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sábado, 8 de julho de 2017

PAPA À CIMEIRA DO G20: prioridade absoluta para os mais pobres e os refugiados

Mensagem endereçada à anfitriã do evento, a chanceler alemã Angela Merkel
7 JULHO 2017

(ZENIT – Ciudad del Vaticano, 7 Jul. 2017).- O Papa Francisco enviou uma mensagem à cimeira do G20, reunida na Alemanha, pedindo aos responsáveis políticos uma “prioridade absoluta” para os mais pobres e os refugiados. O texto foi divulgado nesta sexta-feira pela de imprensa da Santa Sé.

O G20 (abreviatura para Grupo dos 20) é um grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia. Entre os principais temas em discussão, estão a luta ao terrorismo, o fenômeno migratório e a preservação do meio ambiente.

Na véspera do encontro, em Hamburgo, houve protestos contra a reunião e muita violência entre a polícia alemã e black blocs. Quase 30 manifestantes foram presos e 111 policiais ficaram feridos. O encontro mais esperado foi o dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e Rússia, Vladimir Putin que durou duas horas.

“Há necessidade de dar prioridade absoluta aos pobres, aos refugiados, aos que sofrem, aos deslocados e aos excluídos, sem distinções de nação, raça, religião e cultura, bem como de rejeitar os conflitos armados”, escreveu o Papa na mensagem endereçada à anfitriã do evento, a chanceler alemã Angela Merkel.

Depois de manifestar o seu apreço pelos esforços realizados para garantir a governabilidade e a estabilidade da economia mundial, com atenção especial a um crescimento mundial que seja inclusivo e sustentável, lembra a atenção dirigida aos conflitos em andamento e ao problema mundial das migrações.

Os quatro princípios de ação para a construção de sociedades mais justas, contidas na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium são: o tempo é superior ao espaço; a unidade prevalece sobre o conflito; a realidade é mais importante do que a ideia; e o todo é superior às partes.

Assim o Papa afirma que a gravidade e a complexidade das problemáticas mundiais impedem soluções imediatas, e o drama das migrações (inseparável da pobreza e exacerbado pelas guerras) é uma prova disto. Todavia, é possível colocar em ação processos que sejam capazes de oferecer soluções progressivas e não traumáticas e conduzir, em tempos relativamente breves, a uma livre circulação e a uma estabilidade das pessoas que sejam vantajosas para todos.

Contudo, para Francisco, esta tensão entre espaço e tempo requer um movimento exatamente contrário na consciência dos governantes e poderosos. “Em seus corações e mentes, é necessário dar prioridade absoluta aos pobres, aos refugiados, aos deslocados e aos excluídos, sem distinção de nação, raça, religião ou cultura, e rejeitar os conflitos armados.”

O Papa faz então um premente apelo aos chefes de Estado e de governo do G20 e a toda a comunidade mundial pela trágica situação do Sudão do Sul, nos Grandes Lagos, Chade, Chifre da África e Iêmen, “onde 30 milhões de pessoas não têm alimento e água para sobreviver”.

A história da humanidade, inclusive hoje, nos apresenta um vasto panorama de conflitos atuais ou potenciais. “Todavia, a guerra jamais é a solução”, acrescenta o Pontífice, afirmando se sentir na obrigação de pedir “ao mundo que ponha fim a inúteis massacres”.

Isso só será possível se todas as partes se empenharem em reduzir substancialmente os níveis de conflitualidade, deter a atual corrida armamentista e renunciar a se envolver direta ou indiretamente em conflitos. “É uma trágica contradição e incoerência a aparente unidade em fóruns econômicos e sociais e a persistência de conflitos bélicos”, constata o Papa.

Para Francisco, as trágicas ideologias da primeira metade do século XX foram substituídas por novas ideologias da autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira. Essas ideologias deixam um rastro de exclusão e de descarte, e inclusive de morte.  “Peço a Deus que a cúpula de Hamburgo seja iluminada pelo exemplo de líderes europeus e mundiais que privilegiaram o diálogo e a busca de soluções comuns.”

