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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

ENTREVISTA- EGLÊ, UMA MULHER GRAPIÚNA - Por Raquel Rocha


 Nascida na zona rural de Itabuna, Eglê Santos Machado não terminou o segundo grau. Abriu mão de trabalhar e estudar para cuidar de seus filhos, coisa cada vez mais rara hoje em dia. Mesmo sem diplomas e títulos, o contato com os livros a fez uma mulher sábia, com grande bagagem de conhecimento e escritora de lindos poemas. 

Desde 2009 administra o Blog Itabuna Centenária onde fala de cultura, cidadania, política, educação e poesia.  

Em janeiro de 2014 concedeu-me  gentilmente esta entrevista, onde fala de sua infância, suas experiências e e sobre a região cacaueira. Tudo para que pudéssemos conhecer um pouco mais da história dessa mulher genuinamente grapiúna.
Obrigada Querida Eglê

ENTREVISTA

Por Raquel Rocha

Relembrando seu tempo de professora, como foi a experiência de lecionar na zona rural?
As crianças e os adolescentes da zona rural tinham a escola como a coisa mais importante da vida, eram amorosas e atentas às aulas. A professora era amada e sua palavra era lei. Como eu era muito jovem (havia alunos e alunas da minha idade, alguns até mais velhos) lecionar era como brincar de escola. Porém conseguia conduzir a sala de aula e ministrar as lições com responsabilidade e paciência, mesmo porque a mamãe estava disfarçadamente de olho em tudo o que acontecia naquela enorme sala com quase cinquenta estudantes.

Você presenciou o auge da riqueza da região cacaueira e a sua falência. O que você acha que piorou ou melhorou em Itabuna comparando o passado com o presente?
Nasci e vivi até os 18 anos numa fazenda de cacau, administrada pelo meu pai. Era muito grande e no auge da safra empregava pelo menos vinte trabalhadores; os empregados casados tinham uma média de três filhos, a esposa e algumas vezes um casal de idosos pais de um dos cônjuges. Os domingos eram muito divertidos, pois todos os trabalhadores e familiares reuniam-se para as compras na despensa da fazenda. Compravam carne seca, arroz, sal, açúcar, sabão, fósforo, fumo e querosene; frutas, verduras e outros produtos colhiam nas roças da fazenda. O rio lhes dava muitos peixes. Alguns criavam galinhas, porcos, fabricavam farinha. O dono da fazenda só tinha interesse no cacau. Morava na cidade, aparecia na fazenda quando muito uma vez ao ano. O assunto cacau era o importante, tudo girava em torno do cacau, de barcaças, de chuvas no tempo certo, de sol para a secagem das amêndoas, de boas tropas para transportar o cacau seco para os armazéns da cidade.
Quando começou a falência na região cacaueira eu já morava em Itabuna, mas pude muito bem perceber o tamanho da calamidade, pelas pessoas que antes trabalhavam nas fazendas e jaziam abandonadas nas periferias da cidade, crianças seminuas, famintas; e o pior, muitos pais de famílias enxotados e agredidos, quando pegos em alguma roça na beira das estradas cortando um cacho de bananas para amainar a fome urgente dos filhos. Foi muito triste ver tudo isso, eu que sempre vi tanta fartura na fazenda.

 Quando começou com o ITABUNA CENTENÁRIA?
No final de 2009. Nasceu quase por acaso com o objetivo de homenagear a cidade que festejaria centenário em 2010, por isso o nome. Foi bem difícil o início, pois eu e algumas amigas mal sabíamos o básico em computação.

Quantos colaboradores o site tem? Quem são eles?
ITABUNA CENTENÁRIA  abriga 282 membros. Já teve mais. Poucos interagem, a maioria por dificuldade em  lidar com o site. Além do mais o Facebook é bem mais divertido. Esta semana eu comentava com um novo membro que quem não tem alguma bagagem literária ou gosta de pesquisar na Internet não consegue fazer algo na RSIC. Temos poetas,  escritores, padres, O Bispo de Itabuna, pastor protestante, atletas, psicólogo, gente da região e muitos de outros estados. Alguns são membros, mas me enviam textos por e-mail para eu postar. Todas as postagens feitas são compartilhadas no Facebook, no Twitter e no Google + que são como vitrines da RSIC.

