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quarta-feira, 4 de março de 2020

SOBRE ALZHEIMER


Esquecimento temporário do professor francês Bruno Dor, do Instituto de Memória e Doença de Alzheimer (IMMA)
nos hospitais La Pitié-Salpêtrière - Paris. Ele aborda o assunto em uma maneira bastante tranquilizadora:

"Se alguém está ciente de seus problemas de memória, ele não tem Alzheimer".

1. Eu esqueço os nomes das famílias ...
2. Não me lembro onde coloco algumas coisas ...

Muitas vezes acontece em pessoas com 60 anos ou mais que elas reclamam que não têm memória.
"A informação está sempre no cérebro, é o" processador "que é
em falta. "

Isso é "Anosognosia" ou esquecimento temporário.

Metade das pessoas com 60 anos ou mais apresenta alguns sintomas devidos à idade e não à doença.
Os casos mais comuns são:
- esquecendo o nome de uma pessoa,
- indo para um quarto da casa e não lembrando por que estávamos indo para lá
- uma memória em branco para um título ou ator de filme, atriz,
- uma perda de tempo procurando onde deixamos nossos óculos ou chaves ...

Depois de 60 anos, a maioria das pessoas tem essa dificuldade, o que indica que não é uma doença, mas uma característica devido ao passar dos anos.

Muitas pessoas estão preocupadas com esses descuidos, daí a importância da seguinte declaração:

"Aqueles que estão conscientes de serem esquecidos não têm nenhum problema sério de memória".

"Aqueles que sofrem de uma doença de memória ou Alzheimer não estão cientes do que está acontecendo".

O professor Bruno Dubois, diretor da IMMA, tranquiliza a maioria das pessoas preocupadas com sua supervisão:

"Quanto mais nos queixamos de perda de memória, menor a probabilidade de sofrer de doença de memória".

- Agora, para um pequeno teste neurológico:

Use apenas seus olhos!

1- Encontre o C na tabela abaixo!

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOCOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
2- Se você já encontrou o C,

Em seguida, encontre o 6 na tabela abaixo.

999999999999999999999999999999999999999999999
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3- Agora encontre o N na tabela abaixo.
Atenção, é um pouco mais difícil!

MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMNMM
MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM

Se você passar nesses três testes sem problemas:
- você pode cancelar sua visita anual ao neurologista.
- seu cérebro está em perfeita forma!
- está longe de ter qualquer relação com a doença de Alzheimer.

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terça-feira, 3 de março de 2020

A OUSADIA DE QUESTIONAR - Arnaldo Niskier


Sempre defendemos a ideia de que o Brasil merece um Prêmio Nobel, seja em que categoria for.  Israel, por exemplo, que só tem 0,2% da população mundial, está hoje com 22% de todos os Prêmios Nobel, além de ter recebido 38% de todos os Oscars de cinema, na categoria de diretor.  É certo que esses resultados são grandemente movidos pelo fato de o pequeno país de 8 milhões de habitantes ser uma espécie de locomotiva quando o tema é tecnologia.

Isso é resultado menos de um discutível poderio genético, mas muito mais do que chamamos de ambiência cultural, como escreveu com muita propriedade o pranteado escritor Amos Oz.  Ao longo de séculos de existência, os judeus transmitiram às novas gerações conteúdos de indiscutível valor, como os que se encontram na Bíblia de que são cultores.

Além do mais, aprenderam a valorizar o questionamento como método de inovação.  Inculcam nos jovens valores de sua elogiada civilização.  Os alunos sempre foram estimulados a questionar, caracterização que passou a ser a de um bom aluno, o que deve acontecer desde cedo, na escola e no lar.  O foco nunca se desviou de uma educação de qualidade.

A propensão a discutir sobrevive, com o encorajamento do estímulo à curiosidade, que se utiliza de modo conveniente do humor na proporção adequada.  Talvez se possa afirmar que o cineasta Woody Allen seja uma expressão viva do que aqui afirmamos, com os seus filmes de tanto sucesso.

Um aspecto essencial nessa realidade é o papel exercido pelas mulheres, na sociedade hebraica.  Poucas culturas terão dado tanto relevo às mulheres, abrindo espaço para a necessária igualdade.  Em termos culturais não existe a deletéria diferença que marca outras sociedades modernas.