Essas soluções, prossegue o Pontífice, para serem duradouras devem ter uma visão ampla e considerar as repercussões em todos os países, não só nos que compõem o G20. Porque é justamente sobre as nações sem voz e seus habitantes que recaem os efeitos das crises econômicas. Para Francisco, é importante sempre fazer referência às Nações Unidas, às agências associadas e respeitar os tratados internacionais.

O Papa conclui invocando a bênção de Deus sobre o encontro de Hamburgo e sobre todos os esforços da comunidade internacional para ativar uma nova era de desenvolvimento inovadora, interconexa, sustentável, respeitosa do meio ambiente e inclusiva de todos os povos e de todas as pessoas.



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sexta-feira, 7 de julho de 2017

TERRAS DE ITABUNA: A marcha do progresso

A marcha do progresso


            Essas histórias, ele Carlos Sousa, ouvira de Basílio Oliveira, filho de Militão Oliveira, quando um dia perguntara a Basílio por que não tinha medo de balas.

            E Basílio, aquele que brigou com os Badarós, disse-lhe: Nasci no meio de balas. Meu pai trabalhava na mata, com a arma de fogo junto. Naquele tempo a gente aprendia a pedir a bênção ao pai, fazer o sinal da cruz e a apertar o gatilho da espingarda. Sem isto ninguém aguentava nas matas bravas do cacau. E narrava-lhe:  entre os anos de 1860 e 1899, Tabocas cresceu apesar das lutas e dos conflitos. Um povoado que se fez por si mesmo, sem lei, e sofrendo a dura influência do banditismo que imperava no município ilheuense, sob o domínio de Gentil de Castro. Terra de gente valente, nunca deu para trás.

            Jamais recuou sempre teve chefes decididos nas brigas e no trabalho. Gentil de Castro, de Ilhéus, por exemplo, atacou a fazenda Alegrias do Coronel Manuel Pancrácio Pereira Pinto, intimando-o a passar-se para as fileiras do Partido Liberal. Mas quando tentou atacar a fazenda de Henrique Alves topou tempo duro: Henrique Alves amoitou-se e enfrentou o valente de Castelo Novo, que recuou. Nesse mesmo tempo Maximiano de Oliveira, o velho Maxi, cantava na viola:

“Chore quem chorar
Ria quem sorrir
O outeiro da Palha
É do velho Maxi”.

            Havia lágrimas, mas havia alegrias. Noites se passavam ao som da viola, das cantigas e das danças. Noites se passavam ouvindo o som dos tiros.

            Com essas alternativas, do som das violas e dos tiros das repetições, os Itabunenses elaboravam a sua tarefa, construíam a riqueza da terra, plantavam cacau.

            Ao raiar do século, as dificuldades do povo aumentavam, as riquezas também.

            A consciência popular começava a protestar contra a Câmara de Ilhéus, que não fazia nada, até parecia que odiava o distrito. Não era mais possível que continuasse um distrito oprimido, explorado pelos fiscais, em número de cinco, na cobrança de impostos. Seiscentos réis pagava de imposto um saco de cacau e, por cima de tudo, o povo humilhado pela jagunçada dos mandões. Precisava de correio e não tinha, uma carta custava dez mil-réis, os tropeiros haviam subido o frete do cacau de três para oito mil-réis, por causa da desgraçada estrada do Banco da Vitória, que matava burros, aleijava burros, arrebentava os tropeiros e exigia três dias de trabalho em cada viagem de cacau.

            O distrito solicitou uma escola e nomearam um alfaiate como professor, que matava as crianças de pancada. A crise do comércio, por falta de dinheiro, desesperava. Os negociantes de Salvador não estavam remetendo numerário, assombrados com a ordem pública. A coisa não andava boa. O engenheiro José da Silva Matos tomou uma cacetada à noite, ao sair à rua depois do espetáculo da artista Mariana das Neves, que estava enlouquecendo os homens da terra. Misael Tavares sofreu um atentado à bala, que matou o seu pajem de nome Eusébio Cardoso.