Qual a linha editorial do site? Sobre quais assuntos você gosta de escrever?
Como se trata de uma rede social, sempre que entra um novo membro, depois dos votos de boas-vindas é pedido que leia o regulamento que  sugere que em suas postagens conste sempre a fonte, que as relações entre os membros sejam de cordialidade, gentileza e, sobretudo de respeito, para fomentar uma convivência pacífica e harmônica. Eu gosto de escrever  poesias, mas no site posto artigos referentes a manifestações artísticas  na cidade e quaisquer textos enviados por contatos, confrades e amigos, dando preferência a textos referentes a Itabuna e Região Grapiúna.

O que vale a pena ser preservado em nossa região?
Esta força do povo e sua capacidade de em momentos difíceis praticar a gentileza e conservar a esperança.
   
Como você vê a vida cultural em Itabuna?
Tem altos e baixos, mas desde o segundo semestre do ano passado percebo que tem se mantido bem efervescente.

 O que a poesia representa em sua vida?
 A poesia é inata em minha vida. Respiro. Faço poesia!



Resplende a Luz.  Transborda a Alegria
A Paz mostra sua serena face,
Triunfa a Vida em sua inteireza
Vibra o imenso da amizade!
Funciona a tática da delicadeza
Que faz de cardo relva tenra e branda!
Repouso em ombro quente, amigo
Sem  ferida, sem vergonha de chorar.
Após a  solidão, final feliz!

Eglê S. Machado
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

BANHO DE RIO – Rita Dantas

Foto Itabuna Centenária-ICAL

Foto Charles Henri
Zefa sonhava com a água fria daquele rio amado – O Cachoeira.

Às escondidas conseguia nadar naquelas águas com as companheiras meninas e esquecer a vida. Fizera isso desde pequenina, apesar das recordações, dos avisos, das referências a mães-d’água e outras coisas mais.

Agora, casada, Vó-menina sonha com a água do Velho Rio, com as companheiras, com as brincadeiras de fim de tarde. E não recua. Foge, encontra, lança-se às águas e volta de mansinho, com ar de anjo tristinho, para que não se descubra o seu segredo. Dias a fio, dias e mais dias.

Pouco a pouco ela vai se colorindo, adquirindo um tom de denúncia e o seu segredo conhecido. Flaviano, velho, ciumento, não entende aquela ansiedade infantil. Briga, resmunga, castiga, leva-a à roça e a amedronta com caiporas e sacis. E a menina volta, mas não esquece o rio.

Pensa no casamento sem amor, no doar de uma criança a um velho promissor e não entende. Relembra a liberdade, a alegria das brincadeiras infantis e foge desta vez, de vez.
Volta à casa antiga, aos folguedos, brincadeiras, aos sonhos.
Volta ao Velho Rio, aos seus braços e reinicia a infância.

(“Bença, Vó!”)

Ritinha Dantas
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RITINHA DANTAS – Licenciada em Letras pela Universidade Federal da Bahia. Ensinou na Universidade de Brasília. “Curriculum Implementation in the “First Grade”: a case study from Bahia” é a sua tese defendida no Instituto de Educação da Universidade de Londres como requisito para a concessão do título de Mestre em Filosofia – área de Educação.Nasceu em Itabuna a 14 de maio de 1939. Autora de “Bença Vó”, relatos de oitiva e de vida, que foram vivenciados pela autora em torno da avó Zefa. Pequeno e comovente livro que se inscreve, de maneira significativa, na memória lírica da região cacaueira da Bahia. Emoção e prosa ágil na linguagem simples são elementos presentes no texto. Densidade poética emerge dos capítulos breves, sugere um teor literário rico, alcança vibrações líricas na narrativa que transmite emoções, verdades e sentimentos. Bons momentos dessa narrativa podem ser destacados nos capítulos “Bordando Vó”, “Zombando até o Fim” e “Bença, Vó”, este último fecha o livro em tons oníricos com impressionante calor de vida.

Da coletânea ITABUNA, CHÃO DE MINHAS RAÍZES de Cyro de Mattos

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LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO – 12 Frases

Luiz  Fernando Veríssimo – 12 Frases

“Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.”

“Eu tomo um remédio para controlar a pressão. Cada dia que vou comprar o dito cujo, o preço aumenta. Controlar a pressão é mole. Quero ver é controlar o preção”.

