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domingo, 22 de janeiro de 2017

*O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO* - José Antônio Oliveira de Resende

O tempo passou e me formei em solidão


Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho, porque a família toda iria visitar algum conhecido. 

Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.

Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. 

Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. 

A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. 

Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida.

Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa... A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão.
Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, internet, e-mail, Whatsapp ... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...

Que saudade do compadre e da comadre!...



Créditos: José Antônio Oliveira de Resende
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.

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Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (10)

3º Domingo do Tempo Comum - 22/01/2017

 Anúncio do Evangelho (Mt 4,12-23)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: ”Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”.
Quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram.
Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo.


— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão de Dom Alberto Taveira, arcebispo de Belém:



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“Eles, imediatamente deixaram as redes e o seguiram” (Mt 4,20)

Mudanças são a essência e o sabor da vida. O ser humano é um ser de mudança; só é humano quem vive em “estado de mudança”. A mudança é o elemento que traz energia, variedade, surpresa, côr e vida à vida. Trata-se de um “hábito do coração”: descobrir, examinar, purificar e substituir os hábitos inertes, os esquemas mentais fechados, as condutas petrificadas, os projetos sem horizontes...

É saudável questionar-se, abrir-se e aventurar-se a ver as coisas de maneira diferente e a responder às circunstâncias com espontaneidade nova.

Deus não nos deu um espírito de timidez, de medo, de fuga, de acomodação... mas de audácia, de criatividade, de luta, de participação... Movidos por sua força, vemos a possibilidade de questionar toda nossa atitude conformista, sacudir nossas convicções, ampliar nossos horizontes e animar nossa vida.

Toda mudança implica sair de nós mesmos, de nosso estreito mundo, de nossas práticas arcaicas, daquilo que nos protege e nos esteriliza para que possamos avançar  em direção às novas fronteiras do espaço sem limites, que nos espera aberto e acolhedor.

Ser seguidor de Jesus, portanto, consiste em colocar-nos nos seus “passos”, com suficiente visão da realidade para ir adiante, e com bastante disponibilidade para mudar de caminho quando o sopro do Espírito assim nos sugerir.

O texto do evangelho de hoje nos situa diante de um denominador comum que é a mudança. O próprio Jesus vive um momento de mudança radical: rompe com sua família, com seu ambiente, afasta-se da estrutura religiosa centrada na Lei e no Templo e opta por deslocar-se para a margem social e religiosa de seu tempo (Galiléia e terra de Zabulon). Sua mudança de vida desencadeia um processo de mudanças nas pessoas, de maneira especial no grupo dos primeiros seguidores.

O olhar e o chamado de Jesus ativam um movimento na vida dos primeiros discípulos: deixam seu estreito mar e seu rotineiro trabalho para fazer caminho com o Mestre. Tudo começou às margens do mar da Galiléia... Jesus caminha e, ao passar ao longo do mar, viu aqueles homens que estavam retornando da pesca e entra no espaço vital deles. Exatamente ali, naquela vida tão normal, acontece algo novo. Jesus os chama do mar, os faz descer da barca e os convida a segui-Lo, para mergulhá-los no Seu mar, para fazê-los subir noutra barca, para atraí-los a uma vida diferente.

O seguimento só se realiza quando alguém se deixa conduzir para águas profundas num novo mar. Partindo do lugar e das coisas que representam as esperanças, as dificuldades, as decepções, os sucessos, as derrotas daqueles homens pescadores, Jesus pronuncia sua Palavra mobilizadora: “Segui-me e farei de vós pescadores de homens”, ou seja, compartilhar Sua mesma missão, “pescar” o que há de mais humano e nobre nas pessoas, ajudá-las a viver com sentido, tirando-as do mar da desumanização.

E Jesus tem a capacidade de extrair o maior bem possível do outro, de garimpar a autêntica qualidade humana de cada um, sem necessidade de dar-lhe lições ou arrastá-lo com argumentos racionais. “Eles deixaram as redes e o seguiram”: seguir Jesus é uma libertação. Na realidade, o que eles deixam não são só redes, mas tudo aquilo que aprisiona, enreda e que impede a vida ter uma dimensão maior.