            Não havia garantias. Havia trabalho e audácia, decisão e tenacidade. Luta de vida e morte, na construção do patrimônio. Não existia um sinal de administração pública. Os porcos, as cabras, os animais andavam soltos no comércio, sujando tudo, invadindo as casas. A Rua da Lama com as suas setenta casas comerciais se achava intransitável, uma miséria,  um atoleiro de fora a fora. Por outro lado, a febre grassava, danada, matadeira,  inclemente.

            Apareceu um boletim manuscrito que dizia: O nosso presente é terrível, nosso futuro se afigura medonho. O Conselho de Ilhéus não faz nada. Só faz é perseguir o povo de Tabocas e negou o pedido para o distrito passar a vila. No outro dia prenderam o filho de Aureliano – o pintado – como autor do boletim. Uma semana depois, o Alferes Cupertino tomou dois tiros à queima-roupa do filho de Aureliano, que fugiu, mas foi preso e assassinado.

            Os homens brigavam, se matavam, e os cacauais cresciam e, com eles, o povoado que, nessa época, entre 1900 e 1902, possuía seiscentas casas.

            Em outras partes do País os trabalhadores sofriam pela pobreza, pela falta do que fazer; nas terras de Tabocas, sofriam pela ânsia de enriquecer ligeiro.


(TERRAS DE ITABUNA)

Carlos Pereira Filho

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O BARBEIRO, O PAPA E A REGULAMENTAÇÃO DAS PROFISSÕES – Raul Cânova

O barbeiro, o papa e a regulamentação das profissões 


Ontem fui cortar o cabelo (o que restou) e como sempre João me recebeu com um abraço. Somos amigos e às vezes confidentes já faz um tempo. Bem humorado, começou seu trabalho perguntando: Você conhece a anedota do barbeiro e o cara que foi a Roma? Não – respondi. - Então a estória é a seguinte: o cara vai ao barbeiro e começa o seguinte diálogo…

Cliente: Bom dia, Libertino!

Barbeiro: Ora, viva! Como está você?

Cliente: Tudo bem, tudo bem! Preparando minha viagem, vou a Roma amanhã, com minha mulher. Vê de deixar meu cabelo em ordem.

Barbeiro: Roma?! Xi! Que escolha, eh! Uma cidade suja, barulhenta cheia de turista pobre...

Cliente: É, minha mulher e eu queremos ver o Papa.

Barbeiro: O Papa? Tá bom! Vão vê-lo deste tamanhinho, desde a Piazza di San Pietro, quando saúda a multidão desde a janela – diz fazendo um gesto com a mão, enquanto segura o pente entre os dentes.

Cliente: Não importa, de qualquer maneira iremos vê-lo.

Barbeiro: Já comprou as passagens?

Cliente: - Sim, pela Alitalia.

Barbeiro: Alitalia?! Alitalia não renova a frota há tempos, nem as aeromoças, aff... São as mesmas da época da Sophia Loren. E o hotel? Já reservou o hotel?

Cliente: Sim, claro, vamos ficar no Sofitel.
Barbeiro: O Sofitel não é aquele da Via Veneto? Um prédio antigo, meio caindo aos pedaços?

Cliente: Libertino, acho que você está enganado, me falaram que é um hotel delicioso, muito fino.

Barbeiro: Sei não, tomara que dê tudo certo – disse o homem enquanto passava uma escova, depois de terminar com o corte.

PASSAM-SE QUATRO SEMANAS E O CLIENTE VOLTA AO SALÃO COM UM SORRISO MAROTO

Cliente: Como estão as coisas, Libertino? Tudo Bem?

Barbeiro: Tudo OK! Como foi de viagem?

Cliente: Ah, foi bom, sempre tem algum transtorno, mas foi tudo bem, tudo bem mesmo.

Barbeiro: Mesmo, mesmo?

Cliente: - Ô, quando chegamos a Cumbica, para embarcar na ida, sofremos com um overbooking.

Barbeiro: Não falei?!

