Transcrevo minha vivência. Estudei até o final do ginásio no
colégio Nossa Senhora das Mercês, onde fomos extremamente felizes e trago comigo
milhares de lembranças, boas lembranças, dentre elas todo final do mês o
Encontro das turmas ao ar livre, para o hasteamento da bandeira!!!
Todos nós adorávamos este momento, que significava festa e
respeito aos símbolos. Aprendemos com isto a valorizar o que nos representa...
E ao longo da minha vida, nos mais diversos eventos, quer
seja técnico, cultural, de lazer o Hino é cantado, já em várias versões e
acredito emociona a todos.
Concordo que esse exagero de filmar não procede, mas como
vamos conhecer as coisas, que são parte, pois traduzem a Nossa Terra, infundindo
noções de liberdade, respeito aos símbolos, zelo e cidadania?
Estaremos escrevendo
um novo livro para gerações futuras.
Venezuelanos impedidos pela guarda bolivariana de atravessar
a fronteira com o Brasil, onde desejavam comprar alimentos para suas famílias
♦ Santiago Escobar
Aumenta a cada dia a pressão nacional e internacional pela
saída do ditador venezuelano Nicolas Maduro e, em consequência, o fim de sua
agenda política chamada “revolução bolivariana”.
No dia 2 de fevereiro recordamos com execração os 20 anos da
ascensão ao poder do tirano Hugo Chávez Frias, que mergulhou o país na pior
crise de sua história em nome do “bolivarianismo”, uma utopia marxista criada
para a esquerdização do continente latino-americano. Essa ideologia abertamente
socialista estava comprimindo a Venezuela e empurrando-a para uma situação
virtualmente sem saída, na qual está sendo debatida atualmente.
O mundo inteiro conhece o sofrimento do povo venezuelano por
causa da grave crise que permeou todas as instituições da lei natural, como a
família, a propriedade privada etc. Essa franca ditadura socialista transformou
uma das nações mais prósperas da América Latina em um país com uma das maiores
hiperinflações do mundo, atingindo quase 10.000.000%[i].
Por que aconteceu tudo isso com a Venezuela? — Por uma perda
sistemática de fé e valores morais, cuja consequência foi levar os venezuelanos
a eleger Hugo Chávez como presidente.
Como circunstância agravante, houve um aumento de cultos e
feitiços esotéricos que se espalharam por todas as camadas da sociedade.
Jovens da TFP venezuelana numa campanha em Caracas
Não posso deixar de mencionar que existia na Venezuela uma
organização de jovens católicos idealistas que por muitos anos denunciaram toda
essa crise e, por razões de suma injustiça, foram difamados e expulsos de seu
próprio país. Refiro-me aos jovens da TFP venezuelana, criticados alguns anos
depois por Chávez e Maduro como militantes de uma das “piores” entidades
possíveis, “fascista”[ii] e “seita de direita”[iii], por defender a tradição a família e a
propriedade.
Uma das consequências da ditadura comunista é a emigração de
mais de 2,3 milhões de venezuelanos, ou seja, 7% da população, que, carentes de
tudo, se refugiam em países limítrofes, na maioria das vezes passando pelas
piores situações.
É por isso que fazemos um memento pela Venezuela, para que a
Divina Providência, por intercessão especial de Nossa Senhora de Coromoto,
Padroeira do País, mais uma vez perdoe e ajude seus filhos venezuelanos que
sofrem sob o peso da bota comunista que os oprime.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “A vós,
que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos
odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos
caluniam.
Se alguém te der uma bofetada numa face, oferece também a
outra. Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica.
Dá a quem te pedir e, se alguém tirar o que é teu, não peças
que o devolva. O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também
vós a eles.
Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa
tereis? Até os pecadores amam aqueles que os amam.
E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem, que recompensa
tereis? Até os pecadores fazem assim.
E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber,
que recompensa tereis? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receber
de volta a mesma quantia.
Ao contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e
emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será
grande, e sereis filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os
ingratos e os maus. Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é
misericordioso.
Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não
sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma
boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo;
porque, com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis
medidos”.
