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sexta-feira, 16 de setembro de 2022
Considerações sobre o legado de Jorge Amado
e assuntos da Academia de Letras de Itabuna
Cyro de Mattos
Em Os
saberes nas narrativas de Jorge Amado procuro dar um testemunho crítico sobre o
legado ficcional de Jorge Amado, a exemplo do que fiz com o livro As criações
de Adonias Filho, publicado pela Academia Brasileira de Letras, obra em que
abordo aspectos da ficção adoniana e que recebeu há pouco tempo uma edição
digital pela E. Book Ufba Linguagens, do editor e crítico Cid Seixas.
Concebi o livro em que analiso a obra de
Jorge Amado como incursões que faço na linguagem e no imaginário de um narrador
poderoso, que sabe articular como poucos na trama as marcas da solidariedade,
do saber e do humor, logrando extrair da vida real a esperança e a ternura de
seus personagens, os que vivem como excluídos nas camadas populares. Esse consagrado romancista faz com que as
cenas dramáticas retiradas do plano real apareçam no texto mescladas com um mundo
fantástico cheio de episódios extraordinários. Informo que são incursões essas
realizadas por um ficcionista experimentado, que não usa o achismo para opinar
sobre a ficção de um autor de linguagem sensual, fecunda imaginação, quando
recria a vida com a arte bem-sucedida da escrita, como só poucos sabem
fazer.
Sempre
gostei de crítica e de ensaio literário. Cedo escrevi ensaios divulgados em
revistas e jornais literários importantes.
Com este livro sobre o legado de Jorge Amado alcanço a marca de cinco
livros no gênero ensaio. Sempre soube que para analisar uma obra literária o
autor do texto deve ter instrumental teórico suficiente, intimidade com as
questões estéticas e ser eficiente no julgamento, além de possuir uma boa
cultura literária. No final desse livro
sobre a obra de Jorge Amado, registro alguns autores que me dão suporte na
missão de ensaísta, como Octavio Paz, Ezra Pound, Ítalo Calvino, Kaiser,
E. M. Forster, Emil Staiger, Afrânio
Coutinho e Eduardo Portella, entre outros. Com eles aprendi o que de melhor
deve ser absorvido para se analisar obras de ficção e de poesia escritas por autores representativos.
Junte-se a isso a experiência que tenho como ficcionista, ao longo de mais de
60 anos, o que me faz dotado, permitam-me, de pressupostos e requisitos para escrever
livros de ensaio sobre ficcionistas e poetas expressivos. Diria então que meu
estilo é eclético nesse livro de ensaios sobre a obra amadiana, no qual entram
a compreensão e a abrangência do fazer literário.
Os saberes nas
narrativas de Jorge Amado é um livro editado pela Fundação Casa de Jorge Amado
(Salvador), o prefácio “Cyro de Matos e Jorge Amado: um encontro grapiúna” vem
assinado por Nelson Cerqueira, doutor em Letras, poeta e ficcionista, da
Academia de Letras da Bahia, e o posfácio “Cyro de Mattos pisando chão
verdadeiro” é de Ângela Fraga, escritora e diretora da Fundação Casa de Jorge
Amado. Já escrevi sessenta e dois livros pessoais, de diversos gêneros, como o
conto, romance, crônica, poesia, ensaio e literatura infantojuvenil. Organizei
ainda cinco antologias e cinco coletâneas. Tenho quinze livros publicados por
editoras europeias.
Enquanto
isso, o Hino Oficial da Academia de Letras de Itabuna (ALITA) tem dois autores.
Marcelo Ganem é o compositor da música, a letra é de minha lavra. A parceria deu-me alegrias, pois Marcelo
Ganem é um dos bons cantores das gentes e coisas da nossa terra, um poeta do
som, alma sensível alimentada de lindas notas líricas. Quanto à minha
participação na elaboração da letra é pela simples razão de querer ser útil
quando faço versos. Daí dizer no final da letra do hino: “Tudo vale/ tudo anda
com Deus/Que nos deu a razão e a emoção/ O sentido de viver com o amor/ Pra
dizer o que vem do coração.”
