Brasil. As peças usadas pelo escritor estão até hoje em exposição na ABL – Academia Brasileira de Letras.

17- Academia Brasileira de Letras

A Academia Brasileira de Letras teve Machado de Assis como um de seus fundadores. Ao invés de ocupar a cadeira número 1, ele ficou com a 23. O patrono da cadeira número 1 foi o escritor cearense José de Alencar.

18- Amizades

Machado era amigo de Mário de Alencar, filho do escritor cearense José de Alencar.

19- Jornais e revistas

Machado escreveu em diversos jornais e revistas da sua época, entre os quais A Semana Ilustrada, Diário do Rio de Janeiro, Jornal das Famílias, Revista da Semana, Correio Mercantil e O Espelho.

20- Dramaturgia

Apesar de ser conhecido apenas como romancista e cronista, Machado era poeta e dramaturgo, chegando a escrever nove peças de teatro entre 1860 e 1906.

21- Obra

No total, ele escreveu sete livros de contos, cinco de poesia, nove de teatro e nove romances.

22- Nova Friburgo

Em 1878, o escritor foi obrigado a passar uma temporada na cidade de Nova Friburgo para se tratar de uma infecção nos olhos.

23- Últimas palavras

Segundo alguns biógrafos, as últimas palavras de Machado de Assis antes de morrer foram: “A vida é boa”.

24- Cerimônia fúnebre

O discurso da cerimônia fúnebre de Machado de Assis foi feito por Rui Barbosa.

25- Morte

Machado foi sepultado no cemitério São João Batista em 1908, mas seus restos mortais foram transferidos para a sede da Academia Brasileira de Letras em 1999.

 

#machadodeassis #curiosidades

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terça-feira, 24 de agosto de 2021

OMISSÃO NA CULTURA - Cyro de Mattos


 

Omissão na Cultura 

 Cyro de Mattos*

 

         A quem cabe zelar pela cultura de um povo e não corresponde aos seus apelos comete omissão imperdoável. A cultura alimenta a autoestima e reforça os laços identitários de uma sociedade nas suas relações com a vida.  Se a educação é o corpo da sociedade, que precisa ser bem alimentado, que dizer de sua alma, a cultura? Quem não valoriza a cultura de seu povo, contribui para que não haja resposta quando se pergunta qual é o seu nome, onde você nasceu e para onde você vai. Torna assim o ser humano um caminhante no vazio do estar para viver ou, se quiserem, cadáver ambulante que procria, como diz o poeta Fernando Pessoa. 

        O que vemos por aqui entristece. Ainda hoje viceja esse comportamento atávico para anular o que foi produzido para representar e permanecer como referência do nosso patrimônio cultural. O Museu da Casa Verde, por exemplo, que antes foi o espaço de convivência social da elite, com reuniões importantes de políticos, quando então eram debatidos assuntos relevantes de nossa cidade, encontra-se fechado há tempos. Seu patrimônio valioso, que muito diz sobre a história da burguesia cacaueira no tempo dos coronéis, está encoberto pelas sombras da indiferença do poder público, que assim contribui para que o visitante, o estudante e o habitante dessa terra desconheçam um capítulo importante da civilização do cacau, com seus costumes, valores, linguagens, suas relações políticas e sociais como marcas de uma maneira singular de proceder perante o mundo.  Não recebe o mínimo apoio do poder público, da classe empresarial e de clube de serviço, para que se torne um espaço movimentado com vistas ao conhecimento da história coletiva municipal e regional.

         O quiosque Walter Moreira, na praça Olinto Leoni, obra realizada na gestão do professor Flávio Simões, quando presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania, está entregue ao léu da vida e ao sabor da sorte, caindo aos pedaços. Já serviu para exposições de artistas plásticos locais, comércio de artesanato, lançamento de livro e local como parte das comemorações no Dia de Cidade, com exposição de fotos históricas e dos prefeitos. Dá pena a quem vê o estado lamentável do Quiosque Walter Moreira. A memória desse artista da cor, que passou uma vida retratando na tela a paisagem humana e física dessa terra, não merece esse descaso.

           O Monumento da Saga Grapiúna, criado pelo artista Richard Wagner, itabunense de fama mundial, erguido nas proximidades do Supermercado Jequitibá, é uma homenagem aos elementos formadores da civilização grapiúna – o sergipano, o negro, o índio e o árabe, e não está tendo melhor destino. Monumento que remete as gerações de hoje e de amanhã à infância da civilização do cacau, em nossa cidade e na região, encontra-se também no descaso. O gradil protetor ao seu redor está danificado, lá dentro o seu interior serve de depósito de coisas imprestáveis e lixo. Não existe fiscalização nem proteção para preservar uma obra artística e cultural de valor inestimável. 

