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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

MENINA E MOÇA - José Sarney

Tomei emprestado para este artigo o título do livro de Bernardim Ribeiro, que na minha adolescência fazia parte da formação clássica. É velho como a Sé de Braga, como se diz em Portugal, de 1554. Começa — cito de memória e me sujeito a erros — assim: “Menina e moça me levaram da casa de minha mãe para muito longe. Que causa fosse então a daquela minha levada, era ainda pequena, não a soube.”

Lembro isso pelo caso que nos revoltou pela violência e pela maldade: a gravidez da menina de dez anos, violentada desde os seis, no Espírito Santo. Não entra em nosso entendimento, neste conjunto de valores que Deus nos deu, que se possa aceitar isso. É o mundo louco que a cada dia se revela. Certamente minha avó diria “é o fim do mundo”.

Essa atrocidade revoltou o Brasil, nosso povo, independentemente da formação religiosa, independente da controvertida posição sobre o aborto. É uma brutal atrocidade que nos choca a começar pela monstruosidade corporal. Uma criança pura de sentimentos, sem saber o que é sexo e cujo corpo não está fisiologicamente apto para o ato sexual.

O nosso sistema jurídico só permite o casamento a partir dos 16 anos, assim mesmo com o consentimento dos pais, pois a idade legal de casar é 18 anos. Com menos de 16 só em caso de gravidez. É verdade que a realidade é bem outra. Estamos em 4º lugar em casamentos de crianças de até 15 anos, precedidos pela Índia, Bangladesh e Nigéria. E pasmem: no Brasil o Estado onde é primeiro é o Maranhão.

Uma vez ouvi em Bacabal de um chefe político a história de um fazendeiro que tinha a fama de comprar virgindade, quase sempre de mocinhas pobres. Fiquei chocado, mas atribuí a informação em parte a essas infâmias que, no interior, colam nos adversários políticos para desqualificá-los e destruí-los.

Verdade é que essa menina ficará como um caso ultrajante na história dos nossos costumes. Pensar numa menina grávida aos dez anos, violentada pelo tio, e no martírio da violação desde os seis anos de idade, cria indignação e revolta.

É que o ato sexual não envolve só o contato corporal, mas uma gama de sentimentos contraditórios que vão desde o amor até à vivência das relações pessoais, do afeto até a devassidão e o ultraje, para os quais as pessoas têm de ter a faculdade de reação. Envolve a pureza e o carinho de estar junto. Foi o Criador, segundo o Gênesis, que melhor o definiu dizendo que “serão dois em um”.

A inocência, esse aspecto de fragilidade e ternura que envolve a meninice, nos leva a ter a infância como uma fonte sublime e pura da existência humana. Ela se revela na alegria da graça da vida, num tempo que forma nossas referências e fica como memória. Mas esse período ficará para essa menina como apenas o horror desse bárbaro episódio.

A menina não perdeu somente a virgindade e inocência. Perdeu o nome, perdeu a identidade, tem que ser outra para ser a mesma.

Como viverá daqui para frente? Como apagará essa indelével mancha?

O Estado do Maranhão, 22/08/2020

 

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José Sarney - Sexto ocupante da Cadeira nº 38 da ABL, eleito em 17 de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e recebido em 6 de novembro de 1980 pelo Acadêmico Josué Montello. Recebeu os Acadêmicos Marcos Vinicios Vilaça e Affonso Arinos de Mello Franco.


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domingo, 23 de agosto de 2020

PALAVRA DA SALVAÇÃO (198)

21º Domingo do Tempo Comum – 23/08/2020


Anúncio do Evangelho (Mt 16,13-20)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e aí perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.

Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe.  Roger Araújo:


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A solidez em nossa vida

 

 “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16,13)

 

Outra vez Jesus se retira com seus discípulos, agora para a região de Cesaréia de Filipe. Vão tratar assuntos que ultrapassam a problemática estritamente judaica; por isso, Mateus situa a cena em outro território, fora do espaço onde prevalece uma concepção do Messias estritamente nacionalista, para dar a entender que Jesus está aberto a outros povos.

