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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

VOU ACHAR SUA CAMISOLA


Um grupo de 50 alunos participou de um seminário e, de repente, o professor parou de falar e começou a dar uma camisola a cada pessoa.

Ele convida cada pessoa a escrever seu nome na camisola com um marcador.

Em seguida, todas as camisolas foram recolhidas e colocadas em outra sala.  O professor pede aos participantes que entrem na sala individualmente, e localizem cada uma das camisolas em que está inscrito seu nome, em menos de 5 minutos.

Todos correram para a sala e freneticamente começaram a procurar por seu nome.  As pessoas empurravam-se e pisavam-se em desordem total.

Após 5 minutos e ainda mais, ninguém conseguiu encontrar sua própria camisola.

Então o mestre disse:
Agora, deixe todo mundo coletar aleatoriamente uma camisola e entregá-la à pessoa cujo nome está escrito nela.

Em alguns minutos, cada um recebeu a sua camisola.

O professor então disse: O que fizemos é exatamente o que está acontecendo em nossas vidas, todo mundo está procurando desesperadamente por sua própria felicidade ao redor, sem se preocupar com a felicidade do outro.

E por isso digo, que se você ajudar o outro a encontrar sua felicidade, também terá felicidade em sua vida.  E essa é a missão dos homens na Terra!

Aprenda a colocar um sorriso no rosto de alguém, e você também terá um sorriso.

Que ninguém mais procure por seu próprio interesse;
Que cada um, em vez de considerar seus próprios interesses, também considere os interesses do outro.


(Recebi via Whats, sem menção de autoria)

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EU VIM DA BAHIA II - Lançamento

NOTA

Gregório de Matos, Luís Gama, Cid Teixeira, Martagão Gesteira e Irmã Dulce serão homenageados pela coleção Eu Vim da Bahia



Cleise Mendes, Cristina Cunha, Maria Antônia Ramos Coutinho, Neide Cortizo e Regina Luz assinam livros publicados pela Caramurê


Depois do sucesso da coleção “Eu vim da Bahia” lançada em 2015 com o objetivo de despertar o público infantojuvenil para personagens da Bahia que se destacou, a segunda parte da coleção volta com novos baianos. O Eu vim da Bahia II fará homenagens a Gregório de Matos, Luis Gama, Cid Teixeira, Martagão Gesteira e Irmã Dulce. O lançamento acontece no próximo dia 11, a partir das 18 horas, no quarto piso do Shopping Barra.

Estes personagens, de reconhecimento nacional e mundial, são a prova viva da arte e do pensamento do povo desta terra. Este projeto foi idealizado e realizado pela Caramurê e tem o patrocínio da Braskem e do Governo do Estado da Bahia, através do Programa Estadual de Incentivo à Cultura, o FAZCULTURA.

“A coleção Eu vim da Bahia é um projeto de sucesso que reforça a importância dos baianos para a história, além desses personagens muitos outros podem ainda se inserir, é só uma questão de tempo”, informa o Fernando Oberlaender, editor da Caramurê Publicações.

"O registro das histórias desses baianos memoráveis são uma inspiração para crianças e jovens da Bahia. Impresso em Vitopaper, a Coleção Eu Vim da Bahia tangibiliza uma das formas de uso sustentável do plástico, reforçando o compromisso da Braskem com a Economia Circular.” destaca a diretora de Marketing e Comunicação Corporativa da Braskem, Ana Laura Sivieri.

O Vitopaper® é um papel sintético produzido a partir de plásticos reciclados pós consumo, que não rasga, não molha e absorve 20% menos tinta na impressão, a obra além de apresentar os homenageados ainda tem caráter de sustentabilidade.

Legado - Os livros fazem uma homenagem e um resgate à memória de personalidades que se destacaram pelo pioneirismo e que levaram a marca deste estado para o mundo. Serão cinco volumes e para esta coleção foram escolhidas as autoras: Cleise Mendes, Cristina Cunha, Maria Antônia Ramos Coutinho, Neide Cortizo e Regina Luz.

