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quinta-feira, 15 de março de 2018

DOM CESLAU STANULA - O Sínodo


06/03/2018
Depois do Concílio Vaticano II foi introduzido na Igreja frequentemente o Sínodo. 

Mas o que é o Sínodo?

A palavra “sínodo” vem de duas palavras gregas: “syn”, que significa “juntos”, e “hodos”, que significa “estrada ou caminho”. Logo, o Sínodo dos Bispos pode ser definido como uma reunião do episcopado da Igreja Católica com o Papa para discutir algum assunto especial, procurar novos caminhos da missão e auxiliar o Papa no governo da Igreja.

O Sínodo dos Bispos foi instituído pelo Papa Paulo VI em 1965. Desde então, foram realizadas 25 Assembleias Sinodais.

O Sínodo, segundo definiu o próprio Papa Paulo VI é uma instituição eclesiástica, sensível aos  sinais dos tempos para os interpretar e descobrir os desígnios divinos por onde deve caminhar a Igreja Católica após o Concílio Vaticano II.

Também foi instituído para estreitar a união entre os bispos do mundo e a sua colaboração com a Sé Apostólica.  O Sínodo não produz o documento. Apresenta a colaboração, propostas dos bispos do mundo sobre um determinado assunto, dos quais o Papa escreve o documento chamado Exortação Apostólica.

Por exemplo, tivemos já o Sínodo sobre a Família, sobre os Sacerdotes, sobre os Bispos etc., e o último, foi de novo sobre a Família, que resultou a Exortação Apostólica: Amoris Laetitia, sobre o amor na Família.

Com a minha oração e a benção. Uma boa e repousante noite.
Dom Ceslau

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07/03/2018

A Igreja sempre acompanha a realidade dos povos. Além dos Concílios Ecumênicos e Sínodos organiza as Conferências em determinadas regiões do mundo com a intenção de iluminar o povo, de uma determinada região com a luz do Evangelho.

Na América Latina, cada dez anos se realiza a Conferência dos Bispos da América Latina e do Caribe para tratar dos assuntos ligados com a realidade concreta do continente. As cinco conferências já realizadas marcaram a Igreja da América Latina, dando-lhe o rosto muito próprio e bem definido.

A título de esclarecimento: a conferência leva o nome do lugar onde foi realizada. Por exemplo: Rio de Janeiro, Aparecida. Medelin...

Outro dado importante: só as nossas Conferência da América Latina produzem o documento doutrinário , que logo após aprovação do Papa, entra como documento oficial do ensino da Igreja. Não como os sínodos, onde os padres sinodais mandam as propostas sinodais para o Papa e ele elabora o documento. É um dado muito importante. (A continuação conheceremos estas conferências).

Com a oração e a benção em Cristo Jesus. Desejo uma repousante noite.
Dom Ceslau
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08/03/2018

A primeira Conferência Latino Americana realizou-se no Rio de Janeiro em 1955. Hoje pouco se fala dela até está  desconhecida. Foi ainda antes do Concilio Vaticano II.  A principal preocupação da Conferencia foi a Igreja em si, a defesa da fé, escassez dos sacerdotes, ignorância religiosa etc. O diálogo com o mundo de fora praticamente não aparece. Não havia muita preocupação com o social, a não ser só algumas constatações como a desigualdade entre os pobres e ricos, a importância da doutrina social da Igreja e o papel especial e insubstituível do laicato católico.

A questão indígena foi tocada, mas no sentido como incorporar o indígena, com honra, no seio da verdadeira civilização. O índio visto como ser primitivo! A decisão mais importante dessa conferência foi o pedido dirigido ao Papa Pio XII para se criar um organismo que pudesse unir mais as forças da Igreja na América Latina. É aí que surgiu a ideia do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano). O Papa aceitou a proposta e aprovou o pedido  em 1955.

Com a minha oração e a benção em Jesus, Uma boa e tranquila noite.
Dom Ceslau.
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09/03/2018

A segunda Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano realizou-se em Medellín (Colômbia) em 1968.
Essa conferência deu-nos 16 documentos. Praticamente constitui uma releitura do Vaticano II para a América Latina e o Caribe. Eis em poucas palavras o espírito da Conferência:
No primeiro documento sobre a Justiça, já encontramos a palavra-chave que marcará Medellín: a libertação. Jesus veio para nos libertar de todas as injustiças como fome, violência, a opressão... Numa palavra da injustiça que tem a sua origem no egoísmo humano.

A visão do mundo pelo Vaticano II foi uma visão otimista, e a palavra-chave era desenvolvimento. Em Medellín, a teologia do desenvolvimento e da promoção humana cede lugar à teologia e pastoral da libertação.

É a descoberta do submundo dos pobres, dos países pobres, que é a maioria da humanidade, e pobres devido a uma situação de dependência opressora, gera injustiça. Não teremos um continente novo sem novas e renovadas estruturas, e, sobretudo não haverá continente novo sem homens novos que, à luz do Evangelho, saibam ser verdadeiramente livres e responsáveis (Med 1,3).

O ponto alto da pastoral libertadora da Igreja encontra-se na clara e profética opção preferencial pelos pobres. É uma opção pelo “ser mais” e não pelo “ter mais”. Os documentos mais marcantes de Medellín são: Justiça, Paz, Pobreza da Igreja.

Com a minha benção e oração. Boa noite.
Dom Ceslau.

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12/03/2018

A terceira Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano realizou-se em Puebla de Los Angeles (México) em 1979. A base de toda a reflexão foi a Exortação Apostólica “Evangelii Nuntiandi” - (Sobre a evangelização dos povos) do Beato Papa Paulo VI de 1975.