Na busca incessante pela inovação, homens e mulheres dão-se as mãos, como é o ideal que aconteça sempre.  É natural que o povo do livro, assim marcado graças à ênfase dada à Bíblia, tenha obsessão pelas palavras, com opiniões democraticamente diferenciadas.  Se é da discussão que nasce a luz, talvez nenhum outro povo tenha valorizado tanto essa característica.

Em discussão recente, quando o tema era o Holocausto, quando foi referida a contribuição judaica ao desenvolvimento científico e tecnológico, sobretudo nos países vítimas mais diretas da bestialidade nazista, levantou-se a tese do enorme prejuízo causado pela morte indiscriminada de cérebros nos campos de extermínio da Europa.  Já imaginaram se isso não tivesse ocorrido, como o mundo teria se beneficiado?

Tribuna do Sertão, 02/03/2020


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Arnaldo Niskier - Sétimo ocupante da Cadeira nº 18 da ABL, eleito em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira de Letras em 1998 e 1999.

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segunda-feira, 2 de março de 2020

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020 - "Fraternidade e vida: dom e compromisso"



Tema: ‘Fraternidade e vida: dom e compromisso’
Lema: ‘Viu, sentiu compaixão e cuidou dele’
Composição: Padre José Antônio de Oliveira
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Ligue o vídeo abaixo:

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Hino da Campanha da Fraternidade 2020


Deus de amor e de ternura, contemplamos
Este mundo tão bonito que nos deste
Desse dom, fonte da vida, recordamos
Cuidadores, guardiões tu nos fizeste.

Peregrinos, aprendemos nesta estrada
O que o bom samaritano ensinou
Ao passar por uma vida ameaçada
Ele a viu, compadeceu-se e cuidou.

Toda vida é um presente e é sagrada
Seja humana, vegetal ou animal
É pra sempre ser cuidada e respeitada
Desde o início até seu termo natural.

Peregrinos...

Tua glória é o homem vivo, Deus da vida
Ver felizes os teus filhos, tuas filhas
É a justiça para todos, sem medida
É formarmos, no amor, bela Família.

Peregrinos...

Mata a vida o vírus torpe da ganância
Da violência, da mentira e da ambição
Mas também o preconceito, a intolerância
O caminho é a justiça e conversão.



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NÃO PACTUAR COM A REVOLUÇÃO — O EXEMPLO DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO


1 de março de 2020
Tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789

Plinio Maria Solimeo

No prólogo de sua completíssima biografia de Santo Afonso de Ligório,[i] o erudito historiador e hagiógrafo francês Padre Berthe [quadro abaixo] debuxa em rápidos traços a situação religiosa na França no início do século XX.

Escrevendo em 1906, referindo-se aos nefastos efeitos da diabólica Revolução Francesa: “Já faz 100 anos que a Revolução ataca a Igreja de Deus com um furor sempre crescente. […] Atualmente ela derruba a golpes de machado todas as instituições cristãs: laiciza a família, a escola, o hospital, a caserna, o cemitério e até a rua, proibida doravante ao Deus feito homem”.

Pe. Augustin Berthe

Entretanto, após investir contra o altar e o trono, a Revolução de 1789 fez um recuo tático: com a Concordata de Napoleão e particularmente com a Restauração dos Bourbons em 1814, ela permitiu que a situação religiosa na França de certo modo se recompusesse e a Igreja recomeçasse a inspirar a vida pública dos franceses. Contudo, como os revolucionários não estavam dormindo, mas tinham apenas mudado de tática, ganharam amplamente as eleições em 1879 e começaram a trabalhar para acabar coma influência da Igreja sobre o Estado, ainda relativamente forte.

Assim, nesse mesmo ano suprimiram a obrigação do repouso dominical, e no ano seguinte interditaram as congregações religiosas e expulsaram a Companhia de Jesus. Em 1881 secularizaram os cemitérios, até então ligados à Igreja, e em 1882 laicizaram a escola primária, tirando-a do âmbito religioso.

Mas isso ainda não satisfazia a sanha dos revolucionários: em 1884 eles suprimiram as orações públicas na Câmara dos Deputados e restabeleceram o divórcio. No ano seguinte fecharam as Faculdades de Teologia geridas pelo Estado e laicizaram os hospitais, que até então sob a tutela da Igreja. Em 1886 laicizaram o pessoal de ensino nos estabelecimentos laicos e em 1887 retiraram os símbolos religiosos dos tribunais. Em 1889 decretaram a convocação dos seminaristas e clérigos para o serviço militar, e finalmente, em 1904, romperam as relações diplomáticas com a Santa Sé e decretaram a separação da Igreja e do Estado[ii].