Assim como o projeto anterior, a coleção dos livros possui conteúdo histórico, não são biografias tradicionais, misturam ficção e história de forma lúdica e atrativa.  Além dos autógrafos das autoras, o evento contará com a presença dos artistas plásticos Aline Terranova, Mike Sam Chagas, Paulo Rufino e Rebeca Souza que ilustraram os livros. Também neste dia será aberta uma exposição com ilustrações dos artistas que deram cores aos livros e uma programação de eventos que animarão o público em cinco dias dos 15 que a mostra ficará exposta.

Sobre a Braskem
Os 8 mil Integrantes da Braskem se empenham todos os dias para melhorar a vida das pessoas por meio de soluções sustentáveis da química e do plástico, engajados na cadeia de valor para o fortalecimento da Economia Circular. Com 41 unidades industriais no Brasil, EUA, México e Alemanha e receita líquida de R$ 58 bilhões (US$ 15,8 milhões), a Braskem possui produção anual de mais de 20 milhões de toneladas de resinas plásticas e produtos químicos e exporta para Clientes em aproximadamente 100 países.

Serviço 
Lançamento dos livros da coleção Eu vim da Bahia 2
Data: 11/12 quarta-feira 
Hora: das 18h às 21h30
Local: 4º piso do Shopping Barra – Em frente ao cinema
Endereço: Av. Centenário, 2992 - Chame-Chame, Salvador - BA, 40155-151
Preço de lançamento: R$ 34,00 (cada)



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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

GENERAL ESCREVE MENSAGEM EM HOMENAGEM A MORO E TEXTO VIRALIZA


"Um brilhante Juiz de Direito que transformou-se no brasileiro mais admirado deste planeta!"

09/12/2019

Caros amigos

Hoje, 09 de Dezembro, Dia Internacional do Combate à Corrupção, compareci à sessão solene da Câmara dos Deputados na qual foi mui justamente homenageado o Ministro Sérgio Moro.

Foi um bálsamo à alma de todos os patriotas presentes ao Plenário Ulisses Guimarães para assisti-lo, impávido e sereno, receber as homenagens dos que discursaram e as ovações dos que os aplaudiram em concordância plena com os louvores e com os agradecimentos que lhe eram dirigidos.

A placidez da sua feição retratava o desapego à soberba, ao aplauso e à aclamação popular para cumprir o seu dever e fazer cumprir a lei.

Sérgio Moro era a visão clara do estadista que se tornou conhecido e admirado por sua coragem física e moral, pela determinação com que estudou suas missões e pela competência com que as tem executado.

Um homem que faz acontecer e que encara a realidade e os riscos sem jactância ou fanfarronices.

Um Ministro de Estado comedido, lógico e racional, avesso ao populismo, à demagogia e à ostentação dos seus próprios feitos e méritos.

Um jurista que se doou à Pátria e que se fez homem público pelo resultado natural do seu trabalho, sem atalhos ou subterfúgios que retratassem qualquer arrependimento ou desajuste profissional.
Um brilhante Juiz de Direito que, ao abrir mão da carreira para desbravar caminhos para os que pretendessem segui-lo, transformou-se no brasileiro mais conhecido e admirado deste planeta.

Pela prática honesta do conhecimento e pela coerência moral das suas atitudes, no dia reservado a lembrar a ação de combate que ele personifica na sua melhor versão, Sérgio Moro apresenta-se como o modelo a ser seguido por todos os brasileiros honestos e como a antítese da maioria dos servidores eleitos que transitam e que já transitaram por aquela Casa, dita do Povo, em busca de fama e de fortuna pessoal!

Cumprimento a Deputada Carla Zambelli pela feliz e oportuna iniciativa de louvar e enaltecer as virtudes e a obra do Juiz e do Ministro Sérgio Moro, mormente em momento tão sensível da conjuntura nacional, quando, por atitude imprudente e irresponsável de um grupo de juristas da Suprema Corte, vemos circular entre nós corruptos já condenados, bandidos da pior espécie que se têm valido da liberdade provisória para, mesmo que em vão, ameaçar a tranquilidade e a estabilidade da Nação.

