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domingo, 21 de fevereiro de 2021

DIANTE DA LEI – Francisco Cândido Xavier




O espírito consciente, criado através dos milênios, nos domínios inferiores da natureza, chega à condição de humanidade, depois de haver pago os tributos que a evolução lhe reclama.

À vista disso, é natural compreendas que o livre arbítrio estabelece determinada posição para cada alma, porquanto cada pessoa deve a si mesma a situação em que se coloca.

És hoje o que fizeste contigo ontem. Serás amanhã o que fazes contigo hoje.

Chegamos no dia claro da razão, simples e ignorantes, diante do aprimoramento e do progresso, mas com liberdade interior de escolher o próprio caminho.

Todos temos, assim, na vontade a alavanca da vida, com infinitas possibilidades de mentalizar e realizar.

O governo do Universo é a justiça que define, em toda parte, a responsabilidade de cada um.

A glória do Universo é a sabedoria, expressando luz nas consciências.

O sustento do Universo é o trabalho que situa cada inteligência no lugar que lhe compete. A felicidade do Universo é o amor na forma do bem de todos.

O Criador concede às criaturas, no espaço e no tempo, as experiências que desejem, para que se ajustem, por fim, às leis de bondade e equilíbrio que O manifestam. Eis por que permanecer na sombra ou na luz, na dor ou na alegria, no mal ou no bem, é ação espiritual que depende de nós.

 

 

Espírito: EMMANUEL

Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: "Justiça Divina"

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (222)

 


1º Domingo da Quaresma – 21/02/2021

Anúncio do Evangelho (Mc 1,12-15)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, o Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam. Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

 

https://liturgia.cancaonova.com

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:



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Quando o Espírito nos arrasta...

 


“E imediatamente o Espírito impeliu Jesus para o deserto...” (Mc 1,12)

É um privilégio iniciar este tempo litúrgico, intenso e forte, chamado “tempo quaresmal”, deixando-nos “arrastar” pelo mesmo Espírito de Jesus; tempo único que nos oferece a possibilidade de fazer uma estratégica parada, de buscar o deserto em meio ao cotidiano, de plantar os pés na terra firme do evangelho e assim viver um compromisso transformador em nossa realidade. Nesse espaço e nesse tempo de maior despojamento, podemos sair de nossas inércias, podemos deixar de lado nossas seguranças e comodidades para transitar por novas paisagens. Há muitos modos de fazer isso: assumir com seriedade esse momento, investir no cuidado interior, abster-nos do rotineiro para abrir-nos ao inesperado e surpreendente...

Enfim, Quaresma sempre indica um tempo especial, de crise-crescimento; hoje diríamos, de discernimento. E o que devemos discernir? Qual é o crescimento-maturação que o tempo quaresmal nos propõe? O discernimento implica, em primeiro lugar, uma escuta atenta e uma profunda sintonia com o mesmo Espírito que atuava em Jesus, para fazermos opções mais evangélicas, a serviço da vida. É o Espírito, força de vida e amor, que nos conduz ao deserto para “desintoxicar-nos” de um modo de viver atrofiado, imposto por um contexto social centrado na busca de poder e prestígio, com seus inimigos mortais da competição, do consumismo, do preconceito e que, lentamente, envenenam nossa vida, instigando-nos a romper as relações de comunhão e compromisso. É preciso, de tempos em tempos, sair de nossos espaços rotineiros e “normóticos”, deslocar-nos para os amplos espaços do deserto, lugar despojado de tudo, para ali viver de novo o encontro com a Voz e a Força que nos devolvem à vida, com outra inspiração. Ali, guiados pelo Espírito, teremos a oportunidade de aprofundar nossa relação com a Fonte do Amor que, depois, se expandirá numa nova relação com os outros e com a natureza. 