Tocados pelo dinamismo de Sua voz e de sua Palavra, os pescadores se dão conta d’Aquele que estava passando: eles já tinham sido vistos, conhecidos, amados, escolhidos. Aquela Palavra que vibra forte, abre os olhos, a mente e o coração daqueles homens rudes do lago. Sentem-se chamados pelo nome, conseguem compreender melhor a si mesmos e redescobrem um sentido novo, um significado inimaginável para a própria existência. Eles descobrem o quão estreito era o seu mar cotidiano e entram no dinamismo da vida de Jesus, deslocando-se para o vasto oceano do Reino.

A experiência do encontro com a pessoa de Jesus, seu olhar compassivo e terno, a proposta ousada e desafiante que Ele nos faz... despertam dinamismos profundos e desejos nobres em nosso interior, sacodem nossa rotina e ampliam nosso atrofiado olhar.

Ao “fixar seu olhar” em cada um de nós, chamando-nos pelo nome, seremos movidos a assumir opções mais radicais e integrais pelo Reino, segundo o modo de ser, de viver e de fazer do próprio Jesus.

São grandes os riscos de se viver em horizontes tão estreitos. Tal estreiteza aprisiona a solidariedade e dá margem à indiferença, à insensibilidade social, à falta de compromisso com as mudanças que se fazem urgentes. O próprio lugar se torna uma couraça e o sentido do serviço some do horizonte inspirador de tudo aquilo que se faz. Ampliar os espaços do coração implica agilidade, flexibilidade, criatividade, solidariedade e abertura às mudanças e às novas descobertas.

Vivemos um tempo caracterizado por constantes mudanças e pelo movimento. No entanto, de uma maneira dissimulada, percebemos a presença de uma paralisia que perpassa nossa condição humana. E paralisia é o que ocorre quando algo que deveria mover-se e fluir, não se move, nem flui. Esse “algo” são processos, projetos, relações, aspirações, causas... E é essa mudança verdadeira que, quando não ocorre, nos faz sentir estancados, angustiados e sem brilho, embora aparentemente as coisas parecem andar bem.

Uma pergunta que normalmente costuma protagonizar nossas conversações com amigos e parentes é: “por quê você vai mudar?” Aumenta a curiosidade quando alguém que gosta muito do que está fazendo, sobretudo no campo profissional, decide mudar: “é verdade que você vai deixar? A gente percebia você tão feliz!”

Acontece que, às vezes, não há nada “mau” com o que estamos fazendo, mas sem entender muito bem por quê, há algo dentro de nós que nos impulsiona a sair, a ir além de nós mesmos, a levantar novo vôo. Alguém poderia nos perguntar: “Mas, se estava bem, para quê complicar-se ao começar algo novo?”.

A resposta que damos nunca poderá ser totalmente racional. Porque disso se trata: toda mudança nos leva a desatar nossa essência, isso que somos na verdade e que clama por sair.

O certo é que avançar supõe fazer opções, renunciar à comodidade do conhecido e dar lugar à mudança. Mas mudar nos dá medo e o medo, às vezes, paralisa. Temos medo de nossas próprias capacidades; tememos nossas máximas possibilidades; assusta-nos chegar a ser aquilo que vislumbramos em nossos melhores momentos. No entanto,  não podemos ser “bonsais” de nós mesmos”, atrofiando nossos recursos internos e tirando o brilho de nossa vida.

Desprender-nos do antigo e dar lugar ao novo implica um processo sempre enriquecedor mas também doloroso. Muitas vezes, para escapar do sofrimento, preferimos evitar os riscos em vez de assumir o fato de que, para dar à luz algo novo, necessariamente devemos tomar a decisão de soltar o que nos mantém ancorados no nosso estreito mar e não nos permite singrar os vastos oceanos.

