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quinta-feira, 22 de setembro de 2022
quarta-feira, 21 de setembro de 2022
A Disputa
Cyro de
Mattos
A terra era fértil, o que se plantava vingava com
sobras. Quando havia disputa por um estirão
de terra, a contenda era feroz. “É meu!”, um dizia, “eu descobri primeiro!”,
outro alardeava. Os demais não aceitavam, todos se achavam o protagonista da
façanha.
A refrega começava, os ventos ficavam irascíveis, provocavam
assombros, escombros, feridos e mortos.
Os mais velhos diziam, somente um vai tirar a caça da mata,
quando encontra, abate-a, nem pode comemorar. Aparece muitos como o verdadeiro
caçador. A discussão começa, tomava o formato de disputa ferrenha.
Era sempre assim, depois de morta a caça aparecia era
caçador. O combate se fazia feroz, enquanto a caça apodrecia, e as garras do
ocaso a levavam para fazer reinar o entendimento entre eles.
E as trevas fossem
banidas do coração de cada um deles, em batimentos que levavam para a destruição
de todos os contendores na disputa feia.
Cyro de Mattos é jornalista, cronista, contista,
romancista, poeta e autor de livros para crianças. Membro efetivo da Academia
de Letras da Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de
Itabuna. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz.
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segunda-feira, 19 de setembro de 2022
O dia em que apertei a mão da rainha Elizabeth II
Arnaldo Niskier
Soberana veio ao
Brasil em 1968
Uma das alegrias
que tive como secretário de Ciência e Tecnologia da antiga Guanabara foi ter
apertado a mão da rainha Elizabeth II, na sua única visita ao Brasil, em 1968.
Ela foi recebida no Museu de Arte Moderna, num simpaticíssimo almoço. Esperei
pela soberana do Reino Unido ao lado do colunista Ibrahim Sued, com quem
treinei o clássico 'Nice to meet you'. Ela nos cumprimentou na entrada do
restaurante, sempre sorridente. Da recepção fazia parte o governador Negrão de
Lima, que, como embaixador, tinha todo o traquejo diplomático exigido para
aquelas ocasiões.
Acompanhada do
príncipe Philip, a rainha Elizabeth II tinha uma agenda lotada, em que se
incluíam uma visita ao presidente Costa e Silva e a presença em locais
históricos, como o Monumento do Ipiranga, em São Paulo, e o Mercado Modelo, em
Salvador. Não deixou de afirmar que 'os nossos dois povos estão voltados aos conceitos
básicos de justiça, liberdade e tolerância'.
Em São Paulo,
presidiu a cerimônia de inauguração do Museu de Arte de São Paulo (Masp). No
Rio, esteve no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro, e
prestigiou a Igreja Anglicana, em Botafogo. Visitou o Morro Dona Marta, fez um
passeio de Rolls-Royce pela cidade e compareceu ao Maracanã para assistir ao
amistoso Rio-São Paulo, em que afirmou se sentir muito feliz por cumprimentar o
nosso craque Pelé. No dia seguinte, partiu para a Argentina.
O novo rei inglês é
conhecido pelo seu amor ao meio ambiente. Afirma-se que não é seu propósito
ficar muito tempo no posto, mas isso ainda é uma dúvida. A imagem do rei
Charles III substituirá a imagem da sua mãe nos selos reais e nas notas do
Banco da Inglaterra. As palavras dentro dos passaportes britânicos serão
atualizadas para 'sua majestade' no masculino (em inglês, a expressão tem
gênero e será mudada de 'her majesty' para 'his majesty'). E o trecho do Hino
Nacional que diz 'Deus salve a rainha' será mudado para 'Deus salve o rei'.
O presidente da
França, Emmanuel Macron, afirmou que Elizabeth II manteve a unidade da nação
britânica por mais de 70 anos, superando os limites até da célebre rainha
Vitória. A nova primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, disse que ela foi
a rocha sobre a qual a nação foi erguida.Apesar das crises internas da família
real, Elizabeth II resistiu até os 96 anos. Em 8 de setembro de 2022, a rainha
morreu no Castelo de Balmoral, na Escócia, numa residência de férias. Na data
da morte, o comunicado feito por meio das redes sociais do Palácio de
Buckingham diz: 'A rainha morreu em paz'. Preservou com brilho a confiança na
monarquia. É claro que deixará saudades.
