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terça-feira, 23 de julho de 2019

Mito é MITO! Governador petista achou que Bolsonaro iria ser vaiado ao chegar na Bahi...

MIRINHA VIDENTE – Cyro de Mattos



Mirinha Vidente
Cyro de Mattos


          Quando se estava em dúvida sobre algo que podia acontecer, de bom ou ruim, recorriam aos seus dons de vidente. Prenunciava o ano de boa safra, fartura para o pobre, benesse para o rico, saudável para o mediano. Evidenciava nas cartas ou no copo de água a desgraça próxima, surto de peste, incêndio com mortes, enchente pavorosa.

          Um rio pequeno, aquele, monótono, torto seu rumo, enganoso. Virava bicho medonho, levando casas ribeirinhas, invadindo o comércio, empanturrado de fúria, água volumosa descendo das cabeceiras, do céu cor de chumbo.

          Só voltava ao curso normal, depois que engolisse duas almas gêmeas, dois irmãos ou irmãs. Segundo Mirinha Vidente, ficassem todos prevenidos, seria a calamidade maior naquele ano, do transcurso normal desceria com alarde, assombroso na força das águas.
 
          Duas irmãs chamavam a atenção dos moradores da pequena cidade. Gêmeas, Marina e Mariana.  Rosto de uma, rosto da outra. Gosto de uma, gosto da outra. Só andavam juntas. O vestido da mesma cor, o mesmo tecido, o mesmo corte. Ninguém sabia distinguir uma da outra. Penteado de uma, penteado da outra.
 
          Os risos muito parecidos, confundiam-se até nos gestos mínimos a quem visse.

          Tinham o mesmo tamanho, a mesma cor rosada no rosto, o mesmo olhar nos olhos pequenos e brilhantes.  Quem era Marina? Quem era Mariana? Difícil saber. No educandário sempre tiraram as mesmas notas. Diplomaram-se em professora para orgulho dos pais.

          De súbito chovera muito nas cabeceiras do rio. Do céu caía tanta água parecendo que o mundo ia se acabar para aqueles que ali, na pequena cidade, vivessem. Gente chorando com as casas ribeirinhas levadas nos redemoinhos das águas. Comércio alagado, mercadorias das lojas ensopadas de água, a enxurrada aumentava. Carro boiando na correnteza, bicho morto, pau grande.

          Águas comeram parte do barranco no quintal da casa onde as irmãs gêmeas moravam. As irmãs gêmeas olhavam o espetáculo das águas.  Correnteza braba, levava tudo que pela frente encontrava.

          Primeiro o barranco rompeu, despencando com Mariana. A irmã Marina tentou salvá-la. Deu-lhe a mão, ao invés de puxar a irmã foi puxada. Foram encontradas dias depois, abraçadas, no Poço da Caixa D’Água. A cidade chorou muito no enterro das irmãs gêmeas como não acontecera antes. Cobriu-se de um manto escuro, até hoje encobre a cidade quando alguém relembra o triste acontecimento, um episódio doloroso na memória da cidade, de poucas ruas calçadas...
 
          Depois que levou as duas irmãs gêmeas, o rio voltou ao seu curso besta, inofensivo, a paisagem mansa das águas, conforme Mirinha Vidente havia anunciado.

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Cyro de Mattos é escritor e poeta. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus. Autor premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.

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segunda-feira, 22 de julho de 2019

DOM CESLAU STANULA – Diário de viagem 2019


01/07/2019


Um abraço a todos da terra de Nossa Senhora de Fátima em Portugal. Cheguei agora a Lisboa. Com a benção e oração especial pela intercessão da Virgem de Fátima.
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03/07/2019

Bom dia... Dia agradável em Lisboa, clima de graça em Fátima. Grandiosidade da construção do espaço físico no Santuário, não coloca na sombra a pequena capela das aparições, com a frondosa árvore por perto. Precisamos rezar muitos terços para a nossa conversão e santidade e assim o nosso querido Brasil encontre o rumo certo, convencendo-se, que a Pátria é mais importante do que um partido qualquer e que governar é servir. Que ela intercede por nós. Com a benção e oração. Dom Ceslau.
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04/07/2017

