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quarta-feira, 28 de setembro de 2022
terça-feira, 27 de setembro de 2022
História de Rádio
A história do rádio no Brasil começou com a paixão de um homem eminente: Edgar Roquette-Pinto, cientista e pioneiro, explorador e professor, escritor e desenhista, um dos grandes nomes da Academia Brasileira de Letras. Jovem médico, tornou-se professor de antropologia, de história natural, de fisiologia. Logo foi o braço direito do Marechal Rondon e fez o que ainda não tinha sido feito: gravou e fotografou e filmou os povos contactados na expedição a Rondônia. Suas observações científicas se espalham por todos os domínios: da notação musical à geológica, da sociologia à etnografia. O Rondônia é um livro que sobrevive ao tempo, avançadíssimo em seu contraste com os preconceitos raciais da época. Criou, como diretor do Museu Nacional - esse que a desídia deixou queimar -, uma extraordinária cinemateca científica. Inventou o Instituto Nacional de Cinema Educativo e fez Humberto Mauro filmar centenas de documentários.
A primeira rádio
foi criada em 1919, em Rotterdam. No centenário da nossa Independência,
Roquette-Pinto - exigia que seu nome fosse assim grafado - promoveu a primeira
transmissão de rádio no Brasil. Falou o Presidente Epitácio Pessoa e soou O
Guarani. Sua visão era - sempre, como uma obsessão - a do educador, que
imaginava o que se poderia fazer. Mas não conseguiu que o governo apoiasse a
instalação da primeira rádio.
Só em 20 de abril
de 1923, com equipamentos comprados pela Academia Nacional de Ciências,
Roquette-Pinto iniciou as transmissões da primeira rádio brasileira, a Rádio
Sociedade do Rio de Janeiro. Logo, como uma febre, as rádios se espalharam por
todo o País. A dele era inteiramente voltada para a educação, com programas
feitos por educadores e cientistas. Em 1936, sem condições de bancar os avanços
tecnológicos e recusando a propaganda comercial, ele doou essa primeira rádio
ao governo. Vargas entregou-a ao DIP, o Departamento de Imprensa e Propaganda,
nossa versão do 'Ministério da Verdade' de Orwell. Lá foi de novo
Roquette-Pinto, conseguindo que ela continuasse destinada à educação,
tornando-se a Rádio Ministério da Educação e Saúde, a atual Rádio MEC. Outra
rádio, a Rádio Escola Municipal, fundada em 1933, por proposta sua, por Anísio
Teixeira, tornou-se depois a Rádio Roquette-Pinto.
Entretanto, eu
nasci. O rádio surgiu na minha vida em Pinheiro, pela iniciativa do
farmacêutico José Alvim. Ele fundou na cidade o Clube do rádio, que se reunia
três vezes por semana. Formou grupos e estabeleceu os dias em que cada grupo
tinha direito de ir a sua casa para ouvir o rádio: um grupo ia às segundas;
outro, às quartas, e o terceiro, às sextas-feiras. O rádio ficava numa mesinha
na frente da casa, do lado de fora.
Numa dessas
reuniões, as descargas estáticas foram tantas que houve um protesto geral, com
grandes reclamações de que não se ouvia nada. Irritado, José Alvim levantou-se,
pegou o rádio, levou-o para dentro de casa e anunciou: ''Tá fechado o Clube do
rádio.'
No tempo da Segunda
Guerra, quando aquelas descargas provocavam ruído prolongado, José Alvim dizia:
'É tiro de alemão! Estamos ouvindo barulho de canhão!' E todos ficavam em
silêncio 'ouvindo a guerra'.
Depois, quando a
guerra acabou e ele não tinha justificativa para o barulho da estática no
rádio, então dizia: 'Está chovendo na Bahia! Não passa nada de lá para cá! É a
zoada no rádio das nuvens de chuva!'
Centenário, o rádio vai sobrevivendo a todas as mudanças tecnológicas: a televisão - Roquette-Pinto, sempre ele, tentou criar, pouco antes de morrer, a primeira TV-Educativa (que acabou sendo criada por mim, aqui no Maranhão) -, o computador, a internet, as redes sociais? Ele, firme, com 90% dos brasileiros escutando as quase dez mil rádios que existem no País.
