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sexta-feira, 16 de março de 2018

GRAMÁTICA FEMINISTA: “PERIGO MORTAL” PARA A CULTURA


14 de Março de 2018
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Academia Francesa, fundada por Richelieu (1635), sob o reinado de Luís XIII

A Academia Francesa repudiou como bárbara a “linguagem igualitária” ou “linguagem inclusiva”, novo campo de batalha das feministas. Para os brasileiros terem uma ideia do que isso significa, imagine-se um exemplo na nossa língua: ao invés de usar a expressão consagrada “dar nome aos bois”, seria preciso acrescentar “… e às vacas”. Os “imortais” da Academia alertaram que “diante dessa aberração inclusiva, a língua francesa se encontra em perigo mortal”. Políticos e intelectuais de esquerda tentam incluir essa linguagem na requintada língua francesa. A resistência do público é ferrenha e majoritária. A escritora Catherine Millet explicou: “Tentei pronunciar algumas palavras, e é infernal”. O ministro da Educação alega que “fragmenta as palavras” e “machuca a língua”.


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MEU JARDIM - Cyro de Mattos


Meu jardim


Ontem o girassol
brilhou de sol a sol.
Hoje a borboleta
brincou com a violeta
e a operosa abelha
beijou a rosa vermelha.

Amanhã a magnólia
vai contar a história
do Reizim Valentim
e seu cavalo Bandolim.
Coisas coloridas assim
acontecem em meu jardim.

Cyro de Mattos 
Baiano de Itabuna. Escritor e poeta, Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Sul da Bahia). Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna.

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DIOGO DEIXA MUITAS SAUDADES! - Antonio Nunes de Souza


Diogo  deixa muitas saudades!


Infelizmente, nem todos que atravessam essa vida dada por Deus, deixam marcas de suas passagens pelo nosso planeta! Muitos por que não se preocuparam, outros tantos porque não encontraram razões e, na maioria por falta de oportunidades e competências!

Mas, no meio de todos esses, existem e existiram uma porção que, graças a Deus, lutaram bravamente e alcançaram os louros do sucesso, os reconhecimentos de todas as vertentes sociais e, complementando, fazendo um trabalho honroso na área da educação!

Nosso querido e estimado DIOGO CALDAS foi um dos vencedores nos seus projetos e trabalhos, carregando uma bandeira e bastão de um arauto oficial dos acontecimentos sociais de toda região cacaueira, principalmente em Itabuna!

Ele, juntamente com outros colunistas, cuidava criteriosamente e qualificadamente de levar para os jornais e revistas, todos os minuciosos acontecimentos dos eventos sociais, usando de uma categoria literária, que, facilmente quem lia suas colunas, sentiam-se deliciando os fatos e comestíveis que ele, com categoria, abarrotava de minúsculos detalhes!

Conhecedor e estudioso da moda, fazia a festa com os vestidos das suas preferenciais elegantes, promovendo uma série de outras que emergiam no Top social, tudo isso sem contar os grandes desfiles de moda que ele, prodigamente promovia durante o ano nas diversas estações!

Certamente, será sempre lembrado com carinho, pois a sua maneira gentil e educada de tratar as pessoas, deixou marcado em todos nós, como ele foi alguém que veio e dedicou sua vida a dar vida aos fatos, atos e acontecimentos da sociedade!

Onde você estiver, meu querido DIOGO CALDAS “Flavius”, pode ter a certeza que sempre será lembrado e que estamos sentindo a sua doce e marcante presença!

Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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quinta-feira, 15 de março de 2018

A JORNALISTA SONIA ZAGHETTO ESCREVE SOBRE A ENTREVISTA DE LULA, DEPOIS DO SEU DEPOIMENTO


6 Março, 2016
Assisti ao discurso do ex-presidente Lula da forma o mais isenta possível e mente aberta. Obviamente não esperei grandes mudanças, mas imaginei que haveria um pouco de autocontrole como demonstração de inteligência.

Aguardei alguma demonstração de contenção, se não por gestão de imagem, mas como medida destinada a não aumentar a grande fogueira dos ódios deste país.

Imaginei que, dado o momento inédito em sua vida, manifestaria algum respeito aos milhões de brasileiros cujas mentes não se curvam à retórica barata. Em vão: palavras vazias, em uma fala recheada de clichês e tolices, plena de auto louvação, piadas grosseiras, delírios narcisistas e frases piegas que comoveriam apenas pré-adolescentes ou amigos encharcados de boa vontade.

