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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

QUANDO ERA ATACADA PELOS DEMÔNIOS, SANTA FAUSTINA RECORRIA AO ANJO DA GUARDA



Philip Kosloski | Out 02, 2019

As forças satânicas não gostavam que ela levasse os outros a abraçar a misericórdia de Deus

Desde o Jardim do Éden, Satanás tem sido obstinado em suas ações para frustrar os planos de Deus. Quando ele vê alguém fazendo o bem, tirando almas de suas mãos, isso o deixa furioso.

Foi o que aconteceu com Santa Faustina, uma freira polonesa que viveu no início do século XX. Ela frequentemente recebia revelações particulares de Jesus, instruindo-a a espalhar a mensagem da Divina Misericórdia pelo mundo. Esta mensagem se concentrava no amor e misericórdia sem limites de Deus, que está pronto para aceitar até os pecadores mais endurecidos de volta ao seu rebanho.

Satanás não estava feliz e enviou uma série de demônios para amedrontá-la, esperando que ela desistisse da missão que Deus lhe confiara. Ela escreve sobre isso em seu “Diário”:

“Depois de dar alguns passos, uma grande multidão de demônios bloqueou meu caminho. Eles me ameaçaram com terríveis torturas, e ouviam-se vozes: ‘Ela roubou tudo o que trabalhamos [para conseguir] há tantos anos!’. Quando perguntei a eles: ‘De onde vocês veem em tão grande número?’, as formas perversas responderam: ‘Saia dos corações humanos; pare de nos atormentar!'”

Santa Faustina não recuou, mas pediu ajuda ao seu Anjo da Guarda.

“Vendo seu grande ódio por mim, imediatamente pedi ajuda ao meu Anjo da Guarda, e imediatamente sua figura radiante apareceu e me disse: ‘Não tema, esposa do meu Senhor; sem a permissão dele, esses espíritos não farão mal a você’. Imediatamente os maus espíritos desapareceram, e o fiel Anjo da Guarda me acompanhou, de maneira visível, até a minha casa. Seu olhar era modesto e pacífico, e uma chama de fogo brilhava em sua testa.”

Este não foi o último encontro com demônios que Santa Faustina teve, e toda vez que isso acontecia, ela rezava para seu Anjo da Guarda, que posteriormente os afugentava.

É uma crença católica que os anjos foram designados para cada indivíduo para protegê-los de todo ataque espiritual e guiá-los para mais perto do céu. Eles sempre estão prontos para vir em nosso auxílio, mas acredita-se que precisamos pedir ajuda a eles. É por isso que a Igreja incentiva o desenvolvimento de um relacionamento próximo com o seu Anjo da Guarda, recorrendo frequentemente a eles em seu momento de necessidade.

Aprenda com o exemplo de Santa Faustina e ore diariamente ao seu anjo da guarda, pedindo-lhe ajuda, especialmente em meio a tentações ou ataques espirituais.

Leia também:


* * *

UM APÓLOGO: O Fósforo e a Vela


O Fósforo e a Vela


Certo dia, o fósforo disse para a vela:
– Hoje te acenderei!

– Ah não - disse a vela. 
Você não percebe que se me acender, meus dias estarão contados? Não faça uma maldade dessa...

– Então você quer permanecer toda a sua vida assim?  
Dura, fria e sem nunca ter brilhado? - perguntou o fósforo.

– Mas tem que me queimar? Isso dói demais e consome todas as
minhas forças - murmurou a vela.

Então respondeu o fósforo:
– Tem toda razão! Mas essa é a nossa missão. Você e eu fomos feitos para ser luz. O que eu, apenas como fósforo, posso fazer, é muito pouco. Minha chama é pequena e curta. Mas, se passo a minha chama para ti, cumprirei com o sentido de minha vida. Eu fui feito justamente para isso: para começar o fogo. Já você é a vela. Sua missão é brilhar. Toda sua dor e energia se transformará em luz e calor por um bom tempo.
Ouvindo isso, a vela olhou para o fósforo, que já estava no final da sua chama, e disse:
– Por favor, acende-me.
E assim produziu uma linda chama...
 .............