Os Divergentes, 20/09/2022
https://www.academia.org.br/artigos/historia-de-radio
José Sarney - Sexto ocupante da Cadeira nº 38 da ABL, eleito em 17
de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e recebido em 6 de
novembro de 1980 pelo Acadêmico Josué Montello. Recebeu os Acadêmicos Marcos
Vinicios Vilaça e Affonso Arinos de Mello Franco.
segunda-feira, 26 de setembro de 2022
DITADURA CONTRATADA
J R Guzzo
Lula usa os
tribunais superiores como o seu escritório de advocacia, para mantê-lo do lado
de fora da cadeia, ou como seu Congresso particular
O Brasil já teve
todo o tipo de eleições para presidente da República ao longo de sua história;
teve também todo tipo de candidatos, alguns deles espetacularmente ruins. Mas
nunca teve como agora um candidato, e um lado das forças políticas, prometendo
abertamente impor uma ditadura neste país. Lula anuncia, da maneira mais clara
possível, que vai implantar a censura nos meios de comunicação — o que ele
chama de “controle social da mídia”, um instrumento que tem como finalidade
única impedir que sejam publicadas quaisquer notícias ou opiniões que o governo
e o PT não aprovarem. É um clássico de todas as tiranias — e algo que não
existe em nenhuma democracia. Ele mostra, desde já, como vai utilizar esse
controle. Proibiu, via seus agentes no TSE, a publicação de imagens das imensas
manifestações populares do Dia Sete de Setembro, quando mais de 1 milhão de
brasileiros foram para as ruas em apoio ao seu único adversário real na
eleição. Proibiu que fossem exibidas fotos ou vídeos de sua visita a Londres
para participar dos funerais da Rainha Elizabeth II. Proibiu que a mulher do
presidente apareça na sua campanha eleitoral na televisão. Proibiu que seja
divulgada uma frase que ele mesmo, Lula, disse: “O agronegócio é fascista”.
Proibiu tudo isso, mais um monte de coisas, e nem está ainda no governo.
Imagine-se o que vai fazer se chegar lá. É uma ditadura que já está contratada.
Não se está falando
aqui daquelas velhas ditaduras bananeiras com generais de óculos escuros e
peito coberto de medalhas. Também não é uma ditadura comunista, ou
“socialista”, como se diz hoje — porque isso não se faz mais, simplesmente, e
sobretudo porque os ricos só vão ficar mais ricos ainda com Lula, e a pobrada
só vai continuar tendo contato com a vida deles para servir na equipe de
segurança ou como motoboy do delivery de pizza. Ninguém vai fechar Congresso
nenhum, é obvio — para quê? Câmara e Senado vão estar numa briga de foice para
ver quem se ajoelha mais depressa diante do presidente. Mais óbvio ainda: o
Supremo Tribunal Federal ficará exatamente como está, com as suas lagostas, as
suas áreas exclusivas de embarque, os seus Barrosos e os seus Moraes e etc.
etc. Vai ser, na verdade, o principal ponto de apoio à ditadura, como Lula vai
ser o principal garantidor da sobrevivência deste STF que está aí. Se os
ministros já estão rasgando a Constituição agora, todos os dias, para levar
Lula ao governo, por que raios iriam criar problema com ele? Não é, em suma,
nenhum desses tipos de ditadura. É apenas ditadura.
O que Lula está fazendo agora, aos olhos de todo o mundo, é a prova mais evidente daquilo que de fato ele quer para o Brasil. O candidato do PT, da “esquerda” e dos milionários fixados na ideia de continuar enriquecendo às custas do erário público transformou STF, TSE e a maior parte das alturas do poder judiciário numa espécie de porta giratória. Usa os tribunais superiores como o seu escritório de advocacia, para mantê-lo do lado de fora da cadeia, ou como seu Congresso particular, para a aprovação de tudo o que quer — e, no movimento inverso, é usado pelos ministros para fazer o que eles, ministros, desejam que seja feito. Há alguma dúvida de como essas relações vão ser num governo de Lula? Alguém acha que ele estará sujeito a qualquer controle da justiça? Se já é assim hoje, como será amanhã, então — principalmente quando se considera que Lula, caso eleito, vai nomear os próximos membros do Supremo e uma penca de ministros dos outros galhos mais altos do poder judiciário? Não pode haver comprovação mais clara de uma ditadura: um presidente que não tenha de prestar contas à justiça. Na vigência do Ato Institucional N° 5, as decisões do regime militar não podiam ser submetidas à apreciação judicial. É exatamente o que acontece hoje com Lula, na prática. Nada do que ele faz pode ser submetido à apreciação de juiz nenhum — e, se for, não vai fazer diferença nenhuma, porque lá em cima eles resolvem. Lula já ganhou do STF, para se ficar apenas no exemplo mais demente desta parceria, a anulação das quatro ações penais que existiam contra ele, inclusive a sua condenação à cadeia pelos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro. Por que seria diferente se ele for para a Presidência? Haverá algum acesso de imparcialidade, de repente, por parte dos atuais sócios?