Neste ano, a CF está centrada no tema do “diálogo”; e o deserto quaresmal ajuda a limpar os canais de comunicação que estão obstruídos pelo excesso de gordura do nosso “ego”: auto-centramento, busca dos próprios interesses, vaidades,... Sabemos que o diálogo implica um des-centramento, uma saída de si, para escutar e acolher o outro na sua diferença. O diálogo entre diferentes nos humaniza. Aqui não há mais lugar para o julgamento, a suspeita, o fanatismo, a intolerância..., nas diferentes situações da vida: religiosa, social, política, cultural, racial... Dialogar é abrir-nos ao outro diferente, sair do nosso próprio mundo, criar vínculos com outras pessoas, conhecer seu modo de ser e pensar..., multiplicando assim os pontos de vista, para enriquecer-nos humanamente, dilatar os horizontes, crescer pessoalmente. 

Todo primeiro domingo da quaresma a liturgia nos conduz até o deserto, onde Jesus foi “tentado”. Tradicionalmente, as tentações de Jesus foram interpretadas num sentido moralizante; costumava-se dizer que Jesus nos queria dar o exemplo de fortaleza para nos ajudar a superar nossas tentações cotidianas. Tal interpretação não capta em toda sua profundidade o sentido das “tentações de Jesus”.

As tentações não são tanto uma “prova” a superar quanto um projeto que deve ser discernido. O que parece certo, teológica e historicamente, é afirmar que Jesus, depois do batismo, buscou o deserto para um tempo de discernimento, em oração, em solidão, diante do Pai que o proclamou seu Filho, sob o impulso do Espírito; de algum modo teve de refletir e discernir sobre qual seria seu estilo de messianismo que deveria assumir para sua missão, em sua vida pública. É um tempo de confronto interior, de crise.

A “crise” põe à prova sua atitude frente a Deus: como viver sua missão e a partir de quê lugar? buscando seu próprio interesse ou escutando fielmente Palavra do Pai? Como deverá atuar? dominando os outros ou pondo-se a seu serviço? buscando poder e sua própria glória ou a vontade de Deus?... 

As tentações são, pois, expressão da oferta de dois tipos de messianismos, dois projetos, duas lógicas que se opõem.

* Por um lado, está a lógica da auto-suficiência, da segurança, a partir do centro, a partir de cima, um messianismo triunfalista, evitando conflitos com o poder político e religioso, alheio ao sofrimento do povo; uma lógica que supõe adaptação ao “sistema”, ser servido antes que servir.

* E, por outro lado, aparece a lógica da solidariedade, a partir da margem e da periferia da sociedade política e religiosa, a partir do povo, a partir de baixo, vivendo a filiação e a confiança no Pai, em gratuidade, num estilo de simplicidade e pobreza alternativo ao “sistema”, optando por servir antes que ser servido; uma lógica de inclusão e de vulnerabilidade frente o sofrimento do povo, na linha do Servo de Javé e dos grandes profetas de Israel. 

Fruto da experiência batismal de sentir-se Filho e do discernimento do deserto, Jesus elege a lógica da solidariedade e do serviço, a partir dos últimos. Assim como foi “impelido” pelo Espírito ao deserto, Jesus se deixa conduzir pelo mesmo Espírito em direção às margens excluídas, às “periferias existenciais”.

A partir deste discernimento e opção, o messianismo de Jesus se manifesta como “diferente” daquilo que muitos esperavam em Israel. O fato surpreendente é que Jesus começa a falar e a agir a partir da margem geográfica, cultural, religiosa e econômica da Palestina: a Galiléia. Jesus rompeu com a família, afastou-se da vida normal que levava, iniciou uma vida itinerante e passou a viver a partir de um sonho: a utopia do Reino. Vivendo no meio de uma realidade conflituosa, de exploração, de desintegração das instituições, de injustiças... Jesus, unido ao Pai, torna-se aluno dos fatos, descobre dentro deles a chegada da hora de Deus e anuncia ao povo: “O tempo já se completou e o REINO de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”  (Mc 1,15). Ele vem realizar as esperanças do povo, despertadas e alimentadas ao longo dos séculos, pelos profetas. Com sua vida e sua palavra, Jesus interrompe o discurso dos especialistas sobre Deus. Ele não tinha uma instituição em que pudesse se apoiar; tudo brotava de dentro.