Enquanto os revolucionários demoliam assim toda a influência da Igreja na esfera temporal, o que faziam os católicos, majoritários no país? Como foi possível — pergunta o Padre Berthe — “reduzir os católicos a esse estado de escravidão” na outrora Filha Primogênita da Igreja, sem que houvesse uma reação proporcional?

Para o ilustre eclesiástico, isso só se deu porque os católicos em geral se esqueceram de que a Igreja é militante e, portanto, que devem lutar contra o demônio, o mundo e a carne. Mas, sobretudo, porque “a maioria não quis compreender que o cataclismo de 1789 não foi uma revolução comum, mas a Revolução dos povos contra Deus e contra seu Cristo, a apostasia das nações”.

Eis como o Pe. Berthe descreve a consequência dessa apostasia dos católicos: “Cegos voluntários, em presença das ruínas que se acumulavam, continuavam a repetir ‘que o mal não é tão grande, que todos os séculos se assemelham, e que os homens sempre foram os mesmos’. Eles dormirão em seu otimismo até o dia em que, com a religião e a moral destruídas, a sociedade desmoronará sob os golpes do socialismo”.

Mas é preciso citar os “colaboracionistas” — aqueles católicos “esclarecidos e progressistas” como os há hoje —, “que julgavam que se devia poupar [a Revolução], aceitando seus princípios, louvando como ela a liberdade, o progresso, a civilização moderna, aconselhando mesmo à Igreja de se reconciliar com o direito novo, de sacrificar suas imunidades, e de se mostrar menos intransigente em matéria de moral, de ascetismo, de exegese, de história, de tradições”.

É o que sucede também em nossos dias quando, para adaptar a Igreja ao “espírito do mundo”, se leva tudo de roldão, provocando o desfazimento da vida de família com a avalanche homossexual, a teoria de gênero, o aborto etc., tendo como consequência, sobretudo, a terrível crise que devasta a Santa Igreja.

Continuando com o Padre Berthe, por causa dessa colaboração ou pela falta do espírito de luta, “se nós perdemos bom número de nossas posições, é porque não as quisemos defender muito vigorosamente. […] Em tempo de guerra, todo homem é soldado; em tempo de perseguição, todo cristão deve dizer como os Macabeus: ‘Antes a morte à apostasia!’”.

Qual é a solução que nos apresenta? A que ele propõe era válida para o início do século XX, mas hoje, por causa da profunda crise na Igreja, precisaria de uma adaptação, a qual exigiria uma nova envergadura para combater o mal.

Afirma o autor: “O melhor meio de reanimar nos corações a santa chama do entusiasmo cristão é colocando sob os olhos dos católicos a vida e os combates daqueles que se fizeram cavaleiros de Cristo e de sua Igreja. Nos primeiros séculos, quando o sangue corria aos borbotões, liam-se nas assembleias as Atas dos mártires, e os homens, as mulheres e as crianças, levados pelo exemplo, corriam em busca do suplício”.

O Padre Berthe apresenta Santo Afonso Maria de Ligório [quadro ao lado] como modelo para enfrentar a crise: “Lancemos um simples golpe de vista sobre sua longa carreira e dar-nos-emos conta das vitórias que obteremos sobre os inimigos de Deus se soubermos lutar com o mesmo espírito, a mesma coragem, as mesmas armas desse campeão de nossa santa e nobre causa”.

Ele então sintetiza em poucas linhas o perfil desse grande santo: “Quando o jovem cavaleiro napolitano estava na idade de compreender o que se passava no mundo, três tipos de sectários — os jansenistas, os regalistas e os filósofos — trabalhavam em concerto para arruinar o catolicismo. Voltaire e Rousseau semeavam por toda parte os princípios da Revolução que oprimem hoje o mundo inteiro. Não tendo no coração outra paixão senão a de propagar o reino de Jesus Cristo salvando as almas resgatadas pelo seu sangue, Afonso abandonou seu palácio, seu direito de primogenitura, suas esperanças de futuro [era famoso advogado no Fórum de Nápoles], suspendeu sua espada no altar de Nossa Senhora da Misericórdia e entrou na milícia sagrada, a fim de levar seu socorro ao povo de Deus”.

