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sexta-feira, 12 de agosto de 2022

CAETANO

Antônio baracho


Eu vi o Caetano

Namorando na Rua Rio de São Pedro

e saindo do Teatro Vila Velha,

tagarelando com os amigos.

Vi, naturalmente, andando, no Campo Grande, 

sorridente, buscando alçar voos, sonhando,

imaginando a "Cidade Maravilhosa".

 

Me deparei indo para o Largo dos Aflitos

com uma Mochila na mão.

Era o Caetano sem cruzar

a Avenida São João,

Das serestas na areia alva

da Lagoa do Abaeté,

do tempo do lançamento

de "procissão",

sem terno e gravata,

e de uma plateia

com os "Novos Baianos".

 

Tudo era simples:

As árvores do Vale do Canela,

o Bairro da Graça, 

os carnavais,

o trio elétrico,

as canções de Elis Regina,

 

O Show,

O palco, as fãs, 

E Caetano Veloso.


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 Antônio Baracho, Poeta Psicólogo.

Membro da Academia Grapiúna de Letras- AGRAL e ao Clube do Poeta Sul da Bahia.

Tel. (73) 98801-1224 / 99102-7937

E-mail: antoniobaracho@hotmail.com


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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

10 DE AGOSTO –Dia de Jorge Amado

Cacau 

No sul da Bahia cacau é o único nome que soa bem. As roças são belas quando carregadas de frutos amarelos. Todo princípio de ano os coronéis olham o horizonte e fazem as previsões sobre o tempo e sobre a safra. E veem então as empreitadas com trabalhadores. A empreitada, espécie de contrato para colheita de uma roça, faz-se em geral com os trabalhadores, que, casados, possuem mulher e filhos. Eles se obrigam a colher toda uma roça e podem alugar trabalhadores para ajudá-los. Outros trabalhadores, aqueles que são sozinhos, ficam no serviço avulso. Trabalham por dia e trabalham em tudo. Na derruba, na juntagem no cocho e nas barcaças. Esses formavam uma grande maioria. Tínhamos três mil e quinhentos por dia de trabalho, mas nos bons tempos chegaram a pagar cinco mil-réis.

Partíamos pela manhã com as compridas varas, no alto das quais uma pequena foice brilhava ao sol. E nos internávamos cacauais adentro para a colheita. Na roça que fora de João Evangelista, uma das melhores da fazenda, trabalhava um grupo grande. Eu, Honório, Nilo, Valentim e uns seis mais, colhíamos. Magnólia, a velha Júlia, Simeão, Rita, João Grilo e outros juntavam e partiam os cocos. Ficavam aqueles montes de caroços brancos de onde o mel escorria. Nós da colheita nos afastávamos uns dos outros e mal trocávamos algumas palavras. Os da juntagem conversavam e riam. A tropa de cacau mole chegava e enchia os cacauais. O cacau era levado para o cocho para os três dias de fermento. Nós tínhamos que dançar sobre os caroços pegajosos e o mel aderia aos nossos pés. Mel que resistia aos banhos e ao sabão massa. Depois, livre do mel, o cacau secava ao sol, estendido nas barcaças. Ali também dançávamos sobre ele e cantávamos. Os nossos pés ficavam espalhados, os dedos abertos. No fim de oito dias os caroços de cacau estavam negros e cheiravam a chocolate. Antônio Barriguinha, então, conduzia sacos e mais sacos para Pirangi, tropas de quarenta e cinquenta burros. A maioria dos alugados e empreiteiros só conhecia do chocolate aquele cheiro parecido que o cacau tem.

Quando chegavam ao meio-dia (o sol fazia de relógio), nós parávamos o trabalho e nos reuníamos ao pessoal da juntagem para a refeição. Comíamos o pedaço de carne seca e o feijão cozido desde pela manhã e a garrafa de cachaça corria de mão em mão.

Estalava-se a língua, e cuspia-se um cuspe grosso. Ficávamos conversando sem ligar para as cobras que passavam, produzindo ruídos estranhos nas folhas secas que tapetavam completamente o solo. Valentim sabia histórias engraçadas, e contava para a gente. Velho de mais de setenta anos, trabalhava como poucos e bebia como ninguém. Interpretava a Bíblia a seu modo, inteiramente diverso dos católicos e protestantes. Um dia contou-nos o capítulo de Caim e Abel:

- Vosmecês não sabe? Pois tá nos livros.

- Conte, véio.

- Deus deu de herança e Caim e Abel uma roça de cacau pra eles dividirem. Caim que era home mau, dividiu a fazenda em três pedaços. E disse a Abel: esse primeiro pedaço é meu. Esse do meio meu e seu. O último, meu também. Abel respondeu: não faça isso meu irmãozinho, que é uma dor do coração... Caim riu: ah! é uma dor do coração? Pois então tome. Puxou do revólver e - pum - matou Abel com um tiro só. Isso já foi há muitos anos...

- Caim deve ser avô de Mané Frajelo.

- Anda. A avó de Mané Frajelo era rapariga no Pontal.

- Você sabe, Honório?

- Sei. A mãe morreu de fome quando não pôde mais trepar com home. O fio nem aí...

- Miserave.

- Mas ele tinha vergonha da mãe.

- Mãe dele...


(Cacau, 1933.)

https://www.academia.org.br/academicos/jorge-amado/textos-escolhidos

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Jorge Amado - Quinto ocupante da Cadeira 23, eleito em 6 de abril de 1961, na sucessão de Otávio Mangabeira e recebido pelo Acadêmico Raimundo Magalhães Júnior em 17 de julho de 1961. Recebeu os Acadêmicos Adonias Filho e Dias Gomes.

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terça-feira, 9 de agosto de 2022

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: Medicamentos Não Encontrados em Farmácias

 


Medicamentos Não Encontrados em Farmácias:

 

01. Exercício físico é remédio.

02. Jejum é remédio

03. Comida natural é remédio.

04. Rir é remédio

05. Legumes são remédios.

06. Sono é remédio.

07. Luz do sol é remédio.

08. Amar alguém é remédio.

09. Ser amado é remédio.

10. Gratidão é remédio.

11. Deixar de lado a ofensa é remédio.

12. Meditação é remédio.

13. Ler e estudar a Palavra de Deus é remédio.

14. Cantar e louvar a Deus é remédio.

15. Comer bem e na hora certa é remédio.

16. Pensar direito e pensar bem com o estado de espírito certo é remédio.

17. Confiar e acreditar em Deus é remédio.

18. Bons amigos são remédios.

19. Ser perdoado e perdoar aos outros é remédio.

 

Utilizando esses medicamentos suficientemente, raramente precisará dos remédios de farmácia.

 

(Autor desconhecido)

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sábado, 6 de agosto de 2022

ALMAS MORTAS - Luíz Gonzaga Dias

 



Almas Mortas

Luiz Gonzaga Dias

 

Quem nunca amou, nunca sofreu. Não sabe,

 A dor que na alegria se resume.

Todo o prazer que no espírito cabe,

A tortura infernal que vem do ciúme.

 

Ao amor, na taba ou no serralho, árabe

Nem a velhice serve de tapume.

E a beleza que sem amor se acabe,

É comparada à rosa sem perfume.

 

Doce tormenta que aliena o juízo,

Metamorfoseia a vida em paraíso,

Para o infinito transportar destinos.

 

Coração sem amor – culto sem hinos!

Existência sem cor, sem vibração, perdida...

– Nunca viveu quem nunca amou na vida!

 

 

(CANÇÕES DE MINHA TERNURA)

Luiz Gonzaga Dias


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Ricardo Boechat entrevista Jô Soares