Bom dia. O que o ser humano tem de mais precioso, depois da família é a Pátria. Jesus amou a sua Pátria. Chorou prevendo a destruição de Jerusalém. (Lc 19,41-43). Visitei em Lisboa o Memorial da Pátria - Soldados que caíram pelo Portugal em ultramar. A memória agradecida dos vivos pelas vidas caídas pela pátria amada. Emocionante, edificante e patriótico. Veja a linda poesia cheia de amor e ensinamento para os atuais: "Si o Portugal quiser continuar a ter Homens iguais aos que a História deixa ver, Deem à flor e à música o significado que o combatente dá ao seu país amado". (Na Capela do Memorial em Belém -Lisboa).
Rezemos pelo Brasil. Não à corrupção, sim aos que lutam contra ela por amor à Pátria e o futuro dos seus filhos. Com a benção e oração. Dom Ceslau. (aumente a foto para ver detalhes).

Acabo de chegar à Polônia e Varsóvia. Bastante quente, seco, mas sempre bonita Varsóvia - a Capital.
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08/07/2019

Visitei a minha família e pelo caminho a cidade de Toruń, onde nasceu o famoso Nicolau Copérnico. Visitei a Igreja de Nossa Senhora da Nova Evangelização. Linda confira. Com a benção e oração.



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09/07/2019

Ainda sobre a Igreja, Senhora da Nova Evangelização em Toruń: Igreja é também o Memorial das pessoas e famílias que, durante a última guerra mundial, ofereceram o abrigo e o esconderijo aos Judeus, e por isso, pegos pelos nazistas foram fuzilados. São mais que 2500 pessoas fuziladas, e os seu nomes estão gravados no granito preto. A grande inscrição em branco anuncia: (em polonês) "deram a vida pelos amigos...". Quem entra, escuta suavemente, com o fundo musical do famoso pianista polonês Frederico Chopen, a voz invocando os nomes dos mártires. Impressionante. A memória viva dos que amaram na prática.... Bom dia...uma benção e oração. Dom Ceslau.

(Aumente as fotos para ver melhor os detalhes. Na frente da Igreja sou eu e o meu sobrinho, padre, professor da teologia moral e hoje provincial dos Redentoristas na França).





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11/07/2019

Bom dia. O maior presente que Deus nos concedeu é a família. Em certa idade poucos ficam   dos antigos, mas os novos aparecem com o mesmo carinho que nós a eles transmitimos. Desculpe, mas agora partilho um pouco o calor da minha família. Com a benção e oração. Dom Ceslau.



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12/07 2019

Bom dia ou boa tarde. Para mim já é a boa noite.
A alegria partilhada é a alegria aumentada. E a alegria! Visitei hoje a família dos Pe. Cristóvão Przychocki e Cristóvão Mamala, este último trabalha e estuda em Roma. Que alegria destas famílias da visita de alguém que partilha a mesma faina diária como os seus filhos! E ainda o bispo. Como ficaram felizes! Eles amam o Brasil e o povo brasileiro, por meio de nós, expressaram isto com mil atenções. Que Deus os proteja e a nós também. Com a oração e Benção.

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13/07/2019

Estou em Tuchow, uma pequena cidade onde passei a minha formação filosófico- teológica durante sete anos. A igreja Basílica Menor é do século 16. Lindo altar. Preciosa imagem, na sombra da qual cresceu o meu sacerdócio e - na perspectiva de Deus - o meu episcopado. Peço desculpas de colocar estes acentos pessoais, mas isto é um pouco da minha história de vida. Com a benção e oração.
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15/07/2019

Uma simples religiosa, Faustina Kowalska, quase analfabeta, foi escolhida por Deus para ser a "Secretária da Sua Misericórdia" (Diário). Hoje visitei estes lugares, já conhecidos pelo mundo com o nome de: Santuário da Misericórdia Divina em Cracóvia, Bairro Łagiewniki. As construções são monumentais. Se observa muita oração. Se vê gente do mundo inteiro. Se ouve tantas línguas, que o lugar parece a bíblica Torre de Babel. É a Misericórdia Divina que hoje pedimos para o mundo, mas especialmente para o Brasil. Rezei por todos. Que a Misericórdia Divina alcance a cada um na sua mais sentida necessidade. Com a benção. Dom Ceslau.