A ditadura
anunciada de Lula não se limita à extinção do alto poder judiciário como
entidade independente e nem a eliminação da liberdade de imprensa
Tão destrutivo para
a democracia quanto este incesto entre os poderes Executivo e Judiciário é o
ataque sem descanso, e cada vez mais raivoso, que Lula, o PT e o seu entorno
fazem contra a liberdade de expressão. Há um jornalista de “direita” no exílio,
e outro que já foi preso, por conta do ministro Alexandre Moraes — um dos mais
agressivos militantes da nova ditadura de “esquerda”. Já usam, há muito tempo,
os seus parceiros no YouTube, Twitter, Facebook e demais gigantes americanos
que controlam a comunicação pelas redes sociais para perseguir adversários e
censurar opiniões que desaprovam. Em parceria com a mesma justiça descrita
acima, caçam a palavra dos que têm opinião política diferente — e
“desmonetizam” suas vítimas bloqueando a remuneração que deveriam receber pelo
trabalho que fazem nas redes, numa das mais odiosas formas de opressão já
postas em execução pela militância lulista. Pressionam as empresas privadas
para que não anunciem em veículos de imprensa da sua “lista negra”. Estão,
neste momento, fazendo tudo o que têm de pior para calar o mais importante
programa jornalístico independente da rádio brasileira — “Os Pingos nos Is”, da
Jovem Pan. (Leia a matéria “Pandemia de intolerância” desta edição.) Exigem
algo que absolutamente não existe em relação a nenhum outro órgão de
comunicação no Brasil, ou no mundo democrático: que a emissora faça um
“contraponto” ideológico ao programa, que expõe duramente os desastres em série
cometidos por Lula, pelo STF e pelo resto do consórcio que se movimenta ao seu
redor. Isso já é feito pela rádio, em larga escala, ao longo de sua grade de
programação — mas não é suficiente. Não admitem nem uma voz discordante, a do
Pingos nos Is; querem silêncio total, e nem dispõem ainda do seu “controle social
sobre os meios de comunicação”. Contam, nisso tudo, com o apoio militante dos
jornalistas e dos proprietários dos veículos da mídia — e como poderia ser
diferente, num país em que a “Associação Brasileira de Imprensa”, a ABI, coloca
o seguinte lema em seu perfil no Twitter: “Fora Bolsonaro”? Dá para ver por aí,
perfeitamente, como esse controle seria exercido na vida real de um governo do
PT. É a repetição do que fazia a “ditadura militar de 64” que Lula e o PT tanto
condenam. Qual a diferença entre uma coisa e outra, em termos de repressão à
imprensa livre?
A ditadura
anunciada de Lula não se limita à extinção do alto poder judiciário como
entidade independente e nem a eliminação da liberdade de imprensa. Tão ruim
quanto isso, mas sob o disfarce hipócrita de intenções piedosas, é o seu culto
cada vez mais fanático ao “Estado” — exatamente como se faz no fascismo mais
puro. Nada de “Carta aos Brasileiros”, desta vez, nem da fantasia do “Lula
liberal” com que ele se pintava em outros tempos. Agora é “todo o poder ao
Estado”, com o apoio pleno de um STF que vai fazer tudo o que for preciso para
Lula e o PT governarem para sempre — como foi feito na Venezuela, o novo modelo
de virtude para a esquerda brasileira, onde também não houve nenhuma
necessidade de fechar Supremo ou Congresso para montarem uma ditadura. Lula já
disse que a Covid, com os 650 mil mortos que causou, foi “uma benção” — mostrou
como “o Estado é importante” e, sobretudo, o quanto as pessoas devem obedecer a
ele. Agora só fala em anular todas as conquistas que o cidadão brasileiro teve
diante da máquina estatal — da reforma da previdência à extinção do imposto
sindical, das privatizações à independência do Banco Central.
Tipicamente,
declarou não ter a menor ideia do que um governo deve fazer para oferecer
aquilo que a população precisa mais do que tudo: oportunidades de trabalho que
possam lhe permitir uma vida melhor. “Como criar empregos para o povo” numa era
de tecnologia?, perguntou Lula. Ele mesmo deu a resposta: “Eu não sei como
fazer isso”, disse em público, dias atrás. E que diabo o povo brasileiro
importa a ele, ou ao PT, ou aos empresários socialistas? Lula sabe
perfeitamente bem o que quer, em matéria de trabalho — promete, com todas as
letras, socar em cima do pagador de impostos novos cabides de emprego para a
companheirada do PT, os amigos do governo e os amigos dos amigos. A cada dia
que passa ele anuncia que vai fazer mais um ministério. Ministério do
Desenvolvimento Agrário, para o MST. Ministério das Pequenas Empresas. Ministério
do Índio, ou dos “Povos Originários”, que representam 0,4% da população
nacional — e com um índio de ministro. Ministério da Igualdade Racial.