De fato, Jesus entrou em conflito com a religião judaica e suas instituições (sinagoga, templo de Jerusalém). Ele não foi sacerdote, nem funcionário do Templo, nem ostentou cargo algum relacionado com a religião; não foi um mestre da Lei; Jesus foi um leigo. Fugiu de todo poder, e se preocupou especialmente em cuidar das pessoas mais pobres e marginalizadas. Não se preocupou em fundar estritamente uma religião.Cercou-se de pessoas, mulheres e homens, dispostos a continuar seu caminho, anunciando a mensagem do Reino de Deus, proclamando as bem-aventuranças como projeto humanizador, denunciando as opressões e injustiças e tornando realidade a salvação do Deus Pai e Mãe.

Este grupo de homens e mulheres acompanha Jesus em todas as partes, fazendo com Ele vida itinerante; mas também encontramos um grupo mais amplo de pessoas que, vivendo em suas casas e continuando em suas tarefas, são, no entanto, discípulos(as) de Jesus, apoiando-o, recebendo-o, seguindo-o. Todos eles formam o “movimento de Jesus”

No evangelho deste domingo é a primeira vez que encontramos o termo “Igreja” para determinar a nova comunidade dos(as) seguidores(as) de Jesus. Mateus utiliza a palavra que na tradução dos setenta se emprega para designar a assembléia (“eklesia”). Evidentemente, Jesus não “instituiu” nenhuma “estrutura eclesial” propriamente dita: uma doutrina, uma liturgia, um governo... Jesus pôs em marcha um movimento de vida, que, através de muitas circunstâncias e vicissitude históricas, desembocará em comunidades organizadas e, muito mais tarde, em uma Igreja centralizada.

Jesus começou atuando sozinho, mas logo reuniu um grupo de discípulos em torno a si. Assim fizeram os grandes mestres na história da humanidade: Buda, Confúcio, Sócrates...

Professar nossa adesão à pessoa de Jesus de Nazaré, é entrar no movimento de vida iniciado por Ele, em torno à sua pessoa e à sua mensagem que cura e liberta de toda escravidão e dominação. Também nós nos sentimos e queremos ser discípulos(as) de Jesus. É o Reino de Deus que nos congrega, que reforça vínculos e nos faz comunidade. Seu movimento nos impulsiona e queremos impulsioná-lo. Move-nos a alegria, muitas vezes oculta, da mesma boa notícia e a esperança difícil do Reino de Deus.

Somos Igreja de Jesus. Mas, como é a “Igreja” que Jesus quis? É, antes de tudo, comunidade de pessoas, homens e mulheres que vão amadurecendo no seguimento d’Ele. E é comunidade totalmente aberta ao mundo, casa onde todos encontram lugar de acolhida e comunhão; uma “igreja em saída”. O que é radicalmente contrário ao Evangelho da fraternidade é o sectarismo, o fanatismo, o fechamento diante da realidade desafiante e a discriminação de toda e qualquer pessoa. 

Também hoje, Jesus dirige a cada um de nós a mesma pregunta que um dia fez aos seus discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Ele não nos pergunta para saber nossa resposta teológica sobre a identidade d’Ele, mas para que revisemos nossa relação com Ele. Que podemos lhe responder a partir de nossas comunidades? Somos seguidores(as) da pessoa de Jesus ou só seguidores(as) de uma determinada religião, doutrinas, normas, leis? Conhecemos cada vez melhor a Jesus, ou O fechamos em nossos velhos esquemas doutrinários de sempre? Somos comunidades vivas, interessadas em colocar Jesus no centro de nossas vidas e de nossas atividades, ou vivemos estancados na rotina e na mediocridade?

Diante da pergunta de Jesus – “E vós, quem dizeis que eu sou?” – o Evangelho deste domingo realça a resposta de Pedro e a missão que Jesus lhe confere. Pedro é instigado a entrar no fluxo do amor-serviço do Mestre; e isso não pode ser confundido com “transferência de poder”. Pior ainda é quando confundimos o “poder das chaves” com a “chave do poder”. Quem tem a chave tem o poder.