Continua o Padre Berthe: “Revestido dessa armadura [da penitência], ele empunha o gládio e marcha contra o inimigo. Seu gládio não é o da palavra, como a espuma dos retóricos, mas o gládio do grande Apóstolo, que penetra até a divisão da alma e do espírito e quebra todas as resistências. […] Por toda parte veneram o santo, o taumaturgo, o profeta, porque Deus está visivelmente com ele, a Virgem se digna iluminá-lo com um brilho todo celeste enquanto ele prega ao povo”.

O grande Doutor da Igreja, no entanto, deseja fazer render todos os talentos que recebeu do Criador. “Ele deseja que todos os cristãos se compenetrem de seu espírito cavalheiresco. Por seus numerosos escritos dirigidos às diversas classes da sociedade, ele se esforça para despertar por toda parte a fé, o amor de Jesus Cristo, o zelo pela salvação das almas. Suas calorosas exortações vão encontrar os bispos em seus palácios, os padres em seus presbitérios, os religiosos e as religiosas em suas celas, os próprios reis em seus tronos”.

Finalmente, conclui o Padre Berthe: “E quando esse grande homem, apóstolo, fundador, bispo, asceta, moralista, apologista, tinha assim, durante meio século, sustentado a Igreja e repelido o mundo, Deus lhe pôs sobre os ombros a cruz de seu Divino Filho, e o fez subir, durante 20 anos, a montanha do Calvário. […] Crucificado em seu coração até se ver caluniado junto ao Papa e expulso da Congregação da qual era fundador, ele exclamou: Fiat! Crucificado em sua alma até sentir-se abandonado pelo próprio Deus, ao bordo do inferno, cercado de demônios que o incitavam ao desespero, ele aceita a prova, triunfa de todos seus inimigos e morre sorrindo à Virgem Maria, que vem buscá-lo para conduzi-lo ao Céu. […] Os católicos mais ou menos seduzidos pela ilusão liberal aprenderão do santo Doutor a morrer antes que transigir com a Revolução ou ceder a Satã um só dos direitos que pertencem a Cristo e à sua Igreja”.


[i]R.P.Berthe, Saint Alphonse de Liguori – 1696 – 1787, Tomo I, Librairie de laSainte Famille, Paris, 1906.




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domingo, 1 de março de 2020

SEUS OLHOS SÃO DOIS SÓIS – Wagner Borges


Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original:

Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente o ódio. Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior. Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro. Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida. Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo. Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.

Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer. Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz. Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração. Que em cada amigo o teu coração faça festa e celebre o encanto da amizade profunda que liga as almas afins. Que em teus momentos de solidão e cansaço esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.

Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível tocando o centro do teu ser eterno. Que um suave acalanto te acompanhe, na Terra ou no Espaço, e por onde quer que a Luz Divina leve o teu viver. Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável. Que os teus pensamentos, os teus amores, o teu viver, e a tua passagem pela vida sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele Amor que não se explica, só se sente.

Que esse Amor seja o teu acalanto secreto, viajando eternamente no centro do teu ser. Que esse Amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora. Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da presença que está em ti e em todos os seres. 
Que o teu viver seja pleno de PAZ E LUZ.  


"Gotas de Crystal" <luciacrystal@gmail.com>

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (172)


1º Domingo da Quaresma – 01/03/2020

Anúncio do Evangelho (Mt 4,1-11)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”.
Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’”
Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto’”.
Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:

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“O Espírito conduziu Jesus ao deserto...” (Mt 4,1) 

Na experiência do batismo, Jesus escutou a voz do Pai. Trata-se do principal momento teofânico de sua vida, juntamente com a transfiguração. Mateus se serve deles para proclamar que a identidade de Jesus consiste em ser o Filho amado do Pai. Essa é sua identidade e nela se revela que seu “código genético” consiste em ser o Filho, o Amado, o Predileto..., sobre quem se visibiliza a complacência do Pai.

Agora podemos compreender sua ida ao deserto, movido pelo Espírito, como uma necessidade imperiosa de “processar”, no silêncio e na solidão, essa revelação, de alargar espaço, em sua interioridade, para o deslumbramento e o assombro.

