Nesta data, caro Amigo
Elevo aos Céus um louvor!
Rendendo Graças bendigo
Seu carinho acolhedor;
No meu Coração abrigo
o mais Fraternal Amor,
Pra comemorar Contigo
O "Dia do Escritor"
Eglê S. Machado
* * *
Nesta data, caro Amigo
Elevo aos Céus um louvor!
Rendendo Graças bendigo
Seu carinho acolhedor;
No meu Coração abrigo
o mais Fraternal Amor,
Pra comemorar Contigo
O "Dia do Escritor"
Eglê S. Machado
* * *
Como É Ser Escritor?
Cyro de Mattos
É profissão ou apenas uma atividade dos que exercem a arte literária? Thomas Mann afirma que não é profissão alguma, e, sim, uma maldição. Começa terrivelmente, muito cedo. Quis dizer com isso que o autor carrega todo o peso terrestre dentro dele quando faz a leitura do mundo com a palavra tomada de empréstimo à ilusão, impelido pela força do destino. De onde vêm, para onde vão nessas antenas da raça tantos sentimentos e tendenciosas explicações? Há quem afirme que a literatura ajuda a viver o sofrimento que todos nós temos na vida. Drummond acha que ela ajuda esse sofrimento ser um jogo divertido.
Não é
exagero achar que a literatura é uma profissão. É condição, ato ou efeito de
professar, perseguir, proferir crenças e valores. Declarar publicamente ao
outro o que somos no mundo. Nela confessamos nossa opinião sobre seres e coisas
porque assim é nosso modo de ser-estar no mundo. Profissão que não dá rendimentos para
sobreviver, não devia ser assim, dado que é forma de conhecimento da vida,
fundamental como o amanhecer. Exige esforço e labor. Sacrifício, doação. Não se
vive de literatura, mas para a literatura, dentro dessa condição em que o autor
procura liberar desejos e medos. Essa é minha crença, tem sido minha paixão. A
literatura vem demonstrando que gosta de mim, nesse meu jeito de respirar no
trânsito da vida. De fazer o bem, dizer
com a palavra que a vida é falha, não basta em razão da sua natureza, que em
essência é da própria incompletude.
Ela organiza
meus conflitos, oferta-me sonhos, equilibra-me na loucura do mundo. Nesse espaço vital é que me encontro como se
fosse a flor feita de um homem real. Um pobre homem, contraditório, finito,
provisório nesse intervalo entre o primeiro vagido e o último suspiro. Sem ela, não sou um ente que pensa e tem
emoção. Sou, como diz o poeta Pessoa, cadáver ambulante que procria. Com ela
tenho motivações de fazer leituras do mundo com as vestes da vida e da morte.
Ela põe o tempo dos humanos com possibilidade de aprofundar a vida, dos dias
retirar personagens que se queimam com suas dúvidas, choram às escondidas com a
sua incandescente ternura.
Sem essa alquimia do verbo que se faz revelação, não me
torno sequer menino, não aceno para as coisas da vida que se foi, como aconteço
nesses versos do poema “A Roda do Tempo”:
Criei vaga-lumes
Para vê-los à noite
Brilhando no quarto.
Nadei como um peixe
ágil
Nas águas mais claras
Do Rio de Água
Doce.
Como um pássaro
Tive cada voo
Com o vento mais alto.
Andei como bicho solto
Sem ter medo de nada
Pelas ruas do mato.
Mas a infância tem o sabor
De uma fruta que termina
Na idade dos homens.
Costumo dizer que o escritor é a única criatura neste planeta que gesta e pare duas vezes o mesmo filho. Gesta com suas motivações e pare quando o seu livro está concluído. Gesta pela segunda vez na fase de produção editorial até que o livro seja publicado. Não é fácil caminhar nessa estrada das letras, a essa altura, comprida. Há quem diga que sou um homem centralizador, só penso em mim quando tento encontrar-me por entre os rumores de minhas navegações agudas. Quem assim pensa, que tenho fome de fama, não sabe de solidões solidárias na madrugada de um homem só. Tenho pena da esposa, a mulher que me ama como sou. Ela sabe o que digo, durante mais de cinquenta anos em que juntos vivemos, provando alegrias e dores com a arte da palavra escrita.
Jorge Luís Borges declara que escreve
para viver. Gabriel Garcia Márquez
afirma que morre se não escrever, mas também morre se escrever. Bem ou mal,
escrevo porque assim devia ser. É minha
maneira de ser um homem útil ao outro no mundo. Se tudo é ilusão, sonhar é
sabê-lo, de novo escuto dizer isso
Fernando Pessoa. Fica claro que escrevo não com sede de imortalidade.