Nenhum exercício do poder é evangélico; muito menos o “poder religioso”. Não há nada mais contrário à mensagem de Jesus que o poder. Jesus não transfere “poder” a Pedro; reforça nele a liderança para o cuidado e o serviço aos outros. Nenhum ser humano é mais que outro, nem está acima do outro. “Não chameis a ninguém de pai, não chameis a ninguém chefe, não chameis a ninguém senhor, porque todos vós sois irmãos”. A única autoridade que Jesus admite é o serviço. 

Jesus não exerceu poder porque o poder nunca é mediação para a libertação do ser humano (seja poder político, religioso, ou qualquer outra expressão de poder). Jesus despoja-se do poder; Ele tem autoridade: “ensinava-lhes com autoridade e não como os escribas”. Sua autoridade é caminho para o serviço e a promoção da vida. Por isso a autoridade de Jesus não tem nada a ver com o poder que domina ou a liderança que se impõe.

Jesus tem “autoridade” porque o “centro” está no outro; Ele veio para servir. Jesus tem autoridade porque ativa a autoria e a autonomia no outro; sua autoridade desperta o melhor que há em cada pessoa; ela não cria dependência e nem tira do outro a capacidade de dar direção à sua própria vida. Quem tem “poder”, ao contrário, o centro está em si mesmo; por isso é que toda expressão de poder é violenta, exclui, impõe-se ao outro, decide por ele... O poder alimenta dependência e submissão.

O olhar profundo de Jesus levará Pedro também a se conectar com seu ser mais profundo (aquilo que é mais sólido), com sua realidade mais verdadeira, com os desejos de seu coração ainda não configurados pelo amor. Quando Jesus fixa o olhar em Simão, seus olhos descobrem no interior deste homem um nome escondido (Pedro), e ao pronunciá-lo, possibilita-lhe despertar essa vocação já inscrita no mais profundo de seu ser. Aqui começa para Pedro uma nova história, que já não será narrada por ele sozinho, mas em comunhão com Jesus, entre idas e vindas, fragilidades e fortalezas, tentativas no amor e fracassos...

Nas itinerâncias de Jesus, Pedro foi convidado a “fazer caminho com Ele”, começando pelo próprio interior; impactado pela ternura cuidadosa de Jesus em sua vida, Pedro irá sendo conduzido a descobrir-se, a ser cada vez mais consciente de si mesmo e adentrar-se por rotas novas de liberdade, de vida, de entrega...

Mateus faz um sugestivo jogo de palavras entre dois nomes gregos comuns: “petros” (pedra) e “petra” (rocha). “Petros” tem o significado de pedra comum, pedregulho, sem consistência; “petra”, por sua vez, significa rocha, pedra sólida sobre a qual se assenta um edifício. “Tu és petros e sobre esta petra...”

Aparece, então, a comparação-oposição entre a fragilidade e a pequenez da pedra frente à segurança e robustez da rocha. Pedro é “pedra” em sua fragilidade humana, mas é “rocha” em sua manifestação de fé. A rocha não é a pessoa de Pedro, mas a fé de Pedro. Sobre essa rocha-fé de Pedro Jesus deseja edificar sua comunidade de seguidores.

Nesse sentido, o Evangelho de hoje também nos ajuda a ler nossa vida. Ali afirma-se também a nossa identidade; e a nossa identidade se revela por aquilo que é sólido, consistente... no nosso interior, que não se desfaz com as adversidades do mundo no qual vivemos (crises, fracassos...).

Toda pessoa possui dentro de si uma profundidade que é seu mistério íntimo e pessoal. Sobre essa “rocha” construímos nossa maneira de seguir a Jesus.

Texto bíblico:  Mt 16,13-20 

Na oração: Devemos aprender a olhar a vida e as pessoas como Jesus as olhava, ou seja, um olhar capaz de vislumbrar o mais humano e mais divino em cada um(a), um olhar que faz emergir a rocha consistente, sobre a qual construir um estilo de vida, à maneira de Jesus.

- Ao sentir-se olhado por Jesus, como Pedro, você é capaz de vislumbrar outros dons, recursos, capacidades... do seu próprio interior e que darão a solidez à sua própria vida? O que é “petra” no seu interior?