Houve, ainda, uma revisita a dois clássicos: a velha estratégia vitimista sobre a perseguição movida pelas elites por ser o redentor dos pobres; e o desejo sádico de alimentar um pouco mais o ódio que hoje divide seus compatriotas. Observei-lhe o rosto contorcido, a expressão raivosa, a incapacidade de se reconhecer como cidadão comum, submetido às leis do país. E entendi: Lula hoje acredita piamente na imagem que ele e seus aduladores criaram. Para ele, é inadmissível que seja investigado, ou conduzido a depor: trata-se de falta de respeito. Logo ele, tão grandioso, dotado de tal inteligência que chega a mencionar com desprezo os que dedicam longos anos ao estudo.

Atrás dele, uma multidão aplaudia, mesmerizada. E me veio à memória uma história que se conta sobre Júlio Cesar. Ao entrar triunfante em Roma, quase semideus em sua dourada carruagem, trazia consigo um escravo que o prevenia contra os excessos da vaidade, lembrando-o, de tempos em tempos: "Memento mori!" (Lembra-te que és mortal!).

É uma pena que Lula não tenha entre os seus quem o alerte para os excessos intoxicantes da vaidade que cega.

É uma pena que Lula ame apenas a si mesmo e não ao país, transformando uma parte significativa de nossa população em inimigos sobre quem açula seus cães.

É uma pena que ninguém lhe diga, francamente, que o rei está nu - que sua habilidade de comunicação só funciona para dois segmentos: os que se renderam a essa nova forma de fanatismo criada por seu partido; e a parcela da população cuja ausência de educação é louvada como vantagem e não como vergonha.

Despido de riquezas morais, passará à história como fanfarrão histriônico.
Órfão de qualidades éticas, não consegue reconhecer que ultrapassou todos os limites.

Desabituado à reflexão, não vê além dos limites das necessidades básicas.

Embriagado pela bajulação, não consegue ver nas críticas de milhões de brasileiros a advertência severa para seus excessos.

Tudo isso, Lula já havia demonstrado sobejamente em ocasiões anteriores. Hoje apenas reafirmou, em rede nacional, que desconhece o significado da palavra grandeza.



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DOM CESLAU STANULA - O Sínodo


06/03/2018
Depois do Concílio Vaticano II foi introduzido na Igreja frequentemente o Sínodo

Mas o que é o Sínodo?

A palavra “sínodo” vem de duas palavras gregas: “syn”, que significa “juntos”, e “hodos”, que significa “estrada ou caminho”. Logo, o Sínodo dos Bispos pode ser definido como uma reunião do episcopado da Igreja Católica com o Papa para discutir algum assunto especial, procurar novos caminhos da missão e auxiliar o Papa no governo da Igreja.

O Sínodo dos Bispos foi instituído pelo Papa Paulo VI em 1965. Desde então, foram realizadas 25 Assembleias Sinodais.

O Sínodo, segundo definiu o próprio Papa Paulo VI é uma instituição eclesiástica, sensível aos  sinais dos tempos para os interpretar e descobrir os desígnios divinos por onde deve caminhar a Igreja Católica após o Concílio Vaticano II.

Também foi instituído para estreitar a união entre os bispos do mundo e a sua colaboração com a Sé Apostólica.  O Sínodo não produz o documento. Apresenta a colaboração, propostas dos bispos do mundo sobre um determinado assunto, dos quais o Papa escreve o documento chamado Exortação Apostólica.

Por exemplo, tivemos já o Sínodo sobre a Família, sobre os Sacerdotes, sobre os Bispos etc., e o último, foi de novo sobre a Família, que resultou a Exortação Apostólica: Amoris Laetitia, sobre o amor na Família.

Com a minha oração e a benção. Uma boa e repousante noite.
Dom Ceslau

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07/03/2018

A Igreja sempre acompanha a realidade dos povos. Além dos Concílios Ecumênicos e Sínodos organiza as Conferências em determinadas regiões do mundo com a intenção de iluminar o povo, de uma determinada região com a luz do Evangelho.

Na América Latina, cada dez anos se realiza a Conferência dos Bispos da América Latina e do Caribe para tratar dos assuntos ligados com a realidade concreta do continente. As cinco conferências já realizadas marcaram a Igreja da América Latina, dando-lhe o rosto muito próprio e bem definido.