Assim como a vela, às vezes, é necessário passar por experiências ruins, experimentar a dor e sofrimento para que o melhor que temos seja oferecido e que possamos ser luz. E a verdade é que mar calmo não faz bons navegadores. Os melhores são revelados nas águas agitadas. 
Então, se tiver que passar pela experiência da vela, lembre-se que espalhar o Amor é o combustível que nos mantém acesos. 
Você é Luz no mundo!
Brilhe e irradie essa Luz!


(Recebi via WhatsApp sem menção de autoria)

* * *

terça-feira, 1 de outubro de 2019

ORAÇÃO PARA ESTA TARDE


TERÇA-FEIRA 1 OUTUBRO


Louvemos ao Senhor da Vida!
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo,
como era no princípio, agora e sempre.
Amém.


Hino
Autor e origem do tempo,
por sábia ordem nos dais
o claro dia ao trabalho,
e a noite, ao sono e à paz.


As mentes castas guardai
dentro da calma da noite
e que não venha a feri-las
do dardo mau o açoite.


Os corações libertai
de excitações persistentes.
Não quebre a chama da carne
a força viva das mentes.


Ouvi-nos, Pai piedoso,
e vós, ó Filho de Deus,
que com o Espírito Santo
reinais eterno nos céus.


Salmo 48(49)

Dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus (Mt 19,23).
I
Ouvi isto, povos todos do universo,
muita atenção, ó habitantes deste mundo;
poderosos e humildes, escutai-me,
ricos e pobres, todos juntos, sede atentos!


Minha boca vai dizer palavras sábias,
que meditei no coração profundamente;
e inclinando meus ouvidos às parábolas,
decifrarei ao som da harpa o meu enigma:


Por que temer os dias maus e infelizes,
quando a malícia dos perversos me circunda?
Por que temer os que confiam nas riquezas
e se gloriam na abundância de seus bens?


Ninguém se livra de sua morte por dinheiro
nem a Deus pode pagar o seu resgate.
A isenção da própria morte não tem preço;
não há riqueza que a possa adquirir,
nem dar ao homem uma vida sem limites
e garantir-lhe uma existência imortal.


Morrem os sábios e os ricos igualmente;
morrem os loucos e também os insensatos,
e deixam tudo o que possuem aos estranhos;
os seus sepulcros serão sempre as suas casas,
suas moradas através das gerações,
mesmo se deram o seu nome a muitas terras.


Não dura muito o homem rico e poderoso;
é semelhante ao gado gordo que se abate.


Glória ao Pai...

Leitura Rm 3,23-25ª

Todos pecaram e estão privados da glória de Deus, e a justificação se dá gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Jesus Cristo. Deus destinou Jesus Cristo a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé. Assim Deus mostrou sua justiça.

Junto a vós, felicidade, felicidade sem limites!
Delícia eterna, ó Senhor.


MAGNIFICAT

Alegrai-vos e exultai, diz o Senhor,
pois no céu estão escritos vossos nomes.

A minha alma engrandece ao Senhor
e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador;
pois ele viu a pequenez de sua serva,
desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita.

O Poderoso fez por mim maravilhas
e Santo é o seu nome!
Seu amor, de geração em geração,
chega a todos que o respeitam;

demonstrou o poder de seu braço,
dispersou os orgulhosos;
derrubou os poderosos de seus tronos
e os humildes exaltou;

De bens saciou os famintos,
e despediu, sem nada, os ricos.
Acolheu Israel, seu servidor,
fiel ao seu amor,

como havia prometido aos nossos pais,
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre.


Glória ao Pai...

Preces

Louvemos a Cristo, pastor e guia de nossas almas, que ama e protege o seu povo; e, pondo nele toda a nossa esperança, supliquemos:


R. Senhor, protegei o vosso povo!

Pastor eterno, protegei o nosso Bispo N.,
– e todos os pastores da vossa Igreja. R.


Olhai com bondade para os que sofrem perseguição,
– e apressai-vos em libertá-los de seus sofrimentos. R.