Foi a releitura do documento para a América Latina com o tema a evangelização no presente e no futuro da  América Latina. A pregunta chave foi: qual o mundo que a Igreja deve evangelizar? - Com que mundo a Igreja, em nome do evangelho, se deve comprometer?  Em outras palavras, como atuar pastoralmente na América Latina em total fidelidade ao Evangelho? Quais as opções pastorais fundamentais tomar para que o Evangelho seja um acontecimento atual e presente com toda a sua vitalidade e força original?

Na época em que se realizava Puebla, o mais urgente desafio era a defesa da dignidade da pessoa humana, a proclamação dos direitos fundamentais da pessoa humana na América Latina, à luz de Jesus Cristo. Estes direitos, na época foram violados, devido a reinante ideologia da segurança nacional. Por isso, surgiu a necessidade de uma evangelização em comunhão e participação de todos para que o ser humano possa ser mais humano, à luz de Jesus Cristo. (Continuaremos).

Com a benção e oração. Um sono tranquilo com os Anjos vigilantes.
Dom Ceslau.
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13/03/2015

Continuando o conhecimento dos Documentos emanados da Igreja da América Latina, vejamos ainda outro pensamento do Puebla. A parte mais importante do documento de Puebla é a IV Parte, em que, além da opção preferencial pelos pobres, pelos jovens e da ação da Igreja junto aos construtores da sociedade pluralista na América Latina, trata de modo muito especial dos direitos fundamentais do ser humano, direitos individuais, sociais e também alguns de índole internacional.

Em toda a reflexão pastoral de Puebla, busca-se a comunhão e a participação na Igreja e na sociedade para se chegar à verdadeira e autêntica libertação.

O modelo da ação evangelizadora para Puebla são as comunidades eclesiais de base. A nova responsabilidade da América Latina agora é o aprofundamento da fé. Fé mais operativa, sobretudo por meio da família, da juventude, das comunidades eclesiais de base, sempre animadas pela mentalidade missionária e diálogo permanente com as culturas vivas do continente.

Uma noite abençoada e tranquila. Com a benção e oração.
Dom Ceslau

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14/03/2018

A IV Conferência-Geral Latino-Americana realizou-se em Santo Domingo (República Dominicana) em 1992.

Se em Medellín a palavra-chave era libertação, em Puebla, comunhão e participação, em Santo Domingo foi a inculturação.
Santo Domingo dá atenção especial à promoção humana, a pedido do próprio Papa João Paulo II, devido à necessidade de todos se sentirem e agirem como “gente”.

Para que haja uma autêntica promoção humana, é preciso ter em conta as diferentes culturas presentes na América Latina e no Caribe. Nas diferentes culturas latino-americanas e caribenhas começa a impor-se nova cultura. É a cultura presente nos meios de comunicação social, na mentalidade fortemente reinante no espírito urbano-industrial, e que perpassa todas as camadas da sociedade. Tal cultura não é fácil de definir, mas caracteriza-se por um espírito técnico-científico.

É um espírito calculista, explorador dos recursos da natureza, e que, ligado à funcionalidade das pessoas no atual mundo urbano, desumaniza e despersonaliza as criaturas humanas, tornando-as meros robôs.

É um espírito secularista, sem nenhum referencial ao transcendental, criando uma cultura de morte no mundo contemporâneo.

Com a abundante benção de Deus de amor e a minha humilde oração. Uma boa e repousante noite.
Dom Ceslau.
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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL.

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quarta-feira, 14 de março de 2018

POVO DINÂMICO – Carlos Pereira Filho


Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
Povo dinâmico


            Descrevemos em vários capítulos episódios passados em Itabuna até a época atual. Do período ditatorial até os nossos dias democráticos passaram pela prefeitura Armando da Silva Freire, 1945, José Dezousa Dantas, 1945, Lauro Azevedo, 1946, Armando da Silva Freire, 1946, Ubaldino Brandão, 1948, Miguel Fernandes Moreira, 1958, Francisco Ferreira da Silva, 1955, José de Almeida Alcântara, 1959. Armando da Silva Freire e Francisco Ferreira da Silva foram, por duas vezes, chefes do Executivo municipal.

            Ao olharmos para o passado, e antes de tentarmos focalizar o presente, temos a impressão de que fizemos uma longa viagem.

            Se um rei salmista tivesse aparecido para ordenar a criação de uma cidade e o seu centro de produção, aos pulos, como concitou as montanhas para adorarem ao  Criador, o milagre não se teria operado tão rapidamente como aconteceu na história da construção de Itabuna.

            Os séculos formam a história da civilização de muitos, povos, no decorrer de anos a fio e de um trabalho paciente, constante, através de sucessivas gerações.

O município organizou-se rápido, como a ordem da Palavra de Deus, na criação do mundo que habitamos, segundo a narração Bíblica.

            Ainda vivem pessoas que conheceram, conviveram com os seus primeiros fundadores e que, ainda, alcançaram os velhos trechos da vila e da cidade fundada em 1910. Manuel Fogueira, Jorge Maron Filho, Gileno Amado, Francisco Fontes e muitos outros guardam ainda na memória os fatos mais destacados da construção de Itabuna.

            Há deles que trabalharam nas ruas, calçando-as, há deles que derrubaram matas e fizeram plantações de cacau, há deles que coivararam as matas para semear o capim das pastagens, há deles que tomaram parte no domínio político.