A título de esclarecimento: a conferência leva o nome do lugar onde foi realizada. Por exemplo: Rio de Janeiro, Aparecida. Medelin...

Outro dado importante: só as nossas Conferência da América Latina produzem o documento doutrinário , que logo após aprovação do Papa, entra como documento oficial do ensino da Igreja. Não como os sínodos, onde os padres sinodais mandam as propostas sinodais para o Papa e ele elabora o documento. É um dado muito importante. (A continuação conheceremos estas conferências).

Com a oração e a benção em Cristo Jesus. Desejo uma repousante noite.
Dom Ceslau
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08/03/2018

A primeira Conferência Latino Americana realizou-se no Rio de Janeiro em 1955. Hoje pouco se fala dela até está  desconhecida. Foi ainda antes do Concilio Vaticano II.  A principal preocupação da Conferencia foi a Igreja em si, a defesa da fé, escassez dos sacerdotes, ignorância religiosa etc. O diálogo com o mundo de fora praticamente não aparece. Não havia muita preocupação com o social, a não ser só algumas constatações como a desigualdade entre os pobres e ricos, a importância da doutrina social da Igreja e o papel especial e insubstituível do laicato católico.

A questão indígena foi tocada, mas no sentido como incorporar o indígena, com honra, no seio da verdadeira civilização. O índio visto como ser primitivo! A decisão mais importante dessa conferência foi o pedido dirigido ao Papa Pio XII para se criar um organismo que pudesse unir mais as forças da Igreja na América Latina. É aí que surgiu a ideia do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano). O Papa aceitou a proposta e aprovou o pedido  em 1955.

Com a minha oração e a benção em Jesus, Uma boa e tranquila noite.
Dom Ceslau.
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09/03/2018

A segunda Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano realizou-se em Medellín (Colômbia) em 1968.
Essa conferência deu-nos 16 documentos. Praticamente constitui uma releitura do Vaticano II para a América Latina e o Caribe. Eis em poucas palavras o espírito da Conferência:
No primeiro documento sobre a Justiça, já encontramos a palavra-chave que marcará Medellín: a libertação. Jesus veio para nos libertar de todas as injustiças como fome, violência, a opressão... Numa palavra da injustiça que tem a sua origem no egoísmo humano.

A visão do mundo pelo Vaticano II foi uma visão otimista, e a palavra-chave era desenvolvimento. Em Medellín, a teologia do desenvolvimento e da promoção humana cede lugar à teologia e pastoral da libertação.

É a descoberta do submundo dos pobres, dos países pobres, que é a maioria da humanidade, e pobres devido a uma situação de dependência opressora, gera injustiça. Não teremos um continente novo sem novas e renovadas estruturas, e, sobretudo não haverá continente novo sem homens novos que, à luz do Evangelho, saibam ser verdadeiramente livres e responsáveis (Med 1,3).

O ponto alto da pastoral libertadora da Igreja encontra-se na clara e profética opção preferencial pelos pobres. É uma opção pelo “ser mais” e não pelo “ter mais”. Os documentos mais marcantes de Medellín são: Justiça, Paz, Pobreza da Igreja.

Com a minha benção e oração. Boa noite.
Dom Ceslau.

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12/03/2018

A terceira Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano realizou-se em Puebla de Los Angeles (México) em 1979. A base de toda a reflexão foi a Exortação Apostólica “Evangelii Nuntiandi” - (Sobre a evangelização dos povos) do Beato Papa Paulo VI de 1975.

Foi a releitura do documento para a América Latina com o tema a evangelização no presente e no futuro da  América Latina. A pregunta chave foi: qual o mundo que a Igreja deve evangelizar? - Com que mundo a Igreja, em nome do evangelho, se deve comprometer?  Em outras palavras, como atuar pastoralmente na América Latina em total fidelidade ao Evangelho? Quais as opções pastorais fundamentais tomar para que o Evangelho seja um acontecimento atual e presente com toda a sua vitalidade e força original?

Na época em que se realizava Puebla, o mais urgente desafio era a defesa da dignidade da pessoa humana, a proclamação dos direitos fundamentais da pessoa humana na América Latina, à luz de Jesus Cristo. Estes direitos, na época foram violados, devido a reinante ideologia da segurança nacional. Por isso, surgiu a necessidade de uma evangelização em comunhão e participação de todos para que o ser humano possa ser mais humano, à luz de Jesus Cristo. (Continuaremos).