Enquanto todos tinham os olhos voltados para o centro (sobretudo para o templo de Jerusalém onde era elaborado o saber que ia se expandindo até chegar à menor das sinagogas), Jesus revela sua presença nas “periferias” do mundo. A partir daí, todos nós também devemos dirigir constantemente o olhar para as “novas periferias”, lugar onde Ele continua nos convocando.

“O discípulo-missionário é um des-centrado: o centro é Jesus Cristo que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias existenciais. A posição do discípulo-missionário não é a de centro, mas de periferias: vive em tensão para as periferias” (Papa Francisco)

Quê significa “fronteiras geográficas e existenciais”? É preciso sair dos limites conhecidos; sair de nossas seguranças para adentrar-nos no terreno do incerto; sair dos espaços onde nos sentimos fortes para arriscar-nos a transitar por lugares onde somos frágeis; sair do inquestionável para enfrentarmos o novo...

É decisivo estar dispostos a abrir espaços em nossa história a novas pessoas e situações, novos encontros, novas experiências... Porque sempre há algo diferente e inesperado que pode nos enriquecer...  A vida está cheia de possibilidades e surpresas; inumeráveis caminhos que podemos percorrer; pessoas instigantes que aparecem em nossas vidas; encontros, diálogos, aprendizagens, motivos para celebrar, lições que aprenderemos e nos farão um pouco mais lúcidos, mais humanos e mais simples...

A periferia passa a ser terra privilegiada onde nasce o “novo”, por obra do Espírito. Ali aparece o broto original do “nunca visto”, que em sua pequenez de fermento profético torna-se um desafio ao imobilismo petrificado e um questionamento à ordem estabelecida.

Texto bíblico:  Mc 1,12-15 

Na oração: Quaresma é tempo para desintoxicação existencial: feridas mal curadas, fracassos, modos fechados de viver, intolerâncias, legalismos e moralismos, ...

- De quê você precisa se desintoxicar? De quê você precisa se alimentar ao longo deste tempo quaresmal?


Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2271-quando-o-espirito-nos-arrasta

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A RESPEITO DE JESUS CRISTO




“Nome:

JESUS CRISTO!


Graduação:

FILHO DE DEUS!

 

Mestrado:

REI DOS REIS!

 

Doutorado: 

DONO DO UNIVERSO

 

Médico auxiliar: 

ESPIRÍTO SANTO!

 

Sua experiência:

CAUSAS IMPOSSIVEIS

 

Atendimento:

24 HORAS.

 

Sua especialidade:

OPERAR MILAGRES!

 

Seu instrumento:

FÉ!

 

Seu favor:

A GRAÇA!

 

Não publicou livro, mas é a parte mais importante do Livro mais vendido do mundo:

A BÍBLIA

 

Doenças que cura:

TODAS!

 

Preço do tratamento:

CONFIANÇA NELE!

 

Sua garantia:

ABSOLUTA!

 

Consultório:

TEU CORAÇÃO!



QUE ESSE MÉDICO TE VISITE HOJE!


Em química, Ele converteu a água em vinho; (João 2-1,11)

Em biologia, nasceu sem a concepção normal; (Mateus 1-18,25)

Em física, desmentiu a lei da gravidade, quando andou sobre as águas e subiu aos céus; 

(Marcos 6-49,51)

Em economia, Ele refutou a lei da matemática ao alimentar 5000 pessoas com somente cinco pães e dois peixes; e ainda fazer sobrar 12 cestos cheios. 

(Mateus 14-17,21)

Em medicina, curou os enfermos e os cegos sem administrar nenhuma dose de medicamento.

(Mateus 9-19,22 e João 9-1,15)

A história é contada antes DELE e depois DELE, Ele é o PRINCÍPIO e o FIM;

Ele foi chamado Maravilhoso, Conselheiro, o Príncipe da Paz, o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores; (Isaías 9-6)

Na bíblia diz que ninguém vem ao Pai senão por Ele; Ele é o único caminho; 

(João 14-6)

Então... Quem é Ele?

Ele é JESUS!

Os olhos que leem esta mensagem não temerão o mal.

A mão que enviar esta mensagem, não trabalhará em vão.