Tende compaixão dos pobres e necessitados,
– e dai pão aos que têm fome. R.


Iluminai os que têm a responsabilidade de fazer as leis das nações,
– para que em tudo possam discernir com sabedoria e equidade. R.


(Intenções livres)
Socorrei, Senhor, os nossos irmãos e irmãs falecidos, que remistes com vosso sangue,
– para que mereçam tomar parte convosco no banquete das núpcias eternas. R.

Pai nosso...

ANTÍFONA MARIANA
Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida e doçura esperança nossa salve! A vós bradamos degredados filhos de Eva.
A vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia, pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa ó doce e sempre Virgem Maria.
Rogai por nós Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém


SEJAM SANTOS!
Na escola da santidade.




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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

A MODERNIDADE REVERENCIANDO A IDADE MÉDIA - Paulo Henrique Américo de Araújo


26 de setembro de 2019
Evangelho da corte de Carlos Magno

Paulo Henrique Américo de Araújo

A Idade Média exerce uma atração inegável sobre a mentalidade moderna, por mais que isso pareça estranho… aos modernistas. A todo momento, livros, filmes, seriados, novelas, desenhos animados, histórias em quadrinhos se voltam para aqueles tempos, aludindo a um mundo que já não existe, um ideal ou sonho fascinante.

Uma ressalva necessária é que a indústria do entretenimento apresenta castelos, reis, príncipes, princesas e cavaleiros medievais sempre carregados de deturpações, como bruxaria, esoterismo, degradações morais, exagerado romantismo e incontáveis outros desvios, muito distantes da Idade Média real; mas relegam a um seletivo esquecimento os aspectos reais mais atraentes, sobretudo o fato de que a civilização medieval nasceu do Sangue precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo derramado na Cruz e da ação benemérita da Santa Igreja Católica. Não obstante, é forçoso constatar que vez por outra o mundo contemporâneo se inclina diante dos verdadeiros legados medievais, e em certas ocasiões o faz sem perceber.

São Alcuíno de Iorque apresenta um manuscrito a Carlos Magno (afresco) – Victor Schnetz, séc. XIX. Museu do Louvre, Paris.

Para demonstrar esta afirmação, recorro a um artigo de Antônio Prata na “Folha de S. Paulo”, em 21-4-19.1 O autor relata como desde jovem havia se acostumado a escrever seus trabalhos usando no computador a fonte Arial, mas em certa ocasião um problema técnico o obrigou a usar a fonte Times New Roman. Após o desagrado inicial com esses caracteres que lhe pareciam antiquados, confessa que passou a simpatizar com as serifas (pequenos traços e prolongamentos ornamentais acrescentados nas extremidades das letras), pois constatou a firmeza e solidez que o estilo Times transmitia. Consequentemente, a fonte Arial começou a lhe parecer um amontoado de “palitos de fósforo”, e reconheceu que suas crônicas, escritas ao longo de muitos anos, teriam ganhado em qualidade e beleza utilizando o Times New Roman.

Remontando aos tempos de Carlos Magno

Os milagres de Notre-Dame – Jean Miélot, séc. XV. Coleção Philippe “le Bon”, Biblioteca Nacional da França, Paris.

Qual a origem desse estilo de escrita? A resposta envolve uma curiosa descoberta e uma reverência que a modernidade presta à Idade Média, sem o perceber. Não se engane o leitor, a denominação Times New Roman não quer dizer “novos tempos romanos” ou “tempos do novo romano”. Nada mais equivocado. Primeiramente, o termo “Times” se refere ao jornal “Times” de Londres, que na década de 1930 estabeleceu como padrão de impressão a tão conhecida fonte.

Até aqui, portanto, nada parece haver de medieval. Mas de onde vem o termo New Roman? Na realidade, o padrão adotado pelo jornal “Times” fizera pequenas alterações em um padrão tipográfico existente há mais de 500 anos; o qual, por sua vez, remonta a uma época ainda mais distante, levando-nos aos tempos de Carlos Magno. Quem nos relata as origens da tipologia New Roman (“novo romano”) é o Prof. Thomas F. Madden,2 da Universidade de Saint Louis, nos Estados Unidos.