            O fato importante na formação do município é ter sido produto de puro sangue brasileiro. O mesmo ardor que se agarrou ao desbravador das matas ilheenses apoderou-se dos que cultivaram as matas Itabunenses. Sendo que na terra Itabunense o estrangeiro não orientou, não incentivou, nem civilizou. O trabalho, a cultura da terra,  a expansão, o método, a disciplina, o exemplo, da dedicação, de abnegação, decorreram, fluíram dos brasileiros oriundos de todos os Estados,  destacadamente dos sergipanos.

            Se tivesse havido, na formação de Itabuna, um plano previamente organizado, com ensino técnico sobre lavoura, com divisões de áreas para cacau, cereais, pastagens, por certo o plano não atingiria, neste regime, a meta que alcançou o trabalho feito pelos destemidos desbravadores da terra. Ela, se olhada do alto, se reduzida a um postal, se apresentaria como um verdadeiro jardim armado de leiras gigantescas que se poderiam apontar com os dedos e dizer: “Aqui está a área do cacau, ali a dos cereais, acolá a das pastagens e, ainda, à margem do rio o comércio, seu centro de abastecimento”. No conjunto há tal harmonia, um cuidado de aplicação de energias de distribuição de trabalho que denuncia e revela a capacidade de orientação econômica de um povo.

            Não há um palmo de terra desocupada, sem dono, sem uma finalidade. Economistas que se houvessem reunido para criar alguma coisa dinâmica com as suas doutrinas de produção e riqueza, talvez não tivessem realizado uma obra tão admirável como a levada a efeito pelos Itabunenses, em todos os setores.
            Contemplada a obra em detalhes, por algum exigente sociólogo, naturalmente apresentará algumas falhas o que não é de estranhar ou censurar, dada a marcha acelerada da sua edificação, e a simplicidade dos seus operários.

            Mas como obra de conjunto não vemos falhas que perturbem o ritmo da sua grandeza. Nela não falta o aspecto social, o político, o econômico. Nela se vê, se percebe, se sente a força da evolução, do progresso, da prosperidade, o sentido da marcha para o bem-estar público, que é o sentido altamente característico de uma civilização em posição cultural apreciável.

            As suas escolas, os seus hospitais, as suas associações, os seus estabelecimentos bancários, os seus jornais, a possante estrutura do seu mundo econômico e financeiro, a linha de orientação construtivas dos seus governantes, expressam o retrato fiel de um povo integrado e consciente, politizado e certo do programa que cumpre, no objetivo de melhores dias e de um futuro grandioso.

            E o que significa, no seu povo, essa ânsia de progresso, de desenvolvimento, de consciência econômica social? Significa que o povo Itabunense guarda, conserva, cultiva em todas as formas de evolução, de adaptação, de lutas, os sentimentos dos seus antepassados, mantém com dignidade o nome legado por eles, e olha o futuro.

            Um simples olhar de observação, uma análise superficial evidencia o arrebatamento dos Itabunenses na marcha para o progresso. Eles não esperam pelos governos, eles não apelam para os vizinhos, eles não se queixam das suas mágoas. Eles trabalham, produzem, avançam. Cobrem as etapas das suas iniciativas, com uma facilidade inverossímil, com o dinamismo de um povo sacudido por uma determinação revolucionária.

            Poderíamos dizer que os Itabunenses escreveram, em curto prazo, a maior página de progresso e prosperidade da terra cacaueira.

            Preferimos, todavia, afirmar que escreveram a mais bela e encantadora página do livro da história da economia regional.

            Tivéssemos tomado uma canoa e percorrido durante anos e meses o longo curso de um rio, ao chegarmos à sua foz, ao darmos num mar aberto, poderíamos exclamar: assim aconteceu à terra Itabunense, de Firmino Alves até aos nossos dias. Em 1860, em 1901, em 1910, o município representava esse rio que navegamos. Em 1959, data do cinquentenário de sua fundação de cidade, é o município esse mar imenso que divisamos oceano de atividade humana e de civilização.


(TERRAS DE ITABUNA Capítulo XXVIII)
Carlos Pereira Filho

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UM HERÓI CONTRA O COMUNISMO E O NAZISMO - Plinio Maria Solimeo

13 de Março de 2018

Teresio Olivelli participou da resistência católica. Lutou contra a URSS, foi morto pelos nazistas num campo de concentração.

Plinio Maria Solimeo

         Em janeiro de 2008, 73 anos após sua morte, Teresio Olivelli teve reconhecido o seu martírio e foi elevado à honra dos altares na condição de beato. Sua breve vida foi tão cheia de acontecimentos que mais se assemelha a um filme de ação.

Assim a resume o site Religión en Liberta1: “Defensor da Espanha católica perseguida na Guerra Civil, seduzido por alguns aspectos do fascismo, quis impregná-lo dos valores cristãos; lutou contra a URSS na II Guerra Mundial, enfrentou o nazismo e o fascismo como membro da resistência católica, foi detido e levado a campos de concentração, escapou de vários deles, erigiu-se em defensor dos mais débeis na prisão, e finalmente morreu por ódio à fé, no campo alemão de Hersbruck, ao receber os golpes destinados a outro.” Tudo isso antes de Teresio Olivelli atingir os 30 anos de idade.

Nascido em 1916 em Bellagio, no norte da Itália, recebeu muita influência religiosa de seu tio materno, o Pe. Roco Invernizzi, pároco de Tremezzo. Em 1926 mudou-se com os pais para Pavia, onde dois anos depois se formou com louvor em Direito.

Católico autêntico, ele correspondeu à benéfica influência do tio sacerdote. Ia diariamente à Missa e fazia sua meditação, também diária, com base nos Evangelhos e na Imitação de Cristo. Confessava-se e comungava semanalmente. Entrou para a Ação Católica, distinguindo-se pelo amor aos pobres e aos indefesos, bem como pela defesa destemida da fé quando surgia ocasião.