O Globo, 15/09/2022
https://www.academia.org.br/artigos/o-dia-em-que-apertei-mao-da-rainha-elizabeth-ii
Arnaldo Niskier - Sétimo ocupante da Cadeira nº 18, eleito
em 22 de março de 1984, na sucessão de Peregrino Júnior e recebido em 17 de
setembro de 1984 pela acadêmica Rachel de Queiroz. Recebeu os acadêmicos Murilo
Melo Filho, Carlos Heitor Cony e Paulo Coelho. Presidiu a Academia Brasileira
de Letras em 1998 e 1999
* * *
sábado, 17 de setembro de 2022
Os dados não mentem!
Bolsonaro surpreende o mundo...
Foto Reprodução/Internet
Uma das maiores
dificuldades que temos quando estamos no curso de um processo eleitoral, é
fazer uma distinção entre o "gestor" eficiente e competente do personagem
que é o "candidato".
Ou seja, enquanto o
gestor é um agente político, o candidato é um agente eleitoral, ou seja, um
"ator".
Saber separar um do
outro é fundamental.
Tenho ouvido muito,
sobretudo de algumas mulheres com as quais convivo, que não votam no Presidente
Bolsonaro em razão dele ter um comportamento até certo ponto
"impulsivo" e "grosseiro".
Então, é hora de
fazermos uma leitura para diferenciar as coisas.
O candidato tem
seus defeitos, sim.
Como todos
nós.
Mas se mostra um
gestor talentoso?
Se a resposta for
sim, ou seja, se governa bem, cumprindo os compromissos que assumiu e se
apresenta eficiência e resultados positivos, que influência ou relevância seu
temperamento tem na condução do seu mandato e nos resultados do seu
governo?
A resposta é:
nenhuma!
Inegavelmente o
Presidente Bolsonaro faz uma excelente gestão, com dados que surpreendem o
mundo, tanto na economia como em qualquer dos setores do seu governo.
Basta que
analisemos os números e os dados oficiais.
Então, o fato dele
ser grosseiro ou falar muitas vezes o que não precisa, não tem nenhum reflexo
ou peso na sua capacidade de governar e de comandar sua equipe.
Vamos lá para um
exemplo?
Você tem que escolher
alguém para conduzir seus negócios, dirigir seu carro com sua família dentro ou
cuidar do seu patrimônio.
E os dentre os dois
principais candidatos, um é irresponsável, esbanjador, já foi condenado, é
cachaceiro e bebe em serviço, ladrão e mentiroso. Defende as ditaduras, o
aborto, é niilista.
Mas é um ladrão
simpático que tem o dom de iludir e se cerca de uma camarilha.
Já o outro é
responsável, cuidadoso, honesto, franco, nunca foi condenado, defende a
família, a vida, não rouba, não mente e tem um histórico de bons resultados em
tudo o que faz.
É disciplinado, tem
fé e sabe delegar e escolher bons assessores.
Mas por vezes é
ranzinza e grosseiro.
Quem você
escolheria dentre os dois?
O fato do segundo
não ser simpático, influenciaria sua decisão de eleger o melhor?
Que importância ou
valor tem o seu temperamento nos resultados do seu governo?
A capacidade de
sabermos distinguir o gestor político do personagem eleitoral é fundamental
para o seu e para o nosso futuro.
Pense nisso, pois
na verdade, a relação que vamos ter com o próximo Presidente, não vai ser de
natureza pessoal, já que não vamos conviver com ele nas nossas casas.
Mas as condutas e o
governo dele, sim, entrarão e darão o ritmo nas nossas vidas, todos os
dias.
Cuide para não
eleger um bagaço que seja só um bom malandro e que possa nos jogar literalmente
no mato e arruinar nosso futuro!
Editorialista do Jornal da Cidade Online. Advogado membro do Conselho Gestor da Nemetz, Kuhnen, Dalmarco & Pamplona Novaes, professor, autor de obras na área do direito e literárias e conferencista. @LCNemetz
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