“No começo Deus criou o mundo e descansou. Então, Ele criou o homem e descansou. Depois, criou a mulher. Desde então, nem Deus, nem o homem, nem o Mundo, tiveram mais descanso.”

“O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença.”

“Comecei a esquecer das coisas: Sabe aquele carro? Esquece! Aquela viagem? Esquece! Tudo o que o presidente prometeu? Esquece!”

“Não viro a cara para meus acusadores, embora eles só mereçam desprezo, mas os enfrento com um olhar límpido como minha consciência e um leve sorriso no canto da boca.”

“Bem, e o que dizer do carioca? Já nem liga mais pra bala perdida... Entra por um ouvido e sai pelo outro.”

“O mundo não é ruim, só está mal frequentado.”

"Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio".

“A diferença entre o Brasil e a República Checa é que a República Checa tem o governo em Praga e o Brasil tem essa praga no governo.”

“Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

“Quando o casamento parecia a caminho de se tornar obsoleto, substituído pela coabitação sem nenhum significado maior, chegam os gays para acabar com essa pouca-vergonha.”

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Luis Fernando Veríssimo (Porto Alegre, 26 de setembro de 1936) é um escritor, humorista,cartunista, tradutor, roteirista de televisão, autor de teatro e romancista bissexto. Já foi publicitário e revisor de jornal. É ainda músico, tendo tocado saxofone em alguns conjuntos. Com mais de 60 títulos publicados, é um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos. É filho do também escritor Érico Veríssimo.

(Wikipédia)

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ESCOLA OLODUM CHEGOU NO NORDESTE DE AMARALINA

Escola Olodum chegou no Nordeste de Amaralina
As inscrições estão abertas para cursos de Percussão Samba-reggae, Dança Afro, Tranças e Turbantes



Estão abertas as inscrições para cursos gratuitos da Escola Olodum, no Nordeste de Amaralina. Jovens de 15 a 21 anos podem se inscrever para cursos de percussão samba-reggae, dança afro, tranças e turbantes. Os alunos serão beneficiados pelas atividades  Projeto Escola Olodum: Pela Paz e Pela Vida - Educação, Cultura e Cidadania nas Comunidades.

Para se matricular, os interessados devem se dirigir ao Centro Social Urbano – Beco da Cultura, Nordeste de Amaralina, das 09h às 11h30 e 14h às 17h, portando de original e cópia do RG e CPF do candidato e responsável (no caso de menor de 18 anos), foto 3x4, comprovante de residência e comprovante de matricula ou boletim da rede pública de ensino. 

Uma ação convergente do Programa Pacto pela Vida, através da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Governo do Estado. O projeto utilizará o poder da mobilização e conscientização dos tambores do Olodum como ferramenta estratégica para fornecer noções sobre cultura, cidadania, autoestima e defesa de direitos, também integra as ações da campanha Paz Absoluta (Olodum) e do Plano Juventude Viva.

Serviço
Escola Olodum – Pelourinho
OFICINAS: Percussão Samba-reggae, Dança Afro, Tranças e Turbantes
PERÍODO DAS INSCRIÇÕES: até 20 de Janeiro
HORÁRIOS: 09h às 11h30 – 14h às 17h
LOCAL DA INSCRIÇÃO: Centro Social Urbano – Beco da Cultura, Nordeste de Amaralina
DOCUMENTOS: Original e cópia do RG e CPF do candidato e responsável (no caso de menor de 18 anos), Foto 3x4, comprovante de residência e comprovante de matricula ou boletim da rede pública de ensino.
Mais Informações: 71 3322-8069
www.facebook.com/escolaolodum



OBS: ENVIAR RESPOSTA SOMENTE PARA O EMAIL jornalismo@laboratoriodanoticia.com.br
Mais informações à imprensa:
Laboratório da Notícia - 3272 4263
WhatsApp: (71) 9 8794-1251
Facebook: Laboratório da Noticia
Twitter: @laboratoriodanoticia
Instagram: @laboratoriodanoticia 

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

AABB ITABUNA APRESENTA SÉRGIO PEZZA E ZANZA OLIVER 20/01

É com Sérgio e Zanza o agito musical dessa sexta na AABB

Já viu como Sérgio Pezza e Zanza Oliver (foto) interagem com a plateia? Se ainda não viu, vai poder ver de perto na Cabana do Tempo da AABB Itabuna nessa sexta-feira, 20/01, a partir das 20h00.