Em fins do século VIII, Carlos Magno chamou a si a restauração do antigo Império Romano, e o projeto se consolidou no ano 800, quando de sua coroação como Imperador pelo Papa São Leão III, em Roma. Carlos Magno estabeleceu sua capital em Aix-la-Chapelle, também chamada “New Rome”, ou seja, “Nova Roma”.

Tornava-se necessário preservar a cultura romana, que ia definhando após tantos anos de decadência. O Renascimento Carolíngio foi propulsionado por um grupo de intelectuais, tendo como líder o famoso monge Alcuíno de Iorque. Além de muitos outros legados, ele nos deixou a escrita dita “romana”. Vem dessa época também a “minúscula carolíngia”, isto é, a diferenciação que nos parece hoje tão banal entre as letras maiúsculas e minúsculas, até então desconhecida.

Representação de Gutenberg revisando as primeiras provas da impressão da Bíblia

Com Alcuíno à frente, iniciou-se um árduo trabalho de pesquisa e cópia dos antigos escritos e documentos romanos. Nessa época já se conhecia na Cristandade a importância dos monges copistas na reprodução e conservação de escritos religiosos e litúrgicos dos séculos passados. Mas esse trabalho não abrangia os manuscritos sobre assuntos temporais, que eram simplesmente ignorados pelos copistas em geral. Carlos Magno e Alcuíno notaram essa lacuna, e contrataram copistas para esses importantes documentos, pagando-os com rendas do próprio Reino.

A empreitada não era simples. O Imperador e Alcuíno exigiram que as cópias fossem feitas usando um tipo de letra de fácil leitura, para favorecer estudos das gerações futuras; e os espaços entre as letras, principalmente entre as palavras, deveriam ser bem definidos, para melhor legibilidade; tudo isso sem esquecer o ornato — as serifas, mencionadas acima.

Geralmente se usava para documentos escritos, naquela época, o pergaminho (pele de animais), material caro e de confecção difícil. Mas as novas exigências traziam como consequência o pouco aproveitamento dos espaços nos pergaminhos. E também contrariavam a tendência da época, que por motivo de economia e melhor utilização dos pergaminhos forçava os copistas a escrever letras muito próximas umas das outras e com estilo verticalizado, dificultando em boa medida a leitura e o entendimento.3

Carlos Magno proporcionou a verba para que todos esses obstáculos fossem superados. O projeto rendeu frutos incontestáveis, pois mais de cem mil documentos não religiosos da Antiguidade foram copiados, dos quais sete mil chegaram até os nossos dias.4

A tipologia “clássica” passou a dominar

Infelizmente, com a morte do grande Carlos e o período caótico que se seguiu, o método de cópia criado por Alcuíno foi deixado de lado; e as letras nítidas embelezadas com serifas, da época carolíngia, ficaram esquecidas por 600 anos. Então algo surpreendente aconteceu, fazendo-as voltar à luz. Que surpresa foi essa?

Em 1450, Gutenberg apresentou ao mundo uma das mais importantes invenções da História: a imprensa de tipos móveis, uma máquina para reprodução de documentos escritos. O difícil trabalho dos copistas tornou-se assim desnecessário, mas os homens envolvidos na utilização do invento se depararam com um problema: encontrar um padrão tipográfico ideal para a máquina de imprensa.5

Não nos esqueçamos de que esses eram homens da Renascença, por isso rejeitavam tudo o que dizia respeito àquela “época de trevas” medieval. Queriam desencravar um tipo de letra proveniente da Antiguidade clássica, romana, pois aí estava a “verdadeira civilização”, segundo eles.

Iniciaram-se as pesquisas. Foram evitados solertemente documentos sobre temas religiosos ou litúrgicos dos monges copistas, facilmente reconhecíveis, pois eram registrados com caracteres comprimidos, apertados, “grotescos” até.