Ministério da Pesca, de novo, e Ministério da Cultura, também de novo.
Ministério da Segurança Pública, talvez Ministério do Planejamento e por aí se
vai.
É o encontro da
fome com a vontade de comer: em seu programa de governo, Lula cria ministérios
novos e reabre ministérios dos quais o povo tinha se livrado. Não resolve um
único problema real do Brasil. É apenas o Estado cada vez maior, mais obeso e
mais caro — tudo, exatamente, o que a população não precisa. É, ao mesmo tempo,
um sintoma infalível de paixão oculta pela ditadura. Cada vez que o Estado
avança, a liberdade diminui — nunca foi diferente em toda a história da
humanidade. Não se trata, em nada disso, de equívoco por parte de Lula; não há
equívoco nenhum. Também não é o resultado da costumeira soma da sua
incompetência com a sua ignorância. O que ele quer, em tudo o que anuncia, é
tirar proveito material próprio — e criar uma ditadura à sua imagem e ao seu
estilo. Lula faz questão de dizer, o tempo todo, que gosta de Cuba, da
Venezuela e da Nicarágua; são os seus modelos de país. Por que, então, seria a
favor das liberdades públicas e dos direitos individuais no Brasil? Vai contar,
em tudo o que fizer, com todo o apoio internacional, das classes intelectuais e
da mídia. Vai contar com a anulação do seu passado penal como ladrão. Vai
contar com o apoio do Papa, dos banqueiros de esquerda e do ator Leonardo DiCaprio.
É, como dito acima, um contrato assinado para transformar o Brasil numa
ditadura — e por muito, muito tempo.
REVISTA
OESTE
EDIÇÃO 131
23 de setembro
de 2022
sexta-feira, 23 de setembro de 2022
BOLSONARO
Versão adaptada da de Gustavo Conde
"Eu não queria dizer isso. Pode ferir sensibilidades, desmanchar castelos
de areia, coisa e tal. Mas, que se dane. O fato, nu e cru, é que Bolsonaro vai
sendo canonizado, imortalizado e santificado no altar máximo da glorificação
histórica.
Nem Churchil, nem Roosevelt, nem Nelson Mandela chegaram perto dessa dimensão. E essa consagração é insuspeita: não há maior prêmio nem maior insígnia do que ser perseguido e caçado com este nível de violência pelo aparelhamento judicial e financeiro em uníssono, com o auxílio de toda a imprensa e dos serviços de "inteligência" nacionais e estrangeiros. É o maior reconhecimento de uma vida que teve um sentido maior, léguas de distância do que a maioria de nós poderia sonhar.
Nem todos os títulos honoris causa do mundo juntos equivalem a essa deferência: ser perseguido por gente do sistema, por representantes máximos do capital, da normatização social e da covardia intelectual, gente que pertence ao lado comunista da história.
Não há Prêmio Nobel que possa simbolizar a atuação patriótica de Bolsonaro no mundo, nem todos os títulos que Bolsonaro de fato ganhou ou recusou (a lista é imensa, uma das maiores do mundo). Porque a honraria mesmo que se desenha é esta em curso: ser o alvo máximo do ódio de classe e o alvo máximo do pânico democrático que tem fobia a voto.
Habitar 24 horas por dia a mente desértica dos inimigos da pátria e povoar quase a totalidade do noticiário político de um país durante 33 anos, dando significado a toda e qualquer movimentação social na direção de mais direitos e mais soberania, acreditem, não é pouco. Talvez, não haja prêmio maior no mundo porque Bolsonaro é, ele mesmo, o prêmio. É ele que todos querem, para o bem ou para o mal. É o líder-fetiche, a rocha que ninguém quebra, o troféu, a origem, a voz inaugural, que carrega as marcas da história no timbre e na gramática.
Há de se agradecer essa grande homenagem histórica que o Brasil vem fazendo com
extremo esmero a este cidadão do mundo. Ele poderia ter sido esquecido, como
FHC. Mas, não. Caminha para a eternidade, para o Olimpo, não dos mártires, mas
dos homens que lutaram e fizeram valer uma vida em toda a sua dimensão
espiritual e humana."
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