A apresentação do casal, bem como de outros reconhecidos artistas regionais, acontece num evento pontual que é a Sexta Super Musical. Todas as sextas-feiras à noite o clube libera a entrada para os fãs da boa música, independentemente de serem sócios ou não. E o estacionamento dentro do clube também é liberado. Dá para levar os amigos, a família e até as crianças, que contam com um parque (playground) e com área verde para brincar à vontade.

“A Cabana do Tempo conta com bar e restaurante exclusivos do clube”, informa Raul Vilas Boas, vice-presidente social da AABB. Os garçons servem à mesa pratos tradicionais, além de tira-gostos e bebidas. “E é mais em conta que em outras casas de nível de Itabuna já que, além dos preços serem menores, não cobramos couvert artístico nem 10% de gorjeta”, observa João Xavier, vice-presidente administrativo.

A AABB Itabuna fica na Rua Espanha s/n, travessa da Avenida Europa Unida, no São Judas. Quem vem do litoral, o acesso é pela Ponte Calixto Midlej (Vila Zara). E quem vem do interior, o caminho é pela Beira-Rio, via Shopping e Conceição. Os telefones do clube são (73) 3211-4843 e 3211-2771 (Oi fixo).

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Foto:

Sérgio Pezza (1º plano.) e Zanza Oliver (com microfone): interação total.
Contato – Raul Vilas Boas: (73) 9.8888-8376 (Oi) / (73) 9.9112-8444 (Tim) 
Assessoria de Imprensa – Carlos Malluta: (73) 9.9133-4523 (Tim) / (73) 9.8877-7701 (Oi)

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE - Samba Enredo 2017

Imperatriz Leopoldinense -Samba Campeão
Ligue o vídeo abaixo:



Compositores: Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge, Aldir Senna

Intérpretes: Tinga, Celino Dias, Tuninho Júnior, Tinguinha
Participação especial: David Assayag


BRILHOU...A COROA NA LUZ DO LUAR!

NOS TRONCOS A ETERNIDADE...A REZA E A MAGIA DO PAJÉ!
NA ALDEIA COM FLAUTAS E MARACÁS
KUARUP É FESTA, LOUVOR EM RITUAIS


NA FLORESTA...HARMONIA, A VIDA A BROTAR
SINFONIA DE CORES E CANTOS NO AR
O PARAÍSO FEZ AQUI O SEU LUGAR
JARDIM SAGRADO O CARAÍBA DESCOBRIU
SANGRA O CORAÇÃO DO MEU BRASIL
O BELO MONSTRO ROUBA AS TERRAS DOS SEUS FILHOS
DEVORA AS MATAS E SECA OS RIOS
TANTA RIQUEZA QUE A COBIÇA DESTRUIU



SOU O FILHO ESQUECIDO DO MUNDO
MINHA COR É VERMELHA DE DOR
O MEU CANTO É BRAVO E FORTE
MAS É HINO DE PAZ E AMOR

SOU GUERREIRO IMORTAL DERRADEIRO

DESTE CHÃO O SENHOR VERDADEIRO
SEMENTE EU SOU A PRIMEIRA
DA PURA ALMA BRASILEIRA



JAMAIS SE CURVAR, LUTAR E APRENDER
ESCUTA MENINO, RAONI ENSINOU
LIBERDADE É O NOSSO DESTINO
MEMÓRIA SAGRADA...RAZÃO DE VIVER
"ANDAR ONDE NINGÚEM ANDOU"
"CHEGAR ONDE NINGUÉM CHEGOU"
LEMBRAR A CORAGEM E O AMOR DOS IRMÃOS
E OUTROS HERÓIS GUARDIÕES
AVENTURAS DE FÉ E PAIXÃO
O SONHO DE INTEGRAR UMA NAÇÃO

KARAKAÔ...KARAKAÔ...O ÍNDIO LUTA PELA SUA TERRA
DA IMPERATRIZ VEM O SEU GRITO DE GUERRA!