Mais pesquisas, e finalmente encontraram manuscritos com grafia diferenciada, não relacionados com o cristianismo ou a Igreja Católica. Eram mais recentes, inspirados em antigos escritos clássicos “profanos”. Além disso traziam letras espaçadas, bem legíveis – uma padronização distante daquela “época de trevas” e perfeitamente adequada ao desejo dos pesquisadores.

Satisfeitos, aqueles renascentistas implementaram na máquina de imprensa a tal tipologia “romana clássica”. Não suspeitavam que fosse justamente o estilo de letras desenvolvido por Alcuíno e promovido por Carlos Magno, dois homens símbolos da mesma Idade Média que tais renascentistas tanto menosprezavam.

A partir das rudimentares máquinas do século XV, a tipologia “clássica” passou a dominar todas as formas de imprensa e publicações escritas. Mais recentemente foi incorporada aos sistemas de informática, e até nos métodos chamados virtuais os caracteres medievais reinam incontestes.

Os mesmos homens que desprezaram ou desprezam a herança medieval acabaram agindo, sem o saberem, no sentido contrário aos seus próprios preconceitos, uma espécie de revide histórico às avessas!

 “E Deus zombará de seus inimigos”, diz a Escritura (Salmos 2-4). Também assim a Idade Média se vingou de seus críticos.

*   *   *
Como vimos no início, o cronista Antônio Prata, ao destacar a solidez e beleza da fonte Times New Roman, na realidade se curvou ante o gênio medieval. O mundo moderno faz o mesmo a todo momento, sem o saber. Apesar de representarem uma rejeição aos ornatos medievais, mesmo as fontes sem serifas, como a Arial, têm sua origem no estilo dos tempos de Carlos Magno. O leitor que tem diante dos olhos este texto, seja na versão impressa ou eletrônica, o lê no mesmo padrão proveniente da Idade Média. Não há, portanto, como fugir da reverência a essa época histórica. Todos lhe prestam homenagem, mesmo os seus adversários.
____________________
Notas
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 824, Agosto/2019.


2. The Modern Scholar: The Medieval World, Part II: Society, Economy, and Culture (The Modern Scholar) Audio CD – 2009, Thomas F. Madden, Universidade de Saint Louis.

3. Geralmente designa-se como gótico esse estilo de escrita.

4. Nesse conjunto encontram-se obras de Cícero, Marcial, Estácio, Lucrécio, Terêncio, Júlio César, Boécio, dentre outros.

5. Na Alemanha, as primeiras impressões utilizaram tipos góticos, como a famosa Bíblia de Gutenberg. Na Itália, o mesmo não ocorreu, como se vê mais adiante no mesmo artigo.



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A HISTÓRIA DO DEPUTADO QUE FALAVA SOZINHO ENQUANTO TODOS OS OUTROS SAQUEAVAM A NAÇÃO


30/09/2019


2002: PT eleito. 2006: PT eleito. 2010: PT eleito. 2014: PT eleito. O Congresso Nacional todo comprado, servindo apenas de um mero carimbador para os projetos de lei que vinham do Executivo e como “sócio” do Governo em maracutaias.

Nesse cenário, um Deputado Federal destacava-se (negativamente), falando sozinho no Plenário, em discursos de forte oposição à política da época, nadando contra a maré de roubalheira desenfreada e de fisiologismo.

Ninguém o levava a sério, e até mesmo o ridicularizavam, já que ele era motivo de chacota.
Agora, que ele é Presidente da República, e continua se mantendo firme e fiel aos mesmos princípios que sempre teve, ao primeiro sinal de que seu governo será mais difícil do que alguns pensavam, já vejo gente desanimada, e disseminando histerismo nas redes sociais e na internet.

Você, que não aguenta 9 meses de um governo que, antes mesmo de tomar posse, já sabia que receberia forte oposição e sabotagem de todo o sistema (incluindo-se aí os outros 2 Poderes e o próprio Executivo, com setores da administração pública indireta, como universidades, além da totalidade da mídia do país), sem dar chilique e ficar nervoso, com crises de ansiedade e pânico: quer um conselho?