“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é
misericordioso” (Lc. 6,36)
Tornar presente o Pai como Amor e Misericórdia foi, para
Jesus, o cerne de sua missão: toda a sua vida foi uma eloquente demonstração da
misericórdia divina para com a humanidade. Jesus, que encarna e torna visível
no mundo a misericórdia do Pai, se faz também misericordioso. Anuncia aos
pecadores que eles não estão excluídos do amor do Pai, mas que Ele os ama com
infinita ternura. O Evangelho só aparece como Boa-Nova se compreendermos esta
novidade introduzida por Jesus. Ele, em sua presença misericordiosa, revela um
Deus desprovido de dogmatismos, de controle e de poder. O Deus de Jesus não é
um juiz com um catálogo de leis que tem necessidade de mandar, controlar,
verificar; o seu Deus é o Deus da misericórdia, da bondade sem limites e da
paciência para com todos.
Jesus propõe um modo de ser humano inseparável da
misericórdia do Pai:
“Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso” (Lc. 6,36)
Ser misericordioso “como” Deus constitui o mais elevado
convite e a mensagem mais profunda que o ser humano recebe sobre como tratar a
si mesmo e aos outros. Deus, em sua misericórdia reconstrutora, libera em
nós as melhores possibilidades, riquezas escondidas, capacidades, intuições...
e nos faz descobrir em nós, nossa verdade mais verdadeira de pessoas amadas,
únicas, sagradas, responsáveis... É ele que “cava” no nosso coração o espaço
amplo e profundo para nos comunicar a sua própria misericórdia. A força criativa
do seu amor misericordioso põe em movimento os grandes dinamismos de nossa
vida; debaixo do modo paralisado e petrificado de viver, existe uma
possibilidade de vida nova nunca ativada.
A experiência de misericórdia gera em nós uma atitude
correspondente de misericórdia. O Deus misericordioso cria em nós um coração
novo, feito de acordo com o Seu, capaz de misericórdia (“bem-aventurados os
misericordiosos porque alcançarão misericórdia”). É exatamente este o maior
sinal da sua Misericórdia: ama-nos a ponto de enviar-nos ao mundo como
instrumentos de Sua reconciliação, pondo em nosso coração um Amor que vai além
da justiça.
A misericórdia é não só o atributo primeiro de Deus, mas
também a mais humana das virtudes. É aquela que melhor revela a natureza do Deus
Pai e Mãe de infinita bondade. É a que revela igualmente o lado mais luminoso
da natureza humana. Por isso é a que mais humaniza as relações entre as
pessoas.
A misericórdia presente em nós é modelada e alimentada pela
Misericórdia divina, que se visibiliza no perdão, na compaixão, no consolo, na
ternura, no cuidado... Nossa atitude misericordiosa nos configura à imagem do
Deus misericordioso. É onde somos mais semelhantes a Ele. A misericórdia como
estilo-de-vida cristã nos descentra de nós mesmos e nos faz descer em direção
ao outro, numa atitude de pura gratuidade. A vivência da misericórdia nos
torna realmente livres, e isso nos proporciona profunda alegria
interior.
Uma misericórdia superabundante, generosa... é gesto
gratuito e positivo de encontro, de acolhida, de cordialidade, que se torna
hábito de vida: ser “presença misericordiosa”. A espiritualidade da
misericórdia contém em si a gratuidade do relacionamento, a dimensão
desinteressada da doação. É a partir da misericórdia que a pessoa é capaz de
amar os inimigos, de fazer o bem aos que a odeiam, de bendizer os que a
amaldiçoam, de oferecer a outra face, de emprestar sem esperar recompensa, de
perdoar sem limites...
A misericórdia é humilde e não humilha, porque é discreta e
silenciosa. Ser presença misericordiosa não significa pôr o outro de joelhos
para que reconheça seus erros; ela nasce de um coração “educado” pela
Misericórdia divina e se manifesta externamente com uma atitude mansa e
condescendente. Essa Misericórdia é uma força poderosa, não se rende diante do
mal, porque é sempre capaz de redes-cobrir o bem ou de salvar a intenção do
próximo, de abrir-lhe novamente a esperança...
Entrar no movimento da misericórdia humaniza e cristifica
essencialmente a pessoa, porque a misericórdia constitui “a estrutura
fundamental do humano e do cristão”. Fundamentalmente, a misericórdia significa
assumir como própria a miséria do outro, inicialmente como sentimento que
comove, mas que, logo em seguida, leva à ação. Ela brota das “entranhas” e se dirige
instintivamente ao próximo na forma de proximidade, acolhida e compaixão.
Misericórdia é exatamente: “ter coração” para o outro, dando
preferência aos pequenos e pobres.
