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quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

IGREJA CONVIDA FIÉIS DA AMÉRICA LATINA A REZAREM PELA PAZ NESTE DIA DE GUADALUPE



Redação da Aleteia | Dez 12, 2019

O objetivo da iniciativa é a união dos católicos em oração para que todos os países da região obtenham a graça da paz.

O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) convidou as conferências episcopais, organizações eclesiais, comunidades religiosas, movimentos apostólicos e os fiéis em geral a se unirem ao Dia Continental de Oração pela Paz, em favor dos povos da América Latina e do Caribe, neste dia 12 de dezembro, festa de Nossa Senhora de Guadalupe.

O objetivo da iniciativa é a união dos católicos em oração para que todos os países da região obtenham a graça da paz.

“Convidamos vocês a organizar com suas comunidades paroquiais, movimentos apostólicos, conferências episcopais, famílias e amigos, um momento de oração, rezando o terço, participando de uma liturgia da Palavra ou da Eucaristia ou dedicando um tempo durante o dia para rezar por essa intenção”.

O Celam também convidou os fiéis a compartilharem nas redes sociais a sua adesão ao Dia Continental de Oração pela Paz mediante a hashtag #AméricaLatinaRezaPorLaPaz:

“Conte-nos de onde vocês se unirão para rezar pela paz no continente, como celebrarão a festa da Virgem de Guadalupe em seu países. Recordamos que a mensagem da Virgem de Guadalupe é a da harmonia entre todos os povos numa única civilização de amor e dedicação a Deus”.

A nota do Celam termina afirmando:

“Maria aperfeiçoa a inculturação do Evangelho. Ela é o nosso modelo de discípula e missionária a quem confiamos o destino de nossos povos”.




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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

NATAL - Helena Borborema



            O Natal da menina começava uma semana ou mais antes da data marcada no calendário. Uma alegria íntima, cheia de expectativas, tomava conta do seu espírito, dias e dias antes da festa. A data do nascimento de Cristo não era tão comercial como nos dias atuais, embora não faltasse espírito mercantil entre os adultos. Era uma festa na qual predominava um sentimento de espiritualidade. Não havia ainda a força dominante da mídia para induzir somente ao material, eliminando toda a pureza do sentimento da grande festa cristã. Era esta uma festa de fraternidade, isso se evidenciava no costume de se presentear amigos e vizinhos. Nunca faltavam os cartões de Boas Festas, mesmo para os mais distantes, que não podiam ser esquecidos.

            As casas comerciais, lojas, açougues, farmácias, padarias, armazéns, todos tinham por cortesia distribuir bonitos calendários com os fregueses. As farmácias ainda distribuíam com os compradores os almanaques “Cabeça de Leão”, “Capivarol”, “Saúde da Mulher” e “Biotônico Fontoura”. Entre os vizinhos havia a troca de bolos e compotas caseiros, enviados com o maior esmero. Para os mais chegados, ia o queijo de cuia ou uma garrafa de bom vinho. Dos compadres ou clientes das roças, chegavam gordos perus e leitoas. Enfim, todos tinham alguma coisa para dar e receber, num intercâmbio fraternal.

            Na rua do comércio, isto é, no Buri (Sete de Setembro) e na Praça Adami, o Natal era de muita festa ao ar livre, jogos e quermesses.

            Numa dessas festas, na década de trinta, a Praça Adami foi cenário de dois fatos que causaram alegria às crianças: a instalação do primeiro parque de diversões com sua roda gigante - uma sensação na cidade -, e uma máquina de fazer pipocas - uma novidade. As gambiarras aumentavam o ar de festividade. Semanas antes do Natal, as lojas se enchiam de brinquedos. Nos lares, era uma azáfama com os preparativos da limpeza de assoalhos, pintura de paredes, confecção de arranjos e enfeites. Era tempo de engorda dos Perus cevados especialmente para a ceia, do bolo inglês, dos sequilhos. Mas para a menina, a alegria culminava com a elaboração do presépio que o pai fazia para ela e os irmãos. Deixando de lado qualquer compromisso, ele tirava o domingo mais próximo do Natal para armar com os filhos, embora crianças, o esperando presépio. Era uma festa. Todos colaboravam na confecção, com trabalho e ideias, colocando as inúmeros figurinhas conforme o gosto e a imaginação de cada um. Um bonito painel mandado pintar com cenário da cidade de Belém servia de fundo. Grãos de arroz e milho plantados com antecedência, em latinhas, formavam a grama que dava o verde nas planícies bíblicas. Areia fina trazida da praia, e conchinhas contornavam lagos de espelho. Rebanhos de ovelhas de celuloide ou cerâmica eram espalhados sobre montes feitos de papel amassado pintado de roxo-terra e pastagens.  