Sobre a
Guriatã, a revista já se tornou uma marca positiva nas produções da Academia de
Letras de Itabuna pela riqueza de seu conteúdo.
Nesses três números em que funcionamos como o editor da revista, a
maioria dos seus colaboradores foi constituída dos membros da instituição, cada
um deles na afirmação e autonomia de suas qualidades literárias. A revista tem
sido elogiada em importantes ambientes literários, fora da região, e por
escritores de valor indiscutível, como Muniz Sodré, Nelson Cerqueira, Ivo
Koritowsky, Aramis Ribeiro Costa e Gerana Damulakis, entre outros.
Cyro de Mattos - escritor e poeta. Primeiro Doutor Honoris
Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de
Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia
de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.
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quinta-feira, 15 de setembro de 2022
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quarta-feira, 14 de setembro de 2022
sábado, 10 de setembro de 2022
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: Amor e Medo -Casimiro de Abreu
AMOR E MEDO
Casimiro de Abreu
I
________
Casimiro de Abreu (Casimiro José Marques de Abreu), poeta, nasceu em Barra de São João, RJ, em 4 de janeiro de 1839, e faleceu em 18 de outubro de 1860. É o patrono da cadeira n. 6 da Academia Brasileira de Letras, ABL, por escolha do fundador Teixeira de Melo.
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O Duelo
Cyro de Mattos
Tinham começado o duelo desde não sei quando. O bem achava que a vida era boa e bela, muita gente devia se interessar por ela. Nada disso, o mal dizia que a vida era ruim e feia, viver com as amargas ela sempre aprovou, o fel ao invés do mel.
O bem achava
que a vida devia pender para o sabiá, enquanto o mal não aceitava isso sob
qualquer argumento. Devia pender para o urubu, como sempre acontecia. O bem
bradava que a liberdade é o valor mais importante da vida. O mal sorria fazendo
uma careta. Assegurava que a lei do mais forte é a correta, nos hábitos e
costumes só há sobrevivente quando a regra a seguir consiste em fazer valer o
império dos abonados perante os excluídos.
O bem dizia
que o amor é o sentimento mais forte, o mal rebatia, adiantando que a maioria
vive enganada, o casal só percebe o erro quando enfrenta a dura lei da vida. O
bem retornava, dizendo que o inocente era para ser sempre absolvido, o mal
contrapunha, afirmando quem manda é o que está por cima, é o vitorioso, não
importa o crime fútil que tenha executado.
Não
encontravam um meio termo para frear as discussões acaloradas, sem fim.
Decidiram que um duelo mostraria quem estaria com a razão. No dia aprazado, o
juiz demarcou o terreno com uma corda de vinte metros, ao comprido. Cada um ocupava
agora seu lugar no extremo da corda. O bem no ponto em que o sol nascia. O mal
no ponto em que a noite abarcava o dia.
O juiz trilou
o apito. Ao mesmo tempo, atiraram um contra o outro, para saber quem tombaria
primeiro. A arma do mal cuspiu cobras e lagartos, que se bateram contra os
muros do bem e ali mesmo tombaram, sem alcance do alvo perseguido. Da arma do
bem saíram flores, que soltaram fragrâncias, perfumaram os ares e fizeram com
que o mal fugisse em desabalada carreira.
O bem continua
morando nos prados da alegria, onde vive a esperança desde que amanhece o claro
dia, a ternura tece a vida com os fios do encanto e da beleza. O mal voltou a viver nas zonas trevosas da
matéria, onde fabrica até hoje suas redes com fios grossos bem trabalhados e as
arremessa com gosto para pegar os peixes grandes e miúdos nas águas da desgraça
alheia.
Cyro de Mattos - Membro efetivo da Academia de Letras da
Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Doutor
Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz.
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