O mundo não tem lugar pra gente fraca. Se for o seu caso, que já desistiu do Presidente que ajudou a eleger (obviamente, estou escrevendo para quem votou em Bolsonaro, ainda que no 2º turno por “falta de opção”, como gostam de falar) e do Brasil, saia das redes sociais e da internet, e vá viver a sua vida tranquilamente, tentando ter paz de espírito.

Não fique contaminando pessoas que têm fé e esperança, e que acham que o que fazem juntas, conscientizando todos sobre a necessidade de se empenharem para o Governo dar certo, é importante para o Brasil.

Saiba você que, no fundo, Jair Bolsonaro continua lutando sozinho contra essa corrupção que se espalhou e se instalou em nosso país. Queremos apenas ajudá-lo, para tornar a sua missão um pouco menos dolorosa e seu fardo um pouco menos pesado.

É que nós não vamos simplesmente cruzar os braços, ver o barco afundar e não fazer nada. Não e não. Ficaremos até o final. Até o último homem. Até o último suspiro. Porque sabemos que o que fizemos na urna, no ano passado, não acabou, e nosso pensamento é de longo prazo; a mudança que implementamos em nosso país, quanto à forma de se fazer política, é irreversível.

Mas se isso tudo é demais para você, mais uma vez eu sugiro que saia da internet, para se preservar do sofrimento com as crises de ansiedade e histerismo. Volte em 2022, para ajudar a reeleger Bolsonaro, para continuarmos o trabalho que iniciamos em 2018 (e do qual você participou). Será muito bem recebido, como sempre. Sabemos que no fundo você quer o mesmo que nós, só que não aguenta a luta, as consequências da batalha, e entendemos isso.

Mas, por outro lado, se você está é decepcionado e desanimado com o Governo de Jair Bolsonaro, e já se pondo em dúvida se está arrependido com o seu voto, fique tranquilo que em 2022 você poderá votar em João Dória, Luciano Huck, João Amoedo, ou ainda em Ciro Gomes. Eles certamente não farão você se arrepender do seu voto.

Já nós todos aqui, repito, ficaremos até o final, junto com aquele deputado que falava sozinho diante de um plenário vazio, na época em que nenhum outro parlamentar o ouvia, porque estavam todos ocupados saqueando a Nação.



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domingo, 29 de setembro de 2019

TRANSFORME-SE EM UM JARRO! - Antonio Nunes de Souza


Nosso poder de concentração mental tem, seguramente, a capacidade de transformar nossos pensamentos, cérebros e corações, dirigindo-nos para os lados e caminhos que mais nos aprazem, enfeitando melhor nossas vidas, ajudando a termos coragem, perseverança, fé e confiança que dias melhores virão!

Parece em princípio, mais uma das normais ladainhas que ouvimos, lemos e vemos espalhadas pelas esquinas, mas, nesse nosso caso, estou atendo-me a chegada da nossa querida “Primavera”, estação das mais belas que, carinhosamente, nos rodeia de lindas flores, embelezando os jardins, ornamentando nossas paisagens e, consequentemente, nos revitalizando para enfrentarmos a convivência brutal dessa vida louca que vivemos, onde, pelas podres atitudes animalescas, cotidianamente, somos transformados em grandes latas de lixo, para, obrigatoriamente, recebermos tristemente os atos e fatos dos mais absurdos possíveis!

Chegamos ao ponto mais crítico de termos que, obrigatoriamente, em nossas salas estarmos assistindo atentados, guerras, decapitações, crimes e roubas, como se essas barbaridades fossem naturais e banais entre os seres humanos. Se, com esforços e tristezas, conseguimos nos capacitar a tolerar por falta de opções tais assuntos, nos fazendo de lixões, por que não, com a chegada da “Primavera”, não nos transformamos em lindos jarros para acolher a grande diversidade de cores das suas belíssimas flores?

Tenhamos todos a consciência e paixão efetiva e afetiva, mostrando ao mundo, ou, mesmo que seja apenas em nossa volta, que podemos, queremos e desejamos um mundo bem melhor, onde exista não só o respeito humano, como também a valorização da natureza!