Interior da Basílica, o altar Mor; a janela do quarto onde viveu e morreu a Santa; a beleza do teto- forro da Basílica...

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16/07/2019

Boa noite. Hoje celebrei a festa da Padroeira N. S. do Carmo na minha Paróquia Natal, na Igreja onde fui batizado, onde fui coroinha etc. Presidi a Missa, fiz a pregação e depois a costumeira Procissão em torno da Igreja. Depois da Missa recebemos a fraternidade de N. S. Do Carmo umas 30 crianças que já fizeram a 1a Comunhão e alguns adultas, impondo-lhes o Santo Escapulário. Foi muito lindo. Alguém tirou foto. Depois... a festa em casa com os familiares. Foi lindo. Partilho um pouco do convívio da minha família. Com a benção e oração. (logo mandarei algumas fotos....)





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19/07/2019

Hoje louvo a Deus pelos meus 55 anos da ordenação sacerdotal e logo em agosto, 30 de bispo. Celebrei a Missa no Santuário onde eu fui, em 1964, ordenado padre, junto com os 18 colegas. Pedi a Deus por todos que encontrei nas minhas andanças missionárias pelo mundo durante toda minha vida sacerdotal; por onde celebrei e preguei a Palavra de Deus. Com a oração e a benção especial Dom Ceslau.


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22/07/2019

Boa tarde. A despedida tem um gosto de melancolia, esperança.... Despedi a minha família, meu sobrinho padre, com quem passei 15 dias, está no caminho a casa em Paris, e eu também deixei os meus e amanhã começo a viagem rumo a casa, em Salvador. Deus seja louvado pelos dias que aqui passei no seio da família. A família é o maior presente que Deus nos deu. Com a benção e oração, dom Ceslau.
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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL.

BEM-VINDO DE VOLTA À PÁTRIA AMADA BRASIL, CARÍSSIMO PASTOR DOM CESLAU STANULA!

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domingo, 21 de julho de 2019

O “NON POSSUMUS” DO CARDEAL ALEMÃO - Péricles Capanema


18 de julho de 2019
Péricles Capanema

“Non possumus” — não podemos; na linguagem corrente, não posso. Não podemos foi a resposta de São Pedro e São João ao príncipe dos sacerdotes que lhes proibia a pregação do Evangelho. “Se é justo diante de Deus obedecer antes a vós que a Deus, julgai-o vós mesmos; não podemos, pois, deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido” (At 4, 19-20).

“Non possumus” é expressão usualmente empregada quando dever de consciência impõe desacordo público com algum ato de autoridade. Foi, assim, por exemplo, que Pio IX (1792 – [1846] 1878) respondeu a Napoleão III (1808-1873) que havia sugerido a ele, como Chefe dos Estados Pontifícios, a entrega da Romagna a Vitor Emanuel II (1820-1878), na ocasião ainda rei da Sardenha.

Os exemplos se multiplicam na vida pública e privada. Preciso, porém, falar de um cardeal alemão, erudito e destemido, que há pouco, publicamente, disse um “non possumus”, fundamentado e sereno, que ecoa de alto a baixo na Igreja. Dom Walter Brandmüller [foto acima], nascido em 1929, recebeu em 2010 o capelo cardinalício de Bento XVI. Reconhecido como sacerdote douto nos ambientes eclesiásticos e da alta erudição, em especial grande historiador, passou a vida em reflexões, estudos, aulas, congressos, publicações; tem numerosos livros difundidos no mundo inteiro. Foi só no outono da existência, 81 anos, como prêmio e reconhecimento de bons serviços recebeu a púrpura.