           Com sua beleza rica de significados, em que se retrata a história da civilização cacaueira baiana, representada em figuras, símbolos, cenas e paisagens, o painel composto de azulejos, criado pela arte genial de Genaro de Carvalho, instalado no prédio Comendador Firmino Alves, onde funcionava o antigo Banco Econômico, entre a avenida do Cinquentenário e a praça Adami, nos idos de 1953, é indiscutivelmente um dos patrimônios artísticos de incalculável valor do  município onde nasceram o romancista Jorge Amado e o poeta Telmo Padilha.

           Essa obra de arte magnífica esteve entregue à indiferença de autoridades, ao longo dos anos.   Ficou sem alguns azulejos, na frente serviu para que camelôs fixassem seus produtos à venda no comércio informal. A FICC fez a reconstituição das avarias no painel, mas agora tudo volta como antes. Na frente do painel, camelôs armaram bancas e sombreiros para vender suas coisas. Dentro do gradil protetor jogam lixo. A poluição visual do painel prossegue com a faixa estendida de um poste a outro, na frente, para anunciar a venda de um produto novo chegado ao comércio local. 

           Perdemos o Castelinho, o Cine Itabuna, o prédio do Ginásio Divina Providência, o casarão do coronel Henrique Alves dos Reis, o Campo da Desportiva, a fachada da residência onde morou o comendador Firmino Alves e sua família na praça Olinto Leoni está desfigurada. Até quando vamos continuar maltratando a nossa memória e o nosso patrimônio arquitetônico portador de rico simbolismo de nossa história?

           Senhor prefeito, mostre que não concorda com tais atitudes negativas de uma administração municipal que se apresenta como legítima, mande corrigir tais ofensas à cultura. Ainda há tempo, basta boa vontade.

 

*Cyro de Mattos é poeta e ficcionista. Autor de 56 livros pessoais.  Primeiro Doutor Honoris Causa da UESC.  Publicado no Brasil e exterior. Muitas vezes premiado. Da Academia de Letras da Bahia. Foi presidente do Centro de Cultura Adonias Filho e Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania.

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ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: Conselhos - Luiz Gonzaga Dias



CONSELHOS

Luiz Gonzaga Dias

 

O mundo é teu, ó loura juventude!

Enfrenta a Vida e à luta não te esquive.

Deixa que a idade em rosas te transmude,

E que o sol doire o teu sorriso e VIVE!

 

A mocidade é boa. Abre os teus braços,

Ao amplexo da paixão volutuosa...

Que importa o despertar de membros lassos?

- És dom Juan, o tempo voa, GOSA!

 

Hás de ter nesta idade que deslumbra,

Um amor... outro amor... mais de uma dama.

Esquece o tédio que à tua alma obumbra,

Que esta quadra é ridente e flores. AMA!

 

Nos teus arroubos de arte onde o mistério,

Da natureza um devaneio ponha,

Se uma flor vale mais do que um império,

A tua alma de artista, cisma e SONHA!

 

Apura a vista para a estranha orgia,

Que do seio do Cosmos se levanta,

Que cenário poeta... E que harmonia!

Há sons e cores ao teu estro. CANTA!

 

Nos momentos em que ao sorriso o pranto

Em lágrimas brilhantes como aljofre,

Quiser fazer da vida um desencanto,

Curte em segredo a tua mágoa. SOFRE!

 

Rôto o liame que te prende à vida,

Se o encanto extinto em torturas decorre,

Dá à existência um adeus de despedida,

Enfrenta a Morte resoluto. MORRE!

 

.................

 

 Em lugar de Prefácio

 

          Como um derivativo à luta diária, neste século agitado, nesta época de progresso vertiginoso, aqui estão alguns versos reunidos neste volume, poesias na sua maior parte, dispersas nas publicações brasileiras.

            Sentencia o Evangelho, que nem só de pão vive o homem, sendo, portanto, estes versos, assim como um oásis, no deserto febril da civilização, da política, da atividade multifária dos seres, na era do avião a jato, dos inventos nucleares e do perene choque de interesse dos homens.

            Um momento de arte e descanso, não faz mal ao corpo ou ao espírito exausto.

            Se o leitor não acha que ler poesia é perder tempo, leia um pouco estes versos.

            Ao contrário, desculpe, e passe adiante.

            De qualquer modo, queira aceitar os agradecimentos do autor.

 

                                      São Felix, Estado da Bahia, Julho de 1962.

Luiz Gonzaga Dias

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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: Como Francisco de Assis...


 

Como Francisco de Assis

 

"Quando não há nada mais a ser dito,

silencia.

Quando não há mais nada

a ser feito,

permitas apenas ser,

apenas estar,

fica na companhia do teu coração,

e este indicará o momento

apropriado para agires.

Quando a lentidão dos dias

acomodar tua vontade, enlaçando-te

com os nós da intranquilidade,

descansa,

e refaz tua energia.

Não há pressa!

A prioridade é que tu encontres

novamente a tua Essência,

para que tenhas presente em ti

a alegria de ser e estar."

 

- São Francisco de Assis


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Democracia sem povo