Sei também do meu tamanho e do lugar onde me ajusto entre os outros. No fundo de tudo, bom não esquecer, nós somos
iguais, entre nascer, viver e morrer. Cada um está aqui para contar a sua
história. Como o vento, não ficamos, para isso fomos feitos, passamos,
passamos.
Nada se pode fazer. Ai de mim, ai de mim. Como disse certa
vez nos dois últimos versos de um soneto:
Da cabeceira para a foz
Tantas explicações
Para saber enfim
Que nada sei de mim.
..................
Cyro de Mattos - Escritor e poeta. Primeiro Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna.
* * *
Meu Desejo
Álvares de Azevedo
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A Soberba Viagem
Cyro de Mattos
Sempre quis mundos ignorados,
a lua com sua prata na caverna
resvalava no meu olho provocado.
Saí como lesma de rastro brilhante
por entre pedras e escorpiões
sem saber tomar a direção certa.
O tempo modelou meu grosso
pelo nas pegadas do primata,
teceu-me de ira excedida
na aurora sorvida com o sangue
do que encontrava, meus ciclos
como acasos, ocasos, ó infância.
O fogo que dominei após eras
aqueceu-me na aspereza das horas,
alimentou-me enquanto a noite
obscura escondeu-me na caçada,
até hoje meu ser na vida instintiva
sabe a caçador de répteis e insetos.
Rolei nos séculos com as mãos
que tudo transformam. Metade
terra, metade céu. Sem paraíso
meus pés andaram com os ventos,
na minha biografia vi-me como fera
desde cedo nesse grito: “É meu!”
O egoísmo em que me inventei
produziu territórios de avidez
que se atropelaram na mente,
armazenaram na alma a agonia.
Mastiguei o que chamei vitória
no litoral atacado de horrores,
agi com assombros e miasmas
da mãe terra no verde dizimada.
.
Nuvens de amanhecer na maré
prepararam-me outros abismos,
da rota longínqua concebida
de monstros, medos tenebrosos,
submeti Polifemo ao meu arco,
medusas desencantei, amei sereias.
Singrei em ondas de escorbuto
com os que oravam em vão,
na aventura de funduras e largos
estendida por ondas incertas,
nos ventos de fé e esperança
dos que vieram ou ficaram
molhados de salgada aflição.
Esse amanhã heroicamente
de remoto reino edificado
na busca dos beijos da verdade.
Noite, tempo, vida, solidão,
água, fogo, terra, ar: os desvãos.
Bem soube, pois sou navegador,
que viver não é o que importa,
mais valia alcançar os horizontes,
recolher os frutos da vontade,
o mérito ter como saudade.
Por essa luz de sol quente
um sino em mim se enroscou,
a tatuagem fixou-se nesses brios
a subir das espumas meu jeito
de tecedor de estrelas no peito
de tanto fiar dia e noite os ventos.
Rosários de luz cintilavam
nos olhos do infante antes
pela janela do quarto,
bisaram meus olhos vítreos
no sem fim de galáxias
pela janela da nave hoje.
No seio da moça
pousei,
vi quanto o meu querer
fez dos sonhos a esperança.
Chorei, supliquei aos anjos
que me livrassem da máquina
monstruosa que fabriquei
para matar-me e aos outros
nos anos de fogo onde tombo.
Contente senti o coração
na manhã seguinte com doçura,
livre dos grilhões que impediam
fosse generosa essa viagem,
houvesse nos prados os pássaros.
Voltei com rações promissoras,
água da fonte boa para todos,
linda lira tocava com as cores
do arco-íris em suas cordas.
Assim o aerólito colombino,
pelas vastidões do sem fim
optou pelo canto mavioso
do novo dia, sem abrir mão
desse bendito ramo verde
tirado de coisas sensatas
para encher de sereno a ternura.
Da cena enramada no bico
deixei que eu viesse utópico,
sabedor duma união geral
no sono que mantém um sonho
capaz de derrotar todos os danos
no enfrentamento dessa vida
urdida há milênios por ódios.
Já me avistava no lar esférico
do que me tornei com fortes laços.
Pelos campos onde os olhos
aprendem o amor com sobras
exalavam suspiros e enleios.
Sem mais precisar da lágrima
que derrame dores constantes
advindas de disputas perversas,
que a vida se torna afável quando
venerada nas tuas leis, mãe azul.
Basta-me ser os agrados
que dos céus
herdastes
pois que dos céus és filha.
E eu no enigma de ti sou fruto
mais o outro no jogo do mundo.
Decerto agora razão e emoção
no som dessa música próxima
afloram anunciando a benção
dessas rações de tudo para todos,
entre os verdes que despontam
e os maduros caindo aos montes.
-----
Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Também editado no
exterior. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Membro efetivo da
Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris
Causa da UESC.
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