Estamos na véspera do Sínodo sobre a Pan-amazônia. Ou por outra, do sínodo sobre a Amazônia inteira. É região imensa, compreende a bacia do rio Amazonas, são 6.900.000 km2, dos quais cerca de 3.800.000 km2 no Brasil. Além do Brasil, abarca sete outros países: Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Venezuela. Suriname. E ainda a Guiana Francesa. No Brasil, a Amazônia Legal representa 59% do território, onde em 2000 viviam 20,3 milhões de pessoas, sendo 68,9% em zona urbana. Hoje, certamente, muitos mais.

O Sínodo, que se reunirá em Roma de 6 a 27 de outubro próximo tem como lema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Observadores e comentaristas, considerando a amplitude dos temas propostos, afirmam que suas conclusões podem mudar o rumo da Igreja. Até agora, seu mais importante documento, espécie de pauta prévia, é a “Instrumentum laboris” (instrumento de trabalho), divulgado pela Santa Sé em 17 de junho último.

Foi em relação a tal documento, que tomou posição o cardeal dom Walter Brandmüller em documento de 27 de junho cujo original traz o título “Eine Kritik des ‘Instrumentum Laboris’ für die Amazonas-Synode” — Crítica da “Instrumentum Laboris” para o Sínodo da Amazônia.

O Purpurado iniciou suas palavras vergastando a ingerência indevida da proposta em matéria temporal: “Para começar precisamos nos perguntar por que um sínodo de bispos deveria tratar de temas que — como é o caso de três quartos da ‘Instrumentum Laboris’ — têm só marginalmente algo relacionado com os Evangelhos e a Igreja. Obviamente que a partir deste sínodo de bispos, realiza-se uma intromissão agressiva em assuntos puramente temporais do Estado e da sociedade do Brasil. Há que se perguntar: o que a ecologia, a economia e a política têm a ver com o mandato e a missão da Igreja? E acima de tudo: que competência profissional e autoridade tem o sínodo eclesial de bispos para emitir declarações nesses campos? Se o sínodo realmente o fizesse, isso constituiria uma invasão e uma presunção clerical, que as autoridades estatais teriam todo motivo para repelir”.

Com segurança e bom senso o cardeal alemão diz que o documento é “intromissão agressiva” em assuntos temporais de pessoas sem qualificação profissional e autoridade para falar a respeito. Vai além, seria “presunção”, “invasão”, e daria motivo justificado para as autoridades civis repelirem a ingerência indevida.

Vou tratar apenas de alguns pontos ventilados pelo cardeal. A seguir, critica o conteúdo teológico do documento, dizendo que, fundado no ideal do “bom selvagem” de Rousseau e na doutrina iluminista, propende para uma igreja natural e chega a uma “idolatria panteísta da natureza”. Censura ainda a rejeição da cultura ocidental, o desapreço da razão, a ereção das florestas “pasmem, vem até declaradas como um ‘locus theologicus’, uma fonte especial de revelação divina”. E conclui: “o resultado é uma religião natural, com máscara cristã”. Em consequência, temos “a autodestruição da Igreja ou a transformação do ‘Corpus Christi Mysticum’ em uma espécie de ONG secular com missão ecológico-social-psicológica”. Para o cardeal estamos diante de “uma nova forma do modernismo clássico do início do século XX”.

Seguidor do “seja o vosso falar: sim, sim; não, não”, conclui o hierarca com clareza solar: “Portanto, deve ser dito hoje com força que a ‘Instrumentum laboris’ contradiz o ensinamento vinculante da Igreja em pontos decisivos e, portanto, deve ser qualificada de documento herético. Dado que até mesmo a revelação divina ser aqui questionada, ou mal-entendida, deve-se também falar que, além disso, é apóstata. […] A ‘Instrumentum Laboris’ usa uma noção puramente imanentista de religião [..] constitui um ataque aos fundamentos da fé, […] deve ser rejeitada com a máxima firmeza”.