Cliente: Sim, mas o pessoal da Alitalia nos ofereceu como compensação viajar na 1ª Classe, inclusive na volta, sem nenhum gasto extra. Foi fantástico: Risottos alla Milanese, acompanhados com bons vinhos como Brunello di Montalcino, aeromoças simpáticas, aliás, a companhia está com uma frota nova de Boeing 777, silenciosos e essas comissárias de bordo foram formadas recentemente e, apesar de jovens, meninas quase, são treinadíssimas e muito simpáticas.

Barbeiro: Humm... E o hotel, era velho como eu disse?

Cliente: É, o predio é de 1890, mas foi reformado há pouco e por dentro tem toda a tecnologia do século XXI. O problema é que quando chegamos não encontravam minha reserva.

Barbeiro: Ai!

Cliente: É, e o concierge, que era uma figura, um verdadeiro conde romano, arranjou a suíte presidencial para nós e ainda pediu mil desculpas. Incrível, foi uma espécie de segunda lua de mel, mas de poderosos!

Barbeiro: - E o Papa? Foram na praça para ver o Papa?

Cliente: - Não, fomos visitar o Vaticano bem cedo e aconteceu algo totalmente inesperado. Estava andando com minha mulher, conversando sobre as obras de arte do Museu do Vaticano, quando se aproximou um guarda suíço e falando baixinho pergunto se éramos brasileiros. Eu falei que sim, que éramos de São Paulo e ele confidenciou que Sua Santidade tinha acordado com o desejo de convidar brasileiros para seu desjejum. Ficamos surpresos, parecia um sonho. Tomar café da manhã com o Papa era demais! Mas era verdade, entramos nos aposentos papais e lá estava ele com um sorriso sabido, como se me conhecesse há tempos.

Barbeiro: E aí?– pergunta atônito, já com a tesoura quase caindo da mão.

Cliente: Aí nada. Foi tudo muito cerimonioso, tomamos o café em silêncio, nessas xícaras de porcelana de Limoges, tudo muito chique, com muita prataria, toalhas e guardanapos de linho...

Barbeiro: E ele, o Papa, não falou nada com você, nada?

Cliente: - Falou sim, chegou bem perto de mim e disse, em voz baixa e doce: 'Hummm, quem é o cretino imbecille que corta teu cabelo?"

Depois de umas boas risadas, que contagiaram as outras pessoas que estavam também cortando o cabelo, o João me disse que, piadas à parte, há muitos por aí que não honram a profissão do Fígaro, falando mais do que devem e cuidando mal das madeixas. Mas, segundo ele, tudo isto acabou depois de aprovar a lei que regulamenta a profissão de cabeleireiro, vinte dias atrás.

- Nós, cabeleireiros de verdade, sentimos orgulho de seguir os passos de Vidal Sassoon e de Lee Stafford.

- Quem são esses caras? – perguntei.

- Como quem são esses caras, Raul? O Vidal é uma eminência há um tempão e o Stafford é hoje, o mais famoso do planeta!

- Pega leve, João, aposto que nunca ouviu falar de John Brookes ou de Patrick Blanc.

- Lógico que já, ou você acha que não leio sobre jardins?

- Tá bom, Espero que, junto a outros colegas, possa sentir esse mesmo orgulho, quando aprovemos a regulamentação da profissão de paisagista.

- Ué, sua profissão não é regulamentada? Não é pra valer?

- Ainda não, João,

Na ANP, que é a Associação Nacional de Paisagismo, estamos trabalhando para que a lei seja aprovada.

- Puxa, nada mais justo!

- Abraço, João

- Abraço, Raul!

P.S. Piadas à parte, todos aqueles que, de algum modo, projetam espaços ambientando-os com vegetação e mobiliário específico para áreas externas, devem somar-se aos que trabalham para aprovar o Projeto de Lei 2043/11, do deputado Ricardo Izar (PV-SP), em tramitação na Câmara, que regulamenta a profissão de paisagista e passará a ter registro próprio expedido pelo Ministério do Trabalho.