Texto bíblico:  Mt 4,12-23

Na oração: No fundo do seu coração cheio de velhas barcas, redes inúteis, mar estreito... é aí que o Senhor passa... e com sua Palavra provocante o acorda para uma ousadia maior. Compete a você dar-lhe acolhida.
- Seguir o Desconhecido do lago significa aceitar a vida como sacramento do encontro, onde ressoa a Palavra d’Aquele que passa, vê, conhece, ama, chama pelo nome... Aos poucos você vai intuindo que a vida não é questão de certezas, mas de busca e de desejos, de caminhar com Aquele que o chama para ficar com Ele e com Ele constituir a grande comunidade de servidores.

Pe. Adroaldo Palaoro sj



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sábado, 21 de janeiro de 2017

PALAVRAS AÇUCARADAS – João de Paula


Palavras Açucaradas


O elogio faz bem em qualquer situação ou ocasião.



Uma palavra de afeto, sincera, elogiosa, proferida no momento certo e na hora certa faz um bem maior ao nosso coração. Gera felicidade! Gera momentos felizes.

Palavras açucaradas fazem um efeito magnífico na maioria das pessoas. Um efeito amplo e positivo. Muita gente prefere ouvir o falso elogio do que a sinceridade; a verdade, a realidade sem maquiagem.

O importante é a gente contemplar a beleza e manifestar nossa gratidão tal como nossos sentimentos reagem.
Palavras açucaradas... Você é o maior e o melhor.
Palavras leves... Adoro amar você.
Palavras suáveis... Você é amado de todos nós.
Palavras de amor à vida... Deus é o nosso porto seguro.

Palavras que emitimos, que escrevemos, que representamos, que notamos e anotamos; devem ser mensagens de aplausos, encorajamentos e vibrações. Todo mundo gosta de ser notável, gosta de ser percebido, gosta de ser destacado. Por isso, cada pessoa tem seu jeito próprio de ser.

Vaidade? Quem gosta de ser mais um na multidão?
Vaidade? Quem gosta de ser mais um anônimo?
Vaidade? Quem gosta de ficar no anonimato e não ser lembrado por alguém algum dia?
Cada pessoa tem uma personalidade, uma aprendizagem, tem seu momento único e exclusivo.

Existem pessoas que adoram ouvir as palavras adocicadas, açucaradas, os elogios, em locais que têm ecos.
Que ecos! Eu me amo.
Que maravilha! Eu me adoro.
Que beleza! Eu sou do bem.
Que formosura! Eu sou amado.
Que presença! Eu sou belo.
Que beleza! Eu sou dez.
Que valor! Eu sou o Máximo.

As palavras afáveis; carinhosas, elogiosas, conotativa e denotativa, fazem bem em nossa caminhada entre as flores e os espinhos, porque cada coisa tem o seu sabor todo especial.

Faz bem a gente mudar o trato com as outras pessoas nos momentos alegres e tristes, nos momentos gloriosos e gozosos, no convívio do dia a dia, na sociedade em que vivemos e participamos ativamente naquela projeção de fazer amigos. Eu disse: Amigos.

Vamos irradiar luz, irradiar o bem, fazer valer nossas ações e elogios para quem passar por perto da gente. Oferecer presentes e mensagens lindas.

Você é importante para mim. É verdade!
Você é uma pessoa maravilhosa. Sim, presente de Deus.
Você é duas vezes nota dez. Você é espetacular.
Você é uma pessoa legal. Gente do bem.
Você é uma pessoa sincera, benigna, amiga, gente boa, gente fina, abençoada de Deus..
Obrigado por você existir.

Você é uma pessoa livre e cumpridora das suas obrigações. Parabéns!.

Faz bem ouvir palavras positivas, sinceras, elogiosas e de felicitações por nossas boas ações e procedimentos. Soa bem o elogio sincero, verdadeiro, único, sem a bajulação dos puxa sacos e das pessoas inconvenientes

Viva os adjetivos...
Viva os elogios...