Com a benção e oração. Um sono tranquilo com os Anjos vigilantes.
Dom Ceslau.
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13/03/2015

Continuando o conhecimento dos Documentos emanados da Igreja da América Latina, vejamos ainda outro pensamento do Puebla. A parte mais importante do documento de Puebla é a IV Parte, em que, além da opção preferencial pelos pobres, pelos jovens e da ação da Igreja junto aos construtores da sociedade pluralista na América Latina, trata de modo muito especial dos direitos fundamentais do ser humano, direitos individuais, sociais e também alguns de índole internacional.

Em toda a reflexão pastoral de Puebla, busca-se a comunhão e a participação na Igreja e na sociedade para se chegar à verdadeira e autêntica libertação.

O modelo da ação evangelizadora para Puebla são as comunidades eclesiais de base. A nova responsabilidade da América Latina agora é o aprofundamento da fé. Fé mais operativa, sobretudo por meio da família, da juventude, das comunidades eclesiais de base, sempre animadas pela mentalidade missionária e diálogo permanente com as culturas vivas do continente.

Uma noite abençoada e tranquila. Com a benção e oração.
Dom Ceslau

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14/03/2018

A IV Conferência-Geral Latino-Americana realizou-se em Santo Domingo (República Dominicana) em 1992.

Se em Medellín a palavra-chave era libertação, em Puebla, comunhão e participação, em Santo Domingo foi a inculturação.
Santo Domingo dá atenção especial à promoção humana, a pedido do próprio Papa João Paulo II, devido à necessidade de todos se sentirem e agirem como “gente”.

Para que haja uma autêntica promoção humana, é preciso ter em conta as diferentes culturas presentes na América Latina e no Caribe. Nas diferentes culturas latino-americanas e caribenhas começa a impor-se nova cultura. É a cultura presente nos meios de comunicação social, na mentalidade fortemente reinante no espírito urbano-industrial, e que perpassa todas as camadas da sociedade. Tal cultura não é fácil de definir, mas caracteriza-se por um espírito técnico-científico.

É um espírito calculista, explorador dos recursos da natureza, e que, ligado à funcionalidade das pessoas no atual mundo urbano, desumaniza e despersonaliza as criaturas humanas, tornando-as meros robôs.

É um espírito secularista, sem nenhum referencial ao transcendental, criando uma cultura de morte no mundo contemporâneo.

Com a abundante benção de Deus de amor e a minha humilde oração. Uma boa e repousante noite.
Dom Ceslau.
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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL.

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quarta-feira, 14 de março de 2018

POVO DINÂMICO – Carlos Pereira Filho


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Povo dinâmico


            Descrevemos em vários capítulos episódios passados em Itabuna até a época atual. Do período ditatorial até os nossos dias democráticos passaram pela prefeitura Armando da Silva Freire, 1945, José Dezousa Dantas, 1945, Lauro Azevedo, 1946, Armando da Silva Freire, 1946, Ubaldino Brandão, 1948, Miguel Fernandes Moreira, 1958, Francisco Ferreira da Silva, 1955, José de Almeida Alcântara, 1959. Armando da Silva Freire e Francisco Ferreira da Silva foram, por duas vezes, chefes do Executivo municipal.

            Ao olharmos para o passado, e antes de tentarmos focalizar o presente, temos a impressão de que fizemos uma longa viagem.

            Se um rei salmista tivesse aparecido para ordenar a criação de uma cidade e o seu centro de produção, aos pulos, como concitou as montanhas para adorarem ao  Criador, o milagre não se teria operado tão rapidamente como aconteceu na história da construção de Itabuna.

            Os séculos formam a história da civilização de muitos, povos, no decorrer de anos a fio e de um trabalho paciente, constante, através de sucessivas gerações.

O município organizou-se rápido, como a ordem da Palavra de Deus, na criação do mundo que habitamos, segundo a narração Bíblica.

            Ainda vivem pessoas que conheceram, conviveram com os seus primeiros fundadores e que, ainda, alcançaram os velhos trechos da vila e da cidade fundada em 1910. Manuel Fogueira, Jorge Maron Filho, Gileno Amado, Francisco Fontes e muitos outros guardam ainda na memória os fatos mais destacados da construção de Itabuna.

            Há deles que trabalharam nas ruas, calçando-as, há deles que derrubaram matas e fizeram plantações de cacau, há deles que coivararam as matas para semear o capim das pastagens, há deles que tomaram parte no domínio político.