A misericórdia é a caridade que “toma mãos e pés”, ou seja,
o amor que se expressa em uma ação decidida e generosa, capaz de transformar e
libertar. Em hebraico, a palavra “misericórdia” – “rahamim”, significa ter
entranhas como uma mãe. É comover-se diante da situação de fragilidade do
outro; é sentir-se intimamente afetado e, por isso, com a disposição de ser
magnânimo, clemente e benevolente para com ele. A misericórdia recebida e
experimentada é a base da atitude compassiva, não como ato ocasional mas como
estilo de vida evangélico. Torna-se o fundamento e a perene inspiração de uma
existência de par-tilha e solidariedade.
Ser presença misericordiosa é um “modo de proceder”, um
“estilo de vida” que não está ligado a uma transgressão; é muito mais um estilo
de bondade, compreensão, magnanimidade, estilo de quem não se fixa no que o outro
merece nem se escandaliza com sua miséria. "Devemos ser presença
misericordiosa como pecadores, e não como justos”.
A misericórdia é fundamentalmente uma mensagem de estima e
confiança no outro, crer na sua amabilidade. Por isso, a presença misericordiosa
é força que provoca no outro a re-descoberta de sua própria identidade (uma
pessoa amada e acolhida pelo Deus misericordioso) e ao mesmo tempo desata nele
as ricas possibilidades de vida que estavam latentes.
Quem é misericordioso está convencido de que o irmão é
melhor que aquilo que aparenta ser. A misericórdia é expansiva, ela abre um
novo futuro e ativa os melhores recursos no interior de cada um. Ela não se
limita ao erro, mas impulsiona o outro a ir além de si mesmo.
Onde não há misericórdia, não há sequer esperança para o ser
humano.
Textos bíblicos: Lc 6,27-38
Na oração:
- Pedir maior consciência do Amor Misericordioso do Pai por
você; que você possa deixar-se surpreender pelo Amor criativo do Deus
Pai/Mãe... e participar em sua festa de reconciliação.
- Ao mesmo tempo, pedir um coração “desarmado”, pronto a
re-criar (perdoar é re-criar, é dar oportunidade para alguém viver de novo).
- Entrar no “fluxo” da misericórdia divina: ser canal por
onde ela circula para chegar até os outros.
Todos os brasileiros são defendidos pela Lei quando
agredidos. Querer criar uma categoria de pessoas cuja prática moral não pode
ser discutida não é defender o pluralismo de idéias, mas silenciar, discriminar
e perseguir os contrários.
Comunicado do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
Há mais de 30 anos, Plinio Corrêa de Oliveira dizia que ser
católico se tornaria inconstitucional no Brasil por causa do avanço do
homossexualismo[i].
Segundo a doutrina católica, a prática do ato homossexual
constitui um pecado grave, intrinsecamente desordenado, que “brada aos
céus e clama a Deus por vingança”. Tanto as Sagradas Escrituras (a Bíblia) como
a Tradição da Igreja condenam claramente essa prática.
Nas últimas décadas, entretanto, fez-se um silêncio
crescente a respeito da moral natural e da moral católica nessa matéria, ao
mesmo tempo em que uma ampla campanha favorável à prática homossexual foi
lançada através dos meios de comunicação de massa.
Mesmo assim, dentro da sociedade democrática em que vivemos,
tanto os defensores da moral católica como os seus opositores podem se
manifestar livremente, publicar livros, fazer campanhas públicas e defender
suas posições.
Essa liberdade, agora, está ameaçada pelo julgamento no STF,
que pode considerar inconstitucional ser contra o homossexualismo; equiparando
o repúdio à prática homossexual ao crime de racismo e aplicando as mesmas
penas, inclusive a pena de prisão.
Nesse sentido, o voto do Min. Celso de Mello, relator do
processo, foi de grande gravidade, praticamente “criando” um novo tipo penal de
“homofobia”.
Em uma época em que a esquerda defende que o aborto deixe de
ser crime, assim como deseja liberar as drogas, e ataca o que considera
como punitivismo (punir em demasia), essa mesma esquerda entra com um
processo querendo criminalizar e punir os que são contrários à prática
homossexual.
Em nome da “não discriminação”, discriminam-se os que
defendem publicamente a posição católica nessa matéria.
Sobre isso, é preciso esclarecer que a palavra “discriminar”
está sofrendo uma mudança de conceito com o propósito de quebrar a resistência
da sociedade a essas transformações morais.
Toda lei discrimina, tanto a lei de Deus como a lei dos
homens, ao separar o lícito do ilícito, o certo do errado, e punir o crime.
Toda pena de prisão é uma discriminação contra um ato considerado
crime. A palavra, portanto, é neutra. O ato de discriminar se torna
censurável, errado, na medida em que ele é usado para perseguir o bem, como
está se dando agora.
