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domingo, 13 de maio de 2018

OLHAR DE MÃE - Peter Hasslacher



Olhar de Mãe

Há anos conheci um estudante, que de tal forma passava vida ímpia e dissoluta, que um dia foi preso e levado para a cadeia de Ehrenbreistein.

Seu pai, há tempos, morrera em Nancy, de sorte que somente a mãe suportava todo o desgosto que lhe causava um filho de caráter tão perverso. Não se pode exprimir a angústia  de seu materno coração, e quão dolorosas lágrimas derramava.

Mas isto não enternecia o filho criminoso. Nenhum vislumbre de conversão e arrependimento aparecia naquela alma endurecida.

Nada admira que a impressão persistente de tão grande e profunda aflição prostrasse no leito da morte a consternada mãe. Na última extremidade  dirigiu-se ao diretor da prisão, pedindo-lhe para ver  seu filho no transe da morte, e o diretor não pode resistir à súplica.

No dia seguinte, o obstinado preso, levado pelos guardas, chegou ao pé do leito  de sua mãe agonizante.

Ela, macilenta e desfigurada, prestes a exalar o último suspiro, não proferiu palavra, nem fez gesto algum, mas fixou por longo tempo no filho um olhar firme e penetrante; depois, virou-se para o outro lado do leito, e fez sinal para que o levassem. Assim como veio, voltou taciturno e frio, como se já não tivesse a faculdade de se enternecer.

Voltando à prisão, que mudança sobreveio nele! O olhar de sua mãe moribunda, aquele olhar silencioso, em que se resumia a repreensão, exaltação, indignação, temor e afeto, comoveu o filho desvairado mais eficazmente do que poderia fazer a mais eloquente e vibrante linguagem materna, que ela pudesse lhe ter dirigido dias e meses. Que tempestade de encontrados sentimentos então brotou na alma agitada do infeliz mancebo!

Com íntima comoção, que jamais sentira, começou a gemer e suspirar com tal veemência, que lhe parecia que o coração se lhe despedaçava. Pela primeira vez investigando sua consciência, exclamou estremecendo: “Ó Deus, a que grau de maldade cheguei!...” Propôs reparar o mal feito e converter-se verdadeiramente.

Deus misericordioso o manteve nesta resolução. Recuperando a liberdade, entrou para um convento, fez-se jesuíta missionário e agora o vedes diante dos olhos, o mancebo libertino e ímpio de então, o vedes neste púlpito. Sim, o vosso pregador é o próprio filho desapiedado.

Semelhante maravilha e mudança foi obra de Deus, por meio do olhar de sua mãe moribunda.

P. Hasslacher

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Peter Hasslacher (14 de agosto de 1810 - 5 de julho de 1876) foi um pregador católico romano alemão. Ele foi um dos muitos missionários jesuítas que lutaram em toda a Alemanha, de Friburgo a Berlim e Danzig, para despertar e fortalecer as forças católicas do país após o tempestuoso ano de 1846.
(Wikipédia)

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