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sábado, 25 de agosto de 2018

PARE DE PERDER TEMPO COM AS PESSOAS ERRADAS! por Marcel Camargo


Perceba quando você tiver de insistir demais com alguém. Nada daquilo que tiver insistência envolvida poderá dar muito certo.


Quanto mais o tempo passa, mais rápido ele voa. Cada vez mais, temos a sensação de que o amanhã vem galopante, acelerado, sem nos dar tempo de nos demorar em quase nada. Por isso mesmo, o tempo é precioso, principalmente aquele período em que nos dedicamos a nós mesmos, à nossa diversão, ao nosso lazer, ao nosso respirar tranquilo. Não nos cabe mais, portanto, perder tempo com o que faz mal, com quem não merece.

Não perca tempo dando satisfações a quem não o conhece de fato, a quem só cobra, sem se doar minimamente, a quem nunca lhe pergunta sequer como foi o seu dia. Existem muitas pessoas que se intrometem onde não são chamadas, incomodando-se com a vida de todo mundo, por pura maldade. Quem realmente se importa com o outro oferece ajuda, tenta ouvir e entender. Quem só critica e impõe seu ponto de vista, de maneira egoísta e unilateral, não é digno de nossa reciprocidade.

Perceba quando você tiver de insistir demais com alguém. Nada daquilo que tiver insistência envolvida poderá dar muito certo. Relacionamentos – sejam de amizade, profissionais, sejam amorosos – devem ter ida e volta tranquilas, disposição de ambas as partes e afeto mútuo. Isso é sinceridade e transparência e, sem um nem outro, não há laço que se sustente, não há sorriso que se esboce, não há satisfação alguma.

Pare de tentar ajudar quem já deixou claro que não quer ajuda. Logicamente, devemos nos colocar no lugar do outro e tentar retirá-lo de situações que o afastem da felicidade. Porém, algumas pessoas não estarão prontas para saírem de sua zona de conforto, porque isso dói demais, uma vez que requer o enfrentamento de si mesmo, das próprias escuridões. Poucos se dispõem a essa batalha, preferindo iludir-se e afundar-se na comodidade incômoda da paralisia emocional. Após tentativas necessárias de nossa parte, será preciso que nos afastemos, ou adoeceremos.

Jamais sairemos perdendo quando estivermos agindo da melhor forma, na melhor das intenções. Entretanto, nem todo mundo conseguirá ser alcançado pelas mãos alheias estendidas bem ali na sua frente. Nem todo mundo saberá ser amado, ser perdoado, ser ajudado. Termos esse discernimento em muito nos ajudará a usarmos o nosso precioso tempo junto a quem tem amor de verdade dentro de si. Todos nós, afinal, merecemos nada menos do que estar perto de gente assim, quando assim também o formos.

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".


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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

É PRECISO SABER A HORA DE SAIR DE CENA - Marcel Camargo

Ter a consciência de que é chegada a hora de partir para outras paragens será um dos maiores bens que poderemos fazer a nós mesmos e a quem amamos de fato. Estender-se além do permitido, além do que já saturou e deu o que tinha que dar, em nada nos ajudará.

O momento certo de se retirar do emprego, de casa, de uma relação, equivale a salvar vidas: a nossa e a de quem se beneficia também. Ter a consciência de que é chegada a hora de partir para outras paragens será um dos maiores bens que poderemos fazer a nós mesmos e a quem amamos de fato. Estender-se além do permitido, além do que já saturou e deu o que tinha que dar, em nada nos ajudará.

Há pessoas que se recusam a se aposentar, agarrando-se ao serviço como algo sem o qual não se vive. Outros se aposentam, mas continuam na lida. Embora alguns ainda consigam se manter inteiros por anos e anos, muitos acabam por comprometer uma imagem que, até ali, era imaculada. Perdem-se por bobeira, por simplesmente não querer desfrutar de um descanso mais do que merecido. Mal sabem o tanto de vida que existe além dos escritórios.

Da mesma forma, existem os relutantes em aceitar que o relacionamento terminou, que a amizade extinguiu, que nada mais há a ser regado por ali, além de terrenos infecundos. A pouco e pouco, distanciam-se da própria dignidade, na luta vã por continuar namorando, casado, amigo que seja, quando não se encontram mais possibilidades de florescer afetividade naquele lugar.

E há quem não se permite desistir de nada nem de ninguém, como se alguma coisa ou pessoa nesse mundo fosse propriedade de outrem. Sentem-se donos do que, na verdade, a vida nos empresta, para que aprendamos que o aquilo é nosso de fato é tão somente o que possuímos aqui dentro de nossos corações, nada mais do que isso. Pessoas e coisas saem de nossas vidas, mas a essência do que foi verdadeiro jamais se despedirá de nossas almas.