Gen Paulo Chagas

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Ligue o vídeo abaixo:



https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/17691/general-escreve-mensagem-em-homenagem-a-moro-e-texto-viraliza

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A VIDA É UM ETERNO AMANHÃ – João Ubaldo Ribeiro


As traduções são muito mais complexas do que se imagina. Não me refiro a locuções, expressões idiomáticas, palavras de gíria, flexões verbais, declinações e coisas assim. Isto dá para ser resolvido de uma maneira ou de outra, se bem que, muitas vezes, à custa de intenso sofrimento por parte do tradutor. Refiro-me à impossibilidade de encontrar equivalências entre palavras aparentemente sinônimas, unívocas e univalentes. Por exemplo, um alemão que saiba português responderá sem hesitação que a palavra portuguesa "amanhã" quer dizer "morgen". Mas coitado do alemão que vá para o Brasil acreditando que, quando um brasileiro diz "amanhã", está realmente querendo dizer "morgen". Raramente está. "Amanhã" é uma palavra riquíssima e tenho certeza de que, se o Grande Duden fosse brasileiro, pelo menos um volume teria de ser dedicado a ela e outras, que partilham da mesma condição.

"Amanhã" significa, entre outras coisas, "nunca", "talvez", "vou pensar", "vou desaparecer", "procure outro", "não quero", "no próximo ano", "assim que eu precisar", "um dia destes", "vamos mudar de assunto", etc. e, em casos excepcionalíssimos, "amanhã" mesmo. Qualquer estrangeiro que tenha vivido no Brasil sabe que são necessários vários anos de treinamento para distinguir qual o sentido pretendido pelo interlocutor brasileiro, quando ele responde, com a habitual cordialidade nonchalante, que fará tal ou qual coisa amanhã. O caso dos alemães é, seguramente, o mais grave. Não disponho de estatísticas confiáveis, mas tenho certeza de que nove em cada dez alemães que procuram ajuda médica no Brasil o fazem por causa de "amanhãs" casuais que os levam, no mínimo, a um colapso nervoso, para grande espanto de seus amigos brasileiros - esses alemães são uns loucos, é o que qualquer um dirá.

A culpa é um pouco dos alemães, que, vamos admitir, alimentam um número excessivo de certezas sobre esta vida incerta, número quase tão grande como a quantidade exasperante de preposições que frequentam sua língua (estou estudando "auf" e "au" no momento, e não estou entendendo nada). São o contrário dos brasileiros, a maior parte dos quais não tem a menor ideia do que estará fazendo na próxima meia hora, quanto mais amanhã.

Talvez tudo se reduza a uma questão filosófica sobre a imanência do ser, o devenir, o princípio de identidade e outros assuntos do quais fingimos entender, em coquetéis desagradáveis onde mentimos a respeito de nossas leituras e nossos tempos na Faculdade. No plano prático, contudo, a coisa fica gravíssima. Se o Brasil tivesse fronteiras com a Alemanha, não digo uma guerra, mas algumas escaramuças já teriam eclodido, com toda a certeza - e a Alemanha perderia, notadamente porque o Brasil não compareceria às batalhas nos horários previstos, confundiria terça-feira com sexta-feira, deixaria tudo para amanhã, falsificaria a assinatura oficial no documento de rendição, receberia a Wehrmacht com batucadas nos momento, mais inadequados e estragaria tudo organizando almoços às seis horas da tarde.

Falo por experiência própria. When in Rome do as the Romans do ditado que deve ter uma versão latina muito mais chique, mas, infelizmente, não disponho aqui de meus livros de citações, para dar a impressão aos leitores de que leio Ovídio e Horácio no original. Mas, em inglês ou em latim, acho esse um pensamento de grande sabedoria e procuro segui-lo à risca, na minha atual condição de berlinense, tanto assim que, não fora minha tez trigueira e meu alemão abestalhado, ninguém me distinguiria, fosse por traje ou maneiras, dos outros berlinenses bebericando uma cervejinha ali na Adenauerplatz.