Autor: Raul Cânovas




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quinta-feira, 6 de julho de 2017

IRONIAS DA VIDA - Antonio Nunes de Souza

Ironias da vida!


Antonio Nunes de Souza



Afonso e Laura formavam um casal lindo e maravilhoso, não pela beleza física completamente, mas, pelas suas afetividades, felicidades e entendimentos desde o tempo de namorados. Casados há cinco anos, ambos com 27 anos e, curiosamente, as mesmas profissões de dentistas. Assim, interessantemente, pareciam que tinham vindo ao mundo já programados para viverem eterna mente juntos e felizes!

Porém, por uma infelicidade, graças a uma deficiência em seu organismo, Laura, mesmo depois de consultar os melhores especialistas, chegou a triste conclusão que, infelizmente, jamais poderia ter filhos!

Contudo, depois conversarem e pensarem bem, decidiram fazer uma adoção, para completar a alegria da casa e a felicidade deles próprios. E, mais que depressa, se inscreveram no departamento judicial de adoções, ficando cadastrado, aguardando a aprovação e, ao mesmo tempo, fazendo visitações em orfanatos para fazerem a escolha. Afonso desejava um menino e Laura, por ser mulher, queria uma menina. E, com carinhos e beijos, conseguiu que sua escolha fosse acolhida.

Passados dois meses, Laura deparou com uma menina linda, meiga e, curiosamente, parecida com ela nos traços fisionômicos, tendo também alguns pequenos detalhes da fisionomia de Afonso. Mas, não era um bebê, ela tinha 7 anos. Pensaram, refletiram e, pela grande ansiedade de Laura, resolveram que Dora (esse era o seu nome) seria a filha deles!

Prepararam toda tramitação, papeis prontos, aprovação jurídica, oficialização, etc., foram ao orfanato buscar a menina, que já tinha o seu quarto arrumado todo em cor de rosa, a espera da nova e sonhada moradora! Como tratava-se de uma garota já esperta, combinou-se que eles seriam considerados e chamados de tios, para que não houvesse traumas futuras por ela descobrir o desconfiar que eles não eram seus verdadeiros pais.

Para ser menos longo, vou logo contar o que veio pela frente. Dora transformou-se numa moça linda, charmosa e super sedutora e, ironicamente, se apaixonou pelo seu tio, pois já havia também notado que ele a olhava com um olhar de desejo, mesmo respeitando, não só sua esposa, como também a afinidade filial que tinha com a moça. Mas, o instinto sexual bateu muito mais forte e, um inesperado dia, aconteceu o que não era jamais para acontecer. Eles transaram loucamente, esquecendo de todos os conceitos e preconceitos culturais, sociais e jurídicos. E isso continuou as escondidas, até que Lauro e Dora resolveram fugir de sua protetora tia, indo refazer a vida em outro estado!

E assim fizeram, aproveitando uma rápida viagem da tia e, praticamente, sua mãe, fugiram os dois, deixando uma carta confessando seu grande pecado e pedindo milhões de perdões pela atitude tomada!

Atualmente, Laura vive nos sofás de psicólogos e analistas, sofredora de uma monstruosa depressão, revoltada porque não deu ouvidos ao marido escolhendo um menino, enquanto Lauro e Dora moram em Belém, com dois filhos, e ela terminando o curso de odontologia para que juntos, abram uma nova clínica!

Essas ironias da vida e do destino, certamente, não são obras traçadas pelas divindades. Imagino que sejam pelas grandes liberdades existentes entre os seres humanos que, estupidamente, usam e abusam do tão citado e divulgado “livre arbítrio”!


Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO - Cozinhando raiva

Cozinhando raiva


O fato de a gente dizer que a raiva é uma emoção humana, não reprovável, não significa que é bom ficar cozinhando ou curtindo a raiva, não!

Porque uma coisa é reconhecer o que se sente, outra coisa é se deixar prejudicar.

– Ah! Mas se a raiva é natural e humana, ela pode prejudicar quem sente?

– Uai! Vocês não conhecem planta venenosa?

Planta venenosa vem da Natureza e, no entanto, ela é toxina para as pessoas.