Entretanto, por certa ingenuidade, sendo ainda muito moço, deixou-se atrair por alguns aspectos mais conservadores do fascismo e nele se filiou no intuito de influenciá-lo por dentro, para impregná-lo da doutrina católica. Essa ilusão com o fascismo inicial atraiu a este muitos católicos desavisados.
Teresio chegou até a ocupar cargos nesse regime. Entretanto, quando retornou da Rússia durante a II Guerra Mundial, tendo conhecido as aberrações e as consequências deletérias do fascismo, rompeu definitivamente com sua ideologia, abandonando qualquer forma de colaboração, mesmo cultural, com ele.

Em 1936 estourou na Espanha a sanguinária Guerra Civil [foto] entre comunistas e católicos, com furibunda perseguição à Igreja. Nela 4.184 sacerdotes, 2.365 frades e religiosos, 283 monjas e mais de 3000 seculares foram assassinados. Centenas deles já foram elevados à honra dos altares.

O jovem Olivelli desejou ir àquele país para lutar em defesa dos católicos. Mas iria por sua conta e à margem do contingente mandado pelo regime fascista. Entretanto, seu tio sacerdote o dissuadiu de participar dessa cruzada, embora alguns afirmem que ele chegou a ir.

Teresio assim se expressa, em carta, sobre o dever dos jovens e o que sucedia na Espanha: “A juventude, ou é heroica, ou é miserável. O homem não pode dar a uma ideia a metade de si mesmo; tem que dar tudo. Assim que, quando é Cristo o ideal que nos impulsiona, creio que o dever se cumpre com um amor total a Ele, que deve ser consumado até a última gota de sangue. Ou se vive a fé como conquista, ou mais se assemelha à anemia dos invertebrados. Na católica Espanha se está atacando o divino em nós, combate-se para vencer o Anticristo [comunista], que é a negação do homem e de Cristo. O futuro não pertence aos fracos. A vida é perfeita quando perfeito é o amor”.

Em 1939 ele se tornou professor assistente na Universidade de Turim, e por suas habilidades oratórias ganhou um concurso em Trieste.

Como professor assistente na Universidade de Turim, apesar de muito jovem, Olivelli mostrou-se muito competente no âmbito cultural. Nas horas vagas ia ajudar a cuidar dos pobres no hospício fundado por São José Benedito Cottolengo.

Quando estourou a II Guerra Mundial, o jovem jurista se apresentou em 1941 como voluntário na Divisão Tridentina que ia à Rússia. Fê-lo para compartilhar o destino dos que estariam mais expostos na batalha. Com o posto de segundo-tenente, Olivelli ali viveu o horror da guerra e constatou por experiência própria a perversidade da seita comunista.

No horror do campo de batalha, auxiliando os capelães do regimento, Teresio Olivelli procurava dar assistência espiritual e conforto aos feridos e moribundos, preparando-os para verem a Deus face a face. Ele não duvidava em arriscar sua vida para resgatar os caídos em combate. Isso se tornou mais dramático durante a desastrosa retirada, na qual ele muitas vezes tinha que abrandar sua marcha para ajudar os feridos e os fatigados, mesmo com o risco da própria vida. Olivelli comentava com eles o Evangelho, levando-os a sofrer com resignação os extremos do angustiante frio, como ocorreu sob as tempestades de neve às margens do rio Don, procurando de algum modo os aliviar.

Entretanto, não estava nos planos divinos que ele caísse no campo de batalha. Olivelli pôde retornar à Itália em 1943, aos 27 anos de idade. Foi então nomeado reitor do prestigioso Colégio Ghislieri, de Pavia [foto ao lado].

Depois do armistício desse ano de 1943 e a consequente invasão alemã de toda a parte da Itália que não havia ainda sido recuperada pelos aliados, Teresio Olivelli não quis jurar lealdade à nova República Social Italiana e tornar-se cúmplice dos crimes nazistas. Foi então detido e enviado a um campo de prisioneiros em Insbruck, e depois para outros dois. Conseguiu escapar do segundo e fugiu a pé para a Itália, onde se juntou à resistência católica.

Para ele, a reconstrução do país depois da guerra não seria plena sem os valores cristãos. Daí a necessidade de uma “rebelião da consciência e do intelecto” em face dos erros vigentes. Nesse sentido, fundou em março de 1944 “O Rebelde”, publicação clandestina de circulação entre os meios católicos. Nela publicou um “manifesto dos rebeldes”, no qual conclamava os católicos para o que chamava de “revolta moral contra o fascismo”, a ser levada avante por meio da oração.
É claro que foi logo descoberto pela polícia alemã e levado para diversas prisões, sendo em cada uma delas torturado e açoitado sem clemência. Chegou assim ao campo de prisioneiros de Flossenbürg, na Baviera. Na prisão, Olivelli se valia de seu domínio da língua alemã para assistir outros prisioneiros, inclusive carregando suas culpas.

Finalmente foi transferido para o campo de concentração de Hersbruck, onde confortou e assistiu em seus últimos momentos o seu amigo Eduardo Focherini, agora também beatificado.

Como verdadeiro apóstolo, Teresio organizou a reza diária do terço às noites no campo de extermínio. Dava conselhos e assistência aos outros prisioneiros, cedendo inclusive parte de sua comida aos mais necessitados. Na ausência de sacerdotes no campo, ele organizava as orações secretas, reuniões para leitura do Evangelho, aulas de catecismo, inclusive em diferentes idiomas. Prestava também assistência religiosa aos moribundos. Seu cuidado com os doentes era extremo: cuidava dos abandonados, levava-os à enfermaria, ajudando-os dia e noite, limpando suas feridas, distribuindo sua magra ração entre eles para fazê-los sobreviver, enquanto ele ia emagrecendo. Desse modo passou a ser conhecido no campo como o “sacerdote substituto”. Foi precisamente ajudando os débeis que Teresio encontrou a morte.