Fica tudo, porém, muito difícil em certas ocasiões, como hoje mesmo. O telefone tocou, atendi, falou um alemão simpático e cerimonioso do outro lado, querendo saber se eu estaria livre para uma palestra no dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20:30h. Sei que é difícil para um alemão compreender que esse tipo de pergunta é ininteligível para um brasileiro. Como alguém pode marcar alguma coisa com tanta precisão e antecedência, esses alemães são uns loucos. Mas não quis ser indelicado e, como sempre, recorri a minha mulher.

- Mulher - disse eu, depois de pedir que o telefonador esperasse um bocadinho. - Eu tenho algum compromisso para o dia 16 de novembro, quarta-feira, às 20:30h?

- Você está maluco? - disse ela. - Quem é que pode responder a esse tipo de pergunta?

- Eu sei, mas tem um alemão aqui querendo uma resposta.

- Diga a ele que você responde amanhã.

- E quando ele telefonar amanha? Ele é alemão, ele vai telefonar amanhã, ele não sabe o que quer dizer amanhã.

- Ah, esses alemães são uns loucos. Você é escritor, invente uma resposta poética, diz a ele que a vida é um eterno amanhã.

Achei uma ideia interessante, mas não a usei, apenas disse que ele telefonasse amanhã. Mas claro que não sei o que dizer amanhã e fui dormir preocupado, tanto assim que ainda incomodei minha mulher com uma cotovelada. Afinal, os alemães são organizados, é uma vergonha a gente não poder planejar as coisas tão bem quanto eles. Que é que eu faço?

- Ora - respondeu ela, retribuindo já cotovelada -, pergunte a ele se os alemães planejaram a reunificação para agora. E, se ele for berlinense, pergunte se ele não preferia deixá-la para amanhã.

- Touché - disse eu, puxando o cobertor para cobrir a cabeça e resolvendo que amanhã pensaria no assunto.

(Um brasileiro em Berlim, 1993.)
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João Ubaldo Ribeiro
Sétimo ocupante da Cadeira nº 34 da ABL, eleito em 7 de outubro de 1993, na sucessão de Carlos Castello Branco e recebido em 8 de junho de 1994 pelo Acadêmico Eduardo Portella. Faleceu no dia 18 de julho de 2014, no Rio de Janeiro, aos 73 anos.


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domingo, 8 de dezembro de 2019

PALAVRA DA SALVAÇÃO (160)


Imaculada Conceição de Nossa Senhora – Domingo, 08/12/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 1,26-38)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria.
O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação.
O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus.1Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.
Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?”
O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível”.
Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:

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“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo! (Lc 1,28)

Celebramos neste domingo (8/12) a festa de Maria Imaculada. O dogma da Imaculada Conceição foi proclamado pelo Papa Pio IX, na Bula “Ineffabilis Deus”, no dia 08 de dezembro de 1854. Nele se afirma que Maria, à diferença dos demais seres humanos, não se viu alcançada pelo “pecado original”, sendo “imaculada” (“sem mancha”) desde o momento de sua concepção. 

Mas, falar de Maria como Imaculada tem um sentido muito mais profundo que a afirmação dogmática de “ser preservada da mancha original”. Falar da Imaculada é tomar consciência de que, em um ser humano (Maria), descobrimos algo, no mais profundo de seu ser, que foi sempre limpo, puro, sem mancha alguma, imaculado. O verdadeiramente importante é que, se esse núcleo imaculado está presente em um ser humano (Maria), então podemos ter a garantia de que está presente em todos os seres humanos. 

O próprio S. Paulo afirma que “em Cristo Jesus, Deus nos elegeu, antes da criação do mundo, para sermos santos e imaculados, diante dele, no amor”. (Ef 1,4). Essa eleição é para todos, sem exceção. Não é uma possibilidade, mas a realidade que nos faz ser. Descobri-la e vivê-la, sim, depende de nós.