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O MAIOR HOMEM DA HISTÓRIA: JESUS


Não tinha servos, no entanto O chamavam de Senhor

Não tinha nenhum grau de estudo, no entanto O chamavam de Mestre

Não tinha medicamentos, mas era chamado de médico dos médicos

Não tinha exército, mas reis O temiam

Não ganhou batalhas militares, no entanto, conquistou o mundo

Não cometeu nenhum delito, no entanto foi crucificado

Foi enterrado em uma tumba, no entanto, Ele vive!

Sinto-me honrado em servir a este líder que nos ama.


Esta mensagem fará bem a outras pessoas... Evangelize!

A Fé vem pelo ouvir a palavra de Deus”

 

(Recebi via Whats. Autoria não mencionada)

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sábado, 20 de fevereiro de 2021

CLUBE MILITAR COMENTA PRISÃO DE DANIEL SILVEIRA E DEFENDE TRATAMENTO SEMELHANTE CONTRA ESQUERDA



O Clube Militar publicou uma nota sobre o caso do deputado federal Daniel Silveira (PSL), que foi preso pelo STF nesta semana, “sem entrar no mérito das palavras” dirigidas aos integrantes da Corte

 

O Pensamento do Clube Militar

 

“Sem entrar no mérito das palavras dirigidas aos integrantes do STF, pelo Deputado Daniel Silveira, colocamos aqui algumas reflexões:

1. Por que outros pronunciamentos semelhantes, porém ditos por políticos e jornalistas de centro esquerda não são tratados como crime?

2. Por que ameaças abertas contra a vida do Presidente da República não são também tratadas como crime inafiançável?

3. Por que a liberdade de expressão só se aplica a esses mesmos indivíduos de centro esquerda?

4. Por que esses supostos crimes praticados pelos apoiadores do Presidente recebem alta prioridade nas investigações, enquanto crimes cometidos por aliados ideológicos ou denúncias contra os próprios Ministros do STF ficam sem investigação ou aguardando a prescrição?

5. Por que o Ministro Marco Aurélio ameaçou os Deputados, dizendo que em caso de relaxamento da prisão do Deputado Daniel Silveira eles prestariam contas com o povo, nas urnas, em 2022? Quem informou ao ilustre ministro que a população apoia as arbitrariedades do STF?

6. Por que os ilustres Ministros do STF pensam que apoiar o Regime Militar que foi instaurado a partir de 1964 é crime quando uma grande parcela da população tem saudades daquela época? A Democracia que temos hoje no Brasil começou em 1964....

7. Por que os amparados pelo Poder Judiciário continuam sendo os criminosos já condenados? Esses, em sua grande maioria, enquanto puderem sustentar os melhores advogados, jamais cumprirão suas penas, podendo, inclusive, realizar passeios fora do Brasil, enquanto os que usam suas línguas para falar não podem nem sair de casa (os de direita, é claro).

8. Por que os equipamentos do Adelio e de seus aliados não são periciados?

9. Finalmente, para não citar outras dezenas de exemplos, o crime propalado pelo STF e seus aliados de esquerda é referente a ameaças verbais, ou, na realidade, é por ser o acusado apoiador daquele que foi eleito pelo povo para governar o Brasil?

 

Gen Div Eduardo José Barbosa. Presidente do Clube Militar

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

“UNION SACRÉE” CONTEMPORÂNEA – Péricles Capanema



Péricles Capanema

 

Desculpem-me o título na língua dos outros — a união sagrada, em português. Justifico-me: a expressividade tem seus direitos, a elocução francesa aqui torna mais viva a realidade que tomou a França durante a 1ª Guerra Mundial em face das potências centrais, em especial da Alemanha. Proclamou-se na ocasião a necessidade imperiosa de uma união sagrada, fundada na trégua interna, que pudesse coligar para a defesa da pátria agredida todas as correntes de relevância no país, até então em choque; republicanos, monarquistas, católicos, ateus, livre-pensadores, socialistas, conservadores, tradicionalistas, progressistas. A França polarizada daria lugar à França unida na defesa da pátria atacada. Quem ficasse de fora da coligação de salvação nacional se sentia mal; rejeitado socialmente, incompreendido mesmo dos seus, poderia até acabar marcado com o labéu de covarde traidor — um pária. Situações desse tipo acontecem, não são raras.