Por tudo isso os agentes da SS o odiavam mais que aos outros prisioneiros, pois viam nele quase um sacerdote. Por isso o maltratavam impiedosamente por qualquer motivo, de modo que, em dezembro de 1944, pouco antes de seu martírio, Teresio já estava com o corpo cheio de contusões e feridas.

Em janeiro de 1945, quando um feroz guarda nazista ia atingir um débil prisioneiro ucraniano, Teresio cobriu-o com seu corpo. Cheio de ódio, o guarda deu-lhe um pontapé no estômago e o cobriu de golpes. Já muito débil, o beato foi levado à enfermaria, aonde chegou quase moribundo. Depois de duas semanas de agonia e sofrimento, durante as quais manteve a lucidez suficiente para rezar, percebendo que seu fim estava próximo, recomendou que suas roupas fossem dadas a um companheiro de prisão. Olivelli consumou o seu martírio aos 29 anos de idade.
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http://www.religionenlibertad.com/lucho-contra-urss-paso-resistencia-catolica–57587.htm. Também consultada: Gianpiero Pettiti Santi i beati, http://www.santiebeati.it/dettaglio/92229

http://www.abim.inf.br/um-heroi-contra-o-comunismo-e-o-nazismo/#.Wqk8RmrwbIU

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terça-feira, 13 de março de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA ONTEM: OS DEPUTADOS E O CASSETA & PLANETA


08/06/2001
Deputados indignados com o programa "Casseta & Planeta" de 15/05/2001

Após a reportagem abaixo, vem a nota de esclarecimento do Casseta &
Planeta.

O Globo - 17/05/2001
Câmara se queixa do 'Casseta & Planeta'
Catia Seabra
BRASÍLIA.

Pressionada por deputados, a Procuradoria da Câmara vai reclamar junto à Rede Globo pelas alusões feitas no programa "Casseta & Planeta" exibido terça-feira passada. Os parlamentares reclamaram especialmente do quadro em que foram chamados de "deputados de programa". Nele, uma prostituta fica indignada quando lhe perguntam se é deputada. O quadro em que são vacinados contra a "febre afurtosa" também provocou constrangimento.

Na noite de quarta-feira, um grupo de deputados esteve na Procuradoria da Câmara para assistir à fita do programa. Segundo o procurador Ricardo Izar (PMDB-SP), duas parlamentares choraram. Izar se encontrará segunda-feira com representantes da emissora para tentar um acordo antes de recorrer à Justiça.

O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), também se disse indignado. "O programa passou dos limites. Eles têm talento suficiente para fazer graça sem desqualificar a instituição, que garante a liberdade para que façam graça", disse Aécio.

O diretor da Central Globo de Comunicação, Luís Erlanger, disse que a rede só se pronuncia sobre ações judiciais depois de serem efetivadas. Os humoristas do Casseta & Planeta não quiseram falar sobre o assunto dizendo não querem "dar importância à concorrência.

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NOTA DE ESCLARECIMENTO


"Foi com surpresa que nós, integrantes do Grupo CASSETA & PLANETA, tomamos conhecimento, através da imprensa, da intenção do presidente da Câmara dos Deputados de nos processar por causa de uma piada veiculada em nosso programa de televisão. Em vista disso, gostaríamos de esclarecer alguns pontos:

1. Em nenhum momento tivemos a intenção de ofender deputados ou prostitutas. O objetivo da piada era somente de comparar duas categorias profissionais que aceitam dinheiro para mudar de posição.

2. Não vemos nenhum problema em ceder um espaço para o direito de resposta dos deputados. Pelo contrário, consideramos o quadro muito adequado e condizente com a linha do programa.

3. Caso se decidam pelo direito de resposta, informamos que nossas gravações ocorrem às segundas-feiras, o que obrigará os deputados a interromper seu descanso."


Luiz Caversan,  é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve para a Folha Online.

E-mail: caversan@uol.com.br

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INTOLERÂNCIA MAL DISFARÇADA - Péricles Capanema


Intolerância mal disfarçada 
12 de Março de 2018

FHC com Fidel e Chavez — dois tiranos que afundaram seus países na extrema miséria e não apenas material, mas também cultural e espiritual. O que igualmente teria ocorrido no Brasil, caso o PT não tivesse sido apeado do Poder.

Péricles Capanema

Fernando Henrique Cardoso concedeu reveladora entrevista, largamente distribuída, a Fernando Grostein Andrade. Como se sabe, o atual presidente de honra do PSDB, além de elder stateman, é tido como sendo o mais conhecido intelectual público do Brasil. A entrevista tem advertência importante, vem a seguir; traz ainda péssimas posições, mau agouro para o que pode vir para o Brasil.

Por itens.

1. A advertência: o tráfico vai financiar e eleger candidatos. Estamos a sete meses da eleição de deputados, senadores, governadores, presidente da República. As campanhas serão caríssimas, mesmo que pouca gente o reconheça. Lembro, ninguém ou quase tanto quis fazer valer o voto facultativo, o que as baratearia de imediato. E o STF proibiu o financiamento empresarial. O dinheiro público será insuficiente, o grosso virá de outras fontes, em geral não registradas, receia-se com razão.