Tem gente que usa veneno de planta para fazer remédio. Tem gente que usa para envenenar.

Tem gente que usa raiva para envenenar a própria vida e a vida dos outros.

Será que você não faz isto, algumas vezes?

Veja, a raiva e outras emoções destrutivas são naturais, mas elas têm um caminho natural.

Elas não são para durar, só para mobilizar em você algumas reações.

Mas se você não reage de acordo, a raiva fica ali presa, cozinhando dentro de você, espalhando toxina nos seus canais energéticos.

Você vai se contaminando com aquele clima, e vem a irritação, o ressentimento, a mágoa, o desejo de vingança.
Por que você não usa a raiva para fazer remédio?

Reaja positivamente, quando alguma coisa ameaçar invadir seu espaço, quando alguém desrespeitar os seus direitos.
Tome providência, não para os outros, para posar para o mundo, mas para você, antes que o mal se instale.

Aja com os seus princípios, os seus melhores valores, use sinceridade.

Não entre na perdição de um impulso descontrolado.

Mas, se você se deixou levar por um momento de raiva e fez algo que não queria, também não adianta ficar pensando naquilo, transformando em presente o que já é passado.

Mude a partir de agora, daqui para frente é o que importa.


Calunga – Espírito
Psicografia – Rita Foelker
Livro – Felicidade é Escolha



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quarta-feira, 5 de julho de 2017

CHEGA DE RATOS - Ferreira Gullar


Chega de ratos


Hoje, em vez de falar de ratos, vou falar de gatos. Pois bem, modéstia à parte, tenho duas gatas: a gata chamada Cláudia Ahimsa, musa minha e poeta autora de preciosos livros de poemas. Ela diz que não faz poemas e, sim, livros de poesia, o que é verdade. Por isso mesmo, não faz apenas o objeto livro, onde eles são editados; a capa do livro, o tema dos poemas e sua distribuição nas páginas, o formato do livro, tudo é por ela inventado. Por essa razão, não mora comigo, mesmo porque dois poetas não cabem numa mesma casa.

Já a outra gata, a que mora comigo e se chama Gatinha, é siamesa como o finado Gatinho, que me inspirou um livro de poemas engraçados, lindamente ilustrado por Ângela Lago. Essa gatinha não apenas mora comigo como dorme na minha cama. Se disser que nossa intimidade se limita a isso, estarei mentindo, pois vai muito além, uma vez que ela, todos os dias, vem para a sala onde trabalho e sobe na mesa para que eu a acarinhe.

Sobe na mesa e, como quem não quer nada, deita-se à minha frente para que eu lhe faça carinhos. Se não estou ali escrevendo ou lendo, vai à minha procura e, encontrando-me, começa a roçar-se em minhas pernas, que é o seu modo de dizer-me que está na hora de lhe fazer carinhos.

Entendo, largo o que esteja fazendo e vou sentar-me à mesa da sala, onde ela imediatamente sobe e se estende, de barriga à mostra. Ela já se habituou ao carinho que lhe faço, passando a mão em sua barriguinha de pluma.

Quando meu gatinho morreu, fiquei traumatizado e decidi não mais ter gatos em casa. Na verdade, um outro gato, fosse qual fosse, jamais o substituiria e, além do mais, me faria lembrar dele a toda hora.

Mas eis que um dia, sem saber desse meu trauma, surge aqui em casa Adriana Calcanhotto e, logo depois de entrar, abre a capa com que se cobria e me entrega sorrindo, de presente, uma gatinha siamesa. Levei um susto, mas era tal a alegria da Adriana por me trazer aquele presente que não tive coragem de lhe dizer que decidira não mais criar gatos.

Não foi, porém, só isso. Quando a gatinha me mirou nos olhos e miou, rendi-me instantaneamente e abracei Adriana, sinceramente agradecido. E mais agradecido estou agora, depois de alguns poucos anos de convívio com a companheirinha que ela me trouxe de presente.