Essa aconteceu assim. Em 3 de agosto de 1914, a Alemanha declarou guerra à França, que penava a derrota humilhante de 1870, com a consequente perda de importantes províncias. Vieram então as gerações “revanchardes”, ansiosas por revanche e vingança. A declaração de guerra abria possibilidade para o acerto de contas; em resumo, parecia, tinha chegado a hora. Esperava-se uma guerra rápida, com triunfo certo; veio uma guerra longa, com sofrimentos sem fim e triunfo pela mão dos Estados Unidos.



Um dia antes, 2 de agosto, em ambiente de tensão altíssima entre os dois países, o estado de sítio já havia sido declarado na França, com convocação do Parlamento para o dia 4. Em 4 de agosto, René Viviani, presidente do Conselho de Ministros, leu no Parlamento mensagem de Raymond Poincaré [foto ao lado], presidente da França: “Na guerra que começa, a França terá a seu lado o direito, do qual os povos, assim como os indivíduos, não podem desconhecer impunemente o eterno poder moral. Ela será heroicamente defendida por todos os seus filhos, nada quebrará sua união sagrada; estão hoje fraternalmente congregados em uma mesma indignação contra o agressor e em uma mesma fé patriótica”.



Nada quebrará sua união sagrada; aqui nasceu para a política francesa a expressão “união sagrada”; durou anos, deixou marcas profundas na vida de cada francês. O ardor da fé patriótica arredondou arestas anteriores, a aproximação soldou diferenças dos franceses de todas as tendências. O mais visível símbolo de tal coligação foi a chefia do exército confiada ao marechal Ferdinand Foch [foto à esquerda], católico conhecido, e a chefia do governo nas mãos de Georges Clemenceau [foto abaixo] , anticlerical, livre-pensador, com raízes na esquerda. Já em 2 de agosto de 1914 o ministro do Interior mandou suspender a execução de decretos que atingiam a Igreja Católica. Em outubro de 1915, Aristide Briand colocou no governo Denys Cochin, católico, encerrando longo período de hostilidade da república em relação à Igreja, iniciado em 1877.



Essa mesma política, intitulada na França de “union sacrée”, com base no patriotismo e na defesa da pátria, foi adotada pela Alemanha (Burgfrieden), Bélgica, Rússia, entre outros. Mas não tiveram a repercussão e a carga simbólica da “union sacrée” francesa.

Com o triunfo da revolução bolchevista (novembro de 1917) e o fim da Guerra, os partidos de esquerda, já em parte reticentes em relação a ela, denunciaram-na por inteiro e o quadro político voltou a ser tenso e conflitivo. Os anos 20 assistiriam ao fortalecimento dos partidos de esquerda, que suscitaram violentas reações, capitaneadas em geral pelo nazismo e fascismo, ou organizações assemelhadas. Tais movimentos atraíram e desviaram enormes contingentes católicos. Sem contar aqui a desorganização e morticínios causados pelos quatro anos de guerra.

Em resumo, ponto que ninguém ou quase ninguém ressalta, porém dever do analista católico salientá-lo, enorme tragédia se abateu sobre grandes possibilidades de evangelização e restauração social: não amadureceram de forma saudável em milhões de jovens os frutos de salvação que, antes da Guerra, prenunciavam colheita de decisiva importância para a Europa e o mundo. Para tal contribuíram a ingenuidade, a superficialidade, a precipitação, bem como a má direção, tanto no âmbito eclesiástico, como no temporal.

Por que em traços gerais lembro universo tão vasto? Por necessidade, pela enorme atualidade potencial. “Historia lux veritatis, vita memoriae, magistra vitae.”