Essa dimensão de nosso ser que nada nem ninguém pode manchar, é nosso autêntico ser. É o tesouro escondido, a pérola preciosa.

Ao longo dos séculos, temos colocado sobre a figura de Maria uma infinidade de adornos que levaremos muito tempo para tirar e voltar à sua simplicidade e pureza originais. Maria não necessita adornos. A festa de Maria Imaculada nos revela a presença do divino nela e em nós. Nela descobrimos as maravilhas de Deus. O núcleo íntimo de Maria é imaculado, incontaminado, porque é o que há de Deus nela. Maria é grande porque descobriu e viveu o divino que fez nela sua morada. Não são os mantos luxuosos e os adornos colocados sobre ela, através dos séculos, que a faz grande, mas o fato de ter descoberto seu ser fundado em Deus e ter expandido sua feminilidade a partir desta realidade. 

O que devemos admirar em Maria é o fato de ter vivido essa realidade e ter deixado transparecer o divino através de todos os poros de seu ser humano. Ela deixa passar a luz que há em seu interior, sem diminui-la nem filtrá-la. Quando se diz que Maria é Imaculada, quer-se dizer que é no silêncio do corpo, no silêncio do coração, do silêncio do Espírito que o Verbo pode ser gerado.

Como foi possível que Maria alcançasse essa plenitude? Aqui está o verdadeiro sentido do dogma da Imaculada. Ela foi o que foi porque descobriu e viveu essa realidade de Deus nela. Tudo o que tem de exemplaridade para nós devemos a ela, não porque Deus lhe tenha cumulado de privilégios. Ela é referência inspiradora para todos nós porque podemos seguir sua trajetória e podemos descobrir e viver o que ela descobriu e viveu. Se continuamos considerando Maria como uma privilegiada, continuaremos pensando que ela foi o que foi graças a algo que nós não temos; portanto, toda tentativa de imitá-la seria em vão.

Dentro de cada um de nós, constituindo o núcleo de nosso ser, existe uma realidade transcendente, que não pode ser contaminada. O divino que há em nós, permanecerá sempre puro e limpo. Maria ativou esta dimensão de seu ser até empapar tudo o que ela era, “alma e corpo”. O que celebramos é sua plenitude de vida, aberta e expansiva, e não um privilégio que a livrou de uma “mancha”.

Podemos dizer que Maria é imaculada, porque viveu essa realidade de Deus nela. Ela é Imaculada para todos, por todos e em todos; em outras palavras, em Maria somos todos imaculados(as); somos imacula-dos(as) em nosso verdadeiro ser. O dogma da Imaculada Conceição fala de todos nós: isso é o que realmente somos. Em nossa verdadeira identidade, somos imaculados, limpos, inocentes... 

Falamos demais sobre o “pecado original” e muito pouco sobre a “beatitude original”. Existe em nós uma realidade mais profunda que a nossa resistência, um sim mais profundo que todos os nossos “nãos”, uma inocência original que todos os nossos medos e feridas... É preciso encontrar a confiança original.   Maria é o estado de confiança original. Assim, os Antigos Padres da Igreja viam nela o modelo da beatitude original, a mulher da pura confiança, do sim original Àquele que É.  Maria é a nossa verdadeira natureza, é a nossa verdadeira inocência original, aberta à presença do divino.

A partir desta perspectiva, Maria nos está recordando que, graças a pessoas parecidas com ela, ou seja, pessoas que se esvaziaram de seu próprio “ego”, é que foram capazes de entrar em sintonia com a Vontade de Deus; é ali, somente ali, no espaço interior, livre de todo resquício de auto-centramento, que Deus pode entrar, continua e continuará entrando em nosso mundo, para trazer sua Boa Nova, traduzida em tantas e tantas realidades concretas. 

A afirmação de que ela tenha sido “concebida sem pecado original” corre o risco de situá-la muito distante de nós. Pelo contrário, se a veneramos e nela nos inspiramos para viver o seguimento do seu Filho Jesus é porque a encontramos muito próxima de nossa vida. A vida que temos vivido até agora e a que continuamos vivendo: cheia de luzes e sombras, de esperanças e de desencantos.