O ministro Celso de Mello, embora reconheça o direito dos
que seguem a Lei de Deus de “narrarem” passagens da Bíblia contra o
homossexualismo, por outro lado também afirma que nenhuma liberdade
religiosa ou mesmo liberdade de expressão é absoluta e que
nenhum discurso de ódio pode ser tolerado…
O termo “discurso de ódio” é suficientemente amplo para
poder ser usado contra qualquer pessoa que critique, publicamente, o ato
homossexual. Mesmo podendo relatar o que está nas Sagradas Escrituras, os
cristãos poderão dizer que o homossexualismo constitui um vício? Poderão eles
repudiar uma conduta que consideram intrinsecamente desordenada, como está
no Catecismo Católico?
A Bíblia, quando afirma taxativamente que os efeminados
não herdarão o Reino de Deus (1, Coríntios, 6, 9-10) está apenas narrando
um fato? Ou essa afirmação pode ser considerada como uma discriminação a
um grupo social? Ficará a circulação da Sagrada Escritura dependendo das
interpretações de cada juiz?
Assim ocorreu em diversos regimes totalitários, notadamente
com os comunistas, que chegaram a proibir ou a censurar a Bíblia por conter
trechos que não eram do agrado do regime.
Apesar de enaltecer a democracia brasileira, o relator do
STF acusava os contrários ao homossexualismo de serem: “cultores da
intolerância, cujas mentes sombrias rejeitam o pensamento crítico, …repudiam
o direito ao dissenso, …ignoram o sentido democrático da alteridade e do
pluralismo de ideias”… que se apresentam como corifeus e epígonos de sectárias
doutrinas fundamentalistas. (Grifos nossos).
Ora, o que está em jogo é, exatamente, censurar o dissenso a
respeito do tema do homossexualismo, impondo uma espécie de dogma laico contra
a moral Católica, cujos transgressores estariam sujeitos até mesmo à pena de
prisão. Há algo mais radicalmente contrário ao senso crítico e
ao pluralismo de idéias do que ameaçar de prisão quem não concorda
com a prática homossexual?
Todos os brasileiros são defendidos pela Lei quando
agredidos. Querer criar uma categoria de pessoas cuja prática moral não pode
ser discutida não é defender o pluralismo de idéias, mas silenciar, discriminar
e perseguir os contrários.
No Direito penal, não há “analogia em prejuízo do réu” (analogia
in malam partem), não há “pena e nem crime sem lei anterior que os defina” (Nullum
crimen, Nulla poena sine praevia lege).
Entretanto, nada disso importou. Usando uma interpretação
ampla dos direitos constitucionais, o Ministro relator considerou que a homofobia poderia
ser enquadrada no tipo penal de racismo.
Na prática, equivale a penalizar uma ação que antes não era
penalizada.
Sobre isso, os juristas irão discutir. O fato inconteste,
entretanto, é que não foi o Legislativo — a quem cabe criar leis e definir
penas — que criminalizou a chamada homofobia, mas terá sido uma decisão de
uma corte de justiça, baseada em interpretação subjetiva em matéria penal feita
em prejuízo do réu.
A prevalecer essa decisão, estaremos diante de uma
perseguição religiosa sem paralelo na história moderna. Através de uma simples
interpretação, a Moral católica — e a da imensa maioria do Brasil — terá se
tornado inconstitucional.
O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira não poderia
ficar inerte diante da gravidade desse momento.
Cabe aos Ministros do Supremo, homens que ocupam uma posição
privilegiada e de alta responsabilidade nos destinos de nosso País, cumprir a
sua função jurisdicional, dizer o Direito. Que eles não se deixem levar pela
sedução de mudar a sociedade através da força do Estado, pois esse não é o
papel dos juízes.
Que Nossa Senhora Aparecida, invocada pelo ministro Toffoli
em sua posse como Presidente do STF, não permita que essa perseguição
religiosa seja imposta ao País do Cristo Redentor.
Pensava eu com meus botões, fosse outra a educação
secundária entre nós, “Delenda est Carthago” seria agora expressão nos lábios
de muitos. Em minha juventude, foi. Vira e mexe a ouvia para indicar que alguma
coisa encrespada deveria sempre chamar a atenção no meio de outras
preocupações. De momento, em muitas circunstâncias importantes (vou ressaltar
uma), cai como uma luva. Contudo, nunca é escrita, nunca é ouvida em conversas.