            Pronto o presépio, achado bonito, tudo no devido lugar,  o Deus-Menino com os pais na manjedoura, os patinhos na Lagoa, os Reis Magos com seus camelos, pastores, rebanhos, tudo enfim, estava instalada a grande alegria do Natal. Agora era só esperar os presentes e aí vinha a expectativa. No dia previsto, os meninos procuravam acordar bem cedo para pegar Papai Noel em flagrante, mas o velhinho nunca foi “pego” como se diz hoje. Entrava na casa para deixar os presentes junto ao presépio, e saía sem nunca ter sido visto pelas crianças. Este era um mistério que fazia um dos encantos do dia de Natal e motivo de muitas cogitações.

            Fazendo parte dos festejos, estava a visita a outros presépios que muitas famílias armavam e toda criança gostava de ver. O da Igreja era bonito, mas um tanto solene para a menina. As figuras sagradas, os Magos e os animais, uns na manjedoura, outros trilhando uma estrada, guiados por uma grande estrela brilhante, eram admirados com todo respeito, em silêncio. Outros presépios eram também visitados, grandes e bonitos como o de dona América Freire, na Rua Duque de Caxias, e o de dona Gabriela, que ocupavam metade da sala, mas o que mais empolgava a menina era o de dona Chiquinha, na rua Paulino Vieira. Este era a grande atração, não só pelo tamanho, mas pela curiosidade que despertava. Além das tradicionais figuras, havia uma estrada de ferro com a locomotiva, um enorme dragão se balançando de uma árvore, aviões pendurados por finos arames, dinossauros, baleias nadando no lago, um exército de soldadinhos de chumbo com metralhadoras, até um arranha-céu se destacava no meio do modesto casario da cidade de Belém. Aquela profusão de figuras fazia a alegria da menina que não se fartava de buscar com os olhos as coisas e seres exóticos do presépio de dona Chiquinha. Esse presépio, para o espírito de uma criança, era tão bonito que nunca foi esquecido.

            Tempos bons os daqueles Natais de Itabuna! O Natal da Missa do Galo , na porta da igreja de São José , na Praça Olinto Leone, à qual todos podiam ir sem medo, alegres, rezando sob a luz das estrelas, na missa campal, despreocupados porque voltariam incólumes para casa; da troca de presentes que todos podiam dar, das festas de rua de que todos participavam e se divertiam em família, das quermesses, das casas cheirando a folhas de pitangueira, dos presépios armados com  tanta pureza de espírito, com tanto amor e singeleza de coração que tudo se tornava possível, até mesmo a capacidade de deixar uma lembrança que foi guardada como uma das mais lindas recordações de uma menina.


(RETALHOS)
Helena Borborema

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Helena Borborema - Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município. (A autora)

“Filha do Dr. Lafayette Borborema, o primeiro advogado de Itabuna. É autora de ‘Terras do Sul’, livro em que documento, memória e imaginação se unem num discurso despretensioso para testemunhar o quadro social e humano daqueles idos de Tabocas. Para a professora universitária Margarida Fahel, ‘Terras do Sul’ são estórias simples, plenas de ‘emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra’” (Cyro de Mattos)










EDITORA GERAÇÃO LANÇA LIVRO QUE CONTA A HISTÓRIA DE “LUIZA MAHIN”, LÍDER DA MAIOR REVOLTA NEGRA DO BRASIL


Escrita por Armando Avena, autor com nove livros publicados, a obra conta a vida romanceada de Luiza Mahin,  líder da maior rebelião urbana de escravos no Brasil. A história conta  como  os escravos negros tomaram a cidade de Salvador por um dia tendo como objetivo libertar os escravos e criar um estado islâmico no Brasil



A Editora Geração está lançando “Luiza Mahin”, romance que conta a luta e os amores de Luiza Mahin a principal heroína negra da história do Brasil. A obra, escrita por Armando Avena, tem como pano de fundo a Revolta dos Malês, a maior rebelião urbana de escravos no Brasil.