SALVE O VERDE DO XINGU A ESPERANÇA
A SEMENTE DO AMANHÃ...HERANÇA
O CLAMOR DA NATUREZA A NOSSA VOZ VAI ECOAR...PRESERVAR!



Categoria: Música
Licença: Licença padrão do YouTube

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CONHEÇA A “HUMILDE” CASA DE MAIS DE $5 MILHÕES ONDE OS OBAMA VÃO MORAR

17 de janeiro de 2017


Em três dias a família Obama irá desocupar a Casa Branca, para a tristeza dos que vivem apenas de retórica e felicidade dos que lidam com fatos. Um dos piores presidentes que já passaram por ali, rivalizando com Jimmy Carter, finalmente deixa o cargo, após 8 anos de muitas bombas do Nobel da Paz, e resultados bastante medíocres, para dizer o mínimo. E onde os Obama vão morar agora? Alguma casa antiga em Chicago, dos tempos em que o jovem Barack Hussein era um “organizer”, ou seja, um agitador de massas?

Nada disso. Obama conheceu e gostou muito do luxo. O homem pode! É, afinal, um multimilionário, como quase todos os ícones da esquerda caviar, que ama a pobreza (não os pobres), pois é seu ganha-pão. E que ganha-pão! Como a retórica sensacionalista rende! O que tem de gente rica só por pregar a igualdade não está no gibi…

Conheça, então, a “humilde” residência dos Obama, uma mansão que custou mais de $5 milhões, uma bagatela de uns R$ 17 milhões ao câmbio de hoje. Coisa para gente comum da classe média, naturalmente. Eis o vídeo da casinha que o quase ex-presidente comprou:

O fã de Obama, que nunca se incomoda com a riqueza dos esquerdistas, pode perguntar: então para ser de esquerda é preciso ser pobre? Não, não. O problema não é o cara ser rico, ou melhor, podre de rico, e sim a hipocrisia tremenda de quem banca o representante da classe média contra os ricos, como se esses fossem os responsáveis pela pobreza alheia. Falo do assunto num capítulo de Esquerda Caviar, cujo começo é este:

“Eu defendo a justiça social, maior igualdade, e é por isso que vou começar fazendo a minha parte, pagando voluntariamente mais impostos”. Eis uma frase, prezado leitor, que jamais escutará de um esquerdista caviar.

O novo Papa, Francisco, inspirou-se em São Francisco Xavier. Esse, sim, resolveu abandonar sua vida aristocrática abastada e virar um missionário de Cristo. Não digo que seja o ideal, pois, ao contrário da esquerda, reconheço a fundamental importância dos ricos à melhoria de vida dos pobres. Mas ao menos o homem era coerente com aquilo que pregava.

E os esquerdistas da elite? Será que realmente desejam a igualdade? A julgar pela forma com a qual se apegam aos seus bens materiais e fazem de tudo para expandi-los, não. A prática e o discurso se mostram incompatíveis.

O que está mais do que provado é que a esquerda não se importa com a riqueza em si, mas apenas com a forma como ela foi obtida e a retórica adotada pelo magnata. Se for um político, que jamais construiu um emprego na vida, nunca empreendeu em nada que gerasse valor para a sociedade, aí não tem problema. Mas se for um empreendedor, que ainda por cima se recusa a adotar o discurso de elite culpada em prol da “justiça social”, por entender que não fez nada de errado ao ficar rico empreendendo, aí é inimigo mortal dessa turma.

A ganância só é condenável nos outros. Os discursos importam mais do que as ações. Assim é a esquerda hipócrita. Se você é de classe média e defende o capitalismo liberal, então é um insensível que não liga para os mais pobres. Mas se você é um milionário abastado, que vive numa mansão de quase vinte milhões de reais, nunca gerou um emprego na vida, mas adota um discurso bonitinho, monopolizando as boas intenções para com os mais pobres, então tudo está muito bem, você é uma alma abnegada, um exemplo de altruísmo.

O mundo da esquerda é todo invertido, onde só valem as aparências. O que Obama efetivamente fez pelos mais pobres? Seus defensores não serão capazes de apresentar bons argumentos ou fatos, pois eles não existem. Mas “o cara” é o máximo, pois como fala bem sobre desigualdade, culpando os ricos – como ele – pela miséria alheia!

Rodrigo Constantino


Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.


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