Pe. Adroaldo Palaoro sj 

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2124-a-solidez-em-nossa-vida


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sábado, 22 de agosto de 2020

HISTÓRIA, SONHO REAL


             História, Sonho real

9 de agosto de 2020

Para esses dias em que esquerdistas esquizofrênicos procuram reescrever a História — editando-a de acordo com seus interesses ideológicos partidários — seguem algumas frases para refletirmos neste fim de semana.


 “A História é a testemunha dos tempos, a luz da verdade, a vida da memória, a mestra da vida, a mensageira da antiguidade”.

(Cícero)

“Cícero afirmou que a História é a mestra da vida; e eu digo que a vida é também a mestra da História, pois entendendo a vida se conhece melhor a História”.

(Plinio Corrêa de Oliveira)

“O historiador e o poeta se distinguem um do outro, não pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso. Diferem entre si porque um escreve o que aconteceu, e o outro o que poderia ter acontecido”.

(Aristóteles)

“O romance é a história dos homens, e a História é o romance dos reis”.

(Alphonse Daudet)

“Afirma-se que a História é o breviário dos reis”.

(Henri de Saint-Simon)

 “A História, de qualquer modo que seja escrita, sempre encanta”.

(Plinio o Moço)

“A História não estuda só os fatos materiais e as instituições, seu verdadeiro objeto de estudo é a alma humana”.

(Fustel de Coulanges)

 

https://www.abim.inf.br/historia-sonho-real/

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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

ENTRE VOLPI E MODIGLIANI - Marco Lucchesi


Mais longa vida é um dos livros mais fascinantes de Marina Colasanti. Não sei dizer ao certo se acabo de ler ou de ouvir essa pequena sinfonia de dor e harmonia, dissonância e bilinguismo, transfigurada nas modulações e células rítmicas. Como quem segue, arrebatado, o segundo movimento do concerto para piano, op. 21, de Mozart, o famoso K 467. Ou talvez devo ter lido seus poemas, como quem recebe uma carta, com selo e carimbo, escrita por um amigo fraterno, perdido em alguma parte do mundo. Em poucas palavras, varei a madrugada, insone, com essa partitura luminosa, com essa carta de fundo mozartiano.

Impressiona ver a ampla cultura literária de Marina, sua intimidade com a poesia italiana e luso-brasileira, sem fronteira ou franquia. Marina invoca um diálogo raro, um diálogo anfíbio e duplicado, nas tramas da alma, da terra e da língua. Ungaretti e Drummond, Bandeira e Montale, Camões e Cecilia, Al Berto e Quasimodo caminham de mãos dadas. Ninguém se engane: não se trata de influência, mas de confluência. A voz de Marina é clara e original, solitária e singular.

Impera neste livro a delicadeza. O princípio de Mozart, ou de Pixinguinha, não permite estridência. A dor e a morte ocupam uma circunscrição bem de#nida e apolínea. Não há excesso, entre Volpi e Modigliani, apenas o essencial. Mais longa vida guarda o mistério de um livro sem mistério. A simplicidade do que é altamente complexo. O mais no menos, a luz nas trevas, o princípio no fim.

Saúdo, comovido, o livro de Marina e seu leitor. Será um encontro definitivo, sem volta, amoroso e fraterno.

Comunità Italiana, 18/08/2020

 https://www.academia.org.br/artigos/entre-volpi-e-modigliani

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Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila, foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Foi eleito Presidente da ABL para o exercício de 2018.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

O ALIENISTA CAP. I - Machado de Assis

De como Itaguaí ganhou uma Casa de Orates

 

            As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo el-rei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia.

             — A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo.

            Dito isso, meteu-se em Itaguaí, e entregou-se de corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas com as leituras, e demonstrando os teoremas com cataplasmas. Aos quarenta anos se casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas, —únicas dignas da preocupação de um sábio, D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte.

            D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamarte, não lhe deu filhos robustos nem mofinos. A índole natural da ciência é a longanimidade; o nosso médico esperou três anos, depois quatro, depois cinco. Ao cabo desse tempo fez um estudo profundo da matéria, releu todos os escritores árabes e outros, que trouxera para Itaguaí, enviou consultas às universidades italianas e alemãs, e acabou por aconselhar à mulher um regímen alimentício especial. A ilustre dama, nutrida exclusivamente com a bela carne de porco de Itaguaí, não atendeu às admoestações do esposo; e à sua resistência, —explicável, mas inqualificável, — devemos a total extinção da dinastia dos Bacamartes.