Em janeiro de 1835, aproximadamente mil homens e mulheres, armados e com vestes brancas, tomaram a cidade de Salvador com o objetivo de libertar os escravos e criar um Estado Islâmico. Esses revoltosos eram escravos negros muçulmanos alfabetizados, que se uniram a negros animistas (não-muçulmanos) para assim tomar o poder. A revolta foi planejada em todos os detalhes e até um banco foi criado para financiar as ações.

A narrativa acompanha o movimento dos negros muçulmanos e entrelaça a revolta com a biografia e os amores da líder, Luiza Mahin.

Em meio a seus romances, Luiza Mahin se relacionou com um fidalgo português, que derivou no nascimento de seu filho Luiz Gama, o primeiro poeta negro brasileiro. No romance Luiza Mahin tem ascendência entre os negros, mas é uma mulher livre, uma negra liberta dona de seus amores. Ela foi amante de Ahuna, líder da revolta muçulmana e do procurador da cidade, o branco Angelo Ferraz.

Figura venerada até hoje pelos baianos, considerada um dos símbolos da luta feminina contra a escravidão, a existência de Luiza Mahin ainda provoca debates no âmbito da historiografia oficial, mas no romance de Avena a protagonista é o principal elo de ligação de diversos personagens recorrentes da tradição oral da Bahia que terão suas histórias expostas. Em consequência ao período histórico, a obra retrata aspectos do cotidiano da maior cidade negra do Brasil na época escravista, e a relação de miscigenação imposta entre os Senhores de Engenho e mulheres negras escravizadas.


Sobre o autor:
Armando Avena, nascido em Salvador, é economista, jornalista e escritor. Membro da Academia de Letras da Bahia, é autor de outros nove livros, com destaque para “O Manuscrito Secreto de Marx”, finalista do Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional, e “Maria Madalena: O Evangelho Segundo Maria”, publicado pela Geração.


Serviço:
Luiza Mahin
Autor: Armando Avena
Editora Geração
ISBN:
Edição: 2019
Formato:
Número de páginas:
Assunto: romance

Informações à Imprensa – Way Comunicações
Bete Faria Nicastro
Telefones: (11) 3862-1586 / 3862-0483 / 99659-2111

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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

VOU ACHAR SUA CAMISOLA


Um grupo de 50 alunos participou de um seminário e, de repente, o professor parou de falar e começou a dar uma camisola a cada pessoa.

Ele convida cada pessoa a escrever seu nome na camisola com um marcador.

Em seguida, todas as camisolas foram recolhidas e colocadas em outra sala.  O professor pede aos participantes que entrem na sala individualmente, e localizem cada uma das camisolas em que está inscrito seu nome, em menos de 5 minutos.

Todos correram para a sala e freneticamente começaram a procurar por seu nome.  As pessoas empurravam-se e pisavam-se em desordem total.

Após 5 minutos e ainda mais, ninguém conseguiu encontrar sua própria camisola.

Então o mestre disse:
Agora, deixe todo mundo coletar aleatoriamente uma camisola e entregá-la à pessoa cujo nome está escrito nela.

Em alguns minutos, cada um recebeu a sua camisola.

O professor então disse: O que fizemos é exatamente o que está acontecendo em nossas vidas, todo mundo está procurando desesperadamente por sua própria felicidade ao redor, sem se preocupar com a felicidade do outro.

E por isso digo, que se você ajudar o outro a encontrar sua felicidade, também terá felicidade em sua vida.  E essa é a missão dos homens na Terra!

Aprenda a colocar um sorriso no rosto de alguém, e você também terá um sorriso.

Que ninguém mais procure por seu próprio interesse;
Que cada um, em vez de considerar seus próprios interesses, também considere os interesses do outro.