O documento do cardeal Walter Brandmülller é bálsamo para os católicos brasileiros. Eles haviam se escandalizado com a linguagem balofa, vaga, imprecisa, quando não escandalosamente falseadora da realidade, cheia de ambiguidades estudadas, que perpassa toda a “Instrumentum Laboris”, mas que invariavelmente bafeja programas de ecologia extremada, anticapitalistas, coletivistas, favorecedores do primitivismo indígena; enfim, pautas propugnadas pela esquerda de todos os matizes, em especial a radical.
  
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Comentários

José Antonio Rocha
18 de julho de 2019
Más, Irmãos em Cristo, não tenhamos medo. Se o império Romano não consegui, não será um “bando” de novos Judas Iscariotes que conseguirá prostituir a única Igreja edificada por Jesus Cristo. Deus é mais forte que todo o mal. Jesus Cristo venceu o mundo, a morte e o pecado. O coração imaculado da Virgem Maria triunfará. Amém.

Costa Marques
18 de julho de 2019
Oportuno comentário sobre a nova religião de fundo panteista promovida ou desejada pelos mentores do Sinodo da Amazônia.
Como bem lembrou São Paulo, baseado no Antigo Testamento, “os deuses dos gentios são demônios”. Essa afirmação do Cardeal Brandmüller de que o resultado do Sínodo da Amazônia “é uma religião natural, com máscara cristã” nada tem a ver — é bom que se esclareça — com a religião natural dos Patriarcas (anteriores portanto à Moisés), também chamada Religião Primitiva em que o Sacrificio de Abel, de Abraão eram bem aceitos por Deus. Costa Marques


Luiz Guilherme Winther de Castro
18 de julho de 2019
Infelizmente, a nossa Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, sem generalizar, é claro, aqui no Brasil tem se intrometido em assuntos que não lhe dizem respeito.
Mas, não é só a Igreja, não! Outros órgãos e instituições, como a OAB têm feito o mesmo.

MARIO HECKSHER
18 de julho de 2019
Excelente artigo, que precisa ser lido não apenas pelos católicos, mas por todos os cristãos.


Celso da Costa Carvalho Vidigal
18 de julho de 2019
Sugiro que o artigo de Péricles Capanema acima e outros o IPCO tem publicado referentes ao Sínodo sejam enviados pessoal e diretamente para todos os bispos dos paises que contêm partes da Amazonia, esclarecendo que os envios se devem à suposição de que o assunto os interesse e que, se eles preferirem não recebê-los, respondam pedindo para não mais enviá-los.


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (140)


16º Domingo do Tempo Comum – 21/07/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 10,38-42)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra.
Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!”
O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.
— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Paulo Ricardo:

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Trabalho contemplativo 
Marta e Maria - Johannes Vermeer

“Maria sentou-se aos pés do Senhor, e escutava sua palavra” (Lc 10,39)

Neste domingo (16º TC), a liturgia nos desloca até Betânia, a viver Betânia, a ser Betânia, lugar de acolhida e hospitalidade; ali somos convidados a entrar em casa de Marta e Maria, junto com Jesus, para deixar-nos impactar por tudo o que acontece nesse ambiente tão familiar e humano.
  
Betania, “casa do pão”, simboliza um lugar de nutrientes, de alimento em sentido amplo: afeto, distensão, sensibilidade, cuidados, atenção, presença e ternura. Para Jesus, Betânia é um lugar de intimidade e de descobertas; busca acolhida na casa das duas irmãs, nesse anseio tão humano de companhia, hospitalidade e contato. É frente às suas amigas de Betânia que Jesus deixa transparecer, de um modo mais explícito, a dimensão feminina de sua vida.

Quando Jesus passa e se permite o encontro, as pessoas são transformadas. Ao hospedar-se na casa de Marta e Maria surge a novidade: uma mulher senta-se aos pés do mestre em horário dos trabalhos domésticos. As palavras de Jesus embelezam o coração mediante os ouvidos atentos de Maria. Ela bebe do poço profundo do “novo” ensinamento. A Jesus também não lhe interessa outra coisa que não seja formar mais uma discípula.