Maria é grande por sua simplicidade, porque aceita ser serva, em sintonia com Deus. Maria não é uma extra-terrestre, mas uma pessoa humana exatamente igual a cada um de nós. O extra-ordinário nela foi sua fidelidade e disponibilidade, sua capacidade de entrega. Toda a grandeza de Maria está contida em uma só palavra: “fiat”. Maria não pôs nenhum obstáculo para que o divino que havia nela se expandisse totalmente; por isso, chegou à plenitude do humano. Devemos nos alegrar que um ser humano possa nos ensinar o caminho da plenitude, do divino. 

Nesse sentido, Maria é a referência para todos nós porque a vemos como a pessoa que foi crescendo dia-a-dia, sempre aberta ao projeto de Deus. Esvaziando-se de si mesma, renunciando à sua vontade, para que Deus, o Todo-poderoso, como ela mesma cantará no Magnificat, entrasse em nossa história, encarnado na pessoa de Jesus. Um Deus “todo-Poderoso” que não usou seu poder para atuar de maneira impositiva, mas, em Maria “realizou maravilhas” para que, através dela, seu amor e sua misericórdia se fizessem visíveis a toda a humanidade. “Seu amor se estende de geração em geração...”, proclamará também no Magnificat. 

Inspirados em Maria, é preciso encontrar, em nós mesmos, este lugar por onde entra a vida, este lugar por onde entra o divino, este lugar por onde entra o amor. É uma experiência de silêncio, uma experiência de vazio, alguma coisa de mais profundo do que aquilo que se chama o “pecado original”. 

É assim que se fala de Imaculada conceição. O Verbo é concebido no que há de mais imaculado em nós, no que há de mais completamente silencioso. Isto supõe que haja no corpo humano um lugar onde não existe memória doentia nem a presença do “ego cheio de si”, mas do eu esvaziado, de onde nasce a vida.

É preciso entrar num estado de silêncio, de vazio de si mesmo, de total receptividade, para que o Verbo possa ser gerado em nós. “Assim novamente encarnado”, nos diz S. Inácio de Loyola.

Texto bíblico:  Lc 1,26-38 
Na oração: No relato da Anunciação, descreve-se um itinerário de iniciação espiritual. É preciso, antes de mais nada, entrar neste estado de escuta, neste estado de confiança, neste sim, pacificar nossas memórias e, então, não ter medo da visita do anjo e da alegria que ele pode trazer. 
Mas também não ter medo da perturbação que pode surgir. Tal perturbação é que nos faz descer ao chão de nossa vida, vai nos conduzir até a sombra, até o mais profundo de nosso eu interior, até a profundeza da nossa humanidade. E é ali que que vai brotar o nosso “sim” original; é ali que vai nascer o divino que nos conduzirá à plenitude de vida.
- Fazer memória das experiências de “anunciação” em sua vida: o que mudou? quê movimentos vitais surgiram? 

Pe. Adroaldo Palaoro sj
06.12.2019


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sábado, 7 de dezembro de 2019

ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA - Fagundes Varela: Juvenília


Juvenília I

Lembras-te, Iná, dessas noites
Cheias de doce harmonia,
Quando a floresta gemia
Do vento aos brandos açoites?


Quando as estrelas sorriam,
Quando as campinas tremiam
Nas dobras de úmido véu?
E nossas almas unidas
Estreitavam-se, sentidas,
Ao langor daquele céu?


Lembras-te, Iná? Belo e mago,
Da névoa por entre o manto,
Erguia-se ao longe o canto
Dos pescadores do lago.


Os regatos soluçavam,
Os pinheiros murmuravam
No viso das cordilheiras,
E a brisa lenta e tardia
O chão relvoso cobria
Das flores das trepadeiras.


Lembras-te, Iná? Eras bela,
Ainda no albor da vida,
Tinhas a fronte cingida
De uma inocente capela.


Teu seio era como a lira
Que chora, canta e suspira
Ao roçar de leve aragem;
Teus sonhos eram suaves
Como o gorjeio das aves
Por entre a escura folhagem.