            O fato importante na formação do município é ter sido produto de puro sangue brasileiro. O mesmo ardor que se agarrou ao desbravador das matas ilheenses apoderou-se dos que cultivaram as matas Itabunenses. Sendo que na terra Itabunense o estrangeiro não orientou, não incentivou, nem civilizou. O trabalho, a cultura da terra,  a expansão, o método, a disciplina, o exemplo, da dedicação, de abnegação, decorreram, fluíram dos brasileiros oriundos de todos os Estados,  destacadamente dos sergipanos.

            Se tivesse havido, na formação de Itabuna, um plano previamente organizado, com ensino técnico sobre lavoura, com divisões de áreas para cacau, cereais, pastagens, por certo o plano não atingiria, neste regime, a meta que alcançou o trabalho feito pelos destemidos desbravadores da terra. Ela, se olhada do alto, se reduzida a um postal, se apresentaria como um verdadeiro jardim armado de leiras gigantescas que se poderiam apontar com os dedos e dizer: “Aqui está a área do cacau, ali a dos cereais, acolá a das pastagens e, ainda, à margem do rio o comércio, seu centro de abastecimento”. No conjunto há tal harmonia, um cuidado de aplicação de energias de distribuição de trabalho que denuncia e revela a capacidade de orientação econômica de um povo.

            Não há um palmo de terra desocupada, sem dono, sem uma finalidade. Economistas que se houvessem reunido para criar alguma coisa dinâmica com as suas doutrinas de produção e riqueza, talvez não tivessem realizado uma obra tão admirável como a levada a efeito pelos Itabunenses, em todos os setores.
            Contemplada a obra em detalhes, por algum exigente sociólogo, naturalmente apresentará algumas falhas o que não é de estranhar ou censurar, dada a marcha acelerada da sua edificação, e a simplicidade dos seus operários.

            Mas como obra de conjunto não vemos falhas que perturbem o ritmo da sua grandeza. Nela não falta o aspecto social, o político, o econômico. Nela se vê, se percebe, se sente a força da evolução, do progresso, da prosperidade, o sentido da marcha para o bem-estar público, que é o sentido altamente característico de uma civilização em posição cultural apreciável.

            As suas escolas, os seus hospitais, as suas associações, os seus estabelecimentos bancários, os seus jornais, a possante estrutura do seu mundo econômico e financeiro, a linha de orientação construtivas dos seus governantes, expressam o retrato fiel de um povo integrado e consciente, politizado e certo do programa que cumpre, no objetivo de melhores dias e de um futuro grandioso.

            E o que significa, no seu povo, essa ânsia de progresso, de desenvolvimento, de consciência econômica social? Significa que o povo Itabunense guarda, conserva, cultiva em todas as formas de evolução, de adaptação, de lutas, os sentimentos dos seus antepassados, mantém com dignidade o nome legado por eles, e olha o futuro.

            Um simples olhar de observação, uma análise superficial evidencia o arrebatamento dos Itabunenses na marcha para o progresso. Eles não esperam pelos governos, eles não apelam para os vizinhos, eles não se queixam das suas mágoas. Eles trabalham, produzem, avançam. Cobrem as etapas das suas iniciativas, com uma facilidade inverossímil, com o dinamismo de um povo sacudido por uma determinação revolucionária.

            Poderíamos dizer que os Itabunenses escreveram, em curto prazo, a maior página de progresso e prosperidade da terra cacaueira.

            Preferimos, todavia, afirmar que escreveram a mais bela e encantadora página do livro da história da economia regional.

            Tivéssemos tomado uma canoa e percorrido durante anos e meses o longo curso de um rio, ao chegarmos à sua foz, ao darmos num mar aberto, poderíamos exclamar: assim aconteceu à terra Itabunense, de Firmino Alves até aos nossos dias. Em 1860, em 1901, em 1910, o município representava esse rio que navegamos. Em 1959, data do cinquentenário de sua fundação de cidade, é o município esse mar imenso que divisamos oceano de atividade humana e de civilização.


(TERRAS DE ITABUNA Capítulo XXVIII)
Carlos Pereira Filho

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UM HERÓI CONTRA O COMUNISMO E O NAZISMO - Plinio Maria Solimeo

13 de Março de 2018

Teresio Olivelli participou da resistência católica. Lutou contra a URSS, foi morto pelos nazistas num campo de concentração.