Diz o antigo presidente da República: “Olha, quando comecei a mexer com essa questão de política de drogas, minha preocupação era com a democracia. Pouco a pouco, os narcotraficantes foram tendo influência política. Pablo Escobar é o maior exemplo disso. Mas não é só ele e não é só lá. O Brasil ainda não tinha chegado a este ponto, mas está começando. O problema é que os narcotraficantes dominaram certas áreas. E começam a entrar na vida política. Aconteceu na Colômbia. Vai acontecer no Brasil, está acontecendo. O tribunal eleitoral proibiu o uso do dinheiro das empresas, quem é que tem dinheiro? É o narcotraficante, as igrejas [evangélicas] têm, que é do dízimo”.

2. Apoio ao desatino da reforma agrária brasileira e simpatia pelo MST. Na entrevista, FHC satisfeito vira as costas para os ruralistas e aplaude ufano a subversão no campo, certamente prejudicando a candidatura Alckmin e de vários companheiros do PSDB, mas danos eleitorais parecem migalhas, diante da perspectiva de mais uma vez o político tucano se mostrar afinado com a esquerda, mesmo a mais radical: “Reforma agrária no Brasil foi feita por duas pessoas. Duas pessoas, não, dois governos. O do Lula e o meu. Ninguém sabe o quanto de terra foi distribuído. É uma barbaridade. Mas fui eu o Lula quem fizemos. O MST ajudou, porque faz barulho”.

3. Só a briga pelo poder afasta PT e PSDB. FHC vê os tucanos como doutrinariamente próximos ao PT, partido que tem em seus documentos o coletivismo total como meta (coletivismo é outro nome para comunismo): “Por que o PT e o PSDB nunca se juntaram? Por disputa de poder, não por disputa ideológica. Se eu pudesse reviver a História eu tentaria me aproximar não só do Lula, mas de forças políticas que eu achasse progressistas. Eu gosto do Fernando Haddad”. O presidente honorário do PSDB continua indiferente às devastações eleitorais que pode causar em correligionários, escorraçando eleitorado que agora pensa votar no PSDB como barreira ao PT. Esbofeteia alegremente conveniências eleitorais de aliados e bafeja possibilidades de vitória de adversários.

4. FHC prega frente comum com correntes libertárias. Enquanto que, da direita, quer distância, em especial dos conservadores em matéria de costumes, faz frente comum com libertários: “Você tem uma direita em matéria de costumes, conservadora. Eu sou liberal em matéria de costumes, completamente liberal. Acho que a diversidade tem de ser respeitada. O pessoal da direita reacionária não acha isso. Está errado”.

5. Jean Wyllis, coincidimos em geral. Jean Willys (PSol-RJ) é o deputado das causas LGBT, tem posições à esquerda do que publicamente defende a maioria dos deputados do PT. FHC vai até ele: “Eu já defendi o Jean Willys publicamente. Tive um debate com ele e em geral coincidimos. Eu o defendi publicamente, porque acho que ele é corajoso”.

6. Intolerância com conservadores e direitistas. Num sentido, o líder tucano favorece o programa demolidor da esquerda, almeja para ela liberdade total em suas tentativas de implantá-lo. Em rumo oposto, gostaria de cercear o pensamento “não progressista”. Intolerante, advoga na prática, ainda que de forma disfarçada, o banimento da cena pública de ideias das quais discorda. Para estas, ostracismo perpétuo, a mordaça inconfessada. Dois exemplos.
O BTG tem convidado pessoas públicas de vários quadrantes ideológicos para palestras, debates e entrevistas. Convidou Jair Bolsonaro. FHC não gostou, achou “irresponsável” a atitude do banco: “Para que convidar alguém que tem esse tipo de pensamento?” Outra vítima da intolerância. O conceituado economista Paulo Guedes apresentou esboço de programa econômico de governo com ênfase nas privatizações. Tem ficado clara sua preocupação social, conjugada com o propósito de sanear as contas do Estado e estimular a produção.

Com as privatizações, segundo ele, haveria recursos públicos para, por exemplo, aplicar em saúde e educação, hoje na UTI. FHC, coçando a língua para atacá-lo, escolheu o caminho fácil: “Eu não conheço o Paulo Guedes, mas pelo que leio ele acredita que basta liberalizar que tudo se resolve. Tá na lua, né”? São no mínimo declarações irresponsáveis por induzirem o leitor a ter ideia falsa do que pensa o economista. Não conhece e já sai descendo a lenha?

Não há inimigos à esquerda, foi lema conhecido na Europa, em especial na França. Existe uma misteriosa atração pelo abismo (pelo extremo da própria posição) presente em correntes de centro-esquerda. Existiu em Kerensky. Abriu o caminho para Lenine.
Existiu em Eduardo Frei. Abriu o caminho para Allende. Quem pode negar que o período FHC em boa medida preparou os oito anos de Lula? A entrevista revela a mesma misteriosa atração pelo abismo no mais importante líder peessedebista — um exemplo do que existe Brasil afora em grupos dirigentes dos mais variados setores. Inexistindo vacina na opinião pública, a conivência e a subserviência de tanta gente podem ser decisivas para a determinação dos destinos do Brasil pós-eleição.

Pelo menos deixa no ar alerta benéfico. Consequência dela incoercível, vive na lua quem achar que bastaria votar de olhos fechados em candidato tucano para salvar o Brasil do petismo e de outras formas de bolchevismo atualizado.


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segunda-feira, 12 de março de 2018

OS TOLOS REPETEM! - Antonio Nunes de Souza


Os tolos repetem!

Estamos todos vivendo a era da informática que, a cada minuto, coloca em nossas mãos aparelhos muitos sofisticados, dando margens a maravilhas em termos de informações, notícias com fotos e filmes de comprovações ao vivo, na hora e a cores.