            Mas a ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas; o nosso médico mergulhou inteiramente no estudo e na prática da medicina. Foi então que um dos recantos desta lhe chamou especialmente a atenção, —o recanto psíquico, o exame de patologia cerebral. Não havia na colônia, e ainda no reino, uma só autoridade em semelhante matéria, mal explorada, ou quase inexplorada. Simão Bacamarte compreendeu que a ciência lusitana, e particularmente a brasileira, podia cobrir-se de "louros imarcescíveis", — expressão usada por ele mesmo, mas em um arroubo de intimidade doméstica; exteriormente era modesto, segundo convém aos sabedores.

            — A saúde da alma, bradou ele, é a ocupação mais digna do médico.

            — Do verdadeiro médico, emendou Crispim Soares, boticário da vila, e um dos seus amigos e comensais.

            A vereança de Itaguaí, entre outros pecados de que é arguida pelos cronistas, tinha o de não fazer caso dos dementes. Assim é que cada louco furioso era trancado em uma alcova, na própria casa, e, não curado, mas descurado, até que a morte o vinha defraudar do benefício da vida; os mansos andavam à solta pela rua. Simão Bacamarte entendeu desde logo reformar tão ruim costume; pediu licença à Câmara para agasalhar e tratar no edifício que ia construir todos os loucos de Itaguaí e das demais vilas e cidades, mediante um estipêndio, que a Câmara lhe daria quando a família do enfermo o não pudesse fazer. A proposta excitou a curiosidade de toda a vila, e encontrou grande resistência, tão certo é que dificilmente se desarraigam hábitos absurdos, ou ainda maus. A ideia de meter os loucos na mesma casa, vivendo em comum, pareceu em si mesma sintoma de demência, e não faltou quem o insinuasse à própria mulher do médico.

            — Olhe, D. Evarista, disse-lhe o Padre Lopes, vigário do lugar, veja se seu marido dá um passeio ao Rio de Janeiro. Isso de estudar sempre, sempre, não é bom, vira o juízo.

            D. Evarista ficou aterrada, foi ter com o marido, disse-lhe "que estava com desejos", um principalmente, o de vir ao Rio de Janeiro e comer tudo o que a ele lhe parecesse adequado a certo fim. Mas aquele grande homem, com a rara sagacidade que o distinguia, penetrou a intenção da esposa e redarguiu-lhe sorrindo que não tivesse medo. Dali foi à Câmara, onde os vereadores debatiam a proposta, e defendeu-a com tanta eloquência, que a maioria resolveu autorizá-lo ao que pedira, votando ao mesmo tempo um imposto destinado a subsidiar o tratamento, alojamento e mantimento dos doidos pobres. A matéria do imposto não foi fácil achá-la; tudo estava tributado em Itaguaí. Depois de longos estudos, assentou-se em permitir o uso de dois penachos nos cavalos dos enterros. Quem quisesse emplumar os cavalos de um coche mortuário pagaria dois tostões à Câmara, repetindo-se tantas vezes esta quantia quantas fossem as horas decorridas entre a do falecimento e a da última bênção na sepultura. O escrivão perdeu-se nos cálculos aritméticos do rendimento possível da nova taxa; e um dos vereadores, que não acreditava na empresa do médico, pediu que se relevasse o escrivão de um trabalho inútil.

            — Os cálculos não são precisos, disse ele, porque o Dr. Bacamarte não arranja nada. Quem é que viu agora meter todos os doidos dentro da mesma casa?

            Enganava-se o digno magistrado; o médico arranjou tudo. Uma vez empossado da licença começou logo a construir a casa. Era na Rua Nova, a mais bela rua de Itaguaí naquele tempo, tinha cinquenta janelas por lado, um pátio no centro, e numerosos cubículos para os hóspedes. Como fosse grande arabista, achou no Corão que Maomé declara veneráveis os doidos, pela consideração de que Alá lhes tira o juízo para que não pequem. A idéia pareceu-lhe bonita e profunda, e ele a fez gravar no frontispício da casa; mas, como tinha medo ao vigário, e por tabela ao bispo, atribuiu o pensamento a Benedito VIII, merecendo com essa fraude aliás pia, que o Padre Lopes lhe contasse, ao almoço, a vida daquele pontífice eminente.