Plinio Maria Solimeo

         Em janeiro de 2008, 73 anos após sua morte, Teresio Olivelli teve reconhecido o seu martírio e foi elevado à honra dos altares na condição de beato. Sua breve vida foi tão cheia de acontecimentos que mais se assemelha a um filme de ação.

Assim a resume o site Religión en Liberta1“Defensor da Espanha católica perseguida na Guerra Civil, seduzido por alguns aspectos do fascismo, quis impregná-lo dos valores cristãos; lutou contra a URSS na II Guerra Mundial, enfrentou o nazismo e o fascismo como membro da resistência católica, foi detido e levado a campos de concentração, escapou de vários deles, erigiu-se em defensor dos mais débeis na prisão, e finalmente morreu por ódio à fé, no campo alemão de Hersbruck, ao receber os golpes destinados a outro.” Tudo isso antes de Teresio Olivelli atingir os 30 anos de idade.

Nascido em 1916 em Bellagio, no norte da Itália, recebeu muita influência religiosa de seu tio materno, o Pe. Roco Invernizzi, pároco de Tremezzo. Em 1926 mudou-se com os pais para Pavia, onde dois anos depois se formou com louvor em Direito.

Católico autêntico, ele correspondeu à benéfica influência do tio sacerdote. Ia diariamente à Missa e fazia sua meditação, também diária, com base nos Evangelhos e na Imitação de Cristo. Confessava-se e comungava semanalmente. Entrou para a Ação Católica, distinguindo-se pelo amor aos pobres e aos indefesos, bem como pela defesa destemida da fé quando surgia ocasião.

Entretanto, por certa ingenuidade, sendo ainda muito moço, deixou-se atrair por alguns aspectos mais conservadores do fascismo e nele se filiou no intuito de influenciá-lo por dentro, para impregná-lo da doutrina católica. Essa ilusão com o fascismo inicial atraiu a este muitos católicos desavisados.
Teresio chegou até a ocupar cargos nesse regime. Entretanto, quando retornou da Rússia durante a II Guerra Mundial, tendo conhecido as aberrações e as consequências deletérias do fascismo, rompeu definitivamente com sua ideologia, abandonando qualquer forma de colaboração, mesmo cultural, com ele.

Em 1936 estourou na Espanha a sanguinária Guerra Civil [foto] entre comunistas e católicos, com furibunda perseguição à Igreja. Nela 4.184 sacerdotes, 2.365 frades e religiosos, 283 monjas e mais de 3000 seculares foram assassinados. Centenas deles já foram elevados à honra dos altares.

O jovem Olivelli desejou ir àquele país para lutar em defesa dos católicos. Mas iria por sua conta e à margem do contingente mandado pelo regime fascista. Entretanto, seu tio sacerdote o dissuadiu de participar dessa cruzada, embora alguns afirmem que ele chegou a ir.

Teresio assim se expressa, em carta, sobre o dever dos jovens e o que sucedia na Espanha: “A juventude, ou é heroica, ou é miserável. O homem não pode dar a uma ideia a metade de si mesmo; tem que dar tudo. Assim que, quando é Cristo o ideal que nos impulsiona, creio que o dever se cumpre com um amor total a Ele, que deve ser consumado até a última gota de sangue. Ou se vive a fé como conquista, ou mais se assemelha à anemia dos invertebrados. Na católica Espanha se está atacando o divino em nós, combate-se para vencer o Anticristo [comunista], que é a negação do homem e de Cristo. O futuro não pertence aos fracos. A vida é perfeita quando perfeito é o amor”.

Em 1939 ele se tornou professor assistente na Universidade de Turim, e por suas habilidades oratórias ganhou um concurso em Trieste.

Como professor assistente na Universidade de Turim, apesar de muito jovem, Olivelli mostrou-se muito competente no âmbito cultural. Nas horas vagas ia ajudar a cuidar dos pobres no hospício fundado por São José Benedito Cottolengo.

Quando estourou a II Guerra Mundial, o jovem jurista se apresentou em 1941 como voluntário na Divisão Tridentina que ia à Rússia. Fê-lo para compartilhar o destino dos que estariam mais expostos na batalha. Com o posto de segundo-tenente, Olivelli ali viveu o horror da guerra e constatou por experiência própria a perversidade da seita comunista.