O significado do deserto não é prioritariamente o penitencial. “Levá-lo-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração”, tinha dito Oséias (2,16), convertendo o deserto em um lugar privilegiado de encontro pessoal e de escuta da Palavra. Jesus é conduzido ao deserto para acolher a Palavra escutada em seu coração no momento de seu batismo. Ele precisava de tempo para assentar no mais profundo de seu ser uma Palavra que o descentrasse para sempre de si mesmo e o situasse à sombra da ternura incondicional de Alguém maior.

O evangelista Mateus apresenta a estadia de Jesus no deserto como um tempo de lucidez, fazendo-nos perceber que a relação filial da qual Ele tinha tomado consciência, iluminou de tal maneira sua visão, que se tornara impossível confundir a Deus com os falsos ídolos que o tentador lhe apresenta: um deus em busca de um mágico e não de um Filho; um “deus” contaminado das vazias pretensões do pior da condição humana: ter, brilhar, ostentar poder, exercer domínio...

O que parece claro é que Jesus buscou o deserto para um tempo de discernimento, em oração e em solidão, diante do Pai que o proclamou seu Filho; Ele teve de refletir e discernir sobre o modo como assumiria sua missão em sua vida pública.

Ora, essa missão comportava, de fato, não só um fim que havia de realizar (a salvação e a libertação total da humanidade) senão, também, um meio, ou seja, um caminho e uma maneira de proceder, tendo em vista alcançar aquele fim. E esse meio ou esse procedimento era, essencialmente, a solidariedade com todos os pecadores e excluídos da terra, a ponto de morrer com eles e por eles.

Não podemos esquecer que o tentador não propõe a Jesus que se afastasse de seu fim, ou seja, de seu projeto messiânico de salvação (“Se és o Filho de Deus...”), senão que, na realidade, o que ele faz é oferecer a Jesus alguns meios determinados para realizar a implantação do Reino do Pai.

Como viver sua missão e a partir de quê lugar? Buscando seu próprio interesse ou escutando fielmente a Palavra do Pai? Como deverá atuar? Dominando os outros ou pondo-se a seu serviço? Buscando sua própria glória ou a vontade de Deus? Centrando sua vida na busca de poder e riqueza ou assumindo uma vida pobre, como expressão de solidariedade com os mais excluídos?

Na cena das tentações, vemos Jesus reagindo do mesmo modo como fez ao longo de toda sua vida: centrado e em sintonia afetiva com tudo aquilo que Ele vai descobrindo como o querer de seu Pai: a vida abundante daqueles que veio buscar e salvar. Ele não veio para preocupar-se de seu próprio pão, mas de preparar uma mesa na qual todos pudessem se sentar para comer; Ele não veio para que os anjos o carregassem sobre as asas, para angariar fama e “ter um nome”, mas para dar a conhecer o nome do Pai e carregar sobre seus ombros todos os perdidos, como um pastor carrega a ovelha extraviada. Não veio para possuir, dominar ou ser o centro, mas para servir e dar a vida.

O que livra Jesus de cair nos enganos do tentador é sua excentricidade, sua referência ao Pai e à sua Palavra, e, a partir desse Centro, receberá o impulso para abandonar o deserto e se deixar conduzir pela corrente de Vida, alimentada pelo Espírito. A partir desse momento, vê-lo-emos caminhando pela Galileia, entrando em relação com o mundo dos pobres e excluídos, anunciando o Reino, criando uma nova comunidade de vida, buscando colaboradores, aproximando-se das pessoas, entrando nas casas, acolhendo, curando, ensinando, abrindo um horizonte de sentido para a vida das pessoas...

A passagem evangélica das tentações também nos inspira a encontrar com o mesmo Deus a quem Jesus conheceu no deserto: um Deus que não exige de nós proezas nem gestos espetaculares, mas somente alimentar nossa confiança n’Ele e nosso agradecimento; um Deus que nos dirige sua Palavra, não para nos impor obrigações ou para apontar nossas fragilidades, mas para nos alimentar e nos fazer crescer; um Deus que não é encontrado nos lugares carregados de prepotência, de poder, de vaidade e consumismo, mas nos lugares do despojamento e da simplicidade de vida, nos lugares dos “descartados” e excluídos.