            A Casa Verde foi o nome dado ao asilo, por alusão à cor das janelas, que pela primeira vez apareciam verdes em Itaguaí. Inaugurou-se com imensa pompa; de todas as vilas e povoações próximas, e até remotas, e da própria cidade do Rio de Janeiro, correu gente para assistir às cerimônias, que duraram sete dias. Muitos dementes já estavam recolhidos; e os parentes tiveram ocasião de ver o carinho paternal e a caridade cristã com que eles iam ser tratados. D. Evarista, contentíssima com a glória do marido, vestira-se luxuosamente, cobriu-se de joias, flores e sedas. Ela foi uma verdadeira rainha naqueles dias memoráveis; ninguém deixou de ir visitá-la duas e três vezes, apesar dos costumes caseiros e recatados do século, e não só a cortejavam como a louvavam; porquanto, — e este fato é um documento altamente honroso para a sociedade do tempo, — porquanto viam nela a feliz esposa de um alto espírito, de um varão ilustre, e, se lhe tinham inveja, era a santa e nobre inveja dos admiradores.

            Ao cabo de sete dias expiraram as festas públicas; Itaguaí, tinha finalmente uma casa de orates.

 

Fonte:

MINISTÉRIO DA CULTURA

Fundação Biblioteca Nacional

Departamento Nacional do Livro

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Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 21 de junho de 1839, e faleceu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908. É o fundador da cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras. Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor de O Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada também de Casa de Machado de Assis.


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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

TRÊS INÉDITAS VARIADAS

Fellini

Toda a Itália festeja este ano o centenário de um dos maiores gênios do Séc. XX, o cineasta Federico Fellini, de tantas obras-primas, patrimônios da Sétima Arte. São muitas as manifestações, e uma delas, talvez a mais significativa, será a inauguração do Museu Internacional Fellini, em Rimini, sua cidade natal, na costa adriática da bota italiana. E o mundo também o homenageia: aqui em Salvador, a Editora da Universidade Federal da Bahia - Edufba, dirigida por Flávia Goulart Rosa, acaba de lançar "Diálogos com Fellini", organizado por Cássia Lopes e Paulo Henrique Alcântara. O livro reúne textos deles, de Antonella Rita Roscilli (de Roma) e Mauro Porru, entre outros, num total de 11 artigos.

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Ateliê francês

Um grupo de jornalistas internacionais da APE, que é a Associação da Imprensa Estrangeira de Paris, já tem encontro marcado após as férias de verão, na capital francesa: vão visitar o fantástico ateliê da Reunião dos Museus Nacionais da França, e do Grand Palais que fica nos Champs-Élysées. É onde técnicos e artistas moldam e fabricam cerca de seis mil peças conhecidas mundialmente, a partir das obras-primas, e que ficam à venda nas butiques desses museus. Será no dia 19 de setembro, e à frente da iniciativa está a diretora de comunicação das butiques da RMN, Sophie Mestiri.

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Prosa e poesia

Membro das Academias de Letras da Bahia, de Ilhéus e de Itabuna,  publicado também  no exterior, Doutor Honoris Causa da Uesc - Universidade Estadual Santa Cruz, autor de extensa obra, de vários gêneros, o escritor e poeta Cyro de Mattos acaba de publicar pela editora baiana Via Litterarum o livro “Prosa e Poesia no Sul da Bahia”, com capa do consagrado desenhista Juarez  Paraís o,  também membro da Academia de letras da Bahia. Na obra, estuda autores que enfocam em seus textos a civilização cacaueira ou mantém com ela  laços de origem,  sintonizados na raiz com  um contexto de natureza, cultural, singular e importância histórica.