(Recebi via Whats, sem menção de autoria)

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EU VIM DA BAHIA II - Lançamento

NOTA

Gregório de Matos, Luís Gama, Cid Teixeira, Martagão Gesteira e Irmã Dulce serão homenageados pela coleção Eu Vim da Bahia



Cleise Mendes, Cristina Cunha, Maria Antônia Ramos Coutinho, Neide Cortizo e Regina Luz assinam livros publicados pela Caramurê


Depois do sucesso da coleção “Eu vim da Bahia” lançada em 2015 com o objetivo de despertar o público infantojuvenil para personagens da Bahia que se destacou, a segunda parte da coleção volta com novos baianos. O Eu vim da Bahia II fará homenagens a Gregório de Matos, Luis Gama, Cid Teixeira, Martagão Gesteira e Irmã Dulce. O lançamento acontece no próximo dia 11, a partir das 18 horas, no quarto piso do Shopping Barra.

Estes personagens, de reconhecimento nacional e mundial, são a prova viva da arte e do pensamento do povo desta terra. Este projeto foi idealizado e realizado pela Caramurê e tem o patrocínio da Braskem e do Governo do Estado da Bahia, através do Programa Estadual de Incentivo à Cultura, o FAZCULTURA.

“A coleção Eu vim da Bahia é um projeto de sucesso que reforça a importância dos baianos para a história, além desses personagens muitos outros podem ainda se inserir, é só uma questão de tempo”, informa o Fernando Oberlaender, editor da Caramurê Publicações.

"O registro das histórias desses baianos memoráveis são uma inspiração para crianças e jovens da Bahia. Impresso em Vitopaper, a Coleção Eu Vim da Bahia tangibiliza uma das formas de uso sustentável do plástico, reforçando o compromisso da Braskem com a Economia Circular.” destaca a diretora de Marketing e Comunicação Corporativa da Braskem, Ana Laura Sivieri.

O Vitopaper® é um papel sintético produzido a partir de plásticos reciclados pós consumo, que não rasga, não molha e absorve 20% menos tinta na impressão, a obra além de apresentar os homenageados ainda tem caráter de sustentabilidade.

Legado - Os livros fazem uma homenagem e um resgate à memória de personalidades que se destacaram pelo pioneirismo e que levaram a marca deste estado para o mundo. Serão cinco volumes e para esta coleção foram escolhidas as autoras: Cleise Mendes, Cristina Cunha, Maria Antônia Ramos Coutinho, Neide Cortizo e Regina Luz.

Assim como o projeto anterior, a coleção dos livros possui conteúdo histórico, não são biografias tradicionais, misturam ficção e história de forma lúdica e atrativa.  Além dos autógrafos das autoras, o evento contará com a presença dos artistas plásticos Aline Terranova, Mike Sam Chagas, Paulo Rufino e Rebeca Souza que ilustraram os livros. Também neste dia será aberta uma exposição com ilustrações dos artistas que deram cores aos livros e uma programação de eventos que animarão o público em cinco dias dos 15 que a mostra ficará exposta.

Sobre a Braskem
Os 8 mil Integrantes da Braskem se empenham todos os dias para melhorar a vida das pessoas por meio de soluções sustentáveis da química e do plástico, engajados na cadeia de valor para o fortalecimento da Economia Circular. Com 41 unidades industriais no Brasil, EUA, México e Alemanha e receita líquida de R$ 58 bilhões (US$ 15,8 milhões), a Braskem possui produção anual de mais de 20 milhões de toneladas de resinas plásticas e produtos químicos e exporta para Clientes em aproximadamente 100 países.

Serviço 
Lançamento dos livros da coleção Eu vim da Bahia 2
Data: 11/12 quarta-feira 
Hora: das 18h às 21h30
Local: 4º piso do Shopping Barra – Em frente ao cinema
Endereço: Av. Centenário, 2992 - Chame-Chame, Salvador - BA, 40155-151
Preço de lançamento: R$ 34,00 (cada)



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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

GENERAL ESCREVE MENSAGEM EM HOMENAGEM A MORO E TEXTO VIRALIZA


"Um brilhante Juiz de Direito que transformou-se no brasileiro mais admirado deste planeta!"

09/12/2019

Caros amigos

Hoje, 09 de Dezembro, Dia Internacional do Combate à Corrupção, compareci à sessão solene da Câmara dos Deputados na qual foi mui justamente homenageado o Ministro Sérgio Moro.