Viva as palavras açucaradas, porque elas fazem a grande diferença no relacionamento com as outras pessoas e nos levam para uma aprendizagem de vida maior e melhor.


João Batista de Paula
Escritor e Jornalista



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A VOLTA - Marília Benício dos Santos

A Volta

          Voltei. É tão bom voltar. Rever os amigos, chegar em casa. Tão bom seria meu Deus, se todos tivessem para onde voltar. Mas um dia, depois dessa carreira louca nesse mundo, todos têm para onde voltar.
          Você, meu Deus, está com as portas abertas para receber aqueles que quiserem e que o reconhecer como senhor de todos.
          É bom recomeçar. E foi com alegria que recomecei meus passeios matinais.
          Fui ver o mar. Quarenta e cinco dias sem o ver. Como você estaria meu querido mar? Azul, esverdeado, tranquilo ou as ondas muito fortes? E lá me fui ansiosa para vê-lo. É tão bom estar perto de você novamente. Senti uma alegria imensa ao vê-lo. Suas ondas mais bonitas pareciam convidar-me. Você hoje estava mais bonito. O seu azul confundiu-se com o azul do céu.
          Mas de repente – olhei a bandeira branca, bandeira branca, amor – te peço paz.
          Meu Deus! Será que você, meu querido mar, estava pensando que eu estava brigada, que estava de mal com você?           Não me viu mais aparecer e pensou que eu o havia abandonado. Não, meu querido, estava viajando e por onde andei levei você no coração. Em paris não o vi, mas você estava presente em minha fantasia.
          Fico triste só em pensar que você sentiu minha falta. Não, não estou triste, estou alegre. É bom a gente ser lembrada e, sobretudo, ser amada. O meu mar querido pode por a bandeira vermelha, gosto de vê-lo com as ondas furiosas, batendo com força na areia e nas pedras. Só assim o terei só para mim, apesar de não possuí-lo, mas, ninguém também o possui. Em minhas fantasias, eu o tenho. Você abre os braços para mim e como na estória da carochinha, eu consigo chegar perto e, como nos sonhos de fadas, um caminho se faz para eu passar.


(CARROSSEL)
Marília Benício dos Santos

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            Marília escreve  como quem canta. Naturalmente. Em sua prosa fluente e agradável sentimos a vida palpitando, mesmo nos acontecimentos mais triviais. Fragmentos do tempo, suas próprias vivências constituem seu tema predileto, o qual sob uma aparência singela representa, em última análise, um diálogo ininterrupto com Deus e com o mundo. Não se pense, porém, que se trata de um livro religioso no sentido estrito da palavra. Em momento algum, a autora tenta provar o que quer que seja. No desdobrar de suas reflexões despontam os sentimentos mais intensos do seu coração e Marília possui aquela qualidade tão rara em nosso tempo e tão marcante dos autores místicos: a capacidade de transformar o seu dia-a-dia em uma busca constante de encontro entre a criatura e o Criador.
          Lendo este livro, ou melhor, saboreando suas páginas, aos poucos nos apercebemos de que o trivial é, para Marília, o lugar próprio do encontro e do diálogo. Assim, ela nos prende e nos encanta desde o primeiro momento, precisamente pelo fato de que canta a vida, em suas alegrias e em suas tristezas, mas. Sempre, na perspectiva feliz da esperança.

Ligia Costa Moog (Prefácio do livro Carrossel de Marília Benício dos Santos)

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SILENCIA E ESPERA


Silencia e Espera



No tumulto das inquietações da Terra, é provável encontres igualmente os desafios que se erigem por testes de compreensão e serenidade, no caminho de tantos companheiros de experiência.

Quanto possível, habitua-te a entesourar paciência, com a qual disporás de suficientes recursos para adquirir as forças espirituais de que necessitarás, talvez, para a travessia de grandes provas, sem risco de soçobro nas correntes do desespero.