À luz deste relato, abre-se uma nova perspectiva para a mulher. Maria, é acolhida por Jesus como interlocutora privilegiada. Talvez seja o relato mais subversivo do evangelho. “Sentada aos pés de Jesus, escutava sua palavra”. Maria está ali como discípula. A parte essencial, que não lhe será tirada, é a marca dessa experiência aos pés de Jesus.

Isto desloca toda uma concepção machista da época que não permitia às mulheres serem discípulas de um mestre. Mas, para Jesus, a mulher também precisa desenvolver sua interioridade, precisa ativar seus recursos internos para o seu enriquecimento como pessoa humana. Quando se elimina a gratuidade do encontro e da acolhida, a vida pode perder seu sabor e seu sentido. Na atitude de Maria, Jesus convida todas as mulheres a desenvolver seus valores espirituais; Maria, por sua vez, oferece a ocasião para Jesus desvelar tudo isso. 

Se queremos compreender mais profundamente o verdadeiro sentido do texto deste domingo, não devemos esquecer o contexto do evangelho de Lucas. Situado dentro da viagem a Jerusalém, este relato procura revelar o perfil daqueles(as) que querem seguir Jesus. Durante essa subida, Ele vai formando os(as) seus(suas) discípulos(as). 

Lucas é o único que relata este episódio em Betânia e não é casualidade que, uma vez mais, se sinta interessado em destacar a importância das mulheres na vida pública de Jesus. Não tem nenhum sentido extrair deste relato uma distinção ou uma oposição entre a vida contemplativa e a vida ativa; tampouco deixa transparecer a pretendida superioridade de uma sobre outra. Não é correto interpretar este evangelho como proclamação de dois tipos de cristãos: uns que se dedicam à vida ativa e outros à contemplativa. 

Poderíamos dizer que esta imagem caseira do encontro amistoso entre Jesus e as irmãs revela uma atitude sensata na vida, de acordo com a tradição sapiencial: “Tudo tem seu momento, e cada coisa seu tempo” (Ecle 3,1). Jesus não censura Marta por trabalhar; o que Ele censura é a sua inquietação, a sua preocupação, o fato de andar agitada no seu “tarefismo”, “com um olhar atravessado” para sua irmã, a quem se queixa e clama uma intervenção de Jesus.

Jesus chamará Marta por duas vezes, como Moisés foi chamado por Deus diante da sarça ardente, porque o lugar que ela pisa, sua própria casa, é sagrado e há nela um fogo que não se consome. Ele a chama para que não se identifique com sua função, nem com seus afazeres, mas que vá progredindo em direção ao seu “eu profundo”, que saia da dinâmica das comparações e se atreva a ser “Marta completa”.

O que Jesus censura em Marta é, sobretudo, o seu estrabismo. Dois olhos que olham, cada um para uma direção diferente. No entanto, “uma única coisa é necessária”. Com efeito, Marta tenta olhar, ao mesmo tempo, para Jesus e para a irmã; dessa forma, não consegue enxergar o único Bem-Amado. Compara-se com a irmã, está possuída pelo que os antigos chamavam o “demônio da comparação”. Trata-se de uma tendência, presente em todos nós, de nos comparar, nos avaliar, viver incessantemente equiparando-nos aos outros. Esse “demônio” é sempre atual e acaba por envenenar múltiplas relações. 

Quando comparamos, passamos ao largo do único necessário. A comparação faz com que nós não percebamos “a única coisa necessária”. A “melhor parte” não é somente a contemplação, é não ver Jesus. A melhor parte é olhar em direção a Ele, é termos o desejo orientado para o Senhor. E se nosso desejo é orientado para o Senhor, nós podemos ter momentos de contemplação e momentos de ação.  Não são momentos opostos. A não-dualidade entre ação e contemplação, trabalho e repouso, encontra-se nessa unificação ou nesse despertar do olhar em direção ao Único. A qualidade da ação e da contemplação depende da orientação do coração e da inteligência em direção Àquele que mantém unidas todas as coisas. 