Essas assombrosas técnicas nos deixam pasmos e hipnotizados pelo que estamos vendo e ouvindo. Coisas que jamais imaginamos pudessem acontecer no mundo, principalmente para os mais velhos que, como eu, que tinha de assistir na televisão os jogos da copa do mundo dois dias após as realizações, em função dos filmes chegassem via aérea e fossem apresentados nas estações de tv! Isso, tido hoje como uma mediocridade ridícula e engraçada, contado serve de deboche para as pessoas jovens atualmente!

Essa nossa introdução, somente para ativar a memória e ser um informativo para os poucos ou menos esclarecidos, é pra falar também dos malefícios que essa maravilhosa ciência da internet, pode e tem causados aos verdadeiros tolos, idiotas e desocupados que, para se apresentarem como entendidos e interessados em tudo, repetem e repassam qualquer bobagem que está sendo divulgada, como se fosse uma verdade absoluta. Geralmente, os bobões que repetem as notícias surpreendentes (Fake News ou notícias falsas), ainda batem no peito com orgulho ds suas imbecilidades, dizendo: “É verdade que eu vi na internet!”

E, pior ainda são os que recebem e, mais que depressa, para provar que estão atualizados, idiotamente, repassam para milhares de outros pobres coitados, gerando uma cadeia de informações, totalmente desclassificadas!

Essa triste prova de mediocridade humana, infelizmente nos devemos a grande falta de educação do nosso povo, que os políticos, tranquilamente, desejam para que melhor possam manipulá-lo!

Sejam mais comedidos, parem de provar suas faltas de esclarecimentos básicos, antes dessas repetições tolos e prejudiciais, comprovem a veracidade através de fontes confiáveis, inclusive na própria NET!

Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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PESQUISADORA ARACAJUENSE APRESENTA ‘SILA, DO CANGAÇO AO ESTRELATO’


Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Elane Lima Marques nasceu em Aracaju em 17 de março de 1959. Na graduação, é formada em Pedagogia pela Faculdade Pio X, com especialização em Administração Escolar. Na pós-graduação cursou Psicopedagogia Institucional e Clínica.

Na área de voluntariedade notabiliza-se no Lions Club International, tendo ocupado a Presidência do Lions Clube Atalaia, assim como os cargos de Coordenadora do Gabinete de Integração, Assessora da Mulher e da Família, Assessora Distrital das Crianças, Assessora Distrital de Eventos, Presidente da Divisão D, e atualmente exerce o cargo de Presidente da Região D do Distrito LA3 que abrange Pernambuco, Alagoas e Sergipe. É sócia também do Woman’s Club International of Sergipe onde ocupa o cargo de 2ª Vice-Presidente.

“Satisfação pessoal em ver o meu trabalho sendo divulgado, propalado, lido, por vezes elogiado pelo público; enfim, deixando como parâmetro para pesquisas de futuras gerações.”

Boa leitura!


Escritora Elane Lima Marques, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto por temáticas voltadas para o cangaço?

Elane Marques - Sendo Conselheira do Movimento Cariri Cangaço e acompanhando o meu companheiro, escritor Archimedes Marques, também me apaixonei por esse tema culminando em escrever o livro “Sila, do Cangaço ao Estrelato”, uma obra que minucia a história de vida dessa cangaceira, companheira de Zé Sereno, uma mulher que sobreviveu ao cangaço e também venceu na grande metrópole São Paulo.

Em que momento pensou em escrever “Sila, do Cangaço ao Estrelato”?

Elane Marques - Na qualidade de autêntica representante da mulher, conforme sempre procurei ser em todas as áreas de minha atuação, quando me inteirei mais profundamente do tema cangaço, procurei dentre as cangaceiras aquela que melhor fizesse parte do meu perfil, pois pretendia escrever algo a seu respeito. Assim, em uma dessas pesquisas de campo alguns anos atrás, próximo a Curituba, município de Canindé do São Francisco, em Sergipe, conhecemos uma pessoa encantadora, humilde, um homem simples e castigado pelo tempo: José de Souza Lins Ventura, mais conhecido por Zé Leobino, vaqueiro aposentado, nascido na fazenda Cuiabá, em 3 de fevereiro de 1924. Zé Leobino, nos seus doze anos de idade, conheceu Lampião, Maria Bonita e diversos outros cangaceiros, dentre os quais Sila, que sempre se acoitavam naquela propriedade pertencente à portentosa família Brito que dominava o baixo São Francisco. Após sermos apresentados, depois de uma curta conversa, ele foi logo dizendo que eu era bonita e bem feita igual a Sila, com uma “anca” bem torneada, também uma mulher determinada, decidida e acima de tudo, uma mulher que demonstrava saber o que queria, enfim, o retrato em pessoa de Sila. Oportunamente fizemos outra visita ao simpático Zé Leobino, e novamente esse “galanteador” asseverou estar olhando para Sila, para ele a mais bela das cangaceiras. Desse modo, vaidosa como sempre fui, me despertou a ideia fixa de melhor pesquisar essa mulher, uma brava cangaceira do passado e uma grande mulher no período pós-cangaço. Aquele cansado homem me fez ver o que estava “escrito nas estrelas”, ou seja, que eu deveria escrever sobre Sila, e assim foi feito.

Apresente-nos a obra.

Elane Marques - O envolvimento de Sila com o cangaço se deu na segunda metade de 1936, quando passou a conviver maritalmente com o então cangaceiro Zé Sereno (José Ribeiro Filho) que pertencia ao bando de Lampião. Esse acontecimento mudou para sempre a vida dessa jovem sertaneja, natural de Poço Redondo, Sergipe, menina nos seus 13 anos de idade que, juntamente com sua família, se tornou a partir de então alvo das perseguições das Forças Policiais Volantes que atuavam no combate ao banditismo pelos sertões.