Lembro duas razões, a primeira, já não se estuda latim; a segunda, é
superficial, para dizer pouco, o estudo da História.
E assim, para alguns vou explicar. Quem já sabe tudo a
respeito, pule este e o parágrafo próximo. “Delenda est Carthago” significa
Cartago deve, precisa ser destruída [acima, as ruínas de Cartago]. Outras
fórmulas circulam, indicando no fundo a mesma coisa. “Ceterum censeo
Carthaginem delendam esse” ou “Ceterum autem censeo Carthaginem delendam esse”.
Julgo, penso, acho que Cartago deve ser destruída. Eram afirmações populares na
Roma do século II a.C., por ocasião das guerras púnicas, como se sabe a disputa
entre Roma e Cartago, dois grandes poderes da Antiguidade. Em suma, a
existência de Cartago poderosa era o grande problema para a continuidade de
Roma como Estado soberano e livre. Todo o resto vinha depois.
Um homem público simbolizou tal política, Catão, o Velho
(234-149 a.C.). Senador, sempre terminava seus discursos, não importava o tema,
com a frase “Delenda est Carthago” — Cartago precisa ser destruída.
Vou aparentemente dar um salto carpado triplo. Tereza
Cristina, a nova ministra da Agricultura, ecoando reivindicação dos produtores
rurais reclamou: “Desmame de subsídios não pode ser radical”. Ou por
outra, é preciso desacostumar devagar o bezerro (os produtores rurais) das
tetas (o Tesouro). Se não, o bicho pode crescer franzino ou morrer.
A ministra reconhece implicitamente que um dia o bezerro, já
novilho, vai viver do pasto, sem crédito subsidiado e proteção alfandegária
para alguns produtos. Só não diz quando. E aqui, no longo prazo, dá razão à
equipe econômica que pretende acabar com a farra de subsídios, protecionismos e
incentivos pois em casos sem conta além de pesar no Tesouro praticamente falido
e invadir o bolso do contribuinte, estimulam a ineficiência; em suma, lesam o
bem comum.
Quanto à realidade vivida no momento pelo setor, a ministra
fustigou: “Vamos quebrar a agricultura? É esse o propósito? Tenho certeza
que não é. Não pode criar um pânico no campo”.
Ela tem razão. É situação a ser tratada com luvas de pelica,
problema que a bancada ruralista precisaria conversar preto no branco com a
equipe econômica. Todas as preocupações são justificáveis.
Destaco a expressão criar pânico no campo. No longo prazo,
há uma espada de Dâmocles sobre a classe rural, pior que o problema dos
subsídios e do protecionismo — delenda nela. Começa com a vigência
tranquila do ignóbil artigo 184 da Constituição Federal que estatui: “Compete
à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o
imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e
justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do
valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de
sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. § 1º As
benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro. § 2º O
decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma
agrária, autoriza a União a propor a ação de desapropriação”. Continua com o
alastramento do problema, que não está só na Constituição, espalha-se como a
peste negra pela legislação infraconstitucional.
Vou expor aqui, passo a passo, o método já largamente
utilizado para ir entregando partes das terras a grupelhos fanatizados. 1º)
Escolha da fazenda, verificação da situação fiscal, tributária etc. por amigos
dos grupelhos; 2º) Contratação de magotes de agitadores dirigidos pelo MST,
CIMI, CPT, PT, PSOL, por vezes FETAG, acumpliciados com pessoal do INCRA e de
outros órgãos públicos (em especial com utilização de dados técnicos, fiscais,
tributários que tornam mais fácil o esbulho). Tumulto na região escolhida, em
que se localiza a terra a ser roubada. No caso, na prática, todas essas
entidades agem como organizações criminosas acumpliciadas. 3º) O governo com
base na tensão social artificialmente criada pelo conluio de organizações
criminosas expropria (esbulha) a terra. E a enche de desocupados, arruaceiros
para constituir mais uma favela rural, intitulada assentamento, valhacouto de
brigas, roubalheira, até tráfico de drogas, sempre com baixíssima produtividade
e dinheiro público para ficar em pé.
Esse expediente, biso, foi largamente usado pelos governos
de FHC, Lula e Dilma. Se vier um novo governo de esquerda e de tonalidades mais
agressivas, vai utilizá-lo sem dúvida a rodo para desgraça do Brasil. E
infelizmente temos de momento em Brasília episódios contínuos de autodemolição,
que levantam preocupações quanto ao resultado das eleições de 2022. E poderemos
então escorregar rumo à presente situação da Venezuela.