* * *

Que é feito agora de tudo?
De tanta ilusão querida?
A selva não tem mais vida,
O lar é deserto e mudo!


Onde foste, ó pomba errante?
Bela estrela cintilante
Que apontavas o porvir?
Dormes acaso no fundo
Do abismo tredo e profundo,
Minha pérola de Ofir?


Ah! Iná! por toda parte
Que teu espírito esteja,
Minh’alma que te deseja
Não cessará de buscar-te!


Irei às nuvens serenas,
Vestindo as ligeiras penas
Do mais ligeiro condor;
Irei ao pego espumante,
Como da Ásia o possante,
Soberbo mergulhador!


Irei à pátria das fadas
E dos silfos errabundos,
Irei aos antros profundos
Das montanhas encantadas;


Se depois de imensas dores,
No seio ardente de amores
Eu não puder apertar-te,
Quebrando a dura barreira
Deste mundo de poeira,
Talvez, Iná, hei de achar-te!




Fagundes Varela
(Luís Nicolau Fagundes Varela), poeta, nasceu em São João Marcos, atualmente Rio Claro, RJ, em 17 de agosto de 1841, e faleceu em Niterói, RJ, em 17 de fevereiro de 1875. É o patrono da cadeira n. 11, por escolha do fundador Lúcio de Mendonça. Era filho do Dr. Emiliano Fagundes Varela e de Emília de Andrade, ambos de famílias fluminenses bem situadas. Passou a infância na fazenda natal e na vila de São João Marcos, de que o pai era juiz. Depois, residiu em vários locais. Primeiro em Catalão Goiás, para onde o magistrado fora transferido em 1851 e onde Fagundes Varela teria conhecido o juiz municipal Bernardo Guimarães. De volta à terra natal, residiu em Angra dos Reis e Petrópolis, onde fez os estudos do primário e secundário. Em 1859, foi terminar os preparatórios em São Paulo. Só em 1862 matricula-se na Faculdade de Direito, que nunca terminou, preferindo a literatura e dissipando-se na boêmia. Em 1861, publicara o primeiro livro de poesias, Noturnas.


(Fonte: ABL)
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O SILENCIO – Paulo Roberto Gaefke



Aprende com o silêncio
a respeitar o Teu EU.

 A valorizar 
o ser humano que ÉS... 

A respeitar o Templo 
que é o Teu corpo 

e o santuário 
que é a Tua vida.



Aprende com o silêncio a ouvir os sons interiores da sua alma, a calar-se nas discussões e assim evitar tragédias e desafetos. Aprende com o silêncio a respeitar a opinião dos outros, por mais contrária que seja da sua. Aprende com o silêncio que a solidão não é o pior castigo, existem companhias bem piores...

Aprende com o silêncio que a vida é boa, que nós só precisamos olhar para o lado certo, ouvir a música certa, ler o livro certo, que pode ser qualquer livro, desde que você o leia até o fim. Aprende com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar, como a Terra que faz a volta completa sobre o seu próprio eixo... Complete a sua tarefa.

Aprende com o silêncio a respeitar a sua vida, valorizar o seu dia, enxergar em você as qualidades que possui, equilibrar os defeitos que você tem e sabe que precisa corrigir e enxergar aqueles que você ainda não descobriu. Aprende com o silêncio a relaxar, mesmo no pior trânsito, na maior das cobranças, na briga mais acalorada, na discussão entre familiares.

Aprende com o silêncio a respeitar o seu "eu", a valorizar o ser humano que você é, a respeitar o Templo que é o seu corpo e o santuário que é a sua vida. Aprende hoje com o silêncio, que gritar não traz respeito, que ouvir ainda é melhor que muito falar.

E em respeito a você, eu me calo, me silencio, para que você possa ouvir o seu interior que quer lhe falar, desejar-lhe um dia vitorioso e confirmar que
VOCÊ É ESPECIAL.



"Gotas de Crystal - Whats 32 99131 1743" 

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