Transforme-se em um jarro, ou no mínimo uma tulipa, mas, não deixe de acolher as flores que perfumam e enfeitam esse mundo que Deus criou e nos entregou com muito carinho e amor!

Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras – AGRAL


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (150)


26º Domingo do Tempo Comum – 29/09/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 16,19-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse aos fariseus: “Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.
Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado.
Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado.
Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’.
Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. E, além disso, há um grande abismo entre nós; por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’.
O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’.
Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!’
O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’.
Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos’”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Prof. Felipe Aquino:

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A indiferença cria abismos

“E, além disso, há um grande abismo entre nós”. (Lc 16,26)

O Evangelho deste domingo volta a tratar do tema das riquezas com a parábola do rico Epulón e o pobre Lázaro. Uma parábola desconcertante e inquietante porque nos situa frente a uma cena que sacode o coração, pois concentra, em uma só imagem, a realidade presente em nosso mundo: o abismo entre ricos e pobres. Existe a injustiça, existe a humilhação e a indiferença para com os menos favorecidos; existe o esbanjamento de uns frente à miséria de outros. E isto acontece também entre nós, comunidades e famílias cristãs. 

Há muitos aspectos da riqueza que podem ser injustos e nocivos; mas nesta parábola Jesus critica a indiferença do rico diante do sofrimento do pobre que está próximo, à porta. Jesus nos previne contra essa tendência a evitar que os problemas alheios perturbem nossa “zona de conforto”.

O pobre necessitado não é alguém que possamos escolher; ele aparece junto à porta de nossas vidas...

Assim, pois, estamos diante de um texto duplamente perturbador: ele nos deixa inquietos ante a humilhante situação inicial do pobre, coberto de chagas e com vontade de saciar-se das migalhas que caiam da mesa do rico; e diante do destino último do rico, que gritava para que Lázaro lhe refrescasse a língua porque as chamas o torturavam.

Se tivéssemos que escolher uma palavra que fosse a chave de leitura da parábola deste domingo, essa palavra seria “abismo”. E se pudéssemos nomear a atitude denunciada na mesma parábola, essa seria “indiferença”.

Experimentamos um grande pecado de raiz, que a todos nos envenena: a cultura da indiferença. Questões gerais, comuns a grande número de pessoas, não nos provocam e nem nos movem para além de nossos umbigos. Também os problemas dos outros não nos dizem respeito. E se há fome e sofrimento ao nosso redor, isso não nos inquieta. A maldade, a violência, as mortes, as perseguições e escravidões não nos afetam mais. E vivemos como se nada disso tivesse relação conosco. Não choramos mais as dores do mundo que construímos e ao qual pertencemos. E o caos que enfrentamos em nossa sociedade nos deixa sem horizontes e perspectivas de futuro. Sentindo que tudo vai muito mal, anestesiamos nossa sensibilidade e entramos num estado de apatia e indiferença para com o mundo, as coisas e as pessoas.

A indiferença é cruel. Ela edifica uma barreira instransponível entre grupos, classes sociais, ideologias, religiões... Tornamo-nos uma ilha sem vida e triste, negamos a condição criatural de vivermos ao lado dos diferentes, nossos semelhantes. Em nós, a indiferença é sintoma de desumanização. E essa desumanização é tanto prejudicial a nós quanto às outras pessoas. Todo mundo perde. Aos poucos, nos recolhemos em nossos medos, em nossas inseguranças e começamos a acreditar que os diferentes são nossos inimigos. Da indiferença passamos aos discursos fascistas, às práticas fundamentalistas, à segregação... 

“Os cristãos devem ser ilhas de compaixão num mar de indiferença”.

O grau de humanidade (ou de indiferença) de nosso mundo se mede pelo grau de sensibilidade diante da dor humana. E é a compaixão a melhor expressão dessa sensibilidade e humanidade: deixar-nos afetar pelo que acontece – ou seja, ter uma sensibilidade limpa, desbloqueada e vibrante.