Foi um bálsamo à alma de todos os patriotas presentes ao Plenário Ulisses Guimarães para assisti-lo, impávido e sereno, receber as homenagens dos que discursaram e as ovações dos que os aplaudiram em concordância plena com os louvores e com os agradecimentos que lhe eram dirigidos.

A placidez da sua feição retratava o desapego à soberba, ao aplauso e à aclamação popular para cumprir o seu dever e fazer cumprir a lei.

Sérgio Moro era a visão clara do estadista que se tornou conhecido e admirado por sua coragem física e moral, pela determinação com que estudou suas missões e pela competência com que as tem executado.

Um homem que faz acontecer e que encara a realidade e os riscos sem jactância ou fanfarronices.

Um Ministro de Estado comedido, lógico e racional, avesso ao populismo, à demagogia e à ostentação dos seus próprios feitos e méritos.

Um jurista que se doou à Pátria e que se fez homem público pelo resultado natural do seu trabalho, sem atalhos ou subterfúgios que retratassem qualquer arrependimento ou desajuste profissional.
Um brilhante Juiz de Direito que, ao abrir mão da carreira para desbravar caminhos para os que pretendessem segui-lo, transformou-se no brasileiro mais conhecido e admirado deste planeta.

Pela prática honesta do conhecimento e pela coerência moral das suas atitudes, no dia reservado a lembrar a ação de combate que ele personifica na sua melhor versão, Sérgio Moro apresenta-se como o modelo a ser seguido por todos os brasileiros honestos e como a antítese da maioria dos servidores eleitos que transitam e que já transitaram por aquela Casa, dita do Povo, em busca de fama e de fortuna pessoal!

Cumprimento a Deputada Carla Zambelli pela feliz e oportuna iniciativa de louvar e enaltecer as virtudes e a obra do Juiz e do Ministro Sérgio Moro, mormente em momento tão sensível da conjuntura nacional, quando, por atitude imprudente e irresponsável de um grupo de juristas da Suprema Corte, vemos circular entre nós corruptos já condenados, bandidos da pior espécie que se têm valido da liberdade provisória para, mesmo que em vão, ameaçar a tranquilidade e a estabilidade da Nação.

Gen Paulo Chagas

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Ligue o vídeo abaixo:



https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/17691/general-escreve-mensagem-em-homenagem-a-moro-e-texto-viraliza

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A VIDA É UM ETERNO AMANHÃ – João Ubaldo Ribeiro


As traduções são muito mais complexas do que se imagina. Não me refiro a locuções, expressões idiomáticas, palavras de gíria, flexões verbais, declinações e coisas assim. Isto dá para ser resolvido de uma maneira ou de outra, se bem que, muitas vezes, à custa de intenso sofrimento por parte do tradutor. Refiro-me à impossibilidade de encontrar equivalências entre palavras aparentemente sinônimas, unívocas e univalentes. Por exemplo, um alemão que saiba português responderá sem hesitação que a palavra portuguesa "amanhã" quer dizer "morgen". Mas coitado do alemão que vá para o Brasil acreditando que, quando um brasileiro diz "amanhã", está realmente querendo dizer "morgen". Raramente está. "Amanhã" é uma palavra riquíssima e tenho certeza de que, se o Grande Duden fosse brasileiro, pelo menos um volume teria de ser dedicado a ela e outras, que partilham da mesma condição.

"Amanhã" significa, entre outras coisas, "nunca", "talvez", "vou pensar", "vou desaparecer", "procure outro", "não quero", "no próximo ano", "assim que eu precisar", "um dia destes", "vamos mudar de assunto", etc. e, em casos excepcionalíssimos, "amanhã" mesmo. Qualquer estrangeiro que tenha vivido no Brasil sabe que são necessários vários anos de treinamento para distinguir qual o sentido pretendido pelo interlocutor brasileiro, quando ele responde, com a habitual cordialidade nonchalante, que fará tal ou qual coisa amanhã. O caso dos alemães é, seguramente, o mais grave. Não disponho de estatísticas confiáveis, mas tenho certeza de que nove em cada dez alemães que procuram ajuda médica no Brasil o fazem por causa de "amanhãs" casuais que os levam, no mínimo, a um colapso nervoso, para grande espanto de seus amigos brasileiros - esses alemães são uns loucos, é o que qualquer um dirá.