A passagem do tempo carrega consigo muito do que achávamos ser eterno e imutável, obrigando-nos a nos despedir de muito daquilo que relutávamos em deixar para trás. Mas não tem jeito, o que tiver de ser, será; o que tiver que ir, vai-se; o que for para sempre, há de permanecer, mesmo que nas nossas mais doces lembranças. É preciso saber a hora de sair de cena, no palco e na vida. É assim que tudo de bom se eterniza onde existiu verdade e amor.

MARCEL CAMARGO
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

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sexta-feira, 16 de junho de 2017

BRIGAR COM QUEM A GENTE GOSTA É NECESSÁRIO; BRIGAR COM QUEM A GENTE NÃO GOSTA É PERDA DE TEMPO - por Marcel Camargo

"Nunca discuta com uma pessoa grosseira. Ela vai levar vantagem por ter experiência em ser estúpida." (Mark Twain)


Muita gente confunde aquilo que sentimos em relação a elas, baseando-se tão somente no que esperam receber dos outros, sem refletir sobre o que vem a ser a causa da forma como estamos nos comportando. Não gostar de alguém não significa que o trataremos mal, da mesma forma que não sorriremos o tempo todo às pessoas que nos são queridas.

Quando gostamos realmente de uma pessoa, estaremos querendo sempre o seu bem, torcendo para que ela alcance sucesso na vida, desejando o seu melhor em tudo. Por isso mesmo, então nos sentiremos na obrigação de alertar-lhe quando estiver caminhando por trilhas perigosas, por trajetos errados. Muitas vezes, inclusive, teremos que ser antipáticos, dizendo-lhe as verdades de uma maneira nada agradável, para que caia em si e se recomponha.

No entanto, essa pessoa poderá nos entender de forma errada, assimilando nossas advertências como se fossem implicâncias, como se não gostássemos dela. Muito pelo contrário, quanto mais amamos alguém, mais estaremos torcendo pela sua felicidade, o que requer que tenhamos que chamar a sua atenção, quando percebermos que seu comportamento a desviará da serenidade que desejaremos a ele.

Normalmente, tendemos a tentar ignorar as pessoas de quem não gostamos, de quem queremos distância. Como se nos preservássemos da maldade alheia, como um instinto de sobrevivência, somos levados a nos afastar daqueles que nos fazem mal, daqueles que nos ferem, não trazem nada de bom, não sabem o que é sorrir e não admitem ver ninguém sorrindo. Gastar energia e tempo com quem não merece equivale a masoquismo, além de ser inútil.

Sim, nós brigamos com as pessoas de quem gostamos, pois é assim que aparamos as arestas, é assim que o relacionamento se torna cada vez mais transparente e verdadeiro. Lutarmos para manter as pessoas queridas por perto requer discutir o que incomoda, o que atrapalha, pois é dessa forma que demoramos perto de quem a gente ama. Por isso é inútil brigar com os desafetos, simplesmente porque com eles não queremos ficar nem melhorar nada, e dificilmente conseguiremos, por mais que tentemos.

Não dá para explicar muito bem as razões de gostarmos ou não das pessoas, ou seja, cabe-nos sorrir sempre junto a quem traz verdade e, na medida do possível, bem longe de quem é atraso de vida.

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".


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segunda-feira, 3 de abril de 2017

A BELEZA DAS COISAS ESTÁ DENTRO DA GENTE


Algumas pessoas apreciam ver o Ipê florido. Outras, simplesmente amaldiçoam as suas flores caídas pelo chão. A beleza das coisas está dentro da gente.



Não dá para explicar direito o porquê de termos nossas atenções voltadas para certas pessoas, determinados momentos, como se nossos olhos fossem mecanicamente atraídos para aquilo que nos encanta. Não há, porém, nada de mecânico naquilo que enxergamos como belo, posto que se carrega de sentidos, de essência, de olhares de nossa alma.

A capacidade de se encantar, de olhar a tudo e a todos com olhos do bem, com o filtro da leveza e da compaixão, é um dos maiores presentes que podemos nos dar. E depende somente de nós encontrar o que é positivo, o que é belo, o que perfuma, mesmo em meio a dias traiçoeiros, ainda que a vida estiver teimando em dizer não. Enxergar o óbvio, sim, é mecânico e acaba por robotizar os nossos sentidos.

São tantos afazeres repetitivos e isentos de emoção pontuando nossa jornada; são tantas pessoas insípidas e ásperas atravancando os nossos passos, que, não raro, sentimo-nos propensos a embarcar nessa toada célere e fria do cotidiano entediante. Ainda mais com as contas se acumulando, as decepções se amontoando, os amores se evaporando, tudo parece tomar os contornos crus e inertes do desencanto.

Nesse contexto, quem muito sorri é tido por bobo, quem ama demais é tido como trouxa, quem é verdadeiro é tido como louco. Ser comedido é a ordem do dia, enquanto que o muito, o demais, soa a espetáculo, a insensatez, a desequilíbrio. A frieza e ponderação extremadas, o desapego total e o descomprometimento com o outro acabam por ultrapassar os limites da convivência minimamente harmônica, abrindo as portas ao egoísmo e ao pessimismo frente a quem ousa ter esperança.