No horror do campo de batalha, auxiliando os capelães do regimento, Teresio Olivelli procurava dar assistência espiritual e conforto aos feridos e moribundos, preparando-os para verem a Deus face a face. Ele não duvidava em arriscar sua vida para resgatar os caídos em combate. Isso se tornou mais dramático durante a desastrosa retirada, na qual ele muitas vezes tinha que abrandar sua marcha para ajudar os feridos e os fatigados, mesmo com o risco da própria vida. Olivelli comentava com eles o Evangelho, levando-os a sofrer com resignação os extremos do angustiante frio, como ocorreu sob as tempestades de neve às margens do rio Don, procurando de algum modo os aliviar.

Entretanto, não estava nos planos divinos que ele caísse no campo de batalha. Olivelli pôde retornar à Itália em 1943, aos 27 anos de idade. Foi então nomeado reitor do prestigioso Colégio Ghislieri, de Pavia [foto ao lado].

Depois do armistício desse ano de 1943 e a consequente invasão alemã de toda a parte da Itália que não havia ainda sido recuperada pelos aliados, Teresio Olivelli não quis jurar lealdade à nova República Social Italiana e tornar-se cúmplice dos crimes nazistas. Foi então detido e enviado a um campo de prisioneiros em Insbruck, e depois para outros dois. Conseguiu escapar do segundo e fugiu a pé para a Itália, onde se juntou à resistência católica.

Para ele, a reconstrução do país depois da guerra não seria plena sem os valores cristãos. Daí a necessidade de uma “rebelião da consciência e do intelecto” em face dos erros vigentes. Nesse sentido, fundou em março de 1944 “O Rebelde”, publicação clandestina de circulação entre os meios católicos. Nela publicou um “manifesto dos rebeldes”, no qual conclamava os católicos para o que chamava de “revolta moral contra o fascismo”, a ser levada avante por meio da oração.
É claro que foi logo descoberto pela polícia alemã e levado para diversas prisões, sendo em cada uma delas torturado e açoitado sem clemência. Chegou assim ao campo de prisioneiros de Flossenbürg, na Baviera. Na prisão, Olivelli se valia de seu domínio da língua alemã para assistir outros prisioneiros, inclusive carregando suas culpas.

Finalmente foi transferido para o campo de concentração de Hersbruck, onde confortou e assistiu em seus últimos momentos o seu amigo Eduardo Focherini, agora também beatificado.

Como verdadeiro apóstolo, Teresio organizou a reza diária do terço às noites no campo de extermínio. Dava conselhos e assistência aos outros prisioneiros, cedendo inclusive parte de sua comida aos mais necessitados. Na ausência de sacerdotes no campo, ele organizava as orações secretas, reuniões para leitura do Evangelho, aulas de catecismo, inclusive em diferentes idiomas. Prestava também assistência religiosa aos moribundos. Seu cuidado com os doentes era extremo: cuidava dos abandonados, levava-os à enfermaria, ajudando-os dia e noite, limpando suas feridas, distribuindo sua magra ração entre eles para fazê-los sobreviver, enquanto ele ia emagrecendo. Desse modo passou a ser conhecido no campo como o “sacerdote substituto”. Foi precisamente ajudando os débeis que Teresio encontrou a morte.

Por tudo isso os agentes da SS o odiavam mais que aos outros prisioneiros, pois viam nele quase um sacerdote. Por isso o maltratavam impiedosamente por qualquer motivo, de modo que, em dezembro de 1944, pouco antes de seu martírio, Teresio já estava com o corpo cheio de contusões e feridas.

Em janeiro de 1945, quando um feroz guarda nazista ia atingir um débil prisioneiro ucraniano, Teresio cobriu-o com seu corpo. Cheio de ódio, o guarda deu-lhe um pontapé no estômago e o cobriu de golpes. Já muito débil, o beato foi levado à enfermaria, aonde chegou quase moribundo. Depois de duas semanas de agonia e sofrimento, durante as quais manteve a lucidez suficiente para rezar, percebendo que seu fim estava próximo, recomendou que suas roupas fossem dadas a um companheiro de prisão. Olivelli consumou o seu martírio aos 29 anos de idade.
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http://www.religionenlibertad.com/lucho-contra-urss-paso-resistencia-catolica–57587.htm. Também consultada: Gianpiero Pettiti Santi i beati, http://www.santiebeati.it/dettaglio/92229

http://www.abim.inf.br/um-heroi-contra-o-comunismo-e-o-nazismo/#.Wqk8RmrwbIU

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