Provavelmente ainda agora estarás suportando a incompreensão de pessoas queridas, em forma de prevenções e censuras indébitas; entretanto, se o assunto diz respeito unicamente ao teu brio pessoal, cala-te e espera.

Se amigos de ontem transformaram-se em adversários de tuas melhores intenções, tolera as zombarias e remoques de que te vês objeto e de nada te queixes.

Diante de criaturas que te golpeiem conscientemente a vida, impondo-te embaraços e desilusões, desculpa e esquece, renovando os próprios pensamentos na direção dos objetivos superiores que pretendas alcançar.

E ainda mesmo que agressões e ofensas te firam nos recessos da alma, sugerindo-te duros acertos de conta, à face da manifesta injustiça com que te tratem, não passes recibo nas afrontas que te sejam endereçadas e nada reclames em teu favor.

Não piores situações em que alguém te coloque, não te revoltes, nem te lastimes.

Silencia e espera, porque Deus e o Tempo tudo esclarecem, restabelecendo a verdade, e, para que os irmãos enganados ou enrijecidos na ignorância se curem das ilusões e das crueldades a que se entregam, bastar-lhes-á simplesmente viver.


Autor: Emmanuel

Psicografia de Chico Xavier. Do livro: Calma



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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

ASSIM... TÃO DE REPENTE – Mirian Warttusch

Assim... Tão de repente

Aguardo a chegada da noite, deslumbrada!
Ansiosa, procuro ver no céu, a lua...
Mas os raios de sol ainda ali fazem morada,
Fulgindo sobre a cidade e em cada rua.

A lembrança boa que acalenta o coração,
É como uma alavanca doida, a impulsioná-lo.
Tanto mais lembro de você, com emoção,
Mais ele pulsa - e nem quero aquietá-lo.

Será saudade este sentimento desvairado,
Que teima em pulsar se tu estás ausente?
Ou este envolvimento nada projetado,
Será amor que sinto assim, tão de repente?

Parece, ao contrário, coisa tão antiga,
Como se me habitasse desde que nasci,
Já o trazia em mim, ao som de uma cantiga,
Que minha mãe cantava para eu dormir.

 

Mírian Warttusch

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ENTREVISTA- EGLÊ, UMA MULHER GRAPIÚNA - Por Raquel Rocha


 Nascida na zona rural de Itabuna, Eglê Santos Machado não terminou o segundo grau. Abriu mão de trabalhar e estudar para cuidar de seus filhos, coisa cada vez mais rara hoje em dia. Mesmo sem diplomas e títulos, o contato com os livros a fez uma mulher sábia, com grande bagagem de conhecimento e escritora de lindos poemas. 

Desde 2009 administra o Blog Itabuna Centenária onde fala de cultura, cidadania, política, educação e poesia.  

Em janeiro de 2014 concedeu-me  gentilmente esta entrevista, onde fala de sua infância, suas experiências e e sobre a região cacaueira. Tudo para que pudéssemos conhecer um pouco mais da história dessa mulher genuinamente grapiúna.
Obrigada Querida Eglê

ENTREVISTA

Por Raquel Rocha

Relembrando seu tempo de professora, como foi a experiência de lecionar na zona rural?
As crianças e os adolescentes da zona rural tinham a escola como a coisa mais importante da vida, eram amorosas e atentas às aulas. A professora era amada e sua palavra era lei. Como eu era muito jovem (havia alunos e alunas da minha idade, alguns até mais velhos) lecionar era como brincar de escola. Porém conseguia conduzir a sala de aula e ministrar as lições com responsabilidade e paciência, mesmo porque a mamãe estava disfarçadamente de olho em tudo o que acontecia naquela enorme sala com quase cinquenta estudantes.