Muitas vezes pensamos que Deus é um “estraga-prazeres”, ou um Deus triste que não quer que vivamos prazerosamente. E, então, temos a sensação que as tentações são essas coisas fascinantes que nos seduzem, mas que temos de renunciá-las em nome de uma suposta “perfeição”. Porém, Deus não é Aquele que complica nossa vida com leis, sacrifícios, renúncias... Ele quer que vivamos e, de maneira intensa.

Para cruzar os desertos da vida é preciso ativar uma atitude de esvaziamento de tudo aquilo que é “peso morto” para chegar ao mais profundo e verdadeiro de nosso ser. O deserto nos revela de onde viemos e para onde vamos; ele nos remete inteiramente ao Doador da vida e desperta outros recursos vitais, aninhados em nosso interior.

Tudo o mais é pouco para a sede do coração. “Só Deus basta”, nos sussurra o deserto.

Desde sempre, a humanidade inteira e cada um de nós, estamos expostos à tentação. Faz parte de nossa condição humana. Trata-se de um conflito permanente que pode travar nossa existência por dentro.

Por um lado, sentimos o apelo e o impulso para o bem, para a liberdade, para o compromisso e a fraternidade. Mas por outro, sentimos também a sedução e a tendência para o egocentrismo, o prestígio e os instintos de poder e posse. Sentimo-nos simultaneamente santos e pecadores, oprimidos e libertados.

As tentações sempre estão diante de nós, como pedras que se convertem em pães, como aplauso buscado a partir dos critérios do mundo, ou como joelhos que se dobram frente às promessas de um ídolo com pés de barro.  São dinamismos que bloqueiam o fluxo da vida, impedindo-a de se expandir e de se colocar a serviço de outras vidas.

Ser tentado é próprio do humano, mas o que é divino pode também ser encontrado em nosso interior.

Quem é conduzido pelo Espírito, é capaz de acessar à própria interioridade e não se deixa enredar pelos estímulos externos nem pelos impulsos egóicos.

Diante das tentações do poder, do ter e do prestígio, o(a) seguidor(a) de Jesus responde com a partilha, o serviço, a comunhão, a solidariedade... O tempo quaresmal vem ativar esse dinamismo expansivo. E a Campanha da Fraternidade nos motiva a fazer da vida um grande dom e um profundo compromisso.

Só quem se deixa conduzir pelo Espírito, como Jesus, consegue romper com tudo aquilo que atrofia a vida; só assim consegue fazer o salto libertador

Trata-se de ser dócil para deixar-se conduzir pelos impulsos do Espírito, por onde muitas vezes não entende e não sabe. É Ele que ativa o que há de melhor em si mesmo, expandindo sua vida em direção aos valores do Reino: desapego, serviço, esvaziamento do ego...

Na realidade, só existe uma “grande tentação” para os cristãos: a tentação radical da infidelidade a Cristo e a seu Reino. É a tentação de traçar para si mesmo um caminho, isto é, de projetar uma vida para si, dando uma direção diferente daquela que lhe deu o próprio Deus. Esta é a maneira de trair o melhor de si mesmo, de renunciar ao que há de melhor em si mesmo. Tentação essa que significa o fracasso da própria vida.

Texto bíblico: Mt 4,1-11
Na oração: Diante de “Jesus tentado”, recorde experiências pessoais de tentação: quais são aquelas que mais lhe afetam e lhe seduzem? Como você procede para não se deixar conduzir e nem se determinar por elas?
- Recorde dimensões da vida que precisam ser ampliadas a partir da experiência do deserto. 

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 29 de fevereiro de 2020

A REVOLUÇÃO DE ITABUNA – Carlos Pereira filho


            Esta falada revolução de Itabuna, explicava Carlos Sousa ao seu companheiro de palestra, o Tourinho da farmácia, tinha interpretações diversas, mas a interessante é a que contava Adolfo Lima, que foi secretário da Prefeitura. Esse Adolfo Lima, ponderou o farmacêutico, é cidadão inteligente e preparado. Viveu por aqui decentemente, metido nessas políticas e saiu limpo, sem roubar e sem matar, para viver em Ilhéus.

            A história da revolução, repetiu Carlos Sousa, é ótima. O prefeito Antônio Gonçalves Brandão começou a manobrar safadamente para fazer um candidato ao seu gosto e por isso rompeu com o partido que sustentava a candidatura de José Kruschewsky. Do lado de Brandão formaram Paulino Vieira, Afonso Ligouri, Astério Rebouças, Filadelfo Almeida. Firmino Alves e Henrique Alves ficaram na moita, soprando a fogueira para queimarem Zezinho Kruschewsky e Gileno Amado.