Sila e seu companheiro estiveram presentes em alguns combates e sobreviveram à emboscada realizada pela Força Policial Volante de Alagoas, comandada pelo então Tenente João Bezerra, que vitimou Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros, além de um soldado da Força Policial, fato ocorrido em 28 de julho de 1938 na grota do Angico, em Sergipe.

Após a morte de Lampião, o casal se entregou às autoridades em troca da anistia prometida pelo governo Vargas, e pouco tempo depois de serem liberados pela Justiça, seguiram perambulando a pé pelas estradas vivendo grandes aventuras, com destino ao sul da Bahia, indo posteriormente para Minas Gerais e por fim para a grande São Paulo, onde se estabeleceram definitivamente.

De que forma Sila se destacou após o cangaço?

Elane Marques - Assim que chegou a São Paulo, nasceu o quarto filho com vida do casal; entretanto, somente três estavam em sua companhia, pois o primeiro, nascido na época de cangaço, fora entregue a terceiros para uma melhor criação. A exemplo das outras paragens, sem dinheiro algum, comeram o “pão que o diabo amassou” entre os paulistanos da periferia, não somente por terem um passado de sangue, mas principalmente por serem sertanejos nordestinos, pior ainda, por terem sido cangaceiros. Mas os dois foram à luta: Zé Sereno fazia “biscate” aqui e acolá até que conseguiu um emprego fixo como vigilante e faxineiro em uma escola municipal. Sila, por sua vez, mostrava seus dotes na costura. Costurava em casas diversas ganhando diárias ou por encomenda. Costurava na sua residência as roupas dos clientes da redondeza.

Devido ao seu excelente desempenho, montou um atelier de costura nos Jardins, em São Paulo e fez bicos de vendedora e enfermeira, virando-se como podia. Durante alguns anos, trabalhou como costureira na TV Bandeirantes, costurou roupas para as dançarinas do Chacrinha, foi camareira das atrizes Regina Duarte e Fernanda Montenegro. Também fez figuração nas novelas “Sapos e Beijos” e “Os Imigrantes”. Auxiliandonas filmagens da minissérie “Lampião”, da Globo, nos anos 80, regressou ao palco de sua tragédia. Sila começou a viajar, dar palestras e resgatar a epopeia do cangaço, que viveu na carne.

Mas Sila era “ranhenta”, sempre queria mais. Quando descansava, estava lendo ou escrevendo algo, aprimorando a língua portuguesa, daí virou escritora, autora de três livros: (SOUZA, Ilda Ribeiro de. “Sila Uma Cangaceira de Lampião”. São Paulo: Traço Editora e Distribuidora Ltda, 1984. / SOUZA, Ilda Ribeiro de. “Sila, Memórias de Guerra e Paz”. Recife: Imprensa Universitária, 1995. / SOUZA, Ilda Ribeiro de. “Angicos Eu Sobrevivi”. Oficina Cultural Mônica Buonfiglio, 1997).Pelo fato de ser conferencista em vários eventos, congressos e afins, Nordeste afora, Sertão adentro e noutros tantos lugares do Brasil, passou a ser mais conhecida ainda, dando entrevistas para muitas revistas, rádios, televisões, jornais... Sila agora já era uma celebridade, uma estrela...

Quais os principais desafios para a escrita do enredo que compõe o livro?

Elane Marques - Os desafios e dificuldades vieram e se foram à medida que a “colcha de retalhos” ia sendo remendada com a ajuda do meu companheiro, do amigo escritor Paulo Gastão, do cineasta Aderbal Nogueira, do pesquisador Geraldo Junior e dos remanescentes familiares de Sila, dentre tantos outros pesquisadores que contribuíram para a grandeza da obra.

O que mais a marcou enquanto escrevia o enredo que compõe “Sila, do Cangaço ao Estrelato”?

Elane Marques - Sem sombra de dúvida, o que mais me marcou foi o falecimento de Gilaene de Souza Rodrigues, a Gila, filha de Sila, pessoa que acolheu na totalidade os meus propósitos, que me forneceu importantes informações, fotografias inéditas; enfim, uma santa alma que se colocou à minha inteira disposição e que ficou radiante com minha ideia de escrever sobre sua mãe. Uma pessoa extraordinária que também deixou marcadas as suas considerações no meu livro em texto simples, mas direto sobre seus pais. Uma pessoa que também viria pessoalmente para o lançamento do meu livro, mas que infelizmente faltando apenas alguns dias para o evento partiu para o outro mundo, quem sabe a se reencontrar com Sila e Zé Sereno.

O que mais a encanta na trama?

Elane Marques - A lição de vida que nos traza grande Sila, provando que quando há perseverança se pode mudar da água para o vinho.

Onde podemos comprar seu livro?

Elane Marques - Nas livrarias: Leitura, no Shopping Boa Vista, em Salvador; e Escariz, no Shopping Jardins, em Aracaju. Também por correspondência fazendo o pedido pelo meu e-mail: marqueselane2@bol.com.br

Quais os seus principais objetivos como escritora?

Elane Marques - Satisfação pessoal em ver o meu trabalho sendo divulgado, propalado, lido, por vezes elogiado pelo público; enfim, deixando como parâmetro para pesquisas de futuras gerações.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Elane Lima Marques. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Elane Marques - Desejo que as pessoas não deixem os livros impressos morrerem. Adquiram, leiam, continuem colecionando e engordando suas bibliotecas. Usem seus computadores e celulares para outros fins, esquecendo um pouco dessa história de livro virtual.

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