Definitivamente, a compaixão é central para sermos humanos. O sofrimento das vítimas nos “descentra” e nos faz “descer com paixão” aos seus pés e nos situar ao lado (a favor) delas. Sempre podemos fazer a “travessia para o outro lado”. Ali é onde se abrem espaços à compaixão.

Esta compaixão não é meramente um sentimento privativo, mas reação “apaixonada” diante das injustiças sangrentas de nosso mundo. Nos sofredores há algo que atrai e convoca, que nos faz sair de dentro de nós mesmos e nos tornar próximos deles; aí reside a origem da solidariedade que suscita uma ação eficaz e um compromisso de vida a favor de quem é vítima de situações injustas.

Não resta dúvida que o sentimento nuclear do evangelho, o eixo ao redor do qual tudo gira, é a compaixão. Na sua missão, Jesus sempre se mostrou um homem compassivo, que revelou um Deus Compaixão e que, como consequência, nos convida a viver essa mesma atitude: “Sede compassivos como vosso Pai é compassivo” (Lc 6,36).

Expressão de fraternidade e vivida como serviço, a compaixão é a capacidade de situar-se no lugar do outro, sentir e sofrer com ele. É provavelmente o máximo sinal de maturidade humana e todas as tradições espirituais reconhecem isso. No budismo, especialmente, se afirma que, enquanto alguém não for capaz de colocar-se no lugar do outro, não poderá alcançar a iluminação.

Se a compaixão constitui a coluna central do evangelho, não causa estranheza que as denúncias mais fortes de Jesus são dirigidas contra a atitude de indiferença. É o que Ele revela na parábola deste domingo, onde a indiferença é retratada na atitude do rico epulón, que não causa dano ao pobre Lázaro, mas é incapaz de abrir a porta de sua casa e deixar-se afetar pela situação miserável dele.

Aqui, a chave de compreensão da parábola é encontrada na expressão “um grande abismo”. Um abismo que, não só se faz intransponível depois da morte, mas que foi alimentado exclusivamente pela indiferença do rico. Não tinha feito mal ao pobre; simplesmente, não tinha visto aquela pessoa necessitada de suas migalhas para saciar sua fome. É esse “não ver” que cria um abismo profundo em nossas relações pessoais, em nossos países e em nosso mundo.

Há uma “massa sobrante” que se torna “invisível” porque nossa sensibilidade está bloqueada ou petrificada, fechando-nos em um caracol egocêntrico e instalando-nos na indiferença, que está na origem das injustiças e violências que diariamente ferem o nosso mundo.

Vivemos tempos de “globalização da indiferença”, ou seja, a indiferença está se convertendo em um fenômeno mundial. É uma mancha de óleo que invadiu todos os ambientes, é um som desagradável que molesta todos os ouvidos, é um comportamento nefasto que se espalhou como pólvora, é um péssimo modo de proceder que se converteu em denominador comum de toda a humanidade.

Nós, seguidores(as) de Jesus, precisamos vigiar se não quisermos cair na tentação da indiferença. Costumeiramente, tendemos ao conformismo. A cultura da indiferença é fortalecida toda vez que deixamos de acreditar que a realidade pode e deve ser diferente. Não podemos nos dar por vencidos acreditando que estamos no fim, que nossas forças já se esgotaram, que não há mais sentido para lutar.

O primeiro convite que nos faz a parábola deste domingo é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. Sempre é tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós o encontra no próprio caminho. Cada vida que se cruza conosco é um dom e merece aceitação, cuidado, amor.

Nesse sentido, “amar é abrir a porta”. 

Texto bíblico:  Lc 16,19-31

Na oração: É possível superar os tempos sombrios que estamos vivendo, não nos deixando dominar pela indiferença, alimentando a capacidade de nos indignar, compadecer e afetar pela situação do outro. Que a dor, a injustiça, a morte, a fome, a mentira, o futuro não nos seja indiferente.
- Quê lugar ocupa a “compaixão” em sua vida interior, em seu compromisso diário, no horizonte de sua vida, nos encontros cotidianos? 

Pe. Adroaldo Palaoro sj



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