Esta gatinha tem, porém, um comportamento peculiar: tocou a campainha da porta, esteja ela dormindo na poltrona ou brincando em cima da mesa, larga tudo e sai disparada para se esconder em algum dos quartos da casa. E se, não estando ela na sala, chegar alguém ali, ela, esteja onde estiver, lá ficará, certamente mais escondida que antes. E se esconde tal modo que, eu mesmo, se tentar localizá-la, não o conseguirei.

Se depois, tendo ido embora o intruso, dado um tempo, claro, ela reaparecerá mesmo assim desconfiada, farejando o ar para evitar qualquer surpresa. Basta dizer que a própria Adriana, quando aqui esteve e tentou revê-la, não o conseguiu.

Por que ela se espanta desse jeito, não sei. O Gatinho, ao contrário dela, era tranquilo; se chegava alguma visita, pouco ligava; quando muito, erguia a cabeça, dava uma olhada e voltava a cochilar.

Isso sem falar nos gatos de rua, que andam entre as pernas dos transeuntes, sem nada temer, nem mesmo cachorro.

Desconfio que o comportamento de minha gatinha se deve à sua origem social: ela é fruto do pet shop, ou seja, pertence a uma nova geração de bichos que o mundo moderno está produzindo.

Criada em pet shop, numa pequena gaiola, sem contato com outros animais, o bicho adquire personalidade neurótica, que o torna incapaz de conviver com os outros bichos. Mas, como é próprio dos gatos o convívio com as pessoas, a minha gatinha felizmente me aceitou como uma companhia confiável e, mais que isso, afetuosa.

Quanto à minha outra gata, a Cláudia, não diria que seja tão arredia quanto a gatita, mas não é para qualquer um que ela aparece quando lhe tocam a campainha da porta ou tentam contatá-la pelo telefone. Também, neste caso, eu constituo uma exceção. Mas nem sempre, diga-se a verdade. 

Folha de São Paulo, 17/04/2016


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Ferreira Gullar - Sétimo ocupante da cadeira nº 37 da ABL, eleito em 9 de outubro de 2014, na sucessão de Ivan Junqueira, e recebido em 5 de dezembro de 2014, pelo Acadêmico Antonio Carlos Secchin.

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CAMPEONATO DE FUTEBOL REÚNE EMPRESAS ESTA QUINTA NA AABB

 COTEF comemora o título de 2016 na Cabana do Tempo

Abertas inscrições para o Citadino de Futebol da AABB Itabuna

Reunião 6/7 no clube define participantes


Vai ser dada a largada para a maior competição de futebol entre empresas da região. É o Campeonato Citadino de Futebol MiniCampo da AABB Itabuna, já em sua 13ª edição seguida.

Nesta quinta-feira (6) às 19h00 acontece uma reunião aberta a todos os interessados em se inscrever do torneio. Será na sede do clube no São Judas, oportunidade em que serão apresentados todos os detalhes sobre o Citadino: período de realização, dias e horários dos jogos, regulamento, premiação, arbitragem.

No ano passado houve a participação da COTEF (campeã), Thumy Gás (vice), Drogarias Velanes, Aragão Plásticos, Shopping Jequitibá, AABB-30, Oportunity Contabilidade, Claridente, Mr. Sheik, World Print, Axé da Sorte, Madeireira Mauá e Daniel San. O evento contou com ampla cobertura na imprensa e nas redes sociais, projetando a marca das instituições concorrentes.

Todos os jogos serão realizados nos campos de grama natural e sintética da AABB Itabuna, com portões abertos ao público no horário das partidas. O clube fica na Rua Espanha s/n, travessa da Av. Europa Unida no São Judas. Telefones da secretaria para informações e confirmação de presença: (73) 3211-4843 / 3211-2771 (Oi fixo).



Contatos (DDD 73) – João Xavier: 9 9138-3444 (Tim), Rodrigo Dantas Xavier: 9 8853-4607 (Oi) e Marcos Lima: 9 9152-6360 (Tim)
Assessoria de Imprensa – Carlos Malluta: (73) 9 8877-7701 (Oi) / 9 9133-4523 (Tim)

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