A reforma agrária, estou cansado de repetir, tumor de
estimação nosso, só traz desgraça, devia acabar para nunca mais dela se falar,
mas continua viva, um disparate sem fim destruindo o campo, afugentando
investidores e empreendedores ativos, baixando a produção, comprimindo
salários. É uma praga do Egito para os pobres. Fora o resto.
Relembro agora o que escrevi semanas atrás e já o relaciono
diretamente ao título do artigo. Allende comunistizou o Chile com esteio na
legislação existente, “os resquícios legais”. Não precisou de legislação nova.
Atenção, vou repetir: não precisou de legislação nova. Entre nós, com base na
Constituição de 1988 e em legislação infraconstitucional vigente, o campo pode
ser devastado.
Vou dar apenas um exemplo. Um dos dispositivos mais letais
para as desapropriações delirantes do período Lula-Dilma, sempre utilizado pela
dupla para cevar grupelhos de extrema esquerda agrária foi o artigo 15, cujo
teor é o seguinte: “Art. 15. A implantação da Reforma Agrária em terras
particulares será feita em caráter prioritário, quando se tratar de zonas
críticas ou de tensão social.”
Criar zona crítica ou de tensão social é tarefa fácil para
organizações criminosas conluiadas. Acima está o método na sua simplicidade. E
aí chega o Poder Público, também no conluio e desapropria. Ninguém nunca mais
cancela a injustiça. O artigo 15 é de qual lei? Não a indiquei ainda. É da lei
nº 4504 de 30 de novembro de 1964, presidente o marechal Castello Branco,
Roberto Campos o ministro do Planejamento e Octávio Gouveia de Bulhões na
Fazenda.
Para segurança jurídica dos próximos anos e das gerações futuras
de produtores rurais, é urgente limpar a legislação das disposições ignóbeis,
facilmente utilizáveis por qualquer governo mal-intencionado. A existência de
tal arcabouço, mesmo que não pareça, é o maior obstáculo para a segurança
jurídica e a tranquilidade dos produtores — agora e daqui a 50 anos; a lei de
1964 que em boa hora (para eles) caiu no colo de Lula tem 55 anos. Este fato é
pior e mais ameaçador que o fim abrupto dos subsídios. Não se berrou contra o
“entulho autoritário”, que precisava ser varrido logo? E sobre este entulho de
maldição, garantia de devastação da agropecuária, logo que a esquerda o tenha
em mãos vai pairar o silêncio sepulcral?
Caros irmãos, Presidentes das Conferências Episcopais,
É com profunda aflição que nos dirigimos a todos vós! O
mundo católico está desorientado e levanta uma pergunta angustiante: para onde
está indo a Igreja?
Diante desta deriva, hoje em curso, pode parecer que o
problema se reduz ao problema dos abusos de menores, um crime horrível,
especialmente se perpetrado por um sacerdote, que, todavia, não é senão uma
parte de uma crise bem mais ampla.
A chaga da agenda homossexual difunde-se no seio da Igreja,
promovida por redes organizadas e protegida por um clima de cumplicidade e de
conspiração de silêncio (“omertà”). Como é evidente, as raízes deste fenômeno encontram-se nessa atmosfera de materialismo, relativismo e hedonismo, em que
se põe abertamente em discussão a existência de uma lei moral absoluta, ou
seja, sem excepções.
Acusa-se o clericalismo de ser responsável pelos abusos
sexuais, mas a primeira e a principal responsabilidade do clero não recai sobre
o abuso de poder, mas em se ter afastado da verdade do Evangelho. A negação,
até mesmo em público, por palavras e nos factos, da lei divina e natural, está
na raiz do mal que corrompe certos ambientes da Igreja.
Diante de tal situação, cardeais e bispos calam. Também vós
vos calareis aquando da reunião convocada para o próximo dia 21 de Fevereiro,
no Vaticano?
Em 2016, estivemos entre os que interpelaram o Santo Padre
acerca dos dubia que dividiam a Igreja após a conclusão do Sínodo sobre a
família. Hoje, esses dubia não só continuam sem receber qualquer resposta, mas
são apenas parte de uma crise da fé mais geral. Por isso, vimos encorajar-vos a
que levanteis a vossa voz para salvaguardar e proclamar a integridade da
doutrina da Igreja.
Rezamos e pedimos ao Espírito Santo para que assista a
Igreja e ilumine os pastores que a guiam. Neste momento, é urgente e necessário
um acto resolutório. Confiamos no Senhor que nos prometeu: «Eu estarei sempre
convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20).