Corta. Passo a relatar fato de hoje, distante mais de século dos anos da “union sacrée´´. O caso do COVID-19 explodiu em Wuhan, na China. Um ano depois, “Época” entrevistou um paulistano que lá vive, Kenviti Shindo, 27 anos, estudante de mestrado. A vida em Wuhan é de quase normalidade: “Aqui está praticamente normal, usamos máscara quando entramos em locais fechados, como bares, restaurantes ou shopping centers. Claro que existe uma preocupação de que o vírus volte, mas tudo já funciona como antes”, observa Shindo. Não há registros de casos novos na província de Hubei, da qual Wuhan é a capital. Em outubro, a província atraiu 52 milhões de turistas entre os dias 1 e 7, Semana Dourada, época festiva. Em contraste lúgubre, o Ocidente ainda se debate com o vírus. O Brasil, nem falar. Não dá inveja? Dá. Quem tem inveja procura imitar.

Corta de novo, terceira matéria em texto reduzido. Em 2018 escrevi um livrinho “Brigo pelos homens atrofiados” sob o pseudônimo de Zeca Patafufo. Um dos personagens do conto, Adamastor Ferrão Bravo, sabido e bom observador, fez advertência que agora ficou candente. Vale a pena ouvir Ferrão Bravo:

“— O cenário brilhante fica no Oriente. Na paradeira de atores estafados, a China e outros poucos países asiáticos disparam para tomar a boca do palco.

— Vai impingir seus intentos?

— Para lá somos arrastados. [Observou Ferrão Bravo]. Não demora, o provável, assistiremos a multidões babando de admiração pelo país que se deu bem e aí bamboleando atrás e remedando. Tem aquele tanto de sortilégio, acho. A França, quando primeira no mundo, foi trend-setter. Os Estados Unidos, passante de cem anos, ditam moda. São povos constituintes. Ainda vai escutar um bucado de mães falando: — Aula de inglês? Não é tanta prioridade, quente agora é o menino igual aprender o mandarim.

— Os Estados Unidos vão continuar na testa, está no DNA deles, seu Adamastor. Lá o pelotão da frente não brinca em serviço.

— É conforme, deix’eutifalá, têm energia para manter a mão na rédea. O século 20 foi o século americano-do-norte; o século 21 vai ser também, depende de os gringos quererem.

— A China periga dar certo? — o Cisco, espantado.

— No mundo da lua, vão agigantar tudo pela propaganda. Pode estar iminente avalancha de soft power da China, a mais do duro sharp power que começa a se generalizar e já desperta vivas reações em vários países. Dando certo a ofensiva chinesa, em cortejo, imantada, veremos atrás sarandear malemolente a bocojança, multidões sem fim. Tanta gente modernosa não achou que a Rússia dos anos 30 tinha dado certo? O Stalin, besuntado de admirações abjetas, foi ícone de cardumes de torcedores ignóbeis; décadas de chumbo aleluiadas em histeria, mais que tudo pela intelligentsia progressista; via nos intentos mitomaníacos de engenharia social, executados com frieza apavorante, a construção da utopia socialista dos ‘amanhãs que cantam’; para tal, enfiada sem fim de hojes desesperadores.

— Tem exorcismo contra tais modismos?

— Conheço um, destrinchar e divulgar preto no branco essas alquimias de fundo totalitário. Cadê o esforço intelectual e a valentia?

— Entendi, o enfeitiçamento bafeja situações ditatoriais.”

Flui o conto, Adamastor Ferrão Bravo ali continua com braveza aferroando, mas paro por aqui. Chamei a atenção de tal realidade para quê? Para a possibilidade de manobra de soft power. No combate ao vírus, a China sai na frente, elimina o problema, resolve. Cara da moeda. Na coroa, chapina o resto do mundo; mortes, fechamentos, abatimentos, desorientação. O mundo vai preferir cara ou coroa? “Multidões babando de admiração e remedando”. E então poderia acontecer uma nova e adaptada “union sacrée” em nossos dias, voltada contra a pandemia, no desenrolar da qual a China despertaria admiração, atrairia simpatias e abateria barreiras, isolaria opositores. Lucro evidente para os desígnios totalitários e imperialistas do Partido Comunista Chinês. Olho vivo, moreno, seguro morreu de velho, desconfiado ainda vive.

https://www.abim.inf.br/union-sacree-contemporanea/


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