A culpa é um pouco dos alemães, que, vamos admitir, alimentam um número excessivo de certezas sobre esta vida incerta, número quase tão grande como a quantidade exasperante de preposições que frequentam sua língua (estou estudando "auf" e "au" no momento, e não estou entendendo nada). São o contrário dos brasileiros, a maior parte dos quais não tem a menor ideia do que estará fazendo na próxima meia hora, quanto mais amanhã.

Talvez tudo se reduza a uma questão filosófica sobre a imanência do ser, o devenir, o princípio de identidade e outros assuntos do quais fingimos entender, em coquetéis desagradáveis onde mentimos a respeito de nossas leituras e nossos tempos na Faculdade. No plano prático, contudo, a coisa fica gravíssima. Se o Brasil tivesse fronteiras com a Alemanha, não digo uma guerra, mas algumas escaramuças já teriam eclodido, com toda a certeza - e a Alemanha perderia, notadamente porque o Brasil não compareceria às batalhas nos horários previstos, confundiria terça-feira com sexta-feira, deixaria tudo para amanhã, falsificaria a assinatura oficial no documento de rendição, receberia a Wehrmacht com batucadas nos momento, mais inadequados e estragaria tudo organizando almoços às seis horas da tarde.

Falo por experiência própria. When in Rome do as the Romans do ditado que deve ter uma versão latina muito mais chique, mas, infelizmente, não disponho aqui de meus livros de citações, para dar a impressão aos leitores de que leio Ovídio e Horácio no original. Mas, em inglês ou em latim, acho esse um pensamento de grande sabedoria e procuro segui-lo à risca, na minha atual condição de berlinense, tanto assim que, não fora minha tez trigueira e meu alemão abestalhado, ninguém me distinguiria, fosse por traje ou maneiras, dos outros berlinenses bebericando uma cervejinha ali na Adenauerplatz.

Fica tudo, porém, muito difícil em certas ocasiões, como hoje mesmo. O telefone tocou, atendi, falou um alemão simpático e cerimonioso do outro lado, querendo saber se eu estaria livre para uma palestra no dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20:30h. Sei que é difícil para um alemão compreender que esse tipo de pergunta é ininteligível para um brasileiro. Como alguém pode marcar alguma coisa com tanta precisão e antecedência, esses alemães são uns loucos. Mas não quis ser indelicado e, como sempre, recorri a minha mulher.

- Mulher - disse eu, depois de pedir que o telefonador esperasse um bocadinho. - Eu tenho algum compromisso para o dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20:30h?

- Você está maluco? - disse ela. - Quem é que pode responder a esse tipo de pergunta?

- Eu sei, mas tem um alemão aqui querendo uma resposta.

- Diga a ele que você responde amanhã.

- E quando ele telefonar amanha? Ele é alemão, ele vai telefonar amanhã, ele não sabe o que quer dizer amanhã.

- Ah, esses alemães são uns loucos. Você é escritor, invente uma resposta poética, diz a ele que a vida é um eterno amanhã.

Achei uma ideia interessante, mas não a usei, apenas disse que ele telefonasse amanhã. Mas claro que não sei o que dizer amanhã e fui dormir preocupado, tanto assim que ainda incomodei minha mulher com uma cotovelada. Afinal, os alemães são organizados, é uma vergonha a gente não poder planejar as coisas tão bem quanto eles. Que é que eu faço?

- Ora - respondeu ela, retribuindo já cotovelada -, pergunte a ele se os alemães planejaram a reunificação para agora. E, se ele for berlinense, pergunte se ele não preferia deixá-la para amanhã.

- Touché - disse eu, puxando o cobertor para cobrir a cabeça e resolvendo que amanhã pensaria no assunto.

(Um brasileiro em Berlim, 1993.)
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João Ubaldo Ribeiro
Sétimo ocupante da Cadeira nº 34 da ABL, eleito em 7 de outubro de 1993, na sucessão de Carlos Castello Branco e recebido em 8 de junho de 1994 pelo Acadêmico Eduardo Portella. Faleceu no dia 18 de julho de 2014, no Rio de Janeiro, aos 73 anos.


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