Você presenciou o auge da riqueza da região cacaueira e a sua falência. O que você acha que piorou ou melhorou em Itabuna comparando o passado com o presente?
Nasci e vivi até os 18 anos numa fazenda de cacau, administrada pelo meu pai. Era muito grande e no auge da safra empregava pelo menos vinte trabalhadores; os empregados casados tinham uma média de três filhos, a esposa e algumas vezes um casal de idosos pais de um dos cônjuges. Os domingos eram muito divertidos, pois todos os trabalhadores e familiares reuniam-se para as compras na despensa da fazenda. Compravam carne seca, arroz, sal, açúcar, sabão, fósforo, fumo e querosene; frutas, verduras e outros produtos colhiam nas roças da fazenda. O rio lhes dava muitos peixes. Alguns criavam galinhas, porcos, fabricavam farinha. O dono da fazenda só tinha interesse no cacau. Morava na cidade, aparecia na fazenda quando muito uma vez ao ano. O assunto cacau era o importante, tudo girava em torno do cacau, de barcaças, de chuvas no tempo certo, de sol para a secagem das amêndoas, de boas tropas para transportar o cacau seco para os armazéns da cidade.
Quando começou a falência na região cacaueira eu já morava em Itabuna, mas pude muito bem perceber o tamanho da calamidade, pelas pessoas que antes trabalhavam nas fazendas e jaziam abandonadas nas periferias da cidade, crianças seminuas, famintas; e o pior, muitos pais de famílias enxotados e agredidos, quando pegos em alguma roça na beira das estradas cortando um cacho de bananas para amainar a fome urgente dos filhos. Foi muito triste ver tudo isso, eu que sempre vi tanta fartura na fazenda.

 Quando começou com o ITABUNA CENTENÁRIA?
No final de 2009. Nasceu quase por acaso com o objetivo de homenagear a cidade que festejaria centenário em 2010, por isso o nome. Foi bem difícil o início, pois eu e algumas amigas mal sabíamos o básico em computação.

Quantos colaboradores o site tem? Quem são eles?
ITABUNA CENTENÁRIA  abriga 282 membros. Já teve mais. Poucos interagem, a maioria por dificuldade em  lidar com o site. Além do mais o Facebook é bem mais divertido. Esta semana eu comentava com um novo membro que quem não tem alguma bagagem literária ou gosta de pesquisar na Internet não consegue fazer algo na RSIC. Temos poetas,  escritores, padres, O Bispo de Itabuna, pastor protestante, atletas, psicólogo, gente da região e muitos de outros estados. Alguns são membros, mas me enviam textos por e-mail para eu postar. Todas as postagens feitas são compartilhadas no Facebook, no Twitter e no Google + que são como vitrines da RSIC.

Qual a linha editorial do site? Sobre quais assuntos você gosta de escrever?
Como se trata de uma rede social, sempre que entra um novo membro, depois dos votos de boas-vindas é pedido que leia o regulamento que  sugere que em suas postagens conste sempre a fonte, que as relações entre os membros sejam de cordialidade, gentileza e, sobretudo de respeito, para fomentar uma convivência pacífica e harmônica. Eu gosto de escrever  poesias, mas no site posto artigos referentes a manifestações artísticas  na cidade e quaisquer textos enviados por contatos, confrades e amigos, dando preferência a textos referentes a Itabuna e Região Grapiúna.

O que vale a pena ser preservado em nossa região?
Esta força do povo e sua capacidade de em momentos difíceis praticar a gentileza e conservar a esperança.
   
Como você vê a vida cultural em Itabuna?
Tem altos e baixos, mas desde o segundo semestre do ano passado percebo que tem se mantido bem efervescente.

 O que a poesia representa em sua vida?
 A poesia é inata em minha vida. Respiro. Faço poesia!



Resplende a Luz.  Transborda a Alegria
A Paz mostra sua serena face,
Triunfa a Vida em sua inteireza
Vibra o imenso da amizade!
Funciona a tática da delicadeza
Que faz de cardo relva tenra e branda!
Repouso em ombro quente, amigo
Sem  ferida, sem vergonha de chorar.
Após a  solidão, final feliz!

Eglê S. Machado
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