Segundo Cyro, esse livro de ensaios, alguns escritos ao longo do tempo,  reúne  nomes consagrados que  ultrapassaram as fronteiras nacionais, outros que  são reconhecidos em nível nacional e alguns que  são retirados   dos limites de seu município, onde se encontram,  por certas circunstâncias,  fora de uma circulação literária  mais abrangente, o que nem sempre parece justo.  A obra funciona como testamento crítico valioso sobre a produção de uma região poderosa no campo das letras, que vem contribuindo para a expansão do acervo cultural e literário da Bahia e do Brasil.

No volume de 350 páginas, Cyro de Mattos estuda obras de 47 autores sulinos do Estado da Bahia. Entre eles estão: Jorge Amado, Adonias Filho, Sosígenes Costa, Telmo Padilha, Valdelice Soares Pinheiro,  Sônia Coutinho, Ricardo Cruz, Lilia Gramacho, Florisvaldo Mattos, Marcos Santarrita,  Piligra, Abel Pereira, Jorge Medauar, Ildázio Tavares, Euclides Neto, Afrânio Peixoto, Adelmo Oliveira, Hélio Pólvora, Fernando Leite Mendes,  Margarda Fahel,  Jorge Araújo e  Minelvino, dentre outros.

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“Uma coisa admirável nos seus ensaios é o fato de não ficar citando Roland Barthes, Deleuze, Derrida etc etc etc. Seus ensaios são verdadeiros ensaios, como os compreendo, como José Paulo Paes compreendia. Atualmente, os ensaístas se preocupam apenas em citar vários nomes que estão na moda. Na verdade, não dizem nada, reproduzem os outros. Seus ensaios plasmam o resultado de sua reflexão após a leitura e, como escritor que você é, oferece ao leitor uma percepção aguda da leitura realizada.”

 Gerana Damulakis, crítica com vários livros publicados, durante dez anos assinou a coluna Leitura Crítica do Jornal A Tarde, pertence à Academia de Letras da Bahia

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terça-feira, 18 de agosto de 2020

ERA UMA VEZ UM CASTELO – Helena Borborema

 

Itabuna-Bahia. Praça Olinto Leone (ao fundo o antigo "Castelinho", propriedade do intendente Henrique Alves e a antiga Igreja Matriz, ambas as construções não existem mais.)

Fonte: http://historiadeitabuna.blogspot.com


Era Uma Vez um Castelo

Helena Borborema


            Assim começam as histórias infantis, assim também vou iniciar esta minha recordação de infância.

            Era uma vez... muito tempo atrás, bem no início da década de vinte, um rico senhor de terras e cacauais, movido mais pelo seu espírito de esteta do que por ostentação, desejou dar a uma de suas filhas noivas, como presente de casamento, uma bela mansão. Mas, como realizar o seu sonho numa terra onde tudo faltava, onde as coisas belas do espírito nem eram cogitadas, onde o homem vivia apenas em torno dos seus imensos cacauais, seu império e horizonte? O homem rico, porém, sonhava alto, tinha visão larga para o seu tempo e seu meio. Queria uma bonita vivenda, algo que embelezasse a sua cidade, e para isso embarcou para Salvador em busca de um arquiteto.

            A planta de uma bela obra foi traçada, um mini castelo moderno, estilizado, a ser erguido nessas terras grapiúnas que ainda cheiravam a lama, e em pleno século XX. No meio de um casario desprovido de quaisquer artifícios, surgiria uma bela construção. Para tal obra, foram contratados os mais hábeis operários da cidade, entre os quais se destacava um mestre-de-obras, o português seu Américo. Numa cidade onde o comércio não chegara ainda a conhecer o requinte dos vidros coloridos, tintas especiais, como levar avante obra tão exigente como o desenho da construção requeria? Apesar de todas as dificuldades, inclusive o transporte de muito material importado, a obra foi feita. A construção lembrava um castelo, com pequenas ameias no alto adornando-o e simulação de uma torre num dos seus lados. Elegante, com suas janelas adornadas de vidros coloridos, diferente dos castelos medievais ou quatrocentistas da Europa, austeros e sombrios, assemelhava-os, no entanto, em certas linhas e aspectos, dando um visual diferente de tudo o que já se vira em terras grapiúnas.