A cena de Betânia nos está dizendo: todos somos, ao mesmo tempo, Marta e Maria. Todos nos sentimos, com frequência, ansiosos, angustiados, dispersos e tentados a fazer da eficácia nossa principal preocupação. Mas, vivemos também a experiência do sossego e da unificação, que nos faz ordenar nossas prioridades e viver centrados no essencial. E, uma vez mais, somos convidados a saborear a Palavra que, no mais profundo de nós mesmos, se converte em uma fonte de assombro e de prazer e nos reenvia a um serviço mais generoso e mais livre. 

Marta representa um lado nosso que calcula, que mede e que compara. É preciso reencontrar Marta em união com Maria. Não é nada fácil manter o equilíbrio, integrando-as. Marta e Maria são como os dois olhos de um olhar, ou as duas faces do mesmo rosto. Os dois olhando em direção ao Único. Significa unir em nós, Marta e Maria, a contemplação e a ação, o silêncio e a palavra. A “melhor parte” está por todo lado: é o Senhor que deve ser acolhido em nossa ação e em nossa contemplação, no trabalho e no descanso. 

Ser humano é ser capaz de ação e ser capaz de contemplação. Mas o único necessário nesta ação ou nesta contemplação, no trabalho ou no repouso, é amar o Senhor. Em cada momento devemos buscar alcançar nosso “eu profundo” – exatamente onde jorra a vida – e formar uma só coisa com essa Vida que atua incessantemente no nosso interior. Estar centrado na Fonte: eis a melhor parte.

Texto bíblico:  Lc 10,38-42

Na oração: Entre em sua “Betânia interior”: verifique se ela é lugar de integração, unidade e pacificação. Ou, pelo contrário, espaço de divisão, ruídos, ansiedade e preocupação.
- “Betânia interior” se projeta na “Betânia exterior”: peça a Deus a graça de poder transformar a sua casa em nova Betânia: casa da acolhida, da amizade, da partilha solidária, da convivência sadia...

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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sábado, 20 de julho de 2019

DIA DO AMIGO 2019



DE AMIGO

Amigo é aquele que
Para servir interfere,
Vê fundo onde ninguém vê,
Pensa feridas – não fere!

Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras - AGRAL

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A QUINTA DIMENSÃO


Como as pessoas que vivem na quinta dimensão estão agindo? 

1 Não estão mais conseguindo assistir televisão. 

Para elas competir não faz mais sentido. Ao invés de competir preferem compartilhar e se divertir.

3 Sabem que a quinta dimensão não é um lugar, mas sim uma frequência, um estado vibracional. 

4 Não têm mais medo do desconhecido. Sabem que o mundo extrafísico faz parte da Natureza e a paranormalidade deve ser encarada como algo natural e não como algo amedrontador e assombrado.
 
5 Sabem que o diabo de maneira literal não existe.  O que existe é uma imensa egrégora alimentada pelo orgulho, o egoísmo, a ganância, os medos e as ilusões. 

6 Sabem mergulhar nas maravilhas do autoconhecimento e aproveitar plenamente a própria companhia quando estão sós, mas quando estão com outras pessoas, querem estar com elas por inteiro e intensamente. 

7 Sentem que possuem um propósito de vida e querem encontrá-lo, mas precisam se render e parar de controlar suas vidas, pois já perceberam que quanto mais querem controlar, mais atrapalham a manifestação de milagres em suas vidas. 

8 Já compreenderam que vencer na vida não significa morrer rico e muito menos vencer os outros para mostrar que é melhor e mais combativo. Sabem que vencer na vida é vencer seus limites e medos e chegar no fim da vida com o coração vibrando em gratidão por saber que, se não conseguiram cumprir tudo o que vieram cumprir, pelo menos tentaram.
 
9 Já estão compreendendo que a saudades não é um sentimento ruim e de perda, mas sim um sentimento que traz a certeza que um dia reencontrará todas as pessoas que amaram e um dia passaram em sua vida.

10 Querem ajudar a alma do mundo e estão prontas para isso, pois é um dos propósitos que veio cumprir nesta passagem terrena atual.  Sabe que não veio aqui somente como turista espiritual.

(Autor não mencionado)

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