            Em Salvador, as coisas não andavam boas, nem poderiam andar, com a política fervendo, entre o Governador Moniz e Arlindo Leone, de quem o deputado itabunenses era correligionário e amigo. Um dia, Antônio Moniz chamou ao palácio Gileno Amado e disse-lhe: “Pelo que vejo você está sozinho, em Itabuna”. Gileno ouviu, queimou de raiva e saiu do palácio. Efetivamente, estava sozinho, ou quase sozinho, com a traição do prefeito e dos amigos. No passeio do palácio, ao sair, encontrou o sargento Belarmino, um caboclo grosso e simpático, cara de homem de coragem.

            Chamou Belarmino e disse-lhe: - Belarmino, você tem coragem para cumprir uma missão arriscada?

            - Tenho até para morrer, é questão do senhor determinar.

            - Então, ouça, Belarmino: pegue o seu fuzil, embarque no vapor que sai hoje, para Ilhéus. Em Ilhéus tome o trem, vá a Itabuna e entregue esta carta ao prefeito, vivo ou morto.

            - Vivo ou morto, eu ou o prefeito? – indagou espantado, o sargento.

            - Um ou outro, Belarmino, como preferir, o caso é que entregue a carta.

            Ordens dadas, ordens cumpridas. Belarmino apanhou o fuzil, encheu a capanga de balas, despediu-se da amante que morava numa casa da Rua da Misericórdia, beijou-a e abraçou-a, arranjou umas fitas milagrosas do Senhor do Bonfim e embarcou no “baiano” para Ilhéus, na terceira classe, cheia de sergipanos enjoados. Uma viagem desgraçada, vento sul contra, mar pela frente, prenúncio de maior temporal. O comandante do navio Jequitinhonha, um homem vermelho de nome Correia, quanto mais o navio jogava, mais ele bebia.

          No dia seguinte saltou em Ilhéus, e foi descansar no quartel para viajar no dia imediato, no trem das sete horas. De vez em quando apalpava o dinheiro que o deputado lhe dera, cem mil-réis e pensava na tal ordem – “ou vivo ou morto”. Era o diabo, mas cumpriria a ordem, “ou vivo ou morto”. Teve uma ideia. Foi à estação e comunicou para Itabuna, pelo telefone, que no outro trem, estaria lá com uma força.

            Realmente, no dia marcado às 11 horas saltou do trem na estação de Itabuna com o fuzil na mão, e a passo militar. A estação estava deserta. Um ou outro curioso, um ou outro espião. Aproximou-se de um soldado que deparou na rua e ordenou que o acompanhasse e disse alto para ser ouvido: “a tropa vem aí”.

            Com o companheiro, marchou para a casa do Prefeito Brandão. Lembrou-se da recomendação: “vivo ou morto”; apalpou a carta, o dinheiro, sacudiu a capanga para ouvir o tinir das balas, umas contra as outras, e enfiou pela porta da residência do Prefeito, apartando os homens de cara feia que encontrava no caminho. Perfilou-se diante do prefeito, entregou a carta e disse marcial: “Dê-me, as ordens”. Pode retirar-se! Exclamou o prefeito. E Belarmino, militarmente, saiu, como havia entrado.

            Perto da Rua do Lopes, observou que um grupo marchava em sua direção e, incontinenti, atirou contra o grupo que correu, tendo um jagunço perdido o chapéu arrancado por uma bala. Ao mesmo tempo os “cauassus”, que guardavam a residência de José Kruschewsky, começaram a atirar também e estabeleceu-se um tiroteio do diabo. Um sujeito passou correndo e gritou: “A tropa da polícia tomou a cidade, está chegando por todos os lados”.

            Paulino Vieira, Henrique Félix correram, fugiram ou se esconderam. Belarmino soube da notícia, marchou para o esconderijo dos jagunços foragidos de Paulino Vieira e nas pastagens ao lado apanhou todo o armamento jogado fora na carreira da fuga. Estava terminada a revolução.

            Foi ao telégrafo e passou o seguinte despacho: “Deputado Gileno Amado estou vivo, movimento dominado. Mande as ordens”.

(TERRAS DE ITABUNA – CAPÍTULO XVI)
Carlos Pereira Filho

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