Que não percamos nossa capacidade de nos encantar, de sentir prazer com o que estiver ali à frente, com o que temos junto a nós, com a vida enfim. O nosso olhar, a maneira como encaramos a vida é que determinará o tanto de felicidade que encherá os nossos corações. Em tudo o que acontece há lições, oportunidades e crescimento. Todas as pessoas possuem algo especial, mesmo que sejam exemplos de como não devemos ser.

Porque algumas pessoas apreciam ver o Ipê florido. Outras, simplesmente amaldiçoam as suas flores caídas pelo chão. A beleza das coisas está dentro da gente.


MARCEL CAMARGO
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".



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domingo, 5 de março de 2017

NEM SEMPRE O SILÊNCIO É ESQUECIMENTO - Por Marcel Camargo


O silêncio pode ser revolta, reflexão, solidão, desistência, desapego, ressentimento, ou até mesmo convicção. E quando o silêncio guarda o que temos de mais precioso, estamos então caminhando rumo ao alcance de nossos sonhos, para que possamos dividi-los com quem compartilhamos amor de verdade, e com ninguém mais.

Ao contrário do que possa aparentar, muitas vezes o silêncio tem muito a dizer, carregando em seu aparente vazio uma intensidade tamanha de sentimentos e de carga emocional muito mais significativa do que enxurradas de palavras ou gestos exacerbados. O silêncio pode acalmar, ferir, amparar ou até mesmo violentar, às vezes trazendo paz, outras vezes incitando tempestades - nem sempre o silêncio é pacífico.

O silêncio pode ser revolta, rebeldia, contrariedade contida. Nem sempre estamos prontos para expressar nossos pontos de vista, no sentido de verbalizar o que queremos, o que temos aqui dentro. Assim, mesmo que estejamos discordando de algo, silenciamos, pois nos falta a coragem necessária para que nos libertemos dessa prisão que nós próprios criamos, ou mesmo porque sabemos que qualquer tentativa de diálogo será inútil e cansativa naquele momento.

O silêncio também pode corresponder à reflexão, a um turbilhão de pensamentos pulsando dentro de nós. O pensamento e a fala devem conviver harmonicamente, de forma que um não atropele o outro, colocando-nos em situações constrangedoras. Palavras, após proferidas, não voltam mais, deixando suas marcas, muitas vezes negativas, nas nossas vidas e nas dos ouvintes. Pensar sobre o que se diz é necessário, pois, caso possamos machucar alguém ou a nós mesmos, sem razão, é preferível emudecer.

Às vezes, o silêncio é solidão, é vazio, solitude doída e emudecida. Mesmo acompanhados, ainda que em meio a muitas pessoas, podemos estar solitários, sentindo-nos sem acolhida, sem partilha, sem pertencimento. Como se não fizéssemos parte da vida do outro, como se fôssemos desimportantes, dispensáveis. Perdidos nessa irrelevância emocional, ruímos por dentro, minando nossa autoestima e nossa capacidade de ser feliz.

Outras vezes, o silêncio é desistência. Há momentos em que o mais prudente a se fazer é desistir de algo, de alguém, de tentar convencer, de querer amar, de clamar por atenção e reciprocidade. Certas situações nos pedem que partamos para outra, que canalizemos nossas forças e energias em direção ao que nos trará contrapartida, retirando-nos dos apelos vazios, da mendicância afetiva, pelo bem de nossa saúde física e de nosso equilíbrio emocional.

Silêncio, da mesma forma, pode significar desapego, libertação, livramento de amarras que nos impedem o caminhar tranquilo de nossa jornada. Precisamos nos despedir de tudo aquilo que pesa em nossos ombros, emperrando a visualização serena das possibilidades que nos aguarda o futuro. Temos que serenar a celeridade que intranquiliza os nossos corações, jogando fora bagagens sem as quais conseguiremos viver melhor.

O silêncio muitas vezes é mágoa, ressentimento, lamentação acumulada. Na impossibilidade de encontrarmos coragem de vivermos nossas verdades por inteiro, de refutarmos o que não nos completa, tampouco nos define, de impormos aquilo em que acreditamos, sufocamos nossos sentimentos mais íntimos sob a infelicidade de aparências condizentes com o que todo mundo espera - exceto nós próprios. Nesses casos, o calar-se equivale ao crepúsculo moroso de nossa existência.

Felizmente, no entanto, o silêncio também pode - e sempre o deveria - implicar felicidade, certezas, convicção e força. Sabermos os momentos certos para calarmos e guardarmos para nós aquilo que pensamos nos salva de problemas dispensáveis com gente que não significa nada na nossa vida. Quando estamos seguros quanto ao que somos, quanto aos nossos sonhos e planos de vida, nenhum barulho é capaz de abalar as nossas verdades, minimamente que seja. Quando o silêncio guarda o que temos de mais precioso, estamos então caminhando rumo ao alcance de nossos sonhos, para que possamos dividi-los com quem compartilhamos amor de verdade, e com ninguém mais.


"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".
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