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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

DEZ ANOS APÓS TUA PARTIDA – Geraldo Maia

Dez anos após tua partida

Já terás esquecido as palavras duras que te

Disse pela internet quando me abandonaste de súbito
E me excluístes definitivamente de tua vida
E já terás casado com teu amante e juntos contemplam
os filhos que tanto quiseste ter comigo antes
De me traíres com todo o teu poder de aço
Teus filhos nunca saberão daquele dia em que
Foste fazer uma inocente visita de alguns dias
à tua amiga de infância que na verdade era
apenas uma cafetina para te agenciar na nova 
profissão que escolhestes e que nada
te cobrou pelo parente que agenciou para ti
Teus filhos nunca saberão que em tua nova casa
Fizeste sexo com gosto de culpa e gelo
Logo após gozares o teu falso amor comigo
Teus filhos nunca saberão que teu
amante te anestesiou com cédulas de 
sedução assim que o beijastes com um gosto 
de restos de passado e covardia
E então fostes a mais feliz das mulheres
Aquela que nunca conseguistes ser comigo
A não ser quando mentias em nossa cama
Apenas pelo prazer com que a mentira fere
Eu sei que meu nome nunca será
Pronunciado em tuas noites de solidão
e remorso nem teu sorriso iluminará o abismo
onde jogastes teu coração para bem longe do meu 
que cuidava das feridas em teus olhos 
fatigados de trevas e violências
Mas agora todas as instâncias de ser
feliz te contemplam na sala de jantar
onde serves o alimento de tua felicidade
e recebes o pagamento que nunca te cabe
a não ser quando cospes enojada o que
restou de mim em tua memória aturdida
por ter sido eu tão cruel com tua frágil
canção de mentiras que ainda pesa em tua 
alma a dureza da sentença com 
que me executastes 
E nessa altura teus filhos já devem
estar bem crescidos e lindos como são
os filhos do nosso cansaço e medo
Não te culpo por fugires das ameaças
da noite em que estavas enterrada desde
que te acostumaste com os látegos
que te oprimiam o voo para o infinito
Agora são teus filhos que te devolvem a
Infância nas brincadeiras de viver
e nas cantigas de tecer o sonho
Teus filhos se tornaram os personagens
principais de tuas histórias de esquecer
Posso até sentir daqui de bem longe
o ritmo de suas asas ensaiado o tempo
E o calor de tua carícia embalando as
primeiras sílabas da manhã
E quando o teu amante chega do 
trabalho estás com tua nudez requentada
e logo servida com respingos de razão
Nesses momentos dirás para ti mesma
que valeu a pena a dor inevitável do abandono
Afinal alguém teria que sofrer e portanto 
soaria como uma dádiva ou o álibi perfeito
que tua vitória crava em teu sorriso 
e quanto mais o teu amante te penetre 
o pântano de tuas certezas mais feliz te sentes
sem o meu pranto explodindo tuas defesas
e reduzindo a razão a um monte de 
consciência estragada e retorcida
Depois de dez anos está já bem
consolidada a tua feliz farsa e 
podes olhar para teus filhos por trás
dessa fortaleza de indiferença que te
sustenta como se fossem pedaços
de mentiras recém nascidas
com um leve sabor de saudade.


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Geraldo Maia, poeta
Estudou Jornalismo na instituição de ensino PUC-RIO (incompleto)
Estudou na instituição de ensino ESCOLA DE TEATRO DA UFBA
Coordenou Livro, Leitura e literatura na empresa Fundação Pedro Calmon
Trabalha na empresa Folha Notícias.

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