            Um pintor, verdadeiro artista, com prática de trabalho no Rio de Janeiro e em Salvador, foi chamado para decorar o sobrado interna e externamente. Suas salas e aposentos receberam linda pintura na qual sobressaíam artísticos ramalhetes e guirlandas dispostas entre delicados frisos dourados. Pintura suave, linda, nas paredes. Além desses detalhes, estavam os lustres de irisação que só o puro cristal podia dar sob o efeito das lâmpadas, pendentes no teto de madeira trabalhada, o piso de madeira nobre formando bonitos desenhos, janelas elegantes ornadas de vidros importados, portas e escada de madeira de lei trabalhada com arte. Tudo dava ao castelinho, como passou a ser chamado, um ar de muita beleza e aristocracia.

            Primitivamente, o castelinho ostentou na sua fachada duas grandes sereias, não sei se esculpidas por seu Américo, as quais sustentavam com os braços erguidos e dobrados para trás, uma grande sacada. Anos mais tarde, foram elas demolidas e substituídas por outro ornamento. Era o sobrado uma obra de arquitetura diferente de tudo o que já se vira em Itabuna e nas demais cidades da região.

            Pelos salões do bonito castelinho circulou, nos tempos áureos, a aristocracia do cacau, representada pelos seus proprietários, os Alves Brandão, e convidados que participavam das festas da família.

            Durante anos o castelo da Praça Olinto Leone, como era também chamado, se destacou como lindo cartão-postal. Era admiração para todos que perto dele passassem. Quem não o olhava curioso? Lá estava ele, de frente para a praça, esguio, principescamente lindo, dando um quê de nobreza a todo aquele pedaço de rua e de praça. Sobressaindo no meio do tradicional casario, era aquela construção o testemunho de uma época endinheirada, monumento de amor à terra que tanto prodigalizou as benesses aos que a ela se dedicaram, nela fizeram fortuna e souberam retribuir a sua dadivosidade. Era ele o símbolo, a expressão da crença de um homem, Firmino Alves, no futuro de uma cidade.

            O tempo foi passando, e com ele foi embora uma parte daquela geração de homens suados pelo trabalho da terra, por isso mesmo carregados de amor e apego ao chão de suas lutas e ideais. Novas gentes chegaram a Itabuna, como chegam as folhas novas de uma árvore após o outono. O tronco é o mesmo, não muda, mas as folhas são outras. Veio o desapego, o desamor à tradição. Para que conservar o que nada significava de amor para elas? E num triste dia, silenciosamente, na calada da noite, impiedosamente, sem protestos, sem o menor respeito ao sentimento de um povo, sem nenhuma causa justificável, o castelinho foi jogado abaixo, como se com ele jogassem no lixo as relíquias do passado de um povo, de uma cidade.

            Hoje, já não podemos mais ostentar aquela obra de arte da Itabuna antiga, saída da destreza das mãos de artistas que a ergueram. Apenas choramos o seu desaparecimento. Os jovens itabunenses vão saber do Castelinho por ouvir contar: “era uma vez um castelo...”.

            Fui mais feliz do que eles, pois ainda guardo, como boa lembrança de infância, os momentos que olhei o lindo castelo com prazer, e o encantamento que suas grandes sereias proporcionaram ao meu espírito infantil. Recordo a sua entrada elegante, sua porta de madeira lindamente trabalhada e a escadaria externa, diante da qual muitas vezes parei, na volta da escola primária, na tentação de querer brincar de escorregar pelos seus degraus abaixo, animada pelo convite que a magia do Castelinho fazia ao meu espírito de criança, sob o olhar de pedra duro e frio das duas sereias.

 

(RETALHOS)

Helena Borborema

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HELENA BORBOREMA  

Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município. (A autora)

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Conhecida professora itabunense, filha do Dr. Lafayette Borborema, o primeiro advogado de Itabuna. É autora de ‘Terras do Sul’, livro em que documento, memória e imaginação se unem num discurso despretensioso para testemunhar o quadro social e humano daqueles idos de Tabocas. Para a professora universitária Margarida Fahel, ‘Terras do Sul’ são estórias simples, plenas de ‘emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra’.  (Cyro de Mattos em ITABUNA, CHÃO DE